Serão ouvidos nesta segunda-feira, 23, na Delegacia de Homicídios da Barra da Tijuca, os policiais militares envolvidos na ação que matou a menina Ágatha Félix, de oito anos, no Complexo do Alemão, na noite de sexta-feira, 20.
Ágatha estava dentro de uma kombi com o avô, quando foi baleada nas costas.
Moradores afirmaram que PMs, armados de fuzis, atiraram contra uma moto que passava pelo local, e o tiro atingiu a criança.
O porta-voz da PM afirmou no sábado (21) que não há indicativo da participação de um policial militar na morte da criança.
Ainda não foi feito o confronto balístico com o projétil encontrado no corpo da menina, para saber se o tiro saiu da arma de um dos policiais.
A kombi onde a menina estava quando foi atingida já passou por perícia.
A Polícia Civil vai realizar uma reconstituição do caso. A data ainda será marcada. A Corregedoria da Polícia Militar abriu um procedimento para apurar a atuação dos PMs.
O caso teve grande repercussão no Congresso Nacional, onde está sendo votado o pacote anticrime, enviado ao Congresso Nacional em fevereiro pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.
Um dos dispositivos do pacote é o chamado “excludente de ilicitude”, que está sendo considerado como um estímulo à impunidade policial.
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) defendeu “uma avaliação muito cuidadosa e criteriosa sobre o excludente de ilicitude”.
Após a publicação de Maia, o ministro da Justiça e Segurança Pública também se manifestou na rede social e disse que a proposta do excludente de ilicitude não está relacionada à morte da criança.
“Lamentável e trágica a morte da menina Agatha. Já me manifestei oficialmente. Os fatos têm que ser apurados. Não há nenhuma relação possível do fato com a proposta de legítima defesa constante no projeto anticrime”, disse Moro
“Não havia tiroteiro”
O motorista que dirigia a kombi em que Ágatha Sales Félix foi baleada disse que não havia tiroteio na comunidade no momento em que ela foi atingida dentro do carro. Ele disse que viu o policial disparando.
“Não teve tiroteio nenhum, foram dois disparos que ele deu. Falou que foi tiroteio de todos os lados. É mentira! Mentira!”, disse o motorista, que esteve no enterro da menina na tarde deste domingo.
A Polícia Militar afirmou, no sábado (21), que o governo do estado está no caminho certo e que “não irá recuar” e que “não há nenhum indicativo, nesse momento, de uma participação do policial militar no triste episódio que vitimou a pequena Ágatha”.
A OAB, a Defensoria Pública e a Anistia Internacional criticaram as políticas de segurança pública do Estado do RJ e manifestaram solidariedade e apoio à família da menina.
Vanessa Sales Félix e Adegilson Lima, pais da menina Ágatha, participam nesta segunda-feira de uma manifestação marcada para acontecer às 17h, na Alerj.
O protesto vai cobrar mudanças na política de segurança pública do estado. Mais de 3 mil pessoas confirmaram presença por meio das redes sociais no evento.
Além delas, outras 7,8 mil tinham demonstrado interesse no protesto organizado por coletivos ligados ao movimentos negro e estudantil.

A kombi, onde Ágatha estava, está estacionada no pátio da especializada. É possível ver a marca de tiro no banco traseiro, sinalizada pela polícia. No entanto, não há qualquer perfuração na lataria do veículo, o que pode indicar que a porta da mala estava aberta na hora do disparo.
(Com informações da Agência Brasil, G! e Extra)