O prefeito Nelson Marchezan apresentou nesta quinta-feira, 18, o projeto para concessão do Mercado Público de Porto Alegre a um gestor privado.
Será um contrato por 25 anos, prevendo R$ 85 milhões de investimentos – metade numa reforma do prédio nos primeiros três anos, metade no custo operacional ao longo do período. .

O novo administrador terá como receita o aluguel dos espaços, além de eventuais contratos publicitários e novos serviços. A receita é estimada em R$ 9,5 milhões ao ano..
O concessionário assumirá também, à medida que forem vencendo, os contratos com os atuais 106 permissionários do mercado. São contratos de 5 anos, na maioria, que se renovam, alguns há mais de 40 anos.
“Buscamos uma gestão mais eficiente e uma visão de futuro”, disse o secretário de Desenvolvimento Econômico, Eduardo Cidade.
Ficou claro que o prefeito e sua equipe não tem dúvidas: o mercado, que completa 150 anos neste 3 de outubro, entrará em nova era com esse projeto.
“O mercado público voltará a ser a principal referência turística de Porto Alegre, ponto de partida para diversas rotas que ligam o centro histórico à orla do Guaiba”, disse o secretário.
Uma consulta pública está aberta para receber sugestões até o dia 7 de outubro. Em novembro, será lançado o edital, prevendo-se que o vencedor da concessão estará definido até março de 2020;.
A certeza e o otimismo do prefeito e seus auxiliares, porém, não atravessam a avenida Borges de Medeiros, que separa os dois prédios históricos – o da prefeitura, em cujo salão nobre foi apresentado o projeto, e o do mercado, ainda parcialmente interditado por causa de um incêndio ocorrido em 2013..
“É tudo muito nebuloso para nós”, disse ao JÁ a presidente da Associação dos Comerciantes do Mercado Público, Adriana Kauer, ao final do evento ainda na prefeitura.
Mais tarde, Adriana contou ao JÁ que alguns permissionários choraram quando ela fez um relato da apresentação na prefeitura. “A vida deles depende disso aqui e vai haver uma mudança que ninguém sabe direito”..
Segundo Adriana, os representantes dos permissionários foram chamados pela prefeitura para prestar informações sobre o mercado , mas não foram informados ou consultados sobre o que vai ser feito. “Sabemos o que sai na imprensa, que é pouco”.
Ocupando um quarteirão num ponto estratégico, para o qual convergem as principais vias do centro histórico, o Mercado Público, típico das cidades de colonização açoriana, é um patrimônio histórico de Porto Alegre, uma referência turística, mas também um cobiçado centro comercial. .
Cerca de 100 mil pessoas passam por ali a cada dia, mais de 1.200 trabalhadores movimentam toda a estrutura.
No edital, entre os compromissos do concessionário, o primeiro será não alterar as características de Mercado Público, mantendo o atual mix de lojas com eventuais acréscimos de serviços.
A prefeitura espera arrecadar com a concessão uma outorga mínima de R$ 28 milhões, a serem pagos ao longo do contrato: 5% na assinatura, o restante em 300 meses em parcelas de R$ 89 mil.
O secretário de Parcerias Estratégicas, Thiago Ribeiro, afirmou que o edital terá garantias para os permissionários antigos, bem como para a preservação arquitetônica e cultural do Mercado.
“Não queremos e não vamos permitir que se torne algo semelhante a um shopping center”, afirmou.
O prefeito Nelson Marchezan admitiu que o novo formato de gestão do Mercado pode gerar reações, mas minimizou as consequências. “Todas as mudanças geram alguma dor, mesmo que às vezes as dores sejam mais psicológicas do que reais.”