Narcomilícias já controlam 180 comunidades na Baixada Fluminense

Um relatório do Ministério Público Estadual divulgado esta semana mapeia o fenômeno das narcomilícias no Rio de Janeiro e mostra como esse tipo de atividade criminosa muda seu perfil para seguir se expandindo.
As milícias surgiram há 20 anos, em comunidades controladas por facções do tráfico de drogas, na Zona Oeste do Rio.
Formadas por ex-policiais, com a bandeira do combate aos traficantes, as milícias cresceram com a aceitação das comunidades e a tolerância do Estado, implantando cobrança ilegal de serviços essenciais, taxas de segurança e outras formas de extorsão.
Rendosos negócios que se expandiram por toda a Baixada Fluminense  e muitas delas, agora, estão se tornando “narcomilícias”, fazendo do tráfico de drogas mais uma fonte de renda.
O relatório dos promotores mostra que as narcomilícias já operam em 180 localidades na região metropolitana do Rio. Estão assumindo o tráfico de drogas, depois de expulsar os traficantes, ou se associando a eles para explorar o negócio.
As investigações revelaram que há locais arrendados a facções de traficantes e até franquia de “bocas de fumo”. Mais grave: as milícias estão elegendo representantes e obtendo poder político.
Além de presença nos 13 municípios da Baixada Fluminense, esses grupos controlam comunidades das zonas Norte e Oeste do Rio e de São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e Rio Bonito.
A marca comum a todos é a violência desmedida. O relatório aponta execuções de moradores ou comerciantes que se recusaram a pagar as taxas cobradas. Alguns desses crimes foram praticados à luz do dia. Há também casos de estupros.
Somente este ano, o Ministério Público denunciou 285 pessoas por suposta participação em milícias ou narcomilícias. Já o Departamento de Homicídios prendeu 111 suspeitos desde janeiro.
Investigações do Departamento de Homicídio apontam o caso de uma milícia que tomou diversas áreas comandadas pelo tráfico de drogas da maior facção criminosa do estado.
Ao ver que a região era rentável para a venda de drogas, a milícia arrendou a localidade para uma outra facção criminosa. Essa prática teria acontecido na Favela da Coreia, em Senador Camará, e em Água Santa.
Na Baixada Fluminense foram identificados ao menos 20 grupos paramilitares — que não têm ligações entre si — que dominam todo o território. Quase 4 milhões de pessoas vivem sob o poder de narcomilicianos. Segundo investigadores, dezenas de PMs e outros agentes públicos fazem parte desses grupos.
Na Delegacia de Homicídios existem mais de 200 inquéritos, só de 2019, que apuram homicídios praticados por narcomilicianos. Só neste ano, a especializada prendeu 40 criminosos. Entre eles o vereador e ex-secretário de Defesa Civil de Queimados Davi Brasil Caetano (Avante).
De acordo com informações do delegado Moisés Santana, titular da DHBF, a milícia da Baixada tem explorado tudo que dê lucro e é “viciada em matar”:
“Toda a milícia que atua agora na Baixada explora o tráfico de drogas. Exceto a de Cabuçu, que é uma franquia do Wellington da Silva Braga, o Ecko. Fora isso, todos se juntaram a traficantes. Além disso, há uma disputa entre os próprios criminosos para conquistar mais territórios”.
O fenômeno das narcomilícias é dimensionado no Rio, mas não se limita à Baixada Fluminense, embora não haja um estudo abrangente sobre sua presença em outros estados.  No centro de Porto Alegre, há um mês, a polícia prendeu integrantes de uma facção do tráfico usando métodos milicianos para extorquir comerciantes.
(Com informações do Extra, Globo e PC)

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