Autor: da Redação

  • Comissão de Saúde debate vício do jogo: “Estamos no olho do furacão”, diz psiquiatra

    Comissão de Saúde debate vício do jogo: “Estamos no olho do furacão”, diz psiquiatra

    O impacto das apostas esportivas na saúde mental foi o tema da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Câmara de Porto Alegre nesta terça-feira (7/7). O debate foi proposto pela vereadora Psicóloga Tanise Sabino (MDB). 

    Sabino considerou que cerca de 11 milhões de brasileiros apresentam comportamento de risco em relação a jogos de azar e cerca de 1 milhão sofrem de ludopatia, o vício ao jogo. 

    “Nunca são só números. Essa reunião trata de pessoas, de sofrimento, de saúde pública”, ressaltou. 

    A vereadora relatou que as bets, como são conhecidas, foram liberadas no país em dezembro de 2018 e que ficaram longo tempo sem regulamentação (a normatização foi feita em 2025). Nesse meio tempo, cresceram campanhas milionárias em torno das apostas.

    Tanise Sabino lembrou que, no passado, álcool e cigarro também demoraram para serem vistos como questão de saúde. “Muitos problemas de saúde pública passam por um período de invisibilidade pública. Com as bets parece estar acontecendo isso”. 

    A proponente da reunião relatou que a Prefeitura de Porto Alegre foi procurada e que informou que não possui dados consolidados sobre esse tema. O Município também disse que tem apenas três casos informados de problemas com apostas na rede municipal de saúde.

    Para Sabino, a ludopatia pode estar mascarada em casos de pacientes com outros sintomas  como ansiedade e depressão. 

    “Estamos no olho do furacão” 

    Integrante da diretoria do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), o médico psiquiatra Ricardo Nogueira afirmou que o país passa por um momento agudo da crise relacionada às apostas esportivas.

    “Estamos bem no olho do furacão. Há três Copas do Mundo as bets tinham apenas uma cota de patrocínio. Nesta Copa, a maioria dos patrocínios é de bets. As crianças estão sendo estimuladas, com jogos tipo ‘tigrinho’, a jogar desde pequenas”, alertou. 

    Nogueira disse que é difícil dimensionar o impacto das bets, dada a força dele. “A gente não tem noção do tamanho. Segundo informações da Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS), houve redução de 20% na venda de alimentos. O buraco é muito mais embaixo no sofrimento que essas bets estão causando na família brasileira”. 

    Nogueira relatou ter pacientes que pararam de trabalhar para jogar e que tomaram dinheiro emprestado com agiotas. “Aumentaram casos de ansiedade, de depressão e de suicídios por pessoas que não conseguiram pagar essas dívidas”. 

    O diretor do Simers destacou ainda que as bets não trazem benefícios econômicos para o país. “Esse dinheiro vai todo embora do país, porque essas bets são sediadas em paraísos fiscais. Então é um mal em todos os aspectos”. 

    A psiquiatra Carla Bicca apresentou dados que mostram um custo de cerca de R$ 38 bilhões anuais ao país com os danos causados pelos jogos de azar, principalmente na área da saúde, e que a arrecadação de impostos do setor é insuficiente para custear os impactos no SUS.

    Ainda segundo Bicca, os consumidores devem perder aproximadamente 700 bilhões de dólares até 2028 em todo o mundo. 

    A psiquiatra ressaltou que os danos das bets se concentram em grupos vulneráveis, como adolescentes. Carla Bicca afirmou que cerca de 1,8% das pessoas que são expostas ao jogo ficam adictas, por isto é preciso diminuir a visibilidade, com diminuição da publicidade. “A melhor política de tratamento é reduzir quem precisará dele”. 

    Também participaram da reunião representantes de diversas instituições, como Ministério Público, Conselho Regional de Medicina (Cremers) e Hospital Psiquiátrico São Pedro. 

    Dentre os presentes para assistir à reunião, Vitória Vargas, estudante de Direito, também fez uso da palavra. “Crianças e adolescentes estão expostas a publicidade de apostas. Há uma insuficiência normativa. Enquanto não houver consenso na regulamentação, precisamos de normas mais severas”, defendeu. 

    Texto: Felipe Prestes (reg. prof. 14976)

  • Homenagem reabre a polêmica sobre a morte do ex-presidente João Goulart

    Homenagem reabre a polêmica sobre a morte do ex-presidente João Goulart

    Ainda que já tenha sido amplamente investigada, inclusive com exumação do cadáver, a hipótese de que João Goulart foi vítima de assassinato, estará presente na homenagem que a Câmara Municipal de Porto Alegre presta ao ex-presidente nesta terça-feira, 7 de julho.

    A própria organização do evento informou que o palestrante principal, o jornalista Juremir Machado da Silva abordará “os debates que ainda cercam as circunstâncias da morte do ex-presidente”. A comprovaçao recente de que o ex-presidente Jucelino Kubistcheck – que morreu três meses antes num acidente de carro – foi mesmo alvo de um atentado reforçou as suspeitas em relação a Jango.

    O evento, proposto pelo vereador Pedro Ruas,   começa às 18h30min no plenário Ana Terra. Marca o início de uma série de inciativas para marcar os 50 anos da morte do único Presidente da República a morrer no exílio, em dezembro de 1976.

    Desde a proclamação da República, seis presidentes conheceram o exílio, forçado ou voluntário*. Todos puderam voltar, menos Jango.

    As verdadeiras causas da morte do ex-presidente João Goulart já foram alvo de exaustivas investigações, incluindo uma exumação de seus restos mortais, em 2013.

    O laudo pericial apontou que não foram encontrados vestígios de veneno no corpo. Os peritos ressaltaram, porém, os quase 40 anos passados entre a morte e a exumação, tornavam impossível detectar qualquer substância químicas no cadáver. Permaneceu a dúvida que agora, com a recente confirmação do atentado contra Jucelino Kubistcheck,  reacende.

    *Deodoro da Fonseca (1891), Hermes da Foneca (1922), Washington Luís (1930), Julio Prestes (1932), Café Filho (1955), João Goulart (1964)

  • Copa das Bets: MP investiga publicidade abusiva e omissão do governo

    Copa das Bets: MP investiga publicidade abusiva e omissão do governo

    O Ministério Público Federal (MPF) está investigando se há omissão do governo federal na fiscalização de anúncios de apostas durante a Copa do Mundo de 2026. O inquérito foi motivado por denúncias de “publicidade abusiva” em canais de streaming, foca nos seguintes pontos:

    • Narrativas enganosas: Comentários sugerindo palpites (testemunhal) e garantias de ganho fácil.
    • Promoções agressivas: Ofertas de “segunda chance” e “odds turbinadas”.
    • Falta de avisos: Ausência de alertas sobre riscos financeiros e dependência.

    O Conar suspendeu anúncios testemunhais de marcas como Bet365 e Betnacional, enquanto a Senacon e o Ministério da Fazenda exigiram explicações.

    O mercado estima um investimento superior a R$ 2 bilhões em patrocínios e mídia por parte das casas de apostas.

    O inquérito civil público do Ministério Público Federal (MPF) para investigar a omissão e falta de fiscalização do governo federal sobre a publicidade de plataformas de apostas online (bets) foi instaurado em 3 de julho de 2026.

    O expediente está tramitando na Procuradoria da República no Distrito Federal (PRDF), em Brasília. focando no cumprimento da Lei nº 14.790/2023 para proteger o consumidor.

    A investigação começou após denúncias de publicidades agressivas e direcionadas a públicos vulneráveis (como crianças e adolescentes) durante as transmissões da Copa do Mundo de 2026 pela CazéTV.

    O MPF do DF expediu pedidos de informações para a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, o Banco Central, a Senacon (Ministério da Justiça) e o Conar.

  • “Copa das Bets”: a eliminação do Brasil   e seu efeito no mercado de apostas

    “Copa das Bets”: a eliminação do Brasil e seu efeito no mercado de apostas

    A presença maciça das casas de apostas online fez da Copa do Mundo de 2026 a “Copa das bets”, com bilhões injetados em parcerias oficiais, patrocínios, publicidade e investimento nas transmissões

     A própria Fifa fechou parceria com plataformas como a Betano, que foi nomeada apoiadora oficial do torneio para a América do Sul e Europa, garantindo a presença da marca em todas as seleções e entrevistas.

    As plataformas de apostas (como Bet365, Betnacional e KTO)  dominaram as cotas de patrocínio, chegando a injetar até R$ 2 bilhões de reais em canais de TV.

    Em jogos da Seleção, chegaram a ser contabilizados mais de 20 anúncios, com destaque para a CazéTV (10 inserções), SBT (6) e Globo (5). O setor consolidou-se como o maior investidor privado em mídia esportiva no Brasil.

    A influência foi tanta que narradores e comentaristas passaram a incentivar palpites em tempo real, gerando inclusive investigações do Ministério Público Federal sobre os limites da publicidade.

    O assunto extrapolou para o campo da saúde pública e das finanças, pois a facilidade para jogar através de smartphones atua como um gatilho para o vício e o endividamento de famílias.

    A eliminação precoce da Seleção Brasileira nas oitavas de final altera o ecossistema de apostas do Brasil.

    Especialistas e operadoras de mercado apontam que os jogos da Seleção são responsáveis por atrair o chamado “apostador recreativo” (aquele que joga apenas por emoção ou engajamento social).

    Um levantamento da fintech Klavi, publicado pela Folha, apontou que a parcela de brasileiros que enviou dinheiro para as bets triplicou durante a Copa, atingindo 34,8% da população, com depósitos médios subindo para R$ 272 nos dias de jogos decisivos. Sem o Brasil no torneio, esse público recreativo deixa de injetar dinheiro novo nas plataformas.

    Projeta-se que o volume total transacionado em solo brasileiro nas fases de quartas, semifinal e final caia entre 40% e 50% em comparação com o cenário onde o Brasil avançaria até as finais.

    Embora o volume total caia, o interesse não zera. O mercado passa a ser dominado pelos apostadores regulares ou profissionais. O foco sai do “patriotismo” e migra para jogos de grande apelo técnico.

    Os mercados de longo prazo (como “Quem será o campeão?” ou “Quem será o artilheiro?”) sofrem uma forte “recalibragem de odds”, já que o Brasil figurava entre os favoritos antes do início do torneio.

    Grande parte do volume das apostas em tempo real (live betting) ocorre devido aos picos de audiência em plataformas interativas de streaming. Com a eliminação da Seleção, a audiência do público brasileiro tende a diminuir de forma expressiva nos jogos restantes, reduzindo diretamente os palpites de impulso — como apostar em quem fará o próximo gol ou quantos escanteios acontecerão nos minutos finais.

  • Eleições 2026: frente de servidores pode ser decisiva na disputa estadual

    Eleições 2026: frente de servidores pode ser decisiva na disputa estadual

    “Ninguém ganha eleição só com o funcionalismo, mas ninguém ganha eleição contra o funcionalismo”

    A frase, atribuída a Pedro Simon, define o dilema do governo Eduardo Leite que, no início de um ano eleitoral, vê se formar uma frente de servidores com uma pauta de reivindicações que ele não pode atender.

    Leite não é candidato, mas seu vice, Gabriel Souza, é o candidato à sucessão de um governo que o funcionalismo deplora. Qual vai ser o resultado eleitoral disso?                                    

    De acordo com o Relatório de Pessoal do Tesouro do Estado, o quadro de funcionários do serviço público estadual é composto por cerca de 358,7 mil vínculos (considerando que um servidor pode acumular mais de uma vaga, como professores).

    Se contar seus dependentes diretos chega a um milhão de pessoas, num universo de 8,5 milhões de eleitores gaúchos.

    Numericamente seria decisivo em qualquer eleição se não fosse um universo fragmentado.

    A escolha do voto costuma se dividir de acordo com o setor da carreira: servidores da Educação e Saúde alinham-se eitoralmente à partidos de esquerda e centro-esquerda (como PT, PCdoB, PSOL e PDT). Segurança e Judiciário tendem a um alinhamento maior com partidos de direita e centro-direita (como PL, PP, Republicanos e MDB). Pautas ligadas à segurança pública e à preservação de privilégios corporativos aproximam esses servidores de discursos conservadores e liberais na economia.

    O funcionalismo gaúcho raramente se une em torno de uma ideologia política comum, mas demonstra forte unidade e poder de pressão quando pautas salariais ou de direitos trabalhistas entram em jogo.

    Nesses momentos, frentes amplas se alinham e podem decidir uma eleição. Depois da Copa esse movimento tende a ficar mais visível.

  • Servidores acumulam forças para influir na eleição do próximo governador

    Servidores acumulam forças para influir na eleição do próximo governador

    Dois protestos se juntaram nesta terça-feira, 30/06, na Praça da Matriz, em frente à sede do governo gaúcho e da Assembléia Legislativa, sinalizando o que vem pela frente no ano eleitoral.

    Uma marcha organizada pelas centrais sindicais pelo fim da escala 6 x 1 percorreu as ruas do centro, a partir da avenida Mauá  e se juntou à manifestação dos servidores públicos na frente do Palácio Piratini.

    Apesar do frio intenso e da “ressaca” da vitória do Brasil na Copa do Mundo, cerca de 1.500 pessoas participaram do evento, segundo estimativa dos organizadores.

    As centrais sindicais pressionam pela aprovação da redução da jornada de trabalho, em votação no senado.

    Os sindicatos e entidades dos servidores públicos estaduais querem reposição salarial, data base para reajuste anual e fim do desconto previdenciário para aposentados.

    As lideranças dos servidores sabem que o governo Leite não vai atender suas reivindicações, mas acumulam forças para influir na eleição do próximo governo.

    A defasagem salarial alegada pelas entidades do funcionalismo público gaúcho chega 77%, em perdas acumuladas pela inflação no período entre 2014 e 2024, de acordo com estudos do DIEESE.

    Os servidores apontam que, nos últimos dez anos, o governo estadual concedeu apenas uma revisão geral de 6% (em 2022). Diante disso, o restante do poder de compra foi totalmente corroído pelo avanço da inflação medida pelo INPC/IBGE.

    Como o governo do Estado não incluiu a recomposição na peça orçamentária, as mais de 30 entidades integradas ao Movimento pela Valorização dos Servidores Públicos (Movape) cobram índices emergenciais imediatos.

    A pauta geral exige uma reposição imediata de 12,14% a 15,2% para corrigir fatias recentes dessas perdas.

    Algumas frentes específicas alegam defasagens diferentes devido a reestruturações internas. É o caso dos servidores do Judiciário estadual (Sindjus-RS), que protestam por uma recomposição específica de 17,8% para equiparar seus vencimentos à média de outros tribunais do país.

    O principal argumento técnico dos manifestantes é que o reajuste pleiteado não infringe a Lei de Responsabilidade Fiscal, pois visa apenas recompor o valor que o salário já perdeu para o custo de vida real.

  • Ato unificado tem mais de 30 sindicatos de servidores civis e militares na pressão ao governo Eduardo Leite

    Ato unificado tem mais de 30 sindicatos de servidores civis e militares na pressão ao governo Eduardo Leite

    Mais de 30 sindicatos e associações de servidores públicos do Estado estão unidos na manifestação  desta terça-feira, 30/06, que marca o inicio de um amplo movimento articulado para pressionar o governo no ano eleitoral.

    O ato unifica servidores ativos, aposentados e pensionistas civis e militares.

    As principais reivindicações do movimento incluem:

    -Extinção imediata do desconto de contribuição previdenciária cobrado sobre os vencimentos de aposentados, pensionistas e militares da reserva.

    -Aprovação, pela Assembléia, da PEC institui o dia 1º de março como data-base fixa para a recomposição salarial anual dos servidores públicos estaduais.

    • Revisão geral dos vencimentos para recuperar o poder de compra corroído pela inflação acumulada.
    • Contra o sucatecimento do IPE e exigem melhorias na assistência médica oferecida pelo instituto.

    A programação divulgada pelas entidades prevê uma concentração inicial às 9h em frente ao prédio do IPE Saúde, na Avenida Borges de Medeiros, seguida de uma caminhada até a Praça da Matriz, para a realização do ato principal em frente ao Palácio Piratini.

    A manifestação conta com o envolvimento de mais de 30 entidades representativas. Como o protesto reúne servidores civis e militares de diversas áreas (educação, saúde, segurança e administração), ele é organizado através do Movape (Movimento pelo Fim do Desconto dos Aposentados, Pensionistas e Militares da Reserva) e do Fórum das Entidades.

    Entre os principais sindicatos e associações envolvidos na mobilização de 30 de junho, destacam-se:

    • Sintergs: Sindicato dos Servidores de Nível Superior do RS.
    • Sindicaixa: Sindicato dos Servidores da Caixa Econômica Estadual (que abrange servidores de autarquias e secretarias).
    • Fessergs: Federação Sindical dos Servidores Públicos no RS.
    • Sindispge: Sindicato dos Servidores da Procuradoria-Geral do Estado do RS.
    • Sindsepers: Sindicato dos Servidores Públicos do RS.
    • Sindjus: Sindicato dos Servidores da Justiça do RS (que cede espaço para as reuniões de articulação do movimento).

    CPERS Sindicato: Sindicato dos Professores e Funcionários de Escola do RS.

    Simers: Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (que também realiza paralisações na Atenção Básica na mesma data).

    Associação dos Delegados de Polícia do RS.

    Associação dos Sargentos, Subtenentes e Tenentes da Brigada Militar e Bombeiros Militares.

    Associação de Cabos e Soldados da Brigada Militar e Bombeiros Militares.

    Associação de Praças da Brigada Militar do RS.

    Federação das Entidades de Oficiais e Praças da BM e Bombeiros.

    Essa forte união entre civis e militares reflete o impacto unificado do desconto previdenciário sobre todas as categorias de aposentados do Estado.

  • Governo Leite adia por um mês leilão das 98 escolas que terão gestão privada

    Governo Leite adia por um mês leilão das 98 escolas que terão gestão privada

    Tem nova data o leilão de 98 escolas da rede pública do Rio Grande do Sul que serão entregues à gestão de empresas privadas. Estava marcado para esta sexta-feira, 26/06, foi adiado, segundo o governo a pedido de “potenciais participantes do certame”.

    É possível também que tenha influído no adiamento o expediente aberto na Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público para “investigar a modelagem técnica, os custos e a proteção do interesse público na parceria”, respondendo a contestações enviadas pela oposição e sindicatos.

    Em todo caso, a nova data para entrega das propostas pelas empresas é 16 de julho. O leilão acontecerá no dia 23 na sede da Bolsa de Valores, em São Paulo.

    A proposta do governo Eduardo Leite é transferir para empresas privadas todos os serviços escolares que não sejam do campo pedagógico – zeladoria, manutenção, merenda, segurança, reformas. Um total de R$ 4,5 bilhões serão repassados às empresas ao final de 25 anos de contrato, segundo as estimativas do projeto. Um negócio de R$ 180 milhões por ano, quase R$ 2 milhões anuais por escola.

    O plano alcança 15 municípios gaúchos (incluindo Porto Alegre, Santa Maria e Pelotas), focando em escolas de maior vulnerabilidade social e afetadas pelas enchentes de 2024.

    O projeto foi apresentado oficialmente pelo governador Eduardo Leite em setembro de 2022, com o lançamento da consulta pública para a modelagem da “Parceria Público-Privada (PPP) da Gestão de Estrutura Escolar”.

    O Rio Grande do Sul possui cerca de 2,3 mil escolas estaduais.

     O governo selecionou essas unidades para um projeto-piloto. Elas representam cerca de 4% da rede estadual

    O lote de 98 escolas foi dividido em três blocos regionais no edital, permitindo que diferentes empresas ou consórcios disputem fatias específicas do contrato bilionário:

    • Lote 1 (Região Metropolitana e Porto Alegre): Concentra o maior volume de alunos e abrange a capital e cidades vizinhas de grande porte, fortemente visadas pelas empresas.
    • Lote 2 (Região Norte/Vales): Inclui municípios populosos do interior e da região do Vale do Sinos (como Novo Hamburgo e Canoas).
    • Lote 3 (Região Sul): Engloba municípios como Pelotas e Rio Grande.

    Não serão três leilões separados, mas sim um único evento na Bolsa de Valores (B3) dividido em três rodadas subsequentes, e uma única empresa ou consórcio pode arrematar todos os três lotes.

    Em audiência pública na Assembleia esta semana o projeto foi fortemente questionado. Parlamentares da oposição ressaltaram que o programa estadual Agiliza — que envia verba direta para os diretores consertarem as escolas — já funciona bem. Houve questionamentos jurídicos severos sobre a autonomia de fiscalização, levantando o receio de que as próprias concessionárias subcontratem agentes para auditar seus serviços.

    A Secretaria de Educação afirma que, ao transferir a zeladoria, limpeza, merenda, segurança e reformas para a concessionária, os diretores e professores ficam 100% livres para focar no aprendizado dos alunos.

    O Estado assegura que não há privatização do ensino; o corpo docente continua totalmente composto por servidores públicos de carreira, mantendo a gratuidade.

    A resistência é liderada pelos professores da rede pública através do CPERS Sindicato, contando com deputados de oposição, associações de pais, sindicatos e entidades estudantis.

    O sindicato anunciou que acionará o Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir o leilão.

    Comunidades escolares relataram medo de perder o controle sobre a rotina da escola. Funcionários de limpeza, merenda e portaria passarão a ser geridos por terceirizadas, quebrando o vínculo comunitário com os estudantes.

    Pais e funcionários terceirizados atuais temem demissões em massa nas escolas afetadas, além do receio de que a entrada do setor privado abra precedentes para a precarização ou cobrança velada de taxas futuras.

  • Porto Alegre: subsídio ao transporte coletivo soma R$ 1 bilhão em seis anos 

    Porto Alegre: subsídio ao transporte coletivo soma R$ 1 bilhão em seis anos 

    Desde 2020, quando começaram os  subsídios, as empresas concessionárias do transporte coletivo já receberam mais de um bilhão de reais da Prefeitura de Porto Alegre. Os dados constam de relatórios oficiais.

    O primeiro repasse, de R$ 39 milhões foi feito de forma emergencial, para cobrir as perdas com a pandemia.

    No ano seguinte, os subsídios foram regulamentados pela Câmara de Vereadores e, desde então, o prefeito decide através de decreto.

    Em 2026, estão previstos R$ 250 milhões, o mesmo valor do ano passado.

    O objetivo do subsídio é manter o preço acessível, preservando o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos, de modo que a qualidade dos serviços também seja mantida.

    Na avaliação dos usuários, o subsídio está segurando certa estabilidade do preço (sem ele a tarifa atual, de R$ 5,30, passaria a R$ 7,35, segundo a prefeitura), mas no quesito da qualidade está longe de satisfatório.

     Na pesquisa periódica da própria prefeitura, a nota para a qualidade dos serviços nos últimos dois anos, ganhou nota 5,7, numa escala de 0 a 10.   

    Evolução Anual dos Subsídios

    • 2020: R$ 39 milhões.
    • 2021: R$ 108 milhões.
    • 2022: R$ 115 a R$ 122 milhões.
    • 2023: R$ 137 milhões.
    • 2024: R$ 180 milhões.
    • 2025: R$ 250 milhões.
    • 2026: R$ 250 milhões

    Total: R$ 1.084 bi

    Em 2024, o valor saltou pelas enchentes.


    Preço da Passagem (Valor pago pelo usuário)

    • 2020: R$ 4,70
    • 2021: R$ 4,80
    • 2022: R$ 4,80
    • 2023: R$ 4,80
    • 2024: R$ 4,80
    • 2025: R$ 5,00
    • 2026: R$ 5,30 (desde fevereiro)
  • Oficiais de Justiça promovem debate sobre feminicídio e proteção a mulheres

    Oficiais de Justiça promovem debate sobre feminicídio e proteção a mulheres

    A Associação dos Oficiais de Justiça do TJRS reunirá especialistas para discutir medidas que tornem mais eficaz a proteção às mulheres vitimas de violência. Será no Sindibancários, em Porto Alegre, nesta sexta-feira 19.

    Encontro da Abojeris integra a campanha “Por uma Justiça que Chegue a Tempo” e reunirá especialistas, no SindBancários, para discutir medidas que tornem mais eficaz a proteção às vítimas de violência

    “Diálogos sobre Feminicídio e Proteção às Mulheres – O que precisa mudar para a proteção chegar antes?” é uma atividade promovida pelos Oficiais e Oficialas de Justiça do TJRS, por meio da Associação dos Oficiais de Justiça do Rio Grande do Sul (Abojeris), no dia 19 de junho, das 13h30 às 17h, no Auditório do SindBancários, no Centro de Porto Alegre/RS. O encontro integra a campanha “Por uma Justiça que Chegue a Tempo” e reunirá profissionais com reconhecida atuação no enfrentamento à violência doméstica, proteção às mulheres e saúde mental, para discutir medidas que tornem mais eficazes os mecanismos de proteção às vítimas de violência. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo link: https://bit.ly/dialogos-feminicídio

    As palestrantes convidadas são: Taís Culau de Barros, juíza de Direito do 2º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Porto Alegre; Ivana Battaglin, promotora de Justiça e coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (CAOEVCM), do Ministério Público do RS; Waleska Aline Viana de Alvarenga, delegada de Polícia da PCRS e diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher; e Mariana Gonçalves Boeckel, doutora em Psicologia e professora da UFCSPA.

    O aumento dos feminicídios no Rio Grande do Sul e os desafios para garantir que as medidas protetivas cheguem rapidamente às mulheres em situação de risco estarão no centro do encontro. A campanha “Por uma Justiça que Chegue a Tempo”, foi lançada pela Abojeris para estimular o debate público, qualificar a categoria e contribuir com a construção de propostas voltadas ao aprimoramento dos fluxos de proteção às mulheres vítimas de violência. A campanha passou também a contar com a adesão institucional do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), reforçando a importância da atuação conjunta no enfrentamento ao feminicídio.

    Dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP/RS) apontam que o Estado registrou 24 vítimas de feminicídio no primeiro trimestre de 2026, um crescimento de 50% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 16 casos. Conforme dados da SSP/RS, atualizados em junho, o Rio Grande do Sul já contabilizava 36 vítimas de feminicídio consumado em 2026. O cenário reforça a necessidade de integração entre as instituições e de aperfeiçoamento permanente dos procedimentos de proteção.

    A iniciativa da campanha partiu da experiência concreta dos próprios Oficiais e Oficialas de Justiça, profissionais responsáveis pelo cumprimento das medidas protetivas determinadas pelo Poder Judiciário e que acompanham diariamente os desafios para transformar decisões judiciais em proteção efetiva. Para a Abojeris, proteger mulheres em situação de risco exige atuação articulada entre Judiciário, Ministério Público, Polícia Civil, Brigada Militar, rede de apoio, serviços especializados e demais instituições envolvidas. O objetivo do encontro é contribuir para identificar pontos de aprimoramento, fortalecer protocolos e acelerar procedimentos, sempre com foco na proteção da vida das mulheres.

    “Os Oficiais de Justiça estão na linha de frente para a efetivação das medidas protetivas. Conhecem a realidade dos mandados, os obstáculos operacionais e a importância da agilidade quando uma mulher está em situação de risco. Queremos contribuir para a construção de soluções que fortaleçam a rede de proteção e ajudem a salvar vidas”, afirma Valdir Bueira, presidente da Abojeris.

    Segundo Helena Veiga, diretora de Comunicação da Abojeris, o evento também é uma oportunidade de valorizar o papel dos Oficiais e Oficialas de Justiça no enfrentamento a um problema que mobiliza toda a sociedade. “A violência contra a mulher exige uma resposta integrada e permanente. A proteção depende de comunicação eficiente, informações corretas, procedimentos bem definidos e articulação entre todos os atores envolvidos. Este encontro foi pensado para promover reflexão, troca de experiências e construção de propostas concretas”, destaca Helena.

    A campanha “Por uma Justiça que Chegue a Tempo” vem mobilizando a categoria e abrindo diálogo com instituições do sistema de proteção. Conforme notícia publicada pelo Correio do Povo, no dia 15 de abril de 2026, a campanha lançada pela Abojeris passou a orientar os trabalhos do grupo criado pelo TJRS para revisar protocolos e fluxos de atendimento às vítimas de violência doméstica.

    Especialistas convidadas

    As profissionais convidadas para o encontro têm reconhecida atuação no enfrentamento à violência doméstica, proteção às mulheres, segurança pública, sistema de justiça e saúde mental.
    Taís Culau de Barros
    Juíza de Direito do 2º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Porto Alegre, com atuação direta na aplicação da Lei Maria da Penha e no julgamento de processos relacionados à violência contra as mulheres.
    Ivana Battaglin
    Promotora de Justiça e coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher (CAOEVCM) do Ministério Público do Rio Grande do Sul. Também coordena a Comissão Permanente de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Copevid).
    Waleska Aline Viana de Alvarenga
    Delegada de Polícia da Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS). Diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher. Especialista em Direito Penal e Processual Penal e professora de cursos preparatórios para concurso público.
    Mariana Gonçalves Boeckel
    Psicóloga, doutora em Psicologia e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), com atuação nas áreas de saúde mental, violência e proteção social.