Encoberta nos últimos dias pela fumaça das queimadas na Amazônia, a crise na Polícia Federal retorna às manchetes nesta terça-feira, 28.
“Insatisfação na PF chega à cúpula, que ameaça deixar cargos se diretor geral for afastado”, diz o Globo.
Uma tentativa do presidente Bolsonaro de intervir para trocar o superintendente da PF no Rio, está na origem do conflito.
Na quinta feira passada, Bolsonaro invocou sua condição de presidente para dizer que trocaria, se quisesse, o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo.
A frase foi motivada de novo por seu desejo de mudar o superintendente da PF no Rio.
“Se eu trocar hoje, qual é o problema? Está na lei. Eu que indico e não o Sergio Moro. Ele é subordinado a mim, não ao ministro. Deixo bem claro isso aí. Eu é que indico. Está na lei, o diretor-geral. Agora, há uma onda terrível sobre superintendência. Onze foram trocados. Ninguém falou nada. Quando eu sugiro o cara de um Estado para ir para lá, ‘está interferindo’. Espera aí. Se eu não posso trocar um superintendente, eu vou trocar o diretor-geral. Não se discute isso aí. Eu quero o bem do Brasil, quero que se combata a corrupção”, declarou o presidente.
A declaração provocou um desgaste a mais com o ministro Sérgio Moro e uma forte reação na cúpula da Polícia Federal.
Nos Estados, superintendentes ameaçaram renúncia coletiva, uma carta foi divulgada sobre a ameaça à autonomia que a Polícia Federal precisa ter.
A PF anunciou o nome de Carlos Henrique Oliveira Sousa, atual superintendente em Pernambuco, para o posto no Rio, mas Bolsonaro queria outro delegado para a função.
O presidente, aparentemente, cedeu e aceitou o nome de Carlos Oliveira de Souza, apresentado pela direção geral e sancionado pela corporação.
A reação da cúpula ameaçando renúncia coletiva se o presidente levar adiante sua ameaça de substituir o diretor geral Mauricio Valeixo, indicado por Sérgio Moro.
O presidente Jair Bolsonaro está demonstrando claramente que irá trair todos que votaram nele e que acreditaram que o combate à corrupção, a flexibilização da posse de armas, o combate à criminalidade, o desmonte do gigantismo do estado, etc seriam colocados em prática. Bolsonaro será o Judas Escariotes de Sérgio Moro.