Autor: Elmar Bones

  • Lições da greve: desejo de dar um basta não é suficiente

    O que a greve dos caminhoneiros deixou evidente é a indignação geral da população e o desejo de fazer alguma coisa para mudar, um impulso de protagonismo, voluntarista, sem objetivo claro.
    Como disse a líder de uma manifestação em Passo Fundo: “Vamos pegar uma carona com os caminhoneiros e vamos mudar o Brasil!”
    Em Porto Alegre 300 gaúchos a cavalo atravessaram o centro até o Palácio Piratini, para entregar uma carta ao governador Ivo Sartori, contra a corrupção e a carga de impostos.
    O governador, que não pode abrir mão de impostos, não recebeu a comitiva dos manifestantes. Quando isso foi anunciado, muitos gritavam: “Te cagaste, gringo”;
    A 200 metros dali, na Rua da Praia, cerca de 30 donas de casa e familiares desfilavam diante dos quartéis, com faixas pedindo “Intervenção Militar Já”.
    Pelo país afora, foram incontáveis as manifestações desse desejo de dar um basta, revelando uma energia social, que não consegue ser canalizada para um processo de mudança.
    A desinformação e a manipulação confundem os diagnósticos e os objetivos e resultam na pulverização das opiniões.
    Essa é a questão que fica em aberto, aguardando a próxima crise.

  • Esquerda não conseguiu carona com os caminhoneiros

    A esquerda, especialmente o PT, não conseguiu explorar a contradição que se estabeleceu com a greve dos caminhoneiros, que colocou o governo Temer contra a parede.
    O MST distribuiu alimentos em alguns pontos, as centrais declararam apoio à greve.
    Mas o  “Fora Temer “, que é o bordão de toda a esquerda não apareceu nas manifestações dos grevistas, nem mesmo dos grupos que queriam a queda do governo.
    Contradições do processo brasileiro.
     

  • Prédio histórico que ameaça desabar interdita esquina no centro de Porto Alegre

    Segue interditada desde segunda-feira a esquina da rua Riachelo com Marechal Floriano no coração do centro histórico de Porto Alegre.
    A causa é um prédio centenário que chegou a ser tombado, mas depois saiu da lista e após muitos anos de abandono está em estado considerado irrecuperável. Estacas estão segurando as colunas.
    Não se sabe a data certa da construção, mas seguramente é um dos prédios mais antigos do centro de Porto Alegre. Um comerciante antigo da rua afirma que é de 1894.
    Foi sede de uma ferragem e chegou a abrigar no segundo andar algumas academias de ginástica.

  • Jornalismo passivo

    Chamo de jornalismo passivo esse que se pratica nas nossas grandes redações, sujeito a uma pauta que vem de fora para dentro.
    São os atos oficiais, as leis, os decretos, os lançamentos, são os aumentos, os indicadores, as inaugurações, os eventos, as promoções, os projetos, as entrevistas coletivas.
    É inevitável, intrínseco ao jornalismo de massa difundido pelos grandes canais de comunicação. E, sem dúvida,  essas fontes trazem uma informação relevante, que merece a atenção que recebe.
    O problema é que esses fatos programados acabam ocupando 90% ou mais da
    cobertura.
    Uma vez fiz um levantamento na Gazeta Mercantil, que era um jornal criterioso e tinha
    uma reportagem bastante ativa. Nenhum press release era publicado sem que se falasse com o emissor, para checar todas as informações e esclarecer alguns pontos, o que muitas vezes rendia belas matérias.
    Mas mesmo na velha GZM era um desafio chegar a 30% de pautas que não viessem de agentes externos, atos oficias ou gente interessada em divulgar a sua informação, vender o seu peixe.
    É legítima essa pressão, e a imprensa existe também para isso, mas ela deveria ser equilibrada internamente, com as pautas de quem não tem assessoria, não organiza eventos, nem assina decretos, mas é o verdadeiro sentido do jornalismo: a cidadania.
    O jornalismo passivo é cômodo e vantajoso. O espaço na mídia concentrada é disputado, é só selecionar as informações relevantes, a margem de erro é quase zero, não gera atrito com ninguém e, importante nesses tempos de crise, economiza mão de obra.
    Mas tem um efeito colateral daninho: torna-se um jornalismo oficioso, acomodado, que se vale do bom trânsito com a autoridade.
    Aí acontece uma “greve de caminhoneiros”.
    Há um mês ela foi anunciada ao governo. Como o governo não divulgou os ofícios que recebeu das associações dos caminhoneiros, a manchete não foi notícia.
    O vídeo que mostra como uma greve de caminhões pode paralisar o país em cinco dias, só foi divulgado nesta sábado, sexto dia da greve. A federação que o produziu diz que ele é do ano passado.
    No sexto dia da greve, com o país mergulhado na crise, pouco se sabe das reais motivações e dos agentes desse movimento.
    O jornalismo passivo deveria pedir desculpas ao país pelos prejuízos da desinformação.
     

  • Familias removidas para ampliação da pista do aeroporto denunciam ameaças

    Foi levado ao Ministério Público ao Ministério Público estadual, na manhã desta sexta-feira (25.05) o drama de mais de 800 familias da Vila Nazaré, que será removida para dar lugar à ampliação da pista do aeroporto Salgado Filho.

    A Nazaré é resultado de uma das 300 ocupações irregulares em Porto Alegre, onde  vice quase 20% da população da capital gaúcha,

    A iniciativa de levar o assunto ao MP foi do deputado Pedro Ruas, a  partir da Audiência Pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia na noite de quarta-feira (23.05), na qual compareceram mais de mil pessoas.

    Conforme foi apurado, cerca de 1.200 famílias serão removidas do local, onde residem há muitos anos.

    Desse grupo, 360 famílias foram informadas que serão removidas para o Condomínio Nosso Senhor do Bonfim, no bairro Sarandi, o que todos concordam, desde que cada um em sua moradia.

    Outro grupo de 840 famílias deverá ser encaminhada para o bairro Timbaúva na grande Rubem Berta, o que vem causando desespero, pois muitos estão recebendo recados de traficantes, indicando “que se forem morar naquele local poderão levar suas mortalhas junto”, porque serão mortos.

    Além desse drama, lideranças da Associação dos Moradores da Vila Nazaré relataram que em conversas com moradores da Rubem Berta, souberam que aquela vila não dispõe de serviços essenciais como escolas, creches e postos de saúde.

    “Há desesperança em relação a serviços essenciais, já que todos sabemos que não existe estrutura na Rubem Berta. Além disso, há muito medo entre nossas famílias”, acentuou Júlio Cesar Ortiz, presidente da Associação. Disse que de concreto, existem apenas promessas de construções dessas estruturas.

    Diante desse impasse e da gravidade dos fatos relatados, o deputado Pedro Ruas, que presidiu a audiência, sugeriu a desapropriação de áreas particulares próximas da Vila Nazaré para construir as moradias dessa comunidade.

    “Se na Rubem Berta não existem condições de segurança pública e serviços essenciais nem para os que lá residem atualmente, a solução será a desapropriação de área próxima ao local onde vivem”, disse o parlamentar. O tema será debatido nesta sexta-feira, perante o MPE.

    A Audiência Pública foi realizada na Escola de Ensino Fundamental Ana Neri e contou com a presença de diversas autoridades e lideranças, entre essas a do procurador regional dos Direitos do Cidadão, Enrico Rodrigues de Freitas, do Ministério Público Federal; da Defensoria Pública da União, através da defensora Ana Luísa Zago Wexel; da Defensoria Pública do Rio Grande do Sul, através da defensora Isabel Rodrigues; da Caixa Econômica Federal, através da diretoria de habitação, Angélica Djenani Philippe Correa; da Brigada Militar, através do tenente-coronel Nunes, comandante do 20 º Batalhão; do representante do DEMHAB, Mário Marchezan; da representante da Fraport – empresa que administra o aeroporto – Paula Edith; representante do MTST, Fernando Campos e da vereadora Fernanda Melchionna.

    (Com informações da Assessoria)

  • Crise dos combustíveis antecipa fim de semana e tem desfecho imprevisível

    Menos carros nas ruas, filas nos caixas e compras reforçadas eram os sinais visíveis, já na tarde de quinta-feira, de que a maioria dos brasileiros se prepara para um fim de semana sem gasolina nos postos e falta de produtos nas gôndolas dos supermercados.
    Entrando no quinto dia nesta sexta-feira, a greve dos caminhoneiros já afetas todos os setores da economia do pais e ameaça provocar uma crise de desabastecimento sem precedentes, além de efeitos políticos imprevisíveis. .
    Depois do fracasso das negociações na quinta-feira, não há perspectiva de uma solução para a crise nesta sexta-feira.
    A greve deve continuar, no mínimo até segunda,  mesmo que negociações emergência ocorram sábado ou domingo.
    O certo, neste quinto dia, é que a duração, o alcance e as consequências finais desse movimento, ainda pouco conhecido, são imprevisíveis.

  • Brasileiro quer Estado forte regulando a economia, diz pesquisa

    Dados de uma pesquisa publicados no blog do professor Fernando Nogueira da Costa, com o titulo “Apoio Popular a Estado Desenvolvimentista” revelam que entre as demandas políticas do brasileiro não está a diminuição do tamanho do Estado.
    Ao contrário, a maioria acha que::

    • A economia do país deve ser regulada mais pelo Estado do que pelo mercado.
    • O Estado deve ser dono das empresas mais importantes do país.
    • Ser também o responsável pelo bem-estar da população e pela redução das variadas manifestações de desigualdade.
    • Sem margem para dúvida, tem de garantir as aposentadorias aos mais velhos e ser o principal provedor dos serviços de saúde e educação.

    A pesquisa quantitativa nacional feita em março de 2018 pelo Instituto da Democracia e da Democratização da Comunicação, parte do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT). “O estudo mostra valorização e desejo de um Estado grande, forte, presente e interventor”.
    O levantamento foi feito entre os dias 15 e 23 de março com 2,5 mil entrevistas domiciliares em 179 municípios de 25 Estados e do Distrito Federal (exceção foi o Amapá). A margem de erro do estudo é de dois pontos para mais ou para menos.
    Na apuração, os entrevistados eram convidados a estabelecer valor numa escala de 1 a 10 em diversos temas. As notas inicias eram associadas à maior presença do Estado nas questões propostas. As notas maiores, à maior participação do setor privado.
    O estudo mostra que o estatismo cresce quanto maior for o caráter social da questão proposta. Exemplo: 42,7% dos entrevistados estão totalmente de acordo com a ideia segundo a qual “o Estado, mais do que o setor privado, deve ser o principal responsável por prover educação”. É onde o clamor pela presença do Estado atingiu a taxa mais expressiva. No polo oposto, somente 3,5% estão totalmente em desacordo com isso. No caso da saúde, os resultados foram parecidos: 42,2% favoráveis ante 3,4% que discordam.
    Quando o assunto é regulação, o tendência pró-Estado também vence, mas com margem consideravelmente menor: 14,6% são favoráveis à presença máxima do Estado ante 10,5% que preferem máxima liberdade para o mercado. Sinal do equilíbrio foi a frequência de opções pelas notas intermediárias (5 e 6): 22,2%.
    Algo mais ou menos na mesma linha ocorre quando o brasileiro é chamado a opinar sobre o controle das empresas: 17,4% estão totalmente de acordo com a ideia segundo a qual o Estado deve ser o dono das principais companhias. Outros 21,6% adotam posições próximas dessa. Os que discordam totalmente ou parcialmente somam 28,1%. Posições intermediárias são 19,2%.
    O Instituto responsável pela pesquisa é composto por representantes de quatro instituições acadêmicas principais (UFMG, Iesp/Uerj, Unicamp e UnB). Os resultados serão objeto de estudos que deverão ser destrinchados por pesquisadores ao longo dos próximos meses.
    Responsável pela condução da pesquisa, o cientista político Leonardo Avritzer, da UFMG, afirma que os resultados demonstram “consolidação” de um modelo de proteção social criado pela Constituição de 1988. Ele lembra que a Carta está na origem de vários aparatos de proteção, como o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), entre outros.

    “Outro aspecto a ser destacado é que o liberalismo brasileiro, pelo que a pesquisa sugere, ainda não passou na prova de que consegue organizar a proteção social, gerar melhores salários e melhores serviços de saúde e educação“, disse. “A população percebe isso”, completou.
    A mesma pesquisa identificou que o apreço pela democracia tem diminuído. Há desconfiança geral em relação às instituições, e “o apoio à hipótese de um golpe parece crescente”. Ora, a direita e a imprensa deram já o apoio a um golpe! Aliás, dois: em 1964 e 2016!

    Apoio Popular a Estado Desenvolvimentista

  • Com Temer fora, Estadão aposta no continuismo com Meirelles

    Em editorial nesta quinta-feira, um dia depois que o presidente Michel Temer desistiu de sua patética candidatura e declarou apoio a seu ministro da Fazenda Henrique Meirelles, o jornal o Estado de São Paulo declarou seu voto a Meirelles, o candidato de “todos os brasileiros ajuizados”, segundo o vetusto diário, um dos baluartes do conservadorismo paulista, dono da agência Estado, que fornece noticiário para mais de 300 veículos de comunicação no país.
    O editorial, que ressalta a “recuperação da economia”, filia o jornal às “forças do centro democrático” e pede “compromisso com o reformismo e a responsabilidade fiscal”. Ou seja a continuidade do atual governo, sem Temer.
    Leia a integra:
    “No momento em que candidatos à esquerda e à direita mobilizam as atenções com propostas simples – e em geral erradas – para problemas complexos, trazendo profunda inquietação sobre o resultado da eleição presidencial, é alentador que as forças do centro democrático estejam se organizando para levar ao eleitor propostas que expressem seu compromisso com o reformismo e com a responsabilidade fiscal.
    O nome mais recente a se oferecer para levar adiante essa bandeira – que não é apenas do atual governo, mas sim de todos os brasileiros ajuizados – é o do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, apresentado pelo presidente Michel Temer como pré-candidato do MDB à Presidência. Meirelles pretende usar como trunfo seus bons resultados à frente da equipe econômica de Temer, que conseguiu debelar, em prazo curtíssimo, a imensa crise legada pela administração irresponsável da presidente cassada Dilma Rousseff.
    O País saiu de uma recessão de quase 8% em dois anos, com queda de 9% na produção industrial, inflação de 9,3% e taxa de juros de 14,25% em maio de 2016 para uma retomada do crescimento que pode superar 2% neste ano, com aumento de 3% na produção industrial, inflação sob controle – menos de 3% – e juros básicos em nível civilizado (6,5%). A retomada da economia ainda está muito aquém da capacidade e do potencial do Brasil, mas, quando se olha o passado recente, a sensação é de alívio.
    No entanto, ainda há muito a ser feito para garantir que essa recuperação seja mantida, a começar pelas reformas que ficaram pendentes – e que não foram aprovadas em razão da erosão do apoio parlamentar ao governo de Temer, depois que o presidente se viu bombardeado por denúncias repletas de escândalo e carentes de provas. A principal reforma, como se sabe, é a da Previdência, sem a qual o funcionamento da máquina do Estado ficará severamente comprometido.
    As forças do atraso, contudo, apostam na ignorância e na mistificação para prevalecer. Em vez de aceitar a responsabilidade fiscal como um fato incontornável, já há quem defenda até mesmo o calote da dívida – ameaça cuja mera menção, a depender da viabilidade eleitoral de quem a enuncia, é capaz de desestabilizar os mercados. Foi exatamente o que aconteceu em 2002, quando a possibilidade real de vitória do então candidato do PT à Presidência, Lula da Silva, foi suficiente para causar enormes transtornos à economia, em razão da natural identificação do PT com a irresponsabilidade.
    Mutatis mutandis, pode-se dizer que a marcha da retomada do crescimento no governo de Temer foi interrompida em razão da perspectiva tenebrosa de que um desses aventureiros possa ter chances reais de chegar lá. Afinal, poucos são os empresários que se dispõem a investir na produção no momento em que não se sabe que rumo terá o próximo governo – se na direção do desenvolvimento ou na do abismo.
    Não por acaso, Meirelles salientou esse cenário em seu discurso, ao dizer que candidaturas de risco geram instabilidade. É hora, portanto, de mobilizar as forças políticas engajadas no reformismo e na gestão sensata das contas públicas para isolar os que, ao contrário, lucram com o tumulto. Se devidamente esclarecidos, os eleitores haverão de reconhecer que não há outro caminho senão o aprofundamento das medidas de austeridade para recolocar o País no rumo do desenvolvimento sustentável. No caso de Meirelles, a plataforma para esse fim, consubstanciada no documento Encontro com o Futuro, lançado pelo MDB junto com a pré-candidatura do ex-ministro, delineia claramente o objetivo de abandonar a cultura estatista e aprofundar a economia de mercado, realizando as reformas necessárias para viabilizar esse modelo, o único capaz de garantir o futuro do País.
    É claro que os obstáculos para uma candidatura com esse espírito são inúmeros – a começar, por exemplo, pelo próprio MDB, que tem entre seus caciques aqueles que não pensam senão em seus próprios interesses e não se vexam de se aliar à turma do retrocesso, mesmo que seja o lulopetismo. O caminho, portanto, será árduo, mas pode-se dizer que, apesar das trovoadas, o horizonte começa a se tornar um pouco menos cinzento.

  • Aurora Alimentos anuncia paralisação total por causa da greve dos caminhoneiros

    U R G E N T E

    Greve dos caminhoneiros causa paralisação total na Aurora Alimentos

    A Cooperativa Central Aurora Alimentos comunica que, em consequência da greve que atinge o setor de transportes nas regiões onde estão instaladas as suas unidades produtivas, paralisará totalmente as atividades das indústrias de processamento de aves e suínos em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul (inicialmente) nesta quinta e sexta-feira, dias 24 e 25 de maio de 2018.

    A suspensão total das atividades tornou-se imperativa e inevitável em razão dos efeitos do movimento grevista que impede a passagem dos caminhões que transportam todos os insumos necessários ao funcionamento das indústrias e, também, o escoamento dos produtos acabados para os portos e os centros de consumo. A capacidade de estocagem de produtos frigorificados – de 50 mil toneladas – está exaurida.

    No campo, as famílias rurais são as mais prejudicadas porque o mesmo movimento grevista impede o fornecimento de ração, pintinhos, material genético, remédios etc. aos milhares de produtores rurais, colocando em risco imensos planteis de aves, suínos e bovinos. Ao mesmo tempo, impede a retirada da produção agrícola e pecuária.

    Dessa forma, o sistema de produção no campo e na cidade ficou asfixiado e impossibilitado de operar em face da falência de suprimentos.

    Sem fazer qualquer julgamento sobre a legitimidade ou a legalidade da greve, a Aurora Alimentos adverte para o sofrimento e as perdas que estão sendo impostas a milhares de famílias rurais, trabalhadores urbanos, micro e pequenas empresas da cadeia produtiva e ao sistema cooperativista.

    Mesmo que, eventualmente, a greve venha a ser encerrada nas próximas horas ou dias, a paralisação das unidades industriais nesta semana não poderá ser cancelada em face das condições adversas que se criaram ao fluxo normal da produção.

    Nesses dois dias em que as plantas industriais da Aurora estarão fechadas:

    • 7 indústrias de aves e 8 indústrias de suínos estarão inoperantes;
    • 28 mil trabalhadores diretos estarão dispensados temporariamente do trabalho;
    • Cerca de 8 mil produtores rurais terão que adotar regime de restrição alimentar aos plantéis de aves, suínos e bovinos;
    • A escassez ou falta de rações prejudicará de forma insidiosa o desenvolvimento de um plantel de 32 milhões de frangos e 1 milhão 260 mil suínos porque, quando o movimento dos caminheiros cessar, os prejuízos continuarão se manifestando nesses ativos biológicos mal-nutridos;
    • 2 milhões de aves e 40 mil suínos deixarão de ser processados apenas nesses dois dias;
    • 300 caminhões câmaras-frias/dia, 200 caminhões com cargas vivas/dia e 120 caminhões de ração/dia deixarão de circular.

           Tudo isso representa mais de R$ 50 milhões de prejuízos para toda a cadeia produtiva ancorada na Aurora Alimentos, justamente em um ano em que a perda de mercados e problemas conjunturais já sacrificam severamente a agroindústria da carne com milhões em perdas.

    A Cooperativa Central Aurora Alimentos apela para que o Governo e o Movimento dos Transportadores dialoguem e, num exercício de grandeza e compreensão com os graves problemas nacionais, encontrem uma alternativa para por fim à greve, pois reconhece a enorme importância do setor de transporte rodoviário para o País e o papel social e profissional dos caminhoneiros

    Chapecó (SC), 22 de maio de 2018.

  • Prefeitura começa a escolher novo gestor privado para o Mercado Público

    A Prefeitura de Porto Alegre apresentou  o “edital de Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) para o Mercado Público” durante cerimônia no Paço Municipal.
    Através do edital será escolhido o novo concessionário privado que vai administrar o mercado.
    O prefeito Nelson Marchezan Júnior afirmou que com a mudança os permissionários terão uma gestão mais qualificada com mais segurança, limpeza e uma estrutura melhor.
    “Os permissionários nos seus contratos não serão afetados, mas no ponto de vista de espaço público haverá uma melhora significativa dos serviços”, disse.
    O prefeito afirmou que a PMI foi discutida diversas vezes com a Associação dos Permissionários e foi “um processo tranquilo”.
    O secretário municipal de Parcerias Estratégicas, Bruno Vanuzzi, disse que a iniciativa tem objetivo de preservar os equipamentos e as estruturas tombadas, a continuidade dos contratos de permissão até o término de sua vigência e o impedimento de apresentação de soluções de incentivos fiscais e tributários não previstos na legislação.
    Vanuzzi destacou ainda que o PMI serve como instrumento jurídico que irá permitir à iniciativa privada a elaboração de estudos técnicos e, também, de viabilidade econômica para os projetos de parceria público-privada.
    Para que ocorra o fechamento de contrato de concessão com o parceiro privado, é preciso desenvolver a modelagem do que será apresentado na licitação.
    “É um processo de coleta de projetos e propostas da sociedade. Procedimento de manifestação de interesse é uma prática bem comum no mercado de infraestrutura e é uma forma transparente em que a concessão pública ouve o que sociedade, dos empresários, as organizações da sociedade civil têm a dizer a respeito de um determinado projeto”, apontou Vanuzzi.
    O secretário afirmou que entre as propostas de remodelação do Mercado Público está a criação de um estacionamento de superfície (provavelmente no Largo Glênio Peres) e uma outra proposta de construção de um estacionamento subterrâneo.
    A 2ª secretária da Associação do Comércio do Mercado Público Central, Adriana Kauer, afirmou que os permissionários são os que mais entendem do Mercado principalmente na questão de limpeza, manutenção e segurança. “Sempre falamos que nós gostaríamos de gerir o Mercado Público porque sabemos onde estão os problemas”, explicou.
    Segundo ela, os comerciantes sabem exatamente como a limpeza e a vigilância deve ser feita e o que falta na manutenção.
    Sabemos como podemos embelezar o Mercado Público”, ressaltou. Adriana Kauer explicou que a PMI nada mais é do que os permissionários sempre falaram sobre as necessidades do Mercado Público.
    (Com informações da assessoria de imprensa)