Autor: Elmar Bones

  • Osmar Béssio Trindade, um jornalista

    Se me coubesse escolher um caso exemplar nessa geração de jornalistas gaúchos que enfrentou a ditadura militar, eu não hesitaria em apontar o nome de Osmar Béssio Trindade.
    Ele era desses que nascem prontos, nos quais o tempo e a experiência só fazem aperfeiçoar as qualidades inatas.
    Conheci-o na nossa Santana do Livramento, eu era um garoto imberbe, ele já repórter da Folha Popular, o jornal editado pelo Ivo Caggiani.
    Fazer a cobertura policial num jornal do interior, ainda mais numa cidade como Livramento, não é para qualquer um. A praxe, para o repórter que tem amor à própria pele, é copiar estritamente o livro de ocorrências e, mesmo assim, com muito tato.
    Pois, como descobri mais tarde, o Trindade já fazia o que nem os repórteres da capital faziam: apanhava o registro, ouvia os policiais, as pessoas envolvidas, ia no local ouvir as testemunhas, para então montar o seu relato, que muitas vezes contrariava a versão policial.
    Coragem serena
    Não me lembro que tenha sofrido alguma vez represália ou agressão e nisso certamente influía outra de suas grandes qualidades – a coragem serena, sem arroubos, nada fronteiriça, a firmeza tranqüila com que defendia o seu exercício profissional.
    Reencontrei-o anos depois na Folha da Manhã, onde ele entrou como repórter e logo se tornou o chefe de uma equipe jovem e aguerrida que sacudiu a modorra do jornalismo oficioso que se praticava na Casa de Caldas.
    Atento e meticuloso, não deixava passar nada e na zoeira daquela redação ensandecida era um ponto de equilíbrio – o chefe que não precisava levantar a voz, o líder que motivava pelo exemplo, o colega mais velho que tinha paciência com os focas, o profissional rigoroso que não dormia se levava um furo da concorrência.
    Quando a truculência fez sucumbir a “Folhinha”, ele mudou de trincheira e, com a mesma serenidade e a mesma competência, foi continuar sua tarefa na Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre. Muito do sucesso e do prestígio que o Coojornal alcançou se deve à sua firme liderança na chefia de reportagem.
    Coojornal
    Depois, quando a Coojornal, acossada pela brutal repressão do regime militar, entrou em parafuso, ele aceitou assumir a presidência como um nome de consenso para tentar salvar o projeto. Era tarde.
    Pouco depois, decepcionado com os rumos que o jornalismo tomava, decidiu sair do país. Foi para Moçambique. Ele achava que um jornalista devia estar sempre do lado dos mais fracos. De volta ao Brasil, foi trabalhar em Macapá e, nos últimos anos, mudou-se para Brasília, mas não conseguiu se adaptar ao pragmatismo dos novos tempos, em que para sobreviver é preciso estar mais atento às conveniências do que aos princípios.
    Sobretudo, Osmar Béssio Trindade era um homem generoso. Que o digam os repórteres que trabalharam (e muito aprenderam ) com ele: Caco Barcelos, Erni Quaresma, Caco Schmitt, Najar Tubino, André Pereira, Rafael Guimarães, Carlos Wagner e tantos outros. Eu perdi um amigo, um irmão. Para todos nós, que acreditamos que essa profissão pode ter algum sentido, sua morte é uma perda inestimável.

  • Quem cometeu as falhas que reabilitam Macalão?

    A decisão do juiz Martin Schulze, da 3ª. Vara da Fazenda, anulando a demissão do ex-diretor da Assembleia Legislativa, Ubirajara Macalão, confirma o que dizia na época o advogado de defesa: havia falhas no processo administrativo feito às pressas, apenas para dar uma satisfação à opinião pública. A pergunta que cabe agora é esta: quem são os responsáveis por isso? Foi negligência ou foi proposital? Na entrevista à repórter Marcielle Brum, na Zero Hora de hoje, o juiz não deixa dúvidas: “Eles sabiam o regramento e interpretaram com certa elasticidade”
    A decisão do juiz, divulgada esta semana, determina que Macalão seja reintegrado ao Legislativo e receba os salários atrasados, equivalentes a pelo menos R$ 300 mil. Ele foi demitido em dezembro de 2007, como o principal acusado e o único punido pela chamada “fraude dos selos”.
    É de acreditar que na Casa onde se fazem as leis no Estado se faça um processo administrativo cheio de vícios? Na verdade, essa é uma prática bastante comum em processos que envolvem altos funcionários públicos. Aplica-se uma punição imediata, para aplacar a indignação da opinião pública e deixa-se aberta a brecha para a anulação do processo mais adiante, quando o caso já tenha caído no esquecimento.
    O juiz Schulze em sua entrevista faz uma ressalva para evitar um confronto com o legislativo. (“Não acredito que tenha havido ma fé”). Mas na frase seguinte, ele deixa a dúvida: “Se tivessem feito de propósito, a reintegração dele seria o fim desejado”. E mais adiante: “Na visão que tive do processo é que eles não quiseram ir mais fundo. O objetivo era Macalão, e a ele se restringiram. Não houve nenhuma possibilidade de fazer a investigação mais abrengente. Foi o Macalão e deu”.
    Ainda cabem recursos aos tribunais superiores, mas os desembargadores vão trabalhar em cima do mesmo processo que o juiz agora aponta como falho. Portanto, não deve surpreender. Mais alguns anos vão se passar até que sejam percorridas todas as instâncias e não é improvável que no final Ubirajara Macalão acabe aposentado, com todos os direitos e a velha regra – que criminoso do colarinho branco nunca vai para a cadeia – prevaleça mais uma vez.

  • Em lua-de-mel com os fãs

    Por Bruno Cobalchini Mattos

    Marcelo Camelo vive um bom momento de sua carreira. Passados dois anos desde o anúncio do recesso dos Los Hemanos, o ex-guitarrista, compositor e vocalista da banda sobreviveu bem à separação: seu primeiro álbum solo, Sou, teve boa recepção por parte do público. Em Porto Alegre, o show de lançamento estava lotado. Era outubro, e o disco estava nas lojas havia pouco mais de um mês, mas todos na plateia já sabiam as letras de cor. Camelo foi acompanhado no concerto pela banda paulista Hurtmold, um dos grupos mais interessantes da cena independente nacional – e que excursiona com ele desde o ano passado. Marcelo Camelo volta a se apresentar em Porto Alegre no próximo dia 19, no Teatro do Bourbon Country. Em entrevista exclusiva, ele fala sobre musicalidade, seu projeto paralelo, Ivete Sangalo e as verdadeiras influências.

    Já – Passado quase um ano desde o lançamento de Sou, como você avalia o convívio com o Hurtmold? Que influência eles tiveram na maneira como você faz e percebe música?
    Camelo – Eu já conhecia a banda bem, os discos. Nosso convívio tem sido ótimo. Eles são muito parecidos e muito diferentes de mim então tem assunto que não acaba mais. Eles são minha porta de entrada pra São Paulo, que é uma cidade totalmente nova pra mim. Procuro vivê-la com a ajuda dos olhos deles. Então são meus anfitriões, meus amigos novos. Conheço os pais deles, os amigos mais próximos, as mulheres. Conheço a turma deles e isso me influencia como ser humano. É assim se dando que a gente consegue receber mesmo as coisas importantes. As influências verdadeiras. As coisas que transformam nosso olhar sobre as outras coisas.

    Já – No disco você trabalhou com um grande número de músicos convidados. De certa forma, isso acabou dando ao álbum um ar de encontro de amigos. Como você faz para reproduzir isso ao vivo, sem as participações especiais?

    Camelo – Eu não tento reproduzir o disco no palco. Arranjei tudo novamente com os Hurtmold pra gente montar um show. Acho que as músicas já existem pra mim em formato solitário, já que eu as faço sozinho, então não tenho muito pudor em transformá-las naquilo que eu quiser naquele momento.

    Já – Na época em que saiu o disco, um amigo meu dizia que Menina Bordada parecia música da Ivete Sangalo. E é interessante, porque agora você apareceu no DVD dela. Pode ter rolado essa influência?
    Camelo – A Ivete sempre foi uma influência pra mim, desde a banda Eva. Eu acho que os baianos foram quem melhor transformaram um imaginário brasileiro em cultura de massa. Mas pra quem está de longe uma marchinha só lembra o Chico Buarque, uma batida africana só lembra a Ivete, um forró o Gonzagão.

    Já – Saudade e Passeando são músicas que têm gravações alternativas no disco, tocadas no piano por Clara Sverner. Por que deixar as duas versões de cada uma no trabalho final? Você acha que a mudança de contexto deu um novo sentido para as melodias?

    Camelo – Não. Não sei se há sentido numa melodia. Mas eu gosto das duas versões então coloquei as duas.

    Já – Conversa de Botas Batidas, música da época do Los Hermanos, é um diálogo que você imaginou a partir de uma notícia de jornal. E agora, em Sou, você utilizou sons incidentais como, por exemplo, uma máquina de lavar roupa. O que significa para você trabalhar com elementos da vida cotidiana?
    Camelo – Minha música é cada vez mais orgânica, pelo menos até este disco foi assim. Meio naturalista, realista, que nem as fotos de divulgação. Quando vou no apartamento em que fiz estas músicas eu lembro do porquê delas. É quase como se elas existissem a partir daquele determinado lugar. Estes sons que habitam o disco estão nas músicas também, são músicas.

    Já – Que escritores você mais gosta? Como eles influenciam as letras que você compõe?
    Camelo –
    Eu gosto muito mais da língua falada do que da escrita. Minha atração sempre foi pelo som. A escrita também tem som, mas é como se a fala já fosse o próprio som. Me interessa mais. Um discurso tem musicalidade e geralmente ela dá muito mais razão a quem fala do que o próprio significado das palavras. Tente assistir a uma discussão em uma língua que você não conhece e é muito fácil, na maioria das vezes, escolher quem tem a razão. Gosto da música que tem na fala do dublador do Gene Hackman. Gosto de ouvir o Mano Brown falando, o Robert Anton Wilson, gosto da música da fala do Chico Anysio, que faz profissionalmente isso. Quem tem uma música boa na fala é o garoto que apresenta o programa de video game do Multishow, uma entonação diferente que eu acho carismática. Nando Reis fala muito bonito. O texto das crianças é muito simples e poético também, muitas vezes. Tem um exemplo que eu acho clássico de argumentação que é de uma menina alemã. Ela falou sobre pichação: “o pessoal acha que pichação deixa a cidade suja mas eu não acho. Eu acho que ela fica bonita”. Porra, vai contra argumentar que eu quero ver! É que nem aquela do Cesare Pavesi que diz que poema é quando um idiota olha pro mar e diz que parece azeite. Ah, de escritor tem o Shakespeare que falado em inglês é demais de bonito. Esse cara era muito musical. Eu tenho um amigo também chamado Caíto Manier que escreve praquele programa Larica Total, que tem o texto mais impressionantemente musical que já ouvi. Ele é de Niteroi, mesma terra do De Leve, um rapper que também tem essa espécie de musicalidade estranha, travada e rítmica ou suave e doce, esses caras fazem o que querem com os sentidos. Eles entendem de dinâmica e têm compreensão avançada do som na língua. Esses caras são mestres da escrita pra mim. O Caíto é demais.

    Já – Conte um pouco da história dos Imprevisíveis (projeto paralelo lançado através do MySpace).
    Camelo –
    Não tem muita história. Eu sempre faço estas conversas musicais quando estou em casa com os amigos. Se deixar um instrumento na mão de cada um, alguma coisa que sai som, uma hora acaba virando aquilo que é uma improvisação a partir do som usando instrumentos musicais. É tipo uma conversa que acontece mesmo. Uma comunicação não- verbal que pode ser executada mesmo por quem não treina um instrumento há anos. É só tentar. Deixa um instrumento na mão de cada um e uma hora nego para de falar e começa a tocar um com o outro. É uma transformação grandiosa esse momento. O mecanismo é muito parecido com o da fala então vira uma espécie de conversa. Dá pra entender a função e a origem da língua e da música e de tudo, é demais.

    Já – No show que você fez em Porto Alegre no ano passado o pessoal da produção subiu no palco para tocar tambores em Copacabana. Como surgiu essa participação, e como isso mexe na maneira com que a banda e a equipe se relacionam ao longo da turnê?
    Camelo –
    Eles na verdade já estão ali o show inteiro, ajudando a gente mas sem tocar. O Paulinho, que é roadie, é da bateria da Gaviões e colocou pilha de tocar na música. Arrumou um repique pro Guto que é diretor de palco, o Heroi que também é roadie não quis ficar de fora e trouxe o cavaco. Somos todos amigos de profissão, num barco que depende de todos nós pra funcionar direito. Nos entendemos bem.

    Já – Quais as suas perspectivas pro show do dia 19?
    Camelo –
    Acho que vai ser muito maneiro. O primeiro show foi muito bom, um dos meus preferidos da turnê. A casa é muito boa e nós agora estamos tocando muito melhor do que quando estivemos aí, então acho que vai ser ótimo.

    Já – Em Vida Doce, você diz que caminha no tempo que bem entender. Nesse momento da carreira, em que tempo você quer caminhar?
    Camelo –
    Agora eu vou lançar o DVD que gravamos em Salvador e começar a pensar no disco novo. Pra mais tarde fica o que vier.

  • Defensores da Orla pedem mais clareza na Consulta Pública

    Depois de esperar quase um mês, representantes do Movimento em Defesa da Orla do Guaíba conseguiram ser recebidos pelo vice-prefeito José Fortunati, que coordena a preparação da Consulta Pública sobre o projeto Pontal do Estaleiro. O grupo, liderado pelo arquiteto Nestor Nadruz, pede “mais nitidez no processo em curso” e deixou com Fortunati a seguinte carta:
    “O Movimento em Defesa da Orla do Rio Guaíba é constituído por diversas organizações, muitas das quais também integram o Fórum de Entidades da Câmara Municipal, órgão colegiado de participação popular na revisão do PDDUA. Cabe registrar, que não concordamos com a metodologia de consulta encaminhada pela Câmara Municipal, que rebaixa o direito constitucional da cidadania ao Referendo. Neste aspecto, concordamos com o Prefeito, na redação original do projeto de lei”.
    “Sabedores, pelas páginas dos jornais, do conteúdo da pergunta que será feita na Consulta Pública de 23 de agosto, relativa à Lei Complementar 614, causou-nos estranheza a referência à Lei Complementar 470, que não é objeto da Consulta”.
    “Considerando que o nível de informação da opinião pública sobre a legislação municipal é precário, a confusão de leis na cédula tornaria ainda mais difícil a compreensão. Além do que, na forma como foi veiculada pela imprensa, a consulta sobre uma lei estará referendando à outra”.
    “Outro aspecto a ser considerado é a composição e a estrutura da Comissão Coordenadora do processo de Consulta Pública. Vários aspectos nos instigam: é estranho que um processo de consulta popular sobre um projeto de lei seja coordenado pelo próprio proponente; a Câmara Municipal, responsável pela legislação, não integra a comissão; o Fórum de Entidades, órgão oficial de participação popular na revisão do PDDUA, não foi convidado. A Consulta Pública não poderia ser coordenada pelo Executivo Municipal, proponente do projeto de lei e nem pela Câmara Municipal, que aprovou o projeto com mais de 2/3 dos votos”.

  • Seu Beto leva a casa nas costas

    Por Bruno Cobalchini Mattos
    Gilberto Mendes, 50, é um senhor bem alinhado. Faz a barba toda semana, e sua camisa nunca está amassada ou para fora das calças. Para se proteger do frio, veste um casaco de couro que se estende até as canelas. A única coisa que parece destoar de seu traje é o boné preto que leva na cabeça. Quem o vê em uma esquina do bairro Santana fumando cigarro de palha dificilmente imagina que ele dorme ali mesmo, naquela calçada.
    Nascido em Bagé, Gilberto mora em Porto Alegre desde os dois anos de idade. Fala devagar, tem bom vocabulário e se articula com facilidade. Diz que já fez muita coisa nessa vida. Vendeu quindim, fez chapeação numa oficina, fabricou cocada, teve um restaurante e foi proprietário de quatro caminhões de mudança.
    Ele se emociona ao lembrar do passado. Cego de um olho devido a um acidente de carro, não consegue segurar as lágrimas. Hoje em dia, só tem um carrinho com o qual recolhe papelão e faz alguns fretes. A pequena carroça, que diz ter feito com as técnicas que aprendeu na oficina, tem um colchão no fundo e também serve de cama.
    Eu quis saber como ele foi parar na rua. “Isso aí daria um livro”, ele responde. Insisto, mas não adianta. “A minha história não faz bem pras pessoas”, continua. “Eu conto um pouco pro pessoal aqui da rua e eles já ficam arrasados. Se tu não tem preparo psicológico, tu vai pra casa e fica pensando nisso, e o meu problema passa pra ti também. Então acho melhor que as pessoas não saibam mesmo. Mas uma coisa eu te digo: o olho que os outros põem pode estragar a tua vida”.
    Por causa da idade e do porte físico (Gilberto é baixo, magro e pouco corpulento), ele só recolhe lixo nas redondezas. Ganha muito pouco com o trabalho de catador. “Hoje consegui tirar uns três e pouco. Isso não dá pra quase nada”. Os moradores da vizinhança ajudam com comida, mas mesmo assim não sobra.
    “Esses tempos ofereceram pra comprar o meu carrinho, mas não adianta, se eu vender ele eu vou dormir aonde, no chão? Daí eu viro mendigo, e isso eu não quero. Eu não sou mendigo, eu sou reciclador. Tu logo vê que não sou um papeleiro normal. Eu sou de levantar a classe pra cima”, diz.
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    E é bom de papo, o Seu Beto. Ele conta que certa noite um morador de rua passou por ali e pediu uma corda emprestada. O homem queria se enforcar em uma árvore. Beto e outro morador de rua se sentaram com ele, e os três passaram a madrugada inteira conversando. Quando o sol saiu pela manhã, o homem se levantou, agradeceu e foi embora. Tinha desistido do suicídio.
    Além dos cigarros de palha, o único vício de Beto é a cachaça, que ele diz tomar para criar coragem: “se tu tá na rua de noite, tem que se cuidar da surpresa. Uma vez eu não tomei cachaça antes de dormir e acordei de madrugada tremendo. Mas não era por causa da cachaça – era de medo. Então eu bebo pra ter coragem de brigar quando precisa”.
    Conta que, antes de morar na rua, só bebia cerveja, e socialmente. Mudou para a cachaça por causa do preço. E jura que não usa mais nada. “A única droga que eu já usei foi maconha, quando tinha 27 anos. Mas eu parei aos 30, porque aquela vida não era pra mim”.
    Uma das maiores dificuldades de Seu Beto é encontrar distração no seu tempo livre. Mas isso deve mudar. Alguns dias atrás ele encontrou um radinho no lixo, funcionando e com pilhas. Podendo ouvir as notícias, ele acha que as coisas vão ficar mais fáceis. “Se não eu fico aqui só pensando. Pensando num jeito de sair da rua, em como que eu vou resolver esse quebra-cabeça. E daí eu fico muito triste. Já tive depressão duas vezes por causa disso. A coisa é muito difícil”.
    E ele quer ser tirado da rua? Pouco tempo atrás, um velho amigo passou ali e levou Beto para casa. Deixou ele tomar banho e lavar suas roupas. Prometeu que arranjava trabalho pra ele numa oficina de chapeação. Mas com uma condição: tinha que largar a cachaça. Beto não quis. “Quando tu toma uma garrafa inteira todo dia, tu não consegue parar assim. Tem que ser aos pouquinhos”, diz. Ele considera o amigo bem intencionado, mas reclama da opressão. “Não adianta me obrigar a fazer as coisas. Eu não sou comprado por comida – só pela boa conversa”.
    Pergunto para ele o que pretende fazer agora. “Eu vou dar um jeito de sair daqui, mas antes eu preciso ajeitar as coisas comigo. O pessoal da igreja também ofereceu ajuda, mas ainda não dá. O meu mundo quem faz sou eu. Não é que eu não acredite em Jesus. Eu acredito. Mas enquanto eu não tiver bem comigo mesmo, ninguém vai poder me ajudar”.

  • HPS começa a semana com protesto dos funcionários

    Funcionários do Hospital de Pronto Socorro passaram o domingo distribuindo panfletos no Parque da Redenção e arredores convocando a população para um ato público nesta segunda feira. Dizem que o HPS, único hospital de emergências da cidade, “está esquecido pela prefeitura”. “Há muito não se investe em equipamentos, infra-estrutura e recursos humanos”. Às onze da manhã eles promovem um “abraço símbolico” ao prédio na avenida Osvaldo Aranha.
    Leia o que dizia um dos panfletos distribuidos:
    “HPS PEDE SOCORRO!”
    “Os trabalhadores do HPS vêm buscar apoio da comunidade usuários diretos ou indiretos do Hospital de Pronto Socorro”.
    “Esse símbolo de Porto alegre está esquecido. Há muito não se investe em equipamentos, infraestrutura a recursos humanos e quem acaba prejudicado é o usuário e os próprios trabalhadores que não podem dar um atendimento mais adequado e de melhor qualidade”.
    “Além das condições subumanas a que estão submetidos usuários e população, a Prefeitura de Porto alegre está retirando a insalubridade daqueles que estão cuidando de você: administrativos, nutrição, limpeza, manutenção, lavanderia e serviço social”.
    “Junte-se a nós, e vamos juntos defender o HPS, pois ele é de todos.
    Por melhores condições de trabalho, por investimentos em equipamentos, reformas e RH, e pela manutenção da insalubridade”.
    “Vamos juntos abraçar o HPS, segunda-feira , 29/06009, às 11 horas da manhã”.

  • Nagelstein quer atropelar o Conselho de Meio Ambiente

    O líder do governo na Câmara Municipal, Valter Nagelstein, fez um apelo ao secretário do Meio Ambiente, vereador Professor Garcia, para que apresse a votação do Projeto de Revitalização do Cais do Porto pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comam). “A votação, que deveria ter acontecido nesta quinta-feira (25), foi adiada após manobras regimentais de conselheiros avessos aos avanços do projeto”, diz a nota emitida pela assessoria de imprensa do vereador.
    Se não for atendido, Nagelstein pretende recorrer ao prefeito José Fogaça para que o projeto seja enviado para a Câmara Municipal, “independentemente da avaliação do Comam”. Assim que o projeto chegar ao Legislativo, Nagelstein irá propor regime de urgência à matéria.
    “O Rio Grande, e Porto Alegre em especial, tem perdido oportunidades por falta de capacidade de construir consensos. Ora, se o consenso não é possível, vamos exercer outra faculdade da democracia, o direito de maioria. Não desejo passar mais 30 anos discutindo esse assunto, perder mais essa oportunidade. Desejo sim ver no Cais Mauá a mesma maravilha que já vi em tantos outros lugares do mundo. No dia que a obra estiver pronta as pessoas hão de se perguntar: mas por que eles eram contra?”, diz o vereador na nota distribuída à imprensa.

  • Crônica de uma visita presidencial

    Lula vem a Porto Alegre, comprova sua popularidade e defende o Software Livre
    Por Daniela de Bem e Paula Bianca Bianchi
    Com a câmera na mão dona Marisa gritava: “Lula, Lula!”. Apesar de morar em Brasília, essa foi a primeira vez que ela conseguiu ver de perto o presidente que junto com outros 50 milhões de brasileiros ajudou a eleger. E não só viu como cheirou, beijou, abraçou e bateu foto.
    Em sua breve passagem por Porto Alegre na tarde desta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi da Vila Bom Jesus aos corredores da PUCRS e ainda teve tempo de inaugurar a nova gráfica da RBS, sem deixar, é claro, de arrancar suspiros da população.
    Na Vila Bom Jesus, onde anunciou a criação do programa Território da Paz, uma série de 27 ações que tem como objetivo reforçar a segurança nas comunidades da Lomba do Pinheiro, Bom Jesus, Restinga e Cruzeiro, o presidente foi recebido como um rock-star com a direito a palco montado no meio do melhor campinho de futebol do bairro.
    Os moradores disputavam lugar a tapa para enxergar melhor o presidente, que era seguido por um séquito de seguranças e políticos, entre eles, a ministra Dilma Rousseff, o ministro Tarso Genro, o ex-governador Olívo Dutra e o prefeito José Fogaça. Após um breve discurso em que lembrou a importância de melhorar a relação da polícia com as comunidades carentes, Lula foi para a PUC onde outra multidão o aguardava.
    A segurança extensiva que baixou na faculdade, que recebeu essa semana o 10º Fórum Internacional de Software Livre – FISL para os íntimos –, tornava uma tarefa quase impossível ouvir o presidente, tanto para a imprensa quanto para os participantes do evento.
    Um grupo de jornalistas de Santa Maria conversava resignado frente às portas do auditório. As credenciais de imprensa fornecidas pelo pessoal da FISL não foram suficientes para convencer a polícia federal a deixá-los ver a palestra. Faltava a tal da autorização presidencial. Outro grupo de participantes do Fórum aguardava ansioso na fila. Vai que sobrasse uma vaguinha na sala de duzentos lugares reservada para a fala do presidente.
    Aqueles que não tinham paciência pra esperar e, mais que ouvir, queriam ver o presidente, se acotovelavam ao redor do cordão de isolamento branco que serpenteava da porta da PUC à porta do auditório, especialmente para Lula passar. Foi só o presidente colocar a cara na porta para a multidão sacar um sem fim de máquinas fotográficas e telefones celulares.
    Paciente, Lula parava e cumprimentava o pessoal a cada dois passos e meio. Depois até brincou, “aquele corredor polonês valeu por quatro discursos”. Para os ministros sobrava um que outro aperto de mão.
    Nessa hora dona Marisa – mais uma entre tantas Marisas, não a 1ª dama -, não se conteve, . Era tudo ou nada. E pra funcionária do MEC, negra e baixinha, que envergava uma camisa da CUT, um tanto deslocada entre aquele bando de aficcionados por computadores, o presidente era tudo.
    Ela desviou uns dois seguranças, não prendeu o grito e com lágrimas nos olhos conseguiu o que queria. Uma foto com Lula.

    Presidente diz que Lei Azeredo é censura

    Depois da maratona, o presidente conseguiu finalmente entrar no auditório onde a platéia seleta aguardava. Aqui o tema deixou de ser a segurança das comunidades para entrar na segurança da internet.
    Primeiro falou o coordenador do FISL, Marcelo Branco. “A internet livre está sofrendo um ataque internacional”, defendeu. “Um deputado pirateou uma lei francesa e apresentou no congresso”, afirmou, se referindo ao projeto de lei conhecido como Lei Azeredo que está na Câmara e, se aprovado, institui a quebra de privacidade sem mandado judicial.
    Depois foi a vez da ministra da Casa Civil se dirigir ao microfone enquanto a platéia gritava em coro: “Dilma, Dilma!”. “Voltamos a observar aqui nessa minha Porto Alegre, nessa Porto Alegre do Fórum Social Mundial, que outro mundo é possível”, discursou. Ela lembrou a importância do software livre para o País e as inúmeras ações em que o governo utiliza essa tecnologia.
    A ministra aproveitou para expor dados sobre o papel do brasileiro na internet, e destacou as iniciativas de uso de software livre no governo federal. “A utilização do software livre trouxe uma economia de 370 milhões de reais aos cofres públicos”, disse. Foram citados programas como o “Computador para todos”, a implantação de telecentros e o Ginga, um projeto nacional para a TV digital reconhecido internacionalmente.
    Mas foi a fala de Lula que fez o auditório parar. Improvisando de começo, ele disse que Dilma falou pelo governo e arrancou risos da platéia ao cumprimentar um bebê. “Quero cumprimentar aquela criancinha que está ali no colo e não sabe direito porque está aqui. Um dia ela vai saber.”
    O presidente defendeu o uso do software livre e disse que no Brasil “prevaleceu a idéia da liberdade e o tempero brasileiro”. Segundo ele, usar software pago é ficar “comprando e comendo a tecnologia dos outros”.
    Lula falou ainda do polêmico projeto de Lei Azeredo, que classificou como censura – “Essa lei que tá aqui não vem pra coibir os abusos na internet, ela vem para fazer censura!” – e aproveitou para comentar o termo “mais sexy do governo”: a inclusão digital.
    “Nós tiramos a população do século XVIII para o século XX com o programa Luz para Todos. Agora é hora de colocarmos eles no século XXI e pensar um programa que permita computadores para todos”, afirmou.

  • Porto-alegrenses se preparam para virar a noite lendo Guimarães Rosa

    Por Bruna Cardoso
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    Foi dada a largada da maratona literária! A 3ª edição do evento começou nesta sexta-feira às 19h no Centro Municipal de Cultura (av. Érico Veríssimo, 307).
    O livro escolhido para a maratona é o Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. As 568 páginas serão revezadas entre os participantes – cada um lê o trecho desejado. Durante os intervalos haverá apresentações artísticas, organizadas pelo Cabaré do Verbo. E para garantir que ninguém durma na maratona, será distribuído chimarrão, quentão, comidas e muito café.
    Maratonas literárias são comuns em países da Europa, aqui no Brasil o projeto é pioneiro. O tempo de duração é de 36h, e a expectativa é de que, assim como nas edições anteriores, cerca de 600 pessoas passem por lá. Leve sua caneca, sua cuia e boa leitura!
    foto: Sinai Zinn

  • Minc propõe mudanças no Código Florestal

    Por Débora Gallas
    Foi realizada nesta quinta-feira, na Assembléia Legislativa do RS, uma audiência pública para debater o Código Florestal Brasileiro, lei sancionada em 1965, e apontar possíveis mudanças e readaptações. A audiência contou com a participação do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que apresentou as propostas para o aperfeiçoamento da lei. O evento lotou o auditório Dante Barone, e foi necessária a exibição em telão no Plenarinho para que todos os presentes pudessem acompanhar a discussão.
    Minc afirmou que o Brasil “precisa produzir mais e preservar mais”. Ele iniciou falando das conquistas do governo. Em 2009, as licenças ambientais aumentaram em 60%, enquanto o desmatamento da Amazônia diminuiu também em 60%. Foram implementadas ações como o corte do crédito de desmatadores, a parceria com ONGs ambientalistas, o aumento da oferta de madeira legalizada e o monitoramento do desmatamento da produção de soja em área de preservação.
    O ministro considera que, atualmente, os problemas principais a serem resolvidos são relativos ao crescimento da pecuária. Minc cita a criação do Arco Verde, projeto que traz alternativas para o crescimento através de baixo impacto ambiental e para sustento das famílias – como, por exemplo, a substituição de atividades pecuárias pela piscicultura. As próximas metas do governo, segundo ele, são o investimento em fontes de energia renováveis e a recuperação de áreas degradadas pela exploração humana.
    As propostas para o Código Florestal foram elaboradas pelo governo juntamente com entidades como a CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), a FETRAF (Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar) e o MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores), esclareceu Minc. Abaixo, os principais pontos mencionados pelo ministro:
    1- Ele afirmou que é essencial aliar a questão ecológica à agricultura – sobretudo a agricultura familiar. Defendeu que deve haver um tratamento diferenciado para proprietários de áreas de até quatro módulos e que utilizam mão-de-obra familiar, por exemplo.
    2- Cita a legalização de culturas instaladas em encostas que possuem entre 25 e 45 graus de inclinação, especialmente a fruticultura. Em locais com mais de 45 graus, incentiva-se a manutenção de culturas de lenhosas perenes já existentes, pois ajudam a segurar a erosão e o assoreamento.
    3- Pagamento aos pequenos agricultores que prestam serviços ambientais e possibilitam a ampliação das reservas. O ministro exemplifica com as ações que implementou quando era secretário do Meio Ambiente no estado do Rio de Janeiro, onde os agricultores que fizeram trabalho de reflorestamento das matas ciliares e APPs (Áreas de Preservação Permanentes) receberam cheques como recompensa.
    4- Incentivar atividades que possibilitem rendimento, como a fruticultura, ao mesmo tempo em que as reservas são recuperadas.
    5- Averbação 100% gratuita para o agricultor familiar, que pode receber auxílio do poder público e assistência técnica também gratuitos.
    Entre os pontos considerados polêmicos pelo ministro, está a questão do prazo de três anos para o manejo nas reservas legais pelos agricultores familiares. Minc encerra, ovacionado pelo público, enfatizando a importância da educação e da conscientização ambiental no Brasil.
    O assunto mais debatido pelos integrantes da mesa foi a questão da agricultura familiar. Entre os parlamentares, Edson Brum (PMDB), presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo defende que o agricultor é parceiro do meio ambiente, mesmo que visto como vilão, e cita o plantio direto na palha como exemplo da consciência do povo gaúcho. Também afirma que há uma melhoria da qualidade da água que vem da cidade para a região rural.
    Na defesa dos pequenos produtores, adota a idéia de que esses agricultores não têm como arcar com a perda de produção e, consequentemente, de renda, que a área de reserva legal acarreta. Heitor Schuch, da Comissão de Economia, manifestou idéias parecidas: “Os agricultores são os maiores ambientalistas do estado e do país, pois, se terminar a terra, eles morrem também”. Sobre a questão do prejuízo econômico às famílias, justifica que a agricultura familiar cumpre o decreto porque não pode, e não porque não quer.
    O presidente da FAMURGS (Federação dos Municípios do RS), Marcus Vinícius Vieira Almeida, defendeu a autonomia do estado e dos municípios para legislar sobre seus próprios ecossistemas e se mostrou favorável às áreas de reserva legal. Também salientou que os produtores devem ser considerados agentes de preservação e, por isso, aqueles que não prejudicam a natureza devem ser compensados, não podem ficar a mercê dos incentivos do governo.
    O presidente da FECOAGRO, Rui Polidoro Pinto, também defendeu o debate regionalizado e a não penalização dos agricultores e cooperativas se tiverem de abrir mão de seus meios de produção. Elton Weber, presidente da FETAG (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul) afirmou que “a legislação deve ser rediscutida, pois não deve expulsar as pessoas do campo e fazer com que recebam cesta básica porque não podem produzir”.
    Já o vice-presidente da FARSUL (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul), Gedeão Silveira Pereira posicionou-se de forma contrária às reservas legais, apresentando o argumento de que elas varrerão cerca de 790 mil empregos em todo o país, pois o agronegócio representa um enorme faturamento para o Brasil. “É necessária uma maior discussão para, depois, não chorar a falta de alimentos na gôndola do supermercado”.
    Houve polêmica durante a fala da ambientalista Conceição Carrion, presidente da APEDEMA (Assembléia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente). O tempo de sua fala já havia sido dividido com o tempo de Felipe Amaral, também da APEDEMA (dois minutos e meio para cada um). Com as constantes vaias de parte da platéia, reivindicou um aumento do tempo.
    Ela começou defendendo que o Código Florestal permaneça sob a supervisão da legislação federal, uma vez que “é perigoso que esteja sob as vontades do governo do estado e das elites locais, que já permitiram grandes empreendimentos e licitações de barragens”, além de outras obras de grande impacto ambiental. Posiciona-se completamente a favor das reservas legais devido à sua importância para a manutenção da biodiversidade e o seu uso sustentável.
    Carrion acrescenta que é necessário o cumprimento da legislação ambiental pelos agricultores, frente à ameaça de “transformarmos em monoculturas os ecossistemas do Brasil, que estão entre os mais diversificados do mundo”. Ela cita o caso da monocultura de eucalipto no sul do estado, que causa um processo de esgotamento dos recursos naturais e diz que é vendido um falso discurso de que a reserva legal causaria a perda de milhões de dólares para causar pânico nos produtores, pois o agronegócio e a exportação serão prejudicados, não a demanda de alimentos pela população. Ela termina sua fala com a frase “Mesmo com a última semente sobre a terra, vão querer transformá-la em moeda”.
    Já o secretário de Meio Ambiente do RS, Berfran Rosado, falou pouco e disse menos ainda. De início, destacou a importância da produção rural no estado e a conseqüente geração de empregos e renda que a agricultura proporciona. No início de seu posicionamento, porém, ele foi interrompido pelo presidente da Assembléia, Ivar Pavan (PT). O deputado pediu a alguns presentes mais exaltados que respeitassem a fala do secretário e os demais espectadores, devido a uma faixa que ostentavam e que prejudicava a visão de boa parte do público. A faixa estampava os dizeres “Vende-se um bioma: Falar com Berfran”.
    Sobre o Código Florestal, defendeu uma modificação que o tornasse “mais democrático”. Rosado explica que o Código precisa levar em conta as peculiaridades de cada região do país para ser válido e socialmente aceito. Foi um pouco mais longe em sua fala quando sugeriu a criação de uma nova Medida Provisória que discuta os impasses da lei, dê garantias aos produtores e possibilite o manejo da Reserva Legal além do Código Florestal – e que essa MP seja encaminhada para votação imediatamente.
    O secretário também enfatizou que é fundamental o apoio aos pequenos produtores, além de destacar o pioneirismo no Rio Grande do Sul a respeito das discussões já promovidas a respeito da conservação dos recursos naturais. Ele lembra que os Códigos Ambiental e Florestal foram aprovados por unanimidade na Assembléia Legislativa do RS.