Aos 88 anos, o economista Cláudio Accurso está fazendo a revisão final em seu último trabalho, um livro de 300 páginas, que lhe custou cinco anos de pesquisa.
“É um livro para provocar, para desafiar”, diz ele. Por isso, embaixo do título acadêmico “Valorização do Trabalho e Produtividade” ele acrescentou entre parêntesis: “Pensando o Brasil”.
Formado pela UFRGS, Accurso fez seus cursos de pós-graduaçâo na Universidade do Chile e na CEPAL, Nações Unidas. Foi professor universitário até 1964, quando foi cassado, sendo reincorporado em 1980.
Foi secretário do Planejamento do Rio Grande do Sul, no governo de Pedro Simon (1987-1990). Além de longos anos de assessoria governamental na área de planejamento e de projetos, tanto como integrante de quadros públicos como consultor privado, esteve também a serviço das Nações Unidas, na Bolívia e no Perú.
Uma pergunta que orientou a sua pesquisa: “Por quê o Brasil, depois de tantos planos econômicos, se mantém no mesmo patamar de atraso em relação ao mundo?”.
“Por que o Brasil não sai do lugar? Por quê está sempre patinando, quando a gente pensa que vai andar, volta tudo para trás?”.
Para buscar as respostas, Accurso concentrou-se num período de meio século, de 1960 até 2008, que é o limite para se ter números e avaliações já sedimentadas.
É um período de altos e baixos. Num primeiro momento, entre os anos 60/80, altas taxas de crescimento. O pais chegou a crescer 10 por cento ao ano durante o chamado “Milagre brasileiro”. Depois um longo período de estagnação e, em seguida, uma nova retomada.
O que impressiona, segundo o economista, é que nada disso alterou o essencial: a produtividade dos trabalhadores brasileiros segue muito baixa.
“A produtividade do trabalho segue sendo um terço apenas dos países desenvolvidos”, diz ele.
No início do período estudado, a Coréia por exemplo estava mais ou menos no mesmo nível do Brasil. “Hoje a produtividade deles é dez vezes a brasileira”.
Por quê? “Porque o motor da produtividade é a inovação. Por que o empresário brasileiro não investe nisso? Porque não precisa. A produtividade é baixa, mas a taxa de lucro dele é alta e se mantém. Ele vai investir para que?”.
Segundo ele, só com uma política econômica que eleve o custo do trabalho vai se alterar essa realidade. “Não se trata de socialismo, trata-se na verdade de desenvolver o capitalismo”.
Quando iniciou seu trabalho, aos 83 anos, Accurso já sabia que era uma questão de longo prazo. Agora com ele pronto, esse aspecto fica mais evidente. “Se não pensarmos num horizonte de 50 anos, não vamos chegar a lugar nenhum”, constata.
E completa, com otimismo: “Temos que ter a coragem de acreditar que esse quadro político deprimente que está ai vai ser superado e que vamos construir uma perspectica para o país”
Por isso, ele segue com calma, fazendo os últimos ajustes no texto, entrando em contato com outros colegas, como Bresser Pereira, preocupados em repensar o Brasil e tentando encontrar um editor que garanta uma circulação nacional do livro. (E.B.)
Accurso: "Temos que ter a coragem de pensar a longo prazo"
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