Caso Master: Cais Mauá foi laboratório do esquema que lesou 100 fundos de previdência

As investigações da Polícia Federal que levaram à prisão do empresário João Carlos Mansur, indicam que o Fundo Cais Mauá foi um ensaio do esquema fraudulento que carreou R$ 17 bilhões dos fundos de previdência para os papéis podres do banco Master.

Segundo a Polícia Federal, mais de 100 fundos colocaram dinheiro em carteiras do Master.

O Banco Central e a PF identificaram que a estrutura criada por Mansur servia como uma “fábrica de fundos” para ocultar patrimônio através de operações fraudulentas.

No Cais Mauá foram testadas as “táticas de captação” em institutos de previdência (RPPS) que seriam escaladas para fraudes bilionárias que culminaram com a liquidação do Master.

Um projeto ambicioso

O Fundo de Investimento e Participações Cais Mauá foi criado em 2012, para financiar um ambicioso projeto de conversão do principal cais de Porto Alegre em área de lazer, turismo e comércio.

Uma faixa de três quilômetros num sítio histórico da cidade, à beira do Guaiba, previa-se investimento de R$ 1 bilhão para reurbanizá-la e reequipá-la, inclusive com nove torres de hotéis, escritórios e apartamentos de luxo.

Nas maquetes e na propaganda, um alto negócio. Na realidade, um projeto contestado, com manifestações de rua e campanhas de opinião publica, além de entraves burocráticos, que foram menosprezados.

O contrato com o consórcio Cais Mauá do Brasil assinado com pompa e circunstância final do governo Yeda Crusius, não tinha, por exemplo, a anuência da Antaq, a autarquia federal que regula as áreas portuárias.

Detalhes que travaram o projeto, mas não impediram que o fundo fosse ao “mercado” em busca de investidores.

Em 2018, não havia um tijolo assentado na área do Cais Mauá, mas o fundo havia captado R$ 130 milhões.

Pela gestão do fundo haviam passado a Positivo,  NSG, a ICLA  e agora a Reag estava assumindo. Todas ligadas a João Paulo Mansur.

Foi quando uma operação da Polícia Federal revelou que havia fraude na captação de recursos junto aos fundos de previdência. Alguns estavam entrando na Justiça para obter o resgate dos valores aplicados.

Em julho de 2020, quando o governo do Estado rescindiu o contrato com a Cais Mauá do Brasil, consórcio que tinha a concessão, a Reag foi substituída pela Lad Investimentos, do mesmo grupo, na gestão do fundo. O assunto saiu do noticiário e…o dinheiro desapareceu.

Absolvição e prisão

Uma nota no Valor Econômico registrou o fato no dia 17 de dezembro de 2025: os dez acusados de fraude na administração do Fundo Cais Mauá do Brasil foram absolvidos pela Comissão de Valores (CVM).

A maioria do Colegiado seguiu o voto do relator João Accioly, concluíndo que não houve dolo (intenção deliberada de fraudar):”Não houve prova de má fé” como se registrou na ata da sessão.

A diretora Marina Copola deu o único voto contrário, afirmando que houve “omissões graves e equívocos reiterados” e pedindo a condenação dos acusados, com a aplicação de multas.

Entre os dez absolvidos estava a Reag Trust e seu presidente João Carlos Mansur.

Um mês depois, em 15 de janeiro de 2026, Mansur foi preso pela Polícia Federal e a Reag teve liquidação decretada pelo Banco Central.

A reviravolta, pelo menos, abre uma chance para os investidores que foram lesados com a falência do Fundo Cais Mauá. Entre eles o Instituto de Previdência do Estado (IPE Prev) que teria aplicado 17,7 milhões.