José Antonio Severo (1942/2021): repórter até o fim

Morreu na madrugada desta sexta-feira, 24 de setembro, o jornalista e escritor José Antonio Severo, aos 79 anos.

Em mais de meio século como repórter, editor, diretor, ele passou pelos principais veículos de comunicação do país.

Desde o Jornal do Dia, de Porto Alegre, onde começou – seguindo por Veja, Realidade, Exame, Reuters, Estadão, Gazeta Mercantil, TV Bandeirantes, Rede Globo – sempre deixou a marca de um talento exuberante e generoso.

Hospitalizado há duas semanas, continuou conversando, escrevendo e respondendo a mensagens até o último momento, quando foi levado para o centro cirúrgico, segundo conta sua mulher, a cantora Célia Mazzei.

À tarde, conversou com o sobrinho Alberto sobre a situação do Afeganistão e da economia brasileira. Pouco depois, falou com o editor Edgar Lisboa, sobre um artigo que havia escrito para ser publicado no fim de semana.

Sugeriu algumas alterações e encerrou o telefonema: “Vou ter que desligar, vou entrar para uma cirurgia agora”.

Era diabético e contraiu covid no início do ano. Embora tenha se recuperado rapidamente, desde então sua saúde ficou instável, com perda crescente de imunidade, obrigado a sucessivas internações e até uma cirurgia para extrair a vesícula.

Há duas semanas voltara ao hospital para tratar de uma hemorragia no pulmão e foi isso que o levou à cirurgia no fim da tarde de sexta-feira, à qual não resistiu.

Gaúcho, de Caçapava do Sul, Severo cresceu no campo e sempre lembrava da infância em meio às lides campeiras na estância da família.

Estava disposto a seguir essa vida aos 16 anos, quando mudou-se para Porto Alegre e matriculou-se na Escola  Técnica de Agricultura de Viamão, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs).

Formado, obteve o primeiro emprego na Secretaria Estadual da Agricultura, e aí descobriu sua vocação. Tinha facilidade para escrever e foi designado para o Serviço de Informação Agrícola, onde passou a produzir um “Informativo Rural e Econômico”.

Inquieto, teve a ideia de viajar pelo Estado, produzindo matérias para o informativo e suas reportagens chamaram atenção. Foi convidado, em 1964, para ser editor do suplemento rural do Jornal do Dia,  jornal católico editado em Porto Alegre.

Uma reportagem sobre o preço da carne rendeu-lhe outro convite, do jornal O Estado de S.Paulo, para um estágio na capital paulista. Antes do fim do estágio, estava contratado, emplacando matérias de capa, que o levaram à condição de repórter especial.

Em 1968, quando a Editora Abril montou a equipe para lançar a revista Veja ele se inscreveu e foi selecionado.

Mas foi na revista Realidade, pouco depois, que se tornou conhecido por suas reportagens sobre esportes radicais, vivenciadas e narradas na primeira pessoa.

Era reconhecido na rua e ficava constrangido: “Eu devia estar fazendo matérias de denúncia à ditadura e, em vez disso, estava me divertindo fazendo coberturas de esportes”.

Essa inquietação levou-o de volta a Porto Alegre, onde assumiu a direção da Folha da Manhã, mas a experiência não durou dois anos e retornou à imprensa paulista.

Nessa época surgiram os primeiros textos mais longos. Pretendia que se tornassem roteiros de séries para a TV.

“A Guerra dos Cachorros”, editado pela LPM, transpunha para São Paulo o fenômeno das matilhas de cães selvagens que assolavam os campos nos tempos do Rio Grande primitivo.

No cenário urbano, os cães simbolizavam uma revolta dos animais pelo tratamento que recebem dos humanos. Ele considerava um projeto frustrado.

“A Invasão”, de 1978, também publicada pela LPM, é uma “reportagem-ficção”  sobre uma mudança de regime político no Brasil.

Um outro desafio, porém, se apresentou e, em 1979, foi trabalhar na Rede Globo. Primeiro como repórter do  Jornal Nacional e, pouco depois, como editor-chefe do Jornal da Globo, do qual foi um dos criadores.

Ainda era uma época em que os profissionais do jornalismo impresso, resistiam ao telejornalismo. Ali nasceu o formato existente hoje, com bancadas compostas por jornalistas – até então, eram locutores que liam as notícias no ar.

Mesmo em outras funções sempre se considerou “um repórter 24 horas por dia”, rigoroso em relação aos fatos. “Não tenho apego ao texto, sempre dei total liberdade aos editores para que mexessem. Só me fixo na precisão dos dados”, dizia.

Sempre jovial e entusiasmado, gostava de conversar com os mais jovens e dava conselhos: “Não se levem muito a sério. Levem a sério a notícia” ou “O leitor não é abstrato. Tem que escrever para o leitor”.

A experiência na TV, também reavivou uma paixão da infância, o cinema. “Quando vínhamos para Porto Alegre, eu e meus irmãos emendávamos uma sessão na outra”, lembrava.

Do encontro com o escritor e cineasta Tabajara Ruas nasceu o produtor e roteirista.  Escreveu “Os senhores da guerra”, romance histórico, pensando na versão cinematográfica.

No drama de dois irmãos em conflito, resume o período sangrento no início do século XX, em que o Rio Grande do Sul se dividiu entre “Chimangos” e “Maragatos”.

A pesquisa para essa obra levou-o a uma incursão pelas guerras pela conquista do extremo sul da América, Percorreu a região por um ano e, por um ano e meio, isolou-se com uma pequena biblioteca numa casa na praia do Santinho em Florianópolis, onde produziu “General Osório e seu Tempo”, obra de quase mil páginas, painel impressionista da formação do extremo sul da América.

Nos últimos dois anos, trabalhou na pesquisa para o roteiro da série “200 Anos da Independência”, produzido pela TV Cultura de São Paulo, para exibição em 2022. Da pesquisa resultou um livro com o mesmo título que será editado na data.

 

 

Juros mais altos e reajustes salariais abaixo da inflação: o trabalhador paga a conta da crise

No mês de agosto, o reajuste salarial mediano no país ficou 1,4 ponto percentual abaixo da inflação, considerando como base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Apenas 9,5% das negociações resultaram em ganhos reais, de acordo com o boletim Salariômetro, divulgado hoje (23) pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

O reajuste médio negociado foi de 8,5% em agosto, enquanto o INPC, no acumulado de 12 meses, ficou em 9,9%. O piso salarial mediano – modelo que corrige discrepâncias – negociado foi de R$ 1.255 em agosto, enquanto o piso médio foi de R$ 1.396.

O Salariômetro analisa os resultados de 40 negociações salariais coletivas, que são depositados no Portal Medidor, do Ministério da Economia.

Não houve aumento mediano real como resultado das negociações em nenhum dos últimos 12 meses, conforme a fundação.

Desde setembro do ano passado, o índice tem oscilado de -1,4% a zero.

Segundo a Fipe, a inflação projetada para as próximas datas-base ficará perto dos 10%, o que deverá comprimir o espaço para ganhos reais no futuro.

Enquanto isso, para conter a alta de preços  dos alimentos, combustíveis e energia, o Banco Central (BC) aumentou os juros.

Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic – juros básicos da economia – de 5,25% para 6,25% ao ano, decisão já esperada pelos analistas financeiros.

A taxa está no nível mais alto desde julho de 2019, quando estava em 6,5% ao ano. Esse foi o quinto reajuste consecutivo na taxa Selic.

De março a junho, o Copom tinha elevado a taxa em 0,75 ponto percentual em cada encontro. No início de agosto, o BC passou a aumentar a Selic em 1 ponto a cada reunião.

Em comunicado, o Copom informou que deverá elevar novamente a Selic em um ponto percentual na próxima reunião, no fim de outubro. Com o teto da meta de inflação estourado em 2021, o órgão informou que trabalha para trazer a inflação de volta para o intervalo da meta em 2022 e, “em algum grau”, em 2023.

“O Copom considera que, no atual estágio do ciclo de elevação de juros, esse ritmo de ajuste [um ponto percentual por reunião] é o mais adequado para garantir a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante e, simultaneamente, permitir que o Comitê obtenha mais informações sobre o estado da economia e o grau de persistência dos choques”, destacou o texto.

Com a decisão de hoje (22), a Selic continua num ciclo de alta. De julho de 2015 a outubro de 2016, a taxa permaneceu em 14,25% ao ano. Depois disso, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegasse a 6,5% ao ano em março de 2018.

A Selic voltou a ser reduzida em agosto de 2019 até alcançar 2% ao ano em agosto de 2020, influenciada pela contração econômica gerada pela pandemia de covid-19. Esse era o menor nível da série histórica iniciada em 1986.

Inflação
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Em agosto, o indicador fechou no maior nível para o mês desde 2000 e acumula 9,68% em 12 meses, pressionado pelo dólar, pelos combustíveis e pela alta da energia elétrica.

O valor está acima do teto da meta de inflação. Para 2021, o Conselho Monetário Nacional (CMN) tinha fixado meta de inflação de 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O IPCA, portanto, não podia superar 5,25%.

No Relatório de Inflação divulgado no fim de junho pelo Banco Central, a autoridade monetária estimava que, em 2021, o IPCA fecharia o ano em 5,82% no cenário base.

Crédito mais caro
A elevação da taxa Selic encarece o crédito e desestimula a produção e o consumo. Além disso, taxas mais altas dificultam a recuperação da economia.

 

PF faz buscas na empresa que intermediou compra de vacinas

A Polícia Federal realiza, nesta quinta (17), operação de busca e apreensão na sede da Precisa Medicamentos, nas cidades de Barueri e Itapevi, no estado de São Paulo.

“A operação é cumprimento de solicitação realizada pela Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado Federal para apurar ações e omissões no enfrentamento da pandemia da covid-19 no Brasil (CPI da Pandemia), sob decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, através de sua Excelência, o Ministro Dias Toffoli”, diz nota divulgada pelo presidente, vice-presidente e relator da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), Randolfe Rodrigues ( Rede- AP) e Renan Calheiros (MDB-AL), respectivamente.

Ainda segundo a cúpula da CPI, a operação tem como objetivo a busca e apreensão de informações relativas ao contrato entre a Precisa Medicamentos e a empresa indiana Bharat Biotech, assim como todos os documentos relacionados ao contrato.

“A CPI buscou de todas as formas obtenção dessas informações junto à empresa e ao Ministério da Saúde, não obtendo êxito. Devido a isso, se fez necessária a utilização deste instrumento judicial”, justificaram os senadores.

Histórico
A Precisa foi a empresa que intermediou o contrato entre o Ministério da Saúde e a farmacêutica Bharat Biotech para a compra de 20 milhões de doses da vacina Covaxin ao custo de R$1,6 bilhão.

A empresa entrou na mira da CPI após a comissão ter recebido denúncias de irregularidades no contrato. O acordo foi cancelado em agosto pelo Ministério da Saúde.

Por meio de nota assinada pelos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, a Precisa Medicamentos classificou como “inadmissível, num estado que se diz democrático de direito, uma operação como essa de hoje”.

Ao contrário do que diz a cúpula da comissão de inquérito, a empresa ressalta que entregou “todos os documentos à CPI”, além de três representantes da empresa terem prestado depoimento ao colegiado.

Segundo os advogados, sempre que intimados, os representantes da Precisa prestaram depoimentos à PF, à Controladoria-Geral da União (CGU), além de ter entregue toda documentação ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Tribunal de Contas da União (TCU).

Segundo os advogados, ” a operação de hoje é a prova mais clara dos abusos que a CPI vem cometendo”, por conta dos “interesses de alguns senadores com ambições eleitorais”.

(Com informações da Agência Brasil)

Briga de Eduardo Leite com a Petrobras é campanha política

O governador Eduardo Leite recorreu à Justiça contra a Petrobras por propaganda enganosa. Pede até indenização por dano moral.

A causa é um anúncio em que a estatal mostra a estrutura de custos da gasolina e diz que recebe apenas R$ 2,00 pelo litro de gasolina que está custando quase R$ 7,00 na bomba.

O vídeo veiculado ressalta o peso do ICMS cobrado pelos Estados, que chega em média a 28% do preço final da gasolina.

Na ação, o governador alega que a Petrobras omite informações e tenta jogar para os Estados a culpa pelo alto preço dos combustíveis.

O anúncio da Petrobras atende a um interesse do candidato Bolsonaro, de passar aos governadores a culpa pelo alto preço dos combustíveis.

A ação do governador Eduardo Leite é também a de um candidato, que não aceita ser o vilão da alta dos combustíveis.

A verdade é que alíquota do ICMS no Rio Grande do Sul para a gasolina é 30%  desde 2016, com validade até 2022. Não por acaso, o preço da gasolina no Estado só perde para o Tocantins.

 

Bolsonaro repete ameaças mas sai enfraquecido dos atos do 7 de setembro

O presidente Jair Bolsonaro usou o Dia da Independência para fazer demonstrações de força e ameaçar o Supremo Tribunal Federal (STF).

Depois de participar do ato oficial na frente do Palácio do Planalto, o presidente deslocou-se para São Paulo, onde seus apoiadores ocuparam parte da avenida paulista.

Apesar do número expressivo de manifestantes favoráveis ao presidente,  a presença foi menor do que a anunciada e esperada pelos organizadores.

Tampouco se concretizaram as ameaças reiteradas de bloqueio de estradas e ultimato para os ministros do STF.

No Distrito Federal, Bolsonaro ficou no local da manifestação por cerca de meia hora e discursou em um carro de som, acompanhado de ministros.

O ponto principal do seu discurso foram os ataques ao STF, onde é alvo em quatro investigações. “Não podemos continuar aceitando que uma pessoa específica, da região [da Praça] dos Três Poderes, continue barbarizando a nossa população”, disse, em referência ao ministro Alexandre de Moraes.

“Ou o chefe desse Poder enquadra o seu ou esse Poder pode sofrer aquilo que nós não queremos. Porque nós valorizamos, reconhecemos e sabemos o valor de cada Poder da República. Nós todos aqui na Praça dos Três Poderes juramos respeitar a nossa Constituição. Quem age fora dela se enquadra ou pede pra sair”, completou.

Bolsonaro ainda afirmou que nesta quarta-feira (8) se reuniria com ministros e também com os presidentes da Câmara, Arthur Lira, do Senado, Rodrigo Pacheco, e do STF, Luiz Fux. “Com esta fotografia de vocês [das manifestações de hoje], vou mostrar pra onde nós todos devemos ir”, disse aos apoiadores.

Nenhum dos três confirmou essa reunião mencionada pelo presidente.

No fim da manhã, o presidente embarcou para São Paulo, onde participou de ato na Avenida Paulista.  Bolsonaro praticamente repetiu o discurso, ampliando as agressões ao STF.

Embora tenha demonstrado que tem uma base de apoio consistente, as manifestações do presidente ampliaram seu desgaste nos meios político e empresarial, onde crescem às reações à sua pregação anti-democrática.

 

7 de Setembro em Brasilia: PM libera esplanada para bolsonaristas

O acesso à Esplanada dos Ministérios, em Brasilia, estava bloqueado  desde domingo  por conta das manifestações anunciadas para  este 7 de setembro.

Bastou a pressão dos primeiros grupos de bolsonaristas que chegaram na noite desta segunda-feira (6/7), para a polícia ceder:  os manifestantes invadiram o local e acessaram a Esplanada. Cerca de mil pessoas estavam no local no início da noite.

O governo do Distrito Federal informa que a segurança está reforçada em todos os prédios públicos, principalmente o Supremo Tribunal Federal e o Congresso.

Pelo menos 100 mil manifestantes devem-se concentrar na Esplanada  neste de 7 de Setembro.

A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) realizará linhas de revistas pessoais e bloqueios nas principais vias da Esplanada e proximidades da Torre de TV.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do DF, treze grupos pró-governo foram cadastrados na pasta para protestar no feriado.

O ponto de encontro será na frente da Biblioteca Nacional. De lá, eles deverão seguir pela Esplanada. Por questões de segurança, o acesso à Praça dos Três Poderes será restrito.

O Departamento de Trânsito (Detran/DF) e a PMDF fecharam a entrada com grades e cercas a partir das Alamedas dos Estados, pouco antes do Congresso Nacional.

Na prática, isso significa que manifestantes não terão acesso a prédios como Câmara dos Deputados, Senado Federal, Itamaraty, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal (STF).

Os manifestantes pró-governo ficarão na Esplanada dos Ministérios.

As manifestações contra o governo vão se concentrar no estacionamento da Torre de TV, a partir das 8h ao lado da Praça das Fontes.

De lá, devem sair em passeata até  o Memorial dos Povos Indígenas.

Em linguagem de miliciano, Bolsonaro convoca PMs para o dia 7 de setembro

Jair Bolsonaro defendeu que policiais militares possam comparecer aos atos golpistas marcados para 7 de setembro. O chefe de governo criticou as punições planejadas por governadores:

“Hoje você vê alguns governadores ameaçando expulsar policiais militares que porventura estejam de folga no dia 7 e compareçam para festejar o 7 de setembro. Se nós falarmos ‘eu não sou policial militar, não tenho nada a ver com isso’, aguarde que a sua hora vai chegar”, afirmou Bolsonaro, durante a CPAC Brasil, conferência da extrema direita realizada em Brasília, no fim da tarde deste sábado (4).

Mais cedo, em Caruaru (PE), ele fez novas ameaças e afirmou que, caso ministros da Corte não sejam “enquadrados”, há possibilidade real de ruptura institucional. Para evitar uma ação golpista dos policiais, a PM de São Paulo mapeou os grupos de oficiais bolsonaristas.

“O retrato que queremos nesse dia não é meu, não é de nenhum político, é o retrato de vocês que será usado naquela velha máxima, uma imagem vale mais que 1 milhão de palavras. Essa imagem é o nosso passaporte para mostrar para aqueles pouquíssimos que ousam brincar com a nossa Constituição e nossos direitos, falar: dá um tempo aí, cara. Não vai continuar fazendo gracinha. Não vai continuar prendendo gente que, segundo eles, abusou da liberdade de expressão”, disse Bolsonaro. .

 

Roberto Jefferson vai a hospital de tornozeleira, sem celular e sem receber visitas

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, neste sábado (4), que o ex-presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, deixe a prisão para tratamento médico usando tornozeleira eletrônica.

Jefferson só poderá deixar a prisão para ir ao hospital e terá de obedecer a uma série de medidas cautelares, senão voltará à prisão.

O ministro recebeu informações da Administração Penitenciária do Estado do Rio de Janeiro, que apontavam a “insuficiência, por ora, do tratamento médico recebido no hospital penitenciário”.

“Em relatório, subscrito pelo médico Itauan Vieira Espínola, foi constatado que o custodiado está com quadro de infecção urinária, além de reclamar de dores na lombar”, afirmou.

“Consideradas as alegações da Defesa em relação ao quadro de saúde do preso e verificando a necessidade de tratamento médico fora do estabelecimento prisional, nos termos do art. 120, II, c/c 14, ambos da Lei de Execução Penal (Lei 7.210/ 84), vislumbro ser possível a autorização para a saída do custodiado”, escreveu o ministro.

Restrições

Além de ser submetido ao monitoramento eletrônico na área do Hospital Samaritano Barra, para onde vai fazer o tratamento, Jefferson está proibido de receber visitas sem autorização da Justiça, com exceção de seus familiares; não poderá ter acesso ou contato com investigados em inquéritos que investigam a disseminação de notícias falsas; não poderá usar redes sociais nem por meio de sua assessoria e não poderá conceder entrevistas.

Jefferson foi preso no dia 13 de agosto, por determinação de Moraes.

Na decisão, o ministro escreveu que o político faz parte de uma “possível organização criminosa” que busca “desestabilizar as instituições republicanas”.

“Uma possível organização criminosa – da qual, em tese, o representado faz parte do núcleo político –, que tem por um de seus fins desestabilizar as instituições republicanas, principalmente aquelas que possam contrapor-se de forma constitucionalmente prevista a atos ilegais ou inconstitucionais, como o Supremo Tribunal Federal (STF) e o próprio Congresso Nacional”, escreveu Moraes.

Moraes afirmou ainda que esta suposta organização da qual Jefferson integra o núcleo político tem uma rede virtual de apoiadores que compartilham mensagens com o objetivo de derrubar a “estrutura democrática”.

“Uma rede virtual de apoiadores que atuam, de forma sistemática, para criar ou compartilhar mensagens que tenham por mote final a derrubada da estrutura democrática e o Estado de Direito no Brasil”, afirmou Moraes.

No dia 30, a Procuradoria-Geral da República denunciou Jefferson ao Supremo.

À Corte, a PGR acusou o ex-deputado de incitação ao crime de dano, crimes previstos na Lei de Segurança Nacional e na lei de crimes raciais.

A denúncia da PGR ainda será analisada pelo Supremo. Antes, Moraes abriu prazo de 15 dias para que a defesa apresentasse resposta às acusações feitas pelo MP.

(Com informações do G! e da Agência Brasil)

Transporte urbano vive crise sem precedentes em todo o país

O transporte urbano vive uma crise sem precedentes no Brasil. A situação que já não era boa, agravou-se  com a perda de passageiros  da pandemia, a partir de 2020.

Estopim das manifestações de 2013,  o aumento das tarifas acima da inflação, pela pressão dos custos,, alimenta um ciclo vicioso: a redução de passageiros leva ao aumento da tarifa,  que afasta ainda mais o usuário de baixa renda.

Segundo levantamento da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), existem hoje 1,8 mil operadoras em 2.901 municípios.

O faturamento anual do setor chega a R$ 42 bilhões.

Apenas 11 sistemas têm algum tipo de subsídio público – em sua maioria para arcar com políticas sociais, como gratuidades de estudantes e idosos. Isso significa que, com raras exceções, os sistemas são custeados unicamente pelas tarifas dos passageiros.

O transporte coletivo é responsável por 50% das viagens motorizadas no país e fornece um serviço essencial para manter as cidades em movimento.

Os números divulgados pelas associações privadas do setor mostram que o prejuízo acumulado das empresas de ônibus urbanos foi de R$ 11,57 milhões entre março de 2020 e fevereiro de 2021.

A perda de receita tarifária das empresas de metrôs e trens urbanos foi de R$ 8 bilhões.  No mesmo período, 18 empresas e três consórcios de ônibus encerraram suas atividades no país.

Um estudo da FGV CERI  evidencia a necessidade de se pensar em outras formas de custeio da operação.

A distribuição adequada dos custos do transporte entre os usuários e beneficiários diretos (transporte individual) e indiretos (contribuinte) do sistema de transporte já é uma das diretrizes da Lei de Mobilidade Urbana e deve ser colocada em prática.

“Não se sabe qual dessas é a melhor solução, mas o debate é importante para encontrar uma solução viável para todas as partes”, sugere o estudo.

“Neste momento de crise, em que os três níveis do governo sofrem pressão dos mais diferentes setores, o poder público deve estar ciente da importância do transporte coletivo. Além de essencial para os profissionais da saúde, pessoas que buscam assistência médica e trabalhadores de serviços essenciais, só o setor de transporte público por ônibus gera 500 mil empregos diretos em três mil municípios. Além disso, desde 2015 o transporte é tido como um direito social no Brasil e, portanto, deve ser garantido pelo Estado”.

Para a FGV CERI, a ausência de uma adequada integração entre os diversos modos de transporte/logística é um gargalo reconhecido há tempos em nosso país e contribui para uma série de outras ineficiências, afetando negativamente toda a cadeia produtiva, o transporte em longas distâncias e o comércio exterior.

 

Privatização da Corsan: Leite garante R$ 4 bilhões para o caixa de 2022

Consagração da sólida maioria que construiu na Assembleia, o governador Eduardo Leite aprovou, nesta terça-feira, o Projeto de Lei 211, que o autoriza a vender a Companhia Riograndense de Saneamento, a cinquentenária Corsan.

Foram 33 votos a 19, vitória acachapante.

Mesmo assim a bancada governista teve que recuar ante a pressão de prefeitos e adiar a parte mais polêmica do plano: os projetos de lei 210 e 234  que regionalizam os serviços de saneamento básico no Estado.

Os analistas mais argutos dizem que o governador e sua base já contavam com isso. O essencial já foi conseguido.

O governo estima arrecadar R$ 4 bilhões com a venda da Corsan, reforço de caixa considerável num ano decisivo para o governador.

Reforça também a marca de sua gestão, que é a redução da máquina estatal.

A Corsan, privatizada, continuará com os 317 municípios que já atende,  cuja população soma 6 milhões de pessoas.  É um bom negócio, que mesmo na mão do “estado ineficiente” rende R$ 400 milhões por ano.

Pelo projeto adiado, os demais 200 e tantos municípios seriam atendidos por três consórcios regionais de capital privado.

Ocorre que os serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário nem sempre se enquadram na lógica dos negócios, que pressupõe o lucro sobretudo.

Os pequenos municípios (menos de dez mil habitantes) não oferecem escala para rentabilizar os serviços. Quem vai garantir que não serão deixados à margem? Essa foi uma das questões que mobilizaram os prefeitos.

A Corsan enfrenta esse dilema com a tarifa cruzada. Os resultados dos municípios maiores, mais rentáveis, sustentam o desequilíbrio dos menores.

Ela recebe muita crítica principalmente dos municípios  menores,  mas os índices médios do seu desempenho são favoráveis.

Na área que atende, a água tratada chega a 90% dos domicílios e a rede de esgoto alcança mais de 40% das economias. No contexto nacional, são bons índices.

A Corsan é uma “empresa de economia mista”, criada em 1966, quando se acreditava que a saída para a falta de investimentos em áreas essenciais era “unir os recursos do Estado com a eficiência do setor privado”.

Por seu estatuto, a Corsan pode ter até 49% de suas ações nas mãos de empreendedores privados.  Até hoje não conseguiu um sócio.  Uma companhia complexa, com contratos em mais de 300 municípios. e controlada pelo poder público, quem vai querer ser sócio?

A Corsan estatal, no entanto, está longe da imagem do aparato burocrático, inchado e ineficiente, embora sujeita a muitas críticas. Sobretudo é financeiramente saudável. Nos últimos cinco anos teve mais de 1,5 bilhão de lucro, mesmo investindo R$ 200 milhões por ano.

Por que vendê-la em regime de urgência?

O principal argumento do governo é que a companhia precisará triplicar os investimentos para alcançar as metas estabelecidas no Plano Nacional de Saneamento, até 2033. E o diagnóstico, contestado pela oposição, é de que não tem condições.

Nem sua geração de caixa, nem o seu controlador, que é o Estado, podem garantir os recursos necessários.

Então, com 12 anos de antecedência, o governador para prevenir a incapacidade de investimento da Corsan, decide colocar suas ações à venda.

Não faltará comprador. Um consórcio privado, com os contratos, os ativos e o histórico  da Corsan na mão,  terá à sua disposição os programas do BNDES  para os investimentos necessários, para chegar às meta de 2033.