
Por Daiane Menezes
O incêndio de segunda-feira na Vila Chocolatão destruiu quase metade dos casebres, mais de 50. Passa de 250 o número de desabrigados. A maior parte deles é crianças. Depois da chuva da noite de quarta, o terreno estava todo embarrado.
Seu Paulo Roberto Soares Correia fazia um sopão para sua família com um pacote de massa. Além disso, café preto. Ele está morando provisoriamente num galpão de reciclagem com sua mulher, seus quatro filhos e seus cachorros – um deles chama-se Faísca. Nome ruim para um cão que vive em um local que incendiou sete vezes desde 2003.
Paulo aponta para a região agora terraplanada e diz “eu moro ali, queimou tudo”. Apesar das perdas provocadas pelos incêndios recorrentes e do prazo de dez meses que têm para deixar o terreno da Justiça Federal, o discurso dos moradores é sempre o mesmo. “Vão fazer casas de emergência, mas o pessoal não quer sair daqui. É uma questão de sobrevivência”, diz ele. Na mesma linha, Marlene Isabel Queiroz de Souza, moradora da Chocolatão desde 1984, argumenta: “lá na Zona Norte vamos morrer de fome, porque aqui todo mundo puxa carro”. A maior fonte de renda da comunidade é a separação de lixo reciclável.
Na vila há muita solidariedade. “Cada pessoa agasalhou uma família”, diz Marlene. Há quase tanto cachorro quanto pessoas em frente aos barracos que sobraram. No meio do terreno há ainda alguns sinais da queimada, mas já está limpo e aterrado. Ali serão construídas casas de emergência, de 3 metros por 3 metros. Três bares queimaram, com todos os produtos que eram vendidos e o dinheiro. Antônio Lázaro Silva de Oliveira também não teve sorte: “Estou na casa de um vizinho. Não deu para salvar nem os documentos”.
Doações de estantes e armários foram feitas de forma misteriosa. No bar Dois Irmãos, que não foi atingido pelo fogo, Fabiano diz: “Se não foi um anjo, foi uma anja”. Se aqueles móveis vão caber nas casas que deverão ser construídas para a comunidade, é outra questão. Neste bar, alguns objetos que foram salvos das chamas, entre eles um fogão de seis bocas e uma moto.
Outros pavilhões de separação de lixo também viraram dormitórios. Na vila há uma pracinha e uma estrutura de banheiros com tanques de lavar roupa. Os casebres construídos com lonas, telhas e madeira, junto com o lixo espalhado pelo chão, produzem um colorido estranho para a paisagem. O café da manhã da criançada da vila foi banana e copinhos d’água. Um ou outro adulto apareceu com um pedaço de pão na mão. Na casa onde a comida é distribuída há também pilhas de roupas.
De todos os políticos que passaram pela Chocolatão na época da eleição, só apareceram por lá durante o incêndio os vereadores Pedro Ruas e Carlos Comassetto, e o prefeito Fogaça, que “entrou lá por trás, pelo lado limpo”, diz Tia Lena. Ao sair da vila, o homem que veio junto com os caminhões preparar o terreno para a construção das casas de emergência disse: “Pessoal relaxado, deixa tudo sujo”. Não é por nada, afinal eles vivem recolhendo lixo nas ruas.
Autor: Elmar Bones
Depois do fogo, a chuva bate na Vila Chocolatão
Crianças da Vila: miséria ao amanhecer Bom Fim imune à crise
Por Pedro Lauxen
A crise internacional parece não ter chegado ainda ao Bom Fim. Na semana em que a poderosa Microsoft despediu 5 mil empregados e em que dois grandes bancos americanos quebraram, a maioria dos negócios do bairro continua faturando bem, dentro dos altos e baixos comuns do mercado.
Numa amostragem feita pelo Jornal Já, nota-se pequenos sinais de aperto, mas nada de assustar. Segundo Paulo Marcadenti, gerente da loja de móveis Pórtico, “até outubro as coisas iam bem, mas em novembro e dezembro as vendas caíram” – justamente os dois piores meses da crise global.
No mercadinho Lelo, a proprietária Denise Saldanha defende a tese de que os dois últimos meses foram ruins para todos por causa da cidade vazia, quando milhares deixam a capital para veranear, fenômeno já experimentado em anos anteriores. É da mesma opinião seu Don Levy, 75 anos, dono da lojinha Dennys, de cuecas e lingeries, da Osvaldo.
A tradicional Rainha das Noivas sentiu uma queda nas vendas, mas a gerente Joseane Beatriz Pereira Pires mantém a calma e pretende vencer o momento com naturalidade. “Vamos seguir trabalhando que isso passa”, projetou. Responsável por nove funcionários, Joseane não precisou fazer nenhum corte de pessoal – e desemprego é sempre o primeiro sinal da crise.
Joseane Pires, responsável pela Rainha das Noivas.
Na área de serviços, o barbeiro Francisco Freitas, da rua João Teles, não viu nenhuma diminuição anormal nos negócios: “Uma pequena redução na freguesia é mais pela praia, porque crise sempre teve nos 43 anos que tenho de Bom Fim”.
Seu Chico não sentiu os efeitos da crise.
Sempre movimentado, o restaurante Casarão não enfrenta dificuldades, mas já pode sentir diferenças nos custos da matéria-prima. Segundo a proprietária, que está atenta às possíveis consequencias da crise, “a carne vermelha está muito cara, estamos priorizando outras carnes no buffet”. O número de almoços vendidos era 30% maior no mesmo período do ano passado e a dona sabe bem por que. “Algumas empresas que não demitiram funcionários, com essa crise cortaram benefícios, como o valor do vale refeição”. explicou.
Não houve grandes efeitos no setor imobiliário. Cláudia Mendes, 31 anos, encarregada do setor de locação da Adacom está vibrando com a procura por aluguel de imóveis. “Esta época sempre é boa porque vem muitos estudantes do interior pro vestibular, mas este ano está acima da média”, lembrou. O movimento nas vendas é estável.
Bianca Aranda, vendedora da loja de moda jovem Forman 4, no conjunto comercial da Vasco da Gama esquina com João Telles, sente falta dos clientes e das comissões que ganha a cada venda. Ela contou que o patrão abriu uma loja em Tramandaí para atender os veranistas, “mas lá também está fraco”. “Acho que o problema não é só pelas férias”, incapaz de ligar o que acontece no balcão com a crise internacional.
No Mercado do Bom Fim,dona Leni Santos, da Flora do Sul, lamenta que o Natal não rendeu nem perto do previsto. “Em dezembro devo ter vendido umas 30 folhagens, sendo que só no sábado eu já vendi 40”. Ela não vê uma influência internacional e reza pra que as coisas melhorem em março.
Um que não culpa nem a crise nem ao veraneio pela baixa nos negócios é o vendedor ambulante Paulo Pereira, 43 anos, 30 deles oferecendo água e refri no parque da Redenção: “Tô acostumado, às vezes passo a tarde inteira aqui e não vendo nada, mas tem dia que dá bastante”.Ex-empregados tomam calote do Estaleiro
Por Daiane Menezes
Anunciado como grande negócio para Porto Alegre, aquele que poderia revitalizar a orla do Guaíba, o projeto do Pontal Estaleiro ainda não saiu do papel, mas já tem pelo menos 600 perdedores. São os ex-funcionários da empresa, que deveriam ter recebido 14 milhões em salários. O leilão do imóvel do Estaleiro Só para pagar as dívidas trabalhistas foi determinado pela Justiça em 1999, a venda saiu em 2005, mas até hoje a turma não viu a cor do dinheiro.
Em 2004, de acordo do Moacyr da Rocha Curi, representante dos ex-empregados do Estaleiro, a área estava avaliada em R$ 26 milhões. Estranhamente, em 2005, quando os empregados já esperavam por seu dinheiro a seis anos, o terreno foi arrematado por 7,2 milhões, quase quatro vezes menos do que a avaliação e pouco mais da metade do valor da dívida com os empregados.
Dos 7,2, metade ficou retido pelo síndico da massa falida. Os trabalhadores recorreram novamente à Justiça tentando tentando receber a parte que lhes cabe – e o processo está à deriva no Judiciário.
Moacyr conta que por muitos anos “trabalhar no Estaleiro Só era motivo de orgulho”. Nos anos 70 a empresa tinha um centro de formação de soldadores, caldeireiros, tubuladores e eletricistas. Segundo ele, ainda hoje ter na carteira de trabalho que foi empregado lá abre muitas portas. Nos tempos áureos, até os presidentes da República compareciam nos batismos de navios. Na entrega de um deles, em que general Castello Branco compareceu, o navio “não quis descer da rampa onde foi construído, ficou envergonhado”, brinca Moacyr, talvez fazendo referência à ditadura que vigorava na época.
“Quem veio aqui há quinze anos… Eu nem gosto de andar muito aqui dentro”, diz Moacyr Curi. (Foto: Thiago Piccoli)
No entanto, a vida dos operários não era moleza. Até a década de 80, o mestre de obras não chamava os funcionários pelo nome. Ele simplesmente apitava, e todos tinham que olhar para saber com quem o chefe queria falar. Mesmo no inverno, os navios eram colocados na água com força humana. Para combater o frio, o mestre dava um cálice de conhaque para o operário que saía do rio.
A situação começou a melhorar quando os superiores da velha guarda se aposentaram e o estaleiro começou a modernizar-se. Porém, em seguida vieram anos ruins para o setor naval, que deixou de receber tantos financiamentos estatais. A orientação do governo da ditadura militar mudou para investir nos transportes ferroviário e rodoviário. O Estaleiro Só diversificou suas atividades, fabricando caldeiraria, peças de metal para maquinário industrial, o que chegou a dar uma sobrevida à empresa.
O ponto mais crítico foi uma violenta explosão, provocada por um soldador que perfurou a base de óleo de um navio. Nessa ocasião, o fogo invadiu as instalações. Em seguida, centenas de funcionários foram demitidos.
Poucas coisas não foram furtadas do local. O cofre onde se guardavam os segredos industriais, os raios X dos navios, é uma delas. (Foto: Thiago Piccoli)
Os últimos administradores alugaram o local para as escolas de samba Bambas da Orgia, Imperadores do Samba e Restinga. O negócio também não funcionou. Elas fizeram uma dívida de 12 milhões em água e luz. Hoje, fora os seguranças que se revezam cuidando o local, a situação é de completo abandono. Nos escombros há restos que mostram que ali já houve uma grande empresa. Ela chegou a ter 3 mil funcionários.
Todos querem, ex-empregados e porto-alegrenses, que a área seja bem aproveitada. A questão é: às custas de quem ?
Estaleiro Só: ruínas e dívidas. (Foto: Thiago Piccoli) Policiais vão à Justiça contra dívida no holerite
O Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do RS – UGEIRM assinou hoje um contrato com o escritório Garrastazu Advogados de Porto Alegre. A proposta da parceria é controlar as situações de “superendividamento” da classe.
Pressionados pelo aviltamento de seus salários ao longo dos anos, um significativo percentual dos agentes da polícia civil se obrigou a buscar empréstimos com descontos em folha. “Em alguns casos houve comprometimento de mais de 90% do salário”, informa o advogado Artur Garrastazu.
Segundo o advogado, “o princípio constitucional da dignidade do ser humano impõe que se estabeleça um limite razoável para o total de descontos salariais”.
Garrastazu defende que este limite seja de no máximo 30% dos vencimentos brutos para o atendimento dos descontos facultativos. “O trabalhador tem direito de ter 70% de sua renda para o pagamento dos descontos obrigatórios, como impostos e previdência e para a sobrevivência de sua família”, esclarece.
De acordo com o UGEIRM, estima-se que cerca de 60% dos policiais civis apresentem um comprometimento de mais da metade de seus vencimentos com empréstimos consignados.
O advogado explica que na maioria dos casos é necessária a interferência do Judiciário para alongar o perfil da dívida, garantindo assim que o banco receba o valor que emprestou ao cidadão.
“O que buscamos é um equilíbrio entre o direito do banco em receber o que emprestou e a necessidade do homem a uma sobrevivência digna”, informa Garrastazu. A proposta do escritório é evitar que o policial enfrente uma situação de aguda miséria em função da exagerada drenagem de seus salários em prol dos juros cobrados pelos bancos.Descida da Borges transferida para dia 23
A tradicional “Descida da Borges”, que relembra os antigos carnavais da Capital, do dia 16 foi transferida para o próximo dia 23. Segundo informações da Prefeitura, os acadêmicos decidiram adiar a apresentação da última sexta-feira em homenagem à delegação do Brasil de Pelotas, que se acidentou na semana passada, deixando três mortos.
Além disto, a abertura do carnaval, que estava programada para ocorrer no Paço Municipal, foi cancelada devido ao luto estadual.
O trajeto dos desfiles se inicia na Esquina Democrática e termina no Mercado Público, com expectativa de mais de 10 mil pessoas. As escolas de samba Protegidos da Princesa Isabel, Unidos de Vila Isabel e Bambas da Orgia desfilam a partir das 20h30, com concentração na Esquina Democrática, às 20h.
A programação da “Descida da Borges” segue até o dia 30 de janeiro
23 de janeiro
Acadêmicos de Gravataí
Academia de Samba Praiana
Imperatriz Dona Leopoldina
30 de janeiro
Grupo de Acesso – (representações das sete escolas)
União da Vila do IAPI
Império da Zona NorteCinema como Porto Alegre nunca viu
Por Emily Canto Nunes
Em dezembro, o shopping Iguatemi inaugurou seis salas de exibição. “Cinema como Porto Alegre Nunca Viu” é o texto de propaganda. De fato, eu nunca tinha visto um atendimento tão ruim quanto esse.
Fui lá assistir dois dos grandes sucessos de bilheteria em cartaz. Foram duas experiências infelizes. Entre todas as tecnologias esperadas – som sei lá das quantas e tela com sei lá qual definição – o GNC do Iguatemi oferece a compra de ingresso com lugar marcado, aliás, o grande trunfo da rede.
Antes de criticar é necessário fazer justiça aos outros serviços que o cinema oferece: lounge confortável, bilheterias especiais para atendimento a crianças e cadeirantes, sala para projeção em 3D e sala com som THX, telas gigantes de alta definição, poltronas reclináveis e duas bomboniéres.
Em tese, o sistema de local marcado seria o fim das filas. No guichê, uma atendente mostra numa tela os assentos disponíveis. Além da rapidez, o lugar marcado evita aquele constrangimento de pedir para o cara ao lado mudar de lugar para que você e seu acompanhante caibam nas duas poltronas que restam naquela fila. Também existe a possibilidade do cliente comprar o ingresso antecipado com lugar marcado através de um dos totens de auto-atendimento localizados por perto. Tudo muito bonito, tudo muito bom, mas, na prática, não foi tão legal assim.
No sábado 10, fui ver Bolt – Supercão (sim, dublado) com meu primo de cinco anos. Após alguns minutos toleráveis de atraso, o filme iniciou. Passados os trailers, começou aquela inconfundível e característica sucessão de logos dos filmes brasileiros e eu me questionei sobre quanto desinformada estava para não saber que o filme que veríamos era brasileiro.
Durante o prólogo, notei uma movimentação de mães da platéia, mas não dei bola, estava mais preocupada em me afundar na poltrona confortável e me preparar para as horas que viriam a seguir: os desenhos tinham vozes tão chatas e eram tão bobos que se meu primo de cinco anos pedisse para ir embora no meio da sessão eu não me espantaria e concordaria de imediato.
Porém, assim que apareceu o título do filme – O Grilo Feliz E Os Insetos Gigantes – a projeção parou. Sim, alguém errou o filme, não eu. Mais alguns minutos de espera e a sessão que era para durar 1h36min durou praticamente duas horas. O comentário do meu primo, após a sessão, foi: “Gostei. Só achei muito comprido”.
Já no domingo 11, retornei ao mesmo cinema com uma amiga para ver A Troca, de Clint Eastwood. Chegamos 10 minutos antes de iniciar a sessão. Ao nos dirigirmos à sala, deparamo-nos com o impossível: uma fila. A sessão estava atrasada. E, pelo número de pessoas esperando próximo às portas, não era somente a nossa. Mas, e aquela história de escolher o lugar para acabar com as filas? Ba-le-la. Após 10 minutos aguardando, finalmente entramos na sala e sentamos para, sim, aguardar por mais outros 15 minutos o filme começar. As pessoas chegaram a bater palmas em protesto, o que motivou uma funcionária a entrar na sala e tentar explicar, sem sucesso, o ocorrido. Ou melhor, o inexplicável.
Cinema que cobra caro e atrasa muito o início da sessão mesmo funcionando com sistema de lugar marcado é algo que, realmente, Porto Alegre nunca tinha visto.Janeiro do RS recebe a marca de uma chacina
O caso, por ora, enquadra-se dentro da violência, ou seja, está distante daquilo que o complexo da segurança pública poderia prevenir e, muito menos, evitar. Mas a elucida-ção é tarefa dos serviços de inteligência.
A polícia identificou as vítimas da chacina ocorrida na madrugada de ontem em Santa Rosa, Noroeste do estado. Quatro pessoas foram encontradas mortas, a tiros, em um Vectra, às margens da RS- 307, na localidade de Ilhinha, na Linha 7 de Setembro. O corpo de Adir Hintz, 44 anos, estava ao lado do carro, com as mãos amarradas. No banco traseiro estavam os corpos de Raquel Nascimento Oliveira, 22 anos e das irmãs Clenice e Berenice Siqueira, de 16 e 18 anos. As vítimas, segundo o delegado Mário Steffens, teriam jantado em um estabelecimento em Tuparendi e também teriam sido avistadas no município de Giruá. Seja quem ou quais forem os assassinos, eles não queriam deixar testemunhas. É temerária qualquer análise inicial sobre a barbárie. De qualquer forma, este crime vai eclipsar, na mídia, todos os últimos assassinatos ocorridos no Estado.
IDOSOS
A Operação Estrela no Verão da Polícia Civil, promoverá, hoje, às 9h30min, palestra informativa para o público da terceira idade. O evento ocorrerá junto à tenda do Sesc, na beira da praia de Capão da Canoa.
A policial da Delegacia de Proteção ao Idoso, Najla Rodrigues dos Santos. será a palestrante. Ela vai informar o público sobre prevenção contra golpes e esclarecer sobre procedimentos no caso de violência contra o idoso.
ABIGEATO
A Polícia Civil realizou, quarta-feira, a operação “Cerca Viva” na cidade de Salto do Jacuí. A ação visou o combate ao crime de abigeato. Houve a prisão de cinco pessoas, com idades entre 36 e 49 anos e a apreensão de serras, facas e facões. Também foram apreendidos um Corcel e uma Brasília, uma motocicleta. A operação foi coordenada pela delegada Lylian Ribeiro Carús.
JOGATINA
Quarta-feira, em Porto Alegre, foram apreendidas 37 máquinas caça-níqueis em ações realizadas pela polícia nas avenidas Assis Brasil e Venâncio Aires. Participaram da operação agentes da 2ª DP, 8ª DP, Delegacia de Proteção Para o Idoso e Delegacia para a Mulher, sob o comando da delegada Adriana Regina da Costa. Agentes da Delegacia de Polícia de Gramado, coordenados pelo delegado Gustavo Celiberto Barcellos, apreenderam, ontem, 17 máquinas. Nessas perigosas diligências, ninguém restou ferido.
ASSALTO (1)
Cinco homens armados assaltaram, ontem, um prédio residencial na rua José de Alencar, no bairro Menino Deus, na capital. A quadrilha rendeu e agrediu o porteiro, Santiler Frei Piegas, de 54 anos, e levou o computador do sistema de monitoramento de vídeo do prédio, e escapou em um carro preto. Antes de tudo isso, uma moradora do prédio, atacada pelos bandidos conseguiu fugir e avisar a polícia que, quando chegou, nada era possível fazer a não ser registrar a ocorrência.
ASSALTO (2)
Quatro homens atacaram, na noite de terça-feira, a churrascaria A-rizona, no bairro Partenon, rendendo o proprietário, Gleisson Manica, que foi atingido por coronhada na cabeça mas ainda assim conseguiu acionar a polícia pelo 190. O tenente coronel Flávio Vezuri da Silva, que comanda o policiamento da área, realtou que os criminosos tentaram fugir atirando. Os dois bandidos que ficaram na churrascaria mantiveram o proprietário refém por cerca de uma hora e se entregaram após as negociações. Um deles é menor de idade.
ASSASSINATO
O entregador de pizza Valdir Fontes Possa de 37 anos foi assassinado no bairro Sarandi na zona norte da capital. Criminosos pediram a pizza e balearam o entregador com dois tiros, na noite de terça-feira, depois fugiram sem levar nada.
BOMBA
A Brigada Militar apreendeu, ontem, três explosivos artesanais em uma casa da Vila das Laranjeiras, em Porto Alegre. No local foram encon-trados um colete balístico, uma pistola 9 milímetros, munição e 40 pedras de crack. Um homem foi preso.
DROGAS
A Susepe iniciou discussões para a elaboração, a curto prazo, para combater a epidemia do crack dentro do sistema prisional do RS. Isso é uma boa e, ao mesmo tempo, assustadora notícia. Se é preciso elaborar um plano para combater o tráfico e o uso de crack ou de qualquer outra droga ilícita dentro dos presídios, o que se pode dizer sobre que acontece fora das casas prisionais?
wander.cs@terra;com.brA nova estratégia da Brigada Militar
Ainda em janeiro, em todo o estado, deverá ser implantada a estratégia da era Trindade.
Baixada a poeira dos arrastões legais monitorados pelo indormido e onipresente coronel Paulo Roberto Mendes, quando no comando geral da Brigada Militar, eis que o seu sucessor, o coronel João Carlos Trindade, acena com uma nova proposta para o campo das ações do policiamento ostensivo do RS. Segundo Trindade, está quase tudo pronto, inclusive com um fato novo: não foi esquecido na proposta, ainda velada, o entrosamento com a Polícia Civil. Como da minha torre, mesmo com vista desarmada, consigo ter uma visão panorâmica sobre essas mudanças, que acompanho há cinco décadas, creio que há dois estrategistas principais na proposta brigadiana. Um deles é o próprio Trindade, que é um policial dialético e, outro, é o coronel Jones Calixtrato, comandante do CPC (Comando de Policiamento da Capital). Como primeiro executivo da área operacional, está o subcomandante da corporação, coronel Lauro Binsfeld. Isso vai dar certo? Sigam-me.
Recusa
O novo projeto da Brigada está pronto e somente será submetido a reciclagens durante a sua aplicação, o que é absolutamente normal e inevitável. Um dos indicativos de que a estratégia está totalmente traçada foi a recusa recente da pasta da Segurança de receber a ajuda de um pelotão da Força Nacional de Segurança, oferecida pelo Ministério da Justiça, para combater a abigeato. Creio que o plano dará um salto inicial contra a criminalidade nos principais centros urbanos do estado e enfrentará para valer os abigeatários. No entanto, não continuará a funcionar nem perto do ideal porque o governo, como sempre, não fornecerá os recursos necessários para que isso aconteça. Ao arriscar esta afirmação, sou o primeiro a torcer para que eu esteja enganado.
Jogo
Em Bento Gonçalves, segunda-feira, a Polícia Civil apreendeu 21 máquinas caça-níqueis numa operação coordenada pelo delegado Álvaro Luiz Pacheco Becker. Em Torres, houve ação semelhante na rua coronel Pacheco e 12 máquinas foram apreendidas. Em Porto Alegre, a Brigada Militar apreendeu 27 máquinas na avenida Assis Brasil. Ninguém ficou ferido.
Comandos
Ontem, o tenente coronel Altair de Freitas Cunha assumiu o 1º Comando Regional de Bombeiros em cerimônia realizada na sede da unidade no BAirro Praia de Belas. Também ontem, houve a posse do coronel Edar Borges Machado no Comando Rodoviário da Brigada Militar.
Detonação
Uma granada foi encontrada, ontem, na calçada em frente a uma residência na rua Antônio José Santana, bairro Agronomia, zona Leste de Porto Alegre. A área foi isolada e o Gate da Brigada Militar fez a detonação no local. O artefato estava sem o pino de segurança.
Líder
A Brigada Militar prendeu, na noite de segunda-feira, um homem tido como líder do tráfico de drogas na vila Chocolatão, no centro de Porto Alegre. De acordo com o sargento Antônio de Godói, no momento da abordagem Fabiano Aguirre Silveira, de 31 anos, estava em um bar, dentro da vila, oculto em baixo de uma cama. Ele não resistiu a prisão.
Execução
Um homem, ainda não identificado, foi executado, com três tiros na cabeça, na madrugada de ontem, na vila Anair, em Cachoeirinha. O corpo estava na rua Caiçara.
Homicídio
Um casal foi preso, na noite de segunda-feira, pelo assassinato de uma funcionária da Câmara Municipal de Porto Alegre. Márcia Terezinha Santos Mendes, de 50 anos, foi encontrada amordaçada e morta no dia 23 de novembro de 2008 na RS 118, em Viamão. O entregador de jornais Matini Viano Pinheiro Brito, de 30 anos e a dona de casa Patrícia Regina Dor, de 26 confessaram o crime. Segundo o titular da 1ª DP de Viamão, Marcos Machado, o crime envolve causas passionais.
Entrosamento
Dois pontos positivos na área da 3ª DP Regional da Polícia Civil, sediada em São Leopoldo e que tem como titular o delegado João Bancolini. Em primeiro plano, está a eficiência do funcionamento da equipe Volante, que opera 24 por dia atendendo os casos de maior gravidade da região. Junta-se a isso o pleno entrosamento entre a Polícia Civil e a Brigada Militar em todas as ações que têm sido realizadas no últimos meses. Graças a isso, a execução do jovem Cristiano Dias Zacarias, de 19 anos, ocorrido às 4h da madrugada de ontem, às 8h estava plenamente elucidada. Foram presos Miguel Silveira, 45 anos, e Cesar Leandro da Silva, 33 anos, que, segundo a polícia, mataram Cristiano a facadas.
Wander.cs@terra.com.brA volta do Los Hermanos
Por Thiago Piccoli
Para muitos poderia ser apenas uma frase onírica, mas aos poucos o que se tratava de boato vem tomando consistência e deixando os fãs com uma pulga atrás da orelha após as notícias de que a banda abriria o show do Radiohead em São Paulo e no Rio de Janeiro em Março deste ano. Será mesmo que Los Hermanos voltará?
Foto: Thiago Piccoli
A banda anunciou uma parada “estratégica” em junho de 2007, e os integrantes deram sumiço até o início de 2008, quando re-apareceram na mídia separados, cada um com um trabalho diferente. Marcelo Camelo lançou o elogiadíssimo “Sou”, Rodrigo Barba assumiu as baquetas da big band Canastra, Bruno Medina assina um blog e, mais recentemente, Rodrigo Amarante lançou “Little Joy” ao lado do baterista dos Strokes. Os fãs se deliciaram com estes trabalhos, porém o vácuo existia.
Segundo o blog URBe, confirmando-se o boato, resta aos fãs correrem atrás dos últimos ingressos. Os shows ocorreriam nos dias 20 e 22 de Março, no Rio de Janeiro e São Paulo, dentro da programação do festival Just a Fest. Uma fonte segura garantiu que a divulgação começará em breve, e os shows podem se esticar para outros lugares do país.A disputa do asfalto da José Bonifácio
Por Daiane Menezes

Indígenas disputam espaço com feirantes.
O convívio na Redenção entre índios e brancos não tem sido tranqüilo. Os feirantes reclamam que os indígenas ocupam espaço além do permitido e comercializam produtos não-artesanais, o que é proibido pelo regulamento do Brique. Eles chegam a acusar os índios, que justificam a situação, de terem virado camelôs.
O vice-cacique caingangue, Cláudio, diz que “eles estavam reclamando que o material não estava sendo muito natural”. Mas explica: “Muitos não têm mais o material que tinham nas aldeias. Se não tem casca tem que fazer com linha, se não tem linha, faz com arame”. Ao observar as bancas dos índios, percebe-se que algumas têm todos os seus artigos feitos à mão, ainda que alguns comprem sementes por não conseguirem colhê-las. Vendem-se brincos com penas, correntes e pulseiras, tapetes e bolas de cipós, balaios e cestas, suporte para panelas e casas de passarinhos, cobras, corujas e felinos pintados.
Existem, no entanto, bancas que vendem também produtos industrializados, como prendedores de cabelo de plástico e correntes de metal. Cláudio admite que isto acontece, mas “mais com os índios que trabalham também na Praça da Alfândega durante a semana”. Ao parar ao lado de uma dessas, vê-se que os possíveis compradores perguntam mais freqüentemente por uma pulseira industrializada de dadinhos ou uma corrente de metal do que pelos artigos feitos de sementes. Tudo o que os índios parecem fazer é adaptar-se a lei da oferta e da procura.







