Chegou a Balneário Camboriu, a terceira fase da Operação Barco de Papel, que investiga crimes contra o sistema financeiro relacionados ao banco Master.
Segundo a PF, ao chegarem para cumprir mandado de busca e apreensão em um imóvel em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, um dos ocupantes do apartamento, no 30° andar do prédio, arremessou pela janela uma mala cheia de dinheiro em espécie.
O homem foi identificado como Igor Paganini, empresário catarinense que atua no setor imobiliário, sócio da Igor Paganini Empreendimentos, empresa de incorporação sediada em Balneário Camboriú.
Paganini não era o alvo da terceira fase da Operação Barco de Papel, deflagrada pela Polícia Federal. No entanto, ao jogar o dinheiro pela janela durante a chegada dos agentes, ele passou a ser investigado por suspeita de ligação com o esquema.
A mala de dinheiro arremessada do 30º andar acabou se abrindo com o impacto, mas o montante de R$ 429 mil foi totalmente recuperado pela polícia. Além do dinheiro, foram apreendidos dois veículos de luxo e dois smartphones.
A investigação apura crimes contra o sistema financeiro e fraudes relacionadas à gestão de recursos de 100 fundos de previdência, que fizeram aplicações suspeitas no Banco Master.
A busca em Camboriu está relacionada à prisão do presidente da Rio Previdência, Deivis Marcon Antunes, no dia 3 de fevereiro de 2026.
Ele é o primeiro gestor envolvido em aplicações fraudulentas a ser preso. Ele havia renunciado ao cargo duas semanas antes após uma operação da PF que apura desvio de dinheiro e corrupção no fundo dos servidores do estado do Rio de Janeiro.
As investigações apuraram que na gestão de Deivis, o fundo de previdência do Rio investiu quase R$ 1 bilhão em letras financeiras do Banco Master, papéis de alto risco que não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito.
O fundo da RioPrevidência é formado pela contribuições de 235 mil servidores públicos do Estado do Rio.
Em outubro de 2025, o Tribunal de Contas já havia proibido a Rioprevidência de investir em títulos administrados pelo Master, alertando para “possível gestão irresponsável de recursos”.
Deivis foi preso durante a segunda fase da Operação Barco de Papel, deflagrada pela PF, que cumpriu 3 mandados de prisão temporária e 9 de busca e apreensão no RJ e em SC.
“A investigação, iniciada em novembro, visa apurar um conjunto de 9 operações financeiras, realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões de recursos pertencentes à autarquia em Letras Financeiras emitidas por banco privado”, segundo a PF.
