Um problema que beira os velhos tempos provoca súbita preocupação.
O jovem magistrado Sidnei José Brzuska, com 40 anos de idade, que não conhecia as entranhas do Presídio Central, conjunto de casarões que as-sombram o histórico bairro Partenon, não muito distante do centro de Porto Alegre, ao percorrer os corredores de tais masmorras, num desabafo torna-do público, comparou aquela podridão à África em guerra civil e ao Afeganistão.
Como os juízes só se pronunciam com pleno conhecimento de causa, creio que Brzuska deve ter conhecido, antes do Presídio Central, a África em guerra civil e o Afeganistão. Estabelecido o paralelo e, considerando que um juiz de direito não dá parecer e, sim, decide, mesmo num desabafo, a governadora Yeda Crusius, pisando e se deixando levar pela mesma esteira do representante da magistratura gaúcha, e ao demonstrar que não conhecia a realidade do Presídio Central e, muito menos a África em guerra civil e o Afeganistão, decretou situação de emergência nos presídios do Estado. Si-gam-me.
Preocupação
Hoje, segundo dia após a decretação de emergência nos presídios do RS, o titular da pasta da Segurança, Edson de Oliveira Goularte está em São Paulo tratando de assuntos vários. Além disso, Goularte, silencioso e atare-fado, ainda não teve tempo de dar posse ao seu subsecretário, o coronel re-formado do Exército Rubens Edison Pinto, cuja nomeação foi publicada no Diário Oficial no dia 1º deste mês. Dentro do mesmo quadro, 80 novos PMs que estão sendo instruídos com avançadas técnicas para o combate à violência e à criminalidade, foram destacados para tarefas de capina na área externa do Presídio Central. Para completar, o comandante geral da Briga-da Militar, coronel Paulo Roberto Mendes, ficou surpreendido ao tomar conhecimento da precariedade do alojamento destinado aos PMs que traba-lham naquela casa prisional, que não são melhores que as celas dos apena-dos. Isso quer dizer que a governadora Yeda, o juiz Brzuska, o secretário Goularte e o comandante Mendes estão muito preocupados e, por isso, foi decretada emergência nos presídios gaúchos.
Incêndio
O Presídio Central foi construído para ser um modelo de casa prisional, mas o incêndio da Casa de Correção, na Volta do Gasômetro, apressou a sua ocupação e pela irresponsabilidade ou incompetência dos gestores do sistema penitenciário da época, a idéia inicial nunca foi concretizada.
Estágio
Na Fase, ex-Febem, onde, na prática, infratores estagiam antes de assumi-rem a idade para ingressarem casas prisionais destinadas a adultos, há a ca-rência de, pelo menos, 300 profissionais. Neste campo, a situação de emer-gência ainda não foi decretada.
Maconha
O CPC (Comando de Policiamento da Capital) da Brigada Militar apre-endeu, na tarde de ontem, aproximadamente 500 quilos de maconha. A a-preensão ocorreu na rua B, vila Dique, Zona Norte de Porto Alegre. Outros 80 quilos de um pó branco, semelhante à cocaína, também foram encontra-dos no local. Segundo o comandante do CPC, coronel Jarbas Vanin, os PMs localizaram as drogas acondicionadas em tonéis dentro de um barraco. Nomesmo local foram encontradas três caixas vazias de cartuchos calibre nove milímetros, uma balança comercial, duas balanças de precisão, quatro coletes balísticos, três giro-flashs e uma faca utilizada para corte da droga.
Crime e castigo
Um homem foi morto, ontem, depois de assaltar o cobrador de um ôni-bus, em Viamão. De acordo com a Brigada Militar, Valdir Pilar da Silva, 22 anos, descia do coletivo com o dinheiro roubado quando foi atingido com um tiro disparado por pessoa não identificada. Valdir tinha anteceden-tes por furto e roubo.

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