Fiscal do Carrefour é presa temporariamente por participação no assassinato de Beto

A Polícia Civil pediu e a justiça decretou a prisão temporária de Adriana Alves Dutra, 51 anos, pelo prazo de 30 dias, prorrogável pelo mesmo período. O pedido feito pela polícia e ratificado pelo Ministério Público foi inicialmente pela prisão preventiva de Adriana, que é investigada pela participação na morte de João Alberto Silveira Freitas, na última quinta-feira, 19/11, no supermercado Carrefour da zona norte de Porto Alegre.

Agente de fiscalização do supermercado, Adriana é vista em vídeos da morte de João Alberto andando ao redor da vítima e parece falar por meio de um rádio. Ela ainda é flagrada tentando impedir as filmagens e discute com outros clientes. A funcionária, que aparece em imagens de camisa branca, calça preta e crachá, ameaça pessoas que gravavam o fato. “Não faz isso, não faz isso senão vou te queimar na loja”, diz.

Adriana se apresentou no Palácio da Polícia nesta terça-feira e foi avisada da prisão. Para a delegada Roberta Bertoldo, ela é a superior hierárquica dos homens que espancaram e asfixiaram a vítima, os seguranças Marcos Braz Borges e Giovane Gaspar da Silva, que já estão presos desde a noite do assassinato. A fiscal é investigada por homicídio doloso triplamente qualificado, assim como os seguranças.

Adriana Alves Dutra teria acionado os dois acusados, que faziam a segurança do estabelecimento naquela noite, para conduzir a vítima para fora da loja, onde ele foi agredido e morreu. A polícia informou que a suspeita deixou a casa onde mora logo após o fato, sem informar onde estava, o que também sustentaria o pedido de prisão. A Advogada dela afirmou que Adriana saiu de casa por se sentir ameaçada.

A Juíza Cristiane Busatto Zardo esclareceu que é preciso verificar a participação de Adriana Alves Dutra e, talvez, de outras pessoas neste caso. A magistrada disse que não afasta a necessidade, mas antes de se cogitar a prisão preventiva, é preciso investigar melhor a posição da representada nos fatos. “Entendo, assim, que a prisão temporária se mostra mais adequada, neste momento, permitindo à Autoridade Policial que colha os elementos que forem necessários e possíveis aos esclarecimentos dos fatos”. A justiça também esclareceu que a prisão não viola a lei eleitoral, já que a mulher é moradora da Região Metropolitana, em cidade que não terá segundo turno.

A Polícia Civil também investiga a possível participação de outras pessoas no crime e pretende esclarecer o motivo do soco que João Alberto deu em um dos seguranças, o que desencadeou a reação abusiva dos seguranças, e se há registros de outros desentendimentos de Beto ocorridos no supermercado.

ONU pede investigação independente da morte

A alta comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, pediu às autoridades brasileiras que seja investigada de maneira “rápida, completa, independente, imparcial e transparente” a morte de João Alberto Silveira Freitas.

Em comunicado, a porta-voz da alta comissária, Ravina Shamdasani, disse que a morte de João Alberto “é um exemplo extremo, mas infelizmente muito comum, da violência sofrida pelos negros no Brasil”, onde há “persistente discriminação estrutural”. Segundo ela, Bachelet salienta que é preciso apurar se o crime foi motivado por preconceito racial.

A morte ocorreu na noite de quinta-feira (19), véspera do Dia da Consciência Negra, no supermercado Carrefour, em Porto Alegre.

Conforme a porta-voz da alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, o racismo, a discriminação e a violência contra afrodescendentes no Brasil “são documentados por dados oficiais, que indicam que o número de vítimas afro-brasileiras de homicídio é desproporcionalmente maior do que outros grupos”.

Vice na sombra: Bruno Covas e Sebastião Melo têm algo em comum

No debate do Roda Viva desta segunda-feira, 23/11, na TV Cultura, foi levantada mais uma vez a questão do vice que o candidato Bruno Covas tenta manter na sombra durante sua campanha à reeleição como prefeito de São Paulo.

O vereador Ricardo Nunes, do MDB, vice na chapa de Covas, tem registro policial de violência contra a mulher e uma investigação no Tribunal de Contas por suspeita de superfaturamento em creches alugadas à prefeitura. Estas acusações já foram publicadas pelo blogueiro Felipe Neto e motivaram um processo, mas a Justiça não mandou retirar as denúncias do ar.

Covas, no Roda Viva, voltou a repetir que não há nada provado contra seu vice e que ele está sendo atacado porque é uma figura popular. Mas a verdade, como comentaram os entrevistadores do programa, é que Covas só fala do vice quando questionado.

Enquanto seu adversário, Guilherme Boulos, não perde oportunidade de mencionar a sua vice, Luiza Erundina, Covas não cita o vice nem na propaganda.

Nisso se parece ao candidato Sebastião Melo, do MDB, cujo vice Ricardo Gomes, atual DEM, também fica na sombra e mal aparece na propaganda eleitoral.

Fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), Gomes foi eleito vereador na esteira das manifestações de apoio ao impeachment de Dilma Roussef e defendendo uma política liberal e a favor de privatizações. Com histórico em atuação e promoção de sociedades empresariais ligadas ao liberalismo, presidiu o Instituto de Estudos Empresariais (IEE), associação que reúne empresários, forma lideranças políticas e realiza eventos como o Fórum da Liberdade.

O vice de Melo foi secretário de Desenvolvimento Econômico de Marchezan, mas brigou e rompeu com o atual prefeito ao discordar da lei que modificou o IPTU na Capital gaúcha. Ricardo Gomes é contra o projeto, que classifica como aumento abusivo de imposto. Eleito pelo PP, trocou de partido e está no DEM, e foi o indicado para vice de Melo.

Gomes já denominou a chapa como de “centro-direita” e age como ligação ao empresariado gaúcho liberal e com forças próximas ao bolsonarismo, ainda que ele, Gomes, não se declare abertamente apoiador do presidente da República.

A eleição no segundo turno ocorre no próximo domingo, dia 29. Em Porto Alegre disputam o voto Sebastião Melo (MDB) e Manuela D’Ávila (PCdoB), que tem como vice em sua chapa Miguel Rosseto (PT).

 

Sinais de virada em São Paulo: Boulos segue subindo, Covas perde força na reta final

A seis dias da eleição, a pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira aponta sinais de virada em São Paulo,  com o candidato do PSOL, Guilherme Boulos mantendo a forte tendência de alta e o prefeito Bruno Covas (PSDB) em queda.

De acordo com a pesquisa, Boulos ganhou cinco pontos em uma semana, chegando a  40% das intenções de voto, enquanto  Covas se manteve nos mesmos 48%, do levantamento realizado nos dias 17 e 18.

A pesquisa mostra que a Boulos conseguiu o voto de pessoas que antes diziam votar branco ou nulo.

A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Considerando os votos válidos, que exclui brancos, os nulos e os eleitores que se declaram indecisos, Boulos oscilou 42% para 45% dos votos válidos, enquanto Covas oscilou negativamente de 58% para 55%.

Este é o critério usado pela Justiça Eleitoral determinar o resultado oficial da eleição. Para vencer no 2º turno, um candidato precisa de 50% dos votos válidos mais um voto.

A principal diferença do segundo turno para o primeiro é o tempo de TV, que passou a ser dividido de forma igualitária entre os candidatos. No primeiro turno, ancorado em sua coligação de dez partidos, Covas teve 3 minutos e 29 segundos no horário eleitoral de TV, contra 17 segundos de Boulos.

Boulos cresceu em intenções de voto sobretudo nos estratos mais jovens do eleitorado: ele cresceu 6 pontos entre os eleitores de 16 a 24 anos e três pontos entre os eleitores de 25 a 34 anos.

Covas, entretanto, mantém sua vantagem em todos os recortes de renda familiar: vence tanto entre os mais ricos quanto entre os mais pobres. Guilherme Boulos, por outro lado, tomou a dianteira entre os eleitores com ensino superior.

O Datafolha mostra que o atual prefeito recebeu a maior fatia de votos dos principais concorrentes de ambos no primeiro turno: 45% dos eleitores de Márcio França vão votar em Covas e 72% dos eleitores de Russomanno votarão no tucano.

A pesquisa foi realizada no dia 23 de novembro, ouviu 1.260 pessoas na cidade de São Paulo e foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral com o número SP-0985/2020. O nível de confiança utilizado é de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem o atual momento eleitoral, considerando a margem de erro.

 

Eleições 2020: a influência dos protestos às vésperas do voto

A morte de Carlos Alberto de Freitas, negro de 40 anos, espancado e asfixiado por dois seguranças do Carrefour em Porto Alegre, ganhou manchetes e motivou protestos antirraciais por todo o mundo.

No supermercado onde ocorreu o crime, houve manifestações já na sexta-feira, com forte repressão policial e no fim de semana vários atos de protesto denunciaram o racismo e a violência.

O tema contaminou a campanha eleitoral na sua reta final. No mesmo dia, Manuela e Melo participaram de atos contra o racismo.

A morte de João Alberto abriu o horário eleitoral de televisão, no primeiro dia de exibição no segundo turno, quando os dois candidatos renderam homenagens.
Melo dedicou dois dos cinco minutos do programa da noite de sexta-feira ao caso. O vídeo iniciou com uma mensagem: “Porto Alegre está de luto”.
Em seguida, o próprio candidato lamentou o fato: “20 de novembro é o Dia da Consciência Negra. É com profunda tristeza que em um dia tão emblemático, Porto Alegre se depare com mais um episódio de violência”.
E completou: “A Porto Alegre que queremos é de paz, igualdade, dignidade e respeito para todos, independente de cor, gênero, religião, ideologia ou partido político”.
Manuela encerrou o programa da noite de sexta-feira com uma homenagem. E dedicou todo o programa de sábado ao caso. A peça começou com uma série de imagens de pessoas negras em Porto Alegre e a citação de estatísticas sobre assassinatos e violência contra negros.
O programa teve imagens do protesto em frente ao Carrefour, com pedidos de justiça, e falas sustentando que a morte de João Alberto não é um caso isolado. Políticos negros também citaram casos de racismo pelos quais passaram, falando em racismo estrutural.
Os cinco vereadores negros eleitos para a próxima legislatura em Porto Alegre – Karen Santos (PSOL), Matheus Gomes (PSOL), Laura Sito (PT), Bruna Rodrigues (PCdoB) e Daiana Santos (PCdoB) – também protestaram em frente ao Carrefour na sexta-feira, pedindo justiça.

Qual será a influência deste fato, de repercussão internacional,  junto ao eleitor que vai domingo às urnas decidir entre Manuela d’Ávila e Sebastião Melo?

Esta é a pergunta que vai marcar a semana decisiva das eleições de  2020 em Porto Alegre.

 

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Porto Alegre 2020: um crime nas manchetes do mundo inteiro

A morte de João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, espancado por seguranças de um supermercado Carrefour em Porto Alegre, ganhou manchetes nos jornais mais influentes  do mundo – dos Estados Unidos, da  Europa e da Ásia..

Destaque tanto para o fato em si quando para os protestos que se seguiram, sobretudo em São Paulo, onde uma loja do Carrefour foi depredada.
O  Washington Post, da capital americana, publicou
:”Morte de João Freitas, agredido por seguranças do Carrefour, enfurece o Brasil”,
Outra reportagem relata os protestos em todo o Brasil: “Morte na véspera do Dia da Consciência Negra no Brasil desencadeia fúria.”

 

A agência de notícias Bloomberg deu ênfase aos protestos: “Brasileiros protestam após homem negro ser morto em loja do Carrefour”.

Na França, o jornal Le Monde também deu destaque ao nome da empresa, de origem francesa: “Indignação no Brasil após um negro ser morto por dois agentes de segurança em um Carrefour”.

A rede de TV BBC e o “Guardian”, do Reino Unido, além do “El País”, na Espanha, destacaram a morte  e os protestos, bem como a agência Deutsche Welle, da Alemanha.

Inevitável em todos os veículos a comparação com o caso George Floyd, também negro e também morto por dois policiais brancos em Minnieapolis, nos Estados Unidos., em maio deste ano.
A notícia também ganhou espaço em veículos da Ásia, como a rede de TV árabe Al Jazeera, baseada no Qatar, e o jornal South China Morning Post, de Hong Kong.

João Freitas, negro de 40 anos, mais uma vítima do racismo estrutural

O assassinato um homem negro espancado até a morte por seguranças brancos no estacionamento do hipermercado Carrefour, faz voltar-se para Porto Alegre o foco dos movimentos antirracistas do mundo inteiro.

João Alberto Freitas, de 40 anos, ao desentender-se com uma funcionária do mercado provocou uma explosão do racismo estrutural por parte de dois seguranças que foram chamados para retirá-lo do local.

As circunstâncias do crime ainda não estão esclarecidas, mas os primeiros relatos indicam que após o suposto desentendimento com uma funcionária do local, Freitas foi levado para o estacionamento do supermercado. Ele teria se irritado com a atitude agressiva dos guardas e dado um soco num deles.

Os vigilantes revidaram e, mesmo depois de terem dominado o homem, seguiram espancando-o com socos e ponta pés. Mesmo com pessoas gritando: “Estão matando o cara”… eles não pararam.

Os dois guardas envolvidos foram presos em flagrante. Conforme a Brigada Militar, um deles é policial militar temporário. Vídeos mostram Freitas sendo agredido com vários socos na cabeça, mesmo após ter sido imobilizado.

A 2ª Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (2ªDPHPP) da Polícia Civil investiga o assassinato. A morte ocorreu dentro do hipermercado Carrefour, localizado na avenida Plínio Brasil Milano, em Porto Alegre.

A titular da 2ª DPHPP, delegada Roberta Bertoldo, explicou nesta sexta-feira que a motivação para a vítima ser agredida e morta ainda está sendo investigada.

“O que nós temos sobre esse caso é que aconteceu algum tipo de incidente que não está ainda completamente esclarecido”, disse, referindo-se ao que originou o espancamento. Ela já adiantou a linha da apuração do crime. “É homicídio triplamente qualificado”, adiantou.

Conforme Roberta, as primeiras informações recebidas relatam que o cliente foi conduzido pelos seguranças até o lado externo do estabelecimento. “Ao passar pela porta giratória e acessar o estacionamento, a vítima desferiu um soco nos seguranças e a partir de então esses dois começaram a agredir severamente a vítima até que  infelizmente entrasse em óbito”, relatou, acrescentando que ocorreu  excesso na condução da situação dos seguranças. “Incompreensível para qualquer pessoa”, frisou.

Todos os envolvidos, inclusive funcionários e testemunhas, devem prestar depoimentos e apresentarem as respectivas versões.

“Precisamos ouvir testemunhas que tenham presenciado o ocorrido”, observou. “Quem não impediu a agressão responde também, ao meu ver… A moça de camisa branca é a fiscal com a qual a vítima teria se desentendido, mas não está confirmado isso ainda. Ela não impediu as agressões e ainda ameaçou pessoas para que não filmassem”, completou a delegada Roberta.

As imagens das câmeras do estabelecimento e de celulares que gravaram o espancamento, vistas nas redes sociais, serão analisadas. “Imagens com maior amplitude de horário serão coletadas”, garantiu.

Laudos do Instituto-Geral de Perícias (IGP) estão sendo aguardados para esclarecer a causa da morte. A titular da 2ª DPHPP lembrou que a vítima estava pressionada no chão com duas pessoas em cima.

A esposa da vítima estava fazendo compras junto. Em depoimento na delegacia, ela contou que o casal estava no caixa e o marido “teria feito algum gesto” para uma fiscal, mas a delegada Roberta Bertoldo considerou que não justificaria a agressão. A titular da 2ª DPHPP ressaltou que, por enquanto, não existem indicativos de que a vítima tenha agredido alguém dentro do hipermercado.

 

Lei Kandir: Senado aprova lei que consagra o calote aos Estados

O Senado aprovou, nesta quarta-feira (18), o Projeto de Lei Complementar (PLP) 133/2020, que trata da reposição de perdas de arrecadação dos Estados em virtude da Lei Kandir, de 1996.

Trata-se de um assunto antigo, que tem colocado estados e União em lados opostos, em uma briga que chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF).  A matéria segue para a Câmara dos Deputados.

O projeto prevê o pagamento de R$ 62 bilhões da União para os Estados, a título de compensação pelas perdas de arrecadação na época da Lei Kandir, de 1996.

Na verdade, com essa lei fica consagrado, 35 anos depois, um calote da União, pois os valores devidos aos Estados a título de ressarcimento chegaria aos R$ 500 bilhões. Só o Rio Grande do Sul, grande exportador de produtos agrícolas, teria para receber mais de R$ 60 bilhões.

A lei prevê o ressarcimento de R$ 58 bilhões em 15 anos, até 2037. Os outros R$ 4 bilhões ficam condicionados à realização do leilão de petróleo dos blocos de Atapu e Sépia, na Bacia de Santos (SP).

Entre 2020 e 2030 serão R$ 4 bilhões ao ano. A partir de 2031, haverá uma redução de R$ 500 milhões ao ano até zerar a entrega a partir de 2038.

Os Estados ficarão com 75% dos recursos, e os municípios, com os 25% restantes.

Outros R$ 3,6 bilhões, que totalizariam R$ 65,5 bilhões, serão repassados caso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Pacto Federativo seja aprovada.

O tema chegou a ser discutido no plenário do Senado em agosto, mas não houve acordo. Vários líderes foram contrários a um artigo que extingue o Fundo Social, cuja principal fonte de recursos é a parcela do óleo excedente devida à União nos contratos de partilha de produção do petróleo nas áreas do pré-sal.

O Fundo Social seria, originalmente, o financiador dessa reparação, já que parte desse fundo fica armazenada para amenizar o déficit fiscal da União e outra parte é usada para financiar o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

Como muitos senadores se mostraram contrários à extinção do Fundo Social, o relator da matéria, Antonio Anastasia (PSD-MG), decidiu excluir o artigo que previa essa extinção, mantendo o Fundo Social. Assim, foi possível aprovar o texto.

Histórico
Em 1996, os Estados exportadores abriram mão do ICMS sobre os produtos agrícolas destinados à exportação, para tornar os produtos nacionais mais competitivos no exterior.

A lei leva o nome do então ministro do Planejamento, Antônio Kandir. Os Estados deveriam ter sido ressarcidos como contrapartida, mas isso não ocorreu.

Em 2003, a Constituição sofreu uma emenda que previa a aprovação de uma lei complementar com critérios para que a União compensasse a perda de arrecadação dos Estados. Dez anos depois, em 2013, a lei complementar ainda não havia sido aprovada.

Foram anos de impasse entre a União e os Estados. Esse impasse foi desfeito após um acordo mediado pelo STF, que determinou o pagamento de R$ 58 bilhões até 2037. A determinação do Supremo consta no PLP 133/2020.

(Com informações da Agência Brasil)

Desafio de Manuela e Melo é conquistar os 400 mil que não votaram no primeiro turno

O resultado lógico da eleição municipal em Porto Alegre, no segundo turno, seria uma derrota da candidata Manuela Dávila, do PSOL, frente a Sebastião Melo, do PMDB.

Começa pelo desempenho dos candidatos até aqui.

Manuela que liderou com folga desde o início da campanha, chegou a ter 40% das intenções de voto na reta final do primeiro turno.

O resultado das urnas, que lhe deram 29% dos votos válidos, indica perda de dinamismo numa trajetória que era, até então, ascendente a ponto de alimentar ilusões de liquidar a disputa ainda no primeiro turno.

Seu adversário, ao contrário. Ao longo da campanha patinou em torno dos 10% nas intenções de voto, numa disputa acirrada pelo segundo lugar com José Fortunati, do PTB,  e com o prefeito Nelson Marchezan, do PSDB.

A saída de Fortunati, numa decisão intrigante, para aderir à candidatura Melo, teve o efeito esperado, com a maciça transferência de votos que o levaram aos 31% e à vitória no primeiro turno, ao qual chegou em trajetória ascendente.

Costuma-se dizer que o segundo turno é uma outra eleição, pois o rearranjo de forças pode alterar significativamente o quadro da disputa.

Nesse caso, Sebastião Melo, já favorecido pelos votos do PTB de Fortunati, tende a ampliar o arco de alianças, ganhando o apoio da oito dos 12 partidos que disputaram o primeiro turno. Inclusive parte dos eleitores de Marchezan, que vai ficar neutro, tendem, pela força do anti-petismo, a votar em Melo.

Já Manuela, candidata de um partido pequeno, o PCdo B, tem como base de sua candidatura a força eleitoral do PT, partido do seu vice, Miguel Rossetto. Terá no segundo turno o apoio do PSOL, que no primeiro turno concorreu com Fernanda Melchiona.

A votação de Fernanda Melchiona, cerca de 28 mil votos, comparada ao desempenho dos vereadores do PSOL (os campeões de votos nesta eleição), mostra que parte dos psolistas já praticou o voto útil e votou em Manuela, no primeiro turno.

Em todo caso, são mais de 4%dos votos  que tendem a ir em massa para Manuela, que contará também com a militância dos puxadores de voto do PSOL –  como Karen Santos, Pedro Ruas e Roberto Robaina.

Manuela terá também uma parte dos votos do PDT (6,5% do total), pois os trabalhistas mais à esquerda tendem a não votar em Melo, cujo espectro de alianças inclui até os bolsonaristas da extrema direita.

Essa é a lógica que indica o favoritismo de Melo na eleição do dia 29, em Porto Alegre. No entanto, as disputas eleitorais em segundo turno nem sempre respeitam a lógica.

Uma das razões pelas quais se diz que o segundo turno é uma outra eleição é a chance de um debate mais direto e mais claro entre os dois oponentes, que terão também tempos iguais na propaganda eleitoral no rádio e na televisão.

Há que considerar também a influência de fatores externos, como é o caso da eleição em São Paulo, onde Guilherme Boulos, do PSOL, caminha para ser o maior fenômeno eleitoral do país neste segundo turno.

Em todo caso, o desafio principal de ambos será mobilizar os mais de 40% dos eleitores que não foram votar (33%) ou votaram  em branco ou nulo. Esse contingente, que soma mais de 430 mil eleitores, se tivesse votado num único candidato teria ganho a eleição no primeiro turno.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Melo e Manuela vão ao 2º turno em Porto Alegre

Com 100% dos votos apurados, está decidida a disputa do segundo turno na Capital gaúcha. Sebastião Melo (MDB) e Manuela D’Ávila (PCdoB) vão disputar a prefeitura de Porto Alegre no próximo dia 29.

Melo teve 31,02%, somando 200.280 votos, contra 29% de Manuela, que teve 187.262 votos. A diferença entre os candidatos ficou em pouco mais de 13 mil votos.

O atual prefeito, Nelson Marchezan Júnior (PSDB), que tentava a reeleição amargou o terceiro lugar, com 21,07% (136.063 votos).

O total de votos válidos foram de 645.755, 89,13%. E ainda brancos somaram 5,06% (36.678) e nulos 5,81% (42.076).

Oficialmente, a campanha já começa nesta segunda-feira. A partir das 17h já são permitidas manifestações. A propaganda eleitoral no rádio e na televisão terá início no dia 20 de novembro e vai até 27 de novembro.

Sebastião Melo, que nas pesquisas aparecia disputando a segunda colocação com Marchezan e José Fortunati, se beneficiou do abandono da candidatura do ex-prefeito Fortunati e avançou pra vencer o primeiro turno. Em entrevista ainda na noite de domingo o candidato disse que agora: “Vamos ver quem tem experiência para erguer essa cidade em momento de crise. E temos clareza que o serviço público pode ser prestado pelo público ou não, desde que ele seja serviço público”.

Melo, que já tem a maior coligação, deve buscar apoio do campo centro e direita, tentando ficar com os votos de Marchezan, e ainda Gustavo Paim e Valter Nagelstein.

Manuela D’Ávila terá o desafio de aumentar seu eleitorado, tentando pegar votos dos eleitores de Marchezan, e formar aliança com o PDT de Juliana Brizola e o PSOL de Fernanda Melchionna.

“Vamos dialogar com o percentual de votantes das outras candidaturas. Mas vamos querer falar também com as pessoas que não saíram para votar. Existem duas grandes batalhas agora: aquela pelos votos dos candidatos que não estavam conosco no primeiro turno e aquela para encantar as pessoas que não votaram. Precisamos entender por que a maior escolha dos porto-alegrenses foi não votar neste domingo”, falou Manuela, em coletiva pela internet.

Resultado oficial

 Sebastião Melo (MDB)     200.280 votos     31,01%

 Manuela D'Ávila (PCdoB)  187.262           29,00%

Nelson Marchezan Júnior (PSDB)  136.063           21,07%

Juliana Brizola (PDT)            41.407            6,41%

Fernanda Melchionna (PSOL)       27.994            4,34%

Valter Nagelstein (PSD)          20.033            3,10%

João Derly (Republicanos)        19.004            2,94%

Gustavo Paim (PP)                 7.989            1,24%

Rodrigo Maroni (PROS)             3.314            0,51%

Montserrat Martins (PV)           1.415            0,22%

Julio Flores (PSTU)                 852            0,13%

Luiz Delvair (PCO) * sob judice     142            0,01%


Votos Brancos       36.678    (5,06%)         
Votos Nulos         36.491    (5,04%)
Votos Válidos       645.755
Abstenção           358.217   (33,08%)

Fonte TSE

Gean Loureiro, de Florianópolis, o primeiro a garantir vitória: denúncia não abalou a liderança

Gean Loureiro, candidato à reeleição em Florianópolis, foi o primeiro entre as capitais a garantir a vitória, já assegurada antes das oito horas da noite.

Conforme o Tribunal Regional Eleitoral, às 19h50min, com 100% das urnas apuradas, Gean Loureiro, do DEM, contabilizou 53,43% dos votos.

O segundo colocado foi Elson Pereira (PSOL) com 18,13% dos votos.

Junto com Gean, os eleitores de Florianópolis elegeram o vice-prefeito, Topázio Silveira Neto (Republicanos).

Em 2016, Gean foi eleito após vencer o segundo turno com 50,26% dos votos válidos.

Nesta eleição, Gean se manteve à frente de todas as pesquisas eleitorais,  e nem mesmo uma denúncia de estupro na reta final da campanha, com imagens filmadas pela suposta vítima, lançadas nas redes sociais, abalou seu desempenho.

Florianópolis não elegia um prefeito no primeiro turno desde 2000, quando a então prefeita Ângela Amin foi reeleita. Agora, Gean Loureiro repete o feito 20 anos depois, contra a mesma Ângela Amin, que ficou em quarto lugar.

Gean Loureiro iniciou sua carreira política aos 19 anos de idade, quando foi eleito vereador em Florianópolis – cargo que ocupou entre 1993 e 2013. Em 2014 foi eleito deputado estadual. Loureiro é formado em Direito e em Administração. O vice, Topázio Neto, é empresário do ramo da tecnologia.

Resultado final em Florianópolis

Gean Loureiro (DEM) – 53,46%

Elson Pereira (PSOL) – 18,13%

Pedrão (PL) – 14,21%

Ângela Amin (Progressistas) – 7,42%

Alexander Brasil (PRTB) – 2,96%

Orlando Silva (Novo) – 2,63%

Ricardo Vieira (Solidariedade) – 0,51%

Hélio Bairros (Patriota) – 0,16%

Gabriela Santetti (PSTU) – 0,16%