Previdência Privada: experiências no Brasil foram frustrantes

Walmaro Paz
O Brasil já teve experiências de Previdência Privada propostos pelo ministro Paulo Guedes.
As maiores foram administradas por militares da reserva, cresceram durante a ditadura e todas faliram, deixando um rastro de milhares de mutuários lesados.
Corretores treinados visitavam escolas e repartições públicas oferecendo uma aposentadoria vantajosa, equivalente ao soldo de um oficial do exercito conforme o valor da contribuição mensal.
O jornalista Carlos Schroeder, ex-presidente da Fenaj, relata o caso de seu pai que comprou um plano para se aposentar com o soldo de general de Exército, que seriam cerca de 30 mil reais atualmente.
Dez anos depois quando deveria começar a receber foi contemplado com R$ 9,00. (nove reais).
No Rio Grande do Sul, o caso de maior repercussão foi o do Montepio da Familia Militar, fundado em 29 de outubro de 1963 por um grupo de oficiais da reserva.
Três anos depois já contava com 130 mil associados. Com tamanho número de associados o Montepio tratou de ampliar seu leque de investimentos e no final de 1966 já controlava um banco, uma financeira, uma companhia imobiliária e uma de seguros. Em 1967 passou a controlar o Banco Nacional do Comércio.
Em 1971, tinha 14 subsidiárias nos ramos bancários, mercado de capitais, imobiliário, seguros e comunicação; constituiu o Banco de Investimento Nacional do Comércio, junto com o grupo Maisonnave e o Banco de Investimento MFM, depois vendido ao Grupo Empresarial Lume, com o nome de Financilar.
No ano seguinte foi responsável pela ação que fundiu três tradicionais bancos do Rio Grande do Sul :Banco Nacional do Comércio, Banco da Província e Banco Industrial e Comercial do Sul, dando origem ao Banco Sulbrasileiro, um dos dez maiores estabelecimentos privados do Brasil na época.
Em 1986 entrou liquidação extrajudicial, gerando perdas para seus associados.
Seus mais de 130 mil associados e credores da massa falida amargaram pesadas perdas. Depois de demoradas demandas judiciais conseguiram recuperar não mais do que 15%, às vezes até menos, dos créditos a que tinham direito, fixado um limite de pagamento de 50 mil reais.
Só na comarca de Porto Alegre localizamos 426 processos pedindo indenizações que não foram pagas.

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