Bolívia vive dia de caos após a renúncia de Evo Morales

Era 8h40 minutos do domingo, quando o presidente da Bolívia, Evo Morales, postou a mensagem nas redes sociais.
“Renuncio para que Mesa y Camacho no sigan persiguiendo, secuestrando y maltratando a mis ministros, dirigentes sindicales y a sus familiares y para que no sigan perjudicando a comerciantes, gremiales, profesionales independientes y transportistas que tienen el derecho a trabajar”.
Minutos antes, em pronunciamento transmitido a partir da cidade de Cochabamba, havia anunciado formalmente sua renúncia ao cargo.
Ao lado de Morales, o vice-presidente Alvaro García Linera também anunciou que deixa seu posto.
A renúncia se dá em meio à escalada dos protestos que se seguiram à eleição de 20 de outubro no país.
“Queremos preservar a vida dos bolivianos”, disse Morales no pronunciamento.
A pressão sobre Morales aumentou na tarde de domingo, depois que o comandante das Forças Armadas bolivianas, William Kaiman, sugeriu que Morales renunciasse para permitir a “pacificação e a manutenção da estabilidade, pelo bem da nossa Bolívia”.
Mais cedo, Morales havia anunciado a realização de novas eleições e a substituição dos integrantes do Tribunal Superior Eleitoral boliviano, mas não conseguiu melhorar os ânimos dos adversários.
Uma recomendação da Organização dos Estados Americanos (OEA), ao final de uma auditoria do processo eleitoral, foi o que levou Morales a propor um novo pleito.
A OEA, em um documento de 13 páginas, concluiu que é “estatisticamente improvável” que o presidente Morales tenha vencido as eleições e se negou a validar uma vitória em primeiro turno.
Antes da renúncia de Morales, a imprensa boliviana noticiou a realização no domingo de diversos ataques a residências, incluindo casas de familiares de Morales, e a prédios públicos.
No Twitter, o ainda presidente havia denunciado que “fascistas” tinham incendiado a casa dos governadores de Chuquisaca y Oruro, e também de sua irmã, Esther Morales, em Oruro.
Morales postou no twitter também que sua casa havia sido invadida.
Nas redes sociais foram divulgados vídeos do interior do domicílio do presidente, depredado, com inscrições nas paredes, as portas arrombadas.
No sábado, um grupo de manifestantes havia incendiado a casa de sua irmã, Ester Morales Ayma.
Também políticos e partidários da oposição a Evo Morales denunciaram invasões e tentativas de incêndio em várias casas. A prefeitura de La Paz informou que pelo menos 15 ônibus haviam sido incendiados.
Emissoras de rádio e TV estatais, como a Bolívia TV, foram alvo de protestos.
Depois que manifestantes atacaram a sua casa, o presidente da Câmara dos Deputados, Víctor Borda, também renunciou ao cargo neste domingo.
Eleição polêmica
As eleições presidenciais bolivianas ocorreram em 20 de outubro. Morales obteve 47,07% dos votos, enquanto seu principal concorrente, Carlos Mesa, alcançou a 36,51%.
Pelas regras eleitorais bolivianas, Morales foi declarado eleito, por ter obtido mais de 10% de votos além de Mesa.
A apuração dos votos, no entanto, foi polêmica, com acusações de ambos os lados. Uma missão de observação da Organização dos Estados Americanos (OEA) apontou problemas como a falta de segurança no armazenamento das urnas e a suspensão da apuração.
Diante da polêmica, Morales e líderes oposicionistas sugeriram que a Organização dos Estados Americanos (OEA) auditasse o resultado das eleições – e Morales convidou países como Colômbia, Argentina, Brasil e Estados Unidos a participarem do processo.
Desde então, os protestos populares se acirraram, com oposicionistas chegando a estabelecer um prazo para que Morales deixasse o cargo.
A renúncia, porém, não acalmou os ânimos e as manifestações, com muita violência, continuam de parte a parte.
*Com informações da agência de notícias Télam
 

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