Atletas que superam os limites físicos e do preconceito

Para Ádria é fácil correr sem enxergar, basta ter concentração (Fotos: Naira Hofmeister/JÁ)

Naira Hofmeister

Superação de limites: é essencialmente disso que se fala ao tratar com atletas paraolímpicos. Eles são cegos, não têm braços ou pernas, sofrem de deficiência mental e não querem ser diferentes. Ou melhor, buscam o direito de serem respeitados como tal.

Muito além das restrições físicas, é preciso força para lidar com mentes limitadas e com o preconceito, ainda muito presente no cotidiano destes atletas. Mais do que apoiar a equipe brasileira paraolimpica, a Caixa Econômica Federal – patrocinadora do Comitê Paraolimpico Brasileiro – está iniciando a reversão de paradigmas históricos contra esse segmento da população.

Neste final de semana será realizada a quinta etapa do Circuito Loterias Caixa Brasil Paraolimpico de Atletismo e Natação, no centro Esportivo da PUC/RS. As quatro anteriores foram um verdadeiro sucesso, reunindo uma média de 500 participantes por etapa. Além das provas, o circuito integra os atletas com a sociedade, principalmente com as crianças, realizando atividades de conscientização em escolas.

O futebol de cegos – onde os meninos devem fazer gols com os olhos vendados – e o basquete sobre rodas – no qual eles podem experimentar a sensação de disputar um jogo sobre a cadeira de rodas -, trazem a realidade dos portadores de deficiência para a sociedade em geral. “Isso é imprescindível, pois mostra à eles que ali estão heróis e heroínas”, diz Antônio Tenório, cego e tri-campeão olímpico de judô. “A pior marca que possamos fazer passa a não ter importância quando estamos com as crianças”, acredita Roseane dos Santos, a Rosinha, recordista mundial no lançamento de peso em Atenas que é amputada da perna esquerda.

Com o incentivo financeiro oferecido pela Caixa, o esporte paraolimpico vêm se desenvolvendo com velocidade, arrecadando mais espaço na mídia, descobrindo novos talentos e aperfeiçoando os já existentes: “É a primeira vez que temos um circuito profissional brasileiro, e com ele, os índices do atletas têm melhorado muito”, afirma Sérgio Gatto, vice presidente do CPB. Mas completa: “Precisamos que a iniciativa privada descubra também essa área, para que outras modalidades ganhem o mesmo destaque que estão tendo a natação e ao atletismo”. O contrato com a Caixa será renovado, garantiu Joaquim Lima, representante do banco, que investiu em 2005 mais de 3 milhões de reais na equipe paraolimpica. E, humildemente, revela: “É a Caixa que está usufruindo desses atletas. O esforço, o resultado e a determinação é toda deles. Nosso papel e só dar condições para que isso apareça”.

Velocidade às cegas

Ádria Rocha dos Santos tem uma trajetória esportiva que somente os maiores ídolos mundiais conquistaram. Com a visão comprometida desde o nascimento, já aos treze anos começou a correr. Apenas um ano depois, conquistava sua primeira vaga numa paraolimpíada. Aos 18 ficou completamente cega, mas isso não influenciou em nada sua carreira: a atleta já participou de cinco mundiais.

Difícil correr sem enxergar? “Nãããoooo… é bem fácil, basta ter concentração”, responde com a maior naturalidade a atleta. Para uma velocista com ela, é imprescindível o entrosamento com o atleta guia, aquele que vai conduzir o deficiente visual pela pista. Mas a interferência não passa disso: “Ele orienta durante a prova, avisa quando há curvas ou retas e me incentiva”, ela diz. Mas Luiz Rafael Krub, guia de Ádria, desmente a atleta: “Quando ela entra na pista, já sabe direitinho onde esta”.

A atleta já ganhou diversos títulos, inclusive o ouro nos 100mm e a prata nos 200m e 400m em Atenas. Apesar de campeã, a atleta sofre com preconceito e seu objetivo é fazer com que seja vista com profissional do esporte e não como deficiente “Na hora em que a bandeira sobre, e que toca o hino, é igual à olimpíada tradicional”.

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