Autor: Elmar Bones

  • Edição especial do jornal JÁ

    Efusivas congratulações, merece a edição especial do jornal JÁ, referida ao Pontal do Estaleiro Só. O escopo da matéria jornalística traz à tona o fio da meada no obscuro labirinto dos negócios imobiliarios pretendidos para a orla do Guaíba.Aos cidadãos porto-alegrenses ficou claro qual administração municipal e quais grupos financistas, articularam por detrás desta empreitada. Da mesma forma , o jornal mostrou para bom entendedor, os vereadores que advogam projetos cujo mote intenta sobrepor-se à Lei. Parabéns ao grupo editorial pela vontade de Verdade. Obrigado.
    José Vilhena

  • Encontros com o Professor em Livramento

    No dia 18 de setembro (sexta-feira), o projeto Encontros com o Professor itinerante chega a Sant’Ana do Livramento. Este ano, o evento conta novamente com a parceria da Livraria Marco Zero e o apoio local da Unimed e do Hotel Portal. Ruy Carlos Ostermann vai conversar com o músico e compositor Bebeto Alves, que também fica responsável pela canja musical da noite. O evento acontece às 19h30min, na Unimed – auditório Dr. Carlos Ivoney Moreira Guedes (Rua 24 de Maio, 1016).
    Livramento já recebeu o Encontros, em 2008, integrando o projeto “Fronteiras Musicais” e a programação cultural do aniversário da cidade. Na ocasião, Ostermann conversou com o músico Nei Lisboa. A itinerância de 2009 também passa por outras sete cidades do interior do Rio Grande do Sul: Santa Maria, Santa Cruz do Sul, Vacaria, Osório,Gramado, Três Coroas e Taquara.
    O Encontros com o Professor é uma iniciativa da Signi e conta com o patrocínio da Fiat e do Banrisul, via Lei Federal de Incentivo à Cultura.
    Perfil do convidado: Bebeto Alves é músico e compositor gaúcho, nascido na década de 50, em Uruguaiana/RS. No decorrer das três últimas décadas se tornou um dos maiores nomes da cultura gaúcha e um dos artistas mais conhecidos fora do estado, tanto nacionalmente como internacionalmente. Seu nome está associado não só aos mais de 20 discos gravados e a músicas cantadas por nomes da MPB, mas, também, à produção cinematográfica, ao teatro, à televisão, ao radio e, mais recentemente, às artes visuais. Em 2008, lançou o disco Devoragem, que lhe rendeu prêmios e elogios da crítica musical brasileira.
    Recentemente foi homenageado pelo Prêmio Açorianos de Música pelo conjunto da obra. Enquanto prepara um novo disco e trabalha junto com a produtora de cinema Estação Elétrica um documentário sobre o seu trabalho, o artista junta as imagens que irão compor o universo imagético de suas primeiras exposições fotográficas. Neste mês de setembro, o músico foi premiado com o Troféu Guri, por levar o Rio Grande do Sul para além das divisas do Estado.
    Fonte: Artur Montanari / Marco Zero

  • Pedido de impeachment vai ao plenário da Assembléia

    Era tenso o ambiente na Assembléia Legislativa às 10h30 desta quinta, 10, quando o presidente Ivar Pavan, anunciou perante dezenas de jornalistas e servidores que encaminhará para leitura em plenário o pedido de impeachment da governadora Yeda Crusius (PSDB). Pavan disse que “26 fortes indícios de improbidade administrativa encontrados em diversas fontes”, embasaram sua decisão.
    A decisão segue um roteiro que está pronto há quase um mês. O processo agora obedece a um ritual com várias etapas e tende a desembocar numa decisão em plenário onde a governadora conta com apoio de ampla maioria entre os deputados.
    Por essa razão, hoje a cassação do mandato da governadora é uma impossibilidade. Somente novos fatos capazes de alterar o quadro político poderão levar a esse desfecho.
    O desgaste político, no entanto, é inevitável e poderá levar à desistência da candidatura de Yeda à reeleição.
    O roteiro está detalhado em nosso post anterior “Roteiro do impeachment de Yeda está escrito”.

  • Roteiro do julgamento de Yeda já está escrito

    O anúncio que o presidente da Assembléia Legislativa fez nesta quinta-feira, 10, é o desdobramento de um roteiro que está escrito há quase um mês. Mais precisamente, desde o dia 18 de agosto, quando o deputado Ivar Pavan (PT) anunciou a formação de um grupo técnico e jurídico para assessorá-lo na análise do pedido de impeachment da governadora Yeda Crusius (PSDB) feito pela Federação dos Servidores Públicos do Estado.
    O grupo técnico, que embasou a decisão do presidente do legislativo, é formado pelo superintendente-geral, João Motta, o procurador-geral, Fernando Ferreira, o Superintendente Administrativo e Financeiro, Marcelo Cardona, a consultora técnica legislativa, Izabel Belloc Moreira Aragon e o assessor da presidência, Tarson Nuñes.
    O Rito
    O procurador-geral da Assembleia Legislativa , Fernando Guimarães Ferreira , explicou que o rito seguirá a Lei Federal 1079.
    Três fases iniciais já foram cumpridas: a apresentação do pedido, seu encaminhamento ao presidente da Assembleia Legislativa e o envio à procuradoria para exame dos requisitos formais.
    Com todas exigências formais cumpridas, o presidente fez “um exame liminar das condições prévias e mínimas de admissibilidade da denúncia” e decidiu acolher o pedido.
    Admitida a denúncia, o documento será lido no expediente do plenário da sessão seguinte a decisão e publicado no Diário da Assembleia.
    O passo seguinte é a escolha de uma Comissão Especial pelo plenário com 36 integrantes, representando todos os partidos. A primeira reunião desta comissão deverá se dar até 48 horas da eleição e elegerá um presidente e um relator. O relator tem o prazo de 10 dias para elaborar parecer, dizendo se a denúncia deve ou não ser objeto de deliberação pela Assembleia Legislativa.
    No próximo passo, o parecer é aprovado ou rejeitado em votação de maioria simples na Comissão. Se for aprovado é lido no expediente do plenário, publicado na íntegra no Diário da Assembleia junto com a denúncia e distribuída cópia aos 55 deputados.
    Dois dias após a publicação é incluído em 1º lugar na ordem do dia para discussão única. Cinco deputados de dada partido falam por uma hora e o relator, querendo pode responder depois de cada partido. Logo após e feita votação nominal no Plenário e exigida apenas maioria simples. Se rejeitada , arquiva o pedido sem entrar no mérito. Se aprovado passa para a fase seguinte, que é a “pronúncia”.
    Pronúncia
    O presidente da Assembleia determina a citação da governadora. O prazo para a contestação será de 20 dias. Ressurge a Comissão Especial de 36 deputados agora como órgão de instrução. A Comissão tem liberdade para produzir provas e ouvir testemunhas.
    A governadora não é obrigada a responder ou depor. Terminada a instrução começam as alegações finais do denunciante e da governadora, cada um com 15 dias de prazo. O relator terá 10 dias para parecer. Se o parecer for derrotado é escolhido novo relator. Se for aprovado é publicado no Diário da Assembleia e distribuída cópia aos 55 deputados e incluído na pauta da sessão seguinte.
    Haverá então duas discussões no intervalo de 48 horas, em cada uma delas um deputado de cada partido pode falar por uma hora e em seguida é feita a votação nominal sem questões de ordem e encaminhamentos. O quorum deverá ser de no mínimo dois terços dos deputados.
    Se aprovado o parecer, a governadora é suspensa de suas funções . Será intimada pelo 1º secretário da casa imediatamente e assume o vice-governador.
    Julgamento
    Segundo um dos assessores técnicos, se fosse pela Constituição Estadual a própria Assembleia faria o julgamento. O assessor explicou que o Supremo Tribunal Federal entende que deva ser formado um Tribunal Especial de cinco deputados eleitos pelo plenário, cinco desembargadores sorteados e o presidente do Tribunal de Justiça que dirigirá os trabalhos.
    O presidente abre vistas de 48 horas ao denunciante para fazer a acusação e a governadora para fazer o contraditório. Pode ser oferecido rol de testemunhas. Depois o presidente do Tribunal de Justiça marca a data do julgamento, notifica as partes e intima testemunhas num interstício de 10 dias.
    A governadora não precisa comparecer pode ter procuradores. Se a governadora ou seus procuradores não comparecerem na data aprazada o julgamento é suspenso e marcada nova data. O quorum de julgadores será de dois terços.
    Depois de verificar se não há impedimentos e suspeições, o presidente do Tribunal de Justiça faz a leitura do processo, a inquirição , reinquirição e contradita de testemunhas.
    Os debates orais serão em discussão única. O presidente do Tribunal faz o relatório que vai a votação nominal e aberta com quorum de dois terços da comissão de cinco deputados e cinco desembargadores. Em seguida o presidente do Tribunal de Justiça lavra a sentença , cie

  • VCP e Aracruz formam maior empresa de celulose do mundo

    Fibria é o nome da empresa resultante da incorporação da Aracruz pela VCP, que já nasce como líder no mercado mundial de celulose, com receita líquida anual estimada em R$ 6 bilhões.
    A companhia, que será apresentada nesta terça-feira aos investidores, tem capacidade para produzir 6 milhões de toneladas de celulose e papel por ano.
    Os projetos de expansão, já anunciados nos últimos anos e suspensos por conta da crise internacional, deverão ser executados “de acordo com as condições de mercado”, segundo material de apresentação.
    Quando concluídos, esses projetos deverão agregar mais 6,7 milhões de toneladas à capacidade de produção da nova empresa.
    A presidência da Fibria ficará a cargo de Carlos Aguiar, executivo originário da Aracruz. José Luciano Penido, executivo da VCP, assume a presidência do Conselho de Administração. A Fibria mantém em R$ 4,5 bilhões previsão inicial de sinergias a serem geradas pela fusão da Aracruz com a VCP.
    “Os negócios de papel seguem na estratégia, porque ele mitiga o risco em mercados cíclicos, como o de celulose”, afirmou o diretor da área de papel, estratégia e suprimento, Marcelo Castelli.
    Em evento para o lançamento da marca e do nome Fibria, o diretor comercial da companhia, João Felipe Carsalade, disse que alguns mercados na Europa têm mostrado sinais de melhora mais consistente da demanda, mas ainda insuficientes para se falar em novo reajuste de preços.
    “Vamos esperar o final do verão no Hemisfério Norte para ter mais clareza sobre os movimentos futuros”, comentou. No ano, as produtoras de celulose já anunciaram quatro aumentos de preço. “Os ajustes de preços têm buscado recuperar a paridade das moedas”, explicou.
    A dívida líquida da empresa, que será reestruturada segundo seus executivos, estava em R$ 13,4 bilhões ao final do segundo trimestre. De acordo com o diretor de Tesouraria e Relações com Investidores da Fibria, Marcos Grodetzky, a empresa está empenhada em perseguir a classificação grau de investimento junto às agências de rating, nota que Aracruz e VCP perderam com a piora de seus indicadores financeiros.
    “Temos um leque de alternativas para melhorar nossos indicadores. Em breve a empresa dará claramente demonstrações disso para o mercado”, afirmou Grodetzky, sem dar detalhes.  (fonte: Invertia)

  • Pedágios: um novo “caso Atento”, cem vezes maior

    Erros se sucedem desde o início
    Elmar Bones
    “Britto é o Pedágio. Olívio é o caminho”. Este foi um dos “bordões” da campanha petista que derrotou Antônio Britto, do PMDB, em 1998.
    Naquele ano começaram a funcionar os pedágios em seis “pólos rodoviários”, num total de 1.800 quilômetros de estradas concedidas pelo Programa Estadual de Concessões Rodoviárias, aprovado por Britto no ano anterior.
    Denúncias, manifestações de rua, confrontos com a polícia e três dezenas de ações na Justiça marcam os onze anos de existência dos pedágios no Estado.
    Em 2007, a seqüência de conflitos culminou com uma CPI, igualmente tumultuada e cheia de acusações. Para começar, a maioria dos integrantes da CPI, inclusive o relator, não haviam assinado o requerimento pedindo a investigação.
    O relator, deputado Berfran Rosado, do PPS, foi acusado em plenário de ter produzido dois relatórios: um que foi lido na CPI e outro, com 50 páginas a mais, apresentado para votação.
    Mesmo assim, o relatório não deixa de ser contundente. Diz, por exemplo, que o DAER, que representa o governo nos contratos, tem “ineficaz atuação operacional e fiscalizatória”.
    Segundo o relatório, nem mesmo providências simples, como a pesagem dos caminhões para impedir o excesso de peso, que danifica as rodovias, não são executadas. Faltam balanças e, onde há balanças, faltam, funcionários para operá-las.
    O relatório da CPI aponta também “inexistência adequada de transparência na situação das concessionárias”. Reconhece que “há inadequação técnica e social na forma como vem sendo cobradas as tarifas”. E conclui: “Certo é o desequilíbrio, embora não esteja idenficado em favor de quem”. Recomenda a “não prorrogação dos contratos no estado em que se encontram”.
    Apesar da gravidade do que foi constatado, a CPI foi encerrada abruptamente. “Foi abortada”, como disse a deputada Marisa Formolo (PT), exatamente no momento em que começavam a aparecer fatos estarrecedores: pressão sobre uma funcionária da Agergs para que ela mentisse aos deputados, nota clonadas de uma empreiteira, sócia de um dos consórcios que têm concessão de rodovias, já autuada por sonegação de impostos.
    A mídia com uma cobertura fraca e desarticulada contribuiu decisivamente para o desfecho. Alguma crítica, rápida e superficial, só apareceu depois que a CPI deu por encerrados os trabalhos. (segue)

  • Fraude que motivou a reportagem segue em segredo de Justiça

    Uma das principais razões da reportagem do jornal JÁ sobre Lindomar Vargas Rigotto foi a sua participação nos episódios que resultaram num rumoroso processo de desvio de dinheiro público, em contratos lesivos à Companhia Estadual de Energia Elétrica.
    A “CPI da CEEE”, já merecera, dois anos antes, uma reportagem de quatro páginas do jornal. Lindomar era o primeiro de uma lista de 34 acusados, entre onze empresas e 23 pessoas físicas.
    A CPI rendeu uma Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público em fevereiro de 1996. Em quase 14 anos ela se desdobrou em 30 volumes e 80 anexos, mas praticamente não saiu do lugar, ainda tramita em primeira instância, protegida pelo segredo de justiça.
    O valor do desvio de recursos públicos, estimado na inicial da ação, era de R$ 78,9 milhões.
    Corrigidos para valores de hoje, o total supera os R$ 840 milhões, mais de dez vezes os R$ 55 milhões, arrolados na denúncia do mensalão, mais que o dobro dos desvios atribuídos à família Maluf e quase vinte vezes a fraude do Detran.
    Réus arrolados no caso CEEE (processo 10502694894):
    Empresas:
    ABB Ltda
    Alston Elec S. A.
    Bojunga Dias S.A.
    Camargo Correa
    Brown Boveri S.A.
    Coemsa S.A.
    Construtora Sultepa
    Empresa Construtora Ernesto Woebcke
    Insat – Industria de Sistemas de Alta Tensão S.A
    Lorenzetti Inebrasa S.A.
    Lorentzetti S.A. Industrias Brasileiras Eletrometalúrgicas
    Pessoas físicas:
    Aldo Annes Degrazzia
    André Riograndino Fischer
    Arno Augusto Kluk
    Cláudio Canalis Goulart
    Cleto Odilo de Paula
    Edgar Pereira
    Espólio de Carlos Luiz Kretzmann
    Espólio de João Galvão Vargas
    Espolio de Lindomar Vargas Rigotto
    Fernando Sérgio Coronel Machado
    Fernando Tadeu Soledade Habckost
    Francisco Sirlei de Oliveira Ávila
    Helena Medeiros Soares
    José Américo da Silva
    José Carlos Dutra Amalíbia
    Luiz Tiaraju dos Reis Loureiro
    Manoel Luiz de Souza Viana
    Moacir José Gripa
    Oswaldo Baumgarten
    Paulo César Rabelo Schuck
    Paulo Darrigo Vellinho
    Pedro Silva Bittencourt

  • JÁ sob intervenção. Juiz bloqueia receitas para garantir indenização à familia Rigotto

    Desde o dia 3 de agosto, um perito nomeado pela Justiça controla as contas da Já Porto Alegre Editores, empresa que edita o jornal JÁ há 24 anos na capital gaúcha.
    O objetivo é bloquear 20% da receita bruta da empresa para garantir o pagamento de uma indenização de R$ 54 mil à viúva Julieta Diniz Vargas Rigotto, mãe do ex-governador Germano Rigotto.
    O jornal foi condenado em uma ação por “dano moral” movida em 2001, quando publicou uma reportagem sobre os fatos que culminaram com a morte de Lindomar Rigotto, irmão do ex-governador. Lindomar, aos 47 anos, foi assassinado em Capão da Canoa, no litoral gaúcho, em fevereiro de 1999.
    A reportagem, premiada pela Associação Riograndense de Imprensa naquele ano, foi alvo de duas ações da viúva Rigotto: uma contra o autor, Elmar Bones, por calúnia, difamação e injúria à memória dos mortos; outra contra a editora do jornal, indenizatória, por dano moral.
    A primeira teve sentença da juíza da 9ª. Vara Criminal, Isabel de Borba Lucas, que absolveu o jornalista de todas as acusações, em setembro de 2002. “A meu sentir não se afastou da linha narrativa e teve por finalidade o interesse público, não agindo com dolo, a intenção de ofender à honra do falecido Lindomar Vargas Rigotto”, registrou a juíza.
    E completou: “Em nenhum momento o autor tem por intenção ofender o falecido Lindomar Rigotto. Os fatos constantes da matéria não se configuram calúnia, difamação ou injúria, porque o autor somente narra situações com base em documentos e depoimentos”.
    Duas tentativas de reformar a sentença foram feitas junto ao Tribunal de Justiça, que negou provimento aos recursos.
    “Na reportagem incriminada, há pouca opinião e muita narrativa e informação, inexistindo qualquer palavra, expressão, frase ou mesmo insinuação de conteúdo ofensivo à honra do falecido”, disse o Procurador Ubaldo Alexandre Licks Flores em seu parecer ao Tribunal de Justiça. Três desembargadores – Aramis Nassif, Luís Gonzaga da Silva Moura e Amilton Bueno de Carvalho – ratificaram absolvição do jornalista.
    “Impossível retirar da inicial os elementos constitutivos da imputação contra a honra alegada pela querelante, como a imputação de fato determinado e ofensivo à sua reputação que não fosse de conhecimento e interesses públicos…”, escreveu o relator Aramis Nassif.
    A segunda ação, exigindo indenização por dano moral, embora tivesse como alvo a mesma reportagem, teve decisão contrária.
    Em primeira instância, a editora foi absolvida. Mas a decisão foi revertida no Tribunal e o resultado final foi a condenação da empresa.
    Sem condições de arcar com a indenização, a editora ofereceu seu estoque de livros à penhora, o que não foi aceito.
    O juiz decretou então o bloqueio parcial da receita como maneira de garantir o pagamento. O valor da indenização, inicialmente R$ 17 mil reais, hoje alcança R$ 54 mil reais.
    A Já Editores ainda mantém uma ação rescisória, que anularia todo o processo, aguardando decisão no STF. Enquanto isso terá que cumprir a determinação judicial.

  • Consulta popular domina discussões na ARI

    A consulta popular sobre o Pontal do Estaleiro foi o tema dominante do programa “Conversa de Jornalista” deste sábado, transmitido da sede da Associação Riograndense de Imprensa, para a Rádio da Universidade.
    Leia os principais trechos da discussão:
    Ercy Thorma (presidente da ARI) – A importância de que a pessoa vote bem é essa: a consulta é só sobre a área do Estaleiro Só, mas certamente o que for decidido para aquela área será depois questionado para toda a orla do Guaíba. Por isso é importante o porto-alegrense se posicionar: para, nas próximas ações, não chegarmos a esse ponto – do sim ou não. O cidadão deveria ter sido consultado bem antes da fase de elaboração de projetos. Era o que deveria ter acontecido lá atrás, quando foi elaborada a lei permitindo a construção de edifícios comerciais ali. Era quando a discussão deveria ter sido mais ampla.
    Glei Soares (apresentador)- A consulta é válida como experiência.
    Ercy – É claro, pode ser um exemplo para o Brasil. Mas estamos numa encruzilhada, não aborda mais nada. (…)
    Glei – Eu sou contra porque não sei exatamente o que vou votar. E sou jornalista. Imagine quem mora lá no Sarandi, Alvorada, se vai poder decidir. É só a área do Estaleiro Só.
    Elmar Bones (diretor do Jornal JÁ) – O Jornal JÁ está lançou uma edição especial sobre o Pontal justamente por isso: não se sabe claramente o que se está votando. A maneira como a pergunta foi formulada é ambígua, inclusive facciosa, porque já induz a uma conclusão, e distorce um pouco a questão.
    Glei – Aquela história: quer o progresso ou não quer o progresso?
    Elmar – Concordo com o Ercy, a consulta é uma iniciativa importante e mostrou que a população está disposta a discutir e se envolver. A discussão é total na cidade sobre o Pontal. É um mérito. Mas a verdade é que não temos clareza sobre o que estamos votando.
    Em primeiro lugar: mobilizamos a cidade inteira para discutir sobre um terreno, sobre um empreendimento privado, etc. Trata-se de um processo que já dura ano e meio, a Câmara de Vereadores já votou duas vezes, já teve veto do prefeito e, ao mesmo tempo, a discussão do Plano Diretor, que inclui toda a Orla do Guaíba, está trancada há seis anos.
    Ercy – Devo lembrar que a autorização para construção de prédios comerciais foi autorizada no governo Tarso Genro. Esta discussão deveria ter sido travada lá atrás.
    Elmar – Esta edição extra do Jornal JÁ mostra minuciosamente como foi a aprovação da Lei 470 na gestão Genro. Porém, esta lei de agora não é a mesma. Esta lei foi construída com diretrizes que prevêem até 43 metros de altura dos prédios, 14 andares.
    A lei 470 (que está em vigor, porque a nova depende desta consulta popular), permite 12,5 metros, 4 andares. Isto foi excluído do que se pergunta à população. Por isso digo que a pergunta não foi bem formulada. O fato deste projeto do Estaleiro ser polêmico chamou as pessoas à discussão, que não vai parar aí, e acho que a cidade vai sair ganhando com ela.
    Ercy – É extraordinariamente importante, e é importante o quanto isso abriu espaço na imprensa, que não tocava no assunto. A consulta fez a imprensa abir espaço.
    A comissão eleitoral, que integrei, foi visitar os veículos de comunicação, com a única restrição à matéria paga, que mostra o poder econômico, mas felizmente todos os veículos abriram espaço nobre à discussão.
    E estão oferecendo informações à sociedade que ela desconhecia.
    Elmar – Fizemos um retrospecto desde que faliu o Estaleiro Só. Sem a perspectiva histórica, não se consegue entender o problema.
    Ercy -Um parênteses, que a imprensa hoje esquece: nenhum fato, por mais significante que seja, é isolado.
    Elmar – Nossa edição faz este retrospecto, até esta discussão final. É uma edição para ser vendida – nas bancas, nas ruas –e isso tem um sentido didático: o leitor tem que se conscientizar que precisa pagar se quiser informação de qualidade.
    Se ele não se dispuser a isso, não terá a informação de que precisa, terá a informação que querem dar a ele. A base de sustentação dos grandes veículos não é a venda avulsa, é a publicidade.
    Esta nossa edição foi feita graças ao trabalho de vários jornalistas voluntários, que insistiram conosco em fazer este trabalho. Tirar uma edição extra neste momento foi complicado pra nós, mas fazemos um esforço para trazer um acréscimo de informações sobre este processo, que vai continuar.
    Glei- Onde está sendo distribuído?
    Elmar – Em bancas, nos parques haverá gente vendendo, em pontos de grande movimentação da cidade, no calçadão de Ipanema. É um teste para todos. Estamos aprendendo a viver numa sociedade que se democratiza aceleradamente e precisa de informações. E às vezes a informação não existe não é nem por má vontade, é porque a informação custa.
    A captação, a elaboração dela custa, é preciso investimento, e o leitor muitas vezes não se dispõe a pagar por ela, acha que está disponível de graça. Não é bem assim. Falta uma mudança de mentalidade.
    Enio Rockenbach (radialista e diretor da ARI) – Só pra não perder a oportunidade: só o Estaleiro está Só, os interesses estão bem em conjunto…

  • Há dois séculos fracassam projetos na Ponta do Melo

    Os percalços que o projeto Pontal do Estaleiro vem enfrentando desde sua aprovação estão reabilitando, entre os moradores mais antigos da região, a lenda da “maldição do Pontal”
    A crendice tem base nos fatos: há 200 anos fracassam projetos privados para a área, uma das mais bonitas da Orla do Guaíba, a cinco quilômetros do centro de Porto Alegre.
    Desde 1888, quando Francisco Luiz de Melo requereu a posse do local, várias tentativas foram feitas. O próprio Melo teria desistido do terreno, que retornou à propriedade do Estado do Rio Grande do Sul e depois foi transferido à prefeitura, que o concedeu ao Estaleiro Só.
    O estaleiro tornou-se uma grande empresa, mas teve um fim melancólico. Antes de falir, a família Só ainda tentou realizar ali um empreendimento imobiliário. Chegou a ter um projeto pronto, mas não obteve licença.
    Depois o terreno passou por cinco leilões. Foi comprado uma vez, o comprador fez um projeto, mas inexplicavelmente desistiu. Nisso, já fazem quinze anos que o estaleiro faliu e a área continua a abandonada,
    Agora, o “Pontal do Estaleiro”, duas vezes aprovado pela Câmara, não está livre de se inviabilizar, dada a sucessão de erros e mal entendidos que cercam o projeto e a resistência crescente do movimento comunitário.
    Extraído da Edição Especial do jornal JÁ