Pressionado, o porteiro muda sua versão sobre entrada no condomínio de Bolsonaro

Aconteceu o previsível: o porteiro do condomínio, onde o presidente Jair Bolsonaro tem casa no Rio, mudou sua versão no depoimento prestado à Polícia Federal.
As informações sobre o caso, sem maiores detalhes, seguem sendo vazadas  para a Globo.
No novo depoimento, nesta terça-feira (19), o porteiro voltou atrás sobre a informação que tinha dado anteriormente à Polícia Civil, nos dias 7 e 9 de outubro.
Na versão anterior, o porteiro disse que no dia do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, 14 de março de 2018, um dos acusados do crime, Élcio Queiroz, entrou no condomínio dizendo que ia para a casa 58, que pertence ao presidente Jair Bolsonaro, na época deputado federal.
Élcio está preso. Teria sido ele, segundo a policia, o motorista do carro usado no crime.
Na primeira versão, o porteiro disse que ligou para a casa 58 duas vezes e que a autorização para a entrada de Élcio no condomínio veio de alguém cuja voz era a do “Seu Jair”.
Está provado que, naquele dia, Jair Bolsonaro estava em Brasília e registrou presença em votações no plenário da Câmara. Mas registros nas planilhas da portaria indicam que seu filho, Carlos, estaria no condomínio naquele horário.
No novo depoimento, o porteiro voltou atrás: disse que errou ao afirmar que havia falado com o “Seu Jair” e que se equivocou ao anotar o número 58 no registro do condomínio.
Ele alegou que, nos dois primeiros depoimentos à Polícia Civil, ficou nervoso e não se corrigiu, mesmo sabendo que tinha errado ao anotar como sendo a casa 58 o destino de Élcio.
Os depoimentos do porteiro à Polícia Civil vieram a público há um mês e levaram o ministro Sérgio Moro a acionar o Procurador Geral da República, o que levou a Polícia Federal a abrir inquérito para “apurar se ele cometeu crimes de obstrução da Justiça, falso testemunho e denunciação caluniosa contra o presidente”.
Foi nessa condição, de réu num inquérito que apura “falso testemunho” ou “denunciação caluniosa” contra Bolsonaro, que o porteiro Alberto Mateus prestou esse depoimento à Polícia Federal.
Residente numa comunidade dominada por milícia, o porteiro foi localizado por repórteres da revista Veja há duas semanas e foi definido como um “homem acuado”.
 
 

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