Objetivo do golpismo é paralisar o governo

Os mentores do movimento bolsonarista  golpista sabem que já perderam a chance de tomar o poder, se é que a tiveram em algum momento.

Agora trata-se de não deixar Lula governar.

Nesse sentido, as invasões do Congresso, STF e Palácio do Planalto cumpriram rigorosamente seu objetivo.

Desde domingo travam o governo num emaranhado de  situações bizarras, como ter 1.200 pessoas presas em Brasilia, que exigem grande esforço político para justificar, como a inédita reunião de Lula com todos os poderes, inclusive os governadores ou seus representantes dos 26 Estados e do Distrito  Federal.

Sim, a barbárie das invasões fortaleceu o governo, mas as sequelas dela ocuparam sua agenda nos últimos dias.

Todo apoio a Lula contra os golpistas: “Vamos encontrar quem financiou”

Um dia depois dos ataques terroristas ao Congresso Nacional, ao Palácio do Planalto e ao Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Lula recebeu irrestrito apoio para combater o movimento golpista que questiona o resultado da eleição de 2022.

Em “ato de desagravo aos poderes constituídos”, no Palácio do Planalto nesta segunda-feira, 09/01,  governadores ou representantes de 26 Estados e do Distrito Federal, chefes dos poderes Legislativo, Judiciário, e do Ministério Público, repudiaram os atentados aos prédios dos três poderes por militantes bolsonaristas, como atos terroristas e antidemocráticos, e manifestaram irrestrito apoio às iniciativas enérgicas do presidente para combatê-los. “A causa da democracia é inegociável, disse o governador do Pará, Helder Barbalho, presidente do Fórum de Governadores. “O que vimos no domingo foi terrorismo, tentativa de golpe, inaceitável.” Disse que nos Estados a desmobilização dos grupos na frente dos quartéis foi realizada com êxito pelas polícias militares  e que 16 Estados colocaram forças de segurança à disposição do governo federal para garantia da ordem. “O desejo dos governadores é o fortalecimento da democracia com um pacto federativo forte e pujante.”

A ministra Rosa Weber em nome do STF disse  que a reunião inédita era um “testemunho da unidade em defesa da democracia”.

O governador Eduardo Leite disse que constituiu um “gabinete de crise” no Rio Grande do Sul, integrado por representantes de todas as forças de segurança, MP e Polícia Federal para investigar e identificar as responsabilidades, quem financia, quem participa. “O respeito ao resultado das urnas está acima das divergências.”

“Essa reunião de hoje significa que a democracia brasileira vai se tornar, depois dos episódios de ontem, ainda mais forte”, disse o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em nome da Região Sudeste.

A governadora Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte, falou da indignação com as cenas de destruição dos maiores símbolos da democracia republicana do país e pediu punição aos golpistas. “Foi muito doloroso ver as cenas de ontem, a violência atingindo o coração da República. Diante de um episódio tão grave, não poderia ser outra a atitude dos governadores do Brasil, de estarem aqui hoje. Esses atos de ontem não podem ficar impunes”, afirmou, em nome da Região Nordeste.

Pela Região Sul, coube ao governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, destacar algumas das ações conjuntas deflagradas pelos Estados, como a disponibilização de efetivos policiais para manter a ordem no Distrito Federal e desmobilização de acampamentos golpistas. “Além de estar disponibilizando efetivo policial, estamos atuando de forma sinérgica em sintonia para a manutenção da ordem nos nossos Estados”.

A governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão, disse que o governo da Capital “coaduna com a democracia” e lembrou da prisão, até o momento, de mais de 1,5 mil pessoas por envolvimento nos atos de vandalismo. Celina Leão substitui o governador Ibaneis Rocha, afastado na madrugada desta segunda, por decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes. Ela aproveitou para dizer que o governador afastado “é um democrata”, mas que, “por infelicidade, recebeu várias informações equivocadas durante a crise”.

Desde ontem,  a segurança pública do DF está sob intervenção federal. O decreto assinado pelo presidente Lula ainda precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional, o que ocorrerá de forma simbólica, assegurou o presidente da Câmara dos Deputados. “Nós votaremos simbolicamente, por unanimidade, para demonstrar que a Casa do povo está unida em defesa de medidas duras para esse pequeno grupo radical, que hostilizou as instituições e tentou deixar a democracia de cócoras ontem”.

Financiadores
Em discurso aos governadores, o presidente Lula agradeceu pela solidariedade prestada e fez duras críticas aos grupos envolvidos nos atos de vandalismo.

“Vocês vieram prestar solidariedade ao país e à democracia. O que nós vimos ontem foi uma coisa que já estava prevista. Isso tinha sido anunciado há algum tempo atrás. As pessoas não tinham pauta de reivindicação. Eles estavam reivindicando golpe, era a única coisa que se ouvia falar”, disse.

O presidente também voltou a criticar a ação das forças policiais e disse que é preciso apurar e encontrar os financiadores dos atos democráticos. “A polícia de Brasília negligenciou. A inteligência de Brasília negligenciou. É fácil a gente ver os policiais conversando com os invasores. Não vamos ser autoritários com ninguém, mas não seremos mornos com ninguém. Nós vamos encontrar quem financiou [os atos golpistas]”.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, afirmou que que as investigações em curso devem resultar em novos pedidos de prisão preventiva e temporária, principalmente dos financiadores.

 

Desvario bolsonarista dá chance a Lula de mostrar quem manda

A invasão dos prédios dos três poderes sobre os quais se assenta a República do Brasil seria o fato simbólico da derrubada do governo e a volta de Bolsonaro imposta pelas ruas e pelas armas.

Mais uma vez, como todos os planos alimentados pelo desvario bolsonarista, deu errado.

Revelou militantes fanatizados, sem orientação, movidos por um discurso primário, do milagre do patriotismo para salvar o Brasil do comunismo e da corrupção.

Como um rebanho conduzido pelo berrante se viram embretados dentro dos prédios, sem saber o que fazer. Fizeram o que faz um rebanho: pisotearam e quebraram o que encontraram pela frente.

O repúdio que os atos de vandalismo provocaram no mundo inteiro, ampliou o isolamento do bolsonarismo

Mais que isso, deu a oportunidade para Lula afirmar seu poder de chefe de Estado. de abrir espaço  para medidas que são urgentes e se deixar passar o momento, ficarão difíceis senão impossíveis de serem implementadas. A questão das polícias militares é só uma delas.

Por outro lado, revelou que esse movimento “volta Bolsonaro” à falta de um líder orgânico, está entregue a lideranças irresponsáveis,  militares decadentes ou reformados, que não se conformam que numa democracia o poder militar é um poder subsidiário. Detestam a política, porque não a entendem.  Conspiram irresponsávelmente no conforto de suas gordas aposentadorias.

 

 

 

Bolsonaro está a milhares de kms “escondido na Flórida”, diz NYT

O New York Times, um dos mais influentes jornais dos Estados Unidos, deu neste domingo, 08/01, uma manchete da capa sobre a sucessão brasileira, com a eleição de Lula.  A primeira, no domingo passado, quando abriu em cinco colunas a posse de Lula na rampa do Congressso. Agora, a invasão do Congresso por fanáticos bolsonaristas, ganhou destaque, pouco depois de ocorrida, por volta das 15 h domingo.

“Quando seus apoiadores invadiram o Congresso do Brasil e os escritórios presidenciais no domingo, Jair Bolsonaro estava a milhares de quilômetros de distância”, diz o texto.

O jornal diz que Bolsonaro enfrenta várias investigações e voou para a Flórida no final de dezembro com planos de permanecer por pelo menos um mês. “Ele esteve em Orlando, morando em uma casa alugada de propriedade de um lutador profissional de artes marciais mistas a alguns quilômetros da Disney World”.

Lembra que, Bolsonaro antes de saiur do país “pediu a seus apoiadores que evitassem a violência e sugeriu que seguissem em frente”.

“Vivemos em uma democracia ou não”, disse ele em uma declaração gravada. “Ninguém quer uma aventura.”

No domingo, o ex-presidente não fez comentários imediatos sobre a invasão dos escritórios presidenciais. Na chamada da matéria o jornal diz que Bolsonaro está na Flórida “escondido”.

Jornalista que escrevia “cartas ácidas” para Lula está otimista com terceiro mandato

Durante três anos e meio do primeiro governo Lula, o jornalista Bernardo Kuscinski, com uma pequena equipe, produziu uma síntese analítica do noticiário diário dos principais veículos para o presidente.

Em tempos de pré-internet, a operação incluía um funcionário que buscava os jornais impressos do Rio e São Paulo num trecho do Eixão, em Brasília, às cinco da madrugada.

Às oito da manhã a resenha impressa em envelope lacrado deveria estar na mesa do presidente.

O próprio Lula apelidou de “cartas ácidas”. Dizia que se passasse uma toalha no suor de Kucinski e espremesse dava para fazer vinagre.

As cartas faziam uma leitura crítica da mídia, mas também eram implacáveis com os erros do governo. Lula reclamava mas lia sempre.

“Eu fiquei viciado em escrever e ele em ler” diz Kucinski no livro “Cartas a Lula” que reúne uma seleção dos mais de mil textos produzidos.

Aos 80 anos, Bernardo Kuscinski, que no meio jornalístico dispensa apresentações, dedica-se à literatura com vários livros publicados, com prêmios e indicações a prêmios.  Mas não perdeu o vício: embora não se disponha mais àquele tipo de escrita das cartas, segue acompanhando criticamente os movimentos do governo e o tratamento que eles recebem da mídia.

Até agora ele está otimista com o terceiro mandato de Lula: “A principal mudança em relação ao primeiro governo é o próprio Lula. Ele mudou, ele manda. Está afirmativo, não hesita em dizer que o teto de gastos é uma estupidez e, principalmente, ele tem agora uma visão muito mais clara do seu papel histórico”,

As crises no primeiro governo, segundo Kucinski, começaram antes da posse “com a campanha de terrorismo financeiro que levou Lula a fazer um acordão com os bancos para ter condições de governabilidade”.

“Acordo foi avalizado por Antonio Palocci e Henrique Meirelles e  esse pacto não escrito amarraria suas mãos e travaria o governo durante os dois primeiros anos de mandato, provocando forte tensão interna e deprimindo o presidente”.

Na avaliação do jornalista, “todo o primeiro governo Lula foi atravessado por contradições que o paralisavam”.

De um lado o ministro da Fazenda, Antônio  Palocci, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, comprometidos com o setor financeiro, avessos a investimentos sociais.

De outro, José Dirceu, todo poderoso chefe da Casa Civil, e Luiz Gushiken, também poderoso ministro das Comunicações, que não se entendiam. Além de tudo isso, havia “muita ingenuidade e amadorismo”. O próprio presidente tinha visíveis limitações. No livro Kusinski conta que um assessor próximo de Lula lhe pediu para que fosse mais didático nas notícias sobre macroeconomia.

O principal compromisso de Lula era dobrar o salário mínimo em quatro anos, Palocci se opunha tenazmente. “Palocci queria manter o salário mínimo arrochado. Numa reunião dramática, Palocci ameaçou ir à televisão dizer que não conseguiria cumprir o compromisso de superávit primário”.

“Palocci compartilhava espertamente as caminhadas matinais de Lula e as aproveitava para tentar fazer a cabeça do presidente.”

Só a partir da queda de Palocci em março de 2006, que Lula pode começar a cumprir sua promessa de campanha. Quando assumiu em 2003, o mínimo era equivalente a 86 dólares, no fim do segundo mandato já era 256 dólares. “Ao contrário das previsões catastróficas o aumento do salário mínimo não levou a uma explosão de preços”.

A mídia – Globo, Folha de São Paulo, Estadão, Veja, reverberados pelo país inteiro – foi a “condutora ideológica da oposição ao governo”, segundo Kucinski.

No prefácio de seu livro, ele lembra os ataques aos programas sociais, a ponto de reportagens negarem o problema da fome no Brasil, para depreciar o Fome Zero, o primeiro programa lançado pelo governo.

Nem por isso deixa de apontar os erros do governo, que a seu ver não foram poucos na área da comunicação.

“Desde o primeiro dia não foi boa a relação do governo com a mídia. Faltou ao governo uma política orgânica e moderna de comunicação pública”.

Lembra que “o presidente Lula só deu a sua primeira entrevista coletiva dois anos depois. As anteriores em agosto de 2003 e fevereiro de 2004, foram dadas a grupos limitados de jornalistas”.

A “frustração pelo não encaminhamento de propostas na esfera da comunicação” foi um dos motivos que o levaram a deixar o governo  pouco antes do final do primeiro mandato. “Propostas de mudança de postura da Radiobras. Propostas e pré-projetos à Secom: por uma política de apoio à mídia alternativa, por um programa vale-jornal (parecido com o vale-cultura do governo Dilma), pela criação de um jornal do executivo, como o da Câmara, pela instituição de coletivas regulares, pela criação de cadernos de referência sobre políticas públicas”. Nada disso foi adiante.

O outro motivo foi “o desassossego com a questão dos crimes da ditadura: “Sentia crescente desconforto por estar no coração de um aparelho de Estado que a rigor não abjurara seus crimes, cometidos pouco tempo antes”.

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Bernardo Kucinski é formado em Física pela Universidade São Paulo (USP), foi militante estudantil, preso e exilado. Tornou-se jornalista, passando pelos veículos mais importantes do Brasil e do mundo, como os ingleses BBC The Guardian. Foi fundador de jornais alternativos de resistência ao regime militar, como Movimento. Deu aulas de jornalismo na Escola de Comunicação e Artes da USP, publicou uma série de obras acadêmicas, foi assessor especial da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República durante o primeiro mandato de Lula, quando produzia boletins diários sobre a imprensa.

Relações entre Brasil e China são modelo para países em desenvolvimento, diz Xi-Jinping

Mereceu pouca atenção a carta que o presidente chinês, Xi Jinping, enviou cumprimentando Lula por sua posse como presidente da República.

Xi destaca que China e Brasil “são grandes países em desenvolvimento com influência global e importantes mercados emergentes”.

“Os dois países são parceiros estratégicos abrangentes que compartilham amplos interesses comuns e assumem responsabilidades de desenvolvimento comum”, apontou Xi.

O presidente chinês lembra que “desde o estabelecimento de laços diplomáticos há 48 anos, as relações bilaterais têm testemunhado um desenvolvimento sustentado e profundo graças aos esforços conjuntos de ambos os lados, tornando-se cada vez mais maduras e dinâmicas”, disse Xi.

Para ele, o relacionamento China-Brasil se tornou um modelo de relações entre os principais países em desenvolvimento, com conotações ricas e amplas perspectivas.

Xi também manifestou que atribui grande importância ao desenvolvimento da parceria estratégica abrangente China-Brasil e está disposto a trabalhar com Lula para continuar a apoiar firmemente um ao outro na busca de um caminho de desenvolvimento de acordo com suas próprias condições nacionais, respeitar os interesses essenciais um do outro, promover sua cooperação prática, fortalecer a coordenação multilateral e liderar e impulsionar a parceria para um nível mais alto a partir de uma perspectiva estratégica e de longo prazo, de modo a beneficiar melhor os dois países e seus povos”.

É a segunda carta que Xi Jinping manda a Lula propondo ampliar a parceria entre os dois países. A primeira foi enviada no dia 8 de dezembro, dias antes da diplomação de Lula. A China é hoje o principal parceiro comercial do Brasil.

Psol não perdoa, quer Bolsonaro na cadeia

A bancada do Psol não perdeu tempo.

Nesta segunda-feira,2,  entrou no Supremo Tribunal Superior com um pedido da prisão preventiva contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O pedido vincula Bolsonaro  a atos anti-democráticos e incentivo a atos criminosos., como os bloqueios em estradas. É pedida também a quebra do sigilo telefônico e telemático e busca e apreensão de provas.

“A punição é fundamental para que nenhum outro governante cometa as barbaridades que Bolsonaro cometeu. Anistia, jamais”, declarou a deputada Fernanda Melchiona. A petição é assinada por toda a bancada federal do Psol.

O Psol nasceu de uma divergência dentro do PT por causa do tratamento aos crimes da ditadura militar de 64, no primeiro governo Lula.

O PSOL tem 12 deputados federais eleitos em outubro, a maior a maior bancada da história do partido.

A bancada tem maioria feminina e importante representatividade de negros e negras, assim como de indígenas e até a primeira mulher trans eleita para a história do Congresso Nacional.

Encabeçando a lista de eleitos está Guilherme Boulos, que conseguiu mais de um milhão de votos e foi o mais votado a deputado federal de São Paulo.

 

Brasil: morre um Pelé, nasce outro

Elmar Bones

Pelé, o rei do futebol, nasceu na copa do mundo de 1958. Claro, ele já era um fenômeno identificado, tanto que aos 17 anos chegara à seleção brasileira. Mas foi ali, naquele jogo contra Pais de Gales que nasceu o Pelé que ele viria a ser, naquele balãozinho dentro da área e  aquele gol que a gente não cansa de rever.

Há o tempo do futebol e o tempo da política;

O Pelé da Política nasceu neste domingo, 1 de janeiro de 2023, quando Lula aos 77 anos subiu a rampa para tomar posse num terceiro mandato como presidente do Brasil.

Sim, há muito se sabe que o Lula é um craque, mas no simbolismo desta posse, consolidou-se uma liderança que estará em qualquer seleção da política mundial.

Todos estão fugindo da analogia de Lula com Getúlio Vargas, talvez pelo desfecho trágico da trajetória de Vargas. Mas ela é inevitável.

Getúlio teve três mandatos: como líder revolucionário em 1930, como ditador em 1937. Como era um homem da elite agrária, ele não foi preso ao ser derrubado em 1945, recolheu-se a sua  estância em São Borja.

Sua volta cinco anos depois foi um fenômeno. Mesmo aqueles que ele encarcerou, como Luis Carlos Prestes, do Partido Comunista estavam no seu palanque.

Quando surgiram as primeiras notícias de que lideranças políticas o estavam procurando para que fosse candidato,  seus inimigos, vocalizados por Carlos Lacerda, lançaram a sentença: “Não pode ser candidato, se for candidato não pode ganhar, se ganhar não pode governar…”

Vargas foi candidato, venceu a eleição, tomou posse, mas não cumpriu o seu mandato.

Essa mesma sentença está colocada sobre a cabeça de  Luiz Inácio Lula da Silva, pelas forças que levaram Vargas ao suicídio.

A diferença está em que Lula chega ao terceiro mandato pelo voto popular, sem precedentes na história republicana.

E mais: sua vitória ficou maior depois da contagem de votos, como foi demonstrado pelo simbolismo da posse neste domingo.

O Brasil democrático pode perder esse jogo, claro. Mas ele tem um Pelé em campo.

 

 

 

A posse apoteótica deu verdadeira dimensão à eleição de Lula

A eleição de Lula ganhou outra dimensão depois da posse neste primeiro domingo de 2023.

Apoteóse é a palavra para o que se viu em Brasilia.  Celebração popular, carregada de simbolismo, marcada por dois discursos definidores, a posse colocou o mandato de Lula num outro patamar.

A presença das delegações estrangeiras, a repercussão na imprensa internacional não deixam dúvidas.

Não é mais aquela diferença de pouco mais de 2 milhões de votos  que dá o tamanho da vitória da frente ampla liderada por Lula.

A saída irresponsável de Bolsonaro, pela porta dos fundos, contribuiu para consagrar a posse de Lula,  que recebeu a faixa de representantes populares, num momento emocionante.

Mais uma vez o Brasil vai tentar um projeto que coloca os trabalhadores como protagonistas do desenvolvimento econômico.  Não há capital sem trabalho, diz o conceito que está na origem desse  processo. Muitas e poderosas forças sempre se levantam contra ele. Provavelmente, não será diferente.

 

 

Lula tem pressa: primeiros atos foram assinados logo após a posse

Após tomar posse no Congresso Nacional e subir pela terceira vez a rampa do Palácio do Planalto, neste domingo (1º), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu posse a 37 ministros e assinou os primeiros atos do novo governo.

Na cerimônia, realizada no Palácio do Planalto, foram assinados 13 despachos, entre decretos e medidas provisórias (MPs).

A primeira MP foi a que cria a nova estrutura ministerial. Também foi assinada MP que viabiliza a manutenção do Bolsa Família no valor de R$ 600 por beneficiário, mais R$ 150 por criança de até 6 anos de idade. Promessa de campanha do presidente, a medida só foi possível após a aprovação, pelo Congresso Nacional, de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que excluiu os gastos com o programa social da regra de teto de gastos.

Lula assinou também medida que mantém a desoneração de impostos federais PIS/Cofins sobre os combustíveis, além de um decreto sobre armamentos. Segundo a Presidência da República, trata-se do início do processo de reestruturação da política de controle de armas no país. Lula assinou ainda despacho determinando que a Controladoria Geral da União (CGU) reavalie, em 30 dias, as decisões que impuseram sigilo indevido sobre informações da administração pública.

Na área ambiental, foram assinados alguns atos, incluindo um decreto que restabelece o combate ao desmatamento na Amazônia, e outro que restabelece o Fundo Amazônia, com recursos de R$ 3 bilhões em doações internacionais para combater o crime ambiental. Também foi assinado um despacho que determina que o Ministério d Meio Ambiente e Mudança do Clima proponha, em 45 dias, nova regulamentação para o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

Outros atos assinados por Lula no primeiro dia de mandato foram: despacho que determina aos ministros que encaminhem propostas para retirar de programas de desestatização empresas públicas como Petrobras, Correios e Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e outro que determina que a Secretaria-Geral da Presidência da República elabore propostas de recriação do Pro-Catadores, programa de apoio a catadores de materiais recicláveis.

Os atos serão publicados em edição extra do Diário Oficial da União.

Veja o resumo da lista dos primeiros atos assinados pelo presidente Lula no governo:

– Assinatura da MP que modifica a estrutura do governo e os ministérios;

– Assinatura da MP que garante R$ 600 de Bolsa Família para os mais pobres;

– Assinatura da MP que desonera os combustíveis no Brasil;

– Assinatura do decreto de armamentos, que inicia o processo de reestruturação da política de controle de armas no país;

– Assinatura de decreto que restabelece o combate ao desmatamento na Amazônia;

– Assinatura de decreto que restabelece o Fundo Amazônia e viabiliza R$ 3 bilhões de doações internacionais para combater crimes ambientais;

– Revogação de decreto que incentivava garimpo ilegal na Amazônia;

– Inclusão de pessoas com deficiência na educação: decreto que extingue a segregação;

– Decreto que remove impedimentos à participação social na construção de políticas públicas;

– Despacho que determina que a CGU reavalie em 30 dias as decisões que impuseram sigilo indevido sobre informações da administração pública;

– Despacho que determina a ministros encaminhem proposta para retirar de programas de desestatização empresas públicas como Petrobras, Correios e EBC;

– Despacho que determina que ministro de estado elabore propostas de recriação do Pro-Catadores;

– Despacho para que Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas proponha, em 45 dias, nova regulamentação para o Conama.

Na cerimônia de posse dos novos ministros, depois da assinatura do documento por eles e pelo presidente, a equipe posou para a foto oficial. A nova estrutura de governo é composta por 37 ministérios.

Tomaram posse neste domingo:

Sônia Guajajara – Minstério dos Povos Indígenas

Rui Costa – Casa Civil

Flávio Dino – Ministério da Justiça e Segurança Pública

Fernando Haddad – Ministério da Fazenda

Simone Tebet – Ministério do Planejamento e Orçamento

Aniele Franco – Ministério da Igualdade Racial

Cida Gonçalves – Ministério das Mulheres

José Múcio Monteiro – Ministério da Defesa

Mauro Vieiria – Ministério das Relações Exteriores

Renan Filho – Ministério dos Transportes

Nísia Trindade – Ministério da Saúde

Margareth Menezes – Ministério da Cultura

Ana Moser – Ministério do Esporte

Carlos Fávaro – Ministério da Agricultura

Camilo Santana – Ministério da Educação

Alexandre Silveira – Ministério de Minas e Energia

André de Paula – Ministério da Pesca e Aquicultura

Luciana Santos – Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

Marina Silva – Ministério do Meio Ambiente

Esther Dweck – Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos

Carlos Lupi – Ministério da Previdência

Waldez Góes – Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional

Alexandre Padilha – Secretaria de Relações Institucionais

Daniela Carneiro – Ministério do Turismo

Silvio Almeida – Ministério dos Direitos Humanos

Margareth Menezes – Ministério da Cultura

Márcio França – Ministério dos Portos e Aeroportos

Paulo Teixeira – Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura familiar

Juscelino Filho – Ministério das Comunicações

Luiz Marinho – Ministério do Trabalho e Emprego

Márcio Macedo – Secretaria-Geral da Presidência da República

Vinícius Marques Carvalho – Controladoria-Geral da União (CGU)

Jorge Messias – Advocacia-Geral da União (AGU)

Gonçalves Dias – Gabinete de Segurança Institucional (GSI)

Geraldo Alckmin – Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

Wellington Dias – Ministério do Desenvolvimento Social

Jader Filho – Ministério das Cidades

Antes de empossar os ministros e assinar as primeiras medidas de gestão, o presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alcmkin, acompanhados das esposas, Janja da Silva e Lu Alckmin, receberam os cumprimentos de chefes de Estado e representantes de delegações estrangeiras.

No último compromisso oficial da posse, o presidente recebeu convidados e representantes estrangeiros em uma recepção no Palácio do Itamaraty.

Edição: Nádia Franco/ Agência Brasil