Elmar Bones
Essa ruidosa batalha em torno da nomeação do jurista Luiz Edson Fachin para o Supremo Tribunal Federal (STF) é mais um factoide, fruto da estratégia que orienta a mídia brasileira – ou seja, a Globo e demais grupos que controlam tevês, rádios, jornais e revistas do país.
Dilma não podia ser candidata, se fosse candidata não podia ser eleita, se fosse eleita não podia governar, se governasse não poderia se reeleger, se se reelegeu…
Assim vai esse circulo de insanidades resultante das práticas lacerdistas, que na verdade tem origens mais profundas no conservadorismo brasileiro, de raízes escravocratas.
A diferença é que essa prática, no Brasil do século 21, foi assumida pela mídia que se tornou uma espécie de vanguarda da oposição mais estridente.
Essa grita contra Fachin é mais uma tentativa de não perder uma chance de desgastar a presidente, a qualquer custo. Uma crise política em torno de nada.
Haveria todo esse barulho, esse espetáculo canhestro no Senado, se não houvesse a declarada oposição da mídia à indicação de Fachin, não por nada substantivo contra ele, apenas para desgastar a presidente que o indicou?
Só a certeza de cobertura e apoio da Globo e outras emissoras explica a postura ridícula de um senador como Aloysio Nunes (PSDB/SP), questionando a autoridade da OAB para decidir sobre o exercício da profissão de advogado.
Brilhante em sua fala, Fachin desmontou a farsa. A comissão do Senado não tinha como não aprovar.
Mas a pressão midiática fez com que se ampliasse para o plenário a decisão final sobre a sua indicação. Algo nunca visto.
Tudo indica que, ao final, será mais uma derrota, mais um desgaste de um sistema de comunicação que não consegue entender seu papel numa democracia.
Daqui a pouco só vai lhes restar pedir a volta dos militares.

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