Autor: Elmar Bones

  • Emenda do pré-sal cacifa Ibsen para o Senado

    A emenda que distribui os royalties do petróleo extraído do pré-sal para todos os Estados ainda vai gerar muita polêmica e, provavelmente, sofrer muitas alterações.
    De qualquer forma, seu autor, o deputado Ibsen Pinheiro ganha um cacife nada desprezível para uma candidatura, ao Senado, por exemplo.
    Hoje, seu partido, o PMDB, tem dois disputantes -Germano Rigotto e Eliseu Padilha, um declarado o outro não. Nessas circunstâncias, abre-se espaço para um tércius e, nesse caso, a emenda do pré-sal coloca Ibsen no centro do cenário.
    Segundo as primeiras estimativas, os royalties vão agregar mais de R$ 1 bilhão por ano às receitas do governo gaúcho. É mais ou menos o que uma boa safra de soja injeta a mais nos cofres públicos, com a diferença de que no caso dos royalties não há risco de quebra.
    Se estiver disposto, Ibsen poderá até sonhar com voos mais altos.

  • Otimismo retorna ao setor florestal

    Uma sequência de fatos que tem continuidade nos próximos dias sinaliza para uma rápida recuperação do dito setor florestal – que abrange desde o plantio de árvores até a fabricação de papel, passando pela indústria de móveis, etc.
    Este ramo foi, na sua ponta industrial, um dos mais atingidos pela quebra financeira internacional, que derrubou o consumo e os preços, inviabilizando muitos novos projetos que se embalavam na euforia pré-crise
    No Brasil houve consequências mais graves, decorrentes de aplicações de risco. A crise dos derivativos levou de roldão a maior empresa brasileira – a Aracruz – e deixou avariada a outra gigante nacional a VCP, do grupo Votorantim.
    No Rio Grande do Sul, onde três projetos constavam desde 2004 na lista dos maiores investimentos projetados para o Estado, foi um susto.
    A Aracruz suspendeu a expansão da fábrica em Guaiba, onde pretendia quadruplicar a produção de celulose. A VCP também colocou em fogo brando seu projeto na zona Sul e a Stora Enso, premida por problemas adicionais decorrentes das zonas de fronteira, migrou seus planos para o Uruguai.
    De repente,um bolo de 4,5 bilhões de dólares se esfarelou.
    Além dos investimentos em terras, em plantios, em fomento, que foram suspensos, a nova situação semeou a insegurança entre milhares de proprietários que haviam aderido
    à silvicultura e esperavam bons lucros com a venda garantida de suas florestas para as fábricas de celulose.
    O novo quadro começou a se definir na segunda metade do ano passado quando a VCP absorveu os ativos da Aracruz, criando a Fibria e logo em seguida, em dezembro, decidiu vender a fábrica de Guaiba para o grupo chileno CPMC.
    O preço que os chilenos pagaram (R$ 1,4 bilhões) já indica o interesse no projeto de expansão. Mas, por contrato, a CMPC só pretende ampliar a produção depois de 2015, mas isso pode mudar se o mercado esquentar.
    Agora, surgem sinais de que isso já está ocorrendo. O principal deles é o preço da celulose no mercado internacional, que está superando os 800 dólares a tonelada, acima dos níveis que estava antes da crise.
    “Quem plantou ou está plantando, não vai perder, vai ganhar”, prevê o agrônomo Floriano Isolan, silvicultor e consultor de projetos nessa área.

  • Um ano depois, reforma do Araújo Viana está aprovada

    Depois de um ano, o projeto de reforma do Araújo está aprovado pela burocracia municipal.
    Todas as licenças já foram concedidas e, nos próximos dias, o secretário de Cultura de Porto Alegre, Sérgius Gonzaga vai fazer a entrega simbólica da documentação à Opus Produções, empresa que venceu a concorrência para explorar o auditório por dez anos.
    O auditório está interditado há quase dez anos, por questões de segurança. Sem dinheiro para as reformas, a prefeitura decidiu concedê-lo à iniciativa privada. Há três anos, a Opus foi escolhida e anunciou que em 18 meses o auditório estaria reabilitado.
    Em maio de 2008, a empresa anunciou que o projeto estava quase pronto. “Na segunda quinzena de junho o canteiro de obras estará instalado e o Araújo será reinaugurado na Semana de Porto Alegre, de 2009”, prometeu o secretário Gonzaga.
    No dia 12 de março de 2009, a Opus e a Secretaria reuniram a imprensa no parque da Redenção, junto ao auditório, para mostrar o projeto e o estudo de viabilidade que seria submetido aos orgãos técnicos municipais, para licenciamento.
    O secretário disse na ocasião que as dez secretarias envolvidas no processo já haviam recebido toda a documentação e que já trabalhavam “sob a coordenação de uma equipe designada pelo prefeito José Fogaça”.
    A lentidão da burocracia, somada a problemas inesperados, como a necessidade de remoção de animais que se instalaram no prédio abandonado, frustraram o otimismo do secretário. Só há poucas semanas foi concedida a última licença, a ambiental.
    O projeto de reforma é de autoria do arquiteto Moacyr Moojen, um dos autores do projeto original do auditório, e prevê um novo telhado fixo, climatização, bar, poltronas para três mil espectadores, reestruturação do palco, camarins e banheiros.
    O custo estimado em R$ 10 milhões e a previsão para conclusão da obra é de um ano.

  • Caso Eliseu: quantas perguntas ficaram sem resposta?

    Elmar Bones.
    Chamo de “jornalismo passivo” essa pratica, dominante na nossa imprensa, de produzir notícias com base somente em declarações de fonte oficial, a chamada autoridade.
    É uma pratica que vem dos tempos da ditadura e se mantém por várias razões, todas de conveniência para os grandes grupos de mídia. Fazer um jornalismo oficioso é cômodo até por questões de custos.
    No fundo, é nocivo para o jornalista, enganoso para o leitor/eleitor e incalculavelmente danoso para a sociedade que se pretende democrática.
    Aí está o Caso Eliseu, como exemplar porque envolveu um homem público, de grande notoriedade. Toda a cobertura foi baseada nas informações dadas pela polícia.
    Está bem, digamos que a polícia realmente esclareceu o crime, apontou os culpados e já apanhou dois deles. Gol.
    Do ponto de vista da investigação policial, caso encerrado. Mas, quantas perguntas ficaram sem resposta?
    Pela versão consagrada, Eliseu foi morto porque reagiu. Ele reagiu porque andava predisposto, se dizia ameaçado. Quem andava ameaçando o secretário da saúde? Que ameaças eram essas?
    O noticiário mencionou nos primeiros dias numa empresa de segurança que teria contrato com o município para manter guardas nos postos de saúde e que Eliseu estaria tentando substituir. Isso ficou esclarecido? Não é um bom “gancho” para falar dessas terceirizações que propiciam contratos milionários?
    Os brigadianos que fizeram a ocorrência, quando um dos criminosos foi atendido no hospital em Esteio, ainda não tinham recebido qualquer informação. A que horas foi isso?. Não há um sistema de comunicação entre as polícias?
    Segundo a polícia, grupos especializados em roubo de carros, com base em Sapucaia, agem há cinco na Floresta e outros bairros da capital naquela região. Cinco anos? O que tem sido feito, se as ocorrências quando envolvem pessoas comuns são apenas registradas, quando o são?
    Enfim, são muitas as respostas que a polícia talvez não queira ou não possa dar, mas que a um jornalismo ativo caberia continuar buscando.

  • "Serei um dos grandes cabos eleitorais de Dilma no Sul"

    A frase é do vice-prefeito de Porto Alegre, José Fortunatti, em entrevista à Zero Hora desta segunda feira, 8.
    É uma declaração política bombástica, num momento em que o partido de Fortunatti pende para uma aliança com o PMDB gaúcho, que por sua vez reluta em apoiar a ministra chefe da Casa Civil, candidata à sucessão de Lula.
    No fim do mês, Fortunatti assume a prefeitura no lugar de José Fogaça que se licencia para disputar o governo do Estado.
    O jornal, por alguma razão, tratou de minimizar o que normalmente renderia uma manchete. Colocou um título frio na matéria “Não vai ser um mandato tampão”, coisa que o vice-prefeito já tinha dito na semana passada.
    Eis a íntegra do que respondeu Fortunatti:
    Pergunta – Como estão suas relações com o governo Lula?
    Fortunatti – Tenho excelentes relações. Minha candidata é Dilma Rousseff. Serei um grande cabo eleitoral de Dilma no Sul”

  • Imprensa já produz manchetes para a campanha

    Aos poucos vai ficando claro o posicionamento dos conglomerados da mídia em relação à eleição presidencial deste ano.
    Os últimos movimentos são esclarecedores: na segunda feira passada, 1 de março, representantes dos grandes grupos midiáticos – Globo, Editora Abril, RBS – participaram de um seminário sobre “liberdade de expressão”.
    O tom foi dado por Arnaldo Jabor: a candidata Dilma Rousseff é inconfiável porque tem por trás o PT, que é um partido stalinista e quer implantar um regime totalitário no Brasil.
    No fim de semana, a Veja abriu baterias com uma capa sensacionalista: “Caiu a casa do tesoureiro do PT”.
    A reportagem requenta denúncias envolvendo a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo e seu ex-presidente João Vaccari Neto, recentemente escolhido como tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff.
    O fato de os acusados não terem sido procurados pela revista pareceu irrelevante, a denúncia foi reproduzida com destaque em todos os jornalões. É a famosa produção de manchetes para serem usadas, depois, na campanha eleitoral da televisão.
    Só dois dias depois, nesta segunda feira, 8, apareceram as explicações da Bancoop e de Vaccari.

  • Espigão na Auxiliadora: promotoria pede informações à prefeitura

    A Promotoria de Defesa da Habitação e Ordem Urbanística abriu Inquérito Civil para esclarecer a situação de um edifício de 20 andares, projetado na rua Germano Petersen Jr., no bairro Auxiliadora, um dos mais tradicionais de Porto Alegre.
    Segundo denúncia da Associação dos Moradores da Auxiliadora (AMA), o prédio vai ocupar um terreno de 3.500 metros quadrados que estaria reservado para ser uma praça, a única do bairro.
    A Associação quer saber como é que o terreno, que pertencia à prefeitura, se tornou propriedade da empresa Maiojama, incorporadora do projeto imobiliário. A denúncia foi encaminhada ao Ministério Público em novembro do ano passado.
    “Há poucos dias mandamos o pedido de informações à prefeitura. Queremos antes de qualquer coisa averiguar a regularidade do empreendimento”, disse ao JÁ o promotor Fabio Roque Sbardelotto.
    Segundo ele, há outros dois promotores trabalhando no caso.
    Não há um prazo estabelecido em lei para que a prefeitura responda aos promotores. “A praxe é que se espere 30 dias”, disse Sbardelotto, na tarde desta sexta-feira, 4. Ele acredita que nos primeiros dias de abril terá as informações sobre o terreno.
    No final do ano passado, a Associação dos Moradores promoveu manifestações públicas, entre elas uma “Caminhada Cidadã”, partindo da Paróquia Auxiliadora.
    “Queremos tão somente registrar de forma ordeira e absolutamente pacífica o repúdio da maioria dos moradores e moradoras à construção do Espigão de 20 andares (60 metros), uma volumetria que impactará violentamente na paisagem da Auxiliadora, principalmente no interior do bairro, cuja altura máxima dos prédios é de 12 andares (33 metros)”, dizia da AMA, distribuída aos jornais.

  • Usina ameaça um dos últimos tesouros naturais do RS

    Por Carlos Matsubara
    O último recanto de vida silvestre no Rio Grande do Sul está na região dos Campos de Cima da Serra. É um tesouro ameaçado
    Quem desbravou este paraíso ecológico foram os tropeiros de gado no início do século 18. Por lá viviam os índios Coroados, Caigangues e Botocudos – que resistiram o quanto puderam ao avanço dos brancos.
    Toda beleza natural ainda está na região: rios de águas limpas e cristalinas, dezenas de cachoeiras e canyons formados há milhões de anos.
    Para chegar a cada cantinho deste tesouro natural, muitas trilhas por extensos campos verdes e montanhas rochosas tomadas por florestas de araucárias, mescladas na vegetação exuberante típica da Mata Atlântica.
    Rasgado por mais de trinta canyons que parecem terem sido cortados pela mão do homem, os Aparados da Serra são a borda da Serra Geral. Do nível do mar até 1.400 metros de altitude, um horizonte verde a se perder de vista.
    Os seus pontos mais deslumbrantes são os canyons do Itaimbezinhos (Parque Nacional dos Aparados da Serra), Fortaleza (Parque Nacional da Serra Geral), Monte Negro (ponto mais alto do RS), Pedra Furada e o Campo dos Padres, de onde se avista boa parte do litoral catarinense.
    A ambientalista Káthia Vasconcellos Monteiro, da ONG Mira-Serra, de São Francisco de Paula, vê na região um grande potencial para o turismo sustentável: “Além da importância histórica, a região apresenta rica biodiversidade que deve ser preservada e nesse sentido, o turismo sustentável pode exercer um papel fundamental”.
    Ela conta que a região é um tradicional reduto gaúcho onde se pode aproveitar o convívio nos bailões nos CTGs, além de rodeios, torneios de laço e cavalgadas – tudo regado a chimarrão e churrasco.
    Mais perto do céu
    Em São José dos Ausentes fica o Monte Negro, ponto mais alto do Rio Grande do Sul. Mas apesar dos seus 1.400 metros de altitude, a caminhada é relativamente fácil. De carro dá para chegar a 300 metros do canyon, o resto se faz a pé ou a cavalo. Se a neblina permitir, a vista é magnífica. (foto 4)
    Já para subir ao pico do Monte Negro é um pouco mais complicado porque não há uma trilha demarcada, sobe-se em meio aos arbustos e pequenas árvores, caminhada de 20 minutos.
    Outro passeio imperdível é a Trilha das Cachoeiras, uma atrás da outra e que serviram de cenário para a mini-série da TV Globo “A Casa das Sete Mulheres”.
    São José dos Ausentes têm pouco mais de três mil moradores. Encanta pela beleza natural e pela simplicidade do povo. Seus habitantes, aliás, são um capítulo a parte. Se o gaúcho é conhecido pela hospitalidade, Ausentes tem boa parte de “culpa” nisso.
    O pequeno município está localizado a 250 quilômetros de Porto Alegre, com acesso um bastante precário para quem vem por Cambará do Sul. Mas até mesmo essa aventura vale a pena já que o caminho é cercado por uma fechada vegetação de Mata Atlântica.
    Para o empresário Turismo Paulo Hafner, que trabalha com turismo há quase 20 anos na região, a riqueza histórica, ambiental e cultural dos Campos de Cima da Serra merece uma visita de pelo menos uma semana. “São tantas belezas para contemplar que menos do que isso é um pecado”. (foto Paulo)
    Na parte gaúcha, Paulo cita como imperdíveis o Monte Negro, o Mirante da Rocinha, o Cachoeirão dos Rodrigues, a cachoeira da cabeceira do Rio das Antas e a Cachoeira das Sete Mulheres. Tudo isso apenas em São José dos Ausentes.
    Em Cambará, recomenda os dois parques (Aparados e Serra Geral), mas não esquecendo de vê-los também por baixo, percorrendo uma trilha no rio Malacara, pelo município catarinense de Praia Grande. (foto 5)
    É uma trilha de grau médio de dificuldade, dependendo muito das condições físicas do visitante em andar sobre as pedras do leito do rio. A trilha mais curta pode ser feita em cinco quilômetros, com direito a banho nas piscinas naturais.
    Outra caminhada das boas pode ser feita pelas bordas do canyon Fortaleza, localizado no Parque da Serra Geral – ele tem sete quilômetros de extensão e quase mil metros de profundidade.
    Rio Pelotas
    Falando em belezas naturais. é impossível esquecer do Rio Pelotas e de sua importância biológica, cultural e histórica. Principal afluente do rio Uruguai, ele forma uma das maiores bacias hidrográficas do Sul do Brasil. Suas águas passam ainda pela Argentina e pelo Uruguai e mais tarde se juntam ao rio Paraná para formar o grande rio da Prata.
    O Pelotas foi também lugar de passagem dos antigos tropeiros que atravessavam a mula guia amarrada numa espécie de botezinho, feito com couro de boi, ao qual davam o nome de “pelota”, que acabou dando nome ao rio. Nessa “pelota” iam dois remadores.
    O Passo de Santa Vitória, na foz do rio dos Touros era o local de travessia dos tropeiros e foi também palco de um evento importante da revolução farroupilha, foi lá que aconteceu o combate de Santa Vitória, em 1839, com a presença de Anita Garibaldi. É também um verdadeiro paraíso entre montanhas e remanescentes de Mata Atlântica para ambientalistas e aventureiros.
    Ameaças reais

    E toda esta beleza está seriamente ameaçada. De um lado, extensos plantios de pinus, espécie exótica que já toma conta de grandes extensões dos campos nativos, onde deveriam ressurgir as florestas de araucárias.
    Mas é uma outra ameaça que perturba o sono dos ambientalistas. Trata-se da usina hidrelétrica de Pai-Querê, a quarta em seqüência no Pelotas (foto). Já foram construídas: Itá, Machadinho e Barra Grande. Somente esta última “afogou” seis mil hectares de florestas de araucárias.
    Pai- Querê
    A hidrelétrica de Pai Querê faz parte do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) do governo federal e está planejada entre os municípios de Bom Jesus (RS) e Lages (SC), em um desnível de aproximadamente 150 metros, num trecho de 80 km de rio.
    Terá capacidade instalada de 292 MW. Serão alagados cerca de 6.100 hectares da Zona Núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.
    Em fase de licenciamento pelo IBAMA, a usina tem investimentos previstos de R$ 968,92 milhões e é um projeto controlado por um consórcio formado pelo Grupo Votorantim (80,10%), DME Energética (4,50%) e Alcoa (15,34%).
    A salvação

    Estando no PAC, a obra é um das prioridades do governo Lula. Recentemente, quando o presidente esteve em Porto Alegre, num evento do Fórum Social Mundial, os ambientalistas com cartazes contra a usina de Pai-Querê foram barrados na entrada.
    A luz no fim do túnel é uma proposta do Ministério do Meio Ambiente que prevê a criação do corredor ecológico do Rio Pelotas, uma Unidade de Conservação com quase 300 mil hectares em 17 municípios, chamada de Refúgio da Vida Silvestre – menos proibitiva para os proprietários de terra, mas que poderia barrar Pai-Querê.
    O problema é que o projeto do refúgio “repousa” há meses na mesa do presidente Lula, que bem sabe da queda de braço entre os ministérios do Meio Ambiente e das Minas e Energia, que até hoje gravita na órbita da ministra Dilma Rousseff, a candidata presidencial.
    “A implantação do corredor é essencial para a preservação da região e para evitarmos a instalação de empreendimentos que possam afetar as riquezas naturais”, argumenta Káthia. A ambientalista explica que o refúgio pode ser constituído por áreas particulares, de maneira a compatibilizar os recursos naturais com a utilização da terra pelos proprietários, principalmente por meio do turismo sustentável.

  • Caso Eliseu: cobertura só com informações da polícia

    Apesar do comovente esforço dos repórteres da Zero Hora (edição desta quinta, 4), o trabalho da polícia no esclarecimento do assassinato do secretário Eliseu dos Santos está longe de ser uma façanha.
    Levar cinco dias para descobrir a identidade de um criminoso que deixou um rastro de sangue de 200 metros e, uma hora depois, deu entrada num hospital a 40 quilômetros do local do crime – não pode sequer ser considerado um exemplo de eficiência.
    Considere-se que o rapaz ferido com dois tiros, uma bala ainda no corpo, teve atendimento médico e foi identificado por dois brigadianos aos quais contou uma mentira, mas deixou endereço e telefone corretos.
    Ninguém suspeitou de sua pressa de ir embora, mesmo com uma bala na perna? Os brigadianos da região metropolitana não foram informados do crime?
    Na madrugada do crime, as rádios já informavam que um homem ferido havia sido atendido num hospital da região metropolitana. Mas, segundo o jornal, os agentes da Delegacia de Homicídio tiveram que fazer uma “varredura” para localizar a ocorrência.
    Dizer que foi uma das “mais rápidas e científicas investigações da crônica policial gaúcha” porque foi feito um exame de DNA! Destacar, como prova de eficácia, o isolamento do local do crime por 12 horas!
    Dá para entender o esforço para agradar a policia, em repórteres que dependem dos policiais para obter as informações…
    Não dá para entender que repórteres experientes em pleno 2010 ainda trabalhem só com base nas informações da polícia… E se apressem a engolir uma versão que dá por resolvido um crime em que nenhum suspeito ainda foi preso…
    Se o assassinato de Eliseu Santos foi mesmo, como diz a polícia, praticado por delinquentes amadores que queriam roubar o seu carro, o que fica muito claro é que temos um esquema de segurança ineficiente. E uma imprensa tão amadora quanto os ladrõezinhos que mataram o secretário.

  • Recuperação econômica põe candidatura Yeda em pé

    Se confirmadas as perspectivas que se abrem para a economia gaúcha nos primeiros 60 dias do ano, a governadora Yeda Crusius vai entrar na campanha eleitoral numa situação que, no início do ano passado, seria impensável mesmo para o mais devoto palaciano.
    Já se mencionou aqui o risco que a oposição corria quando concentrou seu foco nas denúncias de corrupção e no “fora Yeda”, sem prestar a devida atenção ao quadro favorável que se delineava para o governo, por conta da recuperação da economia.
    Pois aí está a situação configurada.
    Os números divulgados pela Secretaria da Fazenda esta semana confirmam a tendência de crescimento da receita de ICMS no Rio Grande do Sul, em 2010.
    Como aconteceu em janeiro, a arrecadação de fevereiro deverá superar o previsto no orçamento. O aumento é pequeno, de R$ 46 milhões.
    Mas é bom sinal, numa época de reduzida atividade econômica. Além disso, segundo a secretaria da Fazenda, algumas rubricas importantes da arrecadação, como telecomunicações e energia elétrica, foram transferidos para 1º. de março. Seriam mais uns R$ 160 milhões, segundo o secretário Ricardo Englert.
    As previsões de recuperação da indústria e de boas safras agrícolas completam o quadro bastante positivo para as finanças estaduais em 2010.
    Não é só isso. Todo o governo Yeda transcorre numa conjuntura econômica favorável, que deu ao Estado uma seqüência de boas arrecadações, sem precedentes nesse período. Mesmo a crise atingiu principalmente a indústria exportadora, que tem muitas isenções de imposto. O agronegócio, que ainda é o que conta na economia estadual, vai muito bem obrigado.
    Quando assumiu, em janeiro de 2007, a governadora queria aumentar os impostos para obter cerca de R$ 3 bilhões em três anos para equilibrar o caixa, em déficit crônico. Ela obteve bem mais do que isso só em 2008, com o crescimento na arrecadação do ICMS.
    No ano passado houve uma queda, mas em função de uma expectativa bastante alta. O caixa não chegou a ser atingido. O investimento foi prejudicado, mas o governo conseguiu manter suas contas em dia, o que sempre significa gasto menor e melhor.
    Neste lado, que depende mais da gestão, são menores os resultados, mas igualmente relevantes em face da conjuntura.
    Todos os governadores nas três décadas de déficit crônico tiveram como prioridade o corte de custos.
    Alceu Collares cortou o cafezinho nas repartições ao assumir, para sinalizar austeridade. Pedro Simon amargou um trimestre com os professores em nome da contenção de gastos.
    Mas, talvez, só Olívio Dutra, nesse período, tenha conseguido manter um controle dos gastos depois do segundo ano de mandato.
    Yeda garante que vai manter até o fim sua política de austeridade, com corte nas verbas de custeio. Não se tem uma avaliação do lado negativo dessa política – do custo desse arrocho, em perdas de serviços essenciais para a população. Certamente não é pequeno.
    O equilíbrio alcançado ainda é circunstancial e se dá a custa de um enorme represamento de demandas e investimentos, que deixará enormes sequelas.
    Basta olhar os quadros reproduzidos abaixo, com os dados de fevereiro, para perceber as distorções contidas no orçamento estadual.
    Apesar do desempenho positivo da arrecadação de ICMS, o resultado financeiro do mês deve ficar negativo em R$ 302,2 milhões. O excessivo peso da dívida pública e o escasso investimento não deixam dúvidas da precariedade da situação.
    Em síntese: déficit zero ainda é exagero, mas sustenta um discurso eleitoral. Quem no auge da crise do ano passado acreditou que a governadora estava liquidada, terá que rever rapidamente seus planos para a campanha deste ano. Vai perceber que talvez ja seja tarde demais para impedir que Yeda Crusius chegue ao segundo turno.
    PREVISÃO DA SITUAÇÃO FINANCEIRA – FEVEREIRO 2010
    RECEITAS Valores líquidos
    ICMS (valor bruto – R$ 1,089 bilhão) R$ 653,3 milhões
    Demais receitas líquidas disponíveis R$ 255 milhões
    IPVA R$ 27,7 milhões
    Outros tributos estaduais e outras receitas operacionais R$ 65,3 milhões
    Repasses da União e outros (FPE, IPI-Exportação, ressarcimento exportações, retorno Fundeb, salário-educação etc R$ 161,9 milhões
    Total da receita líquida disponível R$ 908,2 milhões
    DESPESAS Valores líquidos
    Pessoal e encargos, inclusive outros Poderes R$ 866,4 milhões
    Dívida pública R$ 155,3 milhões
    Investimentos R$ 18,8 milhões
    Precatórios e RPVs R$ 13,9 milhões
    Demais custeios (combustíveis, alimentos, medicamentos, manutenção das escolas, órgãos e repartições, e dos outros Poderes) R$ 156,1 milhões
    Total da despesa líquida do mês R$ 1,210,52 bilhão
    Previsão da situação financeira – Fevereiro 2010 R$ 302,2 milhões
    DÉFICIT PREVIDENCIÁRIO – FEVEREIRO 2010
    Receitas de contribuições – Pessoal Civil e Militar R$ 100,1 milhões
    Despesa previdenciária – Pessoal Civil e Militar R$ 498,5 milhões
    Resultado Previdenciário – Fevereiro/2010 R$ 398,4 milhões