Onda de violência no Chile é reação ao modelo neoliberal

O toque de recolher e o Estado de Emergências decretados pelo governo, não fizeram cessar os protestos em Santiago e principais cidades do Chile, sacudidas desde sexta-feira por confrontos com as forças policiais, descambando para distúrbios, com saques e incêndios.

A falta de transporte e a insegurança nas ruas tendem a paralisar a capital nesta segunda feira. Em Santiago as áreas foram suspensas, não se sabe se o metrô, atingido por incêndio vai estar funcionando. O presidente Sebastian Piñera, instalado na Guarnição Militar de Santiago, disse que enfrenta “um inimigo poderoso que não respeita ninguém”  e que não vai ceder. O toque de recolher foi ampliado para outras 5 províncias e o ministro do Interior que 10.500 homens das Forças Armadas, Carabineiros e Polícia Civil estão mobilizados para “manter a ordem”.

O que começou como um protesto contra o aumento da passagem do metrô, torna-se um questionamento ao modelo neoliberal, do qual o páís se tornou um caso exemplar.

“Quase 50 anos de neoliberalismo nos comeram a vida”, disse Carlos Ruiz, lider da Frente Ampla, ao pregar mudança de rumo.

Até a noite do domingo, o governo reconhecia oito mortes nos incêndios distúrbios e confronto com os militares. Além disso, 716 pessoas foram detidas, 241 delas por não respeitarem o horário de recolher.

Os distúrbios continuaram neste domingo. Ocorreram saques e confrontos com a polícia em diferentes cidades do país. O Instituto Nacional de Direitos humanos (INDH) informou que pelo menos 22 pessoas foram vítimas de uso abusivo da força. Protestos pacíficos também aconteceram em diversos pontos das principais cidades, com panelaços e passeatas.

Helicópteros das forças de segurança sobrevoam Santiago desde a noite de sábado.

A capital é controlada por cerca de oito mil militares. Outras quatro regiões do país − Valparaíso, Biobío, Coquimbo e O’Higgins − se encontram neste domingo em estado de emergência, que restringe a liberdade de circulação e reunião da população.

A última vez em que havia sido decretado toque de recolher no Chile foi em 1987, nos últimos anos de ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

 

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