A visita inesperada do chanceler Ernesto Araújo e do deputado Eduardo Bolsonaro à Casa Branca, na sexta-feira, 30, é mais um movimento para abrir caminho à indicação do filho do presidente brasileiro para o cargo de embaixador nos Estados Unidos.
Araújo e Eduardo foram recebidos pelo presidente Donald Trump, pelo secretário de Estado, Mike Pompeo, pelo genro e assessor de Trump, Jared Kushner, e por assessores do conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton.
Os brasileiros não deram detalhes sobre os encontros, que tampouco constam da agenda oficial das autoridades norte-americanas.
“Creio que estamos em sintonia, os Governos estão em sintonia”, disse Araújo, a respeito da crise pelas queimadas na Amazônia, que colocaram o Bolsonaro como alvo de críticas, especialmente da Europa, mas não de Trump.
“Nós não tínhamos expectativa de sair daqui com nada assinado, mas achamos que é extraordinariamente significativo que o presidente Trump tenha nos recebido”, disse Eduardo Bolsonaro, indicado pelo pai para ser embaixador do Brasil em Washington, o que ainda depende da aprovação no Senado.
“Ele [Trump] reiterou várias coisas, prometeu trabalhar com a gente nessa questão do desenvolvimento sustentável na Amazônia, interesse enorme em acordo comercial amplo. Temos que sentar agora para ver como vai ser isso, como vamos modelar esse tipo de acordo”, disse o deputado.
Ele participou da comitiva na condiçao de presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara Federal.
A informação oficial sobre o encontro vinda do Itamaraty também foi pontual. A assessoria informou que Araújo “liderou delegação a Washington que foi recebida hoje pelo presidente dos EUA, Donald Trump”.
Mais cedo, o presidente Bolsonaro havia dito que havia pedido “ajuda” a Trump na crise.
A aliança entre o Planalto e a Casa Branca é um dos maiores ativos da política externa do Governo Bolsonaro, sob pressão com a crise na Amazônia —o presidente também recebeu nesta semana endosso do presidente chileno, Sebastián Piñera.
Além dos danos à imagem do país, o aumento do desmatamento e das queimadas, aliados à retórica do presidente contra a regulação e multas ambientais, já começam a ter reverberação econômica negativa para o Brasil, com o boicote de marcas norte-americanas ao couro brasileiro.
A relação do Brasil com as lideranças europeias adquire especial importância no momento em que ainda pende de ratificação nos Parlamentos europeus o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.
A UE fez questão de frisar os compromissos ambientais do Brasil no pacto, especialmente a permanência no Acordo de Paris, de combate ao aquecimento global.
A França de Macron, cujos agricultores são contra o acordo comercial com o Mercosul, se transformou num bastião de resistência ao acordo e de cobranças públicas a Bolsonaro.