Mais de 90% da polinização do açaí é realizada por abelhas da Amazônia

As abelhas nativas são os principais polinizadores do açaí. É o que afirma um estudo que acaba de ser publicado na revista científica Neotropical Entomology pela Embrapa em parceria com a Universidade Federal do Pará e Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).

O trabalho mostra que elas representam mais de 90% da polinização nas flores da palmeira e são mais eficientes no transporte do pólen que os outros insetos, o que impacta diretamente na cadeia produtiva do açaí.

O estudo foi realizado em oito áreas nos municípios paraenses de Barcarena e Abaetetuba. Foram analisadas quatro áreas manejadas de açaí de várzea e outras quatro de plantios em terra firme. Nos locais, foram coletados insetos de 74 espécies diferentes que visitaram as flores da palmeira.

Oito vezes mais pólen

Autora principal do artigo, a agrônoma da UFRA Leilane Bezerra conta que ao estudar o número de grãos de pólen de açaí transportados pelos insetos, a equipe descobriu que as abelhas nativas são o grupo de polinizadores mais eficaz.

“Descobrimos que mais de 70 espécies de insetos, incluindo abelhas, moscas, vespas, formigas e besouros, transportam pólen de açaí. Mas as abelhas nativas, incluindo espécies sem ferrão (Meliponinae) e solitárias (como as da família Halictidae), carregam pelo menos oito vezes mais pólen do que os outros insetos e representam seis em cada dez visitas de insetos às flores de açaí”, revela.

O primeiro resultado encontrado pelos cientistas foi que mais da metade (51%) dos 596 insetos visitantes coletados na palmeira são abelhas nativas. As abelhas sem ferrão representam 38%; as moscas são 16%; outras abelhas (solitárias e em sua maioria nativas) somam 13%; vespas, 12%; formigas, 8%; e 6% são besouros.

A etapa seguinte foi quantificar os grãos de pólen presentes no corpo de cada inseto, o que a pesquisa chama de carga polínica. Essa atividade revelou a média de dois grãos por animal, pois em 25% deles não foi detectado pólen. “Porém, encontramos abelhas solitárias que carregavam até cinco mil grãos de pólen em seu corpo. Era como se tivesse mergulhada em farinha”, compara o biólogo Alistair Campbell, pesquisador visitante em atuação na Embrapa Amazônia Oriental.

Inserir colmeias em áreas de açaí plantado em terra firme e em áreas manejadas de várzea é uma estratégia para aumentar a produção de frutos, especialmente quando há desmatamento no entorno, segundo Campbell. Porém, nada substitui a preservação da floresta na manutenção da biodiversidade. “A gente nunca vai conseguir reproduzir o esforço da floresta”, afirma o cientista.

Manifesto denuncia tentativa de destruir “legado ambiental”

Vinte grupos que se dedicam ao jornalismo ambiental  lançaram um manifesto nesta sexta-feira, 5 de junho,  Dia Mundial do Meio Ambiente:

“O trabalho iniciado pelo professor Paulo Nogueira Neto no Governo Federal, de 1975 a 1985, criou as bases da institucionalidade e da missão do que viria a ser o Ministério do Meio Ambiente, levando a política ambiental ao patamar de política de Estado.

Cada um dos secretários, ministros e ministras que sucederam a Nogueira-Neto deixou sua marca na evolução das políticas ambientais ao enfrentar desafios na capacitação de profissionais e no estabelecimento de instâncias de fiscalização e controle de crimes ambientais em todos os biomas.

Até há pouco, o Brasil era reconhecido em foros internacionais pelos compromissos assumidos com a sua megabiodiversidade. E pelo que já realizou.

O Brasil sediou a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, também conhecida como Eco-92, evento fundamental para o futuro da sociedade humana no planeta Terra.

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente – 5 de Junho de 2020 – todas as mídias ambientais representadas nesta manifestação estão juntas em defesa do meio ambiente no Brasil.

No cenário internacional, o Brasil assumiu uma posição de protagonismo nas mais diversas conferências internacionais, em especial nas COPs climáticas, onde o Ministério do Meio Ambiente e o Itamaraty foram capitais para o avanço nos compromissos e metas para a redução da emissão de gases estufa e mitigação das mudanças climáticas.

E, em janeiro de 2019, com poucos dias de governo, o atual presidente anunciou o fim do Ministério do Meio Ambiente, o que não aconteceu graças às reações internas e internacionais.

Não demorou para arranjar alguém que aceitasse a missão de destruir o legado ambiental.

O escolhido tem no currículo uma passagem controversa pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, com condenação em um processo judicial por improbidade administrativa, que se encontra suspenso, pendente de julgamento de recurso; além de uma proximidade constrangedora com o ruralismo mais reacionário.

Depois de dois anos no poder, está claro que, não podendo extinguir o Ministério do Meio Ambiente, o atual  Governo quer destruir os organismos ambientais por dentro, com a reestruturação de colegiados para retirar a participação da sociedade organizada, os ataques deliberados aos técnicos e pesquisadores que são a base do conhecimento e da estrutura de comando e controle que tornaram o Brasil respeitado mundialmente.

Os anteriores responsáveis pela área não foram perfeitos e muitos receberam críticas contundentes de mídias e jornalistas especializados na cobertura ambiental.

Mas todos atuaram no campo da democracia e no respeito à liberdade e ao papel da imprensa na construção de sociedades modernas.

Desta vez, temos um ministro que quer aproveitar a morte de mais de 20 mil pessoas para atuar sob o manto da escuridão.

O que podemos dizer, senhor ministro, é que não há “apagão” no jornalismo ambiental brasileiro, mídias e jornalistas que cobrem meio ambiente estão atentos para cobrir cada passo seu, cada papel assinado, cada ato que parte de seu gabinete, para informar a sociedade sobre o “estelionato” ambiental engendrado para arrancar da sociedade, dos povos indígenas, quilombolas e das florestas, a vida em alguns dos mais ricos ecossistemas do planeta Terra.

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, podemos afirmar que as Mídias Ambientais brasileiras não deixarão passar nenhum ato criminoso contra a terra, a gente e a biodiversidade de nosso país com nome de árvore, Brasil”.

Assinam:

Agência Eco Nordeste – agenciaeconordeste.com.br
Agência Envolverde – www.envolverde.com.br
AgirAzul Notícias – www.agirazul.com
Amazônia Latitude – amazonialatitude.com
Amazônia Real – http://amazoniareal.com.br
AMA -Amigos do Meio Ambiente www.facebook.com/groups/amigosdomeioambiente
Blog Cidadãos do Mundo – www.cidadaosdomundo.webnode.com
Conexão Planeta – conexaoplaneta.com.br
ECO21 – eco21.com.br
Mídia Orgânica – www.facebook.com/midiaorganica
Notícia Sustentável – www.noticiasustentavel.com.br
O Eco – www.eco21.eco.br
Página 22 –  www.pagina22.com.br
Plurale – www.plurale.com.br
Projeto Colabora – projetocolabora.com.br
REAJA – Rede Ativista de Jornalismo Ambiental – www.facebook.com/redejornalismoativista
Revista Amazônia – www.revistaamazonia.com.br
Revista Ecológico – revistaecologico.com.br/revista

MPF cobra explicações sobre exonerações em Unidades de Conservação Ambiental

A Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do Ministério Público Federal (4CCR/MPF) e o Grupo de Trabalho de Unidades de Conservação do MPF cobram uma explicação por parte da presidência do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) sobre os motivos que levaram a autarquia ambiental a publicar exonerações em blocos de chefes de Unidade de Conservação em todo o país no último dia 8 de maio. O MPF quer saber, além da motivação, a razão pela qual não foram nomeados os substitutos de imediato.

O MPF requisita ainda uma manifestação do ICMBio sobre os prejuízos para a fiscalização no interior das unidades de conservação (caça, pesca, incêndios florestais, extração de madeiras etc.), diante de unidades sem chefia ou com gestão remota distante.

“Estamos apurando se está havendo, com esse ato, o desmantelamento da fiscalização das Unidades de Conservação”, declararam os procuradores da República Leandro Mitidieri, coordenador do Grupo de Trabalho, e Fábio Sanches, com atuação em Macaé (RJ), que assinam, juntamente com o coordenador da 4CCR, subprocurador-geral da República Nivio de Freitas, o ofício direcionado ao presidente do ICMBio.

Assessoria de Comunicação Social
Procuradoria da República no Rio de Janeiro

Estudantes do México criam álcool gel com plantas para população vulnerável

Alunos da Universidade Tecnológica de Tarahumara (UTT), em Chihuahua, no México, criaram um “álcool gel” baseado em hortelã-pimenta, chuchupate (erva nativa) e álcool para ajudar a população indígena e criar um produto acessível, para impedir a propagação do coronavírus COVID-19.

A instituição garantiu que o gel é produzido a partir de “plantas endêmicas da região montanhosa, com propriedades anti-sépticas”, como medida preventiva para evitar a disseminação do vírus.

O desinfetante é composto de três reagentes, o principal, como apontaram, é a raiz da planta selvagem Lingusicum Porteri, geralmente usada na área, para aliviar problemas estomacais e intestinais.

Para obter suas propriedades, o óleo essencial da planta foi extraído por filtração a quente. O desinfetante foi criado processando o óleo, a hortelã-pimenta e misturando-a com álcool.

Eles já produziram cerca de 200 garrafas, que estão sendo distribuídas na comunidade indígena em uma situação de maior vulnerabilidade econômica.

(Jornal 24 Horas)

Tribunal francês responsabiliza herbicida por danos a agricultor

A Monsanto sofreu mais um revés na Justiça por conta de problemas de saúde apresentados por um agricultor que inalou um de seus herbicidas.
Um tribunal francês concluiu que a empresa, hoje pertencente ao grupo Bayer, é responsável, numa disputa jurídica que já dura uma década. .
A  corte de apelação de Lyon definiu na última quinta-feira (11) em favor da alegação do agricultor Paul François, de que o herbicita Lasso, da Monsanto, deixou-o doente e que a rotulagem do produto era inadequada.
O veredicto, entretanto, não determina a compensação ao agricultor, que será definida por outra corte de Lyon. François busca cerca de 1 milhão de euros por danos.
A Bayer, que comprou a Monsanto em um acordo de US$ 63 bilhões no ano passado, negou que o produto cause riscos à saúde humana se usado corretamente e afirmou que está considerando suas opções legais, incluindo uma apelação diante da suprema corte francesa.
François, de 55 anos, afirma que sofreu problemas neurológicos, incluindo perda de memória, desmaios e dores de cabeça, após inalar Lasso acidentalmente em 2004, enquanto trabalhava em sua fazenda.
“O Sr. François conclui, justificadamente, que o produto, devido à sua rotulagem inadequada que não respeitava regulamentações aplicáveis, não oferecia o nível de segurança legitimamente esperado”, apontou a corte em sua decisão.

Herbicida contribui para câncer

O herbicida Roundup, ou glifosato, da multinacional Monsanto contribuiu para o câncer do septuagenário Edwin Hardeman, decidiu nesta terça-feira um juri nos Estados Unidos, em outro golpe ao gigante agroquímico, que já foi condenado em um caso similar no ano passado.

O juri avaliou que Hardeman provou que o glifosato foi “um fator importante” no desenvolvimento de seu câncer, fechando assim a primeira fase deste julgamento, iniciado em 25 de fevereiro.

A pedido do grupo alemão Bayer, que comprou a Monsanto no ano passado, os debates foram organizados em duas fases: uma “científica”, dedicada à responsabilidade do glifosato na doença, e outra para abordar uma possível responsabilidade do grupo.
“Estamos muito satisfeitos”, disse Jennifer Moore, advogada de Hardeman, após o veredicto. O demandante não falou com a imprensa.

“Estamos decepcionados” com este veredicto, respondeu a Bayer em comunicado.

Em um comunicado, os advogados de acusação acrescentaram que as discussões podem agora se concentrar em demonstrar “que a Monsanto não têm uma abordagem responsável e objetiva sobre o (perigo do) Roundup”.
“A Monsanto não se importa se o seu produto não causa câncer ou não, preferindo manipular a opinião pública e desacreditar qualquer um que levanta preocupações legítimas” sobre a questão, disseram.
Em sua declaração, a Bayer reafirmou, como sempre tem feito apesar da controvérsia em torno do glifosato, que “a ciência confirma que os herbicidas glifosato não causam câncer”.

(Da IstoÉ on line)