Adesão à greve dos professores é incerta


O colégio Julinho mantém suas portas fechadas desde sexta-feira (3/3)
(Fotos: Carla Ruas/JÁ)

Carla Ruas

Durante o primeiro dia de paralisação da rede de ensino estadual, não houve um consenso quanto ao número de escolas fechadas no estado. A Secretaria de Educação divulgou no final da tarde que 89,80% das instituições funcionaram normalmente nesta sexta-feira (03/03). O sindicato dos professores discorda da informação, afirmando que esta é uma tentativa do governo de desmoralizar o movimento.

O levantamento preliminar, realizado pelas Coordenadorias Regionais de Educação, consultou 2804 escolas em 30 municípios gaúchos. Apenas 286 teriam paralisado totalmente, e 214 teriam tido aulas parciais.

Para o secretário José Fortunati, a categoria não aderiu à greve em função da consciência dos prejuízos causados por uma paralisação do magistério. “Os professores e servidores de nossas escolas estão mostrando que é possível lutar por suas reivindicações, sem prejudicar o restante da comunidade escolar”.

A presidente do Cpers/Sindicato, Márcia Goldschimdt, contesta os dados obtidos pelo governo, afirmando que muitas escolas ficaram abertas, mas não tiveram aulas. “Foi um dia de reuniões entre professores, pais e funcionários. Muitos colégios resolveram hoje que vão parar a partir de segunda-feira”.

O Cpers/Sindicato compra a briga com o governo do Estado. “Começou a guerra pelos índices de adesão à greve. Esta é apenas uma tentativa do estado de desmoralizar o movimento”.

Na capital, segundo as informações da Secretaria de Educação, 214 escolas funcionaram normalmente. A reportagem do JÁ visitou três escolas: o Colégio Júlio de Castilhos está fechado com cadeado desde ontem. O Colégio Rio Branco funcionou normalmente, enquanto o Instituto de Educação teve aula até a metade da manhã, quando os professores se reuniram e optaram pela paralisação.


Estudante encontrou as portas fechadas

Carol Oliveira, estudante do 1° ano do ensino médio do Julinho, foi até o colégio no final da tarde pedindo informações, mas encontrou a secretaria fechada. “Sabia que não iria ter aula, mas achei que a escola estaria aberta”, disse. Ela entende a luta dos professores, mas acredita que poderia ser realizada de outra forma. “Os profesores poderiam ter protestado nas férias, para que os alunos não fossem prejudicados”.

O secretário da Educação, José Fortunati, reforçou na manhã desta sexta-feira a disposição do Governo do Estado em continuar a negociação da pauta de reivindicações. Mas explicou que a questão salarial não será atendida neste momento. “Aguardamos o levantamento e as projeções que estão sendo realizadas pela Secretaria Estadual da Fazenda, que permitirão ao governo, em maio, apresentar uma proposta responsável à categoria”.

Fortunati reiterou, ainda, seu pedido aos pais para que continuem levando os filhos às escolas. “Nossas instituições de ensino continuarão abertas para receber os estudantes e os professores que não optarem pela paralisação “, enfatizou. As aulas perdidas devem ser recuperadas após o dia 02 de janeiro de 2007.

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