“Jabutis” da privatização da Eletrobras podem custar mais de R$ 40 bilhões ao contribuinte

A colunista de economia da Rede Globo,  Miriam Leitão escreveu hoje que o “Consumidor vai pagar uma Eletrobras para o governo privatizar a Eletrobras”

A colunista diz que “uma fonte” lhe explicou quanto quanto vai custar ao consumidor a privatizações da Eletrobras.

Seriam 67 bilhões, sendo dois terços (R$ 41 bilhões) por conta dos “jabutis” que os interesses políticos e econômicos  penduraram na Medida Provisória.

“Seria como se o consumidor tivesse que pagar uma Eletrobras para o governo vender a Eletrobras”.

Tudo indica que a fonte dos números de Miriam Leitão seja o Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás o IBP. Em nota pública, no dia 04 de junho, o IBP avaliou como “grave retrocesso” a MP para privatizar a Eletrobras.

“Os dispositivos inseridos no texto da MP que determinam a contratação compulsória de 6.000 MW de térmicas a gás natural em locais predeterminados representam um grave retrocesso em relação às reformas em curso para os setores elétrico e de gás natural”, aponta a nota.

O instituto também critica a obrigatoriedade de contratação de termelétrica a gás nas regiões do Nordeste, Norte e Centro-Oeste, sem critério ou acesso ao gás natural.

“A obrigação de contratação de geração termelétrica a gás em estados do Nordeste, sem acesso ao gás natural, e em estados do Norte e Centro-Oeste, sem nenhum critério técnico, terá como consequência o aumento do custo da energia elétrica, com impactos para o orçamento das famílias e para competitividade da indústria brasileira, já fortemente impactados pelos efeitos da pandemia”.

Em resumo, o IBP acredita que as medidas inseridas na MP da Eletrobras são contrárias aos objetivos de uma política energética nacional transparente e sustentável do ponto de vista econômico, social e ambiental”.

Aprovada em maio na Câmara Federal, onde lhe foram inseridos os “jabutis’ a MP que autoriza a capitalização da Eletrobras será votada no Senado.

Hoje, a União possui 42,57% do capital da Eletrobras, e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômicos e Social (BNDES), outros 16,14%. Com 58,71%, o Estado é o maior acionista da empresa. Caso a MP seja aprovada, a privatização ocorrerá pela venda de ações na Bolsa de Valores, assim, nem a União e nem os bancos públicos poderão adquiri-la, mas ainda será possível uma sociedade econômica mista para manter a Eletronuclear e a Itaipu Binacional.

 

Novo furto de cabos de energia interrompe vacinação na Cruzeiro do Sul

A unidade de saúde Cruzeiro do Sul, uma das maiores de Porto Alegre, amanheceu sem energia elétrica nesta segunda-feira, 15.

Ladrões arrancaram os cabos de energia no final de semana.

Sem ter como armazenar e conservar as vacinas, o posto suspendeu os trabalhos de vacinação contra a gripe e a Covid-19, que não têm data para retomar..

Os pacientes foram orientados a procurar unidades próximas, na Vila Cruzeiro, na Avenida Capivari 2020,  no Bairro Santa Tereza, rua Dona Otília no.5   e a unidade Santa Anita, na Rua Gregório da Fonseca 91, bairro Nonoai.

Sem energia, a unidade ficou sem acesso ao sistema SUS  e sem o gerenciamento de consultas. A apenas atendimento clínico com médico e enfermeiro, que fazem registros manuais, e alguns procedimentos como curativos, avaliação de sinais vitais e controle de glicemia foram mantidos na unidade.

É a segunda vez que o Postão da Cruzeiro pára por roubo dos cabos que levam energia à unidade. No ano passado ele teve que suspender  operações por uma semana..

Guedes populista anuncia mais “duas ou três parcelas” de auxilio e “bolsa familia reforçado”.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta 3ª feira (08.jun.2021) que o governo pretende prorrogar o auxílio emergencial por 2 ou 3 meses. O benefício deve ser pago até setembro.

A intenção é dar o auxillio aos “aos mais vulneráveis até que toda a população adulta do país esteja imunizada”.

“Possivelmente vamos estender agora o auxílio emergencial por mais 2 ou 3 meses, porque a pandemia está aí. Os governadores estão dizendo que em 2 ou 3 meses a população adulta vai estar toda vacinada”, afirmou Guedes.

O ministro falou a deputados da Frente Parlamentar do Setor de Serviços nesta 3ª feira (08.jun). Anunciou também que “logo depois” do auxílio será implementado o “novo Bolsa Família, já reforçado”.

O plano do governo é elevar o valor do Bolsa Família de R$ 190 para cerca de R$ 250. O novo valor deve ser pago a partir do último trimestre de 2021, depois do auxílio emergencial.

(Com informações do Poder 360)

 

 

Reforma Administrativa avança: comissão especial será instalada nesta quarta

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), anunciou nesta 3ª feira (8.jun.2021) a instalação da  comissão especial que analisará a reforma administrativa. Os nomes serão definidos nesta quarta.

O projeto foi aprovado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara no fim de maio. A comissão especial é o último passo da tramitação antes do plenário. A ampla e decidida resistência do funcionalismo, que denuncia a precarização do serviço público com o argumento de combater privilégios, indica uma longa batalha parlamentar.

(Com informações do Poder 360)

Sinal dos tempos: jornais vendem suas impressoras para o ferro-velho

Há quinze anos, o empresário Antonio Badra investiu R$ 2 milhões para comprar uma impressora rotativa de oito unidades, capaz de imprimir 20 mil exemplares por hora de um jornal de 36 páginas, coloridas.

Tinha planos de fazer de seu jornal A Platéia, de Santana do Livramento, um diário regional e montar um polo gráfico para imprimir jornais e periódicos de toda a região, na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai.

Na semana passada,  Badra vendeu sua monumental rotativa Goss Communit, de 30 toneladas, pelo peso, a preço de sucata para a Siderúrgica Gerdau.

Ela estava há três anos parada, coberta com uma lona, no centro de um enorme galpão vazio, o que restou do parque gráfico sonhado pelo empresário. “É dolorido mas é a realidade”, disse ele ao JÁ.

Badra teve mais sorte: pelo menos cinco outras impressoras rotativas que imprimiam jornais no interior do Rio Grande do Sul – alguns deles centenários, como o Diário Popular, de Pelotas – já foram vendidas para o ferro-velho, que paga menos que a sucata.

Vendidas como sucata ou ferro velho, as enormes rotativas, que há 20 anos eram símbolo de uma revolução na produção de jornais, hoje são apenas a face mais visível e, talvez, mais chocante de uma outra revolução –  a maior já experimentada pela imprensa desde que os primeiros informativos impressos começaram a circular na Alemanha, no século 18.

Com a difusão da tecnologia digital,  o jornal impresso em papel, que reinou 200 anos no centro do universo da comunicação, rapidamente, tornou-se obsoleto como veículo para atingir grandes massas.

Uma notícia que no papel leva pelo menos oito horas para chegar aos primeiros consumidores, chega imediatamente a todos pelo meio digital on line.

Antonio Badra lembra que há dez anos não quis vender a impressora para o Correio do Povo, que pretendia criar um parque gráfico regional, para atender os seus assinantes e outros jornais da região. Um projeto parecido com o dele, que ainda parecia promissor, e por isso recusou o negócio.

Foi nos últimos cinco anos, segundo Badra, que se tornou claro o impasse do impresso: perda de circulação e aumento de custos. Há três anos ele parou as máquinas:  suspendeu a edição diária e passou a imprimir uma edição semanal aos fins de semana na gráfica da Zero Hora. Levou o noticiário do dia a dia para o digital.

Foi o mesmo caminho feito pelo Diário Popular, de Pelotas, que tem 131 anos. Levou o noticiário para o digital, vendeu a impressora para o ferro-velho e imprime suas edições na gráfica da Zero Hora, em Porto Alegre.

A cena que se pode imaginar de uma grande impressora fundida como sucata é simbólica, mas está longe de ser um epitáfio dos jornais ou das empresas jornalísticas no interior do Estado. Sequer dos impressos.

Antonio Badra, por exemplo, acha que o impresso vai se reabilitar, se descobrir o conteúdo adequado : “Nossos cadernos de variedades, com assuntos exclusivos, têm anunciantes e têm leitores”, diz . Ele já pensa inclusive em fazer uma edição impressa na quarta, além do domingo. “Demanda tem, mas tem que ter o conteúdo diferenciado.”

“Na verdade, estamos tirando um peso dos nossos ombros”, diz Adair Weiss, presidente da Associação dos Diários do Interior, sobre as impressoras a caminho do ferro-velho.

Segundo ele, trata-se de uma transição em que novos meios oferecem novas e amplas oportunidades no mercado da comunicação. Dispensar atividades secundárias e se preocupar com o conteúdo, é essencial, segundo Weiss.

Ele dá como exemplo sua própria empresa,  o Grupo A Hora, de Lajeado: “Temos um jornal diário há 19 anos e um semanário, nunca tivemos gráfica, não precisa, a gente manda os arquivos de noite recebe o jornal de manhã”.  O digital, segundo ele, pode ser complementar ao impresso,  com a vantagem de ter alcance ilimitado. “Os jornais que têm bons portais nunca foram tão influentes”, avalia Weiss.

A questão, não resolvida plenamente em nenhum lugar do mundo, é que o jornalismo digital ainda não encontrou sustentação financeira: o anunciante  tem alternativas melhores e mais baratas na web e o leitor não quer pagar pela informação.

A receita que os portais jornalísticos estão conseguindo, na maioria dos casos, não cobre o que foi perdido pelo encolhimento do impresso. “Nem de perto”, diz Eládio Vieira da Cunha, diretor do Jornal do Povo, de Cachoeira, diário que vai completar 92 anos e é o carro chefe do grupo, um dos mais fortes do interior do Estado.

Segundo o diretor, a circulação através de assinaturas, principalmente,  se mantém estável, mas a retração na publicidade é preocupante. A versão on line do jornal já tem um alcance muito maior do que o impresso, mas ainda não compensa as perdas com a migração dos anunciantes.

“Que eu saiba, diz Eládio, até agora apenas o New York Times, que é um dos maiores jornais do mundo, está conseguindo superar o desafio, ao menos é o que eles dizem: perderam 600 mil exemplares de circulação no impresso, mas obtiveram cinco milhões de assinantes no digital, que estaria compensando. Aqui no Brasil, mesmo os grandes ainda estão apanhando, embora venham dando sinais de recuperação”.

Ao mesmo tempo que alguns jornais se desfazem de suas impressoras ociosas, um outro movimento ocorre no mercado de jornais, cuja crise é mais aguda nas regiões com a economia deprimida, como a fronteira e a zona Sul.

Nas regiões mais dinâmicas estão se criando polos impressores como em Santa Cruz, Cachoeira, Novo Hamburgo e a Zero Hora, que hoje imprime cerca de 80 jornais, inclusive diários do interior do Estado, na sua gráfica em Porto Alegre. Nesses polos, os jornais impressos, embora com perdas em circulação, se mantém influentes e lucrativos.

A nova realidade fez com que a Associação dos Diários do Interior do RS mantivesse entre seus sócios mesmo aqueles que deixaram de circular diariamente, como é o caso de A Platéia.

Hoje são 24 jornais diários em cidades-polo do Estado. São aproximadamente 132.000 exemplares diários publicados, segundo o site da Associação.

Além destes jornais ligados à ADI, cerca de uma centena de  jornais impressos, com periodicidade semanal ou bissemanal, filiados à Associação dos Jornais do Interior (Adjori) circulam no interior do Rio Grande do Sul enfrentando as mesmas incertezas de uma transição sem precedentes.

NOTA DO EDITOR: Na primeira versão desta matéria constava que a edição impressa do Diário Popular de Pelotas passara a circular semanalmente. Errado. Ele terceirizou sua impressão mas segue diário. O DP completou 130 anos em 2020, é o mais antigo em circulação do RS.

Sábado, 29 de maio: crise empurra a população para a rua

As manchetes do domingo e da segunda-feira mostram que as grandes redações e suas afiliadas pelo Brasil afora não entenderam ou não quiseram entender o que aconteceu neste sábado, 29 de maio.

Primeiro, minimizaram a convocação para uma manifestação em todo o país em plena pandemia: nada publicaram sobre a preparação  e os organizadores, muitos sequer noticiaram o evento programado.

Como decorrência, fizeram uma cobertura pífia, que levou a uma avaliação incorreta dos acontecimentos.

Nesta segunda feira, os protestos eram assunto vencido e o destaque era a declaração de Bolsonaro de que as manifestação foi pequena porque faltou maconha.

O press release da Commebol, informando a realização da Copa América no Brasil mesmo com pandemia, tomou as manchetes e o fato político mais importante depois da CPI da Covid, talvez o mais importante desde as passeatas de 2016, passou batido.

As notícias, felizmente, não são os fatos e os fatos neste sábado mostraram que a população está perdendo o medo de ir pra rua por causa do vírus.

Ou, o que é mais provável, está sendo empurrada para a rua, apesar do vírus.

Frentes populares como a Povo sem Medo, Brasil Popular e a Coalizão Negra por Direitos, que congregam centenas de movimentos sociais, chamaram o protesto que teve respaldo de sindicatos e partidos de esquerda, em “graus variados de envolvimento, diante do dilema de se manifestar em plena pandemia”.

O argumento que convenceu foi : Bolsonaro é mais perigoso que o vírus.

A falta de respostas do governo, não só à crise sanitária, mas à crise social que se agrava rapidamente, é o que dá musculatura aos protestos e eles tendem a continuar e crescer.

O coordenador da Central dos Movimentos Populares (CMP), Raimundo Bonfim, estimou que os atos mobilizaram 420 mil pessoas em 213 cidades no Brasil e outras 14 cidades em diversos países do exterior.

A menos que se tenha uma terceira onda da Covid, ainda este ano teremos um milhão de pessoas nas ruas pedindo “fora Bolsonaro”.

Nota da Redação: O Jornal Nacional, na noite desta segunda-feira, deu o devido destaque às manifestações.

Imagens das manifestações em Porto Alegre:

Foto: Ramiro Furquim/@outroangulofoto
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Foto: Ramiro Furquim/@outroangulofoto
Foto: Ramiro Furquim/@outroangulofoto
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Foto: Ramiro Furquim/@outroangulofoto
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Em livro-manifesto, Aldo Rebelo defende “projeto nacional” para tirar o Brasil da crise

Precedido de importantes registros na mídia e nas redes sociais, já esta circulando, em versões impressa e digitais,  o livro “O Quinto Movimento”, de Aldo Rebelo, lançado pela Jornal JÁ Editora.

“Propostas  para uma construção inacabada” é o subtítulo que esclarece a intenção do autor: levantar um debate, que já tarda, sobre a necessidade de um projeto nacional para tirar o Brasil desta crise sem precedentes.

Político de longa carreira (foi vereador em 1989), ex-presidente da Câmara dos Deputados, com passagem por quatro ministérios, inclusive o da Defesa, Aldo Rebelo pensa o Brasil na linha dos grandes formuladores do desenvolvimento nacional, de Alberto Torres a Darcy Ribeiro.

“Neste livro, imprimi minhas opiniões, ideias e experiências. Não é um

Aldo Rebelo / Foto
Wilson Dias/Agência Brasil

trabalho acadêmico, mas sim uma coletânea de ensaios; um roteiro de debates sobre o Brasil: a história, sua formação e discussões sobre isso que chamo o Quinto Movimento, o próximo passo”, afirma o autor.

O eixo da discussão, conforme o autor,  é a “Questão Nacional”,  para definir uma agenda de retomada do desenvolvimento econômico, científico, tecnológico, social, combinados com a projeção de poder diplomático e militar em harmonia com as legítimas aspirações nacionais.

Segundo Rebelo, o país vive um período de desorientação e imobilismo, em que se faz necessária a união dos brasileiros em torno de três grandes causas: a do desenvolvimento do Brasil, da redução das desigualdades e a manutenção do país em certos padrões de democracia.

“É preciso rever o Brasil como ativo, como patrimônio natural, humano, protagonista da política, da economia e da vida, no cenário das nações. Desta forma, podendo se apresentar ao mundo com um novo posicionamento ambiental, humanista, transformador, seguro, acolhedor, equilibrado social e economicamente, por meio da união de forças heterogêneas. Um país efetivamente independente e acima de tudo inovador”, reforça.

Com 252 páginas, O Quinto Movimento já está disponível para venda física no site da editora e na Amazon. Também existe a opção para baixar o e-book em PDF gratuitamente (basta preencher um breve cadastro). Haverá ainda o audiolivro, em fase de gravação.

A obra

▪ Primeiro Movimento – a construção da base física, do território, do marco zero de 1500 até o Tratado de Madrid em 1750;

▪ Segundo Movimento – da epopeia da Independência até a data magna do 7 de Setembro de 1822, destacando as figuras de Tiradentes, D. Pedro I e José Bonifácio;

▪ Terceiro Movimento – do período compreendido entre 1822 até a Abolição da escravidão, em 1888, da consolidação da Independência e da unidade e integridade territorial do Brasil.

▪ Quarto Movimento – situa-se entre a Proclamação da República, com Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, até os dias atuais; tendo como epicentro os dois períodos de Getúlio Vargas, suas ideias e o seu projeto de Brasil.

O Quinto Movimento

Neste capítulo estão reunidas reflexões sobre as iniciativas necessárias para a retomada da construção inacabada do Brasil. “Ideias temperadas pela vida, pelas leituras e pela experiência acumulada em décadas de atividade pública ininterrupta”, comenta o autor.

São elas: a centralidade da questão nacional, que compreende que o Estado e a Nação são as instituições capazes de proteger os direitos fundamentais e a dignidade dos brasileiros; a retomada do desenvolvimento como o único meio possível para derrotar a crise econômica e social atual; a redução das desigualdades como caminho para se alcançar a coesão social e nacional, fundamental para o Brasil superar os obstáculos ao seu futuro promissor; e o compromisso com a democracia, como acordo possível para a solução das contradições resultantes dos desequilíbrios sociais e regionais.

Sobre Aldo Rebelo

Atuou como ministro de Estado nas pastas da Secretaria de Coordenação Política e Relações Institucionais (2004-2005), do Esporte (2011-2014), da Ciência, Tecnologia e Inovação (2015) e da Defesa (2015-2016). Foi secretário da Casa Civil do governo de São Paulo (2018). Presidiu a Câmara dos Deputados (2005 a 2007), relatou o Novo Código Florestal e foi deputado federal por seis mandatos pelo estado de São Paulo.

Alguns dos projetos sob sua relatoria: valorização do ensino e da aprendizagem da língua portuguesa; Lei de Biossegurança, que autorizou as pesquisas com células troncos no Brasil e também de plantas geneticamente modificadas; e novo Código Florestal Brasileiro. Foi autor ainda da lei que declarou o dia 20 de novembro como Data Nacional de Zumbi do Palmares.

Livros

▪ CBF-Nike, em coautoria com o deputado Sílvio Torres (2001); ▪ Política de Defesa para o Século XXI (2003); ▪ Política Externa para o Século XXI (2003); ▪ Forças Armadas e Soberania Nacional, uma reedição da coletânea com novos artigos de sua autoria sobre o papel das Forças Armadas (2003); ▪ Reforma Tributária – Temas e Dilemas, em coautoria com o professor Luís Antônio Paulino (Unesp-2008); ▪ Palmeiras X Corinthians 1945 – O Jogo Vermelho (2009); ▪ Raposa Serra do Sol: o índio e a questão nacional, coletânea de artigos (2010).

  

O Quinto Movimento está disponível para venda no site da editora e na Amazon.

Existe a opção para baixar o e-book em PDF gratuitamente (basta preencher um breve cadastro). A versão audiolivro está  em fase de gravação.

 

Protestos deste sábado: algo de novo nas ruas de Porto Alegre

A manifestação contra o governo Bolsonaro, na tarde deste sábado, 29, foi a maior já registrada em Porto Alegre, desde o início da  pandemia.

Foi maior, talvez, que as mobilizações de 2016 e comparável até às históricas jornadas de 2013.

Tanto em número ( na casa das dez mil pessoas ), quanto em organização (com alas, alegorias e grupos de percussão), o protesto sinaliza para uma “volta do povo às ruas”,  depois de um longo período de recesso e timidez nas mobilizações por conta da pandemia.

Pelo país inteiro protestos de rua pediram vacina e gritaram fora Bolsonaro, neste sábado. Mobilizações expressivas, além de Porto Alegre,  registraram-se em São Paulo, onde uma multidão tomou a avenida Paulista, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife.

Em Porto Alegre, chamou atenção a reduzida presença de bandeiras e simbolos partidários e a participação de jovens e quase nenhuma referência a eleições ou candidaturas presidenciais.

Esses sinais, lembram as chamadas “jornadas de 2013”, quando os protestos em Porto Alegre, contra o aumento das tarifas de ônibus, anteciparam um grande movimento nacional, que depois foi manipulado e se voltou contra a então presidente Dilma Rousseff.

O uso de máscara e o distanciamento entre os manifestantes também marcaram os protestos deste sábado.

As manifestações foram convocadas por centrais sindicais, sindicatos e entidades de sociedade civil e os partidos PSOL e PCdoB.

Vacinação: nem a chuva desanima quem está na fila da “xepa”

A chuva  parecia ter espantado as pessoas de duas filas de vacinação contra o Covid-19 no centro de Porto Alegre, na sexta-feira.

Até às 14 horas, havia movimento grande na unidade da Panvel, na Andradas com a Uruguai, credenciada pela Secretaria Municipal Saúde (SMS) para aplicar a segunda dose da “Pfizer” nos grupos prioritários.

Depois,  desfez-se a cena das pessoas tomando chuva no calçadão.

No posto Santa Marta  próximo ao cais – não estava muito diferente até às 16h, sem fila e poucas pessoas se vacinando.

Aos poucos, porém, uma nova fila começa a se formar num canto dentro do posto. Era a fila da “xepa”.

Unidade de Saúde Santa Marta, no Centro Histórico, agora aplicará Pfizer – Foto: Ramiro Furquim/@outroangulofoto

A “xepa” da vacinação é o restante de um frasco de imunizante, que não pode ser mais guardado. No caso da vacina da Pfizer, a validade de cada garrafinha “aberta” são seis horas.

Então, ao fim do horário de atendimento prioritário, havendo doses excedentes, se distribui às pessoas dessa fila. O critério é sempre de idade, do mais velho ao mais novo. A SMS diz que as unidades de vacinação evitam as “sobras”. Eventualmente acontecem. Há relatos que na quinta-feira sobraram vinte doses no Santa Marta.

O prestativo vigilante Roberto Pereira, 45 anos – Foto: Ramiro Furquim/@outroangulofoto

A fila da “xepa” tinha quatro pessoas dentro da unidade, até o meioda tarde. De repente teve que se estender para a rua,  sob a chuva. Os seguranças terceirizados orientam, as pessoas se alinham junto ao prédio. Ali chove menos.

Todos munidos de guarda chuva, identidade e comprovante de residência na Capital. Gente bem vestida, com idade dos trinta aos sessenta.

Muita gente têm dúvidas sobre a xepa: “Não tem senha?”… “Quantas doses tem?”.

Sem senha, sem categoria, sem gênero. O critério é idade: “chamaremos os mais velhos primeiro”, avisa a funcionária.

O servidor municipal Paulo Iser liberado para triagem – Foto: Ramiro Furquim/@outroangulofoto

A informação das doses excedentes só saiu depois das 17h. A fila tem quase 40 pessoas.

Sete comtemplados.  São chamadas as pessoas até os 57 anos e fecha a lista,

A fila solta aquel “aaaah”, decepcionado e começa a se dispersar. Alguns ainda mantém esperança ( “Vai que sobra, né?”) e permanecem na porta do estabelecimento.

Um senhor grisalho cisma com duas mulheres que ficaram no lado de dentro da Unidade. Pressiona um dos seguranças: “Só vou embora quando tu colocar elas na rua”. Outras duas mulheres que estavam do lado de fora apoiaram a pressão.

A pressão de quem ficou… – Foto: Ramiro Furquim/@outroangulofoto
… de fora da Xepa – Foto: Ramiro Furquim/@outroangulofoto

Anoitecia quando as pessoas contempladas com a “xepa” da vacina começaram a saír, uma à uma. Nem comemoração, nem grito, nem protesto. Todo mundo de algum modo cientes da situação.

Paulo Iser, servidor municipal,  de 59 anos, foi o primeiro vacinado. Era sua segunda tentativa de pegar a “xepa”. Ficou sabendo por colegas que conseguiram se vacinar assim. Diz que “é uma espécie de humilhação”, pegar uma sobra. “É sempre assustador passar pela fila e é um constragimento olhar pessoas que ficaram”.

As amigas que suscitaram desconfiança – Foto: Ramiro Furquim/@outroangulofoto

Iser permaneceu no local aguardando a esposa Ana Lucia Basso Pompeu, 58, que também se vacinou, ambos depois de uma primeira tentativa no Posto Modelo. Contam que perderam amigo servidor da prefeitura também na mesma idade de Paulo: “Essa situação (de sobra de vacina) não pode ser normalizada. Tem quer ter vacina pra todo mundo logo”.

Os sete do dia – Foto: Ramiro Furquim/@outroangulofoto

Portão fechado. Quase todo mundo foi embora. Servidora e vigilantes alegam muito cansaço em lidar com as pessoas aflitas pela sua vez na vacinação. Ninguém quer ser fotografado. As pessoas que trabalham no Santa Marta só querem que o dia acabe logo. Ainda há contagem e ronda a fazer.

Na porta com tapumes surgem as duas mulheres que ficaram dentro do prédio e levantaram suspeitas. Uma delas, a a advogada Júlia Scheirr, 26 anos, explica. Estavam na busca da vacina na xepa também. Devido ao critério, viram cedo que não seriam contempladas. Ficaram dentro do posto aguardando uma carona, pois Júlia estava sentido cólicas e não queria ficar na rua. Nada mais que isso.

A advogada Júlia Scheirr – Foto: Ramiro Furquim/@outroangulofoto

Secretário Busatto diz que revitalização do Cais Mauá vai contemplar atividades culturais

O economista Leonardo Busatto foi encarregado pelo governo do Estado para coordenar os estudos de um novo projeto de revitalização do Cais Mauá.

Como secretário Extraordinário de Parcerias, Busatto será o interlocutor do Poder Público com o consórcio Revitaliza, um grupo de oito empresas selecionado pelo BNDES para definir o tipo de contrato a ser feito com a iniciativa privada a fim de dar novo destino a um emblemático cartão postal de Porto Alegre.

Desde o início de maio, o secretário reúne-se semanalmente com integrantes do consórcio para debater as propostas. Uma vez por mês, o encontro terá a participação do governador Eduardo Leite.

Até o final deste ano, o consórcio deve definir o modelo de concessão daquela área para que, entre janeiro e fevereiro de 2022, o governo lance o edital.

Busatto diz que ainda é cedo para projetar os tipos de atividades que poderão ocupar os armazéns e seu entorno, que integram o patrimônio histórico e cultural da cidade, mas os estudos deverão concentrar-se nos aspectos socioambientais, urbanísticos e econômicos.

– Quem vencer a licitação terá que seguir o modelo previsto para ocupação da área e, isso, quer dizer que um ou mais armazéns serão destinados a atividades culturais, afirma.

O secretário ressalta, ainda, que o governo não terá despesas extras com a remodelação do cais.

– O acordo de cooperação com o BNDES, o trabalho do consórcio Revitaliza e as reformas dos armazéns, inclusive a descontaminação do solo em alguns pontos do cais, serão bancados pelo vencedor da licitação, que é quem irá administrar o local, completa Busatto.