Autor: Elmar Bones

  • Metade das consultas do Clínicas são de pacientes do interior

    Por Demétrio Rocha Pereira
    No ano passado, mais da metade dos pacientes que passaram pelo ambulatório do Hospital de Clínicas de Porto Alegre vieram do interior e do anel metropolitano. Foram 248.220 consultas – um número que excede em quase dois mil a quantia referente aos atendimentos a porto-alegrenses. Esses índices vêm aumentando a cada ano pela prática da ambulancioterapia – termo criado para designar o transporte de pacientes do interior para os grandes centros.
    O fenômeno não é exclusividade de um ou outro hospital. Em 2006, a Capital recebia, apenas do Vale do Taquari, cerca de 250 pacientes por dia, que eram distribuídos pelos diversos estabelecimentos hospitalares da cidade. Na época, críticas já apareciam, denunciando os gastos com ambulâncias, o transtorno para os pacientes e o abarrotamento dos hospitais. Sem frear ante as repreensões, a política das ambulâncias chega a 2009 fazendo parte da rotina de ainda mais pessoas.

    Uma das tantas ambulâncias de outras cidades que chega aos hospitais de Porto Alegre | Foto: Guilherme Herz

    Reclamações e dribles
    Manhã no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Ambulâncias, vans, Kombis e microônibus se revezam na entrada principal, povoando os corredores externos do prédio com pessoas das mais diversas procedências. Esteio, Capivari do Sul, São Pedro da Serra, Camaquã. Dez minutos de observação é o bastante para que sejam catalogados os brasões de municípios gaúchos de todos os cantos, gravados na lataria dos automóveis. É a ambulancioterapia acontecendo.
    Mara Regina, 41 anos, e o filho, Henrique dos Santos Machado, 20 anos, contemplam o pátio ensolarado à frente da entrada do ambulatório. Uma vez por mês, eles saem cedo de Capão da Canoa, rumo à Capital. Chegaram às 6h30min, serão atendidos às 13h e voltarão às 21h, com uma consulta devidamente marcada para o próximo mês.
    Toda essa espera é o tempo necessário para que todos os passageiros da van da Prefeitura de Capão da Canoa sejam atendidos nos seus respectivos hospitais e horários. O veículo chega antes do primeiro compromisso médico e só regressa ao município de origem após o último paciente ter sido liberado. “Não pode ir embora enquanto tiver alguém faltando”, explica Mara.
    É diferente com quem vem na van de Parobé. De acordo com três parobenses que aguardavam a hora de entrar no ambulatório, o carro segue seu rumo se o passageiro não estiver esperando para ir embora na entrada do hospital. Os veículos saem do município três vezes por semana e voltam menos cheios se alguma visita ao médico se estender mais do que devia.
    Não é a única reclamação. Acompanhando a esposa, um morador da cidade afirma que Parobé tem carência de médicos qualificados: “A nossa sorte é conhecermos pessoas na Secretaria de Saúde”. O contato garante que a esposa seja favorecida na marcação de consultas e atendida mais rapidamente, um raro drible na costumeira demora que o processo costuma impor aos pacientes do SUS.
    Pacientes de Parobé aguardam atendimento em frente ao Hospital de Clínicas | Foto: Guilherme Herz

    Cotas divididas entre os municípios estabelecem um limite mensal de marcações. Para se esquivar do processo, uma das estratégias é ir diretamente a um posto de saúde da capital e apresentar um endereço de Porto Alegre – geralmente o de parentes ou demais conhecidos. Evidentemente, essa prática contempla tanto a quem necessita de tratamento especializado quanto a quem, simplesmente, prefere consultar com os médicos da capital.
    Diante disso, não é de se admirar que o número consultas de pessoas vindas de outras cidades do estado ultrapasse o previsto pela Central de Marcações da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre. Em 2008, a Central disponibilizou três milhões de consultas, dentre as quais 15% (450 mil) foram destinados a vagas do interior – o ambulatório do Clínicas, sozinho, absorveu quase a metade desse número.
    “Aqui é bom”
    Na mesma proporção que surgem as críticas aos sistemas de saúde de suas respectivas cidades, na fala dos entrevistados aparecem os elogios ao atendimento dos hospitais porto-alegrenses. Perguntada sobre a situação da saúde em Capão da Canoa, Mara Regina ri: “Lá, só se for pra tratar dor de barriga. Aqui é bom”.
    Quem tem ainda menos a reclamar são os enfermos de Erechim, único município gaúcho que conta com um albergue particular dentro de Porto Alegre. Estabelecimentos como esse abrigam doentes, idosos, marginalizados e viajantes em busca de estadia barata na capital gaúcha. Mas, diferente dos demais albergues da cidade – muitos patrocinados por deputados –, o de Erechim hospeda apenas moradores da “Capital da Amizade”, que chegam semanalmente a Porto Alegre.
    A vantagem também vem a calhar para motoristas como Rogério Moresco, de 32 anos: “Para nós é bom. O trajeto se resume ao transporte entre o albergue e os hospitais”. O motorista se prepara para sair. O paciente já voltou, ocupou o primeiro assento atrás de Moresco e agora espera a arrancada do automóvel. Certamente, o passeio será mais curto do que os 362 km que teve de vencer de Erechim até aqui.
    Tânia Gross, de 36 anos, viajou menos. Foram pouco mais de 100 km de Marques de Souza – da microrregião de Lajeado e Estrela – até Porto Alegre. A van, cheia, trouxe o filho de Tânia, que dorme no colo da mãe, em um dos bancos do pátio do HCPA. O menino estava em um ônibus que bateu. Veio conferir se está tudo em ordem. Percebendo uma presença estranha, ele levanta e olha para os lados, curioso, só para se certificar de que já pode deitar de novo. Parece bem.
    Perto dali, encostado em um pilar, está Sadi Santos Souza, completando os seus 53 anos de vida. Morador de Glorinha, Sadi tem vindo há “uns três ou quatro anos” ao HCPA para tratar de um câncer na garganta. A luta contra a doença é algo que o desgaste da aparência não deixa duvidar. Dessa vez, ele não veio com a ambulância municipal: “Hoje vim de ônibus. A consulta é só às 12h30min, e a ambulância sai de lá às seis e meia, sete horas da manhã”, justifica. E acrescenta: “O carro sai todo dia de lá, quase sempre cheio”.
    Antes de precisar cuidar da garganta, Sadi passou por uma cirurgia no fígado, também no Hospital de Clínicas. A cicatriz herdada da operação é uma marca que ele não faz cerimônia para mostrar ali mesmo, no lugar de onde observa ir passando aos poucos o aniversário que não pretende comemorar: “Não tem como. O dinheiro vai todo para os remédios”.
    Ambulâncias enfileiradas fazem parte do cotidiano da Sarmento Leite. No trecho em que a rua passa ao lado da Santa Casa e se encontra com a Avenida Independência, veículos estacionam diariamente. Caminhando pela calçada, é possível perceber motoristas que dormem à espera dos passageiros e passageiros que se esticam sobre leitos de ambulância à espera do atendimento.
    Entre os condutores que ali se encontram, estão Ricardo Barbosa, 36 anos, e William Renato, 35 anos. Ambos vieram de Santa Catarina, e conversam à frente da Sprinter da Prefeitura de Balneário Camboriu, dirigida por Ricardo. Ele trouxe um menino que realizou um transplante de fígado na Santa Casa, e agora precisa de acompanhamento médico. Segundo o motorista, as secretarias de saúde de seu estado costumam enviar para Porto Alegre apenas os casos mais graves. “São situações em que ficamos mais tensos. Além da distância, tem a urgência para o atendimento”, observa.
    Mas há casos que escapam à regra. William comenta que é comum a vinda de pessoas que se mudaram para Santa Catarina, mas que desejam continuar consultando com os mesmos médicos que visitavam quando moravam no Rio Grande do Sul. A conversa é interrompida pelo forte ruído do motor de um ônibus da Prefeitura de Camaquã. Perto, na entrada do Hospital Santa Clara, uma família de Novo Hamburgo, que veio de carro, se impressiona com a quantidade de camionetes e minivans que vão deixando à porta do prédio os seus passageiros.
    Emergências
    O Hospital de Pronto-Socorro de Porto Alegre não está na rota da balbúrdia das ambulâncias. A atuação do HPS está focada nos casos emergenciais. Em 2008, dos mais de 190 mil atendimentos do HPS, pouco mais de 22 mil foi a porção correspondente aos pacientes de fora da cidade. No mesmo ano, a Emergência do HCPA registrou mais de 55 mil atendimentos, dentre os quais cerca de um terço é a fração referente a pacientes do interior e da região metropolitana – uma parcela consideravelmente menor do que a observada nas estatísticas ambulatoriais.
    Mas a maior emergência parece ser outra. Segundo uma pesquisa realizada em 2006, a ambulancioterapia sugaria aproximadamente R$ 130 mil mensais dos cofres públicos dos municípios do Vale do Taquari. Algumas secretarias de saúde da região têm estudado medidas para evitar a ambulancioterapia, como a consolidação de convênios com hospitais e clínicas da região. Até mesmo o pagamento de atendimentos particulares para os pacientes parece ser preferível ao transtorno das ambulâncias. Tudo para que essas populações possam também dizer: “aqui é bom”.

  • Bruxos à solta na Redenção

    Domingo, dia 15, a Redenção foi invadida por um grupo de fãs de Harry Potter. Eles montaram acampamento no gramado do parque, participaram de jogos e piquenique.
    No final de fevereiro de 2008, os estudantes universitários Lucas de Freitas Chagas e Vicky Sharon Martini, ambos de 25 anos, fundaram aquele que viria a se tornar um dos mais conceituados fãs-clubes inspirados em filmes de fantasia do país: nascia então, em Porto Alegre, a Armada Hogwarts, influenciada pelo sucesso mundial da série Harry Potter.

    Os fundadores da Armada Hogwarts  Lucas de Freitas Chagas e Vicky Sharon Martini.
    “Eu fui morar em Londres durante oito meses. Lá eu trabalhava em um cinema e pude conhecer a escritora e os atores dos filmes, fiquei empolgada e quando voltei para o Brasil resolvi fundar a Armada”, explica Vicky.
    Desde sua fundação a Armada é responsável por agregar diversos membros, das mais variadas faixas etárias, promovendo vários eventos, que eles chamam de EP’s, ou “Encontros Potterianos”. Nestes encontros os membros trocam informações sobre os filmes, participam de gincanas, jogos e conhecem outras obras de Literatura de Fantasia.
    “Nós somos fãs de Harry Potter, mas gostamos de mostrar que existem outros filmes, livros e universos fantásticos a serem descobertos e apreciados. A Armada incentiva essa descoberta e o interesse pela leitura. Enfim, nosso objetivo é a integração dos fãs”, ressalta Lucas.

    O grupo atualmente conta com mais de mil inscritos, em todo o Brasil, e alguns membros de países como Portugal e Alemanha.
    “Todo mundo pode participar, basta se inscrever no nosso site e receber um informativo com as atividades propostas. Porém, nossos eventos acontecem somente no Rio Grande do Sul, o que impossibilita que mais membros participem de forma presencial”, constata Lucas.
    Além dos encontros promovidos, o fã clube produz filmes amadores e possui um jornal interno chamado “Pó de Flu”, trazendo informações sobre as atividades, jogos e contos ambientados no universo de Harry Potter.
    “No final de 2008 a Armada lançou seu primeiro curta-metragem: “O Conto dos Três Irmãos”, com roteiro baseado no livro “Contos de Beedle, o Bardo” de J. K. Rowling. Este ano estamos preparando um segundo fanfilm”, revelam Lucas e Vicky.

    Neste domingo, estiveram presentes aproximadamente 100 pessoas, de 10 a 50 anos, entre o piquenique e outras atividades esportivas, como uma adaptação do jogo Quadribol para ser jogado no solo. Mais informações sobre o grupo: www.armadahogwarts.com

  • Tráfico murcha no Bom Fim e floresce na Cidade Baixa

    O tráfico de drogas está decadente no Bom Fim. A avenida Osvaldo Aranha por anos foi point de distribuição para os traficantes. Na última semana de janeiro, repórteres do Jornal Já percorreram os pontos conhecidos e constataram uma redução na oferta.
    Mas, logo apurou-se que a venda de entorpecentes está deslocada para a Cidade Baixa, bairro de diversão noturna. A Redenção continua abrigando este tipo de atividade, de dia no prédio abandonado do auditório Araújo Viana e na avenida José Bonifácio à noite.
    À luz do sol, o usuário que deseje algum tipo de droga pode encontrar facilmente seu objeto de consumo na trilha entre o Araújo Viana e o parque Ramiro Souto. Entre as árvores que projetam sombra no local, ponto de passagem de famílias e amigos que pretendem se divertir nas quadras, os vendedores de entorpecentes abordam o transeunte que demonstre o menor sinal de ser um potencial comprador.
    Numa quarta-feira, o ponto tinha três pessoas fazendo o comércio: dois rapazes aparentando ter 20 anos e um sujeito de barba, prováveis 30. Eles abordam o possível cliente oferecendo maconha, mas também trabalham com outros tipos de drogas. Caso o interlocutor peça algo de consumo mais restrito, LSD, por exemplo, e eles não tenham a substância, prometem a mesma para o dia seguinte a um custo de R$ 50 a dose. Nos arredores, nenhum sinal de policiamento.
    O mapa dos pontos de venda muda após o pôr-do-sol. Às 22 horas é possível encontrar dois ou três sujeitos andando em círculos, ironicamente na frente do Colégio Militar, a poucas centenas de metros de um posto da Brigada.
    A maconha é vendida ali a partir de R$ 5, e os traficantes não parecem se incomodar com a proximidade da polícia. “Aqui é sereno”, disse um dos negociantes, que aparentava a mesma juventude de seus colegas diurnos. Quando um potencial comprador expressa intenção de adquirir a droga, eles já começam a negociação caminhando em direção ao parque, dando a entender que o produto fica escondido ali.
    O morador de Porto Alegre que não freqüentou a Osvaldo Aranha nos últimos anos estranharia o cenário. A avenida estava completamente “limpa” no primeiro dia de levantamento da reportagem, entre 18 e 23 horas, causando frustração aos usuários.
    Antigamente, era fácil identificar alguns pontos de venda de drogas na avenida, principalmente entre as esquinas com as ruas Fernandes Vieira e João Teles.
    Uma rápida busca nas redondezas, inclusive nos recantos mais ermos, como a avenida Cauduro, fazia concluir que o Bom Fim está mesmo com menos traficantes do que antes.
    O mercado do bairro, revitalizado e com acesso restrito durante a noite, deixou de ser ponto de venda.. A explicação pode estar num comentário feito por um funcionário de um tradicional estabelecimento de comércio da Osvaldo. “Limparam tudo, ainda bem”, comemorou, explicando que “eles sumiram depois que foi instalado o posto da Brigada ali no mercado. Foram todos para a Cidade Baixa”.
    Entretanto, a noite seguinte acabaria frustrando o trabalhador, já que uma dupla vendia maconha, sem encontrar problemas, na porta do local, às 23 horas, mesmo após chuva intensa. De aparência maltratada e roupas velhas, representavam, como todos os traficantes localizados por esta reportagem, o elo mais frágil e pobre de um negócio que movimenta bilhões de verdinhas ao redor do mundo.
    Não foi difícil verificar, em apenas uma noite, a existência de pontos de venda no festivo bairro citado pelo funcionário. Quem ali entrasse pela rua da República, repleta de pessoas em seus bares, logo encontraria gente vendendo maconha. Na rua Sofia Veloso, entre a República e a badalada Lima e Silva, haviam três sujeitos, um deles enrolando a droga na seda. Faziam o negócio de uma forma aparentemente mais amadora que os encontrados na Redenção, vendendo a erva sem preço fixo.
    O grande movimento da noite no bairro e a ostensiva presença de brigadianos não inibiam a atuação dos comerciantes de substâncias proibidas. Na Rua João Alfredo, entre a República e a Luiz Afonso, um sujeito ficava parado na calçada leste, apenas esperando ser abordado. “Eu não tenho aqui, mas tem no posto na vila aqui perto. Posso buscar”, explicou o rapaz. Ele afirmou estar esperando por um consumidor que lhe compraria pó e que trabalha no ramo há três anos. “Aqui é sereno”, falou, repetindo seu colega da José Bonifácio, enquanto viaturas da BM passavam na sua frente, abrindo caminho na via movimentada.
    Falando nos veículos policiais, três foram avistados na curta caminhada entre a Sofia Veloso e a João Alfredo, revelando massiva presença policial. Na tarde seguinte, lá estava o mesmo indivíduo, no mesmo local, papeando com uma pessoa que aparentemente trabalha no comércio formal da João Alfredo – e nada da polícia nesta hora..
    O preço da maconha, consumida por gente de todas as classes sociais, curiosamente rivaliza com o do crack, mais popular entre pessoas de baixa renda. Um vivente que tem as ruas da Cidade Baixa como lar, denominado Tuni, disse ser muito fácil encontrar a pedra maldita na região. “Custa uns R$ 5”, informou com naturalidade à reportagem. Mas os preços variam, chegando a ficar mais caros que a erva, o que depende do vendedor. Segundo flanelinhas do local, costumeiramente bem informados sobre o ramo, a pedra de crack pode custar até R$ 10.
    Na rua José do Patrocínio pode-se questionar algum guardador de carros. Um deles revelou a atividade de seus colegas ao redor do bar Opinião. Numa visita ao entorno do local durante a primeira noite, parecia impossível identificar alguém, já que a esquina estava repleta de freqüentadores.
    No entanto, perguntando a outro sujeito que cuida automóveis estacionados entre as esquinas com a Joaquim Nabuco e a Venâncio Aires, foi possível saber que ele faz a intermediação da venda de “erva, pó e pedra”. O usuário que desejar outra substância pode esperar por ali, segundo ele, porque o intermediário diz conhecer “quem vende”. Logo após a conversa com o rapaz, duas viaturas da Brigada passaram cheias de homens e com as sirenes ligadas, indo rapidamente para os lados da Azenha.
    A presença visível, além de chamar a atenção, não é a mais indicada nem a utilizada para abordar especificamente o tráfico de drogas em locais de grande circulação, de acordo com a corporação. Segundo o Capitão Vaine, do 9° Batalhão da Brigada Militar, responsável pela segurança na área investigada, “a viatura ostensiva acaba dispersando os locais de grande movimento, facilitando a fuga dos traficantes, e isso inclui o local onde se vende na Redenção”.
    O brigadiano à paisana faz a chamada “abordagem discreta”, o método indicado para identificar e prender os vendedores de drogas. Já a presença ostensiva, com viaturas e uniformes, é destinada a casos especiais nas vilas. Barreiras nas ruas para vistoria do interior de veículos representam a terceira forma de coibir o lucrativo negócio. Das 22 prisões por tráfico feitas pela BM em janeiro na área central de Porto Alegre, uma ocorrência foi registrada na Osvaldo e a outra na República. De acordo com o Capitão Vaine, a corporação faz o possível para combater o comércio ilegal de entorpecentes.

  • Feira de adoção de cães e gatos

    Por Daiane Menezes
    Domingo sim, domingo não, às 10h, instala-se na Redenção o Cantinho da Adoção. Ali porto-alegrenses podem levar cachorros e gatos que estão sob sua responsabilidade para tentar a sorte e talvez conseguir um novo lar. Boa parte dos animais trazidos para o Cantinho é recolhida das ruas. Outra parte vem do descuido dos donos que levaram à geração de ninhadas indesejadas.
    Na última feira havia onze gatos e seis cachorros esperando ser adotados. A maioria com idade entre dois e quatro meses. No verão, costuma ter mais gatos para doação porque é a época em que procriam mais. No inverno, é a vez dos cachorros.
    Há também no verão um aumento de animais adultos abandonados. “Os donos vão para a praia, não querem levar ou pagar hotel para deixar o bicho, aí largam por aí”, conta Débora. Os locais preferidos para o descarte são aqueles em que sabem que alguém acaba cuidando, como na Redenção, o que sobre carrega o trabalho já puxado dos voluntários.
    Terrenos em que há bastante mata também são procurados nesta hora, como se os animais domésticos fossem instantaneamente voltar a ser selvagens. “Isto parece que aplaca a consciência desses donos irresponsáveis”, explica Liège Copstein, da associação Sítio dos Bichos.
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    A primeira a chegar na feira de adoção foi Ana Lúcia. Uma gatinha toda preta, de olhos castanhos e três meses e meio de vida. Os responsáveis por ela estavam preocupados em deixá-la com a colerinha colorida para que ficasse mais bonitinha e aumentasse sua chance de adoção. Assim que foi colocada na grande gaiola em que ficam todos os gatinhos, começou a tremer e ficou embaixo de um pano por horas.
    A cachorrinha Malu é bege com preto, tem três meses e meio de idade, e chora muito. Mas quando passa um poodle, faz questão de mostrar seus dotes. Late compulsivamente. Ela ainda não é esterilizada. Na próxima vez, já terá que ser. A partir de quatro meses, todos os animais precisam ser castrados para participarem da feira de adoção. Antes disso, seus novos donos assinam um termo de compromisso e ganham da prefeitura a cirurgia para o seu bichano novo.
    Quase todos que levam animais para serem doados têm uma história triste para contar. Depois de uma convivência de meses, é difícil se desapegar. Mas não podendo ficar com todos os bichos encontrados, não há outra saída que não tentar doá-los a alguém. Dona Maria, contando os três gatinhos que tentou dar na feira, tem 16 bichos: seis cachorros e dez gatos. Está atualmente desempregada. Não tem como sustentá-los. “Eles até dormem comigo”, conta ela.
    Para evitar que os animais sejam doados e novamente abandonados, os futuros donos primeiro respondem um questionário e depois assinam um termo de compromisso. Os voluntários ficam sabendo se os interessados têm noção da responsabilidade financeira que implica um bicho (média de R$50,00 por mês de ração), o que o interessado em adotar faria se tivesse que se mudar ou quando for viajar, quantas horas o animal ficaria sozinho em casa, e que providência tomaria caso o cão ou o gato atacasse alguém ou destruísse alguma coisa da casa.

    As pessoas passam, acham eles uma gracinha, mas dessa vez ninguém os levou para casa.
    O último domingo de janeiro não foi um dia bom para os cães e gatos que esperavam uma nova casa. Além de muito quente, nenhum dos bichanos à disposição foi adotado.
    Ana Lúcia, a gata pretinha, só se estressou, tremeu e bateu em todos os companheiros de gaiola. Malu, a cachorrinha, no final da feira lambia a pata com um olhar cabisbaixo, já cansada de balançar o rabinho para todos os que se aproximavam. A justificativa para o baixo desempenho da feira: “O parque está vazio”, diz Débora. Assim fica Porto Alegre nos finais de semana do verão, com poucas pessoas e muitos bichos abandonados.
    Vitória parcial dos movimentos de proteção aos animais
    Em dezembro do ano passado, os movimentos de proteção aos animais conseguiram que o Centro de Controle de Zoonoses parasse de recolher animais e sacrificá-los. Junto com essa lei, foi aprovada a castração gratuita, financiada pela prefeitura. No entanto, a esterilização de graça só acontece quando as ONGs se articulam e vão atrás, ou quando o CCZ faz mutirões nas comunidades carentes.
    “Mas esses mutirões ainda são muito modestos”, diz Débora. As pessoas mais pobres continuam sem saber onde encontrar o serviço, e os bichos continuam procriando. Como o CCZ não mais recolhe os bichos e o programa de castração não funciona a todo vapor. Criou-se “uma situação de calamidade”, lamenta.

  • A colcha de retalhos do Plano Diretor


    Nestor Nadruz é arquiteto e urbanista. Já foi morador do Centro, Cidade Baixa, Meninos Deus, Higienópolis e Vila Assunção. É um apaixonado pela cidade. “A discussão do Plano Diretor me desgastou fisicamente, cheguei a ter depressão”, conta ele.
    Por Daiane Menezes
    A lei 434 que instituiu o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental, aprovada em 1999, já conta com 86 modificações. São leis complementares e decretos municipais que regulamentam ou alteram o PD. “Não existe mais Plano Diretor. Existe no papel, mas não realidade. As alterações são feitas em função das propostas dos grandes empreendimentos, não pensando na cidade como um todo”, diz Nestor Nadruz.
    Nadruz fala com a autoridade de quem trabalhou durante décadas na prefeitura e acompanha o desenvolvimento de Porto Alegre desde o Plano Diretor de 1961.
    “Os funcionários que fizeram esta lei usaram a mesma ideologia da construção civil. Mesmo dentro do PT. Depois, com o Fogaça, foi pior ainda. Entrou na secretaria um advogado, não um engenheiro ou um arquiteto, como era de costume. A indicação pode ser política, mas dentro de uma normativa técnica. Agora a construção civil tem carta branca”, conta ele.
    As últimas alterações feitas no PD dizem respeito aos projetos da dupla Gre-Nal. Eles foram aprovados pela Câmara Municipal no dia 29 de dezembro, quando boa parte da população porto-alegrense se encontrava a caminho da praia.
    Sua principal justificativa foi a Copa 2014. No entanto, segundo representantes do Fórum de Entidades, que congrega ONGs e associações de moradores de Porto Alegre, a Arena do Grêmio, por exemplo, certamente levaria muito mais tempo para ser construída, de forma que a Copa seria apenas uma desculpa para beneficiar os investidores.
    Entre os problemas que estes projetos acarretam estão o aumento do tráfego nos locais por causa da construção de edifícios residenciais e a sombra que estes farão na vizinhança, devido à altura dos prédios planejados. Curiosamente, apenas nos projetos dos estádios do Sul constam também a construção de edifícios.
    Divulgação
    Dos 17 estádios que concorrem para ser sede da Copa, os principais, como o Morumbi e o Maracanã (foto), não possuem edificações nos seus projetos.
    Além disso, a área do bairro Humaitá onde está prevista a construção da Arena do Grêmio é uma região de banhados protegida por lei federal. Também é considerada Área de Preservação Permanente (APP) a orla do Guaíba, onde a maioria dos vereadores pretendia levar adiante o projeto do Pontal do Estaleiro e onde se encontra o Sport Clube Internacional.
    A lei federal 4771 determina como APP a vegetação natural situada a, pelo menos, 500m dos cursos de água com largura superior a 600 metros – caso do Guaíba. Obras nesses locais precisam ser qualificadas como utilidade pública ou interesse social.
    Outro problema, segundo Nadruz, acontece após a aprovação dos projetos. “Não há seriedade. Existe um projeto, na hora o construtor muda e depois ninguém fiscaliza”.
    O projeto do Pontal do Estaleiro também tentou modificar o PD. O veto do prefeito José Fogaça a ele foi mantido pelos vereadores. Por enquanto, continua valendo a lei de 2002, que declarou o local do antigo Estaleiro Só como área de interesse cultural, turístico e paisagístico. Assim, comércio varejista, serviços e atividades especiais, como arenas esportivas e marinas, seriam permitidas no terreno, mas sem possibilidade de construções residenciais.
    A tentativa de modificação por parte dos vereadores, aprovada em 12 de novembro do ano passado, previa a construção de quatro prédios residenciais, com 12m de altura cada um, além de estacionamento subterrâneo, e mais dois edifícios de 12 andares, um comercial, com 195 salas, e um flat, com 90 apartamentos. Foi esta proposta que foi vetada pelo prefeito.
    “A primeira alteração pelo menos mantinha o espírito. Não se podem destruir essas coisas que fazem parte da história da cidade”, diz Nadruz. O Estaleiro operou ali por 45 anos e há uma memória coletiva que vincula a região a atividades navais. “A modificação não foi suficiente porque para ser economicamente viável para os empreendedores tinha que ter moradia. Agora os vereadores pensam com cabeça de empresário”, conclui.

    Pier do antigo Estaleiro Só.
    Junto com o veto, o executivo encaminhou um projeto praticamente igual ao que tinha sido aprovado pela Câmara. A principal diferença é a proposta de um referendo. O veto foi proposto com a justificativa de que o assunto merecia mais discussão com a sociedade. O envio de projeto semelhante pelo prefeito, no entanto, parece demonstrar que o governo municipal já está decidido.
    Este projeto tramita agora em regime de urgência na Câmara. Não é a primeira votação importante para a cidade relativa ao PD feita nesses momentos em que a sociedade civil fica mais desarticulada, como recesso natalino ou período de férias pré-carnaval. A situação fica mais grave quando já está em funcionamento uma comissão de discussão sobre o PD, o lugar adequado para resolver esta questão.
    A comissão foi instalada dia 4 de fevereiro. A solução para essas questões, segundo Nadruz, passa pela participação popular na sua elaboração. “As cidades criam suas características pela sociedade, não pela lógica mercadológica. Elas podem ser construídas e ampliadas, mas têm que ter limites que respeitem a morfologia, tradição e moradores, o que não acontece nesses projetos”.
    Resta saber se o resultado dos trabalhos da comissão será aprovado e se, depois da nova lei entrar em vigor, as normas serão respeitadas por todos os tipos de construções, ao contrário do que vem acontecendo.
    “Claro que esse não é um processo exclusivo nosso, é um problema globalizado. O serviço público encolheu, o neoliberalismo estabelece as regras. A prefeitura está refém da construção civil”, lamenta Nadruz.

  • Bicho também é gente

     

    A cadela Serena, da raça dog alemão. Juan Maiz. Róber. Nazareth. Rô. Lu. Estes seis seres formam o mais novo e polêmico grupo de ativistas da cidade – a turma desafia o senso comum e parece querer eliminar a diferença entre homens e bichos. Se não é tanto, é quase: eles admitem pequenas diferenças, tais como humanos não têm o faro de animais, não vemos como os linces, nem voamos com as águias.
    Eles formam o GAE, sigla para Grupo pela Abolição do Especismo – situação que ocorre quando uma espécie (no caso, os humanos) escravizam, maltratam e/ou se alimentam de outras (cães, gatos, bois, tartarugas).
    “Somos pela libertação dos animais”, diz Maria Nazareth Agra Hassen, professora de Filosofia e Antropologia da UniRitter – a mais experiente das militantes da organização.
    Os gaesistas ficaram conhecidos com seus protestos na Expointer – de todos os locais, escolherem logo a Daslú das carnes. No último Natal, atacaram o pinheirinho da Prefeitura, no Gasômetro, para sapecar nele uma penca de bichos de pelúcia, representando animais sacrificados, torturados e mortos por humanos.
    No site www.sitiodosbichos.com.br está um texto que representa com fidelidade canina o que são os bichos pros gaesitas – e como eles querem que o resto da humanidade os vejam:
    Bicho não tem que ser útil. Bicho não tem que guardar a casa, distrair as crianças, fazer companhia, guiar cegos, participar de concursos, servir de montaria, carregar cargas, espantar outros bichos, dar leite, botar ovo, dar a carne, servir de cobaia, dar o couro, ser bonito ou participar de corrida. Bicho tem direito de ser só bicho. Bicho tem direito de não nos dar a mínima, inclusive.
    Numa frase deles: “O animal é moralmente relevante”.
    Tanto respeito e liberdade para os animais tem como principal ideólogo o professor australiano Peter Singer. No mesmo nível está o cientista americano Richard Ryder, o primeiro a usar a palavra especismo, nos anos 70 – em inglês, Especism.
    A briga de gente por bichos é recente no Rio Grande do Sul, mas está mais adiantada no mundo todo. Não tem muito espaço na mídia local porque a indústria de alimentos é top anunciante e a maior exploradora de animais – logo, redes de TV e jornais não gostam de cutucar a onça com vara curta.
    E são exatamente as indústrias alimentícias os principais alvos dos gaesistas. “Eu parei de comer carne quando vi um filme mostrando como funciona a engorda e matança de animais”, diz a estudante de Medicina Rosana Rubenich, 22 aninhos, desde os 17 uma vegana. O filme foi “A carne é fraca”, produção que está pro cinema antiespecista assim como Garganta Profunda está pros filmes pornôs.
    Em sua última campanha, os gaesistas estão tentando impedir um show de rodeios chilenos que quer se apresentar em Porto Alegre, na 15ª Exposição da Federação Internacional de Cavalos Crioulos.
    Entrevistamos a cúpula do GAE na redação do JÁ. A turma posa com a cadela Serena, ela confortavelmente escarrapachada no sofá, eles sentados no chão, obedientes.
    Seu porta-voz é um professor de 26 anos chamado Juan Maiz Flores da Cunha, aparentado com o grande general dos anos 30. O nome em espanhol foi uma viagem da mãe, e se traduz como João Milho – ideal prum vegano.
    O cabeludo é Róber Bachinski, uma celebridade antiespecista. Estuda Biologia na UFRGS e levou a Faculdade à Justiça para impedir o uso de animais em aulas práticas. Ganhou em primeira instância, arrumando um problemão pros professores.
    A União recorreu para continuar judiando de bichinhos e o caso vai serpentear pelo Judiciário por muitos anos – quem tem memória de elefante que tente acompanhar.
    A última integrante da turma é Lu, mais conhecida como Tiane. Nutricionista, resgatou Serena de um circo, onde era maltratada e estava subnutrida. Elevou o animal a um patamar mais alto: “É minha irmã”. Elas vivem felizes numa família que tem ainda a mãe de Lu e mais 36 irmãos animais, cães e gatos de rua.
    Mais: você deve ter notado que além de antiespecistas, eles são todos veganos. Explicando melhor: vegano é o ponto mais alto de um ser vegetariano. É quem não só não come nada de origem animal, como não veste nada que tenha couro. Nem sandálias, nem pulseira de relógio.
    Um rápido exame nas roupas e pertences da turma constatou pastas de plástico, mochilas sintéticas, melissinha nos pés. Sabe-se que o radicalismo deles vai a ponto de jamais consumirem produtos que sejam testados em animais.
    Os veganos antiespecistas se dizem pacifistas. Não brigam com ninguém, mas demonstram um grande desprezo pelos especistas – palavra pra eles na categoria de machista e racista.
    Último lembrete. Depois de ler esta reportagem quase-manifesto, reflita um pouco: você é um especista? Se não, e se quiser se juntar a eles, acesse www.gaepoa.org

  • Fim de semana sem água em 18 bairros

    Neste sábado, 14, o abastecimento de água será interrompido em 18 bairros da capital, devido a obras do Dmae na Estação de tratamento de Água (ETA) do Moinhos de Vento, na 24 de Outubro, 200.
    A partir do meio-dia, equipes do departamento trabalharão em modificações na canalização de água bruta da estação. Segundo o órgão, a medida é necessária para prevenir vazamentos, reduzindo as perdas na operação.
    Faltará água a partir da manhã de sábado no Bom Fim, Auxiliadora, Centro, Farroupilha, Independência, Moinhos de Vento, Mont Serrat, Bela Vista, Petrópolis, Rio Branco, Santa Cecília.
    O fornecimento também será interrompido em parte dos bairros Cidade Baixa, Azenha, Floresta, Higienópolis, Santana, São João e Menino Deus.
    O DMAE informa que o abastecimento deve voltar ao normal na manhã de domingo, exceto nas regiões mais altas, como o bairro Higienópolis ou distantes do sistema, como a Azenha. Nestes locais, o serviço pode ser normalizado apenas no final do domingo. Com chuva, as obras serão adiadas.
    Para maiores informações, o SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente) do DMAE atende no número 115.

  • Servidores apontam Yeda como face da destruição

    Por Pedro Lauxen

    Outdoor com imagem da governadora será espalhado pelo Estado.
    Acabou o suspense. O rosto que aparecia encoberto em 300 outdoors espalhados pelo Estado foi revelado hoje, em manifestação organizada pelo Cpers e outros nove* sindicatos de servidores públicos. O ato, que reuniu centenas de trabalhadores e estudantes, teve início às 16h, no Parque da Harmonia, aonde se reuniram todas as entidades envolvidas na campanha que começou há 15 dias.
    Depois de discursos contra a política do executivo estadual, os sindicalistas substituíram um banner com a imagem distorcida por outro, com a foto da governadora Yeda Crussius e a inscrição “essa é a face da destruição no RS”. A partir de amanhã, 400 outdoors com a nova imagem serão espalhados pela capital e interior.

    Presidente do Cpers mostra chapéu com temas da campanha.
    Os organizadores da campanha também distribuíram mil máscaras com o rosto de Yeda e outras mil placas com os dizeres “arrocho salarial”, “destruição”, “corrupção”, “autoritarismo”, “mentira” e “violência”. Após a revelação, os manifestantes se dirigiram em marcha que durou 45 minutos até a Esquina democrática, aonde entregaram panfletos da campanha.
    Durante a semana, o Piratini estudou uma medida judicial a ser adotada para que as novas propagandas não sejam colocadas nas ruas. Sob a justificativa de que o conteúdo seria muito ofensivo e atacaria a honra da governadora. No entanto, o executivo resolveu aguardar a publicação das peças para tomar alguma atitude neste sentido. “O chapéu serviu direitinho”, sugeriu Rejane de Oliveira, presidente do Cpers, ao comentar a reação do Palácio.

    Trabalhadores se deslocaram pela Borges até a esquina democrática.
    Segundo Rejane, este tipo de manifestação é única forma de chamar a atenção do governo. “Estamos exercendo o nosso direito através de um mecanismo democrático e desempenhando um papel importante de sermos a voz da sociedade”, afirmou. Ela não teme que algum instrumento jurídico possa frear a mobilização. “Se quiserem calar os servidores, eles certamente serão derrotados”, sentenciou.
    *Os nove sindicatos que assinam a campanha juntamente com o Cpers:
    SEMAPI – Sindicato dos Empregados em Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas e de Fundações Estaduais
    SIMPE-RS – Sindicato dos Servidores do Ministério Público do RS
    SINDET-RS – Sindicato dos Servidores do Detran do RS
    SINDIÁGUA-RS – Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto do Estado do Rio Grande do Sul
    SINDSEP-RS – Sindicato dos Servidores Públicos do RS
    SINDICAIXA – Sindicado dos Servidores da Caixa Econômica Estadual do RS
    UGEIRM – Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia
    SINDIJUS – Sindicato dos Servidores da Justiça do RS
    FEEB-RS – Federação dos Bancários do Rio Grande do Sul

  • Instituições organizam Corredor Cultural do Bom Fim

    O Memorial da Justiça do Trabalho, com o objetivo de integrar as atividades culturais do bairro, propõe o Corredor Cultural do Bom Fim. Duas idéias que compõem o projeto estão com o orçamento aprovado e começam a ser colocadas em prática: o Mapa Cultural do bairro e a Feira do Livro do Bom Fim.
    As instituições culturais que participam do projeto são os museus da UFRGS, da História da Medicina do Rio Grande do Sul, a Sociedade Italiana, o Clube de Cultura de Porto Alegre, o Museu Casarão da Várzea Porto Alegre, o bar Ocidente, o Jornal Já e, claro, o Memorial da Justiça do Trabalho. A expectativa é que pelo menos mais três instituições confirmem a participação.
    O mapa deve ficar pronto dia 25 de abril, quando será realizada a feira, no último dia da Semana do Livro de Porto Alegre. Também constará neste mapa as livrarias que participarão do evento: a Zouk, a Letras e Companhia e a Palavraria. No evento, haverá ainda exposição de livros do Já Editores e de livros editados pelo Tribunal de Justiça do Trabalho e pelo Museu de Medicina. Espera-se a confirmação de participação de outras seis livrarias.
    No dia da feira, além da distribuição do mapa cultural do bairro, que depois ficará a disposição dos interessados nos estabelecimentos participantes, haverá apresentação de um grupo de canto folclórico italiano, divulgação de cursos e oficina de contação de história e conservação de livros para crianças.
    As instituições culturais interessadas em participar do Corredor Cultural podem entrar em contato com Benito Schmidt, diretor do Memorial, pelo email bschimidt@trt4.jus.br ou pelo telefone 3222-9580.