Autor: da Redação

  • Ebola: Congo registra quase 500 casos com 82 mortes desde o inicio do surto

    Ebola: Congo registra quase 500 casos com 82 mortes desde o inicio do surto

    A República Democrática do Congo informou nesta sexta-feira (5) que o número de casos confirmados de ebola aumentou para 452, após a confirmação de 71 novos diagnósticos nas últimas 24 horas. As infecções causaram 82 mortes.

    As informações foram noticiadas pela agência Reuters e atribuídas ao governo da nação africana. 

    O surto de ebola causado pela cepa Bundibugyo do vírus é um dos mais graves registrados desde que a doença foi descoberta e, além do Congo, também já afetou Uganda.

    A situação foi declarada emergência de saúde pública de interesse internacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

    Para fazer frente ao surto, a OMS e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África, vinculado à União Africana, anunciaram nesta sexta-feira (5) um plano conjunto de resposta continental

    O plano tem duração de junho a novembro de 2026 e pretende arrecadar 518 milhões de dólares para ajudar os países africanos e parceiros a agilizarem a preparação, detecção e resposta.

    Como não há vacinas ou tratamentos específicos para o ebola causado pelo vírus Bundibugyo, o plano traça medidas para aumentar a resiliência dos sistemas de saúde mesmo que os países se encontrem em emergências sanitárias agudas. A implementação das medidas já começou nos países afetados e naqueles sob maior risco.

    Além dos dois países onde já há casos confirmados, são considerados sob maior ameaça de importar a doença Sudão do Sul, Ruanda, Quênia, Zâmbia, República Centro-Africana, Tanzânia, Etiópia, Angola, Congo (Brazzaville) e Burundi.

    (Com Agência Brasil)

  • Caso Master: manobras travam CPI pedida em novembro do ano passado

    Caso Master: manobras travam CPI pedida em novembro do ano passado

    O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, negou pedido de quatro senadores que alegaram suspeição do ministro Kassio Nunes Marques para julgar um mandado de segurança que pede a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master.  A decisão foi proferida na quarta-feira (3).

    A ação foi protocolada em março deste ano e ainda não houve decisão do ministro, que é relator do caso.

    Os senadores Eduardo Girão (Novo-CE), Alessandro Vieira (MDB-SE), Marcos Pontes (PL-SP) e Plínio Valério (PSDB-AM) alegaram que o ministro tem relação de amizade com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos investigados no caso Master, e possui “interesse direto” no caso.

    Fachin negou o pedido de suspeição do relator e disse que a questão deveria ser levantada cinco dias após a escolha do relator.

    Os senadores alegam suposta omissão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que ainda não leu o requerimento de instalação da comissão. O documento foi protocolado no dia 26 de novembro de 2025.

    De acordo com os parlamentares, o requerimento conta com 53 assinaturas, superando os 27 apoiamentos mínimos para criação da CPI, equivalente a um terço do total de 81 senadores.  

  • Governo aperta o cerco a devedores do FGTS: 500 mil empresas devem R$ 66 bi

    Governo aperta o cerco a devedores do FGTS: 500 mil empresas devem R$ 66 bi

    O governo federal mudou a gestão e a cobrança dos débitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) inscritos em dívida ativa, que  passarão a ser feitas exclusivamente pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). 

    Cerca de R$ 66,8 bilhões, referentes a 500 mil inscrições na dívida ativa do fundo, serão migrados do sistema da Caixa Econômica Federal para a procuradoria.

    Atualmente, essa gestão é feita de forma compartilhada entre as duas instituições. A previsão é que a migração esteja completa até o final deste mês.

    Para julho, a PGFN já anunciou um edital de transações sobre esses débitos, para que os devedores consigam regularizar a situação com descontos em juros e multas.

    A dívida ativa do FGTS é composta pelos valores que deveriam ter sido pagos aos trabalhadores pelo empregador. Se o valor não for pago e nem parcelado, ele é inscrito em dívida ativa.

    A consulta, renegociação e emissão de guias de pagamento de débitos em dívida ativa, ajuizados ou não, deverão ser feitas exclusivamente pelo Regularize, o portal de serviços da PGFN

    Uma vez recuperados, os valores devidos vão direto para as contas do FGTS dos trabalhadores.

    Continuarão sob gestão da Caixa os débitos administrativos – ainda não inscritos em dívida ativa – ou que já possuem parcelamento ativo pelo banco, até a quitação ou rescisão. A emissão do Certificado de Regularidade do FGTS (CRF) também segue sob responsabilidade da instituição.

    (Com informações da Agência Brasil/EBC)

  • Justiça reabilita ação que pode anular Plano Diretor: Melo tem dez dias para se defender

    Justiça reabilita ação que pode anular Plano Diretor: Melo tem dez dias para se defender

    A juíza federal Clarides Rahmeier deu dez dias à prefeitura de Porto Alegre para se manifestar na Ação Civil Pública movida pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo e que aponta ilegalidades no projeto de revisão do Plano Diretor, aprovado em abril. A decisão, em grau de recurso, foi assinada na sexta-feira e divulgada nesta segunda, 1/6.

    A ação foi ajuizada em agosto do ano passado, antes do projeto do plano ser encaminhado pelo prefeito Sebastião Melo para votaçao naà Câmara.

    Alegava violações à gestão democrática, por descumprir normas do Estatuto da cidade, irregularidade na composição do Conselho do Plano Diretor e falta de participação social no processo de revisão.

    Foi inicialmente indeferida: o CAU, entidade federal, não teria legitimidade para propor a ação e a Justiça Federal não seria a instância competente o caso.

     A  decisão de agora reforma a sentença inicial e reabre o processo que pode levar a anulação do plano aprovado pela Câmara.  Os “vícios estruturais” apontados na ação civil estão no texto do Executivo encaminhado à Câmara, sendo anterior, portanto, ao processo legislativo.    

    Diz o texto: “O recurso é provido para anular a sentença, rejeitando-se as preliminares de incompetência da Justiça Federal, ilegitimidade ativa do CAU/RS e inadequação da via eleita, com o retorno dos autos ao juízo de origem para regular processamento e julgamento do mérito, inclusive com a apreciação dos pedidos de tutela de urgência.  Cite-se a parte ré para contestar, observando o teor da inicial da Ação Civil Pública e intime-se para que se manifeste sobre o pedido de tutela de urgência no prazo de 10 (dez) dias”.

  • Universidades brasileiras caem no ranking mundial: UFRGS mantém posição

    Universidades brasileiras caem no ranking mundial: UFRGS mantém posição

    Mais de 80% (44 em 52) das  universidades brasileiras tiveram queda no ranking das melhores no mundo de 2026.

    Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (1º) pelo Centro para Rankings Universitários Mundiais (CWUR).

    Apenas cinco universidades brasileiras subiram de posição, enquanto duas federais– do Rio Grande do Sul e da Bahia- mantiveram seus postos e 44 tiveram queda especificamente no indicador de pesquisa.

    A Universidade de São Paulo (USP) continua sendo a melhor colocada do país, mas caiu uma posição em relação ao ano anterior, ocupando agora o 119º lugar mundial devido a declínios nos indicadores de educação, corpo docente e pesquisa.

    Em seguida, aparecem a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que caiu 15 posições para o 346º lugar, e a Universidade de Campinas (Unicamp), que desceu 10 postos, ocupando a 379ª colocação.

    “Anos de financiamento inadequado e a desvalorização da ciência e da educação como bens públicos”, estas são as principais causas da queda generalizada das universidades brasileiras, na avaliação de Nadim Mahassen, presidente do CWUR.

    Universidades brasileiras no ranking

    Universidades Brasileiras na Lista Global 2000

    Ranking nacionalInstituiçãoRanking Global 2026Ranking Global 2025Pontuação
    1Universidade de São Paulo (USP)🔻 11911881.2
    2Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)🔻 34633176.3
    3Universidade de Campinas (Unicamp)🔻 37936975.8
    4Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)47647674.7
    5Universidade Estadual Paulista (Unesp)🔻 47945474.6
    6Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)🔻 50849774.3
    7Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)🔻 62161773.3
    8Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)🔻 68266872.8
    9Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)🔻 73272772.4
    10Universidade Federal do Paraná (UFPR)🔻 79978371.9
    11Universidade de Brasília (UnB)83183371.6
    12Fundação Getúlio Vargas (FGV)🔻 88588071.3
    13Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)🔻 88687071.3
    14Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)🔻 89188771.3
    15Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)🔻 95995170.8
    16Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)🔻 96996670.8
    17Universidade Federal do Ceará (UFC)🔻 100296170.6
    18Universidade Federal Fluminense (UFF)🔻 100698270.5
    19Universidade Federal de Pelotas (UFPel)🔻 101398670.5
    20Universidade Federal de Viçosa (UFV)🔻 101598470.5
    21Universidade Federal da Bahia (UFBA)1024102470.4
    22Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)🔻 1071103170.2
    23Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)🔻 1102109070.0
    24Universidade Federal de Goiás (UFG)🔻 1129111969.9
    25Universidade Federal do ABC (UFABC)🔻 1183112269.6
    26Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF)🔻 1214109969.4
    27Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)🔻 1275126869.1
    28Universidade Federal de Uberlândia (UFU)1283129469.1
    29Universidade Federal da Paraíba (UFPB)🔻 1284126769.1
    30Universidade Federal do Pará (UFPA)🔻 1295128869.0
    31Universidade Federal de Lavras (UFLA)🔻 1302128469.0
    32Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS)1347136768.8
    33Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)🔻 1382133068.6
    34Universidade Estadual de Maringá (UEM)🔻 1422136868.4
    35Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ)🔻 1479138568.2
    36Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)🔻 1482145568.2
    37Pontifícia Universidade Católica do RS (PUCRS)🔻 1539150667.9
    38Universidade Federal de Sergipe (UFS)🔻 1595158467.7
    39Universidade Estadual de Londrina (UEL)🔻 1601152667.7
    40Universidade Federal do Rio Grande (FURG)1629164467.6
    41Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA)🔻 1632155867.5
    42Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)🔻 1715169167.2
    43Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)🔻 1778174567.0
    44Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR)🔻 1827178566.8
    45Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)🔻 1838177466.8
    46Universidade Federal de Alagoas (UFAL)1931194666.4
    47Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)🔻 1944183666.4
    48Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA)🔻 1952183166.3
    49Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)🔻 1962193066.3
    50Universidade Federal do Piauí (UFPI)🔻 1971195066.3
    51Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)🔻 1974191166.3
    52Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA)🔻 2000199466.2

    Fonte: Centro para Rankings Universitários Mundiais (CWUR)

    O grande destaque positivo é a China: 98% das universidades chinesas melhoraram suas posições, lideradas pela Universidade Tsinghua (36ª). A China é agora o país mais representado no Global 2000, com 360 instituições, superando as 313 dos Estados Unidos.

    Na Europa, o quadro é de dificuldades, com quedas generalizadas no Reino Unido, França e Alemanha devido à competição global intensificada.

    As 100 melhores da Lista Global

    InstituiçãoRanking Global 2026Ranking Global 2025PaísPontuação
    Harvard University11EUA100
    Massachusetts Institute of Technology22EUA96.8
    Stanford University33EUA95.2
    University of Cambridge44Reino Unido94.1
    University of Oxford55Reino Unido93.3
    Princeton University66EUA92.7
    University of Pennsylvania77EUA92.1
    Columbia University88EUA91.6
    Yale University99EUA91.2
    University of Chicago1010EUA90.8
    California Institute of Technology1111EUA90.5
    University of California, Berkeley1212EUA90.2
    University of Tokyo1313Japão89.9
    Cornell University1414EUA89.6
    Northwestern University1515EUA89.3
    University of Michigan, Ann Arbor1616EUA89.1
    University of California, Los Angeles1717EUA88.9
    Johns Hopkins University1818EUA88.7
    University College London1920Reino Unido88.5
    PSL University2019França88.3
    Duke University2121EUA88.1
    University of Illinois at Urbana–Champaign2222EUA87.9
    University of Toronto2323Canadá87.8
    New York University2425EUA87.6
    University of Washington2526EUA87.4
    Kyoto University2624Japão87.3
    Imperial College London2728Reino Unido87.2
    McGill University2827Canadá87.0
    University of Wisconsin–Madison2930EUA86.9
    Seoul National University3031Coreia do Sul86.8
    ETH Zurich3132Suíça86.6
    Institut Polytechnique de Paris3235França86.5
    Paris-Saclay University3334França86.4
    University of California, San Diego3433EUA86.3
    University of Texas at Austin3536EUA86.2
    Tsinghua University3637China86.1
    University of Copenhagen3738Dinamarca85.9
    Paris City University3829França85.8
    University of California, San Francisco3939EUA85.7
    Peking University4044China85.6
    University of Chinese Academy of Sciences4146China85.6
    Karolinska Institute4241Suécia85.5
    University of North Carolina at Chapel Hill4340EUA85.4
    King’s College London4442Reino Unido85.3
    Sorbonne University4543França85.2
    Washington University in St. Louis4647EUA85.1
    Dartmouth College4745EUA85.0
    University of Minnesota – Twin Cities4849EUA84.9
    University of British Columbia4948Canadá84.8
    University of Edinburgh5051Reino Unido84.8
    Ludwig Maximilian University of Munich5150Alemanha84.7
    University of New South Wales5252Austrália84.6
    University of Manchester5353Reino Unido84.5
    Shanghai Jiao Tong University5461China84.5
    University of Southern California5554EUA84.4
    Vanderbilt University5656EUA84.3
    Free University of Berlin5759Alemanha84.2
    Ohio State University5855EUA84.2
    Humboldt University of Berlin5958Alemanha84.1
    University of California, Davis6060EUA84.0
    Pennsylvania State University6157EUA84.0
    Zhejiang University6268China83.9
    University of Zurich6362Suíça83.8
    University of Melbourne6464Austrália83.8
    Rutgers University6563EUA83.7
    Fudan University6673China83.7
    Hebrew University of Jerusalem6765Israel83.6
    Purdue University6866EUA83.5
    University of Texas Southwestern Medical Center6967EUA83.5
    Heidelberg University7072Alemanha83.4
    Georgia Institute of Technology7174EUA83.4
    Brown University7271EUA83.3
    University of Florida7386EUA83.2
    Weizmann Institute of Science7470Israel83.2
    University of Virginia7576EUA83.1
    Rockefeller University7669EUA83.1
    Technical University of Munich7777Alemanha83.0
    University of Colorado Boulder7875EUA83.0
    National University of Singapore7980Singapura82.9
    Utrecht University8078Países Baixos82.9
    Sun Yat-sen University8195China82.8
    University of Alberta8281Canadá82.8
    University of Amsterdam8383Países Baixos82.7
    Huazhong University of Science and Technology8498China82.7
    University of Science and Technology of China8596China82.6
    University of Pittsburgh8684EUA82.6
    Leiden University8788Países Baixos82.5
    University of Oslo8887Noruega82.5
    University of Rochester8979EUA82.4
    University of Basel9085Suíça82.4
    Texas A&M University, College Station9182EUA82.3
    University of California, Irvine9289EUA82.3
    Australian National University9390Austrália82.2
    Carnegie Mellon University9497EUA82.2
    University of Birmingham9593Reino Unido82.1
    Uppsala University9691Suécia82.1
    Aarhus University97100Dinamarca82.1
    KU Leuven98105Bélgica82.0
    University of Maryland, College Park9992EUA82.0
    University of Sydney10094Austrália81.9

    Fonte: Centro para Rankings Universitários Mundiais (CWUR)

    Metodologia

    O CWUR utiliza quatro indicadores principais para classificar as instituições, sem depender de pesquisas de opinião ou dados enviados pelas próprias universidades:

    • Educação (25%): baseado no sucesso acadêmico de ex-alunos.
    • Empregabilidade (25%): baseado no sucesso profissional de ex-alunos em grandes empresas.
    • Corpo docente (10%): medido por distinções acadêmicas de alto nível.
    • Pesquisa (40%): inclui produção total, publicações em jornais de elite, influência e citações.
  • Brasileiro sente o peso das mudanças climáticas e cobra proteção do governo

    Brasileiro sente o peso das mudanças climáticas e cobra proteção do governo

    Oito em cada dez pessoas (85%) já notam interferências das mudanças climáticas em seu cotidiano, sendo que quase metade (46%) julga esse impacto “intenso”. 

    Os dados são de uma pesquisa do Aurora Lab e da More in Common, que será lançada na próxima quarta-feira (27), em São Paulo.  A Agência Brasil teve acesso ao resultado.

    Foram ouvidas 2.630 pessoas que apontaram como consequências das mudanças climáticas no seu cotidiano:.  

    • Ter que arcar com um custo maior de vida – 53%
    • Problemas de saúde física – 45%
    • Obstáculos ao acesso a seu local de trabalho – 40%
    • Adoecimento mental – 32%
    • Perda de renda – 17% 
    • Perda de emprego – 10%

    A proporção de brasileiros que confia que o governo deve ser a principal figura a garantir a proteção de trabalhadoras e trabalhadores nesse contexto é de sete a cada dez (67%).

     Outros indicados a essa função são empregadores (7%) e grupos auto-organizados, como os de direitos socioambientais (menos de 6%).

    A preferência pelo Estado como o agente mais adequado para apresentar soluções de mitigação e outras medidas pertinentes surpreendeu os pesquisadores.

    “Também é um dado muito preocupante, porque ele tira ou não coloca a responsabilidade em cima dos empregadores. Cada vez mais a gente vai ter eventos climáticos extremos e eles têm um papel muito importante em garantir a proteção dos trabalhadores no processo de transição também”, complementa a diretora-executiva do Aurora Lab, Gabriela Vuolo.

    O levantamento ainda demonstra elevada consciência (93%) de que os modelos de produção e consumo da sociedade precisam ser transformados para se enfrentar a crise climática. No total, 74% concordam totalmente com tal afirmação. 

    Uma parcela de 67% acredita que essas mudanças trarão bons frutos para a classe trabalhadora, em termos de abertura de vagas. Somente 10% discordam disso e pensam que terão o efeito contrário, de redução dos postos de trabalho.

    As entrevistas também sondaram a avaliação das pessoas sobre a ligação entre a transição e a configuração social do país. A maioria (45%) acredita que a passagem para outros estágios energéticos promoverá redução das desigualdades sociais, contra 40% que acreditam que haverá uma manutenção ou, então, um aumento das desigualdades (23% acham que vão aumentar + 17% que não vão mudar).

    Segundo Gabriela Vuolo, parte dos respondentes imagina que até mesmo os salários poderão aumentar.

    De acordo com a pesquisa, mesmo em uma era de disseminação de fake news, os brasileiros ainda confiam no que a ciência diz. Universidades e cientistas são a fonte com mais credibilidade para 69% dos entrevistados, enquanto as redes sociais são o principal meio de informação de 65% deles, quando o assunto é clima. 

    A pesquisa Clima, Trabalho e Transição Justa será compartilhada no encontro “Quem move o Brasil? Debates sobre Trabalho, Energia e Desenvolvimento”. 

    As entrevistas realizadas para a análise contaram com a participação de pessoas com 16 anos de idade ou mais, de nove capitais: Belém, Brasília, Fortaleza, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. O questionário foi aplicado entre maio e setembro de 2025.

    (Com Agência Brasil)

  • Porto Alegre sedia debate sobre transparência na comunicação pública

    Porto Alegre sedia debate sobre transparência na comunicação pública

    No dia 1º de junho de 2026, a capital gaúcha receberá o 1º Congresso Gaúcho de Comunicação Pública. O evento presencial ocorrerá no auditório da Associação dos Auditores-Fiscais da Receita Municipal de Porto Alegre (AIAMU), no Centro Histórico, com transmissão virtual para todo o país. O encontro visa qualificar gestores, secretários e assessores, transformando a comunicação institucional em ferramenta estratégica de transparência.

    A programação contará com especialistas para debater temas urgentes do setor. As inscrições estão abertas no site oficial do evento e as vagas presenciais são limitadas a 200 participantes. Entre os debatedores, Soraia Hanna comandará o painel sobre gestão de crises, enquanto Daniela Machado abordará o combate à desinformação. A simplificação de termos técnicos para o cidadão será discutida por Maria José Finatto, e Rodrigo Abella apresentará diagnósticos de maturidade digital baseados em evidências, entre outros destaques.

    Em entrevista ao JÁ, o professor e escritor Adeli Sell, um dos organizadores do Congresso, fala da importância deste encontro.

    Adeli Sell

    JÁ – O que podes nos falar deste 1° Congresso, os objetivos?

    Adeli – É o primeiro, por isso, enfatizamos na chamada, pelo ineditismo e ousadia. Nosso objetivo é atingir o máximo de pessoas. Será presencial aqui em Porto Alegre, por isso, “gaúcho”. Mas terá transmissão online.

    É um congresso que vai debater uma temática ampla para falar com dirigentes públicos de todas as esferas – do Executivo e do Legislativo. E como não é só estatal, é público em geral, queremos falar com os que fazem a mídia em sindicatos e Ongs.

    JÁ – Qual é o principal mote?

    Adeli – Quando falo com as pessoas, começo pelo velho bordão do Velho Guerreiro Chacrinha – os mais jovens não devem saber quem foi José Abelardo Barbosa, com seu inigualável “Cassino do Chacrinha”, mas o que ele dizia continua atual segundo leituras minhas: ‘Quem não se comunica se trumbica’. É isso, comunicar melhor.

    JÁ – E quais os temas que vocês vão abordar?

    Adeli – Recentemente, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) instituiu o Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples, para eliminar o uso do juridiquês. O objetivo é tornar decisões judiciais, documentos e o atendimento ao público mais claros, diretos e acessíveis a todo cidadão, garantindo o direito à informação e facilitando o entendimento da Justiça.

    E a também uma lei (Nº 15.263, novembro de 2025) que institui a Política Nacional de Linguagem Simples nos órgãos e entidades da administração pública direta e indireta de todos os Poderes da União. Ou seja, vale em todas as esferas governamentais, para todas as pessoas.

    Dias atrás, em uma audiência pública sobre o Plano Diretor, um sujeito abre o evento dizendo: Vamos tratar aqui de “recuo de jardim”, “volumetria”, “área permeável”, etc, etc. Entendeu? Pois então, como já disse em outra entrevista: “a Lei passou meio distante da população e da imprensa corporativa”. Creio que ainda teremos um grande caminho pela frente.

    JÁ – Então, o tema da Linguagem Simples, vamos sublinhar aqui para nossos leitores…

    Adeli – Especificamente sobre a “linguagem simples”, teremos um painel que pretende mostrar como aos cidadãos podem encontrar, entender e usar as informações publicadas pelos órgãos e entidades da administração. A lei torna obrigatório que órgãos públicos se comuniquem de forma clara, objetiva e acessível, usando técnicas como frases curtas, palavras comuns e recursos visuais para facilitar o entendimento e o acesso à informação.

    A palestra será de Maria José Finatto que vai nos conduzir para transformar linguagem burocrática em texto que o cidadão compreende, metodologia premiada pelo Google. Finatto é doutora em Estudos da Linguagem e especialista em Acessibilidade Textual (UFRGS). Pesquisadora premiada pelo Google.

    Já na fala da Daniela Machado, vamos entender como identificar, barrar e corrigir desinformação antes que ela comprometa a credibilidade da sua instituição. Pois, em tempos de “fake news”, manipulações, mentiras e falsificação histórica, é essencial informar com verdade,
    precisão e simplicidade. Daniela é jornalista e especialista em Letramento Digital e Coordenadora do EducaMídia.

    JÁ – E a comunicação pública propriamente dita?

    Soraia Hanna

    Adeli – O Congresso pretende ser inédito e ousado, porque em geral se fala genericamente de comunicação. E aí, quando vêm uma crise – enchentes, um secretário que desviou recurso, etc,- aí é a crise, e no geral junto vem o caos. Por isso, vamos ouvir Soraia Hanna para não perder tempo e nos dizer o que fazer nas primeiras horas de uma crise: protocolos testados em quatro governos estaduais. Soraia é autora do livro “Gerindo crises, construindo reputação”. É também sócia da empresa Critério.

    Sandra Bitencourt vai começar a conversa do dia para mostrar como a imagem pública de uma instituição se constrói e desmorona, nos momentos de instabilidade política. Sandra é doutora em Comunicação (UFRGS), e assessora do Tesouro do Estado (RS).

    Como neste mundo líquido estamos todos navegando nas águas muitas vezes turvas da Internet, estamos trazendo Rodrigo Abella para nos dizer como medir o que realmente importa: diagnóstico de maturidade digital e os indicadores que revelam se a comunicação está blindada ou exposta. Abella é diretor-executivo da Social MedIA Gov. Especialista em comunicação baseada em evidências, estágios de maturação digital e sintonia fina com o público.

    JÁ – Podemos ter participação até da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), certo?

    Adeli – Em não sendo possível ouvir especialistas nas três esferas de poder estatal, optamos pela vinda do representante da EBC, Leandro Rolim. Vai nos falar de como a TV 3.0 e a mídia pública nacional podem ampliar a voz da sua instituição além das redes sociais.

    E ao falar de mídia pública, é obrigação falar de dados, de segurança, de transparência. Por isso, Gustavo Ferenci irá dizer como usar transparência e LGPD como instrumentos ativos de legitimidade, não como obrigações a cumprir. Ferenci é presidente do Fórum de Proteção de Dados dos Municípios.

    Ou seja, será um dia repleto de temas, uma programação completa, para que possamos sair todos do Congresso com a alma um pouco mais leve.

    JÁ – O que mais vocês vão ofertar?

    Adeli – Em tempos de preocupações com o meio ambiente, os temas sociais e a governança, o Congresso buscou um local com fácil acessibilidade, com uma “pegada ESG” real. Os resíduos terão o devido destino para uma entidade de reciclagem, a alimentação, além de saudável – sem lactose, sem glúten, virá da economia solidária, de agroindústria familiar, de entidades sociais. O evento terá acompanhamento de uma arquiteta especializada em acessibilidades para pessoas idosas e PCDs. Haverá uma coleta de livros para doação a uma biblioteca.

    JÁ – Alguma coisa específica para os estudantes da área de comunicação?

    Adeli – Sim, os estudantes terão, em breve, no site, uma área para inscrições de forma gratuita. É outra de nossas contrapartidas sociais.

    JÁ – Vocês certamente terão patrocinadores.

    Adeli – Sim, aproveitamos para agradecer a todos aqui. Além do apoio de entidades de classe da área da comunicação – ARI, SINDIJOR – o evento conta com o apoio da Caixa Econômica Federal, Governo Federal, Corsan, a Associação dos fiscais de tributos/AIAMU, Associação dos Procuradores, Governo do Estado, Assembleia Legislativa. Na divulgação temos o apoio da IMOBI, LIFE OOH, Trensurb, entre outros.

    Mais informações no site do evento.

    Palestrantes já confirmados:

    Sandra Bitencourt: Doutora em Comunicação (UFRGS). Jornalista e Pesquisadora. Assessora do Tesouro do Estado (RS).

    Soraia Hanna: Sócia-diretora executiva da Critério. Especialista em gestão de imagem (trajetória em 4 governos estaduais).

    Maria José Finatto: Doutora em Estudos da Linguagem e especialista em Acessibilidade Textual (UFRGS). Pesquisadora premiada pelo Google.

    Daniela Machado: Jornalista e especialista em Letramento Digital (EUA). Coordenadora do EducaMídia. Foco em Integridade da Informação e curadoria responsável de conteúdos.

    Rodrigo Abella: Diretor-executivo da Social MedIA Gov. Especialista em comunicação baseada em evidências, estágios de maturação digital e sintonia fina com o público.

    Leandro Rolim: Doutor em Comunicação Audiovisual (Universidad de Salamanca), Professor da UCB, Produtor Executivo e Assessor na SUDIM – EBC

    Gustavo Ferenci: Secretário de Transparência de Canoas e Presidente do Fórum de Proteção de Dados dos Municípios. Tema: Transparência Pública Inteligente e Governo Digital.

  • Uso de antibióticos proibidos: Europa suspende compra de carnes do Brasil

    Uso de antibióticos proibidos: Europa suspende compra de carnes do Brasil

    A União Europeia decidiu suspendeu as importações de carnes e produtos de origem animal do Brasil a partir de 3 de setembro de 2026.

    O motivo é a “ausência de garantias suficientes sobre o controle do uso de antibióticos na pecuária”.

    Na Europa é proibido o uso de “substâncias antimicrobianas com a finalidade de melhorar o desempenho ou promover ocrescimento animal, além de ativos reservados exclusivamente para o tratamento de infecções humanas”.

    O Brasil não comprovou a eliminação completa no ciclo de vida dos animais de substâncias banidas pela UE, tais como virginiamicina, avoparcina, bacitracina, tilosina, espiramicina e avilamicina.

    O ponto central da exclusão brasileira da lista de importadores autorizados envolve exigências documentais rígidas e falhas na capacidade de monitoramento integral da cadeia produtiva de ponta a ponta.

     A medida faz parte da estratégia de saúde pública europeia voltada a combater a resistência bacteriana global e o uso indiscriminado de medicamentos na produção de alimentos.

    A suspensão não se limita à carne bovina, atingindo também aves, ovos, mel, peixes, equinos e derivados. O veto ocorre em meio à pressão de agricultores locais europeus (principalmente na França) após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Países vizinhos como Argentina, Uruguai e Paraguai demonstraram conformidade e continuam autorizados a exportar para o bloco.

    O Ministério da Agricultura brasileiro informou que trabalha junto às autoridades europeias para reverter a decisão antes do prazo final.

    (Com Agência Brasil)

  • Bactéria no detergente: Ypê suspende decisão, mas Anvisa mantém o alerta

    Bactéria no detergente: Ypê suspende decisão, mas Anvisa mantém o alerta

    A Química Amparo, dona da marca Ypê, conseguiu derrubar a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que suspendia a fabricação e comercialização de vários de seus produtos*.

    Anvisa acolheu o recurso da empresa mas manteve o alerta de risco sanitário e orienta os consumidores a não usar os 23 itens com lotes de final 1, nos quais a fiscalização detectou a presença de uma bactéria.

    O rótulo da embalagem é ilegível e o número do lote gravado na garrafa PET ´é invisível.

    Com o recurso administrativo, os produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetantes podem continuar sendo fabricados e comercializados até nova manifestação da Anvisa.

    A Anvisa informou que mantém o entendimento técnico sobre os riscos identificados na linha de produção da unidade da Química Amparo, em Amparo, São Paulo. 

    A agência destacou que o julgamento definitivo do recurso pela Diretoria Colegiada deve ocorrer nos próximos dias.

    Enquanto isso, o órgão orienta que os consumidores não utilizem os produtos envolvidos, “por segurança”.

    Segundo a Anvisa, cabe à empresa orientar consumidores sobre:

        recolhimento;

        troca;

        devolução;

        ressarcimento;

        demais medidas necessárias.

    As informações devem ser prestadas por meio do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da fabricante.

    Entenda

    Na quinta-feira (7), a Anvisa determinou a suspensão da fabricação, distribuição e comercialização de diversos produtos fabricados pela unidade da Química Amparo, responsável pela marca Ypê. 

    Segundo a agência, a medida foi tomada após avaliação de risco sanitário identificar “falhas graves na produção”.

    Entre os problemas apontados estão:

        -falhas no controle de qualidade;

        -descumprimentos em etapas críticas da fabricação;

        -problemas nos sistemas de garantia sanitária.

    A agência afirmou que essas exigências são fundamentais para garantir a segurança dos consumidores.

    Lotes afetados

    A decisão da Anvisa atinge apenas produtos com lotes terminados no número 1.

    A relação completa foi publicada na Resolução nº 1.834/2026 no Diário Oficial da União.

    Recall voluntário

    A Ypê informou que já havia iniciado, em novembro de 2025, um recolhimento voluntário de alguns lotes de lava-roupas líquidos após identificar a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos específicos.

    Na ocasião, a empresa divulgou orientações aos consumidores sobre possíveis riscos à saúde e os procedimentos para troca ou devolução dos produtos.

    A Anvisa informou que as vigilâncias sanitárias estaduais e municipais foram orientadas a intensificar a fiscalização para impedir a circulação de lotes considerados irregulares.

    O órgão também recomendou que consumidores verifiquem a numeração dos lotes antes do uso dos produtos.

    *Os produtos de lotes de final 1 que tiveram a comercialização suspensa na quinta-feira foram os seguintes:

       – Lava-louças Ypê Clear Care

       – Lava-louças com enzimas ativas Ipê

        -Lava-louças Ypê

        -Lava-louças Ypê Clear Care

        -Lava-louças Toque Suave

        -Lava-louças concentrado Ypê Green

        -Lava-louças Ypê Clear

        -Lava-louças Ypê Green

        -Lava Roupas líquido Tixan Ypê Combate Mau Odor

        -Lava-roupas líquido Tixan Ypê Cuida das Roupas

        -Lava-roupas líquido Tixan Ypê Antibac

        -Lava-roupas líquido Tixan Ypê Coco e Baunilha

        -Lava-roupas líquido Tixan Ypê Green

        -Lava-roupas líquido Ypê Express

        -Lava-roupas líquido Ypê Power ACT

        -Lava-roupas líquido Ypê Premium

        -Lava-roupas Tixan Maciez

        -Lava-roupas Tixan Primavera

        -Desinfetante Bak Ypê

        -Desinfetante de uso geral Atol

        -Desinfetante Perfumado Atol

        -Desinfetante Pinho Ypê

        -Lava-roupas Tixan Power ACT 

    A bactéria Pseudomonas aeruginosa, encontrada em diversos produtos da indústria Ypê, é uma bactéria de grande resistência a antibióticos, segundo o  infectologista Celso Ferreira Ramos Filho, em entrevista à Agência Brasil.

    Ele explica que, como se trata de uma bactéria ambiental, esponjas usadas normalmente para lavar louça ou panos de chão podem estar contaminados, já que a bactéria permanece viva na água.

    De acordo com ele, a Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria de “vida livre”, ou seja, diferente de outras bactérias como a Escherichia coli, que vive dentro do intestino, ou o meningococo, que vive nas fossas nasais das pessoas.

    “Nós não vivemos em um ambiente que não tem micro-organismos. Existem outras bactérias de vida livre, como a Burkholderia que, eventualmente, podem causar doenças no homem”.

    Segundo ele, a bactéria pode causar uma série de problemas em pessoas imunocomprometidas, desde infecção urinária a infecção respiratória em pessoas que têm problemas de pulmão crônicos, como enfisema, ou em pessoas submetidas a tratamento com cateter na veia.

    “Colocam um tubo na traqueia e a bactéria pode entrar por ali. Também pode ocorrer em pessoas que estejam fazendo quimioterapia, o que faz com que haja um comprometimento maior e prévio da saúde da pessoa”, explicou Celso Ferreira.

    A médica Raiane Cardoso Chamon, professora do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), afirmou à Agência Brasil que o maior problema dessa bactéria ocorre quando pessoas imunocomprometidas, que têm o sistema imunológico enfraquecido, entram em contato com ela.

    “Ela consegue causar infecções em pessoas que têm o sistema imune debilitado”.

    Em pacientes que têm fibrose cística, por exemplo, ela é causa comum de pneumonia. E o tratamento é muito difícil. Advertiu, por outro lado, que ela pode causar também problemas em pessoas saudáveis.

    “Dependendo da cepa da Pseudomonas, mesmo a pessoa saudável pode desenvolver uma infecção, como a otite de nadador, em pessoas que nadam em águas recreativas, como piscinas, rios, praias”, ressaltou Chamon.

    Para a profissional de saúde, o maior problema é quando a bactéria chega ao ambiente hospitalar, e a porta de entrada, geralmente, são as pessoas que trabalham ali ou entram no hospital, explicou a profissional de saúde.

    A médica relatou ainda que, dentro do ambiente hospitalar, onde uma pressão seletiva de antibióticos é muito grande, a bactéria carrega dentro dela uma série de resistências.

    Segundo Chamon, isso pode provocar infecções mais graves, associadas a pessoas que usam sonda urinária, têm infecção de corrente sanguínea, estão com pneumonia, pessoas com ventilação mecânica, E o tratamento, por conta da gravidade da infecção, é mais difícil, além da questão de a bactéria aumentar o poder de resistência.

    “Esse é o pior cenário de todos”, afirmou.

    Contaminação

    Como a Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria que vive muito bem no solo, na água e em ambientes úmidos, Raiane acredita que a contaminação pode ter ocorrido no momento de produção.

    “Não houve um controle microbiológico adequado. Provavelmente, algum reagente na hora de fabricação desses produtos estava contaminado pela Pseudomonas, e acaba que ela consegue se multiplicar nesses ambientes úmidos também”, explicou.

    “Na falta do controle microbiológico nas etapas necessárias de fabricação, pode ter havido um crescimento descontrolado de uma cepa específica, que vive melhor em ambientes com detergentes, por exemplo, e a gente acaba detectando-a nesses materiais”.

    Segundo a médica, existem níveis aceitáveis de contaminação microbiana em todos os produtos. O que não pode é ultrapassar esse nível para não oferecer risco à saúde, principalmente nos indivíduos que estão mais comprometidos em seu sistema imune.

    Comunicado

    Em comunicado divulgado na quinta-feira (7), a Ypê esclareceu que está colaborando integralmente com a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) “e conduzindo todas as ações necessárias com máxima prioridade, responsabilidade e transparência”.

    A empresa informou ainda que vem realizando análises técnicas e avaliações complementares, incluindo testes e laudos independentes, que estão sendo apresentados à Anvisa, “reforçando o compromisso da empresa com a qualidade, a segurança e a conformidade regulatória dos seus produtos”.

    A indústria se compromete ainda a incorporar de forma imediata eventuais aprimoramentos e recomendações regulatórias da Agência ao seu Plano de Ação e Conformidade Regulatória, desenvolvido em conjunto com a própria Anvisa desde dezembro de 2025.

    (Com Agência Brasil)

  • Dois anos do incêndio na Pousada Garoa: 11 vítimas ainda sem justiça

    Dois anos do incêndio na Pousada Garoa: 11 vítimas ainda sem justiça

    Um ato simbólico marcou, neste domingo, 26/04, os dois anos do incêndio na Pousada Garoa, albergue conveniado com a prefeitura de Porto Alegre, na avenida Farrapos. Na tragédia, 11 pessoas morreram queimadas e, ao menos, outras 15 sofreram ferimentos.

    “O que houve aqui, há dois anos, independentemente da origem do fogo, é um absurdo no que tange à falta de fiscalização, falta de cuidados e consideração do Poder Público, responsável pela contratação e terceirização do serviço de assistência social”, destacou o vereador Pedro Ruas (PSOL), um dos organizadores do ato.

    Na sua avaliação, “as obrigações de prover toda a atenção em termos de cuidados de segurança é do município, mesmo quando os serviços, como no presente caso, são terceirizados”. Segundo ele, “esses dois anos marcam uma tragédia que tem culpados e continuam impunes”.

    Acompanhado por lideranças da Pastoral dos Povos de Ruas da Cúria Metropolitana, o vereador pediu um minuto de silêncio em homenagem aos mortos. Junto a uma faixa com o nome das onze vítimas foram depositadas rosas brancas.

    “Fazemos esse ato como forma de chamar a atenção da sociedade para a falta de justiça, nesse caso. Mas também para deixar claro que os problemas da falta de moradia digna e segura, para muitas pessoas, ainda é um problema da maior seriedade o que exige muito planejamento e atenção das autoridades responsáveis”, disse Ruas.

    Os nomes dos mortos no incêndio, bordados em um quadro de tecido verde, pela jornalista Iara Maurente, foram lidos. Onze rosas brancas foram depositadas junto aos nomes.

    Presidente da CPI sobre o incêndio, realizada de fevereiro a julho de 2025 na Câmara Municipal, Pedro Ruas destacou sua inconformidade com a demora em decisões sobre a aplicação de penas aos responsáveis. “O fato de termos feito nossa parte, indicando agentes responsáveis pela tragédia, é mais um fator que me obriga a aguardar que a justiça seja feita”.

    Já o coordenador da Pastoral dos Povos de Rua da Cúria Metropolitana, Elton Bozzetto, destacou que além de se esperar justiça é muito importante que o ocorrido ali sirva de lição para a evolução em termos humanitários, em relação ao atendimento das camadas sociais mais carentes. “Precisamos evoluir e, apesar da tragédia, temos que buscar forças, coragem e ousadia para sermos melhores”, enfatizou.

    O incêndio ocorreu na madrugada de 26 de abril de 2024, por volta das 2h, no albergue conveniado com a prefeitura para acolher pessoas em situação de vulnerabilidade. À época, foi constatado que o estabelecimento operava sem alvará de funcionamento e sem o Plano de Proteção contra Incêndio (PPCI).

    As investigações apontaram uma série de irregularidades, incluindo falhas estruturais e negligência na manutenção. O relatório final da CPI, concluído em junho de 2025, indicou responsabilidade do proprietário da rede, André Kologeski, destacando problemas como extintores vencidos, fiação exposta e ausência de rotas de fuga adequadas.

    Por outro lado, o documento não indiciou agentes públicos municipais, sob a justificativa de falta de elementos suficientes.

    Na esfera judicial, o caso segue em andamento em duas frentes: criminal e cível. A Polícia Civil indiciou três pessoas por incêndio culposo — o proprietário da pousada, o ex-presidente da Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc), Cristiano Roratto, e uma fiscal do contrato. O Ministério Público entendeu que os responsáveis podem responder por dolo eventual, o processo ainda tramita na Justiça.

    Paralelamente, a Defensoria Pública do Estado ajuizou, em agosto de 2025, uma ação civil pública que pede mais de R$ 10 milhões em indenizações por danos morais coletivos contra o município e o proprietário.

    Decisões liminares já determinaram que a prefeitura apresente um plano de moradia digna para os sobreviventes, além de garantir atendimento psicológico e psiquiátrico especializado.

    As vítimas:

    Adair Cruz,

    Anderson Correa,

    Cleiton Mello,

    Dionatan Cardoso da Rosa,

    Douglas de Lima Alves,

    João Batista Ebani,

    João Luiz Gomes,

    Julcemar Cardoso Amador,

    Lenita Aparecida Scheleck,

    Maribel Terezinha Padilha,

    e Silvério Roni Martin.