Estudo aponta perdas de R$ 38 bilhões por ano com efeitos colaterais das bets

Jogos de azar e apostas online, popularizadas pelas chamadas bets, provocam perdas econômicas e sociais ao país estimadas em R$ 38,8 bilhões anualmente.

Esse valor é o somatório de danos à sociedade, como suicídios, desemprego, gastos com saúde e afastamento do trabalho.

O cálculo é do estudo inédito A saúde dos brasileiros em jogo, divulgado nesta terça-feira (2), que analisa efeitos da expansão das apostas online no Brasil.

Acesse aqui para ver a íntegra da pesquisa.

Para ter uma noção do tamanho da perda, o valor de R$ 38,8 bilhões projetado pela pesquisa representaria expansão de 26% no orçamento do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida do ano passado, ou 23% a mais no Bolsa Família de 2024.

O estudo é uma parceria de organizações sem fins lucrativos dedicadas à saúde pública: o Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps) e a Umane, e da Frente Parlamentar Mista para Promoção da Saúde Mental (FPSM), que reúne quase 200 parlamentares no Congresso Nacional.

Perdas

Os pesquisadores citam que o Brasil teve 17,7 milhões de apostadores em apenas seis meses. Eles também se baseiam em levantamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) para estimar em cerca de 12,8 milhões o número de pessoas em situação de risco com relação a apostas.

Os autores se inspiraram em estudo britânico sobre efeito dos jogos para projetar o tamanho nas perdas diretas e indiretas para o Brasil e chegaram aos seguintes números:

– R$ 17 bilhões por mortes adicionais por suicídio

– R$ 10,4 bilhões por perda de qualidade de vida com depressão

– R$ 3 bilhões em tratamentos médicos para depressão

– R$ 2,1 bilhões com seguro-desemprego

– R$ 4,7 bilhões encarceramento por atividade criminal

– R$ 1,3 bilhão diz respeito à perda de moradia

Desse total, 78,8% (R$ 30,6 bilhões) estão associados a custos ligados à saúde.

“Estudos internacionais recentes demonstram a associação entre o transtorno do jogo e o agravamento de quadros de ansiedade, depressão e risco de suicídio”, assinala o documento, que utilizou estimativas de valor monetário para medir as perdas de qualidade e duração de vida.

Os pesquisadores afirmam que o crescimento acelerado do setor de apostas online, favorecido pela tecnologia, falta de regulação, ampla exposição midiática e pela ausência de políticas públicas estruturadas, “já apresenta impactos significativos sobre o endividamento das famílias, o aumento dos casos de transtorno do jogo e o agravamento de quadros de sofrimento mental”.

Retorno insuficiente

De acordo com o Banco Central (BC), os brasileiros destinaram cerca de R$ 240 bilhões às bets em 2024 e os beneficiários do Bolsa Família gastaram R$ 3 bilhões em bets, por meio de  Pix, em agosto de 2024.

As bets foram legalizadas no Brasil em 2018, regulamentadas apenas em 2023 e só passaram a pagar volume maior de impostos a partir de 2025. Até setembro deste ano, a arrecadação com a atividade chegou a R$ 6,8 bilhões, diz o relatório. No mês seguinte, o acumulado passou para perto de R$ 8 bilhões.

“O contraste entre a arrecadação – ainda que consideremos a projeção anual de R$ 12 bilhões – e o custo anual estimado de R$ 38,8 bilhões revela uma conta que não fecha do ponto de vista do interesse público”, ressalta o texto.

Atualmente as bets são tributadas em 12% sobre a receita bruta. No Senado tramita o Projeto de Lei 5473/2025, que propõe até duplicar a alíquota para 24%. Além disso, os apostadores pagam 15% de Imposto de Renda sobre o prêmio recebido.

Os autores do estudo criticam que, de todo o valor arrecadado com as bets, apenas 1% é direcionado aos cofres do Ministério da Saúde. Até agosto, o montante efetivamente repassado somava R$ 33 milhões.

Eles lembram que essa receita não tem vinculação orçamentária específica com o financiamento de ações no âmbito da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), ambiente do Sistema Único de Saúde (SUS) que oferece cuidado em saúde mental.

Redução de danos

A diretora de Relações Institucionais do Ieps, Rebeca Freitas, acredita que sem uma regulação firme, fiscalização rigorosa e responsabilidade das operadoras, aumentam os riscos de endividamento, adoecimento e impactos sobre a saúde mental, especialmente entre grupos mais vulneráveis.

Ela constata que as bets já fazem parte da vida de milhões de brasileiros, por isso a questão central sobre o tema deve ser em torno de garantir proteção à população.

No entanto, completa a diretora, o cenário atual mostra o oposto.

“A prática está sendo incentivada por um lobby comercial poderoso, ainda que às custas da saúde do povo brasileiro”, disse à Agência Brasil.

CPI das Bets

Os danos causados pelas bets chegaram a ser tema de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado. A CPI investigou o impacto das apostas online no orçamento das famílias, supostas ligações com crime organizado e atuação de influenciadores que divulgam essas apostas.

No entanto, os parlamentares rejeitaram o relatório final, que pedia o indiciamento de 16 pessoas. Foi a primeira vez, nos últimos dez anos, que uma CPI do Senado teve o relatório rejeitado.

Sem impacto positivo

No campo econômico, o estudo considera que a atividade das bets é “irrisória” em termos de geração de empregos e renda para o trabalhador. Com base em dados oficiais do Ministério do Trabalho, o levantamento aponta que o setor representava 1.144 empregos formais.

Em termos de renda, os pesquisadores estimam que, de cada R$ 291 de receita obtida pelas empresas, apenas R$ 1 se transforma em salário formal.

“Enquanto cada trabalhador formal no setor gera cerca de R$ 3 milhões mensais em receitas para as empresas, ele próprio recebe uma fração mínima (0,34%) desse valor”, citam.

A pesquisa alerta também para a alta informalidade: 84% dos trabalhadores do setor não contribuíram para a previdência em 2024, enquanto a média da economia brasileira era de 36%, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Modelo britânico

O dossiê A saúde dos brasileiros em jogo apresenta medidas existentes no Reino Unido voltadas à prevenção, ao tratamento e à regulação do setor de apostas:

– Autoexclusão: permite ao usuário bloquear o próprio acesso a todos os sites licenciados no Reino Unido por até cinco anos.

– Restrição à publicidade: permitida, mas altamente regulada. Anúncios não podem sugerir que o jogo é uma solução para problemas financeiros, ser direcionados a menores de idade ou usar influenciadores ou celebridades que tenham apelo junto ao público jovem.

– Destinação da arrecadação para o tratamento de saúde das pessoas afetadas: vale para 50% do que as bets pagam de imposto.

Sugestões para o Brasil

A diretora de Relações Institucionais do Ieps, Rebeca Freitas, assinala que “uma vez que a proibição ainda não está em pauta”, o instituto sugere cinco caminhos para mitigar os danos das apostas no Brasil:

– Aumentar a parcela da taxação das apostas online destinada à saúde;

– Formar profissionais de saúde no tema para realizar o acolhimento no SUS;

– Proibir propagandas e realizar campanhas nacionais de conscientização;

– Restringir o acesso, principalmente de pessoas com perfil de risco e/ou menores de idade;

– Implementar regras duras para as empresas de apostas, que visem retorno financeiro ao país, inibam a corrupção e possibilitem políticas públicas de monitoramento.

“Se o Estado entende que a legalização é um caminho sem volta, ele precisa mitigar os danos causados pelas empresas de apostas e assegurar mecanismos sólidos de redução de danos”, afirma Rebeca.

Bets contra aumento de imposto

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), entidade fundada em 2023, representa cerca de 75% do mercado brasileiro e reúne as principais empresas de apostas do país.

No perfil de LinkedIn da instituição, há a reprodução de um conteúdo em que a entidade se manifesta contrária ao aumento de tributação. Para o IBJR, “isso pode acabar fortalecendo o mercado clandestino”.

“A oferta legal limitada, impulsionada pela tributação excessiva, fragiliza o setor. Esse desequilíbrio aumenta o risco de operadores licenciados migrarem para o ambiente ilegal, comprometendo tanto a competitividade do mercado regulado, quanto a arrecadação governamental prevista”, registra.

De acordo com o IBJR, mais de 51% das apostas no âmbito virtual no Brasil operam na clandestinidade.

(Da Agência Brasil)

Projeto premiado na Bienal Internacional de Arquitetura propõe passeio elevado sobre o Muro da Mauá

Um passeio ajardinado, com ciclovias e recantos para contemplação, correndo por cima do muro que separa o Cais Mauá do centro histórico de Porto Alegre.

Esse é o projeto que quatro alunos da Faculdade de Arquitetura da UFRGS apresentaram à 14a. Bienal Internacional de Arquitetura, que se realizou em São Paulo em outubro.

Selecionado entre mais de 130 trabalhos inscritos, foi um dos 30 projetos (15 de outros países ) expostos na Bienal e um dos dois premiados com Menção Honrosa (o outro foi de alunos da arquitetura da Universidade de Santa Catarina).

O tema da Bienal era o desafio da arquitetura diante das mudanças climáticas e a necessidade de  tornar as cidades mais resistentes e resilientes frente aos extremos do clima.

Os autores do projeto: Caroline Jan, Guilherme Staub e Fabiane Calistro.
Os autores do projeto:: Fabiane Calistro. Caroline Jan,  Yan Kruchin e Guilherme Staub 

“Escolhemos o muro porque ele chegou ser chamado o muro da vergonha e, afinal, com a enchente de 2024, foi o que evitou uma tragédia maior. Então, pensamos numa solução capaz de integrá-lo à paisagem urbana e ao mesmo tempo amenizar a separação entre a cidade e o Guaiba”, diz Yan Kruchin, um dos autores do projeto, junto com Caroline Jan, Guilherme Staub e Fabiane Calistro.

Eles desenvolveram o projeto sob orientação das Profas. Dras. Maria Paula Recena e Maria Peixoto.

O projeto prevê uma plataforma de 10 metros de largura e 1,2 km de comprimento, com uma estrutura de madeira engenheirada, que é leve e resistente.

Eles se inspiraram na High Line, a antiga linha ferroviária elevada junto ao Porto de Nova York que foi desativada e, depois, transformada num parque linear de 2,5 km, que atraiu para o entorno grandes projetos arquitetônicos e contribuiu para a revitalização de uma região degradada, tornando-se um polo de atração para os milhões de turistas que visitam a cidade.

A High Line de Nova York foi a inspiração

O apoio do IAB/RS viabilizou a inscrição. Os autores bancaram os demais custos da produção.

 

500 mil mulheres tomam a Esplanada dos Ministérios em marcha contra o racismo e a desigualdade

Cerca de 500 mil participaram da 2ª Marcha das Mulheres Negras de 2025, que tomou a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, nesta terça-feira, 25.

Foi “uma grande marcha global” que reuniu, além de mulheres de todas as regiões do Brasil, representante dos países latinoamericanos e caribenhos.

Colômbia, nação com uma das maiores populações negras da América Latina, é o país da cantora e compositora Alba Nelly Mina: “Todas temos o direito ao bem-viver e de estar aqui estamos para apoiá-los porque a luta das mulheres é de todas e importa a todos.”

Diferentemente do Brasil, onde as pessoas que se declaram negras somam cerca de 56% da população, no Uruguai, apenas 10% das pessoas se identificam como afrodescendentes. como Giovana León,  que veio da cidade uruguaia de Canelones.

Giovana relata diferentes violências que as mulheres negras sofrem todos os dias. “A violência principal que vivemos é a racial, que sofrem as crianças e adolescentes e seguem adiante sofrendo em todos os momentos e em todos os lugares onde estamos habitando.”

Para ela, a marcha é necessária. “Porque todas as mulheres têm que ser visibilizadas neste dia e temos o direito de viver uma vida sem violência.”

De Havana, capital cubana, Maydi Estrada Bayona, professora da Faculdade de Filosofia e História da Universidade de Havana, visita o Brasil pela primeira vez. Mas vem de longe a discussão dela acerca de temas relacionados à discriminação e violência contra pessoas negras.

No Peru, conhecido pela presença dos povos originários, também há registro de escravidão negra no período colonial espanhol. A peruana Ernestina Uchoa é descendente de africanos escravizados e direto do distrito de El Carmen, em Chincha (Peru), se juntou a outras integrantes da Rede de Mulheres Afro Latino-americanas, Afro-caribenhas e da Diáspora (RMAAD), uma organização transnacional de combate ao racismo e à desigualdade de gênero através da articulação de políticas e do fortalecimento das lutas das mulheres negras em toda a região.

O ativismo das mulheres negras está presente também em Honduras. Quem viajou milhares de quilômetros e agora engrossa o coro das vozes latino-americanas e caribenhas é a hondurenha Jimena Calderon.

Realizada pela segunda vez, após dez anos, a Marcha das Mulheres Negras – 2025, não se encerra neste 25 de novembro.

À reportagem da Agência Brasil, muitas mulheres relataram que voltam a seus territórios estimuladas a lutar por acesso à saúde, educação de qualidade, emprego e renda, visibilidade em censos e estatísticas, e pelo fim da violência contra mulheres negras.

Nesta quarta-feira (26), todas as mulheres participantes da mobilização ainda podem participar das atividades da Semana por Reparação e Bem-Viver.

Do luto à luta
Durante o ato, a ministra lembrou da irmã, a vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, assassinada em 2000 junto com o motorista dela, Anderson Gomes. Uma das palavras de ordem era “Marielle, presente. Marielle vive.”

Um tapete, com incontáveis fotos de vítimas da violência em favelas do Rio de Janeiro nos últimos anos, foi estendido no chão da concentração da marcha.
Outra participante da marcha, Daniela Augusto, representa o Movimento Mães de Maio na Baixada Santista, em São Paulo. O grupo foi criado a partir de uma série de chacinas e assassinatos, em 2006.

As vítimas eram, em sua maioria, jovens negros, pobres e moradores de periferias. Estima-se que entre 450 e 600 pessoas tenham sido mortas.

Uma grande bandeira do Brasil levada pelas participantes da marcha pedia a indicação de uma mulher negra para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Resistência
Centenas de mulheres quilombolas se manifestaram na marcha para ir além do aspecto histórico de resistência desses espaços. Elas se consideram guardiãs de território e da biodiversidade.

Para essa comunidade, é importante que haja o reconhecimento e a  valorização dos quilombolas e seja dado apoio para que permaneçam em seus territórios. .

Fim da marcha

O encerramento da 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras reforçou a organização das mulheres afro-brasileiras, afro-latinas e afro-caribenhas.

Elas reafirmaram, em Brasília, a luta pela vida sem violência, pela igualdade plena de direitos e oportunidades. E deixaram claro que as pautas são inegociáveis para a construção de um futuro mais justo e democrático

 

Marcha das Mulheres Negras: caravanas de todo o país chegam para manifestação em Brasilia

Caravanas de diversas partes do país vão ocupar, nesta terça-feira (25),  a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para a 2ª Marcha das Mulheres Negras, com o tema “por Reparação e Bem Viver.” A expectativa é reunir 1 milhão de pessoas.

Organizada pelo Comitê Nacional da Marcha das Mulheres Negras, a mobilização nacional busca colocar em pauta os direitos básicos desse segmento da população – como moradia, emprego, segurança -, mas também por uma vida digna, livre de violência e por ações de reparação.

A jornada faz parte da programação da Semana por Reparação e Bem-Viver, de 20 a 26 de novembro, na capital federal, marcada por debates, atividades e apresentações culturais para exaltar o protagonismo das mulheres negras em todo o país.

Segunda edição
A nova edição da Marcha das Mulheres Negras é realizada no mês em que é celebrado o Dia Nacional da Consciência Negra, em 20 de novembro.

O evento ocorre dez anos depois da primeira marcha, em 18 de novembro de 2015, quando mais de 100 mil mulheres negras do Brasil marcharam em Brasília contra o racismo, a violência contra a juventude negra, a violência doméstica e o feminicídio, que vitimam essas mulheres, e pelo bem viver, rejeitando a mera sobrevivência.

Neste ano, as mulheres negras vão marchar pela promoção de mobilidade social, considerando os danos deixados pela escravidão através de séculos, que se tornaram obstáculos ao desenvolvimento econômico dessa população.

Programação 
A programação oficial da 2ª Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, nesta terça-feira (25), tem início às 9h, com concentração no Museu da República, próximo à Rodoviária do Plano Piloto. No mesmo local, haverá uma roda de capoeira e cortejo de berimbaus.

Às 9h também, o Congresso Nacional realizará sessão solene em comemoração à Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem-Viver, no plenário da Câmara.

Por volta das 11h, está agendada a saída da marcha pela Esplanada dos Ministérios.

O jingle oficial da marcha, que promete embalar as mulheres na caminhada rumo ao gramado do Congresso Nacional, já está no ar. com a frase “Mete marcha negona rumo ao infinito. Bote a base, solte o grito! Bem-viver é a nossa potência, é a nossa busca, é reparação!”

Às 16h, o público poderá conferir os shows de artistas que representam a diversidade da produção cultural negra no Brasil. As cantoras são engajadas com as pautas da temática da negritude, do antirracismo e do feminismo. São elas: Larissa Luz, Luanna Hansen, Ebony, Prethaís, Célia Sampaio e Núbia.

Espaço de articulação
A marcha de 2025 ultrapassa as fronteiras do Brasil. Para fortalecer a articulação global, a manifestação reunirá mulheres negras em diáspora (imigração forçada de africanos), e do continente africano, comprometidas com a construção de um futuro livre das violências impostas pelo racismo, pelo colonialismo e pelo patriarcado.

Afrocaribenhas
Lideranças negras do Equador estão em Brasília para participar da Marcha de 2025. O objetivo é, de acordo com o grupo equatoriano, aprofundar e visibilizar as lutas das mulheres afrolatinas, afrocaribenhas e da diáspora.

Elas estão focadas no fortalecimento da articulação regional e global das mulheres negras, na recuperação da memória e visibilidade das mulheres afrolatinas em todos os níveis e no  fortalecimento político, por meio do posicionamento coletivo dos direitos das mulheres.

A ativista de San Lorenzo (Equador) e membro da Confederação Comarca Afro-equatoriana do Norte de Esmeraldas (Cane), Ines Morales Lastra, explica que elas defendem os direitos coletivos e dos territórios ancestrais do povo afro-equatoriano e que viajaram a Brasília para somar na luta feminina. “Marcharemos para ecoar a firmeza de nossa voz e nossas demandas, porque são nossas as vozes de nossas avós.”

Lélia Gonzalez
Quem também participará da 2ª Marcha das Mulheres Negras é Melina de Lima, neta da antropóloga Lélia Gonzalez, falecida em 1994, aos 59 anos.

No último dia 10, Melina esteve em Brasília para receber, em nome de Lélia Gonzalez, o título de Doutora Honoris Causa concedido pela Universidade de Brasília.

Lélia foi uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado. A ativista é referência nos estudos e debates de gênero, raça e classe no Brasil, na América Latina e no mundo.

Ela é considerada uma das principais autoras do feminismo negro no país e foi a criadora de conceitos como “amefricanidade” e “pretuguês”.

“Amefricanidade” é um conceito que se refere à condição dos povos negros nas Américas, unindo ancestralidades africanas e ameríndias para descrever uma identidade política e cultural específica. O termo questiona a dominação colonial e o racismo que persistem após a escravidão,

O “Pretuguês” é o termo para descrever as influências das línguas africanas na língua portuguesa falada no Brasil.

Atualmente, Melina de Lima é diretora de educação e cultura do Instituto Memorial Lélia Gonzalez e cofundadora do projeto Lélia Gonzalez Vive.

Meninas e mulheres negras
As meninas e mulheres negras são o maior grupo populacional do país.

De acordo com o Ministério da Igualdade Racial (MIR), elas somam 60,6 milhões de pessoas, divididas entre pretas (11,30 milhões) e pardas (49,30 milhões).

O total corresponde a cerca de 28% da população geral do país.

 

Investigação sobre contrabando de armas chega às conexões do crime organizado com a política no Rio

Vai completar cinco anos neste 23 de novembro um inquérito da PF sobre o contrabando de armas que alimenta as facções do crime organizado no Brasil.

Uma operação de rotina deu origem às investigações, em 2020.

Um ônibus de turismo procedente de São Paulo, com destino a Poções no interior da Bahia, foi parado por agentes da Polícia Rodoviária, na BR 116, já em território baiano.

Em duas mochilas, os policiais encontraram 23 pistolas calibre 9 mm, fabricadas na Croácia. As investigações desde então revelaram um esquema criminoso que introduziu mais de 40 mil armas clandestinas no Brasil.

O fio puxado pela Polícia Federal a partir das pistolas apreendidas já levou para a cadeia dois generais paraguaios, além de chefes do tráfico, contrabandistas de armas e até um delegado da PF, envolvido com a quadrilha.

Só em setembro passado, porém, a PF tocou nas conexões do crime organizado com o mundo político no Rio de Janeiro,  quando foram presos o, então deputado estadual pelo MDB, Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, e o ex-secretário estadual de Esporte e Lazer do Rio, Alessandro Carracena.

O deputado, segundo a PF, era um “braço político da facção, defendendo os interesses dos criminosos junto aos órgãos do estado”.

Em longa reportagem neste domingo, o jornal  Extra, do Rio, conclui que “as investigações ainda parecem longe do fim” e que os investigadores “tentam avançar sobre a conexão entre o CV e seus contatos no poder público”.

Foram três tornados com velocidade de até 330 km/hora que causaram destruição no Paraná

O Sistema de Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) atualizou seus dados nesta segunda-feira (10), e confirmou: três tornados atingiram cidades da região central do estado na sexta (7).
Rio Bonito do Iguaçu, que teve 90% dos imóveis destruídos, foi o município mais atingido,  mas também em Guarapuava (a 130 quilometros) e Turvo (a 166 km), registraram os fenômenos, com muitos estragos.

A princípio, a medição tinha apontado que os ventos chegaram a até 250 km/h, mas, nesta segunda, a velocidade foi atualizada para até 330 km/h.

As novas informações foram divulgadas após técnicos do órgão irem até as cidades e juntarem as informações coletadas in loco com as geradas por sistemas de análise.

“As análises foram feitas, além do trabalho em cima dos radares, com vídeos, sobrevoos e vistorias em solo. A equipe técnica segue realizando estudos e análises de outras ocorrências suspeitas”, esclareceu o Simepar.

Veja a explicação do órgão:
– Por volta das 18h, uma tempestade supercelular atingiu Rio Bonito do Iguaçu, provocando danos significativos na área urbana. Foi um tornado de categoria F3 na escala Fujita, com ventos estimados entre 300 km/h e 330 km/h.
– Na sequência, outras duas tempestades severas também geraram tornados. Uma foi em Guarapuava, especialmente na região do distrito de Entre Rios, classificada como F2, com ventos próximos de 250 km/h.
-A outra foi em Turvo, ao sul da área urbana central, também classificada como F2, com ventos ao redor de 200 km/h.

Registro do radar em Rio Bonito. Foto: Semapar/reprodução

 

Imagem do tornado em Guarapuava. Foto: Simepar/Reprodução
O tornado nas imagens do Radar em Turvo. Foto Simepar/Reproduçao

Tornado deixou seis mortos no Paraná; 32 pessoas seguem internadas

Ainda não há um balanço dos prejuízos causados em Rio Bonito do Iguaçu (PR), a mais afetada entre as 11 cidades de região centro-sul paranaense, atingidas por um tornado na madrugada da última sexta-feira, 7/11.

De acordo com a Defesa Civil, 90% da área urbana de Rio Bonito do Iguaçu foi atingida.

O tornado deixou seis mortos, cinco em Rio Bonito do Iguaçu e uma em Guarapuava, na mesma região..

Urgências

Embora ainda não tenha a extensão total do desastre, o ministro Valder Góez, do Desenvolvimento, defendeu a alocação de recursos emergenciais  para retomada dos serviços essenciais.   

Segundo Góes,  as prefeituras devem solicitar recursos de emergência antes mesmo de ter o balanço total da destruição. “Se há uma informação de uma escola que foi destruída e já existe um orçamento da área construída que precisa ser feita, já é possível empenhar esse recurso”.

O ministro ainda pediu união das três esferas de governo (União, Estado e municípios) para agilizar o atendimento das necessidades das pessoas.

Outra ação imediata do governo foi a mobilização de uma equipe da Força Nacional do SUS  composta por médico sanitarista, enfermeiro, analista de recursos logísticos, analista de incidentes e reconstrução assistencial e especialista em saúde mental em desastres.

Em relação à energia elétrica, a empresa responsável pela distribuição de energia no Paraná (Copel), informou que restabeleceu 49% da rede elétrica de distribuição de energia de Rio Bonito do Iguaçu.

O governador do Paraná, Ratinho Junior, decretou estado de calamidade em Rio Bonito do Iguaçu. A decisão permite ao governo local executar gastos emergenciais sem as restrições normais do orçamento, além de facilitar acesso a verbas federais

Trinta e duas pessoas seguem internadas em hospitais do Paraná, vítimas da passagem de um tornado pelo estado, na última sexta-feira (7).

De acordo com boletim da Secretaria estadual de Saúde, divulgado no fim da manhã de domingo (9), quatro pacientes estão em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), “mas nenhum caso grave”.

Ventos de mais de 250 quilômetros por hora atingiram a cidade de 14 mil habitantes, que fica no Centro-Sul paranaense, 400 km ao leste da capital, Curitiba.

De acordo com a Defesa Civil, 90% da área urbana de Rio Bonito do Iguaçu sofreram algum estrago na infraestrutura.

A Secretaria de Saúde atualizou para 835 o número de atendimentos médicos. O socorro aos feridos ficou concentrado na cidade vizinha de Laranjeiras do Sul.

O Corpo de Bombeiros informou que não há registro de desaparecidos, e as buscas foram encerradas.

O trabalho das equipes agora é direcionado à reorganização de serviços essenciais, como abastecimento de água e luz, além de distribuição de alimentos e água potável.

Metade sem luz
A Copel, empresa responsável pela distribuição de energia no Paraná, informou que restabeleceu 49% da rede elétrica de distribuição de energia de Rio Bonito do Iguaçu. No sábado (8), a companhia tinha informado que 3.790 endereços estavam sem luz em Rio Bonito do Iguaçu, o que representava cerca de 75% do total de clientes na cidade.

Quase 2 mil casas e estabelecimentos estão sem energia. A Copel detalhou que já foram religadas estruturas prioritárias de urgência, como o Centro de Comando da Defesa Civil, o posto de saúde e o Centro do Idoso.

O número de postes destruídos passa de 300. “As redes elétricas vão ter que ser construídas do zero em boa parte da cidade”, afirma comunicado da empresa.

Mais de 200 eletricistas, técnicos e projetistas atuam no esforço de emergência.

Em todo o estado, a Copel informa que restabeleceu a rede elétrica em 90% dos endereços que tiveram interrupção. Cerca de 14,9 mil clientes ainda precisam de reparos, sendo a grande maioria no norte paranaense (12,7 mil).

Municípios atingidos
De acordo com a última atualização da Defesa Civil do Paraná, no começo da manhã deste domingo, 12 municípios foram atingidos pela passagem do tornado: Candói, Cantagalo, Cruzeiro do Iguaçu, Foz do Iguaçu, Guaraniaçu, Guarapuava, Londrina, Matinhos, Porto Barreiro, Rio Bonito do Iguaçu, Turvo e Umuarama.

Foram afetadas 14.751 pessoas – por exemplo, ficaram sem energia elétrica, água ou comunicações, sendo 11.785 em Rio Bonito do Iguaçu.

O número de desalojados (foram para casa de parentes ou amigos) chega a 1.060, e 28 estão desabrigadas (pessoas em abrigos públicos).

O boletim aponta que 704 casas foram danificadas, sendo 620 em Porto Barreiro. Quinze domicílios foram destruídos, todos em Guarapuava.

O Ministério da Saúde enviou no sábado uma equipe da Força Nacional do SUS para Rio Bonito do Iguaçu. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou as redes sociais para prestar solidariedade aos atingidos.

Prioridade nas favelas: Saúde (42%), Educação (31%) e Segurança (21%)

Uma pesquisa para o jornal Extra, do Rio, mostra que a maior prioridade dos moradores das favelas não é a segurança, mas a saúde e, em seguida, a Educação.

Foram ouvidas 482 pessoas entre os dias 24 de setembro e 29 de outubro, moradoras de diferentes regiões.

Saúde é a área em que os entrevistados mais querem ver melhorias na comunidade onde vivem: foi apontada por 42% deles.

Educação vem em seguida, com 31%. Segurança, com 21% fica em terceiro. A percepção de que a segurança seria a demanda mais urgente, depois das 121 mortes na operação contra o Comando Vermelho, há uma semana não se confirma.

“O que se confirma é que ouvir as favelas deveria uma ação fundamental de qualquer gestor e formulador de políticas públicas”, disse o historiador Edson Diniz, fundador e ex-diretor da ONG Redes da Maré.

A mobilidade também precisa melhorar muito, segundo os moradores. Mais de 80% dos entrevistados levam até duas horas por dia em seus deslocamentos para o trabalho ou estudo.

A pesquisa quis saber o índice de satisfação dos moradores com o Rio de Janeiro: 44% declararam estar insatisfeitos por viver na “cidade maravilhosa”.

(Com informações do Extra)

Empresário condenado a indenizar Lula por danos morais

Luciano Hang, o “véio da Havan”, foi condenado a pagar  33 mil reais ao presidente Lula, por danos morais. No verão de 2020, o empresário fez aviões sobrevoarem as praias de Santa Catarina com faixas ofensivas:

“Lula cachaceiro, devolva meu dinheiro”.

“Lula na cadeia, eu com o pé na areia”,

“Melhor que verão é o Lula na prisão”,

“Lula enjaulado é o Brasil acordado”.

Lula recém havia recuperado a liberdade depois de mais de 500 dias de prisão.

O juiz na primeira instância, concluiu que se tratava de “liberdade de expressão”. Pessoa pública, Lula estava “sujeito a críticas” e não acolheu a denúncia. Em recurso, o Tribunal de Justiça do Estado, reconheceu a denúncia e  condenou Hang, dono da rede de lojas Havan, por danos morais a Lula.

O desembargador Flávio André Brum considerou que, embora dirigidas a uma pessoa pública, as mensagens “são censuráveis e não tinham interesse público”.

Hang já tem uma condenação pelo Tribunal Superior Eleitoral e está inelegível até 2028, por abuso de poder econômico na eleição de 2020.

Guerra no Rio: moradores expõem corpos em praça para facilitar reconhecimentos; mortos são mais de 100

O corpos, recolhidos durante a noite, estavam na área de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde se concentraram os confrontos entre as forças de segurança e traficantes. No total, já foram contados 128 mortos.
“Em 36 anos de favela, passando por várias operações e chacinas, eu nunca vi nada parecido com o que estou vendo hoje. É algo novo. Brutal e violento num nível desconhecido”, disse o ativista Raull Santiago, um dos que ajudaram a retirar os corpos da mata, em entrevista ao G1.
O traslado dos corpos até a praça, segundo moradores, foi para facilitar o reconhecimento por parentes. Moradores os deixaram sem camisa para deixar à mostra tatuagens, cicatrizes e marcas de nascença, que podem facilitar o reconhecimento
Muitos dos mortos tinham feridas a bala – alguns estavam com o rosto desfigurado.
Depois, a Polícia Civil informou que o atendimento às famílias para o reconhecimento oficial ocorrerá no prédio do Detran localizado ao lado do Instituto Médico-Legal (IML) do Centro do Rio.
Nesse período, o acesso ao IML será restrito à Polícia Civil e ao Ministério Público, que realizam os exames necessários. As demais necropsias, sem relação com a operação, serão feitas no IML de Niterói.

(Com informações do G1, Extra e Agencia Brasil)