Categoria: Ambiente JÁ-MATÉRIA

  • “Medidas restritivas são apenas para desacelerar a transmissão”

    “Medidas restritivas são apenas para desacelerar a transmissão”

    O biólogo aposentado, Luiz Augusto Vassoler, de 57 anos,  postou na internet um depoimento dos mais esclarecedores sobre o novo coronavirus, que está assombrando o mundo.

    Entre outras atividades, ele trabalhou  no renomado Instituto Biológico de São Paulo, onde foi assistente do cientista Moacyr Rossi Nilson, autor de pesquisas reconhecidas internacionalmente sobre o virus da raiva.

    O virus da raiva, com o qual trabalhou, é dos mais perigosos, com 99% de letalidade.

    Atualmente é professor professor de biologia. Eis o seu depoimento:

    Os vírus são muito menores que as bactérias e não são visíveis ao microscópio óptico comum MOC, só com microscópio eletrônico ME é possível visualizar e fotografar os vírus.

    Para exames rápidos de diagnóstico da raiva usamos microscópia de imunofluorescencia mas não é um diagnóstico definitivo, requer confirmação e para tal injetamos o material suspeito no meio dos cérebros de 5 ratos brancos, espeta agulha na moleira do rato, afunda e injeta.

    Após 5 dias os ratos apresentam os sintomas da raiva e o diagnóstico se torna definitivo. Sou especialista nisso.

    Bem, agora vou comentar sobre outro vírus.

    Coronavirus é o nome de uma Família de vírus que se divide em dois Gêneros, o Gênero Alphacoronavirus que possui duas Espécies, a CCoV que causa gastroenterite em cães e a Espécie FCoV que causa peritonite infecciosa felina PIF. Ambas doenças não atacam os humanos.

    Família coronavirus, Gênero Betacoronavirus que contém três Espécies que atacam os humanos:

    Especie Mers-Cov
    Causa a doença Síndrome respiratória do Oriente Médio

    Especie SARS-Cov
    Causa a doença Síndrome respiratória aguda grave.

    Espécie SARS-Cov 2
    Causa a doença CoVID-19 essa que está nos atacando agora.

    Muito bem…
    Quando nos confrontamos com um inimigo, a primeira providência é examinar quais são os pontos fracos do inimigo.

    Esses vírus possuem uma estrutura extremamente primitiva e muito frágil. É apenas um filamento de RNA envolvido por uma película lipoproteica ou seja, uma fina membrana esférica de gordura e proteína, muito fina e que não é eficiente contra a desidratação e nem como isolante térmico.

    Ao ar livre o vírus desidrata, seca e morre.

    Ele necessita sair do doente infectado e entrar pela boca, nariz ou olhos da vítima sadia e assim infectar mais um e causar a doença nele.

    Na China constataram que esse virus se mantém vivo por algumas horas fora do corpo do doente e esse tempo de vida vai depender de onde esse vírus caiu após ter saído do corpo do doente.

    Se esse vírus cair em um local exposto à luz solar, ele morre em minutos, se for sob o Sol do meio dia, morre em 2 ou 3 minutos, ele não suporta os raios ultravioleta e também desidrata rápidamente se tomar a luz do Sol diretamente.

    Em tempo nublado dura um pouco mais, talvez até uns 15 minutos.

    Se esse vírus sair do doente num lugar sem luz solar incidindo diretamente nele, um local sombreado como dentro de casa ou dentro de algum veículo e o vírus cair sobre papel, madeira, roupas e cabelos, ele sobrevive por 6 horas.

    Se o vírus cair sobre superfícies lisas, sombreadas e frias como vidro, mármores, azulejos, metais lisos, ele sobrevive por 12 horas.

    Mesmo sendo muito pequenos os vírus possuem algum peso e a tendência é cair assim que saem numa tosse, num espirro ou simplesmente uma pessoa falando que vai bater com a lingua no céu da boca e nos dentes e isso vai espirrando gotículas invisíveis cheias de virus que saem da boca.

    Mesmo apenas a respiração do doente já é suficiente para liberar vírus no ar.

    Estratégias explorando as fragilidades do inimigo:

    1. Isolamento social.

    Fundamental isso. As pessoas não devem se aproximar. A pessoa infectada pode não apresentar sintomas mas está produzindo trilhões de vírus em seu organismo e esses vírus saem pela respiração dela.

    2. Higiene correta.

    Ao usar um transporte público durante uma epidemia, é 100% certeza que em suas roupas e cabelos existem vírus vivos da doença e se apenas (1) um desses vírus atingir as mucosas dos olhos, boca ou nariz, a pessoa será infectada.

    Estratégia:

    Tendo consciência disso, não passar os dedos nos olhos, na boca e nem no nariz.
    Chegar em casa e não tocar em nada e nem em ninguém antes de lavar as mãos.

    Retire a roupa que usou e pendure num local de pouco movimento e deixe a roupa lá por no mínimo 8 horas, lembre que sobre a roupa os vírus ficam vivos por 6 horas.

    Você pendura as roupas à noite e de manhã os vírus já estarão mortos e você poderá usar essas roupas novamente mesmo que não tenham sido lavadas.

    3. Lave os cabelos.

    Não vá dormir com os cabelos infectados.
    O vírus é altamente sensível ao pH básico do sabão, sabonete, detergente; o shampoo não é muito eficiente pH quase neutro, use sabonete nos cabelos, é melhor.

    4. Ao tocar maçanetas, torneiras ou qualquer superfície lisa onde outras pessoas tocaram antes, em seguida não toque nos olhos, nariz nem boca, lave as mãos o quanto antes.

    5. Mantenha sua casa restrita a sua família mais íntima, não receba visitas durante a quarentena. Não adianta você tomar todos esses cuidados se as visitas não fizerem o mesmo.

    Se possível durmam em cômodos diferentes da casa.

    6. Desinfetantes.

    O vírus é altamente vulnerável a qualquer desinfetante, água sanitária, Lysoform, Pinho Sol e, com destaque o álcool etílico porque esse pode ser aplicado sobre a pele mas os outros não.

    As autoridades recomendam á população o uso do álcool gel 70° que contém 70% de álcool e 30% de água, recomendam esse porque esse não é explosivo, contudo quanto menos diluído for o álcool mais desinfetante ele é; em laboratório é comum usarmos o álcool 92° mas a venda ao público é proibida porque esse é altamente inflamável e explosivo mas contudo é esse que eu uso para mim mesmo, precisa ter muito cuidado para não incendia-lo, os acidentes com esse tipo de álcool costumam ser muito graves, a garrafa explode e incendeia tudo ao seu redor.

    Existe também o álcool absoluto 100% álcool e 0% de água mas esse vai queimar a sua pele e é muito caro também.

    O álcool 46° usado em limpeza é fraco mas é melhor que álcool nenhum, é útil para as mãos e limpesa de superfícies lisas.

    7. Use máscara cirúrgica todas as vezes que sair de casa ou for se aproximar de outras pessoas.

    Observações finais:

    Esse vírus possui uma capacidade infectante extraordinária, esse é o ponto forte dele, porém, a doença que ele causa tem baixo índice de mortalidade se comparado aos piores vírus que existem.

    Virus rábico da raiva, taxa de mortalidade de 99,9%.
    Vírus Ebola taxa de mortalidade de 66%.

    O vírus SARS-Cov 2 que causa a doença CoVID-19 tem taxa de mortalidade de até 20% em idosos com doenças pré existentes, diabeticos, hipertensos, cardíacos, asmáticos, aideticos, pessoas em tratamento de câncer e principalmente transplantados imunodeprimidos.

    Em adultos a taxa de mortalidade é de apenas 2%, morrem principalmente os fumantes, em crianças a taxa de mortalidade é praticamente zero % com raríssimas exceções.

    Seleção natural:

    Assim como ocorreu na epidemia pelo vírus H1N1 a gripe suína, todas as pessoas pegaram o vírus, a maioria desenvolveu anticorpos e daí em diante ficaram imunes a essa doença.

    Esse virus SARS-Cov 2 que causa a doença CoVID-19 todas as pessoas vão pegar também, a maioria desenvolverá anticorpos e ficarão imunes porém nesse processo é necessário frear a velocidade de disseminação do virus porque se pegar em todos rápido demais o sistema de saúde não dará conta de socorrer 20% da população de idosos e 2% da população de adultos.

    Que todo mundo vai se infectar com esse vírus é certeza, as medidas restritivas que estão sendo tomadas são apenas para desacelerar a transmissão.

    Sobreviverão os mais fortes e mais sadios, morrerão os mais fracos e mais doentes, a natureza funciona assim e não ha como mudar isso.

    Luiz Augusto Vassoler

  • Carvão: China aprova mina de 100 milhões de toneladas no deserto de Kumtag

    Carvão: China aprova mina de 100 milhões de toneladas no deserto de Kumtag

    A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma aprovou o plano geral para a mina de Kumtag, dimensionada parae produzir 113 milhões de toneladas de carvão por ano.

    A informação é da Xinhua, a agência oficial do governo chinês.

    Kumtag é uma área desértica no noroeste do país, na região autônoma de Xinjiang, onde estão as maiores reservas de carvão, petróleo e gás da China.

    A mina localizada no distrito de Shanshan, na cidade de Turpan, cobre uma área de aproximadamente 338 quilômetros quadrados e tem reservas estimadas em cerca de 23,5 bilhões de toneladas.

    O plano é um documento de orientação para aprovação, construção e produção do projeto na mina.

    Estima-se que as reservas de recursos de carvão de Xinjiang excedam 2,19 trilhões de toneladas, representando 40% do total do país.

    Toda a região produziu mais de 37,5 milhões de toneladas de carvão bruto no período de janeiro a fevereiro, um aumento de 17,7% em relação ao ano passado, apesar da escassez de mão-de-obra e das dificuldades de transporte ocasionadas pela epidemia da COVID-19.

  • Comunidade protesta contra contaminação da Lagoa dos Barros

    Comunidade protesta contra contaminação da Lagoa dos Barros

    Numa iniciativa do grupo de ciclistas Sapedal, a comunidade abraçou a Lagoa dos Barros com o objetivo de protestar contra o estado em que a mesma se encontra.

    A prefeitura está realizando coletas diárias e entre as hipóteses levantadas pelos especialistas estão os efluentes lançados pela Estação de Tratamento de Esgotos de Osório, mas todas os fatores estão sendo analisadas. A lagoa está interditada porque oferece prejuízos à saúde.

    Tom esverdeado espantou pescadores. Foto : Valter Souza/Divulgação

    O prefeito de Santo Antônio da Patrulha, Daiçon Maciel da Silva e o vice, José Francisco Ferreira de Jesus, lembraram que o Município entrou com ação junto ao Ministério Público pedindo a suspensão dos lançamentos e que também já havia pedido o cumprimento da sentença, tendo em vista que os níveis de fósforo estão muito acima do limite permitido.

    A Corsan emitiu uma nota informando que a Companhia já reduziu a emissão de efluentes na Lagoa dos Barros, desativou uma estação de bombeamento de esgoto e está transportando o esgoto que chega nela com caminhão para outra ETE.

    Massa gelatinosa azulada colhida na margem da lagoa, composta de fragmentos da cianobactéria formadora da floração. Foto: Hermogenes Repórter

    Conforme o Departamento de Meio Ambiente da prefeitura, nesta semana os laudos conclusivos sobre os estudos realizados devem ser apresentados.

    Daiçon disse que o Município não aceitará a poluição da Lagoa dos Barros, que será preciso provar que os efluentes da ETE de Osório não são responsáveis por isso e, que todas as possibilidades continuam sendo investigadas pelo Departamento de Meio Ambiente de Santo Antônio da Patrulha. Ele agradeceu a todos que participaram do ato, ao Sapedal pela ideia e a imprensa, Rádio Itapui, Folha Patrulhense, TV Pampa e SBT, que fizeram a cobertura do ato, fortalecendo o movimento.

    Fonte: Secretaria Municipal da Agricultura e Meio Ambiente – SEMAM

  • Quatro meses depois de surgir na China, coronavirus fez primeira vítima no Brasil

    Quatro meses depois de surgir na China, coronavirus fez primeira vítima no Brasil

    O governo do Estado de São Paulo informou, nesta terça feira, 17, a primeira morte causada pelo novo coronavírus no Brasil.

    A vítima é um homem de 62 ano, morador da capital paulista,  com histórico de diabetes e hipertensão, além de hiperplasia prostática — um aumento benigno da próstata.

    Ele teve os sintomas da doença no dia 10 de março, foi internado quatro dias depois e morreu pouco depois das 16 horas da segunda-feira, 16.

    Quatro outros óbitos ocorridos no hospital particular, onde estava o paciente, estão sendo investigados

    O homem não tinha histórico de viagens ao exterior e está sendo tratado como caso de transmissão comunitária do vírus.

    A primeira morte por coronavirus no Brasil se dá no momento em que se completam quatro meses desde que foi diagnosticado o primeiro caso da doença, na ciade de Wuhan, na China.

    O governo chinês considera a epidemia sob controle no país, mas até hoje a origem da contaminação não está confirmada.

    No Brasil, no momento em que a morte foi anunciada pelo governo de São Paulo, havia 314 casos da doença causada pelo vírus em todo o país e as autoridades da saúde ainda não tem segurança quanto sua evolução.

    Depois da morte do primeiro paciente no país, o infectologista David Uip, coordenador do Centro de Contingenciamento em São Paulo, disse que serão revistos os entendimentos sobre os períodos de evolução da doença nos pacientes graves.

    “Foi uma evolução rápida, da internação ao óbito. O caso desse paciente está fazendo a gente entender como se comporta a doença. Nós imaginávamos que o período de encubação da doença era de até 14 dias, mas a média está sendo de 6 a 8 dias até a doença se manifestar. Vamos inclusive sugerir ao Ministério da Saúde que diminua o tempo de quarentena de até 14 dias para dez”, disse Davi Uip.

     

  • Estudo da Fepam mostra onde ocorrem acidentes com cargas poluentes no RS

    Estudo da Fepam mostra onde ocorrem acidentes com cargas poluentes no RS

    A Fudação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) divulgou um estudo sobre acidentes com caminhões que transportam cargas perigosas nas rodovias do Rio Grande do Sul.

    O resultado é o primeiro Mapeamento Estadual de Acidentes no Transporte com Produtos Perigosos, relativo aos últimos 25 anos em todo o  Estado.

    Quase metade (45%) das ocorrências aconteceram na região metropolitana de Porto Alegre, totalizando 334 casos.

    O estudo  foi realizado pela Divisão de Atendimento a Emergências Ambientais (Deamb) da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).

    Os dados relativos aos pontos que oferecem mais risco poderão embasar projetos de melhorias em vias públicas e empresas.

    Em relação às rodovias, a BR-290 detém 32% do total de acidentes registrados no período. O trecho com o maior número de ocorrências é entre Osório e Porto Alegre.

    Depois vem a BR-386, com 19%, e a BR-116, com 15%. Entre as rodovias estaduais, a ERS-122, que começa em São Sebastião do Caí e termina nas proximidades de Vacaria, totaliza 25% dos acidentes.

    Conforme o responsável pelo Deamb, Rafael dos Santos Rodrigues, o estudo servirá como um documento guia para todos os segmentos da sociedade.

    “A principal função do nosso setor é coordenar as ações em um momento de risco ou acidente, integrando todas as entidades competentes. O mapeamento será de grande importância nesse trabalho conjunto”, ressalta.

    O relatório é resultado de um trabalho integrado entre a Deamb e a Divisão de Planejamento do Departamento de Qualidade Ambiental (DQA) que, por meio da sua equipe de geoprocessamento, reuniu dados obtidos durante os atendimentos da equipe da Emergência durante os anos de 1994 e 2019.

    O estudo atende ao Decreto 54.369/2018, que instituiu o Sistema de Previsão, Prevenção, Alerta e Combate aos incidentes e acidentes hidrológicos e ecológicos.

    Para a presidente da Fepam, Marjorie Kauffmann, o relatório agrega ainda mais nas ações e estratégias traçadas pela equipe.

    “O olhar sobre este conjunto de resultados será norteador para as ações do setor. Uma gestão eficiente precisa analisar os dados para pode medir sua eficácia e também determinar os passos futuros”, ressalta.

    A Emergência da Fepam trabalha 24 horas em regime de plantão com uma equipe de nove profissionais (biólogos e engenheiros).

    Eles atendem a todos os municípios do Estado, respeitando o tipo de acidente, produto ou decorrência: acidentes com o transporte de produtos perigosos, vazamento de óleo combustível de veículos, vazamento de produtos químicos, mortandade de peixes, denúncia de produtos radioativos, disposição inadequada de resíduos e poluição dos recursos hídricos, entre outros.

    De 2004 a 2019, a Fepam atendeu a 1.172 emergências ambientais, uma média de 73 atendimentos por ano.

    Somente em 2019, foram atendidas 96 emergências ambientais de todas as classificações, 32 delas relacionadas com o transporte de produtos ou resíduos perigosos, chegando a um percentual de 48% do total.

    Principais tipos de acidente:

    . acidentes com o transporte de produtos perigosos;
    • vazamento de óleo combustível de veículos;
    • vazamento de produtos químicos;
    • mortandade de peixes;
    • denúncia de produtos radioativos;
    • disposição inadequada de resíduos;
    • poluição dos recursos hídricos, entre outros.

     

     

  • Corsan diz que não provocou ‘coloração esverdeada’ na Lagoa dos Barros

    Corsan diz que não provocou ‘coloração esverdeada’ na Lagoa dos Barros

    Após reunião realizada na sexta-feira (13) entre representantes da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura ( SEMA) e suas duas vinculadas – Corsan e Fepam – e o Ministério Publico Estadual, a Companhia de Saneamento divulgou nota onde nega ter responsabilidade sobre “o episódio da coloração esverdeada na Lagoa dos Barros” e não fala em contaminação por cianobactérias, as algas azuis que dependendo do tipo são tóxicas.

    O comunicado diz que o “evento” não foi causado pelo lançamento de efluentes tratados oriundos da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Osório, mas que adotará todas as medidas para colaborar com o caso.

    “Os primeiros resultados concluíram que o problema foi ocasionado por múltiplos fatores, intensificado pela condição climática com intensa restrição hídrica decorrentes também da estiagem e altas temperaturas. A Companhia já reduziu a emissão de efluentes na Lagoa dos Barros, desativou uma estação de bombeamento de esgoto e está transportando o esgoto que chega nela com caminhão para outra ETE. Ficou definido, também, que a Corsan encaminhará ao MP na próxima semana relatório técnico sobre o assunto, salientando que a Companhia monitora a Lagoa dos Barros há mais de 10 anos e sua ETE desde a entrada em operação no fim de 2018.”

     

  • Cartilha orienta população e gestores sobre os cuidados em locais com floração

    Cartilha orienta população e gestores sobre os cuidados em locais com floração

    Vera produziu uma cartilha a fim de ensinar e alertar a população para tomarem determinados cuidados em locais com floração e orientar os agentes públicos. O título é ‘Cianobactérias: Belas mas, às vezes, perigosas.’

    Na cartilha, a bióloga explica que as cianofíceas foram os primeiros organismos produtores de oxigênio, apresentando ao mesmo tempo, características de bactérias e de algas. São seres bastante primitivos, com registros de documentos fósseis de cerca de 3,5 bilhões de anos. Ocorrem tanto na água como em superfícies sólidas, como solo, pedra e árvores.

    “Então, a gente faz esses levantamentos e produz relatórios e cartilhas para enviar aos administradores dos parques ou diretamente às prefeituras, como forma de orientá-los”, completa.

    Informações gerais

    Quais cianotoxinas elas podem produzir e quais suas consequências?

    – Neurotoxinas: atuam no sistema nervoso central, inibindo transmissão de impulsos à musculatura, provocando a morte por parada respiratória.

    – Hepatotoxinas: intoxicações, morte por hemorragia do fígado.

    – Dermatotoxinas: problemas na pele, irritante ao contato.

    Quais são os sintomas provocados pelas cianotoxinas?

    – Alergia, rinite, conjuntivite e dispneia, por inalação

    – intoxicações agudas: diarréia, náuseas, febre, vômitos, cólicas. abdominais, anorexia, astenia, hepatomegalia, por ingestão.

    – Dermtites (urticariforme), conjuntivites e rinite, pelo contato.

    Quais as consequências das cianotoxinas para o ambiente e para os seres vivos?

    Intoxicações, mortandades de peixes e de outros animais, inclusive seres humanos, têm sido registrados no mundo inteiro.

  • Zoobotânica reúne dados sobre as lagoas do litoral gaúcho

    Zoobotânica reúne dados sobre as lagoas do litoral gaúcho

    Desde que ingressou na Fundação Zoobotânica, a bióloga Vera Werner desenvolve o projeto “Diversidade e distribuição de cianobactérias formadoras de florações, com ênfase às espécies potencialmente tóxicas, em mananciais do estado do Rio Grande do Sul.

    Começou as pesquisas nas lagoas da planície costeira. Em sua tese de doutorado, as pesquisas envolveram 33 lagoas da região litorânea, de Torres ao Chuí, incluindo o banhado do Taim e a Lagoa do Peixe.

    “Então, na Lagoa dos Quadros, onde tem estação de piscicultura, a gente já observava manchas verdes na superfície da água. Sabíamos que eram florações de cianobactérias, mas ainda não se conhecia o problema das toxinas. Hoje, se sabe que determinadas espécies são tóxicas e perigosas”, observa. A Lagoa dos Patos também apresenta muito problema de floração. Já, no mar, segundo Vera, não tem essa situação. “Aquelas algas com coloração marrom, característica do litoral gaúcho, não são potencialmente tóxicas”, tranquiliza.

    Em 2003, o trabalho de mestrado de Mariéllen Martins, pelo Programa de Pós-Graduação em Microbiologia (Unesp/Ibilce), sob orientação do professor Luis Henrique Branco, com a co-orientação de Vera, envolveu áreas da lagoa do Casamento e dos butiazais de Tapes, incluindo arroios, banhados e sangradouros nos municípios de Mostardas, Capivari do Sul, Palmares do Sul, Barra do Ribeiro e Tapes.

    Neste estudo foram encontradas várias espécies até então não registradas para o Rio Grande do Sul e algumas até para o Brasil, inclusive, espécies que os pesquisadores não esperavam encontrar nesses locais.

    ‘Foi um trabalho importantíssimo, que contribuiu para conhecimento das áreas estudadas, onde vimos a importância de tais ecossistemas e a flora riquíssima encontrada ali, principalmente em regiões de banhados, que já se sabe, e não é de hoje, que são ecossistema ricos em espécies de vários grupos biológicos”, ressalta Mariéllen.

    Esse trabalho já rendeu três publicações e está saindo a quarta, todas em revistas científicas reconhecidas.

    Surgiu, então, a ideia de reunir as informações das duas grandes pesquisas e lançar um só trabalho, com intuito de divulgação científica de todo conhecimento adquirido ao longo dos anos, não apenas da região da planície costeira, mas do estado do Rio Grande do Sul. Mas é um processo demorado e, portanto, sem previsão de conclusão.

  • Bióloga gaúcha é referência em pesquisas de cianobactérias no Brasil

    Bióloga gaúcha é referência em pesquisas de cianobactérias no Brasil

    Há somente cinco pesquisadores em atividade no Brasil com conhecimento suficiente para identificar e descrever espécies novas de cianobactérias, também chamadas algas azuis ou cianofíceas. A bióloga Vera Regina Werner é uma das referências. Os outros taxonomistas estão em São Paulo.

    Pesquisadores da Argentina, do Uruguai e de todo o Brasil seguidamente trocam informações e consultam a bióloga porto-alegrense, que trabalha soma mais de 40 anos de trabalhos realizados no Museu de Ciências Naturais da FZB.

    Quando ela ingressou como estagiária e estudante do curso de Ciências Biológicas da PUC, a atual Seção de Botânica de Criptógamas (SBC) ainda era o Núcleo de Vegetais Inferiores (NVI), coordenado pela bióloga Zulanira Meyer Rosa, sua primeira orientadora.

    “Lá nas décadas de 70 e 80 a gente já reconhecia na natureza as florações, mas não eram muito estudadas as cianobactérias”, afirma.

    Sua grande inspiração foi o livro de Lothar Geitler, de 1932, em alemão, que ela considera a bíblia para os estudos das cianobactérias. Sua descendência alemã ajudou no aprendizado da língua, mas Vera admite que não foi fácil. Recentemente, o tcheco Jirí Komárek escreveu o livro Cyanoprokaryota em três volumes, que representam uma revisão da ‘bíblia’ de Geitler.

    “Tem-se que ter muito cuidado porque é um problema de saúde pública. E o pior: as cianobactérias são muito resistentes. Não adianta ferver a água porque elas podem arrebentar e liberar as toxinas na água”, ensina. “E quando atingem o solo, mesmo ali elas sobrevivem, podendo resistir por dezenas de anos em lugares secos. Elas são danadas. Não resta outra alternativa se não investir muito em educação ambiental’, insiste a bióloga.

    Hoje, há profissionais habilitados para trabalhar com as cianobactérias nos órgãos responsáveis pela qualidade da água, sendo que muitos foram treinados na Fundação Zoobotânica. Antes, Vera era chamada constantemente. Prefeitos, gestores e técnicos dos departamentos de água sempre recorreram à bióloga em busca de seu conhecimento.

    De São Leopoldo, por exemplo, iam técnicos toda semana à Fundação Zoobotânica para receber treinamento. Os custos eram irrisórios.

    A bióloga prestou muito auxílio ao DMAE, à Corsan e a companhias municipais de abastecimento de água do interior do Estado, onde havia problemas de florações. Quando não ia coletar, Vera recebia amostras de vários locais, por exemplo, de hospitais e locais de tratamento de hemodiálise. Em muitos casos foram identificados problemas graves no tratamento de esgoto.

    Vera foi chamada em São Jerônimo, quando a água ficou com coloração amarelada, devido à floração da espécie Cylindrospermopsis raciborskii, que tem essa tonalidade. No laguinho do parque de Lajeado ou da Ulbra, a bióloga identificou as espécies responsáveis pelas florações.

    Na Lagoa do Violão, em Torres, o tom esverdeado indicava a floração. Vera participou de uma reunião na Prefeitura. “Eu perguntei se tinha algum esgoto sendo lançado na lagoa e um silêncio dominou a reunião, mas, de repente, alguém disse que havia obras com esgotos clandestinos sendo lançados na lagoa”, resume. “Está aí a causa das florações. Basta fechar os esgotos e o problema será resolvido”, explicou.

    A bióloga diz que soube de casos de animais que tiveram que ser sacrificados naquele município do litoral por terem ficado com problemas graves. “Não cheguei a verificar se tinha a ver com as toxinas, mas uma pessoa pelo menos relatou que o seu cachorro entrava na lagoa com floração”, lembra Vera.

    Num laguinho do Zoológico, em Sapucaia, foram identificadas florações e animais com sintomas que podem estar relacionados às toxinas de cianobactérias.

    No Guaíba, espécie agressiva

    Em 2004, foi identificada floração de cianobactérias no Guaíba, que deu a coloração esverdeada, cheiro e gosto fortes de barro na água, características de Planktothrix, espécies potencialmente tóxicas.

    Segundo Vera, essas cianobactérias filamentosas, agressivas, são muito comuns no Guaíba durante o verão, porque se desenvolve mais em temperaturas quentes e quando chove menos. Nestas épocas o nível da água diminui, aumenta a concentração de nutrientes, criando o ambiente ideal pra esses organismos proliferarem-se.

    O último problema com a água do Guaíba, verificado no ano passado, nada teve a ver com as florações.

    Vera coletou amostras e verificou que não havia proliferação de cianobactérias.

    “Normalmente, se a gente sente cheiros da natureza, terra, mofo, peixe, estão presentes as cianobactérias. Por causa da geosmina, o cheiro liberado na água por esses organismos.”

  • Em nota, órgão ambiental pede suspensão das atividades da ETE de Osório

    Em nota, órgão ambiental pede suspensão das atividades da ETE de Osório

    Departamento de Meio Ambiente de Santo Antônio da Patrulha divulga nota sobre a situação da Lagoa dos Barros e alerta sobre os riscos de contato, seja através do acesso direto à água como através do consumo de peixes obtidos na Lagoa. Entre os sintomas provocados pela inalação, estão rinite e conjuntivite, diarreia e náuseas.

    O que está acontecendo com a nossa Lagoa dos Barros?

    Após análise laboratorial das águas da Lagoa dos Barros, realizada no Museu de Ciências Naturais da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (MCN-SEMA-RS), pela Dra. Vera Regina Werner, foi constatado que as manchas esverdeadas e azuladas na superfície da água e nas margens da Lagoa dos Barros são causadas pela multiplicação excessiva de uma cianobactéria denominada Dolichospermum planctonicum.

    Nas análises, a especialista também identificou outra cianobactéria (Dolichospermum circinale), porém de ocorrência rara. Assim, as mudanças na coloração da água e a formação de massas na lagoa dos Barros resultaram da floração (multiplicação excessiva) da cianobactéria D. planctonicum. Tais resultados são provenientes de observações de amostras da Lagoa dos Barros, coletadas periodicamente pelo Departamento de Meio Ambiente do Município de Santo Antônio da Patrulha, desde 6 de março próximo passado.

    Estes microrganismos não são algas pois apresentam ao mesmo tempo características de algas e bactérias, sendo por isso denominadas de cianobactérias.

    Em condições normais, as cianobactérias e os demais organismos aquáticos convivem de modo equilibrado. No entanto, quando há algum tipo de poluente que enriqueça a água, principalmente nitrogênio e fósforo, promovendo a eutrofização das águas, o ambiente torna-se propício à multiplicação excessiva de  cianobactérias dando origem às chamadas “florações das águas”, fenômeno que está ocorrendo na Lagoa dos Barros neste momento.

    Florações de diferentes espécies de cianobactérias são mundialmente conhecidas, causando inconvenientes sanitários, alterando a cor, o cheiro e o sabor das águas e podendo também conferir toxidez às mesmas, devido ao potencial de produzir hepato, neuro e dermatotoxinas. Estes organismos também podem produzir geosmina, que exala um acentuado cheiro de barro ou mofo, que indica a presença das cianobactérias. A utilização de águas contaminadas por toxinas produzidas por cianobactérias pode ser a causa da mortandade de peixes e de outros animais, assim como de surtos de doenças agudas e crônicas.

    Praia da Lagoa dos Barros com matéria orgânica. Foto: Valter Souza/Divulgação

    Mas qual a origem da floração das cianobactérias na Lagoa dos Barros?

    Há indícios de que após o início da operação da Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) de Osório, operada pela CORSAN, a qual lança efluente na Lagoa dos Barros, surgiram condições para ocorrência deste evento de floração das águas observada nos últimos dias. Em primeiro lugar, porque a ETE está lançando seus efluentes desde dezembro de 2018 fora dos padrões estabelecidos no estudo de capacidade da Lagoa dos Barros – este estudo foi elaborado pela Fundação Luiz Englert, através do Centro de Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul no ano de 2015 e propôs que a Lagoa dos Barros teria capacidade de receber o efluente tratado com limite de fósforo a 0,5 mg/L, parâmetro este ratificado em sentença judicial que autorizou a operação da ETE; no entanto os lançamentos têm sido superiores a este valor desde o início da operação da ETE, com valores superiores ao limite estabelecido no estudo em questão. Outro ponto a ser considerado é o relato dos moradores da região da Lagoa dos Barros, que afirmam nunca terem visto a lagoa do jeito que está. Além disto, fósforo e nitrogênio são nutrientes altamente presentes em efluentes de esgoto.

    Obviamente a estiagem e o calor contribuíram para esta floração, pois até então podemos dizer que o efluente estava sendo diluído na Lagoa dos Barros e logo no primeiro período de estiagem a floração já foi identificada.

    O que está sendo feito?

    Após a identificação da floração desta cianobactéria potencialmente tóxica o Departamento do Meio Ambiente de Santo Antônio da Patrulha – DMA e a Procuradoria Geral do Município – PGM, encaminhou comunicados aos órgãos responsáveis – Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler e Ministério Público do Rio Grande do Sul, recomendando a imediata suspensão da operação da ETE, baseado principalmente no princípio da precaução. Aliás, cabe salientar que antes mesmo deste evento de floração das águas a Prefeitura Municipal de Santo Antônio da Patrulha já vinha solicitando a suspensão da operação da ETE, pois esta não estava atendendo aos padrões estabelecidos na sentença judicial.

    Além disto, em 11 de março de 2020 o balneário da Lagoa dos Barros foi interditado, a fim de evitar o acesso da população ao corpo d’água.

    Almeja-se realizar análise da toxicidade desta floração na Lagoa dos Barros, e além disto, a equipe do Departamento do Meio Ambiente de Santo Antônio da Patrulha seguirá realizando o monitoramento da Lagoa dos Barros, a fim de acompanhar a evolução da situação de floração neste corpo d’água, assessorada pela especialista do MCN-SEMA.

    Por fim, alertamos sobre os riscos de contato com a Lagoa dos Barros neste momento de floração de cianobactéria, seja através do acesso direto à água como através do consumo de peixes obtidos nesta Lagoa. Os sintomas provocados pela inalação incluem, por exemplo, rinite e conjuntivite; quando da ingestão podem ocorrer sintomas agudos como diarréia, náuseas, febre, vômito e cólicas abdominais; através do contato direto os sinais envolvem dermatites, conjuntivite e rinite.