Três mortos, mais de 300 detidos na onda de incêndios e saques em Santiago do Chile. É o primeiro saldo dos protestos que iniciaram pacíficos no dia 14 contra o aumento da passagem do metrô e se tornaram violentos a partir de sexta-feira.
Neste domingo, a capital chilena amanheceu patrulhada por militares, o que não acontecia desde o final da ditadura do general Augusto Pinochet, em 1990.
Quase 10 mil membros das Forças Armadas estão nas ruas da capital. Após o presidente chileno, Sebastián Piñera, decretar estado de emergência, Santiago e outras regiões do país, como Valparaíso e Concepción, estão sob toque de recolher.
As primeiras manifestações começaram de forma pacífica no dia 14 contra o aumento de preço do metrô de Santiago, que passaria do equivalente a US$ 1,12 para US$ 1,16.
Ontem (19), o governo anunciou a suspensão do reajuste.
Desde sexta-feira (18), entretanto, os protestos se intensificaram e os chilenos expressam insatisfação com as políticas do governo Piñera, com o sistema previdenciário chileno, administrado por empresas privadas, o custo da saúde, o deficiente sistema público de educação e os baixos salários em relação ao custo de vida.
O jornal mais antigo do Chile, El Mercúrio, teve sua sede em Valparaíso incendiada neste sábado. Os manifestantes quebraram a porta do antigo prédio El Mercurio – fundado em 1827 no porto turístico de Valparaíso – e queimaram parte das instalações. Os bombeiros conseguiram conter as chamas.
Segundo o jornal chileno La Nacion, o primeiro andar do prédio teria sido completamente queimado e as chamas atingiram a fachada do jornal. Alguns móveis e itens foram retirados e queimados na rua. Os trabalhadores de lá – onde também funciona o jornal La Estrella – foram retirados.
Valparaíso é uma das seis cidades chilenas que estão em estado de emergência, com toque de recolher, em meio à onda de protestos que se espalhou pelo país. As outras localidades na mesma situação são: Coquimbo, La Serena, Rancagua, Concepción e Santiago.
Três pessoas morreram, na madrugada de domingo, em um incêndio registrado durante o saque a um supermercado da rede Líder – controlado pelo grupo americano Walmart – na zona sul de Santiago. Os bombeiros controlaram as chamas após duas horas.
Os protestos começaram na sexta-feira após o aumento da tarifa do metrô de Santiago, utilizado diariamente por quase três milhões de pessoas, de 800 pesos (R$ 4,63) para 830 pesos (R$ 4,80).
Vários incidentes violentos nas estações do metrô levaram o governo a decretar estado de emergência e a mobilizar militares nas ruas pela primeira vez desde o retorno da democracia ao Chile, após o fim da ditadura de Augusto Pinochet, em 1990.
Presos no aeroporto
O caos vivido em Santiago com duas ondas de violência, incluindo saques e incêndio, se ampliou e propagou pelas regiões vizinhas, obrigando o governo a decretar na madrugada de domingo Estado de Emergência também em Valparaiso, O`Higgins, Concepcion e Coquimbo.
Na capital e região metropolitana, mais de 20 mil residência permanecem sem energia elétrica desde os incidentes violentos que ocorreram de madrugada.
No aeroporto de Santiago, a situação se agravou no início da noite de sábado, obrigando cerca de 5 mil passageiros a pernoitarem no aeroporto por conta da suspensão de todos os voos e pela falta de transporte para sair do aeroporto. Os voos foram cancelados por falta de tripulação.
- Informações de O Globo, Agência Brasil e da RTP (televisão pública de Portugal)