O engenheiro Athos Stern é mais um técnico a alertar para os riscos sociais, econômicos e ambientais decorrentes do porto a ser construído em Arroio do Sal.
O Porto Meridional, cuja construção está prevista para começar neste 2026, é um investimento privado visto pelo governo como “um avanço estratégico para a infraestrutura do Rio Grande do Sul”.
Professor aposentado da UFRGS, ex-presidente e consultor da associação comunitária, Stern lembra que um porto em mar aberto, em costa retilínea e sem proteção natural, destrói praias por definição técnica (por interrupção da deriva litorânea, dragagens constantes, molhes que deslocam a erosão para toda a costa), além de acabar com a pesca artesanal.
Ele questiona se os lucros gerados pelo porto ficarão na região ou irão para grupos empresariais e fundos privados, prevê erosão costeira, pressão urbana, aumento de custos públicos e degradação ambiental, com desvalorização dos imóveis próximos.
“Isso não é desenvolvimento regional. É extração de valor com socialização do dano”, afirma.
A íntegra pode ser lida aqui.
Também da UFRGS, o professor titular de geografia polar e glaciologia, membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e professor colaborador na University of Maine, nos Estados Unidos, Jefferson Cardia Simões, já se manifestou contrário à construção do porto.
Consultor científico do Movimento Unificado em Defesa do Litoral Norte (Movln/RS), Simões avalia que uma das consequências nefastas será a erosão ao norte e acúmulo de sedimentos ao sul, prejudicando as praias e o turismo local.