Atitude da Brigada Militar lembra os tempos da ditadura

A imprensa deu ampla cobertura e criticou ferozmente a lambança que a Brigada Militar fez no estádio Beira-Rio na tarde de domingo, 2 de outubro. O que ainda não foi dito sobre o episódio depõe ainda mais contra a corporação.
É que a briga na torcida organizada Camisa 12, iniciada depois dos 40 minutos do segundo tempo da partida, tinha sido apaziguada pelos próprios integrantes quando os policiais chegaram no local.
Só que não eram oficiais quaisquer. No capacete deles estava inscrito BOE – Batalhão de Operações Especiais, algo equivalente à Tropa de Choque. E os brigadianos que foram dar fim ao tumulto não quiseram saber de explicações de que os briguentos já tinham sido separados, nem procuraram saber quais eram os envolvidos para levá-los para fora do estádio, como se faz normalmente. Ou seja, ao invés de acabar com a bronca, reiniciaram o tumulto.
Desceram a lenha na torcida, sem fazer distinção. Logo se abriu um clarão na massa, quase todo mundo com os braços erguidos, mostrando que nada tinha a ver com a briga. Não adiantou. Foram mais cinco minutos de uma trégua de segundos interrompidas por novas agressões.
Logo, toda a massa estava contra os policiais, trocando o olé!, olé!, olé!, Inter!, Inter!, por Uh!, uh!, uh!, Brigada p.-no-c!. e outros xingamentos aos policiais, que não aceitavam as provocações e partiam pro pau de novo.
Quando o jogo acabou, a urbe se concentrou no conflito e correu os brigadianos da arquibancada. Era o momento que milhares de pessoas esperavam para fugir daquele inferno. Iniciou-se uma correria, evitada pelos pedidos de “calma”, “não corre” dos mais experientes.
Não adiantou porque tão logo foi expulsa da arquibancada, a Brigada passou a jogar bombas de efeito moral, uma atrás da outra. E bota efeito moral nisso, aquilo parecia o Iraque. A arquibancada tremia, mulheres e crianças gritavam e a fumaça liquidava com os olhos e o nariz de quem não protegesse com um pano.
Com a multidão dispersa, a Brigada voltou para terminar de esvaziar a arquibancada, dando de cassetete em mais gente inocente, inclusive em setores do estádio que nada tinham a ver com a confusão, como a Popular e a Social.
A massa não perdoou: Covardes! Covardes! Covardes! O comandante do policiamento no Beira-Rio foi afastado, o governador em exercício Antônio Hohlfeldt se desculpou, mas o episódio manchou de forma irrevogável a imagem da Brigada.
Quem sofre na pele também são os policiais, que nada tiveram a ver com o incidente. Nas ruas, bastava ver um deles fardado para pipocarem os comentários maldosos, como o de um grupo de taxistas, que alertaram um colega que passou na frente do PM. “Cuidado que o cara vai te dar porrada”.
Guilherme Kolling

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