Categoria: Ambiente JÁ-MATÉRIA

  • Inquérito apura danos ambientais causados pelo eucalipto no Cerrado

    Inquérito apura danos ambientais causados pelo eucalipto no Cerrado

    O Ministério Público abriu um inquérito  para investigar possíveis danos ambientais causados pela expansão das plantações de eucalipto usadas pela indústria da celulose na região leste do estado do Mato Grosso do Sul.

    A apuração está a cargo da 1ª Promotoria de Justiça de Três Lagoas, que vai analisar possíveis efeitos sobre recursos hídricos, fauna e flora.

    A investigação, a cargo da Promotoria de Justiça de Três Lagoas, foi motivada por denúncias enviadas à Ouvidoria do MPMS e à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

    As denúncias baseiam-se em relatórios técnicos socioambientais produzidos na região da Costa Leste.

    Um dos principais focos da investigação é a situação das nascentes e dos cursos d’água. Estudos apresentados ao Ministério Público apontam que mais de 400 nascentes podem ter sido impactadas ou degradadas na região leste do estado, principalmente em assentamentos rurais de Três Lagoas e Selvíria.

    Conforme os documentos analisados, o avanço da monocultura de eucalipto ocorre em áreas consideradas sensíveis do Cerrado e em regiões de transição entre biomas.

    Pesquisadores e moradores demonstram preocupação com o consumo de água da atividade, desde o cultivo do eucalipto até a fabricação de celulose.

    Segundo os relatos, isso pode afetar o ciclo da água e comprometer córregos e rios da região.

    Além dos recursos hídricos, o inquérito também busca identificar possíveis impactos à biodiversidade, incluindo danos à fauna e à flora nativas decorrentes da substituição da vegetação natural.

    O órgão também vai analisar se as empresas de celulose que atuam na região cumprem a legislação ambiental.

    Entre os pontos que serão verificados estão:

    • Os licenciamentos ambientais;
    • As outorgas para captação e uso da água;
    • Os planos de manejo florestal e o cumprimento das compensações ambientais;
    • As medidas mitigadoras exigidas pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).

    (Com informações do G1)

  • Debate: o impacto dos grandes empreendimentos num contexto de mudança climática

    Debate: o impacto dos grandes empreendimentos num contexto de mudança climática

    Dois eventos vão debater os impactos sociais e ambientais de grandes empreendimentos projetados para Rio Grande do Sul, neste final de julho.  

    No dia *23 de julho (quinta-feira), às 10h, na Sala do Circo, no Multipalco,o evento reúne representantes de territórios atingidos por três grandes projetos de infraestrutura que estão em processo de instalação ou expansão no Rio Grande do Sul: datacenters, parques eólicos e indústria de celulose.

    A atividade será dividida em três blocos temáticos, com falas de lideranças Mbya-Guarani da Tekoá Guajayvi e da Tekoá Pindó Mirim, representantes do Assentamento Belo Monte e do Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais da Lagoa dos Patos, além de pesquisadores do Observatório das Metrópoles e do Comitê técnico de análise e questionamento do EIA RIMA da CMPC Celulose.

    No dia 24 de julho (sexta-feira), às 9h, o Auditório 1 da Fabico/UFRGS sedia o seminário “Perspectivas comunicacionais sobre os desastres climáticos”.

     O evento se divide em duas mesas: a primeira, “Comunicação Pública em Desastres Climáticos” conta com o jornalista e pesquisador Luciano Velleda (mestrando do PPGCOM/UFRGS), o Cacique Odirlei Fidelis (Comunidade Indígena Kaingang Van-Ká) e a jornalista Camila Santos (ex-assessora de imprensa da Defesa Civil-RS); a segunda, “Cobertura Jornalística na Enchente de 2024”, conta com a professora Eloisa Beling Loose (PPGCOM/UFRGS) e os jornalistas Luís Eduardo Gomes (Sul 21) e Katia Marko (Brasil de Fato).

    A presença do Cacique Odirlei Fidelis, cuja comunidade foi diretamente atingida pelas enchentes de 2024 e que mobilizou-se para auxiliar outra comunidade indígena ainda mais afetada, traz uma perspectiva fundamental sobre como a informação chega, ou deixa de chegar, aos territórios em situação de emergência.

    Além do Intervozes, organizam o seminário o Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM/UFRGS); o Sindicato de Jornalistas do Rio Grande do Sul (SindiJoRS) e o Fórum Nacional Pela Democratização da Comunicação – FNDC. Também há como apoiadores a Associação Riograndense de Imprensa – ARI; o Brasil de Fato e o Sul 21.

    Os dois eventos são *gratuitos, abertos ao público e contam com recursos de acessibilidade, incluindo intérprete de Libras e audiodescrição.*

    As atividades integram a programação da POACAW, que acontece de 20 a 26 de julho em diversos espaços de Porto Alegre.

    Acesse a programação: https://semanadeacaoclimatica.poa.br/

    Serviço:

    *Roda de conversa* “Vozes amplificadas: os custos socioambientais dos megaempreendimento”Data: 23 de julho de 2026 (quinta-feira)

    Horário: 10h às 12h30

    Local: Sala do Circo – Multipalco (R. Riachuelo, 1089 – Centro Histórico, Porto Alegre)

    Acessibilidade, libras e audiodescrição.

    *Seminário* “Perspectivas comunicacionais sobre os desastres climáticos”

    Data: 24 de julho de 2026 (sexta-feira)

    Horário: 9h às 12h

    Local: Auditório 1 da Fabico/UFRGS (R. Ramiro Barcelos, 2777 – Santana, Porto Alegre)

    Acessibilidade, libras e audiodescrição.

    Entrada gratuita. Aberto ao público.

  • Brasil já tem mais de 8 mil variedades no Banco Mundial de Sementes

    Brasil já tem mais de 8 mil variedades no Banco Mundial de Sementes

    Objetivo é garantir a diversidade vegetal e alimentos em situação de catástrofe, mas o local já sentiu os efeitos do aquecimento climático em 2016

    Márcia Turcato

    Paiol do fim do mu ndo ou arca de Noé dos vegetais são alguns dos apelidos do Banco Mundial de Sementes, localizado no arquipélago noruegues de Svalbard, onde o frio ártico garante a preservação das espécies.

    Neste lugar remoto do círculo polar estão armazenadas mais de um milhão de amostras de sementes de cerca de cinco mil espécies de plantas de todo o planeta e que são reservas estratégicas das nações no caso de um colapso global de safras causado por guerra ou alteração no clima.

    O banco de sementes foi inaugurado em 2008, resultado de uma parceria de longo prazo entre o governo norueguês, por intermédio do NordGen, e a organização não governamental Crop Trust.

    Ele foi projetado para preservar as sementes por milhares de anos a uma temperatura constante de -18° C. O objetivo do banco é o de proteger as sementes da extinção e garantir a segurança alimentar da humanidade. 

    O cofre, localizado na ilha de Spitsbergen, no arquipélago de Svalbard, conserva atualmente cerca de 1,38 milhão de amostras de sementes de mais de 5 mil espécies, originárias de 223 países e territórios.

    Brasil enviou sua primeira remessa de sementes para o Banco Mundial em 2012. Em 2025, foi nova remessa com o envio de 1.351 amostras de arroz e 1.350 de feijão.

    Neste junho de 2026, o Brasil fez nova contribuição ao banco, com 24 acessos, incluindo caju (2), fava (7), amendoim (4), mamona (3) e gergelim (8), vão se somar aos 8.125 já depositados pela Embrapa no silo norueguês.

    A Embrapa mantém um banco genético com cerca de 130 mil amostras de sementes, além de microrganismos, sêmen e embriões de animais, que formam o maior banco de recurso genético da América Latina e o quinto maior do mundo. 

    O Banco Mundial de Sementes tem capacidade para 4,5 milhões de amostras de sementes e o clima glacial do Ártico garante que, mesmo se houver falha no suprimento de energia elétrica das câmaras, as amostras sobrevivam. As câmaras são abertas apenas três vezes durante o ano para não impactar as sementes. A baixa temperatura e a umidade garantem a pouca atividade metabólica das sementes, mantendo a sua capacidade de germinação por séculos. 

    O biólogo Marcos Aparecido Gimenes, coordenador técnico do Sistema de Curadorias de Germoplasma da Embrapa, em Brasília, especialista em genética de plantas, explica que o Brasil aderiu à estratégia do Banco Mundial “porque ela funciona como uma espécie de seguro global da biodiversidade agrícola” . Ele salienta que “a ideia é manter cópias de segurança das sementes mais importantes do país em um local extremamente protegido, evitando perdas provocadas por desastres naturais, mudanças climáticas, guerras ou falhas nos bancos genéticos nacionais”. 

    No entanto, há outro entendimento sobre essa iniciativa global. A Via Campesina Internacional entende que as sementes são patrimônio da humanidade, e não de governos ou empresas, e que as nações precisam ter soberania alimentar, explica o engenheiro agrônomo Álvaro Delatorre, integrante da diretoria do MST- Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. Ele diz que “o conceito defendido pela Via Campesina é ameaçado pela hegemonia imposta pelo agronegócio”.

    Para o agrônomo Delatorre, “a produção de alimentos é constantemente ameaçada pela crise ambiental e conflitos armados, que provocam aquecimento global e geram enchente, furacão e estiagem prolongada, por exemplo, e tudo isso leva à extinção de espécies da flora e da fauna, além do uso de agrotóxicos agressivos e de problemas sanitários e de saúde humana”. Ou seja, o problema é causado pelas empresas multinacionais do agronegócio, com ou sem o aval dos governos, e o Banco Mundial de Sementes surge como uma estratégia desses mesmos grupos para sobreviver a um colapso global.

    Do ponto de vista da Embrapa, Gimenes conta que “a participação brasileira está alinhada aos compromissos assumidos pelo país em tratados internacionais ligados à conservação da biodiversidade agrícola e que todo material enviado para Svalbard também deve possuir uma duplicata conservada na Colbase da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, que tem condições de conservação equivalente às do banco mundial”.

    Participam da iniciativa em Svalbard governos, instituições de pesquisa e bancos genéticos que optam por armazenar duplicatas de sementes no local. “Muitos países participam, mas a adesão não ocorre automaticamente por fazer parte da ONU (Organização das Nações Unidas)”, explica Gimenes. Na prática, a maior parte dos participantes está vinculada aos acordos internacionais de conservação genética e biodiversidade coordenados pela FAO (órgão da ONU para a agricultura) e outros organismos multilaterais. 

    Sobre a resistência das sementes armazenadas na ilha, frente a alguma catástrofe, Gimenes salienta que “o objetivo do projeto é justamente funcionar como um sistema de segurança para conservação de sementes em cenários extremos”. Ele destaca ainda que “o cofre do Banco Mundial de Sementes é administrado em parceria pelo governo da Noruega, pelo NordGen- Centro Nórdico de Recursos Genéticos- e pelo Crop Trust.Trata-se de uma cooperação internacional e não de uma empresa privada”.

    O agrônomo Delatorre acredita que o Banco Mundial de Sementes, como estratégia global, talvez consiga garantir a reprodução das espécies em caso de catástrofe ambiental, “mas a questão é a quem interessa essas estratégias, quem irá se beneficiar. Se esses protagonistas da estratégia estivessem mesmo interessados em salvar a humanidade do colapso da fome, deveriam se preocupar com as 800 milhões de pessoas que passam fome no planeta”. 

    A Síria foi a primeira vítima da guerra a recorrer ao Banco Mundial. A primeira retirada de sementes do Banco Mundial aconteceu em 2015, quando o banco genético da cidade de Aleppo foi bombardeado durante um conflito civil. Foi então que pesquisadores solicitaram exemplares de trigo, cevada e grama para dar continuidade às suas pesquisas e garantir o futuro alimentar da população. A crise na Síria, no entanto, não está resolvida, frente aos constantes bombardeios do governo Israel sob pretexto de combater terroristas. 

    Arquipélago Svalbard

    As ilhas de Svalbard já foram consideradas como “terra de ninguém” e durante vários séculos eram visitadas somente por pescadores de baleias e caçadores. O arquipélago foi incorporado à Noruega em 1925 pelo Tratado de Svalbard, assinado em Paris. A região ficou sob a soberania norueguesa, mas sujeita a um regime especial de acesso aos seus recursos naturais pela comunidade internacional.

    Svalbard tem um clima muito frio e não possui uma população originária e permanente, mas registra cerca de três mil moradores temporários, principalmente noruegueses e russos. Em algumas ilhas do arquipélago ainda ocorre extração de carvão, principalmente realizada por mineradores russos. 

    Mesmo fazendo parte do círculo polar ártico, em outubro de 2016 o futuro do Banco Mundial de Sementes foi ameaçado pelo aquecimento climático. Temperaturas excepcionalmente altas no Ártico provocaram fortes chuvas e derretimento do gelo de Svalbard, resultando na entrada de água no túnel de acesso à câmara do banco. Apesar do banco e das sementes não terem sido afetadas, o governo da Noruega precisou reforçar as paredes da estrutura, confirmando que o aquecimento global é um fato irreversível e que atinge até mesmo as regiões mais geladas do planeta.

  • Terremotos que atingiram Venezuela são os maiores e foram sentidos em Belém e Manaus

    Terremotos que atingiram Venezuela são os maiores e foram sentidos em Belém e Manaus

    Dois fortes terremotos consecutivos  de magnitude 7,2 e 7,5 e intervalo de 39 segundos atingiram a região centro-norte da Venezuela  no início da noite desta quarta-feira, 24 de junho de 2026.

    Por terem sido superficiais (entre 10 km e 22 km de profundidade), causaram destruição severa e pânico generalizado. Foram descritos por um sismólogo como “devastadores”. São os maiores desde 1812, quando um grande terremoto destruir parcialmente Caracas.

    O epicentro foi no estado de Yaracuy (próximo a Yumare e San Felipe), mas o impacto foi sentido com força em vários estados e em países vizinhos.

    Localizada a quase 300 km do epicentro, a capital Caracas sofreu graves impactos estruturais. Vários edifícios e casas desabaram por completo, especialmente nos bairros de Altamira, Chacao e Los Palos Grandes.

    Prédios comerciais (incluindo um banco) vieram abaixo, fachadas ruíram e nuvens de poeira cobriram bairros inteiros.

    O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) emitiu um alerta  projetando que o número de mortes pode ser extremamente alto (com probabilidade significativa de ficar em mais de dez mil mortes e os prejuízos econômicos podem ultrapassar 10 bilhões de dólares.

    Até o momento, equipes de resgate buscam sobreviventes presos sob os escombros.

    O Aeroporto Internacional Simón Bolívar em Caracas foi danificado e teve todos os voos suspensos. O governo ordenou o corte emergencial do fornecimento de gás encanado em Caracas para evitar explosões e incêndios nos prédios colapsados.

    Os tremores foram tão fortes que balançaram prédios em Bogotá (Colômbia) e foram nitidamente sentidos no norte do Brasil, com relatos de moradores em Manaus e Belém.

    A Venezuela está posicionada sobre a complexa zona de fronteira entre a Placa Tectônica do Caribe e a Placa Sul-Americana.

    Cerca de 80% da população do país vive em áreas de alto risco sísmico. Históricamente, o país já enfrentou outros grandes desastres:

    O Terremoto de Caracas (1967): De magnitude 6.6, atingiu exatamente as mesmas áreas (Altamira e Los Palos Grandes), deixando cerca de 300 mortos e mais de 1.500 feridos.

    Idosos que testemunharam o terremoto de 1967, relataram que que este agora foi consideravelmente pior.

    Em 1997, outro forte abalo que causou graves destruições no nordeste do país. Em 2018, o Terremoto de Sucre (2018) teve magnitude de 7,3. Na ocasião, embora tenha assustado e sido sentido em dez países (incluindo o Brasil), seu foco foi muito mais profundo, o que evitou colapsos de prédios e mortes em grande escala.

    O mais antigo registrado é de 1812, que destruiu grande parte de Caracas e outras cidades importantes, sendo um dos mais letais da história do país.

    O especialistas descartam relação dos terremotos com o fenômeno do El Niño ou as mudanças climáticas. Os terremotos, explicam,  são fenômenos puramente geológicos que ocorrem a quilômetros de profundidade na crosta terrestre, movidos pelo calor interno da Terra, enquanto o clima e o El Niño operam na atmosfera e na superfície dos oceanos.



  • Desmatamento na Amazônia cai 61% em maio e faz prever menor taxa anual já registrada

    Desmatamento na Amazônia cai 61% em maio e faz prever menor taxa anual já registrada

    O desmatamento na Amazônia teve redução de 61,4% em maio deste ano, em relação ao mesmo mês de 2025.

    É a maior redução já registrada na região. Dos 960 quilômetros registrados em maio de 2025, a derrubada caiu para 370 quilômetros quadrados no mês passado.

    A divulgação dos dados mereceu  visita do presidente Lula ao Observatório Regional Amazônico, em Brasília.

    Os números, gerados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), orientam as equipes em campo para ações de combate ao desmatamento.

    A queda em maio é importante porque é neste mês que o desmatamento aumenta,  com o início da estação seca na Amazônia.

    O resultado alimenta a expectativa de que a taxa anual de desmatamento a ser consolidada em 31 de julho deste ano, será a menor desde que se tem registros. De agosto até agora, a queda no desmatamento foi de 37,5%.

    “Isso mostra que o controle de desmatamento na Amazônia está funcionando”, segundo o ministro do Meio Ambiente, Joã Paulo Capobianco

    Cerrado

    O Inpe apresentou ainda os dados de alertas para o Cerrado, que apontam para uma tendência de queda no desmatamento no bioma. Em maio de 2026, houve redução de 12,2% no desmatamento, em relação a maio do ano passado.

    Para o período agregado de agosto de 2025 a maio deste ano, a queda na supressão de vegetação foi de 8,2% em relação ao período anterior. Foram de 4.208 quilômetros quadrados de floresta desmatada.

    Acusação

    A persistência do desmatamento ilegal no Brasil é uma das alegações dos Estados Unidos para a imposição de tarifas adicionais a produtos brasileiros importados no país.

    No início deste mês, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu uma taxação punitiva de 25% diante de práticas brasileiras “irrazoáveis” e que “oneram ou restringem” o comércio estadunidense.

    Na avaliação do USTR, mesmo o Brasil tendo um marco legal para combater desmatamentos ilegais, o país tem um histórico de falhas na sua aplicação eficaz.

    O ministro Capobianco ressaltou que os dados mostram o contrário. “A Amazônia está numa nova situação com controle ambiental, com resultados realmente muito positivos”, disse.

    O presidente Lula reforçou que os Estados Unidos estão equivocados quando questionam as ações do Brasil contra o desmatamento. “Eles não sabem o trabalho que nós fazemos para fazer com que o desmatamento chegue a zero até 2030”, disse Lula sobre as metas brasileiras na área do meio ambiente e mudanças climáticas.

    (Com Agência Brasil)

  • Exportação de carne suspensa: Europa quer garantias sobre uso de antibióticos

    Exportação de carne suspensa: Europa quer garantias sobre uso de antibióticos

    A entrada de carne brasileira estará suspensa nos países da União Européia a partir de setembro. A decisão, anunciada há um, mês foi oficializada nesta sexta-feira, 5.

    A justificativa é que o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem as exigências sanitárias europeias, especialmente quanto ao uso de antibióticos ( também chamados antimicrobianos).

    Esses medicamentos são indicados para tratar infecções em animais, mas são usados indevidamente para estimular o crescimento e aumentar o peso. Eles já estão proibidos no país desde abril, mas a União Européia quer garantias e provas.

    A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor. 

    As restrições ao uso de antibióticos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo.

    Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

    A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos.

    O principal objetivo da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

    Na pecuária tradicional, alguns tipos de antibióticos são misturados à ração em doses baixas para funcionar como “promotores de crescimento”. Eles mudam a flora intestinal do animal, fazendo com que ele absorva melhor os nutrientes, gaste menos energia combatendo microinfecções e, consequentemente, ganhe mais peso em menos tempo.

    O uso contínuo de antibióticos em animais cria bactérias ultra-resistentes. Essas “superbactérias” podem passar para os humanos através do consumo ou manejo da carne.

    Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados.

    Isso exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

    A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec)disse em nota que o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.

    A decisão não significa que a carne brasileira esteja contaminada. O bloco removeu o Brasil da lista porque o governo e os produtores ainda não conseguiram fornecer documentos e sistemas de fiscalização oficiais que comprovem, animal por animal, que essas substâncias banidas não foram utilizadas.

  • Voltada para a fábrica de 25 bilhões, Barra do Ribeiro vive dias de incerteza

    Voltada para a fábrica de 25 bilhões, Barra do Ribeiro vive dias de incerteza

    Numa caminhada pelo centro de Barra do Ribeiro é possível andar dois quarteirões, quinta-feira às duas da tarde, sem encontrar uma só pessoa.

    Mas as aparências enganam na pacata cidade de 12 mil habitantes, de casas baixas e ruas silenciosas, defronte a Porto Alegre, na outra margem do Guaiba.

    Basta bater numa porta e puxar conversa para perceber que Barra do Ribeiro está em ebulição:  um negócio de R$ 25 bilhões incendeia o imaginário dos barrenses.    

    “Maior investimento da história do Rio Grande do Sul’, todos repetem. E sabem os  números de cór: 13 mil empregos na obra durante três anos, quatro mil na operação regular, 900 caminhões por dia com toras de eucalipto, bilhões de dólares de exportações de celulose por ano.  

    O dono do restaurante que oferece buffet livre com churrasco a 40 reais no centro de Barra do Ribeiro faz um cálculo: “Treze mil trabalhadores, duas refeições para cada um, são 26 mil refeições por dia, um milhão por dia”   

    O secretário de Desenvolvimento, Everton Antunes estima que 1.200 empresas se instalaram ou estão se instalando na cidade desde que o empreendimento foi oficialmente anunciado há dois anos. Dois mil prédios estão projetados – casas, galpões, edifícios para comércio e moradia.

    A maior empresa do município, a Tecnoplan, que tem 700 empregados e produz mudas para plantios florestais, vinculados à indústria de celulose, vai aos poucos sendo superada por grandes negócios imobiliários. Uma única empresa já aprovou loteamento para seis mil terrenos.

    As grandes marcas regionais – Colombo, Quero-Quero, Benoit, Becker – já exibem seus logotipos em fachadas coloridas nas ruas principais.

    As pousadas, que sempre viveram do veraneio, estão todas lotadas.  

    “Terreno aqui virou ouro”, diz o secretário de Desenvolvimento do Município, Everton Antunes. O preço dos terrenos triplicou – um lote de 300 metros quadrados num dos novos loteamentos não sai por menos de R$ 250 mil e, conforme a localização, pode chegar a R$ 1 milhão. Ele prevê “um  novo desenho” da cidade, com o aumento da população.

    É tradição em Barra do Ribeiro o carro de som que percorre as ruas comunicando o “passamento” de figuras ilustres da cidade. “Deus me livre, morrer e não ser anunciado no alto-falante”, brinca o secretário. Agora, segundo ele, a principal atividade do carro de som é percorrer as ruas anunciando empregos.

     Na unidade do Sine, por exemplo, há oferta de vagas para 130 cozinheiras por conta das empresas, inclusive de outros Estados, que se preparam para fornecer alimentação para os trabalhadores da fábrica. Cursos do Sesi e do Senai formam trabalhadores. A prefeitura pensa até em uma escola de gastronomia. “Somos a estrela da coroa”, diz o secretário Everton.

    Mas Barra do Ribeiro vive em sobressalto desde março. Uma ação civil pública, ajuizada pelo ministério público federal, pede a suspensão do licenciamento ambiental para que sejam consultadas as comunidades indígenas ou quilombolas afetadas pelo projeto e considera insuficientes os dados apresentados sobre o impacto hídrico da operação industrial.  

    A empresa, a chilena CMPC, uma das maiores “papeleiras” do mundo,  argumenta que se for cumprir as exigências o projeto perderá a oportunidade e pode ser transferido para outro lugar. Um diretor da empresa chegou a mencionar o Paraguai.

    A justiça federal não mandou parar o processo de licenciamento, mas a incerteza quase paralisa Barra do Ribeiro. “Nem é bom pensar” diz Jorge Wurdig. editor do Novo Tempo, o jornal da cidade. “Seria um retrocesso sem nome”, diz ele referindo-se à hipótese de não sair o projeto. Mas não está pessimista: “No ponto que chegou, não tem volta”.

    Na revenda cheia de carros na rua principal, o gerente não esconde a ansiedade: “Toda essa expectativa, agora estão tão dizendo que não sai mais”. Ele partilha da opinião corrente na comunidade, de que as exigências do Miniestério Público “são coisas absurdas”.  Neto do fundador, ele toca o negócio com o pai e diz que está preparado para levar adiante, mesmo sem a fábrica.

    Aos 53 anos, o secretário Antunes, nascido em D. Feliciano, tem 40 anos de Barra do Ribeiro e se considera um “barrense”. “A gente não quer acreditar”, diz ele sobre a possibilidade de transferir o projeto para outro país, como a empresa ameaçou. Ele não discute a questão ambiental, acha que há exagero quanto aos impactos. “Eles são confiáveis, usam a melhor tecnologia”, garante. “Não conheço ninguém que seja contra”, diz ele, abrindo o casaco para mostrar a camiseta da campanha pela fábrica. Mas há protestos? “Aqui, andaram umas mocinhas gravando vídeos na beira do rio, falando com pescadores, muitos nem pescadores são, a gente conhece”, minimiza.

    Um comitê, formado por professores e técnicos ligados a universidades e entidades de proteção ambiental, publicou um relatório apontando os riscos de contaminação da água devolvida ao rio, num volume equivalente ao consumo diário de toda a população de Porto Alege. Produtos químicos renitentes, usados no processo de branqueamento da celulose, podem representar risco à saúde pública, já que toda a água potável de Porto Alegre e região é captada no Guaíba.  

    A ação ajuizada em março, paralisou tudo em Barra do Ribeiro. O suspense agravou-se quando representantes da empresa passaram a falar na hipótese de transferir o projeto, até para outro país. As preocupações ambientais, se existiam, dissolveram-se.  “Desconheço quem não quer a fábrica”, diz o secretário. Ele acredita no que os diretores da empresa afirmam que a água devolvida ao Guaiba no ciclo industrial será mais limpa do que entrou. Garante que beberia um copo dessa água.

  • Audiência pública na Assembleia amplia debate sobre nova fábrica de celulose no Estado

    Audiência pública na Assembleia amplia debate sobre nova fábrica de celulose no Estado

    Não cabiam mais de 40 pessoas na pequena sala do 4° andar onde se realizou, nesta quarta-feira, 20/05, a Audiência Pública que a Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, convocou para discutir os impactos sociais e ambientais da nova megafábrica de celulose da CMPC – empreendimento de R$ 25 bilhões, o “maior da história do Rio Grande do Sul”, segundo a imprensa.

    Mais de cem pessoas, inclusive jornalistas, tiveram que assistir pelo telão no lado de fora.

    A Fepam, órgão do governo do Estado responsável pela análise do Estudo de Impacto Ambiental do empreendimento, não enviou representantes.

    O diretor de Infraestrutura da CMPC, Otemar Alencastro, apresentou um resumo do projeto, já rebatendo as principais críticas dos ambientalistas.

    Disse que a empresa realizou até agora 33 reuniões para debater as quatro mil páginas do EIA-Rima da futura fábrica, e que continua ouvindo as demandas das comunidades indígenas da região de Barra do Ribeiro, cidade escolhida para abrigar o empreendimento.

    O risco de poluição da água do Guaíba com compostos químicos altamente nocivos, como dioxinas e furanos, apontado por especialistas, foi minimizado por Alencastro. Segundo ele, os efluentes resultantes do processo produtivos serão devolvidos ao rio depois de rigoroso tratamento e sem riscos de contaminação. 

    Alencastro afirmou que o empreendimento foi concebido com premissas de sustentabilidade, incluindo reciclagem da água, manejo de resíduos sólidos, redução de combustíveis fósseis, branqueamento ECF, redução do consumo de produtos químicos e tratamento de efluentes.

    Conforme o diretor, “estudos ambientais consideraram diferentes condições climáticas, incluindo cenários críticos de cheias e estiagens, a partir de modelos de dispersão no Guaíba”.

    Segundo o executivo, a fábrica estará localizada a cerca de dez quilômetros do centro urbano, sem impacto direto para os moradores, portanto. Quanto aos impactos econômicos do empreendimento, ele ressaltos que só em Barra do Ribeiro, onde se localizará a fábrica, haverá um incremento de 300 por cento na arrecadação do município.

    Já o biólogo e professor da Universidade Federal (Ufrgs) Paulo Brack chamou atenção para o volume de água utilizada no processo de produção da celulose: 288 milhões de litros por dia, volume maior do que o consumo diário de toda a população de Porto Alegre. Desse total captado, a fábrica devolve ao Guaíba 242 milhões de litros por dia.

    Segundo Brack, que também representa o Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGá), no Conselho Estadual do Meio Ambiente do RS, muitos compostos químicos são persistentes, como organoclorados utilizados para o branqueamento da celulose. Brack lembrou que há uma cadeia alimentar que depende da água do Guaíba. “Temos 7.078 pescadores relacionados pelo Ministério da Pesca e isso dá mais que os 2.300 que a empresa garante que terão emprego após a conclusão da obra. Então esses efluentes podem comprometer não só a pesca como também todos os balneários da Costa Doce”, disse.

    A engenheira química Alda Maria de Oliveira, ex-analista ambiental da Fepam, disse que “é preocupante” a questão desses poluentes. Os próprios números da empresa indicam a emissão de diversos compostos na água.

    Alda alertou para os impactos acumulados por mais de 50 anos de funcionamento de fábricas de celulose sobre o rio. De acordo com a engenheira, os impactos atingem tanto a qualidade da água quanto os peixes consumidos pela população. “Os efeitos recaem sobre o fluxo ambiental e também sobre a vida humana”, destacou.

    O professor Brack e a engenheira química Alda Oliveira.

    Arnildo Werá, coordenador estadual da Comissão Guarani Yvyrupa, destacou que a Convenção 169 da OIT garante o direito à consulta livre, prévia e informada sempre que medidas ou empreendimentos afetarem os povos indígenas. Esse direito não é favor, nem burocracia: “É uma obrigação do Estado e das empresas”.

    A liderança denunciou que as comunidades Guarani não foram devidamente consultadas sobre os impactos da instalação da CMPC em seus territórios tradicionais. “Ignorar esse processo é violar direitos internacionais, a Constituição brasileira e a autodeterminação dos povos indígenas. Não existe desenvolvimento quando há destruição de territórios, silenciamento de comunidades e violação de direitos. O povo Guarani exige respeito, escuta e participação nas decisões que afetam seu presente e seu futuro. Respeitar a Convenção 169 é respeitar os povos originários”, destacou Werá.

    Da organização Amigas da Terra, Eduardo Raguse afirmou que a empresa já descumpre um dos itens de adequação da licença de operação relacionado ao controle de odores que causam “desconforto olfativo” à população. Raguse relatou impactos sobre a população local, incluindo registros de mal-estar entre alunos e professores da Colégio Estadual Augusto Meyer. Também alertou para o que classificou como “alto risco de acidentes”, mencionando avaliações realizadas pela Fepam nas operações da CMPC.

    O Doutor em Ciências na área de Ecologia de Paisagem e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Rualdo Menegat, alertou sobre os impactos socioambientais. “Será necessária uma estrada de 1.100 km de caminhões que trarão insumos químicos por ano. Além disso, haverá também trânsito de 273 mil caminhões por ano junto com os que trarão os lenhos, cerca de 6 mil ônibus, 29 mil carros, 29 mil motocicletas, ou seja, serão consumidos milhões de litros de diesel com as devidas emissões de CO2”, comparou Menegat.

    A deputada Sofia Cavedon lamentou que seja classificado de “grenalização” o necessário debate ambiental e criticou uma possível desqualificação de ambientalistas e pesquisadores que alertam para os impactos do empreendimento. Segundo Sofia, “os ambientalistas alertam sobre o que pode acontecer e a gente vê vários qualificativos agressivos usados contra eles. Como se fossemos eco chatos e contra o desenvolvimento, como se estes alertas não tivessem valor científico. Essas pessoas estudam pensam sobre o assunto e quem defende desenvolvimento econômico precisa considerar de forma técnica o impacto ambiental. O Guaíba não pode ser ainda mais poluído, ponto final. O Guaíba já está contaminado, e estamos falando de uma quantidade de água equivalente ao consumo de toda Porto Alegre que será utilizada pela CMPC. Porto Alegre também precisa ser consultada sobre esta nova planta, porque sofrerá os impactos”, argumentou.

    Sofia também criticou o modelo de expansão baseado no cultivo de eucalipto. Segundo ela, “não se trata de preservação, mas de uma monocultura predatória”.

  • Mel: apicultura muda de patamar e já exporta US$ 100 milhões por ano

    Mel: apicultura muda de patamar e já exporta US$ 100 milhões por ano

    Por Geraldo Hasse

    Encerrado na sexta-feira (15) no Centro de Convenções de Floripa com uma festiva distribuição de prêmios de reconhecimento a figuras do mundo apícola, o 25º Congresso Brasileiro de Apicultura e Meliponicultura (Conbrapi) provou que a cadeia de negócios do mel adquiriu dimensão equivalente à de outros ramos da agroindústria exportadora baseada na agricultura familiar – frangos, porcos e sucos, entre outros.

    Desde que incorporou a lógica capitalista, a partir do início do século XXI, o setor apícola construiu uma pirâmide econômica em cujo topo se movem algumas poucas empresas exportadoras responsáveis por receitas anuais da ordem US$ 100 milhões graças à venda de 35 mil toneladas de mel orgânico para os Estados Unidos, Europa e Japão (o Brasil é o quarto no ranking de exportação liderado pela China, que produz 450 mil toneladas/ano).

    Na rede de negócios montados a partir do resultado do trabalho das abelhas, os mais bem remunerados são os exportadores, seguidos pelos operadores de entrepostos de matéria-prima, os comerciantes, os transportadores e os técnicos agrícolas que orientam e assistem a base da pirâmide constituída por cerca de 100 mil apicultores, alguns grandes, a maioria médios e pequenos, uns autônomos, muitos unidos em associações ou cooperativas que tiram das abelhas uma renda complementar.

    Em outros patamares da pirâmide apícola se acomodam as fábricas de equipamentos e de embalagens usados. É um universo em expansão. Sem dúvida, o velho hobby de agricultores e de aposentados do funcionalismo civil e militar mudou de patamar, tornando-se um negócio cujo maior benefício é invisível – a polinização responsável pela manutenção da flora nativa e de lavouras e pomares comerciais.   

    Sem as abelhas, a preservação da natureza estaria comprometida. Por isso, a apicultura profissional ou amadora (incluindo as abelhas nativas, que não possuem ferrão nem veneno) é considerada aliada da agricultura e parceira do ambientalismo.

    Não por acaso, os temas predominam em cursos e palestras no 25º Congresso foram os de sempre: a sanidade das abelhas, a produtividade dos apiários e o fortalecimento da meliponicultura, que vem crescendo como hobby, especialmente de mulheres e jovens.

    Segundo o engenheiro florestal Edier Rodrigo de Andrade (foto), que mantém um meliponário em Blumenau, uma colônia de abelhas jataí (a espécie mais comum no Brasil) produz em média 1 kg por ano, dependendo da região. Comprado no atacado por 180 reais, um quilo desse mel costuma ser vendido como substância medicinal em pequenos frascos, multiplicando várias vezes o valor original. É esse um dos nichos mais movimentados do mercado dos derivados do mel.

    No evento de Floripa, armaram-se dezenas de bancas e lojinhas dispostas a vender desde bebidas como o hidromel até cosméticos preparados com mel, própolis e até apitoxina, o veneno da Apis melífera.

    O decano dessa especialidade é Celio Silva (foto), bioquímico de 82 anos que esteve ativo durante os três dias do congresso na lojinha da Prodapys instalada numa esquina do pavilhão de expositores. Um dos pioneiros da exportação de mel em contêineres — num contêiner de 20 pés cabem 67 tambores de 200 litros –, Silva já passou o negócio principal da família aos filhos Jamilton, Tarciano e Lisandro, que tocam a Apisnativa, baseada em Araranguá, SC, onde a Prodapys começou em 1991. Apaixonado pela bioquímica, o fundador do grupo Prodapys é um pregador da apiterapia, à qual se devotou a partir do momento em que há 40 anos trouxe de Cuba para trabalhar na Prodapys uma veterinária chamada Ana, hoje vivendo no México.

    Tal como acontece na Apisnativa/Prodapys, a segunda geração também assumiu a direção de outras duas exportadoras presentes no 25º Congresso. A Mel Brasil, com sede em Timóteo, MG, que capta mel em todo o país e exporta pelo porto do Rio, já está nas mãos dos irmãos Augusto e Gustavo Delfim, cujo pai Carlos, 70 anos, trocou as abelhas pela pecuária bovina. Há pouco mais de dois anos, ele contrataram como gerente de compras o agrônomo Thomaz Araujo Castro, responsável por um cadastro de 4 mil fornecedores de pequeno a grande porte (60 a 600 tambores/ano). Para a captação do mel, opera uma frota de 12 caminhões que viajam para as principais regiões apícolas (onde mantém depósitos) carregando 300 tambores vazios nas idas e 100 tambores cheios na volta para a processadora em Timóteo.   

    Outra grande exportadora, também presente no congresso, é a Minamel, fundada em Içara, SC, por Agenor Castagna, atual presidente da FAASC. Há quatro anos, a Minamel fundiu-se com a Supermel, fundada em Maringá pelo agrônomo Carlos Roberto Domingues, de 66 anos, que se atirou na apicultura aos 18 anos, após ouvir (como estudante) uma palestra do agrônomo paulista Warwick Kerr, introdutor da abelha africana no Brasil (em 1956). As duas empresas fizeram as primeiras exportações em 2001 — um contêiner cada uma. Segundo Domingues, que já abriu espaço na firma para o filho, a produção nacional de mel, estimada em 70 mil toneladas/ano, tende a continuar crescendo graças à conquista e manutenção de grandes mercados consumidores de mel orgânico, livre de substâncias químicas estranhas à atividade das abelhas. Domingues envia amostras de mel para análise bioquímica na Alemanha. A resposta volta em 12 dias. Se for constatado indício de veneno agrícola como o glifosato ou de pólen transgênico em uma amostra, a carga correspondente é devolvida ao produtor. “Nós temos condições de fazer análises no Brasil”, diz ele, “mas optamos pela análise fora para evitar controvérsias”.  

    FLORIANÓPOLIS: CAPITAL DA APICULTURA

    Com cerca de 2500 participantes, foi a quarta vez que Floripa reuniu o pessoal do mel de todo o Brasil. Antes, no final do século XX, a capital catarinense hospedou os congressos de 2000, de 1984 e o de 1970 – o primeiro, quando a cidade ganhara fama graças à Cidade das Abelhas, centro de pesquisas apícolas fundado em 1967 e colocado nas mãos do técnico agrícola Helmuth Wiese (1926-2002), um dos fundadores da Confederação Brasileira de Apicultura (1968) e que presidiu o congresso mundial de apicultura realizado em 1989 no Rio. (No Rio Grande do Sul, que lidera a produção nacional de mel, o Conbrapi foi realizado apenas duas vezes: em 1992 em Candelária e em 2012 em Gramado).

    A Cidade das Abelhas não existe mais como centro de pesquisa, mas sua área de 20 hectares no bairro Saco Grande virou um parque ecológico da Universidade Federal de Santa Catarina, cujo gestor é o agrônomo Ricardo Jaluski, diretor técnico do Federação Apícola do Estado (Faasc), organizadora do 25 º Congresso, em parceria com a CBA e órgãos da Secretaria da Agricultura, sobretudo a Epagri, empresa estadual de pesquisa e extensão rural (1700 funcionários) que a partir de 1991 assumiu e levou para o interior do estado o que se fez originalmente na Cidade das Abelhas. No final do século XX, a burocracia havia transformado a Cidade das Abelhas num organismo praticamente inoperante. Além de escrever livros sobre o manejo das abelhas, Helmuth Wiese incentivou a polinização dos pomares de macieiras no planalto catarinense – desde os anos 70, os apicultores são pagos para colocar colmeias nos pomares, operação que dura três semanas no início da primavera. Sem as abelhas, as macieiras produzem muito pouco. Com isso, Wiese produziu uma dupla revolução: fortaleceu a pomicultura no Sul do Brasil e deu asas à apicultura migratória, que sustenta boa parte da produção nacional de mel.   

  • Audiência debate impactos da nova indústria de celulose da CMPC

    Audiência debate impactos da nova indústria de celulose da CMPC

    Nesta quarta-feira, dia 20, será discutido o novo empreendimento de celulose da CMPC e os impactos socioambientais envolvidos no processo de licenciamento.

    Mais do que acompanhar, é hora de ocupar esses espaços, fazer perguntas, escutar diferentes perspectivas e defender o direito da população de participar das decisões sobre o futuro do estado.

    A Audiência Pública acontece às 10h30, na sala Maurício Cardoso, 4º andar no Parlamento gaúcho.
    Também com transmissão online. A organização é do Comitê Técnico de Análise e Questionamento do EIA – RIMA do novo Projeto da CMPC, e foi proposta pelos deputados Leonel Radde (PT), Miguel Rossetto (PT) e Marcus Vinicius (PP).