A discussão sobre o “Pontal do Estaleiro” se tornou esquisofrênica.
Por quê?
Pra começar, não existe um projeto para o terreno que pertenceu ao falido Estaleiro Só, a conhecida Ponta do Melo.
O que se conhece é uma maquete e um material de divulgação, ilustrativo, no máximo um pré-projeto. Os dados apresentados dão idéia da grandiosidade do empreendimento, mas são estimativas. O próprio autor do projeto disse que são “números aproximativos”.
Não existe tampouco um compromisso formal do empreendedor de realizar o empreendimento.
Tanto que, depois de aprovada mudança da lei para viabilizar o projeto, ele deu uma declaração pública de que não pretende mais construir prédios de apartamentos (o “projeto” original previa 216 apartamentos de luxo).
Com essa declaração, negou o argumento que deu origem à toda a mobilização para mudar a lei: de que sem prédios residenciais o empreendimento era inviável.
Assim como ele desistiu dos prédios de apartamentos, sem explicações, pode desistir também do resto do projeto. E ninguém poderá dizer nada. A iniciativa privada não deve explicações, sua lógica é a dos negócios..
Já o prefeito, o vice e os vereadores, de repente, terão que explicar porque estão nos levando a votar em algo que não está claro para ninguém, nem pra eles, talvez.
Eu vou dizer NÃO a tudo isso. (Elmar Bones).
Extraído da Edição Especial do Jornal JÁ.
Autor: Elmar Bones
Em quê mesmo que a gente vai votar?
Projeto contradiz diretrizes para a Orla
O projeto “Pontal do Estaleiro”, como foi apresentado originalmente não se enquadra nas diretrizes traçadas para a Orla do Guaíba pelos próprios técnicos da prefeitura.
O “Relatório Orla: condições atuais, possibilidades e instrumentos para a qualificação e resgate da Orla de Porto Alegre”, feito por Grupo de Trabalho, na Secretaria do Planejamento, em 2006, embora usado na justificativa do projeto que mudou a lei não prevê urbanização intensiva em nenhum ponto da orla.
Ele classifica a Orla como “área de revitalização” e diz:
“ A Orla do Guaiba deverá ser objeto de planos e projetos específicos com o fim de integrar a cidade com seu lago através da valorização da paisagem e visuais urbanos, exploração do potencial turístico e de lazer e o livre acesso da população”.
A Orla, segundo o relatório, é uma zona de “articulação entre o território e as águas”.
São 70 quilômetros, da Ponta do Gasômetro à Praia do Lami, mas as soluções são mais urgentes nos cinco quilômetros da Usina do Gasômetro até o Iate Clube Guaíba, na Ponta do Dionísio.
Comentários dos autores do relatório:
“O parque Maurício Sirotsky nunca contou com um projeto paisagístico. No Marinha do Brasil as propostas nunca foram executadas”.
“Uma sucessão de intervenções pontuais tanto de iniciativa pública quanto privada na orla do aterro da Praia de Belas”.
“Longo período de abandono e ausência de destinação específica permitiram que a orla passasse a ser encarada como a parte privada de um loteamento onde cada setor do poder público que resolve ali investir, trata o pedaço que lhe interessa como um lote particular sem preocupações com o todo”.
“Na década de 1980, a construção de uma sede recreativa do Inter privatizou uma generosa extensão da orla do aterro”.
“Ações da década de 90: reciclagem da usina e a construção do anfiteatro Porto Sol”
Conclusão:
“Nada foi feito, o que facilita as coisas”.
Intervenções necessárias:
• Sistema de acesso, percursos e espaços para lazer contemplativo composto de: estacionamentos, passeios convencionais, passeios palafitados, Piers, passagens de nível, helipontos
• Sistema integrado de usos e atividades
• Tratamento paisagístico unificado
• Instalações e equipamentos e animação pública (empreendimentos conforme conceituações básicas)
Setor 5: cais da Usina
Setor 6: área desportiva
Setor 7: aeródromo aquático e bulevar Estaleiro Só
Setor 8: complexo municipal de lazer e desportes aquáticos.
Plano básico de intervenções:
*vegetação, supressão, novas espécies
*percursos internos, passeio convencional, pista de cooper, ciclovia
*espaço lúdicos e contemplativos
-belvedere
-bulevar
-esplanada
-estacionamento interno
-anfiteatro, recanto, pracinha
*mobiliário urbano
-equipamento para ambulantes
-banco
-telefone publico
-cercas, monumentos de pequeno porte, brinquedos, aparelhos de ginástica. (Fonte: Relatório GT Orla, 2006)
Extraído da edição especial do Jornal JÁJornal JÁ lança edição especial sobre o “Pontal do Estaleiro”

Mesmo sendo facultativa, a votação sobre o Pontal mobilizou 22.619 portoalegrenses, que compareceram às 300 urnas espalhadas pela cidade. Mais de 80% (18.212 votos) disseram “Não” à construção de residências no terreno do antigo Estaleiro Só. Mas isso não encerra a discussão. O “Não” que os moradores depositaram nas urnas quer dizer muito mais, porque o debate envolve toda a orla do Guaiba e o assunto está longe de terminar.
A edição de oito páginas do JÁ reconstitui toda a trajetória do polêmico projeto, desde o histórico do terreno do extinto Estaleiro Só, num dos pontos mais valorizados da orla do Guaíba, até sua tramitação nas instâncias técnicas da prefeitura e aprovação pela Câmara Municipal. O movimento comunitário que se mobilizou contra o projeto também merece destaque especial.
A edição estará à venda, a R$ 2,oo o exemplar, em bancas, livrarias e pontos de distribuição nos locais mais movimentados da cidade. “Estamos apostando no leitor”, diz o editor Elmar Bones. Segundo ele, “apesar de ser um dos assuntos mais discutidos na mídia local nos últimos dias, a desinformação é muito grande e boa parte da população ainda não sabe em que e por que vai votar”.
“A Orla é o Alvo”, é a manchete da edição especial, que tem os seguintes tópicos principais:
“Uma lei sob medida” – Revela como surgiu e como tramitou em tempo recorde o projeto para mudar a legislação e viabilizar a construção do conjunto arquitetônico num área de proteção ambiental.
“Na origem, uma área pública” – Conta os antecedentes do terreno onde se pretende construir o projeto, conhecido como a Ponta do Melo e que já foi sede de uma das maiores empresas do Rio Grande do Sul, o extinto Estaleiro Só.
“Trabalhadores ainda estão no prejuízo”- Mostra como os ex-empregados do Estaleiro Só lutam há mais de dez anos para receber as indenizações a que tem direito, sem sucesso, apesar de o terreno ter sido leiloado exatamente para pagá-los.
“Gigante da construção está por trás do projeto” – Sobre a articulação empresarial para viabilizar o empreendimento, orçado em R$ 200 milhões.
“Prefeito Tarso Genro pediu urgência para mudar a lei” – Esclarece como foi a primeira alteração de lei para viabilizar a urbanização do terreno do antigo Estaleiro Só.
“Emenda esvaziou a consulta pública” – Descreve as manobras regimentais que a liderança do executivo na Câmara fez para restringir a consulta popular sobre o projeto.
“Consulta dividiu o movimento comunitário” – Fala da repercussão, entre os grupos e entidades que questionam o projeto, da proposta de consulta pública inserida no projeto.
“Essa briga ainda vai muito longe” – Entrevista com Nestor Nadruz um dos líderes do Fórum de Entidades e do movimento pela preservação da orla do Guaíba.
Locais onde comprar seu exemplar
Livrarias
Palavraria – Vasco da Gama, 165 – Bom Fim
Palmarinaca – Jerônimo Coelho, 281 – Centro
Bancas
Centro
– Mercado Público – Banca do Julio
– Largo Glênio Peres, 99 – Banca São Jorge
– Borges de Medeiros, 464 – esq Salgado Filho – Stand Brasil
– Salgado Filho, 135 – Banca São João (saída lotação Zona Sul)
– Borges de Medeiros esq. Fernando Machado – Banca do Clovão
– Fernando Machado, 806 – Miscelânea Sakia (perto do Zaffari)
– Riachuelo, 1544 – Tabacaria Novo Milênio
– Andradas esq Mal. Floriano – Banca Masson
– Andradas esq Gal. Câmara – Banca Vera Cruz
– Rua Sete de Setembro, 1001 – Stand Assinante
Bom Fim
– No Bric da Redenção, na rua José Bonifácio, no final de semana
– Venâncio Aires esq Osvaldo Aranha
– Venâncio Aires, 1187 – Tabacaria Braz
– Jacinto Gomes esq Venâncio Aires – Banca Folhetim
– Felipe Camarão, 677 – Banca da Felipe
Cidade Baixa
– Rua da República quase esq Av João Pessoa – Banca da República
Menino Deus
– Getúlio Vargas, 769 – Banca Maurício Sirotsky
– José de Alencar, 600 – Banca Look
Santana
– Jacindo Gomes, 463, a caminho da Ipiranga – Mercado Zerbes
– Jerônimo de Ornellas, 527 – Banca Santa Terezinha
– Jerônimo de Ornellas esq Jacinto Gomes – Banca São JerônimoDefensoras dos gatos enfrentam até ameaças de morte
A construção de um gatil provisório, já iniciada, vai resolver o impasse que está atrasando o início da reforma do Auditório Araújo Viana.
O local vai abrigar os 14 gatos que se instalaram no interior do auditório e são protegidos por um grupo de senhoras que diariamente alimentam e cuidam os animais. Foram elas que impediram o início das obras, antes de encontrar um lugar para os gatos.
Segundo o acordo com a empresa de engenharia, os gatos ficarão no abrigo até serem doados numa feira que será realizada futuramente.
Ao todo são 60 gatos, em vários lugares do Parque, sob o cuidado desse grupo de senhoras. “Somos conhecidas como as loucas dos gatos”, diz Anaí Garcia, professora de 43 anos, uma das sete defensoras dos animais.
São professoras, advogadas, donas de casa, que moram no Bom Fim e arredores e, em vez ficarem sentadas em frente à televisão, preferem ajudar os animais. Há outros grupos em outras áreas do parque.
Não é uma atividade sem risco, porque os exterminadores dos gatos também são ativos e tem matado muitos animais nos últimos meses. Uma delas, que prefere não se identificar, conta que já foi até ameaçada de morte por um homem.
Uma das reivindicações delas é a construção de um gatil definitivo, para abrigar todos os animais que vivem no Parque. Mas depois de muitas reuniões com o vice-prefeito, José Fortunatti, os secretários da cultura e do meio-ambiente, a idéia foi descartada.
Os representantes da prefeitura acreditam que um abrigo permanente vai aumentar o número de animais abandonados no parque. “Na verdade, um local como esse iria permitir organizar feitas para adoções e fazer um trabalho educativo para estimular a adoção responsável, pois a desinformação é a mãe de tudo isso”, diz a professora Anaí.
Anaí acredita que muitas das pessoas que deixam os animais ali pensam que eles estão felizes no meio da natureza e sabem que há pessoas que cuidam.
Porém não sabem das dificuldades que o grupo enfrenta, todos os dias são gastos 10kgs de ração, e preferem nem colocar no papel tudo o que gastam por mês.
O grupo garante que todo animal é mais feliz em um lar, onde há cuidado, carinho, atenção e boa alimentação. “Eles merecem isso, temos gatos muito dóceis, que se tornam presas fáceis. Não há nenhum gato selvagem aqui, o que temos são gatos ariscos”, mas para isso elas já encontraram uma solução.
Os animais ariscos serão colocados em gaiolas, para que sejam amansados e assim possam ser doados.
Anaí está criando uma cooperativa, para unir forças e conseguir descontos com clínicas veterinárias e pecuárias. As defensoras estão precisando de mais voluntários, doação de ração e pessoas que queiram adotar um animal.
O contato pode ser feito pelo e-mail anai__garcia@hotmail.com, e elas afirmam que apesar de ser um trabalho árduo é gratificante. “Nos consideramos afilhadas de São Francisco de Assis”.Ainda não está claro o que a Consulta Popular vai decidir
À medida que se aproxima o dia da Consulta Popular sobre o projeto Pontal do Estaleiro, marcada para o próximo dia 23 de agosto, mais difícil fica um entendimento sobre o que realmente será decidido pelos eleitores que comparecerem às 330 urnas distribuidas em 89 pontos de votação pela cidade.
Aparentemente, a questão é simples.
Há uma pergunta, formulada pela Prefeitura: “Além da atividade comercial já autorizada pela Lei Complementar nº 470, de 02 de janeiro de 2002, deve também ser permitidas edificações destinadas à atividade residencial na área da Orla do Guaíba onde se localiza o antigo Estaleiro Só?”.
A resposta do eleitor só poderá ser “sim” ou “não”.
Se a maioria optar pelo “sim”, fica valendo a lei complementar aprovada em junho passado, que permite a construção de prédios residenciais no terreno que pertenceu ao antigo Estaleiro Só.
Se a maioria disser “não”? Reabilita-se a lei complementar de 2002 que já permitia a construção de prédios comerciais na área.
Essa, pelo menos, é a interpretação do vice-prefeito José Fortunatti, que coordena a organização da consulta, e de legisladores experientes, como o vereador João Dib.
Essa interpretação pressupõe que a única diferença entre as duas leis – a de 2002 e a deste ano, que tanta celeuma provocou – é somente a questão do uso, comercial e residencial ou só comercial.
E a questão da altura e de outros aspectos da ocupação do terreno? Esses pontos estiveram no centro de toda a polêmica que a cidade assistiu durante mais de um ano. Agora não aparecem.
“Isso será discutido depois, quando for apresentado o projeto para o Estudo de Viabilidade Urbana”, diz o vice-prefeito.
Fortunatti não considera relevante que as diretrizes definidas pelas áreas técnicas do planejamento da Prefeitura são diferentes em cada caso: na lei de 2002, por exemplo, o parâmetro para altura dos prédios é de 12,5 metros.
Agora, as diretrizes definidas pela Cauge, a pedido do empreendedor, definem até 43 metros de altura. O número chegou a constar do texto original do projeto, quando ele foi apresentado ao legislativo.
O arquiteto Artur Nadruz, coordenador do Movimento em Defesa da Orla, que mobiliza mais de 20 entidades comunitárias e ambientalistas, acha que a questão das alturas “será uma outra longa briga, mais adiante”.
Essa posição, de votar “não” aos prédios residenciais e deixar o resto da briga para depois, foi aprovada por maioria em assembléia do movimento.
Essa posição ganhou adesões importantes, como os escritores Luiz Fernando Veríssimo, Moacyr Scliar, Cíntia Moscovich e a artista plástica Zorávia Bettiol, que fizeram manifestações públicas em defesa da Orla.
Mas provocou dissidências: um grupo liderado pela jornalista Tânia Faillace e o advogado Caio Lustosa está pregando o boicote à consulta, denunciando-a como uma farsa, para dar chancela popular a um projeto que servirá de modelo para ocupação da Orla, com espigões.
Enquanto isso, o pessoal do “Sim” trabalha em silêncio.
TEXTO QUE ORIENTA VOTAÇÃO TEM INFORMAÇÃO ERRADA
O texto que está site da Prefeitura, para orientar os eleitores sobre o que será votado dá a entender que a área foi leiloada antes da lei complementar de 2002.
A área foi leiloada em 2005 e uma das razões de toda a polêmica é que a mudança para aumentar os índices construtivos no local foi proposta depois de o terreno ter sido arrematado por R$ 7,5 milhões. Leia o texto da Prefeitura:
“O que está em votação
Em 1995, o Estaleiro Só, que funcionava na avenida Padre Cacique (bairro Cristal), encerrou suas atividades.
Após diversos leilões, realizados na tentativa de solucionar questões trabalhistas, a área onde ficava a empresa foi arrematada por empreendedores.
Em 2002, foi aprovada a Lei Complementar nº 470, que definiu os padrões de construção permitidos no local, autorizando a construção de empreendimentos apenas comerciais.
Em 2007, empreendedores manifestaram o interesse de construir no local um projeto misto, incorporando também unidades residenciais.
Análise do Executivo e do Legislativo decidiu que caberá à população, por meio do voto direto, a definição do uso da área.
Assim, no dia 23 de agosto, todo eleitor da Capital cadastrado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), com situação regularizada até 24 de junho de 2009, poderá participar da votação.
A pergunta que será respondida:
“Além da atividade comercial já autorizada pela Lei Complementar nº 470, de 02 de janeiro de 2002, deve também ser permitidas edificações destinadas à atividade residencial na área da Orla do Guaíba onde se localiza o antigo Estaleiro Só?”
As respostas disponíveis:
1 – ( ) NÃO
2 – ( ) SIM
A votação
Os eleitores votarão em urnas eletrônicas, no dia 23 de agosto de 2009, das 9h às 17h. Serão 89 locais de votação”.Oficinas preparam a sétima Bienal do Mercosul
Por Bruno Cobalchini Mattos
Os preparativos para a sétima Bienal do Mercosul, que ocorre em Porto Alegre de 16 de outubro a 29 de novembro, entraram na etapa final final.
“Grito e Escuta” é o título do evento, que apresenta este ano uma mudança metodológica.
A ênfase será no processo de criação – e não em um tema específico. O objetivo é apresentar as diversas etapas da criação de uma obra de arte, mostrando como, por quem e – principalmente – por que razão elas são produzidas.
Além disso, serão mostrados os diferentes papéis e função que os artistas assumem junto à sociedade.
A argentina Victoria Noorthoorn (curadora geral da exposição ao lado do chileno Camilo Yáñez) esteve em Porto Alegre para a Mesa de Encontros, onde foram apresentadas as principais diretrizes do evento.
Em seguida, teve início o Curso de Mediadores, responsável pela formação da equipe que fará contato com o público nas diversas instalações.
Agora, em agosto, começam as oficinas dos artistas em residência.
O objetivo é aproximar os artistas da Bienal dos cidadãos, através de oficinas que ocorrerão em espaços públicos diversos, tais como escolas, praças e parques.
Nas diversas atividades os participantes poderão desenvolver suas próprias obras. A ideia é desmistificar a prática artística mostrando que, assim como qualquer outra, é uma atividade que depende mais de pesquisa, trabalho e dedicação, sendo possível a qualquer pessoa e independendo de algum “dom divino”.
Outra novidade da 7ª Bienal do Mercosul é o projeto radiovisual, que pretende ampliar ao máximo o público atingido pelo evento.
A rádio FM Cultura de Porto Alegre irá levar ao ar diariamente um programa de uma hora que contará com depoimentos de artistas, mediadores, curadores e, principalmente, do público das exposições.
Ao que tudo indica, esta será a Bienal do Mercosul de maior alcance desde a sua criação, doze anos atrás.Cientistas denunciam falta de liberdade para pesquisar transgênicos
Ganha grande repercussão nos meios acadêmicos o editorial da revista Scientific American, na edição de, julho de 2009, questionando o controle que as empresas sementeiras estabeleceram nas pesquisas sobre os transgênicos. “Cientistas precisam pedir permissão às empresas antes de publicar pesquisas independentes sobre lavouras transgênicas. Esta restrição precisa acabar”, diz a revista.
O texto está circulando na Internet como uma definitiva demonstração da “farsa dos transgênicos”. Talvez não seja tanto, mas sem dúvida ele coloca em outro patamar a discussão que até agora engantinhou.
Leia a íntegra do editorial:
As empresas sementeiras controlam a pesquisa sobre transgênicos?
“Avanços na tecnologia agrícola — incluindo, mas não apenas, a
modificação genética em culturas alimentares — tornou as lavouras
mais produtivas do que nunca.
“Agricultores produzem mais e alimentam mais pessoas usando menos terra. Eles também podem usar menos agrotóxicos e reduzir o número de aragens que provocam erosão. E dentro dos próximos dois anos, empresas de tecnologia agrícola planejam introduzir lavouras avançadas desenvolvidas para resistir a ondas de calor e a secas, características de resiliência que se tornarão cada vez mais importantes num mundo marcado pelas mudanças climáticas”.
“Infelizmente, é impossível verificar se as lavouras transgênicas de
fato apresentam a performance propagandeada. Isto porque as empresas
de tecnologia agrícola outorgaram-se poder de veto sobre o trabalho de
pesquisadores independentes”.
“Ao comprar sementes transgênicas, qualquer cliente é obrigado a
assinar um acordo que limita o que pode ser feito com as sementes (se
você instalou algum software recentemente, saberá reconhecer o
conceito de acordo de licença do usuário final)”.
“Acordos são considerados necessários para proteger os direitos de propriedade
intelectual das empresas, e eles justificadamente proíbem a replicação
dos aprimoramentos genéticos que tornam estas sementes únicas. Mas
empresas de biotecnologia como a Monsanto, a Pioneer e a Syngenta
foram além”.
“ Por uma década seus acordos de usuários vêm explicitamente
proibindo o uso de sementes para qualquer pesquisa independente. Sob a
ameaça de litígio judicial, cientistas não podem testar uma semente
para explorar as diferentes condições sob as quais ela prospera ou
falha”.
“Eles não podem comparar sementes de uma companhia com aquelas
de outra empresa. E talvez mais importante, eles não podem examinar se
lavouras transgênicas apresentam efeitos ambientais colaterais inesperados”.
“Pesquisas sobre sementes transgênicas ainda são publicadas, é claro.
Mas somente estudos que recebem a aprovação das empresas de sementes
são aceitos para publicação em periódicos científicos”.
“Em muitos casos, experimentos que receberam um aval implícito das sementeiras
para seguir adiante tiveram posteriormente sua publicação bloqueada
porque seus resultados não eram positivos sob a ótica das empresas”.
” – É importante compreender que não se trata apenas de uma recusa geral
para todos os pedidos de pesquisa, o que já seria ruim o bastante, mas
sim de recusas e permissões seletivas baseadas na percepção das
indústrias sobre o quão ‘amigável’ ou ‘hostil’ um cientista em
particular pode ser em relação à tecnologia [de aprimoramento
genético]”, escreveu Elson J. Shields, um entomologista da
Universidade de Cornell (EUA), em uma carta a um representante da
Agência de Proteção Ambiental (EPA, o órgão do governo americano
encarregado da regulamentação dos transgênicos no que tange as
consequências para o meio ambiente)”.
“Shields é o porta-voz de um grupo de 24 pesquisadores de insetos que
se opõem a estas práticas. Pelo fato de os cientistas dependerem da
cooperação das empresas para a realização de suas pesquisas — eles
precisam, afinal de contas, ganhar o acesso às sementes para realizar
os estudos — a maioria preferiu permanecer anônima com medo de
represálias”.
“O grupo submeteu uma declaração ao EPA protestando que
o resultado do acesso restrito [às sementes] é que nenhuma pesquisa
verdadeiramente independente pode ser legalmente conduzida sobre
muitas questões críticas a respeito da tecnologia”.
“Já seria assustador o bastante se qualquer outro tipo de empresa fosse
capaz de evitar a realização de pesquisas independentes para testar
seus produtos e relatar suas descobertas — imagine fabricantes de
carros tentando impedir as comparações entre modelos de diferentes
empresas feitas pela Consumer Reports [uma revista para consumidores
de grande circulação nos EUA, produzida pela ONG Consumers Union], por
exemplo”.
“Mas quando cientistas são impedidos de examinar os
ingredientes do suprimento alimentar da nossa nação ou de testar o
material vegetal que cobre uma grande porção das terras agrícolas do
país, as restrições sobre a pesquisa livre tornam-se perigosas”.
“Embora nós prezemos a necessidade de proteção dos direitos de
propriedade intelectual que impulsionaram os investimentos em pesquisa
e desenvolvimento que levaram aos sucessos da tecnologia agrícola, nós
também acreditamos que a segurança dos alimentos e a proteção do meio
ambiente dependem de que os produtos agrícolas tornem-se disponíveis
ao escrutínio científico regular”.
“Empresas de tecnologia agrícola deveriam portanto suspender imediatamente as restrições à pesquisa impostas por seus acordos de usuário final. Indo além, a EPA deveria também exigir, como uma condição para a aprovação da venda de novas
sementes, que pesquisadores independentes tenham acesso irrestrito a todos os produtos disponíveis no mercado”.
“A revolução agrícola é importante demais para ficar escondida atrás de portas trancadas”.
[Scientific American, editorial da edição de agosto de 2009, publicado
em 21/07/2009. http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=do-seed-companies-control-gm-crop-research]Movimento em defesa da Orla ganha adesões
O Forum de Entidades Porto Alegre está recebendo a adesão de artistas e intelectuais ao Movimento em Defesa da Orla, que terá ato público neste sábado. Será ao lado da Usina do Gasômetro, a partir das 15 horas. Os escritores Luis Fernando Veríssimo, Moacyr Scliar, Cíntia Moscovich são alguns dos que se manifestaram.
“Porto Alegre precisa de civilidade, não de empreendimentos megalômanos. Precisamos de respeito ao meio ambiente e, principalmente, precisamos respeitar as pessoas que vivem e trabalham em nossa cidade. O projeto de reformulação do Pontal do Estaleiro é ousado e tem ares de coisa nova e boa. No entanto, descaracteriza de forma grosseira o perfil da cidade. A orla do Guaíba não merece ser povoada por construções de gosto árido e duvidoso. Sendo rio ou não sendo rio, o Guaíba ainda resiste heroicamente às investidas da urbanidade selvagem e de suas obras de gosto pedestre e padronizado. Precisamos preservar com amor o pouco, bem pouco, que temos”. (Cíntia Moscovich)
“Na qualidade de escritor, de médico de saúde pública e de cidadão portoalegrense, posiciono-me ao lado daqueles que defendem a preservação ambiental na cidade de Porto Alegre. Nossa capital sempre foi um reduto da consciência ecológica no Brasil, e é importante mantermos fidelidade a uma luta da qual depende o futuro de nossa população”. (Moacyr Scliar)
“Vamos defender a orla para todos e dizer não à privatização da paisagem” (Luis Fernando Veríssimo)Transporte coletivo perde 3,5% dos passageiros com a crise
Por Bruna Cardoso
A Agergs, agência reguladora dos serviços públicos concedidos no Rio Grande do Sul, promoveu nesta quinta feira, 30, uma audiência pública sobre o aumento nas tarifas do transporte intermunicipal da Região Metropolitana de Porto Alegre.
As empresas estão pedindo um reajuste de 5,17% no preço das passagens, a partir de 1 de agosto. A audiência pública é a última etapa antes da decisão.
O aumento dos salário dos funcionários e de peças, como chassis e carrocerias, são as principais justificativas para o pedido de aumento. Outro fator citado pelas empresas é a redução no numero de passageiros, que caiu 3,5% em relação a 2008.
A única manifestação contrária ao aumento foi da Câmara Municipal de Guaíba, que enviou ofício à Agergs apelando para que não seja concedido o aumento nas tarifas da empresa Expresso Rio Guaíba, que hoje cobra até R$ 5,90 de seus passageiros.
Segundo o vereador Antônio do Santos Sarrafo, “o governo deve trabalhar junto para diminuir a carga tributária no transporte e assumir a responsabilidade na isenção de passageiros idosos, deficientes e estudantes. Já que hoje quem paga por isso é o trabalhador”.
Para o morador e usuário do transporte coletivo de Guaíba, Fernando Becker, aumentar as passagens num período de crise não é a solução. “Se hoje não se ganha tanto, o que se deve fazer é esperar. A crise ta passando. Hoje é mais barato andar de carro do que de ônibus. Em lugar nenhum do mundo isso é assim” desabafa.
O representante da Federação Rio Grandense de Associações Comunitárias e de Moradores de Bairros (Fracab), Paulo Mena, espera que se leve em consideração às condições sociais dos afetados por esse reajuste. E sugere que seja criado um quadro comparativo entre o reajuste da passagem e o poder econômico da população.
Representantes de outras cidades da Região Metropolitana não se manifestaram sobre o assunto na audiência. A Agergs deve divulgar nos próximos dias o resultado, se for aprovado o aumento, o novo preço começará a ser cobrado 72h após a publicação no Diário Oficial.Movimentos comunitários promovem ato contra espigões na Orla
Um evento da produtora Casa de Cinema, que pretende gravar depoimentos para um documentário, vai se transformar num ato público contra a construção de espigões na Orla do Guaiba. As associações comunitárias e entidades que contestam o projeto Pontal do Estaleiro estão promovendo a mobilização. Será sábado a partir das 15 horas na Usina do Gasômetro.

