Em 2018, o Brasil confirmou cerca de quatro mil crianças com microcefalia associada ao víru zika e 17 mil casos em investigação.
A Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Brasília (UnB) promoveu um seminário na sexta-feira, 27, para discutir sobre a produção audiovisual das mães de bebês com microcefalia em decorrência da infecção provocada pelo vírus Zika na gestação.
Coordenado pela professora Soraya Fleischer, o evento exibiu o documentário da também professora da UnB e ativista de direitos humanos Débora Diniz, “Zika: do sertão nordestino à ameaça global”, e vídeos produzidas pelas próprias mães dos bebês que contam seu ponto de vista sobre as dificuldades de conseguir tratamento para as crianças, o descaso das prefeituras, a falta de acessibilidade para as cadeiras de rodas das crianças e a falta de acolhimento para as famílias.
Os vídeos das mães foram produzidos após uma oficina sobre os recursos do telefone celular para essa finalidade organizada pela Universidade Federal de Pernambuco, com o apoio de pesquisadoras da Ciências Sociais e da área da saúde pública. A professora Débora Diniz, a primeira no Brasil a documentar o agravo provocado pelo vírus Zika, hoje vive no exterior por conta de ameaças que recebeu após as eleições de 2018 e não participou do evento na UnB.
O seminário discutiu sobre a importância dessas mães deixarem de ser objeto de pesquisa junto com seus bebês e assumirem o papel de suas próprias vidas, além de mostrar numa narrativa pessoal as dificuldades enfrentadas na rotina do trato com seus filhos. Quase a totalidade das mulheres que tiveram filhos com microcefalia associada a infecção do Zika é pobre, negra ou parda e vive na região Nordeste. Informações que mostram a influência dos determinantes sociais no agravo.
Contribuíram imensamente para a identificação do vírus Zika como a causa da microcefalia em bebês Maria da Conceição Alcantara Oliveira Matias e Géssica Eduardo dos Santos, duas mulheres do interior da Paraíba, que doaram amostras de seu líquido amniótico para que os cientistas pudessem identificar a causa do agravo.
(Marcia Turcato, de Brasilia)