Rescaldos da enchente: já pensou em adotar um cavalo?

Termina nesta terça-feira, 16, o prazo para a retirada dos últimos cavalos recolhidos durante a enchente e que ainda estão no abrigo de Equinos da EPTC, no bairro Lami.

no Extremo-Sul. Restam 13 animais.  Se até terça não aparecerem os donos, os cavalos serão colocados para adoção. Há outros 12 cavalos no local, também aptos para serem adotados.

Os proprietários dos animais devem entrar em contato com a EPTC pelo telefone (51) 98131-1846. Para a comprovação de propriedade é necessário enviar uma foto do cavalo ou uma descrição detalhada, ou pela resenha, que é como se fosse uma certidão de nascimento, que tem todas as características de pelagem, mancha, sinal, entre outras descrições.

Adoções – O processo de adoção é realizado na forma de fiel depositário e supervisionado pelo Ministério Público. Para adotar um cavalo, o interessado deve possuir um local adequado para manter o animal em boas condições e se candidatar por meio da carta de serviços da prefeitura.

O animal adotado não pode ser submetido a qualquer tipo de trabalho, especialmente os de tração, como guiar carroças, charretes e arados. Além disso, não pode ser usado em práticas esportivas como saltos e corridas.

(Com informações da Assessoria de Imprensa)

Atentado na Pensilvânia: quem tentou matar Donald Trump?

A primeira impressão do atentado na Pensilvânia é que Donald Trump está eleito presidente dos Estados Unidos, qualquer que seja seu adversário nas eleições em novembro. É cedo para conclusões.

Ainda nem se sabe claramente o que aconteceu, nem seu alcance. O New York Times disse que o atentado ocorreu num “momento volátil” da democracia americana.

Biden e Trump disputando a presidência simbolizam a crise: um com sinais evidentes de senilidade, outro com evidentes pegadas criminosas.

Sobre os efeitos do atentado no Brasil e suas consequências eleitorais, a primeira impressão é de que o bolsonarismo identificado com o trumpismo será fortalecido. Mas pode não ser bem assim.

Mesmo que represente algum alívio ao desgaste que Bolsonaro vem sofrendo com as ações da Polícia Federal no caso das joias e as investigações da espionagem paralela montada em seu governo, não será suficiente para fazê-lo candidato.

Restará, também, saber como será o trumpismo no poder pela segunda vez, se lá chegar. Não há razões para se imaginar que Trump II vá hostilizar Lula III.

O tabuleiro internacional está intrincado  e o Brasil é uma peça decisiva em certos aspectos desse jogo pesado.

São especulações de primeira hora, que os fatos inusitados deste período turbulento podem desmontar a qualquer momento.

Quanto ao atentado em si, é praxe que essas ações extremas, envolvendo a disputa de poder na cúpula dos impérios, nunca sejam devidamente esclarecidas.

No caso de Trump, o que surpreende não é a violência do atentado a um candidato à presidência. Isso já ocorreu antes, mais de uma vez (quatro presidentes americanos já foram assassinados).

O surpreendente, nesse caso, é que o atirador errou o alvo e só de raspão acertou a orelha de Trump.

Nas primeiras notícias parecia inacreditável. Mesmo Biden ao se pronunciar quase duas horas depois, ainda não reconhecia um atentado. Disse que não recebera ainda informações sobre o que havia realmente acontecido.

As imagens, fotografias e vídeos que se espalharam em segundos pelo mundo, não eliminavam a hipótese de uma armação.

Um candidato, com o rosto manchado de sangue, de punho erguido, pedindo luta, parecia mais um arrojado lance de marqueting eleitoral do que um real atentado.

Só mais tarde, quase duas horas depois, circularia a informação de que um atirador  fora morto – outra praxe, que embaralha os fatos nesses casos – e que havia uma pessoa morta na plateia.

Mesmo assim, o New York Times e outros jornais americanos, neste domingo, 24 horas depois do atentado, ainda falavam no “suposto” atirador morto pela polícia secreta.  Um jovem de 24 anos e, para surpresa geral,  eleitor do Partido Republicano, de Trump, segundo a polícia. Que motivos teria ele para tentar matar o candidato? A serviço de quem ele estaria naquele telhado com uma arma de precisão para atirar em Trump? Ele está morto e esta é a pergunta cravada no centro da perplexidade geral com o atentado.

Jabin Batisford,  fotógrafo do Washington Post, estava no local e registrou o cenário no momento em que o caos se instalou no palanque do comício. Muitos fotógrafos estavam no local e fizeram registros importantes.

Ele fez a foto que sintetiza o momento: um guardanapo caído e o solitário sapato de Trump que ficou perdido sobre o tapete vermelho do palanque e parece perguntar: “O que está acontecendo aqui?”.

Elmar Bones

Agência estatal chinesa destaca aumento da aprovação de Lula

“Aprovação dos brasileiros ao presidente Lula aumenta para 54%, segundo pesquisa”.

Essa foi uma das manchete da principal agência estatal de notícias da China, nesta quinta-feira.

Rio de Janeiro, 11 jul (Xinhua) — A aprovação dos brasileiros ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu para 54%, quatro pontos mais do que em maio passado, segundo uma pesquisa da Quaest Consultoria divulgada nesta quarta-feira.

Por sua vez, o índice de desaprovação ao presidente caiu de 47% para 43%, enquanto outros 4% não souberam ou não responderam.

A Quaest, que realizou a sondagem entre 5 e 8 de julho por encomenda do banco Genial Investimentos, informou que os dados indicam que a aprovação voltou a se descolar da desaprovação. Em maio passado, 50% aprovavam e 47% desaprovavam.

Entre os eleitores com renda familiar de até 2 salários mínimos (2.824 reais, ou seja, 525 dólares) a aprovação de Lula passou de 62% para 69% enquanto a desaprovação caiu de 35% para 26%.

Por idade, o desempenho do presidente entre os que têm de 35 a 59 anos também melhorou. Nessa faixa etária, 56% aprovam o trabalho de Lula e 41% desaprovam. Há dois meses, eram 50% e 48%, respectivamente.

O diretor da Quaest, Felipe Nunes, destacou que a melhora nos índices de Lula, que já tinha governado o Brasil entre 2003 e 2010, ocorreram nas faixas mais pobres da população, entre as mulheres e no avanço da imagem positiva entre os evangélicos, cuja reprovação segue acima da aprovação 52% a 42%,mas agora, a diferença é de 10 pontos, em vez dos 27 de fevereiro passado.

A Quaest realizou 2.000 entrevistas presenciais com eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%.

Edital seleciona empresa para remover dez mil toneladas de entulho do Porto Seco

A prefeitura publicou nesta quarta-feira,3, o edital para  contratar o transporte dos entulhos da enchente acumulados no Porto Seco (av. Élvio Antônio Filipetto – Rubem Berta) para um “aterro de inertes” localizado em Gravataí.

Segundo estima o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) o peso dos resíduos depositados no local é de mais de 10 mil toneladas. O custo da remoção é estimado em de R$ 945 mil.

As propostas devem ser encaminhadas ao endereço parcerias@portoalegre.rs.gov.br, até as 12h de sexta-feira, 5. Pedidos de informações e esclarecimentos podem ser obtidos até esta quinta-feira, 4, às 16h, pelo mesmo e-mail. O critério de escolha da proposta será o de menor preço.

O serviço terá prazo de execução de 30 dias. A contratação emergencial engloba a carga e transporte de resíduos gerados pelo desastre climático, com fornecimento de equipamentos, caminhões, respectivos operadores e motoristas e mão de obra.

Equipes e equipamentos – O edital prevê a remoção de todo o volume de resíduos existentes, com total esvaziamento dos locais, conforme os quantitativos estimados. Os equipamentos e caminhões trabalharão na remoção completa e transporte de todos os tipos de resíduos, inservíveis, entulhos, lixo, incluindo mobiliário, utensílios, eletrodomésticos, eletrônicos, entre outros, atualmente depositados nos bota-espera.

Para a execução dos serviços estima-se ser necessário os seguintes equipamentos, caminhões e mão de obra: um encarregado geral com veículo, um veículo leve, dois auxiliares gerais, uma escavadeira hidráulica, uma pá carregadeira, um trator de esteira, caminhões com caçambas basculantes trucados ou com cavalo mecânico (carretas). A contratada também deverá prover vigilância noturna e implantar um container e sanitário químico no bota-espera. A fiscalização estará a cargo da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Smsurb) e do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU).

(Com informações da Assesssoria de Imprensa)

Águas contaminadas, lixo, ruas impedidas: cenário pós-enchente em Porto Alegre

A visão do Quarto Distrito e adjacências do Bairro Humaitá é alarmante, ainda mais por ser apenas um dos pontos da cidade nas mesmas condições. É um cenário pós-enchente estagnado. Grande quantidade de água continua acumulada no rebaixamento de acesso à Rua Voluntários da Pátria, nas imediações da Igreja dos Navegantes. A área está coberta de água escura e fétida desde início de maio, quando começou a enchente histórica. No gradil de concreto, muito lixo pendurado. O local tornou-se foco de proliferação de insetos, além de concentrar água contaminada pela urina de roedores.
A situação revela que a cidade não estava preparada para enfrentar tantas ocorrências simultâneas, mesmo com 1.040 garis, 477 equipamentos para remoção de lixo e de entulho – caminhões, retroescavadeiras, mais 1,5 mil pessoas contratadas e incontáveis voluntários.
É uma de várias regiões da cidade, muitas bem próximas do centro, que enfrentam um tormento interminável, onde continua impedido o trânsito de veículos e também do metrô de superfície, que não circula desde a Estação Mercado Público.

Nei Rafael Filho,
DE PORTO ALEGRE,
PARA O JÁ.

Centro de Oncologia do Conceição está pronto, inauguração depende de Lula

Recebe os últimos retoques o Centro de Oncologia e Hematologia do Grupo Hospitalar Conceição, que tem inauguração programada para os primeiros dias de julho.

A data certa depende de uma confirmação do presidente Lula que prometeu presença. Se ele confirmar, o ato terá que ser até o dia 5, pela lei eleitoral, devido a proximidade das eleições municipais.

O Centro, na verdade, já está funcionando parcialmente, com internações na ala da quimioterapia.

Serão 94 leitos clínicos, mais as unidades de diagnósticos, ambulatório, imagem e outros serviços complementares num prédio de 7 andares e quase 20 mil metros quadrados de área construída. Uma obra de R$ 150 milhões com recursos do governo federal.

O centro, com equipamentos de última geração, será a primeira unidade do GHC a oferecer tratamento de radioterapia.

O projeto é do governo Dilma Rousseff, mas as obras só começaram em 2018, logo interrompidas pela epidemia. Foram retomadas no atual governo.

O Grupo Hospitalar Conceição é a maior complexo hospitalar do SUS na região Sul, formado por quatro hospitais, uma Unidade de Pronto Atendimento, 12 postos do Serviço de Saúde Comunitária e três Centros de Atenção Psicossocial. .

“Sou mais candidato do que nunca”, diz Melo em evento do MDB

“No dia 15 de abril eu anunciei que seria candidato à reeleição. Se não tivesse dito isso, talvez a minha melhor contribuição neste momento seria dizer que não sou candidato, mas eu disse e, agora, sou mais candidato do que nunca”.

A declaração do prefeito Sebastião Melo foi feita num evento promovido pelo Instituto Ulysses Guimarães para apresentar um programa de ações para reconstrução do Rio Grande do Sul, na segunda feira, 17/06.

O público, umas 50 pessoas, era formado por  deputados, prefeitos e vereadores do MDB. O vice, José Fogaça, representou o presidente regional do partido, Vilmar Zanchin.

Na abertura do evento, o presidente do Instituto Ulysses Guimarães, deputado Alceu Moreira, fez uma defesa do prefeito de Porto Alegre e cobrou do MDB “que até agora ficou calado, enquanto o Melo era culpado injustamente pelos estragos das cheias”.

Melo foi o último  falar. Recordou sua chegada a Porto Alegre, com 18 anos, vindo de Goiás, e sua trajetória, de balconista a prefeito de Porto Alegre.

Fez um balanço dos estragos que a enchente causou em Porto Alegre, enumerou as providências que vem tomando para enfrentar a calamidade e se disse “injustiçado” ao ser apontado como “o único culpado” pelas falhas no sistema de contenção de cheias.

E deu pistas de sua estratégia na campanha eleitoral: mostrar que  a falta de manutenção no sistema de prevenção a cheias é uma deficiência que se acumula há 25 anos. Antes dele, oito prefeitos foram negligentes na prevenção das cheias. “Estou louco por esse debate”, disse Melo. “Vamos chamar quem por lá passou… Por que bombas não mudaram em  25 anos?”

Outro pilar de sua estratégia eleitoral é atribuir ao governo federal a falta de investimentos nas obras de prevenção e a demora na liberação dos recursos.

Essa manifestação é a primeira reação de Melo às críticas generalizadas pelas falhas na manutenção do sistema de prevenção, na rede de esgotos e na drenagem pluvial, que agravaram as consequências da enchente em Porto Alegre. Sua declaração mostra que ele mesmo pensou em desistir da candidatura, tal o desgaste que sofreu.

  • Em sua fala no evento da FUG ele não deixou de fustigar o ex-prefeito José Fortunati, cujo nome circulou como uma possível alternativa na chapa situacionista: “O Fortunati saiu do PT, mas o PT não saiu do Fortunati”.

Dengue chega a 8 mil casos em Porto Alegre este ano; 33 mil suspeitas em observação

Porto Alegre tem 7.933 casos confirmados de dengue em 2024 até o dia 15 de junho.

Do total, 7.452 foram contraídos na cidade (autóctones), 309 são importados (infecção fora da cidade) e 172 têm local de infecção indeterminado.

O total de ocorrências suspeitas notificadas à Equipe de Vigilância de Doenças Transmissíveis da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) soma 33.566 no ano.

Em 2023, no mesmo período, foram 8.818 notificações e 6.050 casos confirmados. Os números são parciais e estão sujeitos à revisão.

Até o momento, houve oito óbitos por dengue entre moradores de Porto Alegre: sete do sexo feminino (um na faixa dos 21 aos 30 anos, três na faixa etária de 31 a 40 anos, um na faixa etária 50-60 anos, um na faixa etária dos 70 aos 80 anos e um na faixa acima de 80 anos) e um do sexo masculino, entre 70 a 80 anos.

Os dados estão no boletim epidemiológico publicado nesta segunda-feira, 17, pela Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS) da SMS.

O levantamento apresenta informações cumulativas até a semana epidemiológica 24 de 2024 (dados cumulativos, até 15 de junho).

A faixa etária dos 21 a 30 anos ainda mantém a maior proporção dos casos confirmados (18,2%), e a maioria dos pacientes são do sexo feminino (53,4%). Os principais sintomas relatados são febre (referida em 7.269 casos, ou 93,7%), seguido por cefaleia (dor de cabeça), em 6.513 casos, e mialgia (dor no corpo), em 6.468 casos confirmados. Em todo este ano, os três sintomas são os prevalentes relatados pelos pacientes, sendo que mialgia e cefaleia se alternam em algumas semanas.

Nas duas semanas, foram confirmados casos em 52 bairros da cidade. Os dados apresentados indicam aumento no número de bairros e na incidência de novos casos, em relação aos dados apresentados no boletim divulgado dia 10. Cumulativamente, todos os bairros da cidade registraram casos de dengue neste ano, evidenciando a necessidade de manter e reforçar a atuação sobre os reservatórios de mosquitos em cada região.

A equipe de monitoramento das armadilhas está retomando as suas atividades de rotina. Na última semana epidemiológica, 80,8% das armadilhas foram vistoriadas, com infestação moderada na cidade.

Neste momento, ainda de limpeza de imóveis e descarte de resíduos, com acúmulo de lixo em muitos locais da cidade e ocorrência de chuvas, é importante as pessoas estarem atentas a lixo reciclável/seco, plantas e recipientes expostos às chuvas e ao acúmulo de água. Também merecem atenção os depósitos fixos, como ralos, caixas d’água não vedadas e piscinas não tratadas, principais tipos de criadouros responsáveis pelos altos níveis de infestação de mosquitos em todas as regiões com casos de dengue na cidade.

O Boletim Epidemiológico é uma publicação prevista no Plano de Contingência da Dengue, Zika e Chikungunya da SMS. Mais informações sobre a dengue e a infestação do mosquito Aedes aegypti em Porto Alegre estão no endereço www.ondeestaoaedes.com.br.

Defesa Civil emite alerta para o fim de semana: chuvas podem chegar a 120 mm

A Defesa Civil de Porto Alegre emitiu alerta para as chuvas intensas que deverão ocorrer entre sábado, 15, e segunda-feira, 17.

As previsões indicam já a partir de sábado “chuvas moderadas e fortes”, acompanhadas de descargas elétricas.

No domingo as chuvas aumentam  e podem chegar a 120 milímetros por metro cúbico em algumas regiões.  Os ventos podem chegar a 60 km/h 

O boletim da Sema:

– Sábado: As condições atmosféricas indicam a possibilidade de chuvas moderadas a fortes, com incidência de descargas elétricas. Antes da precipitação, são esperadas rajadas de vento entre 30 e 55 km/h.

– Domingo: A intensidade das chuvas deve aumentar, com volumes diários previstos entre 40 e 70 milímetros, podendo ultrapassar os 110 milímetros em algumas regiões. Os ventos podem atingir velocidades superiores a 60 km/h durante as instabilidades.

– Segunda-feira: A atuação de uma frente fria semiestacionária na faixa norte do Estado manterá a tendência de chuvas intensas.

A Comissão Permanente de Atuação em Emergência (Copae), composta por diversos órgãos municipais e estaduais, está monitorando a situação e pronta para prestar assistência à população conforme necessário.

Recomendações – A Defesa Civil orienta os cidadãos a tomarem algumas precauções durante o período de alerta:

1. Observe mudanças no terreno e busque abrigo temporário junto a parentes, amigos ou nos locais disponibilizados pela prefeitura, caso necessário.
2. Procure locais seguros e evite transitar em áreas sujeitas a alagamentos, inundações e deslizamentos.
3. Não enfrente o mau tempo e mantenha-se afastado de postes, árvores e placas de sinalização ou publicitárias.

Em caso de dúvidas ou emergências, a Defesa Civil pode ser contatada pelo número 199, e o Corpo de Bombeiros pelo número 193. A população é encorajada a seguir estas recomendações para garantir a segurança durante o período de intensas chuvas previstas para o final de semana.

(Com informações da Assessoria de Imprensa)

Rio Grande do Sul: a reconstrução e a dívida “que já foi paga”

O projeto de lei que, desde 15 de maio, suspendeu por três anos o pagamento da dívida do Rio Grande do Sul com a União  “é um crime contra os gaúchos”, segundo o advogado Hermes Zaneti.

“Em três anos o problema estará de volta, agravado porque as receitas tendem a cair. O Estado não conseguirá se reerguer sem uma imediata e profunda revisão dessa dívida com a União”, diz ele, taxativo.

Zaneti, de 80 anos, foi deputado constituinte e integrou o grupo seleto de parlamentares que deu suporte ao trabalho de Ulysses Guimarães na elaboração da Constituição de 1988.

Desde então ele se debruça sobre as relações do sistema financeiro* com o Estado, principalmente a questão da dívida pública do Rio Grande do Sul.

Foi crítico desde a primeira hora do acordo que o governador Antônio Britto assinou com o ministro Pedro Malan, em 1998, origem da situação atual.

É crítico do atual Regime de Recuperação Fiscal, desde quando começou a ser negociado pelo governador Ivo Sartori, em 2017. “Em ambos os casos, as condições negociadas foram péssimas para o Estado”

No acordo de 1998,  Britto consolidou todas as dividas do Rio Grande do Sul com a União, num total de R$ 9,7 bilhões, para pagar em 30 anos, com juros de 6,17% ao ano e correção mensal pelo IGP-DI, um indexador privado, da Fundação Getúlio Vargas, geralmente mais alto que o IPCA, que é o índice oficial da inflação.

Nessas condições o Estado comprometia  13% de sua receita anual com o pagamento da dívida, mais do que gastava com a folha de seus funcionários.

Em 2013, o Rio Grande do Sul havia pago mais de três vezes o valor original da dívida e o saldo devedor, de R$ 47 bilhões, era sufocante.

Em busca de uma saída, o então governador Tarso Genro mobilizou os parlamentares gaúchos e conseguiu no ano seguinte aprovar um projeto que trocou o índice de correção – o IGP-DI pelo IPCA – e redução dos juros para 4%. Reduziu o peso da dívida de 13% para 8% da receita líquida, a partir daí.

Ainda assim, era o que “garroteava o Estado”, como dizia Zaneti na época, ao defender uma solução mais drástica.

Em 2015, ele reuniu em sua casa, em Brasilia. os três senadores gaúchos Paulo Paim (PP),  Lasier Martins (PDT) e Ana Amélia Lemos (PP) e do encontro resultou um projeto de Lei, assinado pelos três, que está tramitando  no Senado  sob acompanhamento do Senador Paulo Paim. Em recente entrevista o senador Paulo Paim disse que o projeto Lei do Senado  561/2015 é “inspiração e construção do Zaneti”

O projeto propõe a troca de indexador, do IGP-DI para o IPCA , não a partir de 2014, como Tarso conseguiu, mas  retroativo ao início do contrato de renegociação, em 1998.  Esse projeto proíbe qualquer outro encargo sobre a dívida, além da correção monetária  sob a justificativa de que não cabe cobrança de juros numa transação entre a União e um de seus  “entes federados”.

Nestas condições, segundo os cálculos que fez, com assessoria de experientes auditores da Fazenda e do TCE*,  Zaneti conclui que  a dívida do Rio Grande do Sul está quitada desde 2013 e o Estado tem a receber R$ 17,7 bilhões de reais pagos a mais.

A conta que a União cobra do Rio Grande do Sul, depois de dois contratos de renegociação, chega aos R$ 97,5 bilhões em maio de 2024. Ou seja, de uma dívida inicial de R$ 9,5 bilhões em 1998, o Estado já pagou R$ 44 bilhões e deve R$ 97,5 bilhões.

Com o projeto aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, para fazer frente às perdas com a enchente, o Estado deixará de pagar R$ 11 bilhões de amortizações e mais R$ 12 bilhões dos juros sobre o saldo no período.  Ao aceitar isso, o Estado abre mão de questionar as condições da dívida.

O que o governo faz, segundo Zaneti,  é empurrar pra frente em vez de enfrentar o problema: “Nos termos em que está posta, a dívida inviabiliza o desenvolvimento do Estado, pelo menos até o ano 2048. É tão grave quanto o descaso com as questões ambientais, diz Zaneti.

Não é só a “dívida indevida” que dificulta as possibilidades de recuperação do Rio Grande do Sul, segundo ele:   “Ao mesmo tempo em que cobra com juros e correção uma dívida que já foi paga, a União não paga o que deve ao Estado como compensação da famigerada  Lei Kandir, que isentou de ICMS a exportação de produtos primários e semi-elaborados. A legislação que previa a indenização do Estado veio sendo alterada e as compensações foram mínimas. Um estudo recente, de técnicos da Fazenda, mostra que desde 1996 até 2025, o ressarcimento ao Rio Grande do Sul deveria ser de R$ 125,8 bilhões de reais”.

Sem desatar essas duas amarras, não haverá verdadeira reconstrução do Rio Grande do Sul, segundo Zaneti.

 

* Zaneti é autor do Livro O COMPLÔ, como o sistema financeiro e seus agentes políticos sequestraram a economia brasileira, o qual deu origem ao premiado internacional   documentário sob o mesmo nome.