Elmar Bones
Acompanho à distância a crise que envolve a governadora Yeda Crusius. Estou com a impressão de que tanto a oposição, quanto parte da mídia (RBS, principalmente) estão fazendo uma avaliação emocional e precipitada dos fatos.
“Empurra que ela cai”, diz a campanha do Cpergs, ilustrada com fotos deformadas da governadora, numa agressão descabida. O PT dá a entender que a CPI é inevitável. E o Psol, em busca de espaço, parte para o “impeachment já”.
Quanto à mídia (RBS, principalmente) o que se vê é uma cobertura sensacionalista, acrítica e oportunista, certamente levando em conta os baixos índices de popularidade da governadora.
Quando um veículo poderoso como a Zero Hora (que acaba pautando o noticiário de todo o grupo) dá grande importância às denúncias de uma figura como Lair Ferst – denúncias já conhecidas e sem provas – é sinal que está faltando boa apuração e bom senso. A cópia do depoimento de Ferst com certeza foi entregue ao jornal por alguém interessado em jogar lenha na fogueira. Por que o jornal se deixou manipular?
Os políticos mais experiente sabem como é perigoso transformar o adversário em vítima. Se as tais provas ( que o Psol prometeu apresentar em abril ) não aparecerem, se a Justiça isentar a governadora… ela estará em condições de mostrar que foi vítima de uma “orquestração” e a opinião pública – que é volúvel, como se sabe – não hesitará em dar-lhe crédito. Inclusive, porque a mídia, governista por índole e muito sensível a certos apelo$, também poderá mudar de tom sem qualquer constrangimento.
Convém não esquecer que Yeda, mesmo em meio ao cerrado tiroteiro, tem conseguido passar a idéia de que faz uma boa gestão. São discutíveis os “feitos” do governo Yeda, mas já vi muito “comentarista” e muita gente séria lamentar a crise política que atrapalha “um governo que conseguiu o déficit zero e está atacando as corporações como nenhum outro fez”. Se as denúncias caírem no vazio, essas afirmações ganharão foro de verdade e talvez seja tarde para descontruí-las.

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