A respeito da nota “Novas regras para o plantio de florestas no RS” a Stora Enso, uma das empresas citadas, mandou o seguinte esclarecimento:
Primeiramente, a paralisação do projeto da Stora Enso no RS não foi determinada pela denúncia de suposta infração à Lei de Segurança Nacional, mas sim pela questão financeira global, que afetou drasticamente as vendas de papel e celulose e depreciou os preços do mercado, levando à redução do ritmo de muitos projetos florestais em todo o mundo, inclusive no RS.
Ainda sobre a questão de faixa de fronteira, a referida lei não proíbe a posse de terras a 150 quilômetros das fronteiras por estrangeiros. A Lei 6634/79 determina que, no caso de aquisição de imóveis rurais por estrangeiros, entre outros casos, é necessário o Assentimento Prévio do Conselho de Defesa Nacional.
Como a reportagem explica, o Conselho de Defesa Nacional deu parecer favorável para a Stora Enso recentemente.
Para proteger as compras de terras já realizadas enquanto tramitavam os processos no INCRA e, posteriormente, no Conselho de Defesa Nacional, a Stora Enso criou uma empresa brasileira – Azenglever Agropecuária Ltda.
Esta alternativa jurídica foi alvo de investigação pelas autoridades brasileiras, mas, em março de 2009, a Justiça Federal arquivou o inquérito por considerar que não houve nenhuma ilegalidade nesse procedimento, que ocorreu com absoluta transparência, tendo a Stora Enso informado as medidas tomadas a todas as autoridades relacionadas com o caso.
Diferentemente do informado, a Stora Enso obteve todas as licenças ambientais exigidas para a implantação do projeto de base florestal ainda em 2007, quando a FEPAM expediu a Licença Prévia após análise do EIA/Rima do empreendimento florestal e a Licença de Instalação. Importante salientar que as Licenças de Operação foram obtidas individualmente para cada propriedade que receberia plantios. Assim, a Stora Enso hoje não tem nenhuma pendência relativa a licenciamento ambiental.
Sobre a liberação de áreas para pastoreio nas fazendas florestais, é preciso esclarecer que a atividade de pecuária é feita apenas em áreas permitidas pela legislação.
Assessoria de Imprensa da Stora Enso
Autor: Elmar Bones
Novas regras…Stora Enso esclarece
Educação e Política do Espetáculo
Por Maria Rosa Fontebasso*
O que o Governo do Estado quer fazer é um brutal arrocho salarial da maior parte dos professores com o engodo de privilegiar as classes com salário menor. Se estivessem falando de salários que ultrapassam o teto constitucional poder-se-ia discutir o assunto para não perpetuar a situação.
No entanto, o governo se refere a salários aviltantes dos níveis mais baixos do Plano de Carreira (escolaridade menor dos professores), comparando-os com salários menos aviltantes dos níveis mais altos (escolaridade maior dos professores), mas que longe estão de ser considerados dignos.
O governo Alceu Collares alterou o Plano de Carreira igualando os níveis 5 e 6 com o mesmo argumento, causando um grande estrago. Felizmente foi restaurado pelo Governo Olívio Dutra.
Agora, o Governo do Estado está colando todos nos níveis por baixo. Joga com a penúria existente e quer instaurar um protótipo de circo romano para que os professores se digladiem pela sobrevivência. Os profissionais são levados a aceitar um engodo, dada a urgência por qualquer pseudomelhoria nas suas condições de vida.
É o que nos mostra o depoimento de uma professora que diz “o acréscimo ajudaria (…). Entretanto, sei que o aumento nivela por baixo e achatará o salário de muita gente, inclusive o meu no futuro…”, e a declaração de diretor de escola de serem apenas dois os professores atingidos, de um total de 160, publicado em Zero Hora do dia 07/11/2009.
Ainda, o projeto deixa de lado qualquer incentivo para a melhoria na qualificação do professor. Apenas há um aceno de premiação se metas da escola forem atingidas. Quais serão essas? Quem as determinará? Os recursos das escolas como ficam? As bibliotecas fechadas por esse governo serão reabertas? A lista das perguntas seria interminável.
E, ainda, lê-se a afirmação do Secretário de Estado do Planejamento e Gestão – Mateus Bandeira, Zero Hora 08/11/2009:
“A nova visão [Plano de Valorização do Serviço Público] não deve ficar restrita à necessidade de reajustes salariais lineares, mas à justa e correta recompensa aos servidores que se dedicam à melhoria da produtividade do serviço público. O mundo é assim, em todos os segmentos.
Precisamos acompanhar as tendências mundiais.” A que países do mundo ele se refere? Quais condições de trabalho e salariais ele invoca? O que ele entende por produtividade na educação?
Talvez, por isso e por outros acontecimentos impossíveis de serem enumerados aqui, tenhamos a visita de uma pop star, Madonna, para captar recursos e implantar projetos sociais no país, pois
“Ela acha que, se não prepararmos as nossas crianças para olharem para dentro delas, não adianta irem à escola porque não chegarão a lugar nenhum”. Declaração publicada pela Folha de São Paulo, Ilustrada, 14/11/2009. O que o professor estadual, nas condições de trabalho atuais, conseguirá ver dentro de si?
O projeto do Governo do Estado escancara-se como antítese dos objetivos da cantora, sensível às questões educacionais. Sem desmerecer a louvável iniciativa, ela que é do mundo da cultura, põe à mostra a pequenez e precariedade do que é proposto por quem de responsabilidade deve pensar a educação.
Aviltar toda a categoria de professores, jogando com sua situação de precariedade, via corte de benefícios e engodo com “aumento de salários”, usando dos artifícios de marketing para que a população os engula, deixando de usar a palavra meritocracia (competitividade como se fosse um lugar de produção de mercadorias), omitindo as perdas resultantes (término de benefícios existentes), enfatizando cifras a serem gastas (comparadas com os aviltantes salários são grandes), utilizando jargões para desqualificar qualquer oposição (há gente que sempre é do contra quando se trata de proposta do governo).
Enfim, é o cenário da própria pós-modernidade na política, que se caracteriza pelo espetáculo mediático, como nos diz Olgária Matos.
A esperança está em que se manifestem os que veem o absurdo deste projeto com conseqüências que aumentarão a degradação da escola pública estadual.
* Professora Aposentada da Rede Estadual e do Ensino Universitário e Vice-presidente da AMA-Associação dos Moradores e Amigos da AuxiliadoraEmprego lá e cá
Por Vilson Antonio Romero (*)
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) alarma o mundo civilizado, com a previsão que a situação do emprego formal deve se deteriorar – mais, ainda! – em 2010, especialmente nos países desenvolvidos. Numa análise sumária, a crise econômica mundial, desencadeada ao final de 2007, já deixou pelo menos 39 milhões de desempregados, no mundo todo. Com isto, foi alcançado o maior nível de desocupação da população economicamente ativa de todos os tempos, com mais de 220 milhões de pessoas sem trabalho.
Para a entidade, não há esperança que a recuperação da economia venha dos países do G-8, que representam 55% da produção global.
Já a China, a Índia e o Brasil, responsáveis por 19% de toda a produção mundial, devem ter expressivo crescimento econômico em 2010, nas previsões da OIT. Outros países em desenvolvimento seguirão sem condições de se recuperar totalmente do baque da crise.
Acompanhando o previsto em Genebra, o nível de desemprego norte-americano voltou a se elevar em outubro, atingindo 10,2%, com mais 190 mil pessoas retiradas do mercado formal de trabalho. Os americanos perdem empregos há 22 meses consecutivos e o governo Obama não encontra soluções imediatas para contornar a crise.
A recessão já desempregou 8,2 milhões de pessoas nos EUA desde dezembro de 2007, contabilizando-se, atualmente 15,7 milhões de cidadãos fora do mercado formal.
Já aqui no Brasil, a recuperação do mercado formal, por incrível que pareça, vai de vento em popa. Só em outubro, foram criadas e ocupadas 230.956 vagas, o que representa, no acumulado do ano, mais 1.163.607 novos postos de trabalho, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
O Ministério do Trabalho e Emprego acrescenta que, pelo terceiro mês consecutivo, o número de empregos com carteira assinada superou a marca de 200 mil. O desempenho foi recorde em cinco dos oito setores da atividade econômica, com destaque para a indústria de transformação, que gerou 74.552 novos postos.
Com ufanismo contido, percebemos que o quadro geral repercute favoravelmente inclusive na arrecadação previdenciária, única dentre as diversas receitas arrecadadas e administradas pela União que se manteve em crescimento ao longo dos últimos meses.
Aparentemente, as inúmeras iniciativas governamentais de incentivo setorial e desoneração tributária, efetivamente lograram efeito, mantendo os níveis de compra e os patamares de empregabilidade.
É óbvio que devem seguir incentivadas, no Brasil e no mundo, as políticas de estímulo ao consumo privado, que representa 75% do Produto Interno Bruto (PIB) na maioria dos países, pois estas podem ser as principais propulsoras da recuperação mundial. Mas, por enquanto, o alarme da OIT não tocou na Esplanada dos Ministérios. Oxalá siga assim!
(*) jornalista, funcionário público, presidente da Delegacia do Sindifisco Nacional em P.Alegre (RS), diretor da Fundação Anfip de Estudos da Seguridade Social e da Associação Riograndense de Imprensa. E-mail: vilsonromero@yahoo.com.br.Novas regras para plantio de florestas no RS
A Câmara Técnica da Silvicultura do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), composta por 19 membros, aprovou por unanimidade um novo regulamento para a silvicultura gaúcha.
Segundo o engenheiro florestal Antonio Augusto Marques, que representa o Comitê da Bacia do rio Tramandaí na Câmara Técnica, o novo regulamento é fruto de um consenso arduamente trabalhado, com destaque para dois aspectos fundamentais: 1 – restringe ao máximo ou proibe o plantio de árvores madeireiras exóticas (eucalipto, pinus e acácia) em áreas críticas sob o ponto de vista hídrico; 2 – limita as dimensões dos supertalhões pretendidos pela silvicultura atrelada às indústrias madeireira e de celulose/papel.
Este é o terceiro regulamento em três anos. O primeiro foi criado no final de 2006 pela Fepam com a ajuda da Fundação Zoobotânica e outros órgãos públicos e privados. Por ser muito “ambientalista”, foi repudiado pelo setor empresarial.
O segundo, que veio em 2007 em oposição ao primeiro, foi fruto de uma tratoragem pilotada pela Ageflor e a Farsul com o beneplácito da direção da Fepam e o apoio estratégico da indústria dita florestal, representada sobretudo pelas fábricas de celulose Aracruz, Votorantim e Stora Enso.
Colocado sub judice pelo Ministério Público Federal, o regulamento “empresarial” vem sendo aplicado aos trancos e barrancos mas tende a ser rifado porque os plantadores de árvores madeireiras sossegaram o facho desde a eclosão da crise financeira de setembro de 2008, que provocou o surpreendente colapso da Aracruz.
Mesmo que o segmento florestal-madeireiro entre em 2010 tendo que cumprir novas regras para o plantio de eucalipto, pinus e acácia, ainda é incerta a retomada dos plantios dito florestais e dos projetos de fábricas de celulose, pois a crise ainda está provocando uma reacomodação de forças no mercado.
Um ano depois da crise, a Aracruz não existe mais. Envolvido num tsunami financeiro, o grupo controlado por Erling Lorentzen foi absorvido pela Votorantim, que para isso precisou da ajuda do Banco do Brasil e do BNDES.
Para reduzir as dívidas, a Votorantim acaba de vender a unidade de Guaíba ao grupo chileno CMPC por US$ 1,43 bilhões, negócio de porteira fechada que envolveu 220 mil hectares de terras em dezenas de municípios gaúchos.
Até meados de outubro os chilenos não haviam aberto o jogo, mas a permanência da equipe diretiva da ex-Aracruz Guaíba sugere a manutenção do projeto de quadruplicação da capacidade da planta de 450 mil toneladas/ano de celulose.
Resta saber em quanto tempo o projeto será finalizado. Pelo cronograma original, ele devia ficar pronto em 2011. Agora não há mais pressa porque o mercado de celulose sofreu uma baixa da qual ainda não se recuperou.
Mesmo assim, o projeto de Guaíba é o mais adiantado dos três prometidos para a Metade Sul gaúcha. Se for retomado em 2010, pode entrar em operação em fins de 2012 ou no primeiro semestre de 2013.
O segundo projeto em volume de produção, área plantada e investimento total – o da Votorantim no polígono Pelotas-Rio Grande-Pinheiro Machado-Jaguarão – permanece em banho-maria porque a prioridade do grupo no momento é pagar as dívidas, estimadas em R$ 10 bilhões.
É provável que somente seja concluído na segunda metade desta década.
Finalmente, aguarda-se para o final deste ano ou o início do próximo uma definição do grupo sueco-finlandês Stora Enso sobre seu projeto no oeste do Rio Grande do Sul, onde plantou eucalipto em 20 mil dos 47 mil hectares comprados em 2005, no primeiro tempo de um investimento de mais de US$ 1 bilhão para produzir 900 mil toneladas anuais de celulose.
O plantio realizado representa 20% das necessidades de matéria-prima para a fábrica. A paralisação do projeto foi determinada pela denúncia de que a Stora Enso teria infringido a Lei de Segurança Nacional, que proíbe a posse de terras a 150 quilômetros das fronteiras por estrangeiros.
A empresa tentou contornar o problema registrando as áreas compradas em nome de brasileiros comprometidos com o projeto, mas isso só agravou a polêmica. Em agosto, finalmente, o Conselho de Defesa Nacional deu parecer favorável ao projeto, que ainda carece das necessárias licenças ambientais.
Os eucaliptais mais velhos da Stora Enso na região de Rosário do Sul, São Francisco de Assis e Santiago estão com três anos e foram liberados para pastoreio de criadores vizinhos, que já mantinham gado em regime de parceria nas áreas de preservação ambiental ou de pastos nativos nas quais é proibido plantar árvores.
Apicultores também estão sendo convidados a levar suas abelhas para pastar nas áreas da empresa, mas tudo isso são paliativos para o maior e mais antigo grupo papeleiro do mundo.
A única certeza é que não falta bala para o investimento: em meados de outubro, a Stora Enso anunciou a compra de 130 mil hectares de áreas plantadas pela espanhola ENCE na região de Fray Bentos, no oeste do Uruguai. A meia com a chilena Arauco, ela pagou US$ 344 milhões para apossar-se de um dos maiores ativos florestais da América do Sul. Não está decidido o que será feito com tanta madeira.
Por Geraldo Hasse, especial para o JÁONG ganha adesão de mil voluntários por mês em 2009
É surpreendente o crescimento do trabalho voluntário no Rio Grande do Sul em 2009. De janeiro a outubro, mais de 10 mil pessoas de todo o Estado descruzaram os braços e se engajaram em trabalhos sociais por meio da ONG Parceiros Voluntários.
A ONG, presidida por Maria Elena Pereira Johanpeter ultrapassou a marca histórica de mais de 300 mil voluntários e ampliou sua rede para mais três cidades (Santa Clara, Três Passos e Marau, totalizando 78 municípios).
Nos últimos dez meses, a instituição alcançou o número de 2.423 empresas (100 novas adesões), 2.752 organizações da sociedade civil (88 ingressos) e 1.922 escolas (195 novas).
Fruto de um planejamento estratégico único na área social, esses resultados foram apresentados nos dias 17 e 18 de novembro (terça e quarta), na Casa de Retiro Betânia, no bairro Glória, em Porto Alegre, durante o 20º Encontro Estadual da Rede Parceiros Voluntários, que reuniu coordenadores das 78 unidades de todo o Rio Grande do Sul para a construção de novas linhas de ação para o voluntariado organizado.
Maria Elena diz que sua meta é reforçar o trabalho em redes colaborativas, pois trazem resultados mais práticos e concretos para as instituições sociais.
“Trabalhar em rede significa fortalecer, e muito, a base que sustenta as atividades voluntárias. E quem ganha são sempre as pessoas, tanto as que ajudam e, principalmente, as que são ajudadas”, reforça a presidente.
Informações: (51) 2101.9750 ou www.parceirosvoluntarios.org.brPedágios viraram "estradas de ninguém"
Não há solução à vista para o impasse que envolve 1.800 quilômetros de rodovias no Rio Grande do Sul.
Desde agosto, quando governadora Yeda Crusius decidiu unilateralmente transferir o controle dos pedágios para a União, as estradas viraram uma “terra de ninguém”.
O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, não aceitou a devolução e a situação dos pedágios no Estado, que já era confusa, tornou-se surrealista.
Enquanto isso os usuários continuam pagando preços acima do que previam os contratos (36% a mais para automóveis e 9% para caminhões) graças a distorções introduzidas por medidas equivocadas, depois corrigidas por aditivos contratuais que se prorrogam por omissão dos sucessivos governos, desde 2004.
A fase atual da confusão, que remonta ao início das concessões, há onze anos, decorre de um conflito político. A governadora queria corrigir as distorções prorrogando por mais 15 anos e sem licitação os contratos de concessão, que incluem 900 km de estradas federais.
O Ministério dos Transportes se negou a chancelar o projeto de Yeda. Em represália, a governadora decidiu devolver tudo à União.
Só que além de repassar junto uma dívida que as concessionárias cobram por conta de um suposto desequilíbrio dos contratos, Yeda colocou no pacote os quase 900 km de rodovias estaduais incluídas no programa de concessão.
“Repassamos ao Estado rodovia, não contratos, nem dívidas”, alega o ministro. “E não há porque assumirmos rodovias estaduais”.
Não há entendimento sequer sobre o valor da suposta dívida, decorrente do desequilíbrio dos contratos. Na CPI dos Pedágios, há dois anos, o representante do DAER falou em R$ 650 milhões. No início deste ano, as concessionárias lançaram na mesa a cifra de R$ 1,7 bilhões. E em outubro passado, a Agência Estadual de Regulação do Estado (Agergs) divulgou novo estudo, concluindo que a dívida do Estado com as concessionárias de pedágios chega a R$ 270 milhões.
Os supostos prejuízos devem-se fatores como rotas de fuga, as paralisações e isenções, intervenções judiciais e investimentos não previstos nos contratos e que foram bancados pelas concessionárias.
Mas nem quanto a isso há consenso. O ex-ministro dos Transportes, Cloraldino Severo, por exemplo, diz que se há desequilíbrio financeiro ele é a favor do usuário. As concessionárias é que estão recebendo mais do que deviam. As tarifas estão acima (35% para os automóveis e 3,6% para caminhões) do que seriam os valores se corrigidos pelo que estabelece o texto original dos contratos.
Conflito sem fim
Marcelo Bertani / Ag AL

“Britto é o pedágio. Olívio é o caminho”. Este foi um dos bordões da campanha petista, que derrotou Antônio Britto, em 1998.
Naquele ano começaram a funcionar as cancelas de pedágio em seis “pólos rodoviários”, num total de 1.800 quilômetros de estradas concedidas pelo Programa Estadual de Concessões Rodoviárias, aprovado por Britto no ano anterior. Embora representassem pouco mais de 20% da malha estadual, as rodovias pedagiadas envolviam 90 cidades onde vive metade da população gaúcha.
Helen Lopes

Manifestações contrárias aos pedágios
Denúncias, manifestações de rua, confrontos com a polícia e três dezenas de ações na justiça marcam os onze anos de existência dos pedágios. Até uma CPI foi realizada em 2008 para investigar o assunto. Foi uma estranha CPI. Para começar, a maioria dos indicados para a comissão, inclusive o relator, não haviam assinado o requerimento pedindo a investigação. Na hora das convocações, nomes de notório envolvimento com todo o histórico dos pedágios ficaram de fora. O relator, deputado Berfran Rosado, do PPS, foi acusado em plenário de ter produzido dois relatórios: um que foi lido na reunião da Comissão e outro, com 50 páginas a mais, apresentado para votação. Em todo o caso, o relatório não deixa de ser contundente. Diz, por exemplo, que o DAER, que representa o governo nos contratos, tem “ineficaz atuação operacional e fiscalizatória”. Mesmo providências simples, como a pesagem dos caminhões para impedir que danifiquem as rodovias pelo excesso de peso, não são executadas. Faltam balanças e, onde há balança, faltam funcionários para operá-las. O relator aponta também “inexistência adequada de transparência na situação das concessionárias”. Reconhece que “há inadequação técnica e social na forma como vem sendo cobradas as tarifas”. E conclui: “Certo é o desequilíbrio, embora não esteja identificado em favor de quem”. Recomenda a não prorrogação dos contratos “no estado em que se encontram”.
Apesar da gravidade do que foi constatado, a CPI foi encerrada abruptamente. “Foi abortada”, como disse a deputada Marisa Formolo (PT), exatamente no momento em que começavam a aparecer fatos estarrecedores. Uma funcionária da Agencia Estadual de Regulação dos Serviços Públicos do Estado (Agergs) denunciou que foi pressionada para mentir aos deputados.
Paulo Dias

Integrantes da CPI inspecionam rodovias pedagiadas.
No dia seguinte foram apresentadas notas clonadas da empreiteira Sultepa, sócia de uma concessionária de rodovia, autuada por sonegação de impostos. E o presidente da Agência Reguladora (Agergs), Alcides Saldanha, ex-ministro dos Transportes disse em seu depoimento que cláusulas dos contratos não foram cumpridas “nem pelo governo, nem pelas concessionárias”. O representante do DAER em seu depoimento disse que o desequilíbrio dos contratos a favor das empresas chegava já aos R$ 650 milhões.
A mídia, com uma cobertura fraca e desarticulada contribuiu decisivamente para o desfecho sem maiores consequências. Alguma crítica, rápida e superficial, só depois que a CPI deu por encerrados os trabalhos.
Três meses depois começaram a aparecer nos jornais notas informando que “o problema dos pedágios está encaminhado”. O governo do Estado já tinha pronto um projeto, para ampliar de 15 para 25 anos o prazo dos contratos, quatro anos antes deles terminarem.
O usuário paga a conta
Divulgação
Quatro governos dividem o contencioso dos pedágios no Rio Grande do Sul. Antonio Britto (1995/98) apressou um processo que não foi discutido e iniciou com muitos questionamentos. Depois, no ano da eleição, não concedeu o reajuste previsto nos contratos, dando origem às ditas “anomalias contratuais” que ainda hoje permanecem.
Tânia Meinerz
Vitorioso, Olívio Dutra (1999/2002) tinha o compromisso de campanha de rever a situação. Se dependesse da opinião dominante em seu partido, o PT, ele provavelmente teria anulado as concessões e extinguido o programa. Mas havia uma lei e o governo tinha minoria na Assembléia. Dutra, então, optou por alterar unilateralmente os contratos, reduzindo a tarifa básica para automóveis (de R$ 1,50 para R$ 1,20) e caminhões (R$ 2, 50 para R$ 2,00). Um ano depois, derrotado na Justiça, o governador voltou atrás, negociando com as concessionárias um aditivo (A1), corrigindo as tarifas, reduzindo as metas de investimento.
Em compensação, as concessionárias assumiam os serviços de guincho, ambulâncias e outros, que nos contratos originais eram atribuição do governo. Para amenizar o impacto do aumento na tarifa, instituiu a cobrança bi-direcional (nos dois sentidos). Acordaram as partes que o aditivo teria validade de dois anos. Ao final, teria que ser revisto, mediante um diagnóstico que o governo do Estado faria, para “restabelecer o equilíbrio dos contratos”.
Com os pedágios nas manchetes, a Assemléia Legislativa, para não ficar atrás, já que era ano de eleição, em abril de 2000, aprovou uma lei dando isenção aos veículos escolares e a moradores de municípios cortados por pedágios. Em julho recuou e revogou, sem esperar a sentença do Tribunal de Justiça. Hoje as concessionárias tem nas “perdas a recuperar” os 84 dias em que vigorou a lei ilegal.
Paulo Dias
Veio 2004, mas o novo governo, de Germano Rigotto, não apresentou o esperado diagnóstico e resolveu o impasse prorrogando o prazo para a revisão. Foi assinado um Termo de Ratificação e, depois, um Termo de Re-ratificação, que hoje está em aberto, pois sua validade era até 2006.
Beneficiadas com reajustes acima da inflação, as empresas aceitaram a situação e os usuários passaram a pagar uma tarifa (36% para automóveis, 3,6% para caminhões) acima do previsto no contrato original.
Em 2007, assumiu a governadora Yeda Crusius prometendo uma solução para a pendência dos contrato. A estas alturas as concessionárias pressionavam, estimando o desequilíbrio dos contratos em R$ 1,7 bilhão, prejuízos que elas estariam dispostas a ir cobrar na Justiça.
No início de 2009, o governo do Estado anunciou o seu programa rodoviário, chamado “Duplica RS”, no qual estava incluída a prorrogação dos contratos para mais dez anos, sem licitação. Em troca seria zerado o contencioso do suposto desequilíbrio e ampliadas as obrigações das concessionárias com a inclusão de duplicação de alguns trechos.
O projeto empacou na recusa do governo federal em assinar a prorrogação dos contratos, o que gerou novo impasse que ainda permanece.
“É o caso mais negro do Estado”
Helen Lopes
Cloraldino Severo, 69 anos, natural de Uruguaiana, engenheiro, funcionário de carreira do extinto Departamento Nacional de Estradas e Rodagem, ministro dos transportes de 1982/85 (governo João Figueiredo). Iniciou a carreira no DAER, órgão do Estado, ainda como estudante.
Quando se formou, preferiu ganhar menos no DNER. Hoje aposentado, dá aulas na Ulbra, em Canoas, e consultoria na área de transporte. Tem sido desde o início o mais veemente e consistente crítico do Programa de Concessão de Rodovias no Rio Grande do Sul. Diz que sua motivação é cidadã. “Precisamos de cidadania no Brasil. Ou a sociedade governa os governos ou não tem saída”, diz convicto.
Mais convicto ainda, resume: “O processo de concessão das rodovias estaduais é o caso mais negro do RS”. Na CPÌ ele protocolou um documento intitulado “Pedido de Socorro de usuários, consumidores e cidadãos”. Não acredita em desequilíbrio. Desafia que lhe apresentem uma planilha com os custos que compõem as tarifas. Disse na CPI que o DAER é um “orgão fechadíssimo e arrogante, onde existe a turminha perigosa”.
No Rio Grande do Sul, já em 1994, a idéia de pedágio nas estradas estaduais atraia o empresário José Portella Nunes, presidente da Concepa, a maior empreiteira do Estado. “Nessa época ele me convidou para fazer um plano. Eu disse: não entro nessa”.
O plano acabou sendo feito, segundo Cloraldino, pela Burscheid Engenharia e encampado pelo DAER e esse é “o vício de origem” que ele vê no programa de concessão de rodovias no Estado: “Foi pensado pela lógica das empresas, olhando o interesse delas e desconsiderando o interesse público. Criou um modelo lesivo ao interesse público”.
Havia um modelo de pedágio funcionando no Estado, os pedágios comunitários implantados no governo Alceu Collares. Era uma experiência bem-sucedida, mas não foi levada em conta. “Preferiram copiar um modelo argentino, tão absurdo que lá foi abandonado logo depois, de tanto protesto e confusão que causou”.
Depois de adotado o modelo, a influência das empresas continuou a ser predominante em todas as etapas do processo. Houve modificações de interesse das concessionárias no edital, nos contratos e nos critérios de fiscalização. Um exemplo: no início a Taxa Interna de Retorno (TIR), que define o lucro da concessionária, era de 14%. Foi elevada para 26%. Os protestos tanto das associações de usuários, transportadoras de carga e de lideranças políticas não influíram.
Colocaram mais praças que o previsto no contrato. Colocaram pedágio aberto, que cruza a cidade, como em Viamão. Mudaram a extensão, sem mexer na tarifa. “Não há relação entre o preço e o serviço feito”, diz Cloraldino Severo. “Eram empresas muito fracas e se atrasaram no cumprimento das exigências contratuais, por isso começaram a cobrar tarifa antes.
Nesse sentido, quem quebrou primeiro os contratos foram elas. Não fizeram os investimentos propostos, mesmo assim conseguiram com o DAER permissão para iniciar a cobrança. Elas começaram a cobrar pedágio antes do previsto”. Para ele, as reduções que o governo Olívio fez foram “perfeitamente razoáveis mas foi posto em xeque pela Justiça e o governo federal”.
Trinta ações na Justiça
A polêmica em torno dos pedágios já rendeu mais de 30 ações na Justiça, das quais 19 ainda estão tramitando e não vai parar por aí. Há ações engatilhadas de ambos os lados. Com suporte jurídico de nomes consagrados, como Xavier de Albuquerque, ministro aposentado e ex-presidente do STF, e Paulo Brossard de Souza Pinto, também ex-ministro, a Associação das Concessionárias tem ganho quase todas as demandas.
Um exemplo da astúcia é o estudo da Contadoria e Auditoria Geral do Estado, que deu base à redução das tarifas no governo Olívio. O estudo constata que os serviços prestados por subsidiárias das concessionárias estavam superfaturados. Os advogados das concessionárias alegaram que a Cage não era o órgão competente para tratar de pedágios. E ganhou a ação sem que se discutisse se os serviços estavam ou não superfaturados, como constatara a pesquisa.
Não é privilégio do Rio Grande do Sul. Em todo o país, os pedágios estão na Justiça. Em Santa Catarina todo o programa no Estado está parado há dez anos. Na SC 401, que leva ao norte da ilha em Florianópolis, a praça do pedágio, já implantada, está sendo demolida. No Paraná 50 dias após o início o governador Jaime Lerner cortou as tarifas em 50%. Também perdeu e teve que corrigir em 76% em 2000.
Clima de CPI continua
Marco Couto / Ag AL

Denise Zaions (à esq.) diz que foi induzida a mentir ou omitir informações aos deputados.
A ex-diretora de Qualidade da Agência Reguladora do Rio Grande do Sul (Agergs), Denise Zaions, poderá ser demitida “a bem do serviço público” porque apresentou à CPI a gravação de duas conversas em que era induzida a mentir ou omitir informações em seu depoimento aos deputados.
O processo contra Denise andou rápido. Em outubro de 2008 ela apresentou as fitas, em novembro a governadora Yeda Crusius assinou sua exoneração do cargo de Diretora de Qualidade da Agergs, que ocupava desde 2004.
Como o ato foi retroativo a agosto, data em que ela depôs na CPI, a funcionária teve que devolver a função gratificada que recebeu em setembro e outubro.
Em seu depoimento à CPI, Denise Zaions definiu de “exótico” o modo como são determinadas as tarifas nos pedágios. Em entrevista, ela disse: “É um engodo essa tarifa. Não se baseia nos custos. Técnicamente é irregular. O DAER pegou a tarifa dos pólos comunitários, jogou um reajuste em cima. O preço que os usuários estão pagando é arbitrário, aleatório. O usuário está pagando uma tarifa que não condiz com os investimentos”.
Segundo Denise, seus chefes da Agergs não queriam que ela mencionasse o que ocorreu em 2002 na elaboração do Termo de Referência, que estabelece os critérios adotados pela Agência para fiscalizar os pedágios. Ela diz que, por influência das concessionárias, foram suprimidos do Termo de Referência dois itens importantes para a definição das tarifas: os preços de mercado na composição dos custos e o controle do VBM (o volume de tráfego).
Segundo Denise, a Agergs continua agindo em favor das concessionárias e cita como exemplo a divulgação dos indicadores de qualidade, no final de janeiro de 2008, mostrando que as metas de qualidade foram descumpridas.
“Nenhum dos pólos alcançou 100% da meta. No pólo metropolitano 40% da malha foi rejeitada, no polo de Caxias 30% não tinha qualidade mínima, no entanto usuário está pagando por 100%, isso é apropriação indébita”, diz Denise. Segundo ela, “a Agergs já tinha essas informações, pois os dados do levantamento de qualidade chegaram em julho”. A agência, porém, “esperou para divulgá-los, discretamente, depois de ter concedido o reajuste de 4,5% em dezembro”.
O caso de Denise tem mantido na Assembléia Legislativa o clima de CPI. No final de dezembro de 2008, a Comissão de Serviços Públicos convocou uma audiência pública para ouvir o presidente da Agergs, o ex-ministro e ex-senador Alcides Saldanha. Meia hora antes da sessão, chegou um atestado assinado pelo cardiologista Renato Pinto Beck, alegando que Saldanha, de 66 anos, com “problemas de bronquite crônica e hipertensão não pode se submeter a situações de intenso stress”.
Em ofício anexo, Saldanha confirmou o processo para demissão da economista. Disse que uma sindicância interna foi feita e “as conclusões do relatório propugnam inquérito de demissão”. O inquérito administrativo para demissão da funcionária por “sabotagem ao serviço público, insubordinação, indisciplina grave” está em andamento.
Governo investiu pesado nas rodovias
Foto: Antonio Henriqson

O governo gaúcho investiu 15,9 bilhões em transportes nos últimos 30 anos. Cerca de dois terços desse volume foram para a construção e recuperação de rodovias. Os números estão num estudo do economista Julio Francisco Brunet, sobre “As políticas de investimentos no RS”. O estudo analisa os investimentos de oito governos (de Euclides Triches a Olívio Dutra) que se sucederam de 1971 a 2002. Em todo esse período a rubrica Transportes foi a que recebeu o maior volume de investimentos.
No governo Triches foram pavimentados seis mil quilômetros de estradas, segundo o relatório encaminhado à Assembléia no final do governo. Desde então, o investimento em transportes foi o maior em todos os governos. No governo Antonio Britto, às vésperas das concessões, foram investidos R$ 2,43 bilhões, mais do que o dobro do seu sucessor, Olívio Dutra.
Apesar disso, o representante do DAER disse na CPI que no período de 1996/1998 não foram realizados serviços de manutenção devido à “profunda escassez de recursos”. Nesse período, conforme dados da Secretaria da Fazenda, os recursos destinados ao DAER chegam a quase R$ 1 bilhão.

Usuários organizam associação nacional
Arquivo JÁ

Quando começou a funcionar o pedágio entre Caxias e Farroupilha, os moradores da região passaram a usar uma estradinha de terra, chamada linha Julieta, um desvio de 4 quilômetros que contornava as cancelas. As concessionárias pediram providências ao governo, alegando que era uma “rota de fuga”.
Arquivo JÁ

Os moradores se mobilizaram em defesa da “via alternativa”. A certa altura foram necessários mais de 300 soldados da Brigada Militar, com cães e espingarda 12 para conter os ânimos. Desse movimento nasceu a Associação dos Usuários de Rodovias Concedidas na região da Serra (Assurcon/Serra).
Arquivo JÁ
Hoje há associações em todas as regiões onde há pedágio, articuladas por uma entidade estadual. “Essa situação é uma vergonha”, resume Juarez Colombo, pequeno empresário, que preside a Assurcon/Serra, até hoje a mais combativa das associações de usuários, com mais de mil sócios efetivos. “Não somos contra o pedágio. Mas esse modelo aí é inaceitável. Temos aqui quatro praças num pólo de 173 quilômetros.
Como a tarifa foi estabelecida com base no custo de cada 100 quilômetros, nós usamos 40 quilômetros de rodovia e pagamos por 100 quilômetros”. Colombo acusa as concessionárias de “esconderem receitas e superfaturarem os serviços”.
Hoje eles estão articulando uma grande associação nacional, a exemplo do que ocorreu na Argentina. Lá os pedágios introduzidos em 1991, provocaram grandes mobilizações que levaram o governo a reestatizar o sistema. “A tarifa era seis pesos, hoje é 70 centavos de peso”, diz Agenor Basso, secretário da Assurcon/Serra. Basso depôs na CPI e entregou um dossiê com irregularidades apontadas pelo movimento de usuários.
Sua audiência começou às 22h30 e terminou às 4horas da madrugada. “Nossa posição não mereceu uma linha na imprensa”, diz.
“Tem muita desinformação”
Foto: Marcos Nunes
Advogado e economista, Paulo Oiama de Macedo Silva acompanha o processo de concessões de rodovias no Rio Grande do Sul desde os primeiros estudos, quando ainda era gerente financeiro da Concepa. Foi assessor jurídico da Associação Gaúcha das Concessionárias de Rodovias (AGCR) até novembro de 2007, quando assumiu a presidência. É também diretor regional da associação brasileira de concessionárias. Ele falou à revista JÁ:
Por que tanto conflito?
Aqui temos uma situação interessante: o que deveria ser uma política pública, virou política ideológica, por conta dessa tendência do gaúcho para a polarização. Por conta disso, o Rio Grande não avança, fica paralisado. Isso é o que aconteceu.
Os críticos não são contra pedágio, são contra o modelo…
Fico em dúvida. Todas as pessoas que até hoje se posicionaram contrárias aos pedágios tem dito que são contra o modelo. Aí eu pergunto: qual o modelo que deveria ser? Não sabem o que dizer. Alguém me respondeu: não sou técnico…Então, porque acha que é o modelo?
O modelo é bom?
Temos aqui o chamado modelo de pólos rodoviários. Implica numa rodovia troncal com grande movimento, à qual se agregam outras rodovias de menor tráfego de modo que no conjunto dê viabilidade ao sistema. É um esforço do governo para transferir à iniciativa privada a maior quilometragem possível de rodovias… Senão, poderiam ser pedagiadas apenas as rodovias com alto tráfego, ou seja, apenas as rodovias federais. Então, a questão de se dizer contra o modelo tem muita desinformação.
Por que um técnico como o engenheiro Cloraldino Severo é tão crítico dos pedágios?
Isso não sei te dizer…
Ele não tem nada de ideológico…
O engenheiro Cloraldino foi ministro dos Transportes numa outra época, há mais de 30 anos. Na época que ele foi ministro havia recursos para aplicar em rodovias, era a época do milagre. As condições do país se alteraram radicalmente. Ele entende que tem que haver investimento público em rodovias, não passar para a iniciativa privada. Eu concordo, mas isso seria o ideal. Na realidade, tanto a União quanto o Estado estão longe de poder fazer investimentos. Por que o governo federal está apelando para as concessões? Isso não é uma questão ideológica, é uma questão técnica, econômica, não tem outra forma de financiar a manutenção das rodovias.
Por que nas novas concessões federais as tarifas são tão mais baixas?
São situações diferentes, é outra época. Só para dar idéia, em 1996, quando começou o programa estadual, o risco Brasil era da ordem de mil pontos, agora é 170, o custo do dinheiro, a taxa Selic, era 29%, agora é 11%, muita coisa mudou. Se você se aferra a uma situação do passado, corre o risco de ficar defasado no presente. O ex-ministro Cloraldino trabalha com dados de 30 anos atrás.
O pedágio comunitário é citado como bom exemplo…
O pedágio comunitário não é concessão. A tarifa básica é a mesma, mas os reajustes são tratados politicamente. Não tem prazo para obras, sem cronogramas, tem que receber primeiro, nos investimos primeiro. Resultado: em 14 anos, não conseguiu duplicar 40 quilômetros, não tem arrecadação. O custo da arrecadação é de 22%, o nosso é 12%, pagamos 20% de impostos, eles não…
Como se vai resolver o “desequilíbrio dos contratos”?
Esta situação vem desde 2000. Naquele ano foi feito um Termo Aditivo, prevendo uma verificação quatro anos depois. Nada foi feito até agora, está em aberto. A gente espera que seja resolvido. Lembro de ouvir a governadora Yeda e o secretário (de Infra-estrutura) Daniel Andrade dizer que o Estado enfrentará a questão.
Na CPI apareceu um valor de R$ 656 milhões, que seria a indenização pretendida pelas concessionárias…
Sim, apareceu este número. Não foi possível explicar como é que se compunha. Parte desse valor realmente se refere a perdas efetivas passadas, mas a maior parte corresponde a obras não realizadas e que terão que ser feitas até o final do contrato. Isso não chegou a ser esmiuçado. Era um cálculo futuro.
Estima-se que as tarifas hoje estão acima do que estariam se todos os reajustes previstos fossem concedidos. Por que isso?
Na verdade, o valor hoje compensa o período em que as pessoas não pagaram reajuste. As tarifas básicas foram estabelecidas em 1996, a cobrança nas praças começou em junho 1998, dois reajustes anuais previstos não foram concedidos. Além disso, em abril de 1999, o governo Olívio ainda reduziu 24% as tarifas. Agora, está compensando o que não pagaram. Não há almoço grátis. Em algum momento acaba pagando.
O secretário tem falado em prorrogar os contratos…
O que sei é que terá que ser enfrentado o problema. No ano passado, o governo viveu uma crise sem precedentes, depois tivemos uma CPI. Agora que é o ano dos pedágios. As concessionárias estão prontas. Para elas, a questão não é ideológica.TVE: salvação pode vir do governo Lula
Por Cleber Dioni Tentardini
O INSS deu prazo até o dia 21 deste mês para o governo do Estado decidir se quer comprar o prédio onde há quase 30 anos funciona a TVE, “a televisão pública dos gaúchos”.
Após essa data, se não houver interesse, o imóvel será vendido para a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), vinculada ao governo federal. Por se tratar de negócio entre órgãos públicos, não necessita ir a leilão.
O imóvel, que abrigou a primeira emissora de televisão do Rio Grande do Sul, a TV Piratini, foi entregue ao INSS por conta das dívidas do extinto grupo Diários Associados.
Desde 1980 está alugado ao governo estadual, que atualmente paga R$ 25 mil por mês pelos dois prédios existentes no terreno de 3.500 metros quadrados e localização privilegiada no Morro Santa Teresa. No local funciona também a rádio FM Cultura, também estatal.
O terreno seria leiloado na primeira quinzena de dezembro, segundo informou no dia 3 de novembro a gerente executiva do INSS em Porto Alegre, Sinara Pastorio, a uma comissão de funcionários da TVE.
Sinara explicou que há pouco mais de um ano, em audiência pública na Comissão de Serviços Públicos, da Assembleia Legislativa, o INSS manifestou interesse em fazer uma permuta, incluindo um ou mais imóveis no Interior do Estado, desde que permitisse instalar agências da previdência social, mas não houve o devido retorno do governo estadual.
“A diretoria da Fundação enviou uma lista de cerca de 500 imóveis pertencentes ao Estado em várias regiões, porém só continha o nome da cidade e a matrícula do imóvel, sem informações como localização, área total do imóvel etc.’, disse a executiva do INSS, que insistiu junto ao governo para que enviasse mais informações sobre os imóveis, o que nunca ocorreu.
Em 27 de setembro deste ano, o INSS enviou ofício à diretoria da Fundação, segundo Sinara, informando que pretendia vender o prédio. Como novamente não houve manifestação da Fundação num prazo de 30 dias, o Instituto de Previdência decidiu fazer uma oferta pública para ver se algum órgão estatal tem interesse na compra antes que vá a leilão.
O diretor jurídico da EBC, Luiz Henrique dos Anjos, confirmou ao JÁ a proposta de compra enviada no dia 4 deste mês pela presidente da empresa, Tereza Cruvinel, ao presidente do INSS, Waldir Moysés Simão.
“De nossa parte ainda não há definição”, informou nesta terça-feira o secretário da Administração, Elói Guimarães, através da sua assessoria de imprensa.MP aceita denúncia de moradores contra espigão na Auxiliadora
A Promotoria de Defesa da Habitação e Ordem Urbanística, do Ministério Público Estadual abriu Inquérito Civil contra o Município de Porto Alegre para investigar denúncia feita apela Associação dos Moradores do bairro Auxiliadora, contra a construção de um prédio de 19 andares na rua Germano Petersen Jr. A informação é do presidente da AMA, João Volino.
A associação comunitária está pleiteando também audiência com a procuradora geral de Justiça, Simone Mariano da Rocha, para questionar o desgravamento da Área de Especial Interesse Cultural, destinada a Praça, para a construção comercial sem consulta pública à comunidade e sem Estudo de Impacto de Vizinhança, previsto em Lei Federal, dado o violento impacto sobre a infra-estrutura de esgotos, insolação e trânsito no bairro.
O movimento dos moradores inclui também uma série de eventos denominados Foruns Comunitários, com o tema “Pra Quê Espigões na Auxiliadora?” – que serão realizados nas Escolas Públicas (Daltro Filho e Piratini) e Centro Cultural 25 de Julho no Bairro Auxiliadora, entre 14 e 27 de novembro.
“São ações preparatórias para a Mobilização Comunitária: Não ao Espigão na Germano Petersen Jr. no dia 28 de novembro, sábado, das 11h às 13h, com encontro nas escadarias da Paróquia Auxiliadora, para caminhada simbólica de protesto pacífico pelas ruas circunvizinhas até o local do show room da Maiojama”, segundo o presidente da AMA..
Além disso, AMA e o Movimento Cidade Baixa Vive solicitaram à Câmara Municipal a tribuna do plenário para Manifestação de Protesto contra o Modelo de Verticalização da cidade embutido na revisão do PDDUA de Porto Alegre.
Dessa forma, a AMA está convidando as demais associações de moradores de Porto Alegre: Moinhos Vive, Independência, Higienópolis, Bela Vista, Centro, Chácara das Pedras, entre outras, para participarem dessa importante mobilização pela qualidade de vida e a defesa do modelo urbano sustentável.
“Cada vez mais as comunidades estão se dando conta de que o protagonismo politico em nome de reinvidicações legítimas em defesa do modelo de cidade mais humana e ambientalmente sustentável é uma prerrogativa de cada cidadão, não depende de partidos políticos, vereadores ou governantes”, diz o informa da entidade divulgado pela Internet.
“São movimentos apartidários, com pluralidade de lideranças, unindo associações de moradores e ambientalistas, ong´s e entidades de classe”.
“Um exemplo de democracia participativa que assume seu espaço político, de fato e de direito, sem depender do poder representativo dos partidos, dos legisladores e governos, que no mais das vezes representam interesses de grupos econômicos alheios aos verdadeiros interesses da comunidade, em particular, e da população em geral”.
“Porto Alegre merece a população que tem! Vamos fazer por merecer a cidade que queremos! Nossa vocação de liderança democrática e participativa não precisa de bandeira partidária! Nosso protagonismo depende apenas da vontade coletiva do agir solidário e comunitário! Nossos bairros e nossa cidade serão tão bons quanto maior a nossa união!”, diz o texto da entidade convocando os moradores.Acordo entre Tribunal e Policia Federal reforça combate à corrupção
Nesta sexta-feira, 6 de novembro, o procurador Geral do Ministério Público de Contas, Geraldo Costa Da Camino, e o superintendente da Polícia Federal no Rio Grande do Sul assinam um “Ato de Colaboração” que vai reforçar o combate à corrupção no Estado.
Haverá uma solenidade às 10h30min no gabinete do Procurador Geral, com a presença de represetantes do Tribunal de Contas do Estado, do Ministério Público Estadual, do Tribunal de Contas da União e do Ministério Público Federal.
Segundo Geraldo Da Camino, este é mais um passo para a integração de todos os órgãos de controle e fiscalização da administração pública no Estado. “A integração é um mantra, temos que persegui-la permanentemente, porque a corrupção é muito ágil e articulada e se não agirmos em conjunto não teremos eficiência no combate a ela”, disse o procurador geral.
A medida agora formalizada abre caminho para a atuação conjunta das duas instituições e dá continuidade a acordos que vem sendo feitos desde 2003, com o Ministério Público do Estado, Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho e o Ministério Público junto ao TCU. “Unir esforços na defesa da ordem jurídica e no combate à corrupção” é o objetivo dessa integração.Baianos também discutem futuro de sua capital
Paulo Ormindo de Azevedo
De Salvador (BA)
Na madrugada é mais visível. São centenas de ônibus e carros que levam e trazem operários e diretores para fazerem funcionar a região industrial da capital baiana.
Fico imaginando quanto custa esta frota rodando e parada e quantas horas perdem seus funcionários diariamente dentro destes veículos, expostos a acidentes. O custo Salvador tem muito a ver com a falta de planejamento.
Claudio Leal/Terra Magazine

A “Pequena Salvador” tem 7,41% da área metropolitana, mas é onde se concentra 81% da população
A região metropolitana, a “Grande Salvador”, reúne 13 municípios, tem 4.375 km2, onde vivem quatro milhões de habitantes e é responsável por metade do PIB do estado. A capital, a “Pequena Salvador”, tem 7,41% desta área, mas é onde se concentra 81% da população da metrópole.
Por aí se pode compreender porque Salvador se transformou em um aglomerado de espigões e favelões, que avança sobre seus últimos verdes. Isto explica também sua pobreza estrutural.
Toda atividade industrial está fora de Salvador e ela é responsável por fornecer habitação, transporte, saneamento, saúde, educação, cultura e lazer a cerca de 1,5 milhões de habitantes que geram riqueza e impostos em benefícios de outros municípios.
Só Camaçari tem um PIB de quase metade do de Salvador e muito pouco custo com seu exercito de operários.
Por que tanta gente se submete a este sacrifício diário? Porque em municípios como Camaçari, S. Francisco do Conde, Simões Filho e Candeias, onde estão as indústrias, não existe conjuntos habitacionais, hospitais, hotéis, escolas, cinema ou teatro de mínima qualidade.
Não fomos capazes, como São Paulo, de criar em torno da capital cidades como Campinas, São José dos Campos e Santos. O que ocorreu aqui não foi por falta de recursos, foi por incapacidade de gestão dos prefeitos locais, inclusive de Salvador, cabeça de região, e omissão do Estado, que deveria planejar e desenvolver políticas metropolitanas de integração.
A Região Metropolitana de Salvador, RMS, foi instituída em 1973 pelo governo militar. A CONDER foi criada para planejar e infra-estruturar a região, mas falhou e perdeu o foco, sendo transformada em uma empresa para fazer obras em todo o Estado.
A única tentativa de planejamento da RMS, o CIA, só se preocupou com a indústria, visando os incentivos da SUDENE. Nenhuma atenção ao transporte, habitação, saneamento, saúde, educação, cultura e turismo.
Não se pode resolver nenhum desses problemas dentro dos limites de cada município e partido, senão com políticas de estado.
Precisamos criar redes de transporte ferroviário e saneamento básico para toda a região, desenvolver uma agricultura voltada para o abastecimento alimentar, criar um mercado de terras baratas para programas habitacionais e aparelhar as cidades da RMS com serviços de qualidade.
Visando o turismo, precisamos dar um tratamento único a nossas praias e a orla da Baía de Todos os Santos. É na solução desses problemas que está a chave para atrair grandes investimentos para uma região privilegiada, com dois grandes portos, terrenos planos, praias ensolaradas e uma baia navegável todo o ano e não destruindo a Mata Atlântica e emparedando as nossas praias.
A questão institucional é um dos nós do problema metropolitano. Em muitas capitais latino-americanas, além dos prefeitos municipais, há um prefeito metropolitano eleito.
Esta prefeitura é um degrau para atingir postos mais elevados, como governos provinciais e a presidencia da republica. Seu titular tem que mostrar eficiência e capacidade de articulação política numa previa para vôos mais altos.
Nossa constituição não prevê isto e o Estatuto da Cidade passou ao largo da questão metropolitana. Resta a possibilidade de um grande consórcio municipal, que já funciona com sucesso desde os anos 90 no interior de S. Paulo e Paraná e começa a ser adotado na Bahia.
Em muitos setores, o interior está mais adiantado que a nossa metrópole.
Para discutir estas questões, os movimentos “A Cidade Também é Nossa” e “Vozes da Cidade”, estão convocando a sociedade e autoridades para o seminário “Salvador Metrópole”, a ser realizado no auditório da FLEM entre 17 e 18 de novembro. Salvador precisa pensar grande.
*Paulo Ormindo de Azevedo é professor titular da Universidade Federal da Bahia e Presidente do Dep. da Bahia do Instituto de Arquitetos do Brasil.




Quatro governos dividem o contencioso dos pedágios no Rio Grande do Sul. Antonio Britto (1995/98) apressou um processo que não foi discutido e iniciou com muitos questionamentos. Depois, no ano da eleição, não concedeu o reajuste previsto nos contratos, dando origem às ditas “anomalias contratuais” que ainda hoje permanecem.
Vitorioso, Olívio Dutra (1999/2002) tinha o compromisso de campanha de rever a situação. Se dependesse da opinião dominante em seu partido, o PT, ele provavelmente teria anulado as concessões e extinguido o programa. Mas havia uma lei e o governo tinha minoria na Assembléia. Dutra, então, optou por alterar unilateralmente os contratos, reduzindo a tarifa básica para automóveis (de R$ 1,50 para R$ 1,20) e caminhões (R$ 2, 50 para R$ 2,00). Um ano depois, derrotado na Justiça, o governador voltou atrás, negociando com as concessionárias um aditivo (A1), corrigindo as tarifas, reduzindo as metas de investimento.
Veio 2004, mas o novo governo, de Germano Rigotto, não apresentou o esperado diagnóstico e resolveu o impasse prorrogando o prazo para a revisão. Foi assinado um Termo de Ratificação e, depois, um Termo de Re-ratificação, que hoje está em aberto, pois sua validade era até 2006.
Cloraldino Severo, 69 anos, natural de Uruguaiana, engenheiro, funcionário de carreira do extinto Departamento Nacional de Estradas e Rodagem, ministro dos transportes de 1982/85 (governo João Figueiredo). Iniciou a carreira no DAER, órgão do Estado, ainda como estudante.




Hoje há associações em todas as regiões onde há pedágio, articuladas por uma entidade estadual. “Essa situação é uma vergonha”, resume Juarez Colombo, pequeno empresário, que preside a Assurcon/Serra, até hoje a mais combativa das associações de usuários, com mais de mil sócios efetivos. “Não somos contra o pedágio. Mas esse modelo aí é inaceitável. Temos aqui quatro praças num pólo de 173 quilômetros.
Advogado e economista, Paulo Oiama de Macedo Silva acompanha o processo de concessões de rodovias no Rio Grande do Sul desde os primeiros estudos, quando ainda era gerente financeiro da Concepa. Foi assessor jurídico da Associação Gaúcha das Concessionárias de Rodovias (AGCR) até novembro de 2007, quando assumiu a presidência. É também diretor regional da associação brasileira de concessionárias. Ele falou à revista JÁ: