Autor: Elmar Bones

  • Casa do Torreão ficou de herança para Igreja

    Filha de ateus deixa imóvel para a paróquia de Santa Teresinha
    Por Daniela De Bem
    capa_casarao_site
    Para quem acha que as pessoas não deixam mais seus bens para Igreja Católica, e que isso já é algo ultrapassado, a história da linda casa situada na Av. Venâncio Aires com a Santa Teresinha, pode surpreender.
    O casarão amarelo de três pavimentos, com dependências e um terreno que mede 13m85 de frente e mais 27m30 pelo lado da rua Santa Teresinha, foi deixado por Hebe Trindade, após a morte em 2003, para a Paróquia do Santíssimo Sacramento e Paróquia Santa Teresinha.
    A mansão, que chama a atenção dos que por ali passam, foi alvo de batalha judicial. Hélgio, Maria Inês, Maria Zélia e Otto Trindade, junto aos filhos do irmão já falecido, não aceitaram a doação da mãe. Juntaram-se e entraram com um processo, acusando a entidade religiosa de “captação de vontade”.
    A benfeitora, Hebe Casses Trindade, nascida em 1917 na cidade de Quaraí, era filha do promotor, jornalista e poeta Atila Gutierrez Casses com a professora Hermelina Aquino Casses, ambos ateus.
    Seguindo a vida profissional da mãe, formou-se na antiga Escola Normal, em 1937. Um ano depois, casou-se com o juiz e tabelião Otto Bélgio Trindade e foi morar em Encruzilhada do Sul, onde nasceram os dois primeiros filhos. Foi por influência do casamento que Hebe se batizou e iniciou uma tardia, porém, intensa vida religiosa.
    Após períodos em outras cidades, como Flores da Cunha e Nova Trento, o casal se mudou para Porto Alegre. Por dois anos, de 1946 a 48, Hebe foi professora do Instituto de Educação. Porém, abandonou o magistério – quando seu quinto e último filho nasceu – com o intuito de se dedicar ao lar.
    Desde que chegou à capital passou a frequentar a Paróquia do Santíssimo Sacramento e Igreja Santa Teresinha, na rua José Bonifácio. Perto dali, a família adquiriu o casarão amarelo, a uma quadra de distância. O que antes, no terceiro piso, abrigava uma pensão e, nos outros, uma empresa de mudanças foi transformado. Após dois anos de reforma, os primeiros andares passaram a ser a moradia da família e o terceiro foi dividido em dois apartamentos.
    Hebe é conhecida pelos que a cercaram como alguém que fazia o bem. A Creche beneficente Santa Terezinha contou com a sua ajuda por longo período de tempo. Dos anos de 1980 até 1987, foi presidente da instituição ao lado da amiga e vice-presidente Vanda Becker, hoje com 91 anos. Depois de ter deixado a chefia, continuou trabalhando na instituição até 1996, quando ficou doente. Vanda, já com dificuldades da caminhar pela idade avançada, discorre sobre a personalidade da companheira. Diz que ela sempre foi preocupada com as questões sociais e participante de atividades filantrópicas, além de ser comunicativa e muito católica. Foram as duas que conseguiram, com uma ajuda da Alemanha, comprar a atual sede da creche, na Av. Venâncio Aires 1030, que antes funcionava nas dependências de um asilo, na Ramiro Barcelos.
    Marilene Motta Lopes, ativa na mesma igreja e coordenadora da Caritas Paroquial – organização humanitária católica destinada a atender pessoas carentes – da qual Hebe também fazia parte, conta que “ela era uma líder espiritual, dava palestras, ensinava a bíblia, era uma pessoa que não só falava, mas vivia o evangelho.”
    Vanda conta que em 1988 a amiga perdeu o filho, o tabelião Fernando Trindade,e um ano após, morreu o marido, que estava doente há doze anos depois de ter sofrido um acidente vascular cerebral. Nessa época, através de pesquisas ao processo gerado pela doação da casa da família, é possível verificar que Hebe já havia feito pelo menos dois testamentos com o marido, em 1978 e em 1983. O patrimônio do casal era grande, compreendendo a casa da residência, imóveis de renda – vários deles comerciais localizados na rua Andradas -, outros não alugados, como uma casa de veraneio e um sítio.
    Foi em janeiro de 1994, com 77 anos, que Hebe Trindade decidiu doar o imóvel, que era de sua família há cinco décadas , para a paróquia da qual fazia parte. Acompanhada de cinco testemunhas, freiras palotinas, ela assinou o documento na presença do tabelião e registrou em cartório. Esse ato foi feito em sigilo, sem que os quatro filhos ainda vivos pudessem saber. O testamento foi fechado e só poderia ser aberto por um juiz após a morte de Hebe.
    Além disso, com medo de rasgar ou perder o papel, ela deixou sob a guarda do tabelião. Em 1996, teve um tumor no crânio e ficou hospitalizada por, aproximadamente, oito meses. No últimos anos de vida, já estava muito doente e, segundo Marilene Motta, já não mais podia ir às missas diárias. Em fevereiro de 2003, Hebe morreu e na certidão de óbito, os motivos: parada cárdio-respiratória, cardiopatia isquêmica, linfoma.
    Após o falecimento da testadora, o documento foi aberto e, tanto os filhos e os netos, quanto a Paróquia, ficaram sabendo da doação do imóvel da Venâncio Aires. Os herdeiros naturais, logo em seguida, entraram com um processo de anulação de testamento, afirmando que a mãe não estava lúcida e que havia sofrido captação de vontade.
    Na primeira instância, a família ganhou. Frei Marcos afirma que a igreja tinha pensado em desistir de lutar pelo imóvel, entretanto, um dos filhos teria afirmado que “os padres eram leões vestidos com peles de cordeiro”. Por esse motivo, diz ele, decidiram ir até o fim e venceram na segunda e na terceira instância. O processo durou cerca de seis anos e, conforme o frei, a sentença só saiu por volta de dois meses atrás.
    Na lei brasileira, explica o advogado Ricardo Luís Maya, só até 25% dos bens podem ser doados a terceiros , mediante testamento. O resto fica sob o domínio dos herdeiros necessários – filhos e, na ausência desses, netos. Isso significa que o casarão deixado para a igreja é apenas ¼ de tudo o que o casal Trindade possuía . Apesar de terem alegado que a mãe estava esquecida e sem lucidez, o juiz julgou o testamento perfeito, sem nenhum tipo de erro. Ainda, salientou que foi feito quase dez anos antes da morte e, por isso, se ela tivesse se arrependido do ato, teria tido tempo para mudar.
    Hoje, após intensas brigas judiciais, o imóvel pertence aos freis carmelitas descalços, ordem – explica Frei Marcos – que tem os bens separados da cúria metropolitana e da qual a Igreja Santa Terezinha é a sede provincial. Além dela, existem mais sete casas, incluindo paróquias, casas de formação e casa espiritual – quatro no Rio Grande do Sul, uma em Santa Catarina e duas no Paraná . Há, ainda, mais duas missões em Mato Grosso. Os representantes da igreja consideram que a doação foi coerente, já que a vida de Hebe sempre foi marcada pela solidariedade e pela religiosidade.
    Conforme Frei Marcos ainda em outubro a casa será entregue definitivamente para a entidade religiosa. O prédio é parte do patrimônio histórico da cidade. A igreja não pretende usá-lo para nenhum movimento ou projeto social, mas sim para alugar a terceiros.
    “Um homem veio nos procurar para alugar e fazer uma casa noturna. A casa é muito grande, tem vários ambientes e seria muito bom para fazer uma boate, mas isso não combina com a doutrina da igreja”. Marcos conta, ainda, que um grupo de cineastas o procurou para pedir emprestado o casarão por tempo indeterminado. “ Eles queriam que a gente deixasse eles filmarem, a fim de ajudar na produção cultural da cidade”. O filme, entretanto, era de terror e, após uma risada, o frei arrematou: “ Filmes desse tipo não podem colaborar para o patrimônio cultural gaúcho, por isso também não concordamos.” O fato é que muitas pessoas já estão de olho no imóvel e , nos próximos meses, a casa terá outro destino. Sem saber o que funcionará lá, a única certeza é a de que ela não será mais o ponto de encontro da família Trindade.

  • Já Editores é destaque com livro sobre petroquímica


    O livro “Petroquímica Faz História”, de Elmar Bones e Sérgio Lagranha, recebeu o prêmio Destaque Memória Econômica na promoção do Jornal do Comércio que destaca o trabalho de autores, editores e livrarias ligados à Feira do Livro de Porto Alegre. O prêmio está em sua quinta edição. O livro foi lançado na feira do no ano passado pela Já Editores e reconstitui o movimento que mobilizou o Rio Grande do Sul, unindo governo e oposição, para trazer o terceiro pólo petroquímico – que depois se tornou Copesul – para o Estado.
    A obra mostra também como o pólo petroquímico gaúcho se tornou num dos mais modernos e rentáveis do mundo. Todas as transformações que ocorreram na petroquímica brasileira nos últimos 50 anos, inclusive a onda de fusões e incorporações que deu a configuração atual ao setor, também estão no livro. Um caderno de fotos, resgata as imagens da grande mobilização que envolveu toda a sociedade, num dos raros momentos em que os gaúchos de todas as tendências se uniram em torno de um objetivo.
    O evento de premiação das melhores obras escolhidas por um júri de professores e intelectuais para o Prêmio do Jornal do Comércio o será realizado no dia 11 de novembro, às 19 horas, no Átrio do Santander Cultural. Os premiados recebem um troféu criado pela artista plástica Claudia Stern.
    As categorias premiadas foram:
    Livro de Administração Estratégica
    Livro de Administração- Comunicação Organizacional
    Livro de Comércio Exterior
    Livro de Contabilidade
    Livro de Direito
    Livro de Economia
    Livro de Marketing
    Livro de Publicidade e Propaganda
    Prêmio Destaque Memória Econômica
    Prêmio Especial
    Livraria
    Editora
    Homenagem Especial

  • Mercado Público completa 140 anos

    Mais antigo centro de compras da Capital comemora aniversário no Sábado (3)
    Mercado Público em 1951 - Foto: Acervo do Museu José Felizardo - Autor: Sioma Breitman
    Neste sábado, 3, o Mercado Público Central de Porto Alegre completa 140 anos. A comemoração inicia às 10h30, quando serão acesas as velas do bolo, produzido em uma das padarias do prédio, com direito a apresentação da Banda Municipal. A Prefeitura vai aproveitar a ocasião para apresentar os projetos de preparação do Mercado Público para a Copa do Mundo de 2014.
    Diversas atrações já estão à disposição do público, como exposições fotográficas, Feiras de antiguidade, Feira do Vinil, 6ª Mostra de Trabalhos Técnicos, Científicos e Comunitários, ligas ao Centro de Referência da Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba, UFRGS e Comitê do Lago Guaíba
    Patrimônio Histórico e Cultural de Porto Alegre, o Mercado Público Central tombado como um Bem Cultural, tornando-se um ícone de compras da Capital do Estado. Possui, hoje, mais de cem estabelecimentos. São quatro agropecuárias, 16 armazéns, 30 bares e restaurantes – incluindo cozinha macrobiótica, japonesa e portuguesa -,oito açougues, oito peixarias, duas bancas de jornais e revistas, barbearia, quatro lojas de artigos religiosos, três delicatessen, duas lotéricas, duas padarias, um posto bancário, duas fruteiras, oito bancas de hortifrutigranjeiros, uma loja de aquários, uma cachaçaria, duas sorveterias, duas lojas de cooperativas, uma loja de artesanato, loja do Sebrae, uma livraria e um telecentro, além das administrações do Mercado, através da Smic, Coordenação de Próprios e Associação do Comércio do Mercado Público Central (Ascomepc).
    O Mercado Público abre de segunda-feira a sexta-feira, das 7h30 às 19h30, e, sábados, das 7h30 às 18h30. O estacionamento no Largo Glênio Peres é liberado durante os sábados, domingos e feriados. Nos sábados, os bares e restaurantes ficam abertos até 20h30.
    Melhor centro de compras da Capital
    recebe cerca de 150 mil pessoas/dia

    O Mercado Público Central de Porto Alegre é o marco de uma época de crescimento da capital gaúcha e permanece até hoje como um símbolo extra-oficial da cidade. É um dos poucos espaços tradicionais que preserva sua vitalidade no centro da capital. . Circulam diariamente pelo Mercado entre cem mil e 150 mil pessoas.
    Atrativos não faltam. Além das mais de cem lojas de artigos variados que empregam mil trabalhadores e ainda geram 800 empregos indiretos, o mais antigo centro de abastecimento dos porto-alegrenses ainda oferece Internet gratuita para notebooks, através da rede wireless.
    Dois pisos e cobertura
    O Mercado começou a ser erguido em 1864, numa área aterrada, a partir do projeto do engenheiro Frederico Heydtmann, tendo como coordenador o empreiteiro Polidoro da Costa. A inauguração ocorreu em 3 outubro de 1869, mas só foi aberto no ano seguinte. O primeiro centro de abastecimento que se tem notícia é de 1840 e ficava no então Largo do Paraíso, atual praça 15 de Novembro, ao lado do atual.
    Mercado, docas e Praça Parobé em 1878
    Nesses 140 anos o Mercado passou por duas grandes modificações. O prédio quadrilátero, com um pátio central, tinha apenas um piso. Seu estilo neoclássico compunha com outros imóveis do Centro, como a Assembléia Legislativa e a Beneficência Portuguesa, um novo visual da cidade.
    Cais do Porto em 1982, com Mercado ao fundo
    Em 1913 recebeu o segundo piso, com ladrilhos trazidos de Pelotas e, a partir de 1991 até 1997, a área interna foi totalmente reestruturada, com a reconfiguração das bancas, instalação de gás central, de elevadores e escadas rolantes e a principal intervenção: uma cobertura de metal, com mais de 15 metros de altura. A fachada foi restaurada, preservando a cor original, o amarelo ouro. A parte externa do prédio não pôde ser modificada desde 1979, quando foi tombado como patrimônio histórico e cultural do município. Por isso, qualquer intervenção tem que passar pela análise da Secretaria da Cultura.
    Prefeitura assumiu em 1999
    Em 1999, aos 130 anos, o Mercado teve parte de seu condomínio repassado para gerenciamento da prefeitura, através da Secretaria Municipal de Produção, Indústria e Comércio (Smic). A Associação dos Comerciantes vinha recebendo constantes críticas de permissionários insatisfeitos com a extensão do horário de funcionamento e a abertura aos domingos, o que aumentava muito os gastos com segurança, limpeza e energia elétrica, porque também tinha que manter ligada a escada rolante e os dois elevadores.
    A situação era agravada pelo valor da permissão de uso, o aluguel, que representava duas vezes mais que as despesas do condomínio. Por outro lado, era a única alternativa dos donos de bares e restaurantes aumentarem seus rendimentos.
    Hoje, a administração é totalmente gerenciada pela Smic. O perfil dos lojistas no segundo pavimento mudou, de salas de escritórios para bares e restaurantes. Recentemente, a associação fez uma parceria com o Sebrae para qualificar os trabalhadores.
    Em 2007, a prefeitura concluiu o investimento R$ 1,2 milhão nas obras de recuperação do Mercado com verbas do Funmercado. O prédio recebeu uma nova pintura, interna e externa, recuperação dos portões, manutenção e pintura da estrutura metálica, reforma das janelas, portas e aberturas, revisão das redes hidráulica e elétrica. (Por Cleber Dioni Tentardini)
    Atrações
    Exposição Na labuta conta
    histórias dos trabalhadores

    O universo do trabalho no Mercado Público é apresentado por meio da trajetória de indivíduos que fazem parte da história deste espaço. A mostra contempla o período entre final do século XIX e os dias atuais. Seu conteúdo é fruto de pesquisa histórica realizada pela equipe do Memorial do Mercado, coordenada pelo Historiador Benito Bisso Schmidt, com concepção visual de Ediolanda Liedke. Junto à mostra é apresentado o documentário Mercado Público de Porto Alegre: uma família de trabalhadores, de Felipe Henrique Gavioli.
    Feira de Antiguidades marca aniversário
    A Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic), em comemoração aos 140 anos do Mercado Público, está promovendo a 1ª Feira de Antiguidades. O evento acontecerá até o próximo dia 3 de outubro, quando será comemorado o aniversário de 140 anos do principal prédio histórico da cidade. A feira funcina das 9h às 17h, no quarto do quadrante no térreo do Mercado Público.
    A 1ª Feira de Antiguidades é uma ótima opção de programa para os frequentadores do Mercado Público e do Centro Histórico. O evento conta com a participação dos expositores de antiguidades do Brique da Redenção. Uma nova edição da Feira no Mercado Público será realizada no período de 13 a 17 de outubro com a participação de aproximadamente 30 expositores.
    Feira do Vinil
    Feira regular com milhares de discos de vinil. Discos raros de todos os estilos. A principal feira de vinil da cidade. 2º Pavimento – Terraço 3 (subindo a escada rolante)
    Exposição de Fotografias “Olhar sobre o Mercado”
    Exposição organizada pelo Jornal do Mercado, tendo como foco os trabalhos fotográficos de 14 fotógrafos que participaram da coluna homônima no Jornal. A Exposição ocorrerá em 2 lugares diferentes, Térreo do Quadrante III e Terraço III.
    Local: Quadrante III e Terraço III
    Data: 06 a 31/10/2009
    Horário: 8:00 às 19:00
    Exposição de Fotografias – 30 vencedoras do I Concurso Fotográfico do Mercado Público, alusivo aos 140 anos
    Exposição organizada pelo Jornal do Mercado e SMIC, sendo composta pelas 30 melhores fotos que participaram do I Concurso Fotográfico do Mercado Público. A Exposição ocorrerá no Terraço I.
    Local: Terraço I
    Data: 06 a 31/10/2009
    Horário: 8:00 às 19:00
    6ª Mostra de Trabalhos Técnicos, Científicos e Comunitários – Centro de Referência da Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba, UFRGS e Comitê do Lago GuaíbaMostra através de banners e posters. No Terraço 1, de 5 a 9 de Outubro
    Local: Terraço I
    Data: 05 a 09/10/2009
    Horário: 8:00 às 19:00
    Feira de Artesanato das Crianças
    A Feira de Artesanato das Crianças, promovida pela Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic), ocupa novamente o andar térreo do Mercado Público, de 05 a 10 de outubro. O evento conta com 55 participantes dos grupos de artesanato da secretaria, Incubadora da Mulher da Zona Norte, Clubes de Mães do Programa Mulher e também artesãos individuais gerenciados pela Smic.
    O passeio pelo prédio histórico nos seus 140 anos é uma das boas opções de lazer pela cidade, além da oferta de pratos típicos e lanches comercializados pelos bares e restaurantes do segundo piso e da variedade de produtos oferecidos pelas bancas do andar térreo.
    Local: Quadrante IV
    Data: 5 a 10/10/2009
    Horário: 8:00 às 19:00
    Coordenadorias
    Coordenação do Mercado Público
    Sala 120 – 2º Pavimento
    De Segunda a sexta-feira, das 8h30 às 18h
    Coordenadorª Engª Adriana Leão da Silva
    (51) 3289-4801 / 4802
    E-Mail: mercadopublico@smic.prefpoa.com.br
    Site:www.portoalegre.rs.gov.br/mercadopublico
    Auditório do Mercado
    Quadrante 1 – Lojas 010 / 012 / 014 – 2º Pavimento
    Agendamento do auditório: Secretaria Municipal da Governança Local
    Telefone: (51) 3289-3661
    Associação do Comércio do Mercado Público Central (Ascopec)Quadrante 2 – Loja T2A – 2º Pavimento
    Telefone: (51) 3286-1811
    E-mail: ascomep@yahoo.com.br
    Memorial do Mercado Quadrante 1 – Lojas 036 / 038 / 040 – 2º Pavimento
    Atendimento das 9:00 às 12:00 e das 14:00 às 18:00
    Telefone: (51) 3225-0793
    Serviço de Atendimento ao Turista (SAT)
    Escritório de Turismo – ESTUR
    Quadrante 3 – Térreo
    Acesso pelo portão central do Largo Glênio Peres
    Telefones: 0800-517686 ou (51) 3333-1873

  • Memórias do amigo capataz

    Deoclécio Motta, o tio Bijuja, foi o melhor amigo de João Goulart. Eram quase irmãos. Brincaram na infância, dividiram segredos na adolescência e, já adultos, fazendeiro e capataz continuaram confidentes. Jango lhe confiou uma procuração para tocar os negócios nas estâncias enquanto amargurava no exílio.
    Em 2004, durante pesquisas para compor a biografia de João Goulart, os jornalistas João Borges de Souza e Cleber Dioni Tentardini visitaram a casa dos Goulart, que agora virou museu, acompanhados de um amigo de infância de Jango, Deoclécio Barros Motta, chamado carinhosamente de tio Bijuja.
    Os jornalistas queriam conhecer o outro lado do ex-presidente da República, o perfil do fazendeiro sãoborjense e sua relação com a cidade natal. Entrevistaram tio Bijuja em duas tardes abafadas de janeiro. Melhor do que uma entrevista, foi uma ‘contação de causos’.
    Bijuja faleceu em 2007. Ele foi o amigo fiel de João Goulart. Eram quase irmãos. Brincaram na infância, dividiram segredos na adolescência e, já adultos, fazendeiro e capataz continuaram confidentes. Jango lhe confiou uma procuração para tocar os negócios nas estâncias enquanto amargurava no exílio.

    Bijuja | Foto: Cleber Dioni
    Bijuja | Foto: Cleber Dioni

    Aos 81 anos, se vangloriava das quatro safenas: “Tenho cada remendo véio de assustá, é ponte, aterro, pinguela, fiz de tudo, mas tô aqui ainda, peleando bonito”. Ele tinha um humor imbativel.
    Nesta conversa, Bijuja falou das coisas simples que dividia com o amigo no Interior. Da esperteza de Jango nos negócios, da amizade com Getúlio, das idas e vindas ao exílio no Uruguai, dos filhos de Jango, inclusive sobre Noé, mas foi logo avisando: “Eu acompanhei a vida particular dele e sempre tive muito carinho e respeito por sua família, e o lado político eu não sabia nada. Quando tinha visitas lá nas fazendas, ele dizia: “Olha, vocês fiquem tomando mate aí, que eu vou conversar com o coronel, nós vamos dar nossas bolichadas”.
    Por que Bijuja?
    Uma vizinha veio me conhecer, bebê, e disse “olha, parece um bijujinha”, não sei por quê. Depois, meu pai chegou e disse pra botar o nome dele e tava resolvido.
    Como ficaram amigos?
    Tinha sete anos quando me juntei com o Ivan e o Jango no pátio da casa deles. Eu tinha idade parelha com o Ivan, que era cinco anos mais moço que o Jango. Fiquei com eles até a hora de morrerem, sempre ao lado, mas nunca tirei vantagem desses homens que eram ricos, nem um centavo, a não ser amizade, e hoje uso o chapéu tapeado na testa, não preciso me esconder de ninguém. Me chamavam de coronel, agora de tio Bijuja.
    Coronel era um apelido?
    Me chamavam gratuitamente. A única ligação é meu irmão, general da reserva, Astolfo Motta.
    O pai do Jango tinha muitas terras?
    O pai do Jango era um homem rico, mas a herança não chegava nem perto do que o Jango juntou. O Vicente deixou 17 quadras de campo pra cada filho quando faleceu. Eram sete filhos. Uma vez ele disse: “Janguinho, parece que tu vai prestar, trabalhador que tu é, eu vou te dar uma mão pra ti começar a trabalhar por conta. Vou garantir um dinheiro, mas vou depositar no banco, não posso te dar dinheiro porque senão teria que dar para os outros também e vocês são sete.
    O Banco avalizou não sei quantos contos e o Jango pegou e comprou tudo em bois. O pai dele disse: “E não vou te dar mais campos porque iria ter de dar para os outros, então tu vai te arranjar, arrenda um campo bom, paga mais, mas que seja bom, não arrenda porcaria.” Aí, ele arrendou uma fazenda lá em Itacorubi, o dono do campo era Viriato Vargas Andrade. Ali deu o tiro, já ganhou um saco de dinheiro, e dali por diante arranjou não sei quantos bois. Tinha muito crédito.
    Por honrar as dívidas?
    Era um homem cumpridor. Uma vez num Cassino no Uruguai chegou um graúdo do Brasil. Tava cheio do dinheiro, mas se pelou. Foi pedir par trocar um cheque e o gerente recusou. Ele engrossou a voz : “Vocês não sabem com quem estão falando?”. O gerente disse que a única pessoa ali que trocava cheque era o presidente Jango. Esse coronel ficou furioso e falou mal do Jango. E o gerente retrucou : “Do doutor Jango a casa aceita até guardanapo com a assinatura dele”. Esse coronel bufava.
    Como era o amigo fazendeiro?
    Me lembro de uma fazenda que o Jango tinha uns 900 hectares. Tinha que andar uns 10 quilômetros pelo corredor e depois entrar nos campo de um francês para chegar lá na dele e o Jango me dizia:
    – Mas que merda desse francês que não me vende essa porqueira, tem que tá sempre pedindo licença pra cruzar.
    – Mas tu é pretensioso, hein, Jango, o outro tem 10 mil hectares e tu com 900 querendo comprar do homem.
    Essa fazenda lá ele comprou dum turco velho, o Martin Sema, e um dia o turco me chamou:
    -Tio Bijuja, doutor Goulart vai pro céu assim que morra.
    – Porque diz isso?
    – Conseguiu lograr um turco velho e ladrão como eu
    Esse turco tinha umas cinco mil ovelhas, capão, lanuda, e disse que só vendia a estância se comprasse todo o bicharedo também. Aí o Jango tironeava, visitava o velho, mas não havia jeito de vender sem os bichos. E o Jango sempre a par de tudo, soube que a lã não sei aonde, subiu muito, aí o Jango comprou todas ovelhas e com a venda da lã comprou a estância do velho.
    O Jango gostava de fazer um negócio que era coisa linda de se ver. Ele fez negócio com uns gringos da Swuift Armour, frigorífico, vendeu 10 mil boi gordo, mas ele não tinha tudo isso de boi invernado.
    Aí ele vendeu, comprou, vendeu, e saiu com sacos de dinheiro. Numa outra fazenda, o Jango ia comprar umas vacas, pegou um cavalo manso, porque tinha que ser por causa da perna dura dele, deu uma volteada e disse que queria 50 e perguntou qual era o prazo pra pagar.
    Mas o prazo era só o tempo de dar a volta na guaiaca, tinha que ser ali mesmo. Ele comprava já fazendo os cálculos de quanto ia ganhar nos frigoríficos.
    E quantas fazendas o Jango tinha?
    As fazendas que ele teve aqui pro Sul, se não me esqueço, era a Rancho Grande, Santa Luíza, Cinamomo, Granja, Palermo. Teve no Mato Grosso também, as Três Marias, mas bem mais tarde. Na Argentina ele teve a La Periá, La Sussi, La Villa.
    A fazenda Rancho Grande era a rapariga dos olhos do Jango, a maior de todas e a melhor. Tinha oito mil e poucos hectares, o melhor campo do mundo, era melhor em tudo, só a casa que não era de luxo, porque o Jango não era de luxo.
    A Granja São Vicente era mais conhecida porque ficava dentro da cidade, mas tinha meia dúzia de gado, o Jango passava ali mas logo se mandava para Rancho Grande. Tinha uma outra bem pequenininha, que o Jango sempre visitava, Palermo, era de difícil acesso, estrada ruim, ele ia num aviãozinho e ficava por lá, na beira do rio Uruguai. Inclusive, no dia em que foi embora do Brasil, ele deu uma passada por lá.
    E passou lá na fazenda Santa Luíza. Que é pegada a Rancho Grande. Nesse dia, o Jango mandou me chamar e pediu para eu desse uma controlada nas suas fazendas. Eu fui capataz da fazenda São José, da dona Tinoca, a mãe dele.
    E no Uruguai?
    No Uruguai ele não tinha campos antes de ir para o exílio. Tanto que ele foi para casa de um amigo, não lembro o nome, que ficava na praia de Piriápolis me parece, ou num daqueles lugares ali. Depois ele comprou uma em Taquarembó, teve outra em Maldonado.
    Foto: Cleber Dioni
    Foto: Cleber Dioni

    Nos fale de quando eram jovens, o que faziam?
    Eu tirei o ginásio e depois tive que trabalhar. O Jango estudou por aí, em outras cidades, mas sempre voltava para passar as férias. Fazia coisa de guri. E o Jango era muito popular aqui. Participava do Carnaval, entrava em tudo. Tinha a Jorgina e a Jocelina, aqui, uma preta bem alta e magra, e outra baixa e gorda.
    Morreram com noventa e tantos anos. O bloco delas era na frente do Comercial e o Jango tomava a frente do bloco, puxava o cordão e se ia pro Comercial, bah, aquela veiada graúda ficava tudo sem jeito. Tinha até um versinho: “Hoje é de graça no boteco da Jorgina, entra o Jango e o Ivan, e o Bijuja com as china.”
    Mentira do pessoal, né, mas sabe que pega. Depois ele participou do bloco dos rengo.
    E ele tinha muito bom gosto com as namoradas. Lá em Porto Alegre ele teve um problema de saúde, com a perna, teve gonorréia, que se alojou no joelho, infeccionou. Um dia ele comentou comigo: “-
    Olha Bijuja, o que o pai gastou com essa perna lá em São Paulo dá uma estância”. Ele fez uma cirurgia, trouxe aparelhos de fisioterapia, mas não fazia direito o tratamento, dizia que tavam judiando dele. O bicho era teimoso, não gostava de médico. Um dia, depois que eu passei a administrar as fazendas dele, isso foi por volta de julho de 64, eu disse que ia comprar uns touros charolês, e ele :
    – Me desculpe coronel, mas eu não gosto de gado charolês. Os campos lá do Rancho Grande servem para criar qualquer bicho, mas esses charolês são muito exigentes, comem muito.
    – Bueno, então não vamos criar. Mas eu criava igual, era pro bem dele.
    Como assim, administrar?
    O Jango, já como exilado político, me pediu para administrar oficialmente as fazendas dele. Tava lá o que era procurador dele, o Aírton Ayub. E Jango me disse: “Coronel, precisamos de ti, tu é um homem campeiro, vou te dar uma procuração, pra assinar guias, vender, comprar.”
    Ele andava muito de avião sobre as fazendas ?
    O Jango voava que não era brinquedo. As fazendas tinham pistas porque ele sempre teve avião particular. Como muitos outros. O Uruguai era uma quantidade de avião pequeno. No exílio, o piloto provocava, dizia que ia passar lá na fazenda tal, mas nunca chegou a descer em São Borja, e depois o Jango vinha contar que tinha dado um aperto no peito, de saudade.
    Mas o Jango era um homem simples, gostava de gente humilde, era bem povo. Chegava na Rancho Grande, ia na cozinha, pegava um fervido com mandioca, e comia conversando ali com a senhora. Pra ele aquilo era o máximo. E gostava muito de cachorro. E de carro, teve vários.
    Ele tinha um modelo preferido?
    Era um homem apaixonado por autos. Uma vez ele me pediu para comprar um doge. Mas olha, tchê, tinha que sair dum posto e entrar no outro. Aí ele devolveu de vereda. E a rural. Naquele tempo o Uruguai não tinha estradas, e a rural tinha tração nas quatro rodas.
    Um dia eu quase me incomodei com esse carro, porque veio um da cor da Brigada e eles encrencaram:
    – Não pode andar com carro dessa cor.
    – Mas eu comprei assim
    – É, mas o senhor pode ser preso.
    – Mas então pode aproveitar, eu não vou mandar pintar.
    Eu era encrenqueiro.
    Eu tive uma veraneio, caminhonete grande, e a licença era 90 dias. Aí o Jango me pediu pra tirar a licença por mais dias pra ir mais seguido lá no exílio visitar ele. Ele tinha visto o doutor Getúlio isolado, no auto-exílio, e foi um dos poucos que ia visitar ele. Então ele sabia como era isso.
    Frequentou a casa do Getúlio Vargas?
    Uma vez nós chegamos lá de carro, o Jango com uma baita dor de estômago. O doutor Getúlio tava tomando um café e mandou chamar a senhora que cuidava da casa:
    – Tia, faz um chá de marcela pro Jango.
    O Jango foi tomando chá, e comendo bolachinha, quando viu tinha comido toda. E o doutor Getúlio:
    – Mas que lindo a tua dor, não. Tomou um balde de chá e comeu toda minha bolacha.
    Num aniversário do doutor Getúlio, no capão do mata fome, diz que fizeram um churrasco tão grande que só para o tira-gosto carnearam 30 vacas. O homem que cuidava dos espetos tinha um zaino que tava suado de tanto andar pra lá e pra cá. Diz que pra salgar, usaram aquelas máquinas semeadeira de arroz.
    O doutor Getúlio era muito conservador nos negócios, pensava muito antes de comprar alguma coisa. E tinha uma fazenda aqui, a Santa Amélia, que o doutor Getúlio não queria comprar, era muito caro, e foi o Jango quem praticamente obrigou ele a comprar, gado de primeiríssima qualidade. Eu fui ajudar a receber. O doutor Protásio Vargas, irmão do doutor Getúlio, mais velho, também era amigo do Jango.
    Outro que conheci foi o Gregório Fortunato. Ele chegou a ser minha babá. Em 23, a mamãe já tava pra ganhar outro e o papai tava aquartelado aqui em São Borja, e eu fiquei lá no meio dos milico. Era homem valente, bagual. Tinha um outro que foi capanga do papai. Eu brincava com ele:
    – Quantos o senhor matou na sua vida?
    – Que o seu pai mandou, diversos.
    – Então vamos encerrando o assunto.
    O senhor acompanhou todo o tempo do exílio do Jango?
    Sim, e durante o exílio, o Jango nunca foi de noite em São Borja, isso que dizem é invenção. Ele passava perto com o avião, e dizia: “Coronel, passei perto da tua terra lá, e o Rivera ligou a rádio de São Borja, que foi minha, deu uma saudade”. Não me lembro bem se foi a rádio Cultura de São Borja ou a Fronteira do Sul que o Jango começou, tinha jornal também. Ele comprou a rádio com o Manoel Antônio Vargas, filho do doutor Getúlio. E também eu nunca soube que o Che Guevara tivesse visitado o Jango.
    É que misturavam as coisas. Por exemplo, o Jango teve um piloto que era Tupamaro, ficou um monte de anos preso no Uruguai.
    Me lembro de um guarda que cuidava o Jango na cidade, dia e noite, o dom Soto. Ficava numa cadeira na entrada do prédio. Um cagalhão. Uma vez, fazia um frio horrível no Uruguai.
    Nós congelamos um lagarto vivo e colocamos um buçalzinho pra não morder o focinho e a hora que o guarda tava dormindo, botamos o lagarto embaixo do cobertor. Daí umas horas, se aquentou o lagarto e saiu pelas calças e esse castelhano saiu correndo, rasgou o cobertor porque enganchou no portão, bah.
    Outra vez botamos um cágado na cama do castelhano, bah, outro cagaço. Aí, o guarda começou a ficar chaveado num quarto. Nós tinha que fazer um pouco de graça também, né.
    O que ele comentava sobre o Brasil? Ele recebia visitas, os companheiros de partido?
    Ele saiu, custou muito pra sair porque ele não queria deixar essas terras nem atado, ele amava esse Brasil como ninguém, e não se sentia culpado de nada. Ele fazia os cálculos pequenos pra voltar. Dali de San Tomé se enxerga São Borja. Ele tinha o pesqueiro na costa, Palermo. Ele gostava de ficar ali pra pescar e como era de difícil acesso, não iam muitos chatos bijujas incomodar lá, sabe.
    São Borja era tudo pra ele. Ficava triste quando eu ia lá na fazenda, no exílio, e no outro dia já me preparava pra ir embora. Ele dizia: “Tu gosta dessa vida porque tu vem e vai a hora que tu quer, e eu tenho que ficar nessa merda aqui, obrigado”. E às vezes ele contava na mão, e sobrava dedo, os amigos mesmo dele que iam visitar no exílio. Muita gente ia só pra pedir favores, cria de cavalo.
    Quando era empréstimo muito grande, ele me mandava um bilhete : “Coronel Bijuja, peço que resolva o problema do fulano dentro das nossas possibilidades”. Aquilo era uma senha pra eu não dar o empréstimo. Ele não podia resolver o problema de todos.
    Mas era um homem generoso. Quando o Jango comprou terras do Brizola, eram 1,2 mil hectares, ele me disse:
    – Coronel, bota esses campos no teu nome.
    – Mas porque Jango , não sou teu herdeiro, nem teu filho.
    Aí peguei a procuração, mas na hora de escriturar, não botei. Aí coloquei mil hectares para o João Vicente e menos pra Denise, que é no caso de algum alcaide querer casar com ela por causa dos campos. Teve outra estância que ele queria me dar, então essa aceitei, mas depois de uns acontecimentos também não quis mais. Eu era amigo do Jango, então vou ficar pobre e amigo da alma dele.
    Eu cuidei de toda a fortuna do Jango, se eu quisesse me enchia de dinheiro, mas hoje teria que andar com o gorro tapando os olhos, mas não, qualquer bem bom ou filha da puta tem que me respeitar. E isso faz bem, dignidade não se compra, ou se tem ou não se tem.
    E ele tinha um grande coração. Uma vez ele me chamou e disse que tinha um problema pessoal com o Brizola, mas que não era pra eu deixar de ir lá visitar o Brizola e a irmã dele, a Neuza: “Eles vão ficar sentidos contigo e comigo também, vão achar que eu não deixo tu ir lá ver eles”, ele disse.
    O senhor chegou a ser preso?
    Uma das tantas vezes que eu fui preso, quer dizer, fui convidado pra dar depoimento, lá no quartel, um coronel diz assim:
    – Mas o Jango é um baita comunista, né?
    – O senhor quem tá dizendo?
    – Se o senhor não sabe, fique sabendo que ele é um baita comunista.
    Aí pensei comigo: o que esse véio vai saber de alguma coisa do Jango comunista? Esse pessoal de extrema esquerda nem gostava do Jango.
    E a mulher e os filhos do Jango, se adaptaram rápido no Uruguai?
    A Maria Tereza e os filhos moraram na praia de Pocitos, estudavam nos colégios uruguaios, mas iam seguido lá ver o Jango.
    Sempre que podia o Jango tava grudado com o João Vicente e a Denise. Eles estudaram em Montevidéu por um bom tempo. Eu andava de carro com o João Vicente e a Denise, almoçava com eles, ia pra praia com as crianças, a Denise era pequeninha e eu tinha uma filha, que eu criei.
    Como o senhor soube do Noé?
    Essas histórias de filho do Jango, bah, o que vinha de gente aqui. Veio uma advogada bonita falar comigo:
    – Mas coronel, o senhor acha que pode ser filho ?
    – Não sei, como é que eu vou falar da mãe dele, mas uma coisa eu posso lhe garantir, se aparecer alguma terneira ou potranca parecida com o Jango, é filha dele, porque gostava de um sereno no lombo. Tchê, essa advogada riu tanto que passou mal.
    Fui no Fórum e tava o seu Noé lá, eu nunca tinha visto, achei parecido, aí o juiz me pergunta:
    – O senhor conhece esse cidadão?
    – Sei quem é mas não conheço.
    No exílio, o Jango me perguntou :
    – O que tu acha coronel?
    – Tu é quem tem que saber, Jango.
    – Se é verdade que é meu filho, eu vou ajudar.
    Esse era o coração dele.
    Um coração doente também
    Ele fumava muito, não comprava, mas fumava dos outros:
    – Cigarro, coronel. Era um, dois, três, lá pelo quarto eu dizia:
    – Tu sabe duma coisa Jango, dá câncer fumar, não comprar”. Aí ele pedia pra outro e assim ia.
    O pessoal admirava a nossa intimidade, mas porque nós andávamos juntos desde criança, né. Com os outros era doutor pra lá, doutor pra cá, e comigo ele se sentia um homem comum.
    Eu chegava lá na fazenda, no Uruguai, e dizia: “Olha, eu não sou pobre pra andar comendo ovelha velha, bichada no casco”. E os peões olhavam pro Jango, que dizia: “É o coronel que está mandando aí, vocês se arrumem com ele, e vamos carnear, o que adianta ter esse mundo de boi e dinheiro, pra andar comendo ovelha velha”. Aí já se carneava uma vaca e meta carne.

  • São Borja ganha Memorial João Goulart

    A prefeitura de São Borja e a Associação Amigos João Goulart inauguram nesta quinta-feira, 1º de outubro, o Memorial João Goulart. O casarão que pertenceu à família do ex-presidente da República foi doado ao município e restaurado com apoio da iniciativa privada.
    Casa do Jango Foto: Cleber Dioni
    O espaço cultural disponibiliza fotografias e objetos pessoais de Jango, materiais que estavam no Museu da República, no Instituto João Goulart, administrado pela família, e na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, e também presentes recebidos em diferentes países.
    Os visitantes poderão ainda assistir a vídeos e conhecer móveis originais do local. Na área anexa à casa, nos fundos do terreno, onde Jango, o irmão Ivan e amigos como Deoclécio Motta* (*leia entrevista abaixo), costumavam brincar, serão instalados um escritório do Instituto João Goulart, uma cafeteria e uma loja de produtos artesanais.
    Construído em 1927, o imóvel foi tombado como patrimônio histórico do Estado em 1994. Fica na avenida Presidente Vargas, 2033, no Centro, mesma rua do museu Getúlio Vargas.
    O projeto de restauração foi executado pela Lahtu Sensu Administração Cultural e pela Cida Planejamento Cultural, com apoio da prefeitura, do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico do Rio Grande do Sul (Iphae) e patrocinado pela AES Sul, via Lei Estadual de Incentivo à Cultura.
    Getulio Vargas
    O advogado Christopher Goulart, neto de Jango e filho de João Vicente, está à frente da mobilização em defesa da memória do avô, inclusive foi o único que lembrou em seu blog a passagem dos 90 de nascimento do líder trabalhista, em 1º de março deste ano.
    Christopher destaca que o mais importante na iniciativa é permitir que as gerações mais novas conheçam a trajetória de Jango e parte da história brasileira. “Aproveitamos para propor uma reflexão sobre o período da ditadura militar, um golpe contra as reformas de base propostas por Jango”, diz .
    Informações para visitação pelo telefone (55) 3431-5730 ou por e-mail: casajoaogoulart@saoborja.rs.gov.br.
    QUEM FOI
    João Belchior Marques Goulart, filho de Vicente Rodrigues Goulart e Vicentina Marques Goulart, nasceu no dia 1º de março de 1919 na Estância Yguariaçá, no distrito (hoje município) de Itacurubi, em São Borja.
    Foi casado com Maria Thereza Goulart, a primeira-dama mais bonita do país, com quem teve dois filhos, João Vicente e Denise, hoje com 41 e 39 anos, respectivamente.
    O início da carreira política foi como deputado estadual em 1947, quando se elegeu com pouco mais de quatro mil votos para a Assembléia gaúcha.
    Antes de assumir a presidência da República, foi por duas vezes vice-presidente, de Juscelino Kubitschek (1956-1961) e de Jânio Quadros (31 de janeiro a 25 de agosto de 1961).
    Através das “Reformas de Base” de seu governo, criou admiradores e inimigos poderosos. Foi deposto da presidência em 1964 através de um golpe militar, tendo se exilado no Uruguai e na Argentina. Morreu 12 anos depois, quando se preparava para voltar e ser apenas o estancieiro Jango.

  • Filme sobre mudanças climáticas prevê fim da vida na terra em 2055

    Um novo filme sobre as consequências das mudanças climáticas no planeta chega aos cinemas. Produzido na Inglaterra, “A Era da Estupidez (The Age of Stupid)” prevê que os efeitos do aquecimento global serão mais rápidos e devastadores caso o aumento de temperatura da Terra ultrapasse os 2 ºC. De acordo com a produção, o planeta pode não ter mais condições de abrigar vidas humanas já em 2055.
    O narrador é um dos últimos sobreviventes. A terra está devastada, o desequilíbrio ambiental chegou a um ponto em que não há mais condições de vida no planeta. Misturando fatos reais já ocorridos e catástrofes previstas em estudos científicos, A Era da Estupidez pretende ser um alerta e está nos cinemas do mundo inteiro.
    O filme foi lançado mundialmente nesta terça-feira, dia 22 de setembro, e estará em exibição no Brasil a partir do dia 2 de outubro. Em Porto Alegre, estará em exibição na sala 2 do Unibanco Arteplex do Shopping Bourboun Country.
    A história é narrada por um homem que está no Arquivo Global, uma espécie de fortaleza humana dentro de um mundo devastado. O arquivista, provavelmente o último ser humano sobrevivente, expõe uma série de acontecimentos que ajudou na destruição dos recursos naturais e, consequentemente, da vida no planeta.
    A produção do filme mistura fatos reais já ocorridos com projeções futuras, baseadas em estudos científicos.
    Sobre as responsabilidades da tragédia ambiental, o filme usa como referência negócios insustentáveis praticados por empresas petrolíferas e de aviação. Além disso, atitudes individuais de algumas pessoas também são questionadas, como proprietários de terra que não permitem a construção de aerogeradores para produção de energia eólica perto de suas propriedades.
    Durante a narração, o arquivista se pergunta diversas vezes por que a humanidade não evitou sua extinção enquanto era possível. Como o filme aborda um tempo futuro, a questão serve de mensagem para os atores do presente.
    A exibição do longa-metragem está vinculada a uma grande campanha ambiental, apoiada por celebridades e organizações não-governamentais de todas as partes. O objetivo é de influenciar os principais líderes políticos mundiais a assinarem, em dezembro deste ano, na 15ª Conferência da ONU sobre Mudança do Clima (COP 15), em Copenhagen, o tratado que obriga as nações a reduzir as emissões de gases de efeito estufa, de forma que o aumento de temperatura do planeta não ultrapasse os 2 ºC.

    Mais informações no blog do NAT Brasil:
    http://amigosdaterrabrasil.wordpress.com/

  • Fenaj e Sindicato prestam solidariedade ao Jornal Já

    Os presidentes da Federação Nacional dos Jornalistas e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul, Sérgio Murillo de Andrade e José Maria Rodrigues Nunes, respectivamente prestaram solidariedade ao jornalista Elmar Bones, diretor do Jornal Já. O veículo que pertence à empresa Já Porto Alegre Editores teve suas contas bloqueadas por decisão da justiça, para garantir o pagamento de uma indenização por dano moral a Julieta Diniz Vargas Rigotto, mãe do ex-governador Germano Rigotto.
    Para os dirigentes das duas entidades que representam a categoria profissional, a decisão é equivocada, uma vez que a matéria apontada como causadora do dano moral, que tratava da morte de Lindomar Rigotto, foi embasada em fatos e documentos, sendo inclusive destaque no Prêmio Ari de Jornalismo. Por entender que esse desencaixe mensal acaba por inviabilizando o trabalho desta empresa e também do profissional, a Fenaj e o Sindicato apelam para que o Tribunal de Justiça reforme a antiga decisão.
    Num momento em que lutamos pela é tica e responsabilidade na área de comunicação, em especial no jornalismo acreditamos na justiça e em especial prezamos os valores da ética e da liberdade de imprensa.
    Sérgio Murillo de Andrade
    Presidente da Federação Nacional dos Jornalistas
    José Maria Rodrigues Nunes
    Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul

  • Bom Jesus ganha ações do Território da Paz

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    A comunidade do bairro Bom Jesus, em Porto Alegre, está experimentando um novo tipo de relação com a Brigada Militar, que vai além da repressão policial. É o policiamento comunitário, uma das ações que integram o Território de Paz do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), do Ministério da Justiça.
    Instalado há dois meses na região, o Pronasci prevê uma série de medidas de segurança e cidadania que visam mudar a rotina dos moradores.
    No Bom Jesus, bairro que é formado também por três grandes comunidades carentes, foram criados quatro postos de atendimento, com três policiais em cada, sempre próximos de postos de saúde e de associações comunitárias. O PM Carlos Moraes diz que o trabalho consiste em conversar frequentemente com os comerciantes, a comunidade escolar e moradores. “É uma forma de saber mais sobre o cotidiano das pessoas. Os dependentes químicos, por exemplo, são orientados para uma possível internação. É um serviço diário rotativo, feito com um micro-ônibus”, explica.
    A vendedora Daiane da Silva, 29 anos, já nota a diferença. “Estou achando muito interessante. É um trabalho bem feito e intimida as pessoas que estão com a intenção de cometer algum crime, pois o policial está próximo”.
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    Outra ação em andamento é o Protejo – Projeto de Proteção dos Jovens em Território Vulnerável -, que oferece atividades culturais, esportivas e educacionais aos jovens de 15 a 24 anos. De acordo com balanço feito pela Fundação de Assistência Social e Cidadania, responsável pela ação em Porto Alegre, 2.067 jovens se interessaram em participar do Protejo. Nesta primeira etapa, mil jovens serão atendidos.
    A estudante Jenifer Madelaine, 16 anos, está entre os inscritos. Ela espera que o Protejo possa tirar os jovens das ruas e do mundo das drogas. “É triste ver as coisas como elas estão. Tem meninos de 12 anos vendendo droga nas ruas. Com o Território de Paz, acho que tudo isso vai melhorar. Eu imagino que o Protejo seja algo bem legal e espero que depois dele jovens como eu tenham vontade de ser alguém na vida”.
    O “Mulheres da Paz” é outro projeto muito aguardado pela comunidade de Bom Jesus. As inscrições devem ser abertas até o final do ano. Trezentas e vinte mulheres serão selecionadas e treinadas para identificar os jovens que correm o risco de entrar para o crime e encaminhá-los a projetos sociais. Cada mulher receberá um auxílio mensal de R$ 190.
    Segundo a coordenadora do “Mulheres da Paz” em Porto Alegre, Beatriz Morem, o projeto trará inúmeros benefícios para a comunidade. “As mulheres serão orientadoras e mediadoras sociais, com informações sobre direitos que, geralmente, as pessoas não têm nesses locais”, enfatiza. Para saber como funcionará o projeto e a previsão de início das inscrições do “Mulheres da Paz” , as interessadas devem procurar a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Segurança Urbana, que fica na Rua João Alfredo 607, bairro Cidade Baixa. Telefone: (51) 3289.7022.
    Redução da criminalidade
    O ministro da Justiça, Tarso Genro, ressalta que os resultados do Pronasci devem ser esperados a médio e longo prazo. “O Pronasci propõe uma mudança de paradigma, que é articular as políticas sociais com as questões de segurança pública, e isso não se faz de imediato.
    O ministro ressalta a mais recente pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, responsável em monitorar e avaliar as ações do Pronasci nos Territórios de Paz, que diagnosticou queda de 70% da criminalidade em Santo Amaro, no Recife (PE), com menos de um ano de implantação do Programa.
    “Ninguém acreditava que poderíamos reduzir esses índices de criminalidade e violência e eles têm sido reduzidos. É um esforço conjunto entre os governos federal, estadual e municipal, além da participação efetiva da sociedade civil e da própria comunidade”, acrescentou.
    O que já está funcionando no Bom Jesus:
    Núcleo de Justiça Comunitária: Moradores da comunidade podem procurar o Núcleo para conhecer os seus direitos e resolver conflitos sem precisar procurar a polícia ou a Justiça. O Núcleo funciona no Instituto Cultural São Francisco de Assis, Centro de Promoção da Criança e do Adolescente, Estrada João de Oliveira Remião, nº 4444 – Lomba do Pinheiro, Porto Alegre.
    Núcleo Especializado no Atendimento de Mulheres Vítimas de Violência Doméstica: Orienta as vítimas e oferece acompanhamento jurídico. Está instalado na Rua Sete de Setembro, nº 666, Térreo – Centro, Porto Alegre.
    Assistência Jurídica Integral ao Preso e seus Familiares: Em Porto Alegre, o projeto funciona na Rua Márcio Luís Veras Vidor, nº 10, sala 405 – Praia de Belas, Porto Alegre.
    Benefícios para o policial
    O Pronasci envolve também ações voltadas para o profissional de segurança pública. São disponibilizados cursos gratuitos para qualificar o atendimento à população e os participantes podem ter direito ao Bolsa Formação, um auxílio mensal de 400 reais concedido a policiais civis, militares, bombeiros, guardas municipais, agentes penitenciários e peritos.
    Outro benefício são as condições especiais de financiamento habitacional oferecidas pela Caixa Econômica Federal. Os interessados devem procurar a agência central de Porto Alegre, que fica na Praça da Alfândega.

  • Ruído contínuo dos supercataventos mata morcegos

    Os biólogos que há quase uma década mapeiam os impactos ambientais dos aerogeradores sobre a fauna litorânea já não escondem: o “vuvu” contínuo das pás dos supercataventos de Osório desnorteia os morcegos, que aparecem agora na história como os grandes esquecidos dos estudos preliminares, focados principalmente nas aves migratórias.
    A quantidade de morcegos mortos nas vizinhanças dos cataventos é um indicador de que o assunto merece atenção. Afinal, esses bichinhos se alimentam de insetos e atuam como dispersores de sementes.
    Quais as consequências do seu parcial desaparecimento na biodiversidade dos locais escolhidos para a implantação de parques eólicos no Rio Grande do Sul? Só o tempo dirá, mas é claro que cataventos não deixarão de ser construídos.
    É até natural que os morcegos tenham sido “esquecidos” nas pesquisas anteriores à construção do primeiro parque eólico gaúcho: eles só voam no escuro e praticamente não são vistos de dia, ao contrário das aves migratórias e outros bichos diurnos.
    Mas o “apagão” em relação à morcegada não serve como desculpa, pois um dos bichos pesquisados previamente nos estudos de impacto ambiental dos parques eólicos foi o tuco-tuco, mamífero abundante e pouco visível na paisagem do litoral gaúcho, onde vive entocado.
    A evidência de que os morcegos são afetados pelo “vuvu” dos cataventos colocou esses mamíferos alados na agenda dos pesquisadores que há três anos monitoram a bem-sucedida operação dos cataventos da Ventos do Sul em Osório. Como de costume desde a construção desse parque eólico, é tudo confidencial.
    Os contratos de prestação de serviços entre os biólogos e as empresas energéticas impedem que o assunto seja muito ventilado, mas alguma coisa sempre vaza e o segredo tende a cair à medida que forem implantados outros parques eólicos, atualmente em fase de planejamento, de Tramandaí a Santana do Livramento, passando por Santa Vitória do Palmar.
    A continuação dessa história está marcada para novembro, o mês do novo leilão de energia eólica programado pela Eletrobrás. (Geraldo Hasse)

  • Novo leilão do vento terá oferta de onze Estados

    A Ventos do Sul, operadora do único parque eólico gaúcho, construído em Osório, já está se preparando para a construção de novos cataventos. A empresa controlada pelos espanhóis da Elecnor é uma das candidatas ao leilão de energia eólica marcado para o dia 25 de novembro pelo Ministério de Minas e Energia.
    A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) do Ministério de Minas e Energia cadastrou 441 projetos que juntos somam 13.341 MW de capacidade instalada.
    Os parques eólicos que pretendem participar do leilão abrangem 11 estados nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul. No Rio Grande do Sul, além da expansão do parque de Osório, sabe-se de projetos em preparo em Tramandaí, Santa Vitória do Palmar e Santana do Livramento.
    A energia negociada no leilão terá de ser entregue a partir de 1º de julho de 2012, com contratos negociados com prazo de duração de 20 anos.
    A energia de reserva adquirida nos leilões não poderá constituir lastro para revenda de energia e será contabilizada e liquidada exclusivamente no mercado de curto prazo da Camara de Compensaçao de Energia Elétrica.
    Toda a documentação preliminar sobre o leilão pode receber contribuições no período de 10 a 25 de setembro de 2009 por meio do endereço eletrônico www.aneel.gov.br, no item Audiências/Consultas/Fórum.
    Os interessados deverão enviar contribuições por escrito para e-mail:ap032_2009@aneel.gov.br; pelo fax nº (61) 2192.8839 ou pelo correio para o endereço SGAN, Quadra 603, Módulo I, Térreo, Protocolo Geral da Aneel, CEP 70.830-030, Brasília-DF.
    (Fonte: Aneel)