O superintendente da Trensurb, Humberto Kasper, disse na Câmara de Vereadores que as obras do metrô de Porto Alegre (Linha 2) começam em 2010 e que os trens estarão trafegando antes do fim de 2013. A Linha 2, chamada de Linha Copa, terá 22,8 quilômetros de extensão, 19 estações, interligadas com a rede de ônibus.
Serão 44 trens de quatro compartimentos cada, com capacidade para 760 passageiros. A linha sai do Centro, passando pelas avenidas Borges de Medeiros, Azenha, Bento Gonçalves, Agronomia, Estrada João de Oliveira Remião e Avenida Manoel Elias. Segundo Kasper, serão necessários R$ 3 bilhões para viabilizar a primeira fase.
O projeto completo da Linha 2 do metrô, conforme o superintendente, é de uma rede circular de metrô com 37,4 quilômetros, que contará com 31 estações e atenderá 32 bairros, totalizando 13 municípios da Região Metropolitana, universidades, escolas, hospitais e shoppings. A previsão é de que, em 2023, o metrô atenda 400 mil passageiros por dia. “Precisamos da definição se Porto Alegre vai integrar a Copa, pois é uma condição para buscar investimentos”, avaliou.
Além de Kasper, compareceram à apresentação o secretário municipal de Mobilidade Urbana, Luiz Afonso Senna; Marco Kapel Ribeiro, representante da Secretaria de Gestão e Acompanhamento Estratégico; o diretor de Operações da Trensurb, Paulo Amaral; e o gerente de Projetos da Secretaria de Mobilidade Urbana, Emílio Merino.
Autor: Elmar Bones
Trensurb promete metrô funcionando em 2013
Fogaça diz que 300 urnas seriam suficientes para referendo sobre Pontal
Por Elmar Bones
Se depender do prefeito José Fogaça o referendo sobre o Pontal do Estaleiro será restrito, como as eleições para os Conselhos Tutelares.
“Pelo custo e pela amplitude, não vejo como fazer o referendo nos moldes previstos na Constituição. O mais adequado é o sistema adotado para a eleição dos Conselhos Tutelares, com uma comissão eleitoral e a delimitação de uma região na qual seriam distribuidas as urnas”, disse o prefeito.
Ele estima que seriam suficientes “umas 300 urnas” para que a população diretamente interessada no assunto possa se manifestar.
Fogaça ressalva, porém, que esta é apenas uma sugestão baseada no bom senso e evita até mencionar uma data para a realização do referendo. “Não posso dizer à Câmara o que ela tem que fazer”, explicou.
O referendo popular é uma proposta que o prefeito incluiu no projeto de mudança da Lei Complementar 470, para permitir a construção de prédios residenciais no terreno que pertenceu ao extinto Estaleiro Só.
A mudança da Lei foi aprovada por 20 votos a 14 no final do ano passado e, em seguida, vetada pelo prefeito que devolveu à Câmara o mesmo texto, com o adendo do referendo popular para que a população se manifeste sobre o polêmico projeto.
O presidente da Câmara, Sebastião Melo, que acompanhava Fogaça na abertura da Feira do Consumidor, sábado na Redenção, evitou tratar do assunto, dizendo apenas que “tudo será decidido na segunda-feira.
Na agenda da Câmara desta segunda-feira não está previsto este assunto. Depois que o tema voltou ao plenário do legislativo, já houve uma audiência pública para discutir o projeto e já foi aprovado o parecer conjunto das Comissões Técnicas, mas a questão do referendo foi tangenciada.
O relator do projeto, vereador João Dib, o mais experiente da Casa diz que o prefeito devolveu uma “batata quente” para os vereadores ao propor um referendo, sem indicar nem como nem quando ele deverá ser feito.
Pela lei, o referendo popular tem as mesmas características de uma eleição municipal, com abrangência de toda a cidade e envolvimento do Tribunal Regional Eleitoral.Portal do Estaleiro: por que a pressa?
Uma pergunta ficou no ar ao final da Audiência Pública, que terminou já na madrugada de sexta-feira, depois de mais de seis horas de debates: por que tanta pressa em aprovar uma nova mudança na lei? Para viabilizar um projeto privado?
Esta foi a questão levantada pela maioria dos que se manifestaram no plenário da Câmara Municipal de Porto Alegre.
Nem os mais ardorosos defensores do projeto do Pontal do Estaleiro conseguiram dar uma resposta convincente.
Também não encontrou explicação plausível a proposta de um referendo que o prefeito José Fogaça embutiu no projeto ao devolvê-lo aos vereadores.
Os defensores do projeto são contra o referendo e suas intervenções na audiência pública foram todas no sentido de que a legitimidade para decidir a questão é dos vereadores.
Os que questionam o projeto, em maioria na audiência, embora não sejam contra o referendo, consideram absurdo chamar um referendo, com alto custo para o município, para que a população se manifeste sobre uma questão pontual, um terreno de 60 mil metros quadrados, no contexto de uma orla de 72 quilômetros, num momento em que todo o Plano Diretor da cidade está na Câmara exatamente para definir estas questões.
O projeto, de um grupo privado, prevê um conjunto de prédios comerciais e residenciais, articulados com áreas públicas, no terreno que pertenceu ao antigo Estaleiro Só, conhecido como Ponta do Melo.
A mudança na lei, para permitir prédios residenciais na área, foi aprovado pelo legislativo municipal no ano passado, mas recebeu veto do prefeito José Fogaça.
A proposta da audiência pública, pela Diretoria Legislativa, não entusiasmou as lideranças comunitárias e ambientalistas que são contrárias a que se mude a lei para permitir a construção de espigões na orla.

Terreno do Estaleiro SóOs outros lagos da Redenção

Segunda-feira, dia 2, choveu tanto em Porto Alegre que a Redenção ficou praticamente debaixo d’água. Quem tentava atravessar o Parque Farroupilha acabava por participar de uma dança conduzida por saltos e pés de bailarina enquanto tentava driblar as insistentes poças que surgiam pelo caminho.
Fora das regiões com calçamento, era praticamente impossível se aventurar, já que em muitos pontos a água chegava à altura dos tornozelos. Em outras regiões lagos artificiais se formavam com rapidez e impediam o avanço dos pedestres.
Nem o Monumento ao Expedicionário escapou do problema que o parque enfrenta nos dias de chuva. Problema antigo e que ainda não tem uma previsão concreta para ser solucionado.
A Redenção não possui um sistema de drenagem, fato inconcebível quando nos referimos ao maior parque da capital. Existe um projeto no DEP, mas que se encontra no papel, parado, talvez esquecido.
Enquanto isso nos resta esperar… Ou aproveitar a paisagem.

Câmara tem 11 novatos para os desafios de 2009
Por Marcelo Gigante Ortiz
A população porto-alegrense trocou quase metade dos seus representantes na Câmara Municipal. Dezessete dos 36 vereadores que deverão exercer mandato até o final de 2012, não estavam na legislatura anterior.
Entre as novidades estão Juliana Brizola (PDT), ex-secretária municipal da Juventude, eleita com expressivos 9247 votos e Waldir Canal, o primeiro a representar o Partido Republicano Brasileiro (PRB) no legislativo da capital.
Os estreantes, no entanto, são apenas 11, pois os demais já exerceram mandato interinamente ou em legislaturas anteriores. Pedro Ruas (Psol), por exemplo, já havia sido vereador, assim como Airto Ferronato (PSB) e Reginaldo Pujol (DEM). Paulinho Ruben Berta (PPS), DJ Cassiá (PTB) e Mauro Pinheiro (PT) já ocuparam cadeiras como suplentes. Pinheiro, inclusive, participou da polêmica votação sobre o projeto do Pontal do Estaleiro no final de 2008.
Apesar do novo cenário, a relação com o executivo não deve mudar muito. A base do governo que tinha 26 cadeiras ficou com 25. Os partidos que não fazem parte da administração de José Fogaça ganharam uma vaga, indo de 10 para 11.
As bancadas que não estão no governo sofreram alterações.
O PC do B, que antes contava com Maristela Maffei, não elegeu ninguém. Apesar de o partido conseguir uma boa votação com a sua coligação, e abrir três vagas na câmara, nenhum candidato comunista conseguiu superar os três vereadores eleitos pelo PPS, Elias Vidal, Paulinho Ruben Berta e Toni Proença. Em contrapartida, o PRB, com um vereador, e o Psol, com dois, estreiam na Câmara. O PSB, que no ano passado não tinha nenhum representante, elegeu Airto Ferronato.
Outro aspecto importante é a influência do executivo na disposição dos atuais membros do legislativo. Foram sete mudanças, decorrentes das chamadas de vereadores para as secretarias de José Fogaça, e mais uma, a saída de Elói Guimarães (PTB) para a Secretaria de Administração do governo Yeda Crusius.
Maurício Dziedricki (PTB), o vereador mais votado, voltou para a Secretaria Municipal de Obras e Viação (SMOV). Além de Dziedricki e Guimarães, mais um vereador eleito do PTB, dois do PDT, dois do PMDB e um do PP também foram para o executivo, abrindo espaço para os seus suplentes.
A intervenção da prefeitura também fez nascer uma bancada não criada pelo voto popular, a do Democratas. A coligação PP-DEM conseguiu quatro cadeiras no legislativo. Entretanto, os quatro mais votados eram candidatos do PP, fazendo com que o Democratas, em um primeiro momento, ficasse sem espaço. Fogaça, porém, chamou para a sua secretaria Kevin Krieger (PP), o quarto mais votado da coligação. Dessa forma, o primeiro suplente, Reginaldo Pujol, do DEM, garantiu sua vaga na Câmara.
O democrata, e todos os outros novos vereadores, já iniciaram seus mandatos com uma prova de fogo: a votação do veto do prefeito Fogaça ao projeto do Pontal do Estaleiro. Entretanto, o veto foi aprovado com facilidade pela casa. Pujol, do grupo de não reeleitos, foi o único que votou contra a proposta do executivo, mesmo fazendo parte da base aliada.
Outra questão polêmica que a nova Câmara terá que resolver é a revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (PDDUA) de Porto Alegre. Os novos vereadores terão bastante influência nessa tarefa.
Onze novatos fazem parte da comissão especial que revisará o PDDUA. Fernanda Melchionna (Psol) é a vice-presidente. Waldir Canal (PRB) é revisor da Comissão Temática de Desenvolvimento Urbano, Estratégias e Modelo Espacial. Nelcir Tessaro (PTB), Paulinho Ruben Berta (PPS), Mario Manfro (PSDB) integram a Comissão do Sistema de Planejamento e Adequação ao Estatuto da Cidade.
Na temática sobre Projetos Especiais do Centro da Cidade e do Cais do Porto, estão Airto Ferronato (PSB) e Valter Nagelstein (PMDB).
Da Comissão do Plano Regulador, fazem parte Reginaldo Pujol (DEM) e Mauro Pinheiro (PT) e na de Proteção e Preservação do Patrimônio Cultural e Natural da Cidade estão João Pancinha (PMDB) e Dr. Thiago Duarte (PDT).Um gaúcho gozador
Por João Arthur Moraes
Vindo do Stand-up comedy (espetáculo de humor de apenas um comediante no palco), o porto-alegrense de 32 anos Rafinha Bastos hoje faz sucesso nacional ao apresentar o programa CQC (Band, segunda-feira, 22h15) que mistura jornalismo e humor.

Na bancada, ao lado de Marco Luque e Marcelo Tas (imortal repórter indiscreto, Ernesto Varela), Rafinha tira sarro de tudo e de todos, tudo vira piada. No quadro apresentado por ele, o Proteste JÁ, as reclamações do povo viram, nas mãos do jornalista formado pela PUC-RS, protestos bem-humorados, e na maioria das vezes, os problemas são solucionados.
JÁ – Rafinha, você vem de um estilo de show que não era tão conhecido, o Stand-Up Comedy. O que agora é uma espécie de mania. Como você se sente sendo um dos que tornaram os humoristas desse gênero conhecidos e reconhecidos?
RAFINHA – Ser um dos primeiros a fazer este tipo de comédia é ótimo. Isso me possibilita comer bem mais gente que o pessoal mais novo.
JÁ – Qual a diferença entre o CQC, com o programa Pânico da TV, da RedeTV!?
RAFINHA – Absolutamente nenhuma.
JÁ – O que você acha dos outros programas humorísticos existentes na TV brasileira?
RAFINHA – Excelentes! No quesito, a TV Senado é imbatível.
JÁ – Os políticos que você entrevistou até hoje têm o senso de humor elevado? Qual o mais engraçado, e mais carrancudo?
RAFINHA – Acho que o Maluf vence em todas as categorias.
JÁ – Se tu pudesses fazer uma pergunta indiscreta ao Presidente Lula, qual seria?
RAFINHA – Presidente… o senhor disse que não seríamos afetados pela crise mundial, lembra?

JÁ – Tu és gaúcho, você acredita que existam piadas prontas na política do Rio Grande do Sul? Se sim, quais seriam?
RAFINHA – O Rio Grande do Sul é um Estado rico em piadas em absolutamente todas as áreas. Este ano, o CQC deve vir mais pra cá. Tomara!
JÁ – E quantos aos políticos daqui, do RS, qual você ainda quer entrevistar, e por quê?
RAFINHA – Adoraria entrevistar a Yeda. Ela ainda tem muito o que se explicar.
JÁ – No CQC, tu fazes um quadro que se chama “Proteste Já”. Qual seria o protesto do Rafinha Bastos, na cidade de Porto Alegre?
RAFINHA – Adoraria dizer, mas não posso. Já temos algumas idéias em mente e, se tudo der certo, realizaremos ainda no primeiro semestre.
JÁ – Você acha que a participação do jovem no meio político não é maior por que motivos?
RAFINHA – Falta interesse e motivação. Sobra descrença e inércia.
JÁ – Quando vens a Porto Alegre, o que curtes fazer? Aonde gosta de ir?
RAFINHA – Geralmente venho em visitas relâmpago. Visito sempre a minha mãe, meus amigos e minha tia Carmem.
JÁ – E o Tio Nelson (tio gay muito citado pelo apresentador) vai bem?
RAFINHA – Vai. Mandou um beijo na sua nádega esquerda.Inscrições para a Oficina de Formação de Atores da Terreira encerram sexta

Paulo Flores no Território Cultural da Terreira da Tribo.
A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz está com inscrições abertas para a Oficina de Formação de Atores até sexta-feira. Com aulas diárias, das 14h às 18h30, a oficina tem 18 meses de duração. Começa dia 20 de abril, após as apresentações pelo interior e principais capitais do país do espetáculo de teatro de rua O Amargo Santo da Purificação. O encerramento será em outubro de 2010.
As aulas são realizadas na sede da Terreira da Tribo, na Rua Santos Dumont 1186. As inscrições estão sendo feitas no Território Cultural do grupo, que se instalou no terreno cedido pela prefeitura em 2008, no bairro Cidade Baixa. A sede definitiva será lá, na esquina da João Alfredo com a Aureliano de Figueiredo Pinto. Mas o local, por enquanto, não tem instalações viáveis para atividades em dias de frio ou chuva.
Na oficina há disciplinas de interpretação, improvisação, expressão corporal e vocal, história do teatro brasileiro, teoria e história do teatro ocidental e história do pensamento político. São disponibilizadas 25 vagas. Até à tarde de quarta-feira, havia 45 inscritos.
A seleção é feita levando em consideração capacidade de articular o pensamento, disponibilidade para o trabalho em grupo e condições físicas necessárias para o desenvolvimento do trabalho de ator. Os inscritos devem apresentar um monólogo para a banca examinadora na data combinada e passar por uma entrevista.
É preciso talento? Paulo Flores, fundador do Ói Nóis Aqui Traveiz, responde: “A gente não trabalha com talento, mas com a vontade e a pré-disposição para o trabalho em grupo, o que não é muito comum hoje em dia”. A maior parte dos inscritos tem de 18 a 25 anos, mas há interessados com mais de 50. A idade mínima é 16.Novos vereadores da capital: Tarciso – com o aval de Brizola e do torcedor gremista

Tarciso Flecha Negra
Por Marcelo Gigante Ortiz
Não são muitos os privilegiados que entram na política por sugestão de nada mais, nada menos que Leonel de Moura Brizola. Da mesma forma, poucas pessoas tiveram a satisfação de ganhar um título mundial de clubes e jogar na seleção brasileira de futebol. Sendo assim, pode-se dizer que José Tarciso de Sousa, mais conhecido como Tarciso Flecha Negra, é um sujeito de sorte. Afirmação que pode ser sublinhada por mais uma das conquistas do ex-jogador do Grêmio: uma vaga na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, eleito com 6232 votos, pelo PDT.
Mas o virginiano de 57 anos não aceita a sorte como justificativa para o seu sucesso. Nascido na cidade mineira de São Geraldo, próxima ao Estado do Rio de Janeiro, ele enfatiza a educação que ele e seus irmãos receberam dos pais como determinante para chegar aonde chegou. “Nós éramos nove. Nossos pais eram muito humildes, mas eles nos ensinaram muito sobre o respeito, a educação, o companheirismo e o coleguismo. Acho que a maior herança que eu e meus irmãos ganhamos”, conta o ex-jogador.
Tarciso, hoje com 1,77m e 79kg, reconhece a infância humilde, mas não faz melodrama por conta da falta de dinheiro. Pelo contrário, prefere comemorar o equilíbrio emocional que adquiriu para enfrentar a vida “com dignidade”. Talvez por valorizar muito os ensinamentos dos pais ele tenha decidido que não iria repassá-los apenas aos três filhos, Gabriela (34), Marcelo (31) e Roberta (28). Em 1991, após abandonar a carreira de jogador, o Flecha Negra abriu uma escolhinha de futebol para crianças de 7 a 14 anos, com o intuito de formar cidadãos.
Ao falar de seus alunos, e das crianças como um todo, o vereador de primeira viagem se empolga e vai longe. Por suas mãos já passaram Cláudio Pitbull, Michel Bastos (que hoje joga na França) e até Ronaldinho Gaúcho, quando era bem pequeno. Mas isso não o deixa vaidoso. Tarciso fica feliz em ver seus alunos trabalhando em escritórios, em grandes empresas, ou em qualquer outro lugar que se sintam bem e tenham sucesso. Suas escolas não dão base para que os jovens necessariamente virem jogadores, mas para que aprendam a enfrentar a vida.
O vereador afirma que não faz diferenciação entre os pequenos, independente da cor ou da classe social. “Não importa se tem uma família rica ou uma família que não tem muitas condições. Criança é criança”, comenta. Inclusive, fica contrariado quando se diz que ele trabalha só com jovens desassistidos, embora o próprio deixe escapar o termo algumas vezes.
Foi dessa experiência com as crianças que Tarciso conseguiu o seu know-how para entrar na política. Não espere dele discursos teóricos sofisticados. Marx, revolução liberal francesa, princípios democráticos norte-americanos dificilmente serão citados. O ex-jogador gosta é de falar do que experimentou em sua vida prática, da sua convivência com as comunidades e com os pequenos indivíduos. É o que faz os seus olhos brilharem.
Mas o ídolo gremista tem uma referência política de peso: o ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro Leonel Brizola. O líder trabalhista, além de ser ídolo de Tarciso, foi um dos entusiastas para que ele se candidatasse a vereador em 2004, quando o Flecha Negra não conseguiu se eleger.
Outro nome que o ex-jogador gosta de citar é o do novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Tarciso, inclusive, diz ter planos de ler a sua biografia. Sobre outros livros, ele afirma gostar do autor norte-americano Sidney Sheldon. Em relação à música, ouve Cidade Negra e, para namorar, Roberto Carlos. Ele também lê Veja, gosta de filmes policias e sempre que pode assiste ao canal Record News – que tem programação noticiosa 24 horas. “Eu gosto de saber tudo que está acontecendo em São Paulo, no Rio, no Brasil”, afirma.
Ainda sobre Obama, o vereador concorda com a afirmação do democrata de que “o mundo está mudando”. Aliás, Tarciso também está mudando. Hoje em dia é pescador – termo que no futebol caracteriza o jogador que fica parado no ataque esperando a bola chegar –, coisa que no campo ele nunca foi. Mas falando sério, o hobby de Tarciso é pescar mesmo. “É uma terapia espetacular. Tu não pensas em nada. Mesmo que tu devas um milhão tu não pensas”, diz.
O que não deve sair da cabeça do vereador são as conquistas que teve na carreira de jogador. Em seu gabinete estão colados dois pôsteres do tempo em que atuava nos gramados. Um, do Grêmio campeão do mundo em 1983. O outro, da seleção brasileira de 1978, da qual Tarciso fazia parte.
Quando não está na Câmara, trabalhando na escolhinha, ou pescando, Tarciso divide um apartamento no centro de Porto Alegre com a segunda esposa, “a Jô”, que trabalha como ouvidora na RBS. Outra curiosidade sobre o Flecha Negra? Ele nasceu no dia 15 de setembro, mesmo dia em que o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, clube em que jogou 13 anos, faz aniversário. Com certeza, um predestinado.Trinta dias decisivos para a economia gaúcha em 2009
Por Elmar Bones
O clima será decisivo nos próximos 30 dias para a colheita de soja de 2009. As lavouras estão na fase da florada, momento em que não pode faltar chuva. A soja é o motor da economia agroindustrial do Rio Grande do Sul, respondendo por quase a metade da produção de grãos no Estado.
A previsão inicial da safra de soja deste ano era de 11 milhões de toneladas. Por conta da estiagem esta previsão já foi revista para 9 milhões de toneladas, ainda assim uma safra maior do que no ano passado (8 milhões de toneladas) e beneficiada por uma conjuntura internacional.
A seca já causou quebra de safra na Argentina, no Canadá e na China. Com isso, a tendência é de preços altos, suficiente para compensar as perdas na produção. A renda dos produtores segundo previsão dos especialistas não deverá ser prejudicada, o que vai amenizar o impacto da crise internacional na economia gaúcha.
A safra de grãos do Estado (soja, arroz, milho e trigo) deverá chegar aos 22,5 milhões de toneladas, um pouco menor do que a do ano passado, mas em função da situação internacional, com preços melhores.
A produção da agricultura responde por mais de 40% do PIB estadual e gera recursos que irrigam toda a economia – das pequenas oficinas no interior às butiques e confecções do Moinhos de Vento, onde os lojistas das cidades menores se abastecem.
Se houver uma quebra da sofra de soja, a queda na arrecadação de impostos pode comprometer até o ajuste fiscal da governadora Yeda Crusius7ª bienal do Mercosul quebra o paradigma de unidade temática
Por Shana Torres
A bienal do Mercosul, que acontecerá de 26 de setembro a 22 de novembro, propõe inovação em sua sétima edição. Com o conceito “Grito e Escuta-ação e reflexão” a exposição pretende incitar o visitante à critica não só no campo artístico, como social, questionando o papel do artista contemporâneo e propondo uma reflexão sobre a crise mundial.
Grito e Ação são dois elementos nos extremos de uma ligação comunicacional: o grito do artista, que quer causar impacto e reflexão no visitante através do resgate do diálogo como modelo de construção, da ação social no simples ato de ouvir e enxergar a proposta desmistificadora apresentada pela Bienal. Para tanto, acredita-se na multiplicidade de vozes e na arte dirigida a diferentes públicos.
Serão sete exposições divididas em diversas vertentes, apresentadas em espaços do Armazém do Cais do Porto, da Fundação Iberê Camargo, do Santander Cultural e do Margs:
1) O desenho como primeiro espaço de tradução do pensamento do artista. Esta mostra vai explorar o desenho estabelecendo afinidades inesperadas como, por exemplo, a exibição de obras de grandes mestres ou de artistas solidamente históricos que colocam em destaque a densidade dos processos contemporâneos.
2) Os processos de criação que interpelam as condições culturais e políticas de contextos específicos. Nesta mostra estarão projetos de artistas que usam a imagem como ferramenta questionadora do nosso contexto social e que focam seu trabalho na ação, no fazer e no pensar como sistema dinâmico e mutável na construção da obra.
3) O artista que retira os elementos de linguagem da arte e expõe suas condições de produção. Obras que se questionam sobre os processos de surgimento das próprias obras e que expandem a noção de invenção. Os artistas desta mostra vão articular narrativas pessoais cheias de ironia que questionam premissas básicas do sistema da arte – a obra como objeto visível, a obra como mercadoria. Exploram lógicas alternativas – a invisibilidade, a cotidianidade – para questionar o limite da obra de arte na atualidade.
4) O humor e o absurdo como instrumentos de resistência e liberdade. Nesta mostra pretende-se expor uma estratégia para o comentário e a crítica social sobre a vida contemporânea.
5) A transformação como ferramenta capaz de deslocar a percepção da obra e sugerir uma suspensão do tempo. Artistas serão convidados a realizar projetos que, durante o tempo de exibição da 7ª Bienal, apresentarão um ritmo de transformações constantes.
6) O diálogo com a cidade, cuja trama os artistas modificam e resignificam. Analisando as diversas manifestações artísticas e culturais próprias do ambiente urbano, pretende-se extrair os pontos fundamentais responsáveis por gerar e alimentar essas manifestações, assim como criar estruturas que as recebam e potencializem.
7) A arte como espaço de projeção de ideias, de comunicação, da imaginação. Este é um projeto vinculado aos processos visuais e comunicativos atuais. Há uma convocatória aberta a artistas de todo o mundo para apresentarem projetos “projetáveis” em seus vários sentidos: o projetável como o imaginado, aquilo que cria novos públicos ou aquilo que representa um território, como na cartografia. As inscrições estarão abertas no final de fevereiro, através do site da Bienal.
Além disso, será criado o projeto Rádio Visual, que funcionará como o centro de veiculação dos seminários e debates que ocorrerão durante o período da exposição. Com uma programação a ser produzida por artistas curadores, críticos, público escolar e geral de Porto Alegre, desde os meses que antecedem as exposições, a rádio vai transmitir obras de arte sonoras, entrevistas, e informações sobre a construção da 7ª Bienal e sobre o andamento das ações do projeto pedagógico.
O projeto pedagógico é outra inovação oferecida pela Bienal. Ele funcionará com a colaboração de doze artistas que realizarão projetos de residência em comunidades de diferentes regiões do estado, em um período anterior ao das exposições. Esse trabalho levará a confecção de um material pedagógico que será distribuído nas escolas da rede pública do estado e de outras regiões do Brasil.
A 7ª Bienal do Mercosul contará com uma equipe curatorial de artistas da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e México. Segundo os curadores-gerais, Victoria Noorthoorn e Camilo Yáñez, o projeto pretende “explorar a riqueza e a complexidade do olhar artístico e criar elos de ligação para um diálogo crítico dentro e fora dos espaços expositivos”. A intenção é quebrar o paradigma do espaço-tempo inerente às exposições e transpor a avaliação crítica para o cotidiano social.







