Autor: da Redação

  • Fim da escala 6×1: projeto ficou oito anos travado no Congresso

    Fim da escala 6×1: projeto ficou oito anos travado no Congresso

    A Proposta de Emenda à Constituição (PEC 221/2019), apresentada originalmente pelo deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), ficou travada por oito anos no Congresso.

    Falta de mobilização popular, resistência do empresariado e divergências políticas no Congresso, foram as causas da demora.

     Setores produtivos e confederações patronais (como a CNI, Fiergs, FIEMG e FIESP) exerceram forte lobby contra o projeto. O argumento era que a redução da jornada sem diminuição salarial inflaciona os custos de produção, gerando demissões e prejudicando setores essenciais que operam ininterruptamente, como comércio e saúde.

    O texto chegou a passar pela Câmara dos Deputados em maio, mas enfrentou forte resistência no Senado, onde o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, manteve a proposta travada por meses em meio a embates políticos de bastidores com o governo. A oposição também tentou obstruir o avanço apresentando textos alternativos e esvaziando sessões deliberativas para impedir o quórum elevado exigido por uma PEC.

    O Brasil convive com a possibilidade da escala 6×1 desde 1943, quando o presidente Getúlio Vargas criou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). No entanto, o formato de 44 horas semanais distribuídas em seis dias de trabalho foi consolidado com a Constituição de 1988.

    Em 1934, a primeira legislação nacional fixou a jornada máxima de 8 horas diárias e 48 horas semanais. Essa regra foi incorporada à CLT em 1943.

    Naquela época, a única forma matemática de cumprir as 48 horas obrigatórias trabalhando 8 horas por dia era estender o serviço por 6 dias na semana de forma integral (de segunda a sábado), descansando obrigatoriamente aos domingos.

    A Constituição Federal de 1988 promoveu o último grande avanço trabalhista no país ao reduzir o limite semanal de 48 para 44 horas. No entanto, a Carta Magna continuou sem determinar uma semana de 5 dias.

    Como o limite de 44 horas ainda precisava ser distribuído ao longo da semana, as empresas encontraram duas opções legais:

    -Escala 5×2: Trabalhar 8 horas e 48 minutos de segunda a sexta para compensar o sábado e folgar o fim de semana inteiro.

    -Escala 6×1: Trabalhar 8 horas de segunda a sexta e completar as 4 horas restantes no sábado (ou diluir as 44 horas igualmente em 7 horas e 20 minutos diários de segunda a sábado), mantendo apenas um dia de folga na semana.

    Essa brecha permitiu que setores que demandam operação contínua — como comércio, supermercados, farmácias, bares, restaurantes e hotelaria — adotassem a escala 6×1 como o modelo padrão por quase 40 anos.

  • “Ainda estamos tontos”, diz presidente da Fiergs sobre o fim da escala 6×1

    “Ainda estamos tontos”, diz presidente da Fiergs sobre o fim da escala 6×1

    Tornou-se “data histórica” este 14 de outubro de 2026, dia em que o Senado aprovou a redução da jornada de trabalho que vigorava no país há 40 anos.

    A proposta de emenda constitucional para acabar com a chamada escala 6×1 (seis dias de trabalho por um de descanso) tramitava no Congresso há oito anos e já tinha sido aprovada pela Câmara Federal em maio e pelas comissões no Senado, em setembro.

    Mesmo assim a aprovação surpreendeu o meio empresarial, que desde o início resistia à mudança, defendida pelo governo.

    “Foi uma pancada muito forte, ainda estamos meio tontos”, disse o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, Cláudio Bier, em entrevista à Gaúcha. Segundo Bier, a mudança deveria ser precedida de “uma discussão mais aprofundada entre empresários e trabalhadores”.  Ele acredita que a mudança será “ruim para o Brasil, que vai perder competitividade com o aumento do custo de produção.    

    Com a aprovação, o trabalhador terá direito a repouso semanal remunerado de dois dias, um deles preferencialmente aos domingos, sem redução salarial.

    Além disso, o texto reduz a jornada máxima de trabalho semanal de 44 para 40 horas. Serão até oito horas diárias de trabalho, com possibilidade de compensação de horários e redução da jornada por acordo ou convenção coletiva de trabalho. Algumas das mudanças serão implementadas de forma progressiva.

    A proposta, que tinha como primeiro signatário o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), foi relatada pelo senador Omar Aziz (PSD-AM).

    A PEC foi aprovada em Plenário com calendário especial, após passar por cinco sessões de discussão em primeiro turno. Requerimento assinado por líderes e aprovado pelo Plenário dispensou as três sessões de discussão em segundo turno.

    O único voto contrário foi do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que não se manifestou na sessão.

    Discussão

    A discussão durou mais de cinco horas. Todos os senadores que se manifestaram, governistas e de oposição, se declararam favoráveis à aprovação da PEC, ainda que com ressalvas e pedidos de mudanças futuras por parte da oposição.

    — Eu vi muitos discursos, aqui, preocupados pontualmente com algumas questões, mas muito me alegra que a unanimidade do Senado vai votar a favor da PEC. A gente entra para a história, Câmara e o Senado — disse o relator Omar Aziz.

    Paulo Paim (PT-RS), que se manifestou pela aprovação da proposta em diversos pronunciamentos ao longo da tramitação, não escondeu a emoção durante a sessão. Ao longo da carreira, Paim apresentou várias proposições para reduzir a jornada dos trabalhadores para 40 horas.

    —  Tenho certeza de que, em cada canto do Brasil, o nosso povo está cantando, está dançando, está chorando de emoção por ver que, depois de 40 anos, nós estamos dando a liberdade a eles de não terem que trabalhar de segunda a sábado — disse o senador, que comemorou a presença de trabalhadores nas galerias.

    Paim, que não disputou a reeleição e encerra seu mandato no início de 2027, recebeu homenagens dos colegas.

    Ao manifestar seu voto favorável, Eduardo Braga (MDB-AM), líder de seu partido, afirmou que a democracia não se encerra no pleno funcionamento das instituições e precisa chegar à mesa, à casa e à vida do trabalhador.

    — Quero falar do vigilante, do atendente do supermercado, do trabalhador da construção civil que enfrenta o calor do nosso Amazonas a semana inteira e chega em casa muitas vezes sem força para conversar com a própria família. Essa é a realidade de milhares de amazonenses, e é por eles que eu voto sim — declarou.

    O senador Cleitinho (Republicanos-MG) homenageou o autor da proposta, que estava presente em Plenário, e pediu “sensibilidade e consciência” dos colegas para aprovar a PEC.

    — Essa luta, gente, não é de esquerda nem da direita, não; essa luta é do trabalhador. Vamos votar, vamos fazer o que nós temos que fazer aqui, que é trabalhar, é votar — disse o senador.

    As senadoras Zenaide Maia (PSD-RN), Leany Lemos (PSB-DF), Jussara Lima (PSD-PI) e Dra. Eudócia (PSDB-AL) destacaram a relevância da mudança na vida das mulheres, que enfrentam jornada dupla e que, muitas vezes, são as únicas responsáveis por cuidar dos filhos e sustentá-los.

    — Que tempo sobra para acompanhar a criança na escola, ajudar na tarefa, levar o filho ao médico ou, simplesmente, sentar-se e conversar com ele? — questionou Zenaide.

    A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) criticou o discurso dos que alegam que a mudança pode quebrar o país. Ela e Fabiano Contarato (PT-ES) citaram exemplos de outras conquistas dos trabalhadores que foram combatidas com esse mesmo discurso, como as férias anuais, o 13º salário e a licença-maternidade.

    Ressalvas

    Carlos Portinho (PL-RJ), líder de seu partido, declarou o voto favorável. Afirmou que, na vida do trabalhador, o impacto será positivo, mas que não há trabalhador sem empregador e que é preciso olhar “os dois lados da mesa”.

    — Para que todos esses direitos valham, é preciso que tenha emprego. É preciso que o país produza, que gere riqueza, que distribua a riqueza entre a sociedade — disse o líder, apontando o risco de precarização do trabalho.

    Apesar de declarar o voto favorável à PEC, o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) defendeu mudanças futuras, que, na sua visão, podem proteger o emprego. Uma delas, presente em emenda apresentada por ele na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), é a jornada flexível, em que o trabalhador é pago por hora, com remuneração proporcional.

    — A jornada flexível tem salário por hora, por escolha do trabalhador, com acordo por escrito. Nessa modalidade, ele pode montar o próprio horário, com férias, 13º, FGTS e previdência garantidos, e com a hora nunca abaixo do salário mínimo ou do piso da categoria — explicou.

    O senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) afirmou que votaria a favor do texto, mas argumentou que é preciso aumentar a produtividade, com qualificação, e dar ao trabalhador a escolha de trabalhar quantos dias quiser.

    — Eu acredito que a pessoa tem que trabalhar o quanto ela acha que tem que trabalhar. Trabalhar um dia, dois dias ou trabalhar sete dias, porque o filho acabou de nascer e preciso fazer mais dinheiro — defendeu.

    Na mesma linha, Magno Malta (PL-ES) afirmou que o trabalhador pode querer usar seu tempo de descanso para trabalhar. Os senadores Alan Rick (Republicanos-AC), Nelsinho Trad (PSD-MS) e Jayme Campos (União-MT) declararam voto favorável à PEC, mas defenderam uma “transição responsável” para as novas regras.

    — Vamos planejar a transição como está na PEC, de maneira responsável, com diálogo, com previsibilidade. A nossa preocupação é com qualidade de vida e com condições para o nosso setor produtivo assumir, absorver essa nova jornada de trabalho — disse Jayme Campos.

    A senadora Roberta Acioly (Republicanos-RR) defendeu contrapartidas do governo aos empregadores, que terão que se adaptar à mudança.

    Os possíveis impactos sobre os municípios foram lembrados por Nelsinho, que teme o aumento de despesas para as prefeituras.

    Emenda

    Também declarando-se favorável à aprovação da PEC, o senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) apresentou uma emenda, subscrita por mais 27 senadores, segundo ele para deixar claro que a proposta não terá impacto na redução de jornadas que já estejam abaixo das 40 horas semanais e que, se for o caso, haverá redistribuição de acordo com a regra dos cinco dias semanais.

    A emenda foi apresentada como sendo de redação, o que não exigiria a volta do texto à Câmara caso fosse aprovada, mas o relator considerou que a mudança impactaria o mérito da proposta e, por esse motivo, recomendou a rejeição. Oriovisto retirou o destaque para votação da emenda.

    O relator disse concordar que alguns pontos da proposta, como cargas horárias de setores específicos, precisarão ser regulamentados com a maior rapidez possível pelo Congresso.

    Futuro

    A líder do governo no Senado, senadora Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que, mesmo após a votação, será preciso manter a vigilância e o acompanhamento, porque segundo ela já há outras propostas em tramitação com regras menos benéficas para o trabalhador.

    O senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou que o discurso da oposição tem “duas caras”. Tanto ele quanto Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) lembraram que apesar do voto favorável, alguns parlamentares já se articulam para reverter as mudanças.

    O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), citou uma dessas propostas, a PEC 12/2026, apresentada pelo líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN). A proposta prevê a possibilidade de um regime flexível, no qual o empregado receberia de acordo com as horas trabalhadas.

    — É o inverso do fim da 6×1. Eles querem é isso, é o prevalecer do negociado sobre legislado, como se houvesse igualdade de armas entre patrão e empregado — disse Randolfe, que desafiou os oposicionistas a retirarem assinaturas para que a PEC 12/2026 seja arquivada.

    Tanto Randolfe quanto Renan Filho (MDB-AL) criticaram a ausência de alguns senadores oposicionistas em Plenário.

    Além do autor, deputado Reginaldo Lopes, também estava presente na sessão a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), autora de outra proposta com a mesma finalidade.

    Fonte: Agência Senado

  • Ato da virada: multidões vão às ruas em onze capitais em apoio a Lula

    Ato da virada: multidões vão às ruas em onze capitais em apoio a Lula

    Porto Alegre e outras dez capitais registraram atos de apoio à reeleição do presidente Lula, nesta terça-feira, 13 de outubro de 2026.

    Na capital gaúcha, uma multidão sem precedentes se concentrou na Esquina Democrática, e saiu em caminhada pelo centro histórico, pela rua Riachuelo, Duque de Caxias, retornando pela rua da Praia, que ficou tomada em toda sua extensão, da orla até a esquina da Borges de Medeiros.

    Organizadas por estudantes, movimentos sociais, sindicatos e partidos de esquerda, as mobilizações fazem parte do chamado “Ato da Virada”, com foco na busca de votos e engajamento da militância para o segundo turno da eleição presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL).

    Em São Paulo, a manifestação reuniu lideranças e apoiadores sob chuva no Largo da Batata. Contou com discursos de ministros e ex-ministros como Fernando Haddad, Simone Tebet e Marina Silva, além de parlamentares. Em Brasilia, o ato de apoio ao presidente ocorreu na região da Esplanada dos Ministérios. Também foram registrados atos em Natal (RN), Aracaju (SE), Florianópolis (SC), Teresina (PI), Belém (PA), Vitória (ES) e Campo Grande (MS).

    Além de focar na corrida eleitoral do segundo turno, os manifestantes levaram cartazes e faixas em defesa da democracia, investimentos na educação pública, soberania nacional e direitos trabalhistas

    *Foto de Eduardo Tavares

  • Quatro governadores no comício de Flávio em Porto Alegre

    Quatro governadores no comício de Flávio em Porto Alegre

    O senador Flávio Bolsonaro, que disputa a presidência da República com Lula, faz campanha em Porto Alegre nesta quarta-feira (14).

    Quatro governadores eleitos no primeiro turno confirmaram presença: Luciano Zucco (PL-RS) e Sérgio Moro (PL-PR), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Jorginho Mello (PL-SC). Flávio vai participar de dois atos na cidade.

    A agenda terá início às 15h, quando a comitiva estará na região de Vila Brasília, no  bairro Sarandi, nas proximidades do dique, onde deve conversar com a comunidade.

    Depois, às 17h, está previsto um  comício no Largo Glenio Peres, ao lado do Mercado Público, com a presença dos governadores aliados. Havia previsão de atos também em Alvorada e Canoas. Pouco depois das 20h desta terça-feira (13), porém e essas agendas não se confirmaram.

  • São Paulo começa a multar bicicletas e patinetes que não respeitam regras

    São Paulo começa a multar bicicletas e patinetes que não respeitam regras

    Multa é de R$ 130 e será vinculada ao CPF do infrator. As regras para circulação estão em vigor desde agosto e estabelecem limites de velocidade e locais permitidos para bikes e patinetes.

    No feriado de segunda-feira (12), equipes distribuíram panfletos e orientaram os usuários sobre as regras. Nas ciclovias e ciclofaixas, a velocidade máxima permitida é de 20 km/h. Em calçadas compartilhadas, bicicletas devem rodar a até 6 km/h e patinetes são proibidos.

    Situações que podem resultar em multa:

    • Circular em calçadas exclusivas para pedestres com bicicletas ou patinetes elétricos.
    • Ultrapassar o limite de 20 km/h nas ciclovias e ciclofaixas.
    • Andar acima de 6 km/h com bicicletas em calçadas compartilhadas com pedestres.
    • Circular com patinetes elétricos em calçadas compartilhadas ou canteiros centrais destinados a pedestres.
    • Trafegar em vias não permitidas, desrespeitando os limites de velocidade e as restrições estabelecidas para cada tipo de equipamento.
    • Circular na contramão em ruas sem ciclovias ou ciclofaixas, onde os condutores devem seguir no mesmo sentido dos veículos.
    • Utilizar bicicletas comuns ou elétricas em vias de trânsito rápido (acima de 50 km/h) e rodovias sem acostamento.

    Nas ciclovias e ciclofaixas, bicicletas e patinetes elétricos podem circular a uma velocidade máxima de 20 km/h. A circulação de pedestres nesses espaços não é permitida.

    Quando a ciclofaixa fica em uma calçada e o espaço é compartilhado com pedestres, as bicicletas devem circular a, no máximo, 6 km/h. Nesse caso, os patinetes elétricos não podem circular pelo local.

    A mesma restrição vale para os canteiros centrais em que bicicletas e pedestres dividem o espaço: patinetes elétricos não podem circular nessas áreas.

    Nas vias sem ciclovias ou ciclofaixas, bicicletas e patinetes elétricos podem circular em ruas com limite de velocidade de até 50 km/h. Os condutores devem seguir pelo canto da pista, no mesmo sentido dos carros. Os patinetes elétricos também podem circular em vias com velocidade máxima permitida de até 40 km/h, desde que o próprio equipamento não ultrapasse 20 km/h. Já as bicicletas comuns e elétricas são proibidas em vias de trânsito rápido e rodovias sem acostamento.

  • Algoritmo na calçada: o fenômeno que leva a campanha de Lula para as ruas

    Algoritmo na calçada: o fenômeno que leva a campanha de Lula para as ruas

    É um movimento surpreendente que em poucos dias alcançou dimensões nacionais. Iniciadas de forma espontânea, as manifestações se espalharam rapidamente após a apuração do primeiro turno, envolvendo agremiações estudantis, centrais de jovens e movimentos sociais.

    No domingo, 11 de outubro de 2026, foram registradas 156 ações simultâneas em 76 cidades brasileiras, incluindo capitais como Rio de Janeiro, Porto Alegre, Natal Recife, Salvador, Belo Horizonte, Belém, Maceió e Brasília.

    Nesta segunda-feira,12, em São Paulo, cerca de 1 milhão de pessoas preencheram os 2,8 quilômetros de extensão da avenida Paulista.

    No Rio de Janeiro, atos batizados de “Juventude na Rua pela Democracia” também arrastaram milhares de manifestantes da Candelária à Cinelândia e ocuparam toda a orla de Copacabana.

     O movimento se caracteriza por uma forte liderança jovem e descentralizada, que atua em conjunto com a militância partidária tradicional. A onda inicial foi puxada por estudantes e entidades como a UNE (União Nacional de Estudantes).

    Os protestos começaram em universidades e colégios espalhados por 14 estados, servindo como o motor inicial da mobilização. Uma novidade na organização dos atos de rua foi a convocação direta feita por comunidades de admiradores de artistas de música pop (como fãs de Taylor Swift, Beyoncé, BTS e Lady Gaga), além de coletivos ligados à Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo e torcidas organizadas de futebol.

    A estratégia da campanha de  Lula passou a focar na ocupação contínua das ruas até a votação do segundo turno, no dia 25 de outubro.

    Nesta terça-feira, 13, estão convocados atos em Brasilia (concentração no Museu Nacional) e em Natal (RN). No mesmo dia, a caravana “Agenda da Virada”, liderada pelo ministro Guilherme Boulos, realiza o ato da virada em Sorocaba (SP). Estão previstas manifestações nesta semana em Goiania (14), Florianópolis (15), Ribeirão Preto (16), além disso,  panfletagens diárias em estações de transporte público e comitês periféricos estão sendo organizados por diretórios acadêmicos e grêmios estudantis em vários Estados.

    O fenômeno está alterando profundamente a campanha que se orientava pela dinâmica digital (algoritmos, cortes de vídeos rápidos, canais de transmissão de massa).

    O maior limite do marketing digital é o chamado “slacktivism” (ativismo de sofá), onde curtidas e compartilhamentos não necessariamente se traduzem em votos ou ações práticas.

    Ao transferir os “fandoms” e as comunidades do WhatsApp para o asfalto, a campanha consegue criar imagens reais de força e volume. Uma multidão na Avenida Paulista funciona como um gerador de conteúdo imbatível para as próprias redes sociais. As ruas alimentam as redes com uma percepção visual de “virada”.

    O algoritmo das redes tende a isolar as pessoas em bolhas ideológicas. As manifestações de rua e as ações de panfletagem programadas para os próximos dias visam furar essas bolhas por meio do corpo a corpo.

    O foco estratégico central da campanha com esses atos é reduzir o índice de abstenção eleitoral e conquistar o eleitor indeciso diretamente nas periferias e transportes públicos, locais onde a propaganda digital massificada muitas vezes gera saturação ou rejeição.

    A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) vinha pautando o debate digital com base no desempenho do primeiro turno. A ocupação das ruas força a cobertura da imprensa tradicional e os debates online a mudarem o foco para as pautas das manifestações (como a revogação da jornada 6×1 e a defesa das universidades).

    Além disso, os atos ganham peso de resistência após episódios de embate jurídico no ambiente digital, como a suspensão temporária do megacanal de WhatsApp da campanha governista determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

     As ruas passam a ser vistas pelos militantes como o único canal de comunicação totalmente imune a bloqueios de plataformas ou decisões judiciais de remoção de conteúdo.

     “O algoritmo na calçada” é uma expressão para descrever o momento em que a mobilização digital sai das telas e se transforma em pessoas reais ocupando o espaço físico. É a transição do engajamento virtual (curtidas, compartilhamentos e visualizações) para a ação política concreta na rua.

    Quando o “algoritmo vai para a calçada”, significa que a estratégia digital conseguiu convencer o eleitor a sair de casa, se deslocar e manifestar seu apoio publicamente.

    Nas redes sociais, os algoritmos entregam conteúdo apenas para quem já concorda com aquela ideia. Na calçada, o movimento se torna visível para qualquer cidadão que esteja passando pela rua, pelo ponto de ônibus ou pela estação de metrô, alcançando o eleitor indeciso que o marketing digital não conseguiu atingir.

    O movimento é cíclico. A mobilização online lota as ruas; as fotos e vídeos daquela multidão real na calçada geram imagens poderosas de força; e essas imagens voltam para as redes sociais como conteúdos virais de alto impacto, criando uma percepção de vitória e atraindo ainda mais gente.

  • O MAIOR DESAFIO DE LULA

    O MAIOR DESAFIO DE LULA

    A inesperada vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno da eleição presidencial coloca o presidente Lula diante do maior desafio de sua longa carreira politica.

    Candidato ao seu quarto e último mandato, o presidente contava ganhar no primeiro turno. Perdeu por pouco mais de dois milhões de votos.

    Aparentemente, não se abalou: “Preparam-se bolsonaristas, vamos derrotá-los”, disse confiante ao final da apuração neste domingo, 4.

    Mesmo que vença no segundo turno, dia 25 de outubro, Lula terá um cenário bastante adverso em seu eventual quarto mandato, com minoria no Senado e opositores no governo de Estados importantes como São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.

    Vinte governadores foram eleitos no primeiro turno. Dentre eles, os principais nomes que se consolidaram no campo da oposição (alinhados ao campo bolsonarista ou a partidos de direita/centro-direita oposicionistas) são:

    EstadoGovernador EleitoPartido
    São PauloTarcísio de FreitasRepublicanosReeleito; um dos principais aliados do campo de oposição nacional.
    Minas GeraisCleitinho AzevedoRepublicanosEleito como principal força do campo da direita no estado.
    ParanáSergio MoroPLEleito no primeiro turno em uma base fortemente oposicionista.
    Rio Grande do SulLuciano ZuccoPLEleito com perfil explicitamente bolsonarista.
    Santa CatarinaJorginho MelloPLReeleito, consolidando a ala conservadora no Sul.
    RondôniaMarcos RogérioPLEleito no primeiro turno; aliado histórico do bloco opositor.
    RoraimaArthur HenriquePLEx-prefeito eleito diretamente pelo partido da oposição nacional.
    Mato GrossoOtaviano PivettaRepublicanosVenceu no primeiro turno em uma região de forte apelo do agronegócio e centro-direita.
    AlagoasJHC (João Henrique Caldas)PSDBVenceu derrotando o bloco aliado à família Calheiros/MDB apoiado por Lula.

    O Partido Liberal (PL), principal sigla de oposição liderada nacionalmente pelo campo de Flávio Bolsonaro, foi o grande destaque ao eleger 5 governadores 29 senadores e 122 deputados federais..

    Além disso, legendas como o Republicanos garantiram vitórias expressivas em estados que concentram os maiores colégios eleitorais do país (como São Paulo e Minas Gerais), compondo uma forte bancada estadual contrária ao governo federal.

  • Onda de direita reabilita bolsonarismo

    Onda de direita reabilita bolsonarismo

    O bolsonarismo, em baixa desde a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe, se revigorou nestas eleições de 4 de outubro de 2026. Além de Flávio Bolsonaro, que venceu o primeiro turno da eleiçao presidencial e vai disputar o segundo turno com Lula, o clã Bolsonaro teve quatro membros eleitos de forma direta para cargos legislativos, enquanto o principal nome do grupo avançou para a disputa majoritária.

    Foram eleitos:

    • Michelle Bolsonaro (PL): Esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro, candidata ao senado pelo Distrito Federal, foi a mais votada.
    • Carlos Bolsonaro (PL): Filho do ex-presidente, mudou seu domicílio eleitoral do Rio de Janeiro e se elegeu senador por Santa Catarina.
    • Jair Renan Bolsonaro (PL): Filho do ex-presidente, até então vereador, se elegeu deputado federal por Santa Catarina.
    • Renato Bolsonaro (PL): Irmão de Jair Bolsonaro, se elegeu deputado federal pelo estado de São Paulo.

    Demais familiares que tentaram se eleger nestas eleições ficaram de fora:

    • Rogéria Bolsonaro (PL): Ex-mulher do ex-presidente, concorreu a deputada federal pelo Rio de Janeiro e não foi eleita.
    • Eduardo Torres (PL): Cunhado de Jair Bolsonaro (irmão de Michelle), concorreu a deputado distrital no DF e ficou como suplente.
    • Valéria Bolsonaro (PL): Casada com um primo de segundo grau de Jair, tentou a reeleição para deputada estadual em São Paulo e não foi eleita
  • Resultado no Brasil influi no poder mundial

    Resultado no Brasil influi no poder mundial

    O destaque nos principais veículos da imprensa internacional é o papel do Brasil no jogo de forças do  poder mundial, depois da eleição.

    Uma vitória de Lula mantém o país no rumo atual de apoio ao multilateralismo, integrado ao Brics, com China, India, Russia, Irã, sem alinhamento automático com Estados Unidos, como quer Donald Trump.

    Flávio Bolsonaro prega o alinhamento incondicional com a política norte-americano, como atestam os bonecos de Trump e a bandeira americana em seus comícios.

    O Guardian registra que Donald Trump  “vangloriou-se de que candidatos de direita venceram as sete eleições presidenciais realizadas na América Latina, desde o início de seu segundo mandato”.

    As pretensões do Brasil, de soberania e independência contrariam as pretensões de Trump. Mais que isso: com vitória de Lula podem influenciar toda a América Latina.

    Apenas seis países latino-americanos tem governos de esquerda:  Brasil e México, as duas maiores potências regionais, os pequenos Uruguai e Guatemala, Cuba e Nicarágua. México e Brasil poderiam fazer pender toda a América Latina.

    “A democracia também está em jogo aqui”, declarou um analista, observando que Flávio só está concorrendo porque seu pai, Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar, condenado por tentativa de golpe depois da eleição de 2022.

  • O BRASIL EM SUSPENSE

    O BRASIL EM SUSPENSE

    Das oito às 17 horas deste domingo, 4 de outubro de 2026, o Brasil estará em suspense, enquanto mais de 158 milhões de eleitores depositam seus votos nas urnas eletrônicas distribuídas pelo país.

    O resultado vai decidir não só os rumos do Brasil, mas de todo o continente latino-americanos nas próximas décadas.  

    A disparidade entre as biografias dos candidatos é destacada nos principais veículos da imprensa internacional em contraponto à disputa apertada apontada pelas pesquisas. 

    O Guardian, de Londres, resume a disputa que os eleitores vão decidir neste domingo no Brasil assim: “A votação de domingo coloca o atual presidente de esquerda, Lula, contra o filho de um ex-presidente de extrema-direita condenado por tentar um golpe de Estado”.

    Um presidente em terceiro mandato, líder de prestígio mundial frente a um político sem biografia, vinculado a grupos antidemocráticos e criminosos.

    A revista Stern, da Alemanha, em extensa reportagem destaca a família Bolsonaro por sua capacidade de usar a política em proveito próprio, como fonte de enriquecimento. Diz que a única tentativa anterior de Bolsonaro de ocupar um cargo executivo foi em 2016 quando disputou para prefeito do Rio e chegou em quarto lugar.2016.

     O caminho proposto por Lula, destacam, é um projeto nacional desenvolvimentista que articula crescimento econômico com inclusão social. É um projeto reformista que se desenvolve num ambiente de conciliação política, de negociação.

    O desemprego, a pobreza e a inflação diminuíram , e a renda média aumentou, mas o endividamento das famílias também – algo que muitos atribuem às apostas online, que o então presidente Bolsonaro deixou sem regulamentação e que Lula proibiu dias antes da votação.

    A campanha do atual presidente também foi atingida por alegações de corrupção – ainda sob investigação – envolvendo seu filho e um ex-assessor, enquanto um escândalo envolvendo juízes da Suprema Corte sem nenhuma ligação com Lula pode ter afetado o presidente.