Ibope mostra Sebastião com 49% dos votos e Manuela com 42%

Sebastião Melo (MDB) tem 49% contra 42% das intenções de voto de Manuela D’Ávila (PCdoB) no segundo turno das eleições para a Prefeitura de Porto Alegre. Os números são da pesquisa Ibope, divulgada nesta terça-feira, 24/11.

Ainda, brancos e nulos são 5%, enquanto 4% não sabem/não responderam.

Se considerados somente os votos válidos, ou seja, excluindo brancos e nulos, Sebastião Melo tem 54% e Manuela, 46%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Foram ouvidos 805 eleitores da capital, entre os dias 22 e 24 de novembro. A pesquisa tem identificação na Justiça Eleitoral e foi encomendada pelo grupo RBS.

No primeiro turno mais de 33% dos eleitores de Porto Alegre não compareceram à votação. Convencer esses eleitores a irem votar pode ser decisivo na disputa.

Foi a primeira pesquisa do Ibope para o segundo turno na Capital. Na semana passada uma pesquisa do Instituto Paraná apontava Melo com 53% e Manuela tendo 32% das intenções do voto. Comparando os números, nota-se uma diminuição da diferença entre os candidatos. A eleição ocorre domingo, 29/11.

Fiscal do Carrefour é presa temporariamente por participação no assassinato de Beto

A Polícia Civil pediu e a justiça decretou a prisão temporária de Adriana Alves Dutra, 51 anos, pelo prazo de 30 dias, prorrogável pelo mesmo período. O pedido feito pela polícia e ratificado pelo Ministério Público foi inicialmente pela prisão preventiva de Adriana, que é investigada pela participação na morte de João Alberto Silveira Freitas, na última quinta-feira, 19/11, no supermercado Carrefour da zona norte de Porto Alegre.

Agente de fiscalização do supermercado, Adriana é vista em vídeos da morte de João Alberto andando ao redor da vítima e parece falar por meio de um rádio. Ela ainda é flagrada tentando impedir as filmagens e discute com outros clientes. A funcionária, que aparece em imagens de camisa branca, calça preta e crachá, ameaça pessoas que gravavam o fato. “Não faz isso, não faz isso senão vou te queimar na loja”, diz.

Adriana se apresentou no Palácio da Polícia nesta terça-feira e foi avisada da prisão. Para a delegada Roberta Bertoldo, ela é a superior hierárquica dos homens que espancaram e asfixiaram a vítima, os seguranças Marcos Braz Borges e Giovane Gaspar da Silva, que já estão presos desde a noite do assassinato. A fiscal é investigada por homicídio doloso triplamente qualificado, assim como os seguranças.

Adriana Alves Dutra teria acionado os dois acusados, que faziam a segurança do estabelecimento naquela noite, para conduzir a vítima para fora da loja, onde ele foi agredido e morreu. A polícia informou que a suspeita deixou a casa onde mora logo após o fato, sem informar onde estava, o que também sustentaria o pedido de prisão. A Advogada dela afirmou que Adriana saiu de casa por se sentir ameaçada.

A Juíza Cristiane Busatto Zardo esclareceu que é preciso verificar a participação de Adriana Alves Dutra e, talvez, de outras pessoas neste caso. A magistrada disse que não afasta a necessidade, mas antes de se cogitar a prisão preventiva, é preciso investigar melhor a posição da representada nos fatos. “Entendo, assim, que a prisão temporária se mostra mais adequada, neste momento, permitindo à Autoridade Policial que colha os elementos que forem necessários e possíveis aos esclarecimentos dos fatos”. A justiça também esclareceu que a prisão não viola a lei eleitoral, já que a mulher é moradora da Região Metropolitana, em cidade que não terá segundo turno.

A Polícia Civil também investiga a possível participação de outras pessoas no crime e pretende esclarecer o motivo do soco que João Alberto deu em um dos seguranças, o que desencadeou a reação abusiva dos seguranças, e se há registros de outros desentendimentos de Beto ocorridos no supermercado.

ONU pede investigação independente da morte

A alta comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, pediu às autoridades brasileiras que seja investigada de maneira “rápida, completa, independente, imparcial e transparente” a morte de João Alberto Silveira Freitas.

Em comunicado, a porta-voz da alta comissária, Ravina Shamdasani, disse que a morte de João Alberto “é um exemplo extremo, mas infelizmente muito comum, da violência sofrida pelos negros no Brasil”, onde há “persistente discriminação estrutural”. Segundo ela, Bachelet salienta que é preciso apurar se o crime foi motivado por preconceito racial.

A morte ocorreu na noite de quinta-feira (19), véspera do Dia da Consciência Negra, no supermercado Carrefour, em Porto Alegre.

Conforme a porta-voz da alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, o racismo, a discriminação e a violência contra afrodescendentes no Brasil “são documentados por dados oficiais, que indicam que o número de vítimas afro-brasileiras de homicídio é desproporcionalmente maior do que outros grupos”.

Vice na sombra: Bruno Covas e Sebastião Melo têm algo em comum

No debate do Roda Viva desta segunda-feira, 23/11, na TV Cultura, foi levantada mais uma vez a questão do vice que o candidato Bruno Covas tenta manter na sombra durante sua campanha à reeleição como prefeito de São Paulo.

O vereador Ricardo Nunes, do MDB, vice na chapa de Covas, tem registro policial de violência contra a mulher e uma investigação no Tribunal de Contas por suspeita de superfaturamento em creches alugadas à prefeitura. Estas acusações já foram publicadas pelo blogueiro Felipe Neto e motivaram um processo, mas a Justiça não mandou retirar as denúncias do ar.

Covas, no Roda Viva, voltou a repetir que não há nada provado contra seu vice e que ele está sendo atacado porque é uma figura popular. Mas a verdade, como comentaram os entrevistadores do programa, é que Covas só fala do vice quando questionado.

Enquanto seu adversário, Guilherme Boulos, não perde oportunidade de mencionar a sua vice, Luiza Erundina, Covas não cita o vice nem na propaganda.

Nisso se parece ao candidato Sebastião Melo, do MDB, cujo vice Ricardo Gomes, atual DEM, também fica na sombra e mal aparece na propaganda eleitoral.

Fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), Gomes foi eleito vereador na esteira das manifestações de apoio ao impeachment de Dilma Roussef e defendendo uma política liberal e a favor de privatizações. Com histórico em atuação e promoção de sociedades empresariais ligadas ao liberalismo, presidiu o Instituto de Estudos Empresariais (IEE), associação que reúne empresários, forma lideranças políticas e realiza eventos como o Fórum da Liberdade.

O vice de Melo foi secretário de Desenvolvimento Econômico de Marchezan, mas brigou e rompeu com o atual prefeito ao discordar da lei que modificou o IPTU na Capital gaúcha. Ricardo Gomes é contra o projeto, que classifica como aumento abusivo de imposto. Eleito pelo PP, trocou de partido e está no DEM, e foi o indicado para vice de Melo.

Gomes já denominou a chapa como de “centro-direita” e age como ligação ao empresariado gaúcho liberal e com forças próximas ao bolsonarismo, ainda que ele, Gomes, não se declare abertamente apoiador do presidente da República.

A eleição no segundo turno ocorre no próximo domingo, dia 29. Em Porto Alegre disputam o voto Sebastião Melo (MDB) e Manuela D’Ávila (PCdoB), que tem como vice em sua chapa Miguel Rosseto (PT).

 

Sinais de virada em São Paulo: Boulos segue subindo, Covas perde força na reta final

A seis dias da eleição, a pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira aponta sinais de virada em São Paulo,  com o candidato do PSOL, Guilherme Boulos mantendo a forte tendência de alta e o prefeito Bruno Covas (PSDB) em queda.

De acordo com a pesquisa, Boulos ganhou cinco pontos em uma semana, chegando a  40% das intenções de voto, enquanto  Covas se manteve nos mesmos 48%, do levantamento realizado nos dias 17 e 18.

A pesquisa mostra que a Boulos conseguiu o voto de pessoas que antes diziam votar branco ou nulo.

A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Considerando os votos válidos, que exclui brancos, os nulos e os eleitores que se declaram indecisos, Boulos oscilou 42% para 45% dos votos válidos, enquanto Covas oscilou negativamente de 58% para 55%.

Este é o critério usado pela Justiça Eleitoral determinar o resultado oficial da eleição. Para vencer no 2º turno, um candidato precisa de 50% dos votos válidos mais um voto.

A principal diferença do segundo turno para o primeiro é o tempo de TV, que passou a ser dividido de forma igualitária entre os candidatos. No primeiro turno, ancorado em sua coligação de dez partidos, Covas teve 3 minutos e 29 segundos no horário eleitoral de TV, contra 17 segundos de Boulos.

Boulos cresceu em intenções de voto sobretudo nos estratos mais jovens do eleitorado: ele cresceu 6 pontos entre os eleitores de 16 a 24 anos e três pontos entre os eleitores de 25 a 34 anos.

Covas, entretanto, mantém sua vantagem em todos os recortes de renda familiar: vence tanto entre os mais ricos quanto entre os mais pobres. Guilherme Boulos, por outro lado, tomou a dianteira entre os eleitores com ensino superior.

O Datafolha mostra que o atual prefeito recebeu a maior fatia de votos dos principais concorrentes de ambos no primeiro turno: 45% dos eleitores de Márcio França vão votar em Covas e 72% dos eleitores de Russomanno votarão no tucano.

A pesquisa foi realizada no dia 23 de novembro, ouviu 1.260 pessoas na cidade de São Paulo e foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral com o número SP-0985/2020. O nível de confiança utilizado é de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem o atual momento eleitoral, considerando a margem de erro.

 

Pessoas negras são apenas 3% dos servidores de nível superior do RS

Pesquisa realizada pela PUCRS com associados do Sindicato dos Servidores de Nível Superior do Rio Grande do Sul (Sintergs) mostra que apenas 3% dos funcionários públicos com graduação são pretos. Entre os 366 participantes, 5,7% são pardos e 0,3%, indígenas. Brancos chegam a 91%. Os dados fazem parte de estudo realizado em 2020 e serviram de base para a cartilha lançada pelo Sintergs em outubro.

A baixa representatividade de negros no serviço público, especialmente em cargos de nível superior, demonstra a dificuldade de acesso à educação de qualidade. Angela Antunes, diretora do Sintergs, frisa a  importância de questionar a desigualdade e assumir que há privilégios em ser branco, como primeiro passo para uma mudança.

“Entender a necessidade das cotas, da dívida histórica do Brasil com os afrodescendentes e indígenas e desmitificar a meritocracia, como se todos tivessem acesso às mesmas condições, é fundamental”, avalia Angela. Ela lembra que o Dia Nacional da Consciência Negra tem sua raiz em solo gaúcho, no Grupo Palmares, em Oliveira Silveira, Antonio Carlos Côrtes e outros militantes negros e negras. “Que o 20 de novembro conscientize também a branquitude”, apela.

Educação contra racismo

Abidemi significa “aquela que chegou antes”. O nome que rebatizou Josi Beatriz Viegas Cunha no batuque traduz o sentido que ela tem para sua comunidade. Mulher preta forte e pioneira, abriu caminhos para si pela educação. Mas revela que não cresceu sozinha – teve a força de sua ancestralidade e o apoio de pai, mãe e irmãs. As guias no pescoço e o dread nos cabelos há 21 anos são marcas de Josi. Mais do que mudar paradigmas, ela diz que carrega suas referências como forma de assumir seu estilo e sua crença na religião afrobrasileira.

Formada em Engenharia Civil pela PUCRS como aluna destaque da turma de 1993, é servidora estadual há 20 anos. Começou sua trajetória na Secretaria de Educação e hoje trabalha na Secretaria de Obras. Desde que ingressou no serviço público, ela tem consciência de seu papel para ajudar a melhorar a vida das pessoas. “O posto de saúde vai para a comunidade preta, a escola estadual vai para a comunidade preta”, conta, motivada pelo trabalho que realiza.

Na carreira, os desafios são grandes. “Minha posição não é de inferioridade, mas estou atrás até de quem entrou agora. Vejo que colegas brancas que fizeram faculdade já chegam em patamar superior, mesmo eu ganhando financeiramente mais, elas têm mais acesso. Tive de ser melhor do que homem branco e que mulher branca, ser a melhor das melhores, pois, além de ser mulher, sou preta”, explica.

“Às vezes, olham pra mim e dizem que as cotas não são necessárias: se tu conseguiste, outros também conseguem. Mas um dos meus anjos, homem preto que conseguiu meu primeiro estágio, não se formou. Faltou suporte familiar e econômico. Meus pais abriram mão de conquistas para eu me formar, eu abri mão. Meu pilar era de madeira, não era de concreto. Não havia estrutura, por isso a necessidade de reparação.”

Câmara volta a discutir projeto para facilitar renegociação de dívidas

Câmara dos Deputados decidiu acelerar a tramitação de um projeto que permitirá a renegociação de dívidas de pessoas físicas e jurídicas.

A proposta é chamada de Programa Extraordinário de Regularização Tributária durante a pandemia e é considerada um “Refis da Covid-19”.

O despacho encaminhando o texto para tramitação nas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça foi publicado no Diário Oficial de sexta-feira, 20.

Há pedidos de líderes para aprovar um regime de urgência, o que poderia levar a proposta para votação direta em plenário. A proposta do deputado Ricardo Guidi (PSD-SC) estava parada desde maio na Casa.

O despacho para a tramitação nas comissões é assinado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Maia afirmou neste domingo que uma renegociação das dívidas poderia ser incluída nas discussões da reforma tributária, mas não seria prioridade neste momento.

O projeto na Câmara prevê renegociação dos débitos de pessoas físicas e jurídicas, inclusive para quem já está em recuperação judicial.

 

 

Covid pega deputado Osmar Terra, aliado de Bolsonaro na crítica do isolamento social

O deputado federal Osmar Terra deu entrada no domingo (22) no Hospital São Lucas, de Porto Alegre.

Em postagem nas redes sociais, o parlamentar, que está com Covid-19, afirmou fará exames de avaliação e fisioterapia no tratamento da doença.

Segundo ele, o tratamento visa “acelerar volta ao trabalho o mais breve possível”. Segundo o hospital, ele seguirá em observação durante os próximos dias.

“Já iniciei tratamento precoce com hidroxicloroquina e ivermectina. Comecei o isolamento em casa e cumprirei minha agenda de forma remota nos próximos dias seguindo as instruções médicas”, informa o post.

Estudos no Brasil e no exterior já negaram a eficácia da hidroxicloroquina no combate à doença. E a Anvisa diz que “não existem estudos conclusivos” para o uso dos antiparasitários, como a ivermectina.

Ex-ministro dos governos Bolsonaro e Temer, Terra também foi secretário de Saúde do Rio Grande do Sul.

Durante debate, em maio, o deputado criticou o isolamento social. O Twitter chegou a marcar uma postagem dele com um aviso de sanção, pois contrariava medidas do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde.

Osmar foi um dos críticos mais ativos contra as medidas de isolamento social apoiadas desde o início da pandemia, opondo-se ao então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Após a demissão deste, os rumores apontavam para que Osmar Terra assumisse o cargo, dada sua relação com o presidente Jair Bolsonaro.

Oministro envolveu-se no apoio à Cloroquina e à Hidroxicloroquina para o tratamento da doença. Os dois medicamentos são considerados ineficazes ao tratamento da doença, podendo inclusive intensificar riscos ao tratamento.

O presidente apoiou novamente Osmar Terra neste tema, advogando pelo medicamento – mesmo depois de repetidos ensaios clínicos apontarem a inutilidade do remédio para o coronavírus. Ao descobrir que tinha a doença, há 10 dias, Osmar anunciou que faria uso do comprimido.

Em março Osmar chegou a dizer que os casos de covid seriam menores que os de H1N1 no Brasil em 2019 – o que geraria cerca de 3.500 casos de infecção e 800 mortes. Hoje, já são mais de 6 milhões de casos e 167 mil mortos pela pandemia.

 

Porto Alegre 2020: um crime nas manchetes do mundo inteiro

A morte de João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, espancado por seguranças de um supermercado Carrefour em Porto Alegre, ganhou manchetes nos jornais mais influentes  do mundo – dos Estados Unidos, da  Europa e da Ásia..

Destaque tanto para o fato em si quando para os protestos que se seguiram, sobretudo em São Paulo, onde uma loja do Carrefour foi depredada.
O  Washington Post, da capital americana, publicou
:”Morte de João Freitas, agredido por seguranças do Carrefour, enfurece o Brasil”,
Outra reportagem relata os protestos em todo o Brasil: “Morte na véspera do Dia da Consciência Negra no Brasil desencadeia fúria.”

 

A agência de notícias Bloomberg deu ênfase aos protestos: “Brasileiros protestam após homem negro ser morto em loja do Carrefour”.

Na França, o jornal Le Monde também deu destaque ao nome da empresa, de origem francesa: “Indignação no Brasil após um negro ser morto por dois agentes de segurança em um Carrefour”.

A rede de TV BBC e o “Guardian”, do Reino Unido, além do “El País”, na Espanha, destacaram a morte  e os protestos, bem como a agência Deutsche Welle, da Alemanha.

Inevitável em todos os veículos a comparação com o caso George Floyd, também negro e também morto por dois policiais brancos em Minnieapolis, nos Estados Unidos., em maio deste ano.
A notícia também ganhou espaço em veículos da Ásia, como a rede de TV árabe Al Jazeera, baseada no Qatar, e o jornal South China Morning Post, de Hong Kong.

Espancamento de homem negro no Carrefour durou mais de cinco minutos

Diversos vídeos que circulam em redes sociais demonstram a brutalidade das agressões sofridas por João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos, que acabou morrendo devido ao espancamento na noite desta quinta-feira, no hipermercado Carrefour da Zona Norte de Porto Alegre.

De acordo com análises iniciais da Polícia Civil, o espancamento da vítima por dois homens, um segurança da loja e um brigadiano, durou pouco mais de cinco minutos. As câmeras de segurança do estabelecimento e vídeos de pessoas que testemunharam o fato já estão sendo analisados por peritos e servirão de provas contra os suspeitos.

A 2ª Delegacia de Homicídios da Polícia Civil investiga o assassinato e deve indiciar mais pessoas pelo crime, além dos agressores que foram detidos em flagrante, O segurança Magno Braz Borges e o policial militar temporário Giovane Gaspar da Silva, foram presos na noite do crime e nesta sexta-feira tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça. Borges foi levado ao Presídio Central e o PM Silva está detido em um quartel da corporação.

A conduta de uma funcionária do supermercado, que aparece ao lado dos agressores e não fez menção de ajudar a vítima e intimidou pessoas que filmavam a cena também será investigada. Ela já foi identificada e ouvida. Outro funcionário do Carrefour também pode responder por omissão. “As imagens são muito chocantes. Os seguranças reagiram de maneira totalmente equivocada, desproporcional e em excesso”, disse a delegada Nadine Anflor, Chefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. “A apuração será rigorosa, rápida e dentro da lei”, completou.

Nos vídeos é possível ouvir a vítima pedir ajuda, enquanto leva socos, pontapés e é pisoteado e tem o corpo pressionado contra o chão. A agressão foi vista pela esposa de João Alberto, Milena Borges Alves, que ainda ouvio o pedido de ajuda do marido. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi ao local e tentou reanimar o homem, mas ele não resistiu e morreu. Laudo preliminar do Instituto Geral de Perícias aponta asfixia como causa da morte.

Amigos, familiares e também integrantes do movimento negro organizam um protesto em frente ao supermercado, na avenida Plínio Brasil Milano, Bairro Passo da Areia, na tarde desta sexta-feira, às 18h.

Histórico do Carrefour não é bom

Não foi a primeira vez que o Grupo Carrefour protagoniza uma história de agressão. Em dezembro de 2018, um segurança do mercado na cidade de Osasco (SP) envenenou um cachorro e, depois, o espancou até a morte. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) estipulou que o Carrefour deveria pagar R$ 1 milhão em razão dos maus-tratos cometidos pelo funcionário.

Em agosto passado, uma loja do Carrefour em Recife, Pernambuco, usou guarda-sóis para esconder o corpo de Moisés Santos, um funcionário que morreu ao passar mal em um dos corredores, mantendo as portas abertas.

Em outubro de 2018, funcionários da empresa, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, agrediram Luís Carlos Gomes, porque ele abriu uma lata de cerveja dentro da loja. Surpreendido pelos funcionários do supermercado, o cliente reiterou que pagaria pelo item. Mesmo assim, ele foi perseguido pelo gerente da unidade e por um segurança e depois encurralado em um banheiro, onde recebeu um mata-leão. Gomes, que é deficiente físico, teve múltiplas fraturas e, como sequela de uma cirurgia, ficou com uma perna mais curta que a outra.

No caso em Porto Alegre, a loja está fechada em respeito a vítima e a repercussão do caso. A empresa emitiu uma nota ainda na madrugada de sexta-feira. “O Carrefour informa que adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso. Também romperá o contrato com a empresa que responde pelos seguranças que cometeram a agressão. O funcionário que estava no comando da loja no momento do incidente será desligado. Em respeito à vítima, a loja será fechada. Entraremos em contato com a família do senhor João Alberto para dar o suporte necessário”, diz parte do comunicado.

João Freitas, negro de 40 anos, mais uma vítima do racismo estrutural

O assassinato um homem negro espancado até a morte por seguranças brancos no estacionamento do hipermercado Carrefour, faz voltar-se para Porto Alegre o foco dos movimentos antirracistas do mundo inteiro.

João Alberto Freitas, de 40 anos, ao desentender-se com uma funcionária do mercado provocou uma explosão do racismo estrutural por parte de dois seguranças que foram chamados para retirá-lo do local.

As circunstâncias do crime ainda não estão esclarecidas, mas os primeiros relatos indicam que após o suposto desentendimento com uma funcionária do local, Freitas foi levado para o estacionamento do supermercado. Ele teria se irritado com a atitude agressiva dos guardas e dado um soco num deles.

Os vigilantes revidaram e, mesmo depois de terem dominado o homem, seguiram espancando-o com socos e ponta pés. Mesmo com pessoas gritando: “Estão matando o cara”… eles não pararam.

Os dois guardas envolvidos foram presos em flagrante. Conforme a Brigada Militar, um deles é policial militar temporário. Vídeos mostram Freitas sendo agredido com vários socos na cabeça, mesmo após ter sido imobilizado.

A 2ª Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (2ªDPHPP) da Polícia Civil investiga o assassinato. A morte ocorreu dentro do hipermercado Carrefour, localizado na avenida Plínio Brasil Milano, em Porto Alegre.

A titular da 2ª DPHPP, delegada Roberta Bertoldo, explicou nesta sexta-feira que a motivação para a vítima ser agredida e morta ainda está sendo investigada.

“O que nós temos sobre esse caso é que aconteceu algum tipo de incidente que não está ainda completamente esclarecido”, disse, referindo-se ao que originou o espancamento. Ela já adiantou a linha da apuração do crime. “É homicídio triplamente qualificado”, adiantou.

Conforme Roberta, as primeiras informações recebidas relatam que o cliente foi conduzido pelos seguranças até o lado externo do estabelecimento. “Ao passar pela porta giratória e acessar o estacionamento, a vítima desferiu um soco nos seguranças e a partir de então esses dois começaram a agredir severamente a vítima até que  infelizmente entrasse em óbito”, relatou, acrescentando que ocorreu  excesso na condução da situação dos seguranças. “Incompreensível para qualquer pessoa”, frisou.

Todos os envolvidos, inclusive funcionários e testemunhas, devem prestar depoimentos e apresentarem as respectivas versões.

“Precisamos ouvir testemunhas que tenham presenciado o ocorrido”, observou. “Quem não impediu a agressão responde também, ao meu ver… A moça de camisa branca é a fiscal com a qual a vítima teria se desentendido, mas não está confirmado isso ainda. Ela não impediu as agressões e ainda ameaçou pessoas para que não filmassem”, completou a delegada Roberta.

As imagens das câmeras do estabelecimento e de celulares que gravaram o espancamento, vistas nas redes sociais, serão analisadas. “Imagens com maior amplitude de horário serão coletadas”, garantiu.

Laudos do Instituto-Geral de Perícias (IGP) estão sendo aguardados para esclarecer a causa da morte. A titular da 2ª DPHPP lembrou que a vítima estava pressionada no chão com duas pessoas em cima.

A esposa da vítima estava fazendo compras junto. Em depoimento na delegacia, ela contou que o casal estava no caixa e o marido “teria feito algum gesto” para uma fiscal, mas a delegada Roberta Bertoldo considerou que não justificaria a agressão. A titular da 2ª DPHPP ressaltou que, por enquanto, não existem indicativos de que a vítima tenha agredido alguém dentro do hipermercado.