Por Bruna Cardoso
As empresas que operam o transporte coletivo na região metropolitana de Porto Alegre estão pedindo aumento de 5,17% nas passagens das linhas urbanas. O pedido está em análise pela Agergs, a agência que regula os serviços públicos concedidos no Estado, e deve vigora a partir de 30 de agosto.
Para o usuário de Porto Alegre o aumento vai resultar num acréscimo de 10 centavos na passagem ( vai para R$ 2,40). Mas para outras cidades da região metropolitana, onde as passagens são muitas vezes mais que o dobro da capital, o reajuste vai pesar no bolso do trabalhador. É o caso de Gravataí, que abordamos hoje. (Bruna Cardoso)
Gravataí é uma das cidades que mais cresce na região metropolitana. Tem 265 mil habitantes e, no contexto da região metropolitana de Porto Alegre, é conhecida por sua qualidade de vida e baixos índices de violência.
A cidade certa para quem quer fugir dos problemas das grandes metrópoles. Localizada a 22km da capital, boa parte da população gravataiense trabalha em Porto Alegre. Porém o problema que essas pessoas enfrentam todos os dias é outro.
As 46.000 pessoas que usam o transporte público intermunicipal diariamente na cidade reclamam do tratamento que a empresa Sogil dispensa aos seus passageiros. A empresa é a única responsável pelo transporte municipal e intermunicipal de Gravataí e detém desde 1986 o contrato de concessão com a prefeitura da cidade.
As queixas contra a empresa Sogil são muitas, a principal delas é o preço da passagem intermunicipal que varia de R$4,05 chegando até R$5,75, um dos mais caros entre as tarifas urbanas.
Um ônibus de Gravataí faz 36km até o terminal em Porto Alegre. Comparando esses dados com os ônibus da empresa Transversal Metropolitana (TM), percebe-se as distorções. Um ônibus da TM faz em média 70km até chegar ao seu destino, transporta todos os dias 19.000 passageiros e a passagem custa apenas R$2,65.
Outra reclamação constante dos usuários da Sogil são os ônibus são velhos, com poucos horários e a lotação é absurda. Nos horários de pico no centro de Porto Alegre, os passageiros esperam até 30min por um ônibus, que quando chega, lota em pouco tempo.
A lotação é tanta, que além da fila tripla de pessoas no corredor do ônibus e idosos em pé, alguns passageiros viajam sentados nos degraus da porta. “A viagem demora, o trânsito é lento nesse horário. Em pé não tem condições de ir. A saída é sentar aqui no degrau mesmo”, afirma a passageira Maria Adelaide de Souza. Um dos passageiros que conseguiu sentar, conta como é a situação no dia a dia. “Nesse horário um banco é tão disputado quanto um concurso público”, compara João Paulino.
Outra reclamação comum dos passageiros é o fato da passagem ser tão cara, que até atrapalha na hora de conseguir emprego. Uma empresa que contrata alguém de Gravataí, gasta até R$276,00 em vale-transporte, 59% de um salário mínimo. “Se torna complicado conseguir emprego aqui em Porto Alegre por causa disso, ninguém quer pagar tanto por um empregado” conta Ronaldo Santa Helena.
A empresa e a prefeitura foram contatadas para falar a respeito do problema. A prefeitura se negou a dar informações. Já a empresa Sogil disse que no dia 30 de junho realizou uma pesquisa a respeito da demanda nas linhas municipais e intermunicipais com o objetivo de melhorar o planejamento e o dimensionamento das linhas.
Autor: Elmar Bones
Passagem do transporte coletivo terá novo aumento
Frio pode anular esforços para conter avanço da gripe A no Rio Grande do Sul
Com as cinco mortes confirmadas no fim de semana, já são 16 as vítimas da gripe A no Rio Grande do Sul, o mesmo número de óbitos ocorridos em São Paulo, que tem quase o triplo da população. No país, o total de mortes chega a 38.
A situação no Rio Grande do Sul é considerada a mais grave pelo Ministério da Saúde não apenas pelos números registrados, mas principalmente porque a previsão de mais frio intenso faz prever também um aumento no avanço da doença em território gaúcho.
Fontes do Ministério, em Brasília, disseram ao jornal JÁ que “não há objetivamente o que fazer para impedir a disseminação do vírus da gripe A H1N1 no Estado”.
A situação mais preocupante ocorre nas cidades na fronteira, onde são muitos os casos de pessoas contaminadas que recorrem a Uruguaiana para conseguir atendimento. Não se sabe até que ponto o sistema de saúde gaúcho será capaz de receber mais gente.
O Ministério calcula que há cerca de quatro mil pessoas infectadas pelo vírus no Rio Grande do Sul.
No mundo, segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde o número de vítimas fatais da nova gripe já está na casa dos 700.
Reportagem do jornal Folha de São Paulo (sábado, 24) divulga dados de mortes por gripe comum na cidade de São Paulo, no ano passado, mostrando que ela faz mais vítimas no inverno do que a gripe suína.
A gripe comum foi responsável por 17 mortes por dia em São Paulo no ano passado. Ao todo, 6.324 pessoas morreram na cidade em 2008 devido a males provocados pela gripe, como pneumonias, bronquites e outras doenças pulmonares.
Este é o mapa atual da gripe A no país:
Vítimas
Rio Grande do Sul:
Uruguaiana:
– gestante de 36 anos – morreu no dia 16 de julho
– menina de 5 anos – morreu em 15 de julho
– caminhoneiro Dirlei Pereira, 35 – morreu dia 16 de julho
– mulher de 36 anos – morreu dia 18 de julho
Santa Maria:
– serralheiro de 40 anos – morreu dia 17 de julho
– homem de 26 anos – morreu dia 13 de julho
– homem de 31 anos – morreu no início de julho
Passo Fundo:
– comerciante de 42 anos – morreu dia 8 de julho
– homem de 31 anos – morreu dia 8 de julho
– caminhoneiro Vanderlei Vial, primeira vítima da doença no país – morreu em 28 de junho
– gestante de “[31 anos}”:http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u600578.shtml – morreu no dia 16 de julho
– gestante de 25 anos – morreu no dia 20 de julho
São Borja:
– caminhoneiro de 29 anos – morreu dia 6 de julho
Sapucaia do Sul:
– menino de 9 anos – morreu dia 5 de julho
São Sebastidão do Caí
– jovem de 20 anos – morreu dia 26 de julho
Caxias do Sul
– homem de 36 anos – morreu no dia 16 de julho
São Paulo
Osasco:
– rapaz de 21 anos – morreu dia 11 de julho
– menina de 11 anos – morreu dia 30 de junho
– jovem de 23 anos – morreu dia 21 de julho
São Paulo
– mulher de 68 anos – morreu dia 12 de julho
– mulher, gestante, de 27 anos – morreu dia 14 de julho
– homem de 50 anos – morreu dia 13 de julho
– mulher de 44 anos – morreu dia 20 de julho
– menina de 4 anos – morreu dia 19 de julho
– homem de 58 anos – morreu dia 21 de julho
ABC
– menina de um ano e seis meses – morreu dia 18 de julho
Região de Sorocaba
– homem de 26 anos, morador da cidade de São Paulo, morreu dia 18 de julho
Região de Campinas
– mulher de 26 anos – morreu dia 17 de julho
– mulher de 27 anos – morreu dia 19 de julho
– mulher de 37 anos – morreu dia 23 de julho
– gestante de 20 anos – morreu dia 21 de julho
Botucatu:
– homem de 28 anos – morreu dia 10 de julho
Rio de Janeiro
– mulher de 37 anos – morreu dia 13 de julho.
– menino de 10 anos – morreu dia 14 de julhoAgora, é tudo campanha eleitoral
Elmar Bones
O PT formalizou o que já se sabia: Tarso Genro é o candidato ao governo do Rio Grande do Sul em 2010.
A campanha, que agita os bastidores desde fevereiro quando o PSDB lançou Yeda Crusius à reeleição, agora se generaliza, como briga de rua.
A própria governadora havia antecipado o embate na semana passada ao reagir às denúncias de corrupção e acusar Tarso Genro, de valer-se da condição de Ministro da Justiça para usar a polícia federal contra ela.
Para Yeda, mais do que para qualquer outro, o que interessa no momento é o clima de campanha eleitoral. Por isso, ela declara que Tarso deve deixar o ministério, já que é candidato.
Seu objetivo é “politizar” tudo, principalmente a ação da polícia federal, colocá-la sob suspeita de que “está agindo a mando do ministro, que é candidato”.
Nesse sentido, a governadora é a maior beneficiária da antecipação da candidatura petista.
As denúncias de corrupção que abalam seu governo serão, a partir de agora, debitadas na conta da luta eleitoral. A não ser que apareçam as tais provas e aí sua candidatura não valerá um CD virgem.
Se não, continuará válida a frase do deputado Cláudio Dias, dita em fevereiro, quando ela foi lançada à reeleição: “Qualquer um que pretenda chegar ao Piratini, terá que enfrentar Yeda Crusius”.
Ministro da Justiça e candidato, Tarso Genro terá limitações nos seus movimentos. A justificativa para uma definição do candidato agora é a necessidade de mais tempo para “construir uma política de alianças” de acordo com os novos tempos. Não é só isso.
O acordo que levou os outros dois pretendentes – Adão Villaverde e Ary Vanazzi – a desistirem de uma disputa, indica que Tarso superou o primeiro obstáculo, que era evitar uma prévia desgastante.
Mas o grande desafio – unir o partido em torno de seu nome – ainda permanece.
No próprio site do PT, um texto de análise, que considera “coroada de êxito” a estratégia para escolher o candidato do partido, menciona “a incompreensão de alguns poucos que continuam a se posicionando contrariamente”.
Quanto às alianças, fora os partidos menores, à esquerda, a possibilidade mais consistente é com o PDT, a principal das forças subsidiárias da política regional. Mas esse ainda é um terreno bastante movediço, que depende incluse de uma melhor configuração da disputa nacional.
O balé Yeda/Tarso vai inquietar o PMDB, que tem dois nomes na agulha: Germano Rigotto, ex-governador, candidatíssimo, e José Fogaça, reeleito consagradoramente em Porto Alegre, mas que não assume publicamente a disposição de concorrer.
Rigotto perdeu a eleição passada para Yeda Crusius e, na disputa de 2010, terá dificuldades com a governadora que o sucedeu e tem boa munição para atacá-lo, já que no primeiro turno ambos disputarão os votos do mesmo campo.
Fogaça quebrou a hegemonia de 16 anos do PT em Porto Alegre e, mais que isso, reelegeu-se. Aparentemente, navega em águas amenas e ainda não começou a sofrer o natural desgaste do segundo mandato. Mas, ao menos publicamente, revela inapetência para a disputa. Novos fatos terão que surgir para que sua candidatura se consolide.Recursos da Copa, única chance para o HPS
Com 66 anos de idade recém feitos, o Hospital de Pronto Socorro, um dos principais centros de atendimento da região metropolitana, envelhece junto com seus funcionários. Faltam recursos tanto para fazer novos contratos, quanto para reaparelhar o hospital que funciona 24 horas e atende cerca de 900 pessoas por dia.
“Eu tenho tentado de tudo quanto é jeito trazer gente para cá. A idade dos funcionários do Pronto Socorro é muito alta, de 50 anos em média. O pessoal se aposenta e não é reposto. Cada vez trabalhamos com menos gente”, lembra o diretor Paulo Roberto Azambuja. Recentemente foi liberada a contratação de 17 novos técnicos de enfermagem, dos 150 já concursados.
Há cerca de duas semanas, os funcionários pararam as atividades para protestar contra o corte do percentual de insalubridade e chamar a atenção para as condições de trabalho e o estado do HPS. Segundo Azambuja, a Secretaria da Saúde, por mais que se empenhe, não tem de onde tirar recursos. “Onde há um cheirinho de dinheiro, tenho procurado ir atrás”, comenta.
Com cerca de 1.400 funcionários, gastos fixos de 1,5 milhão de reais por mês e uma folha de pagamento que gira em torno de 8 milhões de reais, não sobram recursos para investir no prédio. Projetos não faltam.
A Fundação Pró-HPS, que ia conseguir fundos para melhorar a área de queimados, naufragou por questões políticas. “O pessoal do governo não aceitou essa diminuição de impostos e a coisa morreu”, afirma o diretor.
Uma doação de cerca de R$ 50 milhões que estava sendo negociada com um banco norte-americano para a reforma completa do hospital também foi descartada. “Foi o nosso grande azar. Se a crise tivesse estourado dois meses depois estávamos com o dinheiro garantido”, comenta Azambuja.
O jeito foi buscar outras soluções. “Estamos buscando recursos com o Qualisus, um programa de qualificação dos hospitais”, diz. Se tudo correr bem, a verba deve ser liberada até o fim do ano e garante, ao menos, a reforma do quadro de força do hospital, já “obsoleto”.
A mais ousada delas é incluir o hospital na lista de obras de infra-estrutura para a copa. A proposta foi bem recebida pelo vice-prefeito José Fortunatti e está em fase de finalização. “Quanto ainda não se sabe, mas nós imaginamos em torno de R$ 40 milhões”, diz Azambuja. O dinheiro será usado para melhorar a área física e comprar equipamentos. “Digitalização dos raios X, investimentos em estrutura”, enumera o diretor.
Quanto à insalubridade, por enquanto a situação foi resolvida. “A insalubridade não é uma decisão do prefeito ou do secretário. Ela é uma interpretação técnica”, afirma o secretário de Gestão e Acompanhamento Estratégico, Clóvis Magalhães.
Ele explica que a confusão começou por causa da revisão do laudo – que era de 1990 – que mudou os graus de insalubridade dos funcionários. No entanto, como no HPS as pessoas se vêem obrigadas a freqüentar mais do que uma ala, essa interpretação foi flexibilizada e ficou de acordo com os coordenadores de setores e o laudo.Galeria de fotos do ato pelo impeachment de Yeda
Confira a cobertura fotográfica do ato que pediu o impeachment da governadora Yeda Crussius na última quinta-feira, 16.
Fotos: Guilherme dos SantosARI e Sindicado condenam agressões a jornalistas
NOTA OFICIAL
A direção do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul e a Associação Riograndense de Imprensa (ARI) repudiam a atitude da Brigada Militar no trato com a Imprensa. Várias equipes de reportagens tiveram seu trabalho cerceado na manhã dessa quinta-feira, durante o episódio ocorrido em frente ao número 806, da Rua Araruama, Vila Jardim, residência da governadora Yeda Crusius. No entendimento destas entidades, a ação dos policiais que retiraram e isolaram os profissionais durante o manifesto promovido pelo Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul nos remete aos anos de chumbo, quando jornalistas eram proibidos de exercerem seu trabalho.
Entendemos que vivemos em um estado democrático de direito e que nenhuma autoridade pode tentar calar a imprensa. Lembramos ainda que episódios como este tem se tornado rotineiro no Estado, em especial na cobertura dos movimentos sociais. O Sindicato e a ARI esclarecem ainda que muitos profissionais, apesar de não estarem vinculados aos veículos da grande mídia, integram a categoria profissional e também não podem ser impedidos de exercerem suas atividades, seja como free-lance, ou assessor de imprensa.
Este tipo de ocorrência fere a todos os profissionais em exercício no Rio Grande do Sul, pois tem o objetivo de cercear a liberdade de informar. As entidades cobram providências do Comando da Brigada Militar para que não se repitam mais atos como esse contra profissionais que estão a serviço da sociedade e da qualidade de informação. Num momento em que se debate a liberdade de expressão, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul e a Associação Riograndende de Imprensa querem que os jornalistas tenham o direito da liberdade profissional.
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS
Associação Riograndense de ImprensaIngressos a R$ 260 no show extra de Roberto Carlos

Foto: Divulgação
Já estão à venda os ingressos para o show extra do rei em Porto Alegre. A apresentação acontece no dia 16 de agosto, às 19h, no Gigantinho. O espetáculo, que celebra os 50 anos de carreira, vai passar por Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Salvador e outras cidades. Os shows que ocorrem dias 14 e 15 de agosto já estão com ingressos esgotados.
Roberto Carlos no Gigantinho (Avenida Padre Cacique, 891).
Cadeira Azul – R$ 260,00
Cadeira Azul Lateral – R$ 180,00
Cadeira Amarela – R$ 140,00
Locadas/ Perpétuas – R$ 100,00
Arquibancadas – R$ 50,00
Desconto de 10% para clientes Itaú e Unibanco, limitado a quatro entradas por cartão.
Pontos de venda
Shopping Praia de Belas (segunda a sábado, das 10h às 22h, domingos e feriados, das 11h às 21h), pelo site www.ingressorapido.com.br e pelo fone: 4003-1212.
(Assessoria de Imprensa: Natália Ferreira e Jeniffer Caetano)Pepsi promove consulta sem esclarecer o que vai fazer na Redenção
Quem passa pelo parque da Redenção no fim de semana já notou o stand azul e vermelho da Pepsi, e o slogan “Eu amo Porto”, copiando aquele recurso gráfico do coraçãozinho no lugar do verbo.
Moças e rapazes distribuem panfletos e cupons para votar na “consulta popular” que a empresa está fazendo para eleger obras que vai realizar no parque. Em momentos de empolgação, os atendentes chegam a prometer “uma nova Redenção”.
Na verdade, toda a divulgação do que será feito é bastante vaga. O cupom para votar oferece três alternativas genéricas: mais esporte, mais lazer ou mais cultura.
A votação pode ser feita também na Internet. No site, um título: “Uma declaração de amor a Porto Alegre que vai dar cara nova aos cartões postais da cidade”.
O texto diz que “ a marca quer dar um passo adiante na restauração do Parque Farroupilha e pede ajuda da população portoalegrense” ,para escolher “o próximo presente para o cartão postal da cidade”.
A página seguinte, “para votar”, tem uma imagem do Parque (Monumento ao Expedicionário), o slogan da campanha e um texto:
“A Pepsi Ama Porto. Ama tanto que vai realizar restauros no cartão postal da cidade, o Parque Farroupilha. Além de colocar iluminação e segurança a Pepsi quer mais. Agora os gaúchos vão escolher qual será o próximo presente para o parque mais popular de Porto Alegre. O projeto escolhido será patrocinado na íntegra pela Pepsi”.
Há outras referências a “projetos”: “Para votar escolha seu projeto favorito e preencha os campos abaixo”. “Vote aqui no seu favorito”.
Mas o voto, ilustrado com imagens do parque, oferece as três alternativas genéricas: mais esporte, mais lazer ou mais cultura.
As obras que a Pepsi vai fazer no parque fazem parte do Termo de Adoção firmado com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente ( SMAM).
Foi assinado em 2008 e prevê a revitalização da Orla do Guaíba e da Redenção, em troca da veiculação de publicidade nesses locais.
No ano passado, o foco foi a orla. No site diz que desde 2008 a Pepsi promove “uma restauração das margens do Guaíba e que promove até dezembro atividades voltadas para música (apresentação de instrumenstistas, pista com MCs, circo (com oficinas de malabares e esporte, basquete ciclismo, entre outras”.
Em 2009, começam os projetos na Redenção. A primeira melhoria – restauração do chafariz – foi concluída em março e custou R$ 200 mil.
Segundo o supervisor de praças e parques da SMAM, Luiz Alberto Carvalho Júnior, a “consulta popular” que a Pepsi está fazendo é para decidir as próximas melhorias.
Em qualquer das alternativas, as obras a serem feitas não correspondem ao que promete a propaganda, quando fala em “dar uma cara nova” ao parque.
Se vencer a primeira alternativa ( mais lazer) serão feitos:
-um bicicletário, um chimarródromo e restauração de recantos.
Se vencer a segunda alternativa: (mais cultura):
– restauração de monumentos, bibliotecas ambulantes e áreas de leitura.
Se vencer a terceira alternativa (mais esporte):´
– melhorias no estádio Ramiro Souto e uma nova pista de caminhada.
O supervisor da SMAM afirma, que além do projeto ganhador da consulta, a Pepsi assumiu outros compromissos, tais como a renovação da iluminação e de floreiras, a colocação de placas de sinalização, o restauro do recanto do ancoradouro e marcação da pista de corrida.
Apesar de constar no site da empresa que ela colocará segurança no parque, Luiz Alberto alerta que isso é de responsabilidade da Brigada Militar e da secretaria de segurança, uma vez que o local é público.
Investimento é de R$ 600 mil até abril
A Sinergy Novas Mídias é co-adotante do parque e da Orla junto com a pepsi. É uma agência de propaganda que trabalha com mídias não convencionais.
Eles são os responsáveis por fazer a gestão da verba que a Pepsi investe. O diretor geral, Eduardo Ferreira disse ao jornal JÁ que o termo de adoção prevê aplicação de R$ 1,4 milhão, valor que, deduzidos os impostos, reduz-se a R$ 1,1 milhão, por ano.
Em abril de 2009 completou um ano do acordo e o valor (R$ 1,1 milhão) foi investido na orla e no chafariz, que foi a primeira obra feita na redenção. O chafariz custou R$ 250 mil ( R$ 50 mil a mais do que informou Luiz Alberto Carvalho, da Smam).
Para o próximo período, até abril do ano que vem, estão destinados para a Redenção pouco mais de R$ 600 mil (60% do total) para realizar as obras escolhidas na consulta popular e as melhorias definidas pela prefeitura.
Os restantes 40% (cerca de 400 mil) serão investidos na manutenção das obras já realizadas na orla.
Parque não terá painéis de propaganda
Embora esteja previsto no Termo de Adoção, a Pepsi não vai instalar out doors ou painéis fixos na Redenção. Pelo menos foi esse o compromisso assumido, perante a Prefeitura, com o Conselho de Usuários do Parque.
Lei para adoção de praças foi mudada este ano
Adoção de praças públicas por empresas privadas não é nenhuma novidade. Em Porto Alegre, cerca de 80 praças já são adotadas.
A lei que permite a doação de praças, parques, áreas e equipamentos de lazer e de cultura é de 1986, quando era prefeito Alceu Collares. Em contrapartida, as empresas podem veicular publicidade nos locais que adotarem.
A legislação, entretanto, sofreu modificação, aprovada pela Câmara dos Vereadores em março desse ano. Houve a ampliação da possibilidade de adoção, agora estendida para monumentos, rótulas e áreas verdes da malha viária, de elevados e de viadutos.
Além disso, a nova lei permite que mais de duas empresas, em consórcio, adotem uma mesma área, ou que uma entidade adote duas áreas diferentes.
A prefeitura , representada pela SMAM, fica com a responsabilidade de controlar a difusão de propaganda dos adotantes.
(Com reportagem de Daniela de Bem)Mínimo Regional: "Empresários estão vencendo"
O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Ivar Pavan, disse ao jornal JÁ que “os empresários estão vencendo a batalha contra o salário mínimo regional”.
Quando foi criado em 2001, o mínimo regional (R$ 230,oo) era quase o dobro do nacional (R$ 150,oo). Em 2009, o mínimo gaúcho foi para R$ 511, oo e o nacional já está em R$ 465,oo, uma diferença de apenas R$ 46 reais.
Segundo Pavan, esta é a demonstração de que os empresários estão ano a ano chegando perto do seu objetivo, de acabar com o mínimo regional. “Essa disputa, disse o deputado, é uma disputa política que se estabeleceu desde o início. As federações dos empresários sempre foram contra o piso regional e foi a mobilização das centras dos trabalhadores que garantiu a sua aprovação na época. O que vai acontecer daqui pra frente? Vai depender de um enfrentamento de posições. Se persistir a situação atual, com os empresários fortemente mobilizados e os trabalhadores desmobilizados, não resta dúvida, o mínimo regional vai acabar nos próximos anos”.
Este ano, o Rio Grande do Sul teve o menor reajuste (7%) entre os quatro Estados que tem salário mínimo diferenciado do puso nacional (veja matéria anterior). O argumento da Federação das Indústrias é de que a diferença entre o mínimo regional e o nacional vem diminuindo graças ao crescimento real do piso nacional.Fiergs quer fim do salário mínimo regional
A Fiergs deve intensificar suas ações para acabar com o salário mínimo regional. “Com a recuperação do poder de compra do mínimo nacional, não há mais razões para o mínimo regional”, diz o presidente Paulo Tigre na última edição da revista “Indústria em Ação” que começou a circular esta semana.
Antes da votação do reajuste do mínimo, no início de junho, uma comitiva da Fiergs foi à Assembléia alertar os deputados para os riscos de uma elevação da massa salarial para a indústria, já atingida pela queda nas exportações, efeito da crise internacional.
Os empresários argumentaram que “é necessário preservar e ampliar os postos de trabalho”, antes de conceder ganhos salariais.
Os deputados acabaram aprovando um aumento de 7,1%, que elevou o piso regional para R$ 516,o6. O aumento entra em vigor neste 16 de julho, mas a campanha deve continuar.
O piso nacional é R$ 465,oo. Segundo Tigre, desde 2001, quando o Rio Grande do Sul passou a ter um mínimo regional, houve recuperação do poder de compra do mínimo nacional, não se justificando mais um piso regional diferenciado. Na verdade os dois índices vêm se aproximando.
Em 2001, o piso nacional era R$ 151. O mínimo regional no Rio Grande do Sul foi fixado em R$ 230. A diferença entre um e outro era de R$ 79 em 2001. Hoje é de apenas R$ 46.
Além do Rio Grande do Sul, outros três estados tem mínimos regionais: Rio de Janeiro (R$ 512), São Paulo ( R$ 505) e Paraná ( R$ 612). Em números absolutos, o Rio Grande do Sul teve o menor reajuste, apenas R$ 34. São Paulo deu R$ 51, Paraná R$ 81 e o Rio de Janeiro R$ 42.
A posição da Fiergs não é nova. As entidades empresariais não engolem o piso regional desde a aprovação da lei, no governo Olívio Dutra. Mas a crise no setor mais dinâmico da indústria, o exportador, será mais um argumento a alimentar a mobilização. As vendas para o exterior caíram quase 30% nos primeiros seis meses do ano.



