Autor: Elmar Bones

  • O silêncio dos inocentes

    A sociedade precisa de um gigantesco tratamento psicológico.
    O aterramento de um poço com 15 metros de profundidade exige uma mão de obra que nunca deixará de chamar a atenção de pessoas que vizinham com o local. No entanto, um casal, assassinado por traficantes de drogas, foi sepultado nesse local no início deste mês. Houve o aterramento e as pessoas que notaram o movimento ficaram silenciosas. Isso aconteceu em Gravataí, numa área sabidamente usada por bandidos. Somente quarta-feira última houve o resgate que, evidentemente, foi possível através de informantes cuja identidade deve permanecer no mais absoluto sigilo. Foram necessárias duas escavadeiras num trabalho desenvolvido por mais de três horas até que aparecessem os corpos de José Oscar dos Santos, 41 anos, e de Sandra Naira dos Anjos da Silva, 41 anos. Sandra era viúva de um traficante e, José, trabalhava para ela. Ambos estavam algemados, amordaçados e com os rostos cobertos com sacos plásticos, nos estilo que foi ensinado pelo melhor filme brasileiro do ano, Tropa de Elite. Sigam-me.
    Tratamento
    O retardamento da denúncia sobre o local onde os corpos foram enterrados pode ser considerado normal. A população, de um modo geral, está com medo. E esta sensação se agrava nos locais em que a bandidagem se instala para gerir o tráfico de drogas e de armas. Envolver-se num episódio como o que ocorreu em Gravataí corresponde a colocar a vida em jogo. Há quem defenda que a criminalidade indica que a sociedade está doente. O criminoso, segundo este raciocínio, é um enfermo e assim deve ser tratado. Mas há o outro lado. As vítimas da violência e da criminalidade, reféns de traficantes, de assaltantes, de vândalos, de ladrões de casaca, também estão doentes. O medo de denunciar se espalha como um veneno em todas as classes sociais que terminam se omitindo quando não se tornam cúmplices do flagelo. A sociedade precisa de um gigantesco tratamento psicológico paralelamente ao que possa ser feito na área policial.
    Errata
    Ontem, equivocadamente, citei como Marco Aurélio, o ex-presidente do Tribunal de Justiça do RS, desembargador aposentado e, hoje, advogado e comunicador Marco Antonio Barbosa Leal, chamado de Marcão por seus amigos mais próximos. Trata-se de um tropeço imperdoável que, vez por outra, cometo ao referir-me a celebridades.
    Brigada
    A governadora Yeda Crusius prestigiou, ontem, a cerimônia de posse do coronel João Carlos Trindade no comando geral da Brigada Militar. Trindade sucede no posto ao coronel Paulo Roberto Mendes, alçado a juiz do Tribunal de Justiça Militar do Estado.
    Agulha
    O sigilo em torno das investigações o assassinato do médico Marco Antonio Becker, crime ocorrido no dia 4 deste mês, foi solicitado pela própria polícia e referendado pelo judiciário. Esse sigilo deveria ocorrer a partir do primeiro momento da investigação, sem a bengala da Justiça. Parece-me que a própria policia fez o palheiro para procurar a agulha.
    Homicídio
    Em Caxias do Sul, no bairro Nossa Senhora das Graças, durante uma discussão, um homem ainda não identificado atirou 5 vezes contra Maurício Maciel dos Santos, de 21 anos. A vítima ainda gritou por socorro, mas morreu momentos depois. O criminoso fugiu em uma moto.
    Meninos
    Policiais encontraram o rifle, calibre 38, usado para balear a menina Kerem Apucci Niches Braga, de 11 anos, em Canoas. A arma estava na casa de um adolescente de 13 anos, amigo dos outros quatro adolescentes envolvidos no crime. A criança foi atingida na cabeça e está internada no HPS do município.
    Bancos
    O total de ataques a banco no estado, em dezembro, já superou o acumulado no período em 2007. Foram 10 casos em 19 dias, três em Porto Alegre e sete no interior. Nos 31 dias de dezembro de 2007, foram oito registros, sete no interior e um na capital, conforme o Sindicato dos Bancários. O décimo ataque ocorreu ontem em uma agência do Bradesco em Gravataí. Quatro homens levaram 15 mil reais e fugiram em um Astra preto.
    Presídios
    O Tribunal de Justiça mandou interditar o alojamento anexo do Presídio de Bagé, devido a superlotação. Mais de 100 presos estavam em situação ilegal dividindo cela com detentos de outros regimes. Além disso, havia mulheres cumprindo pena em selas masculinas. Das 92 unidades prisionais gaúchas 19 já foram interditadas ou semi-interditadas.

  • Polícia Civil espera as festas sem mudanças

    Democraticamente, nomes de expressão rondam a cadeira do chefe da instituição.
    O troca-troca na Polícia Civil, a partir de sua chefia, deverá acontecer nos primeiros dias de janeiro. O quadro atual indica que, durante as festas natalinas e de Ano Novo, estarão em sofrido limbo tanto os que estão em queda livre quanto os que permanecem livres para sonhar. O atual chefe de polícia, delegado Pedro Rodrigues, parece ainda acreditar em recuperar seu prestígio com a governadora Yeda Crusius e permanecer no posto. Pedro – que dá entrevistas referindo-se a si mesmo na terceira pessoa, no melhor estilo das celebridades do futebol, perdeu as graças do Piratini ao tratar com panos quentes posições de seu amigo, delegado Luiz Fernando Tubino, que entrou em rota de colisão com a governadora em depoimento dado na CPI do Detran. A estatura de Pedro, como policial, não está em discussão e, sim, a sua inabilidade em definir o que é ou não é fidelidade a sua chefe maior. Sigam-me.
    Ventos
    Pedro está sofrendo os ventos provocados por nomes que surgem para ocupar a sua cadeira. Um deles é o do delegado regional de Caxias do Sul, Paulo Roberto da Rosa que, se alcançar o galardão, segundo meus conselheiros, tem a tendência de manter na subchefia o delegado Francisco Tubello. Outro nome que surge é o do delegado José Luís Carvalho Sávio, profissional que sempre gozou de grande prestígio com o ex-presidente do Tribunal de Justiça do RS, desembargador aposentado e, hoje, comunicador e advogado Marco Aurélio Barbosa Leal.
    Conselheiros
    A Divisão de Comunicação Social da Polícia Civil continua com sua cúpula montada em Capão da Canoa, sob a liderança do comissário Newton Ramos, que saiu de seu gabinete situado no Palácio da Polícia, à beira do arroio Dilúvio, para trabalhar sob a brisa do mar. E por falar em comunicação, soube que a minha torre está sendo observada, pois há quem deseja saber quem são os meus conselheiros e a que horas aqui chegam para as reuniões. Isso envaidece este humilde marquês.
    Traficantes
    Ontem, agentes do Denarc prenderam, em Alvorada, na rua Zero Hora, três pessoas por tráfico de drogas. Foram apreendidas 37,8 gramas de cocaína, 63 gramas de crack, 26 gramas de maconha e nove celulares. A existência de fitas adesivas, estilete e luvas no local indicava que as drogas seriam embaladas para venda. Segundo o delegado Marcio Zachello, uma mulher de 48 anos foi encaminhada ao Presídio Madre Pelettier, enquanto dois homens, de 26 e 32 anos, foram conduzidos ao Presídio Central. Em Farroupilha, no bairro São Roque, numa diligência coordenada pelo delegado Clóvis Rodrigues Vanes de Souza, houve a prisão de duas mulheres, de 18 e 25 anos. No local, foram apreendidos cerca de 6 kg de maconha. O local vinha sendo monitorado há dois meses.
    Insatisfação
    Mais de 100 PMs participaram, no dia de ontem, de uma revista na Penitenciária Estadual do Jacuí, em Charqueadas. O alvo da operação foi a 5ª galeria do pavilhão D, onde estão os condenados pelos crimes como tráfico de drogas, roubo a banco e formação de quadrilha. Como de costume, foram encontrados telefones celulares, carregadores, facas artesanais, drogas e munição. A penitenciária abriga 2050 apenados e a capacidade é 1400. Os apenados, é claro, ficaram insatisfeitos com a ação.
    Delegados
    A Polícia Civil gaúcha empossou, ontem, os 28 novos delegados formados no início deste mês. A cerimônia ocorreu no Auditório Cícero do Amaral Viana, no Palácio da Polícia e foi prestigiada por toda a cúpula da instituição.
    Assalto
    Quadrilheiros assaltaram o depósito da empresa de bebidas Fruki, na noite de quarta-feira, na capital. Conforme a polícia, um homem usando o uniforme da empresa rendeu o vigia, abriu o portão e entrou com mais cinco bandidos. O grupo fugiu em dois veículos levando um valor total de R$ 150 mil.
    Corpos
    Agentes do Denarc, comandados pelo delegado Luiz Fernando Martins, localizaram na tarde de quarta-feira, em Gravataí, os corpos de Sandra Naira dos Anjos da Silva e José Oscar Santos dos Santos. Eles haviam sido seqüestrados no último dia 5 último por uma quadrilha de traficantes. O bando foi desarticulado no último no dia 8 pelo Denarc. Na oportunidade, foi preso Neri José Soares, apontado pela polícia, como o maior traficante das regiões Sul e Sudeste do País. A prisão de Neri é de excepcional importância, mas na rede que comanda o tráfico, com poder de vida e morte, ele é apenas uma peça.

  • No caso do médico, a ordem é bico calado

    Até que o crime seja solucionado, a polícia deve manter sigilo sobre as investigações.
    Treze dias depois do assassinato, em Porto Alegre, do médico Marco Antonio Becker, de 60 anos, o Judiciário decidiu que as investigações devem ser desenvolvidas em segredo de justiça. Isso quer dizer que nenhum policial poderá fornecer qualquer informação a quem quer que seja que esteja fora da apuração do caso, especialmente para jornalistas, sobre o andamento do trabalho. O agente que ferir esta determinação, se descoberto, responderá criminalmente pelo seu ato. Evidentemente, as matérias jornalísticas investigativas estarão fora do alcance dessa medida.
    A decisão judicial nada tem de insólita. Em tese, todo o tipo de investigação, independente de determinação do judiciário, deve ser realizado em sigilo, sem entrevistas reveladoras das pautas que estão sendo seguidas, sem informações privilegiadas, sem estrelismos sherloquianos. Este humilde marquês alertou para o que vinha acontecendo no entorno da investigação do assassinato de Becker. Houve muita falação com pouca habilidade. Agora, a ordem na polícia é bico calado, o que não corresponde a nenhuma rolha para a imprensa. Pelo contrário, o caso passa a ser um desafio para os repórteres, que é tão grande quanto aquele com que se defronta a equipe que busca desvendar o crime.
    Mulheres
    Ontem, o chefe da Casa Civil do Governo do Estado, José Alberto Wenzel, recebeu o processo que oficializa a Delegacia da Mulher no município de Erechim. Criado em 2003, por iniciativa da vereadora Carlinda Poletto Farina, o projeto gerou o Posto de Atendimento à Mulher, que funciona junto à 1ª DP de Erechim, sendo, a partir da sanção da governadora Yeda Crusius, por meio da assinatura do decreto, oficializada a 1ª DP da Mulher naquela cidade que terá como titular a delegada Diana Casarin Zanatta.
    Jogatina
    Policiais da 1ª DP de Osório apreenderam, terça-feira, cinco máquinas caça-níqueis, sendo duas em forma de malas. A apreensão ocorreu em dois bares no bairro Albatroz em operação dirigida pelo delegado Celso Santino Ferri. Em Bagé, sob a coordenação da delegada Lúcia Salim, foram apreendidas oito máquinas caça-níqueis e fechados dois pontos de arrecadação de jogo do bicho. Segundo Lúcia, a operação foi contra o esquema de um contraventor que costuma empregar mulheres como suas gerentes.
    Seguro
    A governadora Yeda Crusius inaugurará, amanhã, os quatro novos pavilhões do Presídio Central de Porto Alegre. Com um custo total de R$ 5,4 milhões e criando 492 novas vagas, a obra integra o Programa Estruturante Cidadão Seguro. A abertura dessas vagas vai determinar a saída de policiais militares das ruas para reforçar a segurança na casa prisional. Isso significa que o cidadão não estará, exatamente, seguro, é claro.
    Ambulantes
    Até o momento em que encerrava a coluna, era grave o estado de saúde do zelador Edson Morales, de 58 anos, que ficou mais de 10 horas baleado dentro de um elevador de um prédio comercial no centro de Porto Alegre. O crime ocorreu na noite de terça-feira depois que o criminoso arrombou a sala utilizada para depósito por vendedores ambulantes no 4º andar do edifício. Edson levou dois tiros possivelmente ao tentar evitar o furto de mercadorias.
    Praia
    Agentes da DP de Tramandaí, prenderam cinco pessoas, entre elas dois adolescentes, que tinham em seu poder 386 gramas de crack, o que equivale, aproximadamente a três mil pedras do produto, uma motor e uma espingarda de calibre 12, cano serrado. A ação ocorreu na rua rua Estilac, bairro São Francisco.
    Esteio
    A comunidade de Esteio está prestigiando as ações da Brigada Militar local, comandada pelo tenente-coronel Roberto Kraig, contra a criminalidade e a praga da poluição sonora proporcionada por jovens exibicionistas em seus carrões nas 24 horas do dia. Dezenas de carros têm sido recolhidos, o que não se nota em Porto Alegre.
    Execução
    Um jovem foi morto a tiros, ontem, dentro de uma Lan House. em Porto Alegre. O crime, que teve características de execução, ocorreu no bairro Santa Teresa. Segundo a Brigada Militar, quatro homens chegaram a bordo de duas motos e dispararam contra Cristiano Rosa da Silva de 19 anos.

  • Plástico verde: construção da fábrica começa em 2009

    A Brakem anunciou “para o início de 2009” o começo das obras da unidade que vai produzir eteno e polietileno a partir de etanol da cana de açúcar, no pólo de Triunfo. A empresa vai investir R$ 500 milhões, para produzir 200 mil toneladas por ano do chamado “plástico verde” e prevê dar início às operações em 2011. Será a primeira operação no mundo a produzir em escala industrial essas resinas a partir de matéria prima 100% natural.
    A Braskem já concluiu a etapa conceitual e de projeto básico. No início de 2009, inicia-se a fase de detalhamento e início das obras.
    A empresa já fez a reserva firme dos equipamentos críticos do projeto, como o compressor de gás de carga e compressor de trem frio. São equipamentos de alta tecnologia que precisam ser encomendados com antecedência para garantir o cumprimento do cronograma.
    Para financiar o que será a primeira operação em escala comercial no mundo para produção de polietileno a partir de matéria-prima 100% renovável, a Braskem planeja utilizar 30% de recursos próprios e buscar financiamento para os 70% restantes.
    Com demanda já identificada no mercado internacional de aproximadamente 600 mil toneladas/ano, três vezes a capacidade desta unidade pioneira, o polietileno verde tem potencial para comandar um prêmio de aproximadamente 30% sobre o preço do polietileno de origem não-renovável.
    Assim, este projeto pode ser o primeiro de outros de maior escala que estão sendo analisados e tem um retorno estimado em US$ 300 milhões, em valor presente líquido.
    “A aprovação deste projeto pelo Conselho demonstra a confiança da Braskem no potencial de criação de valor do projeto e o cuidado da Administração com a disciplina financeira, investindo seletivamente em projetos de alto retorno”, diz Bernardo Gradin, presidente da Braskem.
    O pioneirismo da Braskem no desenvolvimento de plásticos verdes é resultado de muitos investimentos em inovação e tecnologia. Com mais de 200 registros de patentes depositadas, sendo quatro em polímeros verdes, a empresa coloca à disposição de seus clientes uma equipe de mais de 170 especialistas e R$ 330 milhões em ativos dedicados à pesquisa e desenvolvimento.

  • A blindagem das vitrines dos bancos

    As vidraças nunca serão obstáculos para bandidos que tem o poderio de rasgar carros-fortes.
    Os bancos, não consigo vislumbrar nenhuma exceção, têm máxima consideração com os clientes apenas em suas belíssimas peças publicitárias nas principais revistas do país e, melhor ainda, na mídia eletrônica. Na vida real, o cliente comum é mantido sob sufoco desde as atitudes dos guardinhas de segurança até o sorriso engessado dos gerentes. No entanto, a resistência dos banqueiros em cumprir a lei municipal, de Porto Alegre, que obriga as agências a colocarem vidros blindados em suas áreas de entrada e atendimento da clientela não me parece de toda absurda. Afinal, tal envidraçamento não vai ter influência na ação dos quadrilheiros que possuem armas capazes de arrombar carros fortes. Além disso, a não ser em casos de arrombamentos em horários fora de expediente – com clientes e até funcionários ausentes – os bandidos entram pela porta da frente e evitam maiores ruídos e danos. Sigam-me.
    Lojinha
    Entendo que para proteger funcionários e clientes, as caixas das agências bancárias deveriam ser instaladas, obrigatoriamente, em áreas com vigilância plena de guardas e câmeras e não em vitrines que oferecem a mesma visibilidade para os bandidos do que apresenta uma lojinha de conveniência, como acontece agora.
    Verão
    A DCS (Divisão de Comunicação Social) da Chefia de Polícia, está com sua base em Capão da Canoa, integrando a Operação Estrela no Verão 2008/2009 e operando no canal 9 da Rede Pará. Reconheço que a brisa que vem do mar não se compara com os odores do Arroio Dilúvio, junto ao qual se situa o Palácio da Polícia. Ainda assim, não entendo bem o deslocamento dessa base para Capão, pois, no período de veraneio, a capital do RS continua sendo Porto Alegre.
    Parceria
    O titular da pasta da Segurança do RS, Edson Goularte, participou, on-tem, no Salão Negro do Ministério da Justiça, em Brasília, da solenidade de assinatura de convênios entre a União e os estados do Rio Grande do Sul, Alagoas, Amazonas, Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Pernambuco, Paraíba, Piauí e Rondônia para a aquisição de helicópteros e a entrega de etilômetros (bafômetros) e armas não-letais. A parceria do RS com o MJ prevê a aquisição de dois helicópteros e a destinação de 443 etilômetros e 250 armas não-letais.
    Jornalismo
    Acontecerá na noite de hoje, no Teatro Dante Barone da Assembléia Legislativa, a solenidade de entrega do Prêmio ARI de Jornalismo, iniciativa da ARI (Associação Riograndense de Imprensa), com patrocínio do Banri-sul. Esta é a 50ª edição do concurso, que será marcada com a destinação de um prêmio especial de R$ 5 mil, troféu e diploma, para o melhor trabalho inscrito em todas as categorias. Os vencedores serão conhecidos apenas durante a solenidade e, com certeza, este humilde marquês, que em nada se inscreveu, estará apenas aplaudindo os laureados.
    Ladrões
    Agentes da 2ª DP de Porto Alegre, com o apoio dos policiais da 17ª DP, prenderam, na manhã de ontem, nos bairros Restinga e Guarujá, dois ho-mens reconhecidos como autores de roubo a estabelecimento comercial ocorrido no bairro Azenha. Foi apreendido, entre outros objetos furtados, um revólver de calibre 38.
    Assassinatos
    Até a manhã de ontem, três pessoas foram assassinadas em menos de 6 horas na Região Metropolitana. Em Viamão, João Davi dos Santos foi mor-to com dois tiros ao reagir a assalto na frente de sua casa na vila Augusta. Em Alvorada, Milton de Oliveira Chavier, de 26 anos, foi executado a tiros na rua Ildo Meneghetti, no Jardim Aparecida. Em Sapucaia do Sul, Antônio Alves Pereira, levou quatro tiros ao reclamar do barulho feito durante a madrugada por freqüentadores de um bar na rua Itapemirim, na vila Vargas. Quatro homens que estavam bebendo no local fugiram.
    Fragilidade
    A Polícia Federal desarticulou, no RS, uma quadrilha especializada em assaltos a carteiros e motoboys e uso de créditos roubados. Foram presas 25 pessoas, entre elas policiais civis e agentes da Susepe. Os servidores públicos acessavam o sistema de informações para obter dados dos titulares e desbloquear os cartões roubados. Mais de 140 agentes estão mobilizados na capital e nos municípios de Alvorada, Cachoeirinha, Canoas, Serro Largo, Gravataí, São Leopoldo e Viamão. Os criminosos compravam principalmente eletrônicos que eram repassados a receptadores pela metade do valor. Ações como esta, desenvolvida pelos federais, é um alerta para a fra-gilidade dos serviços de inteligência das policias estaduais.
    Chefia
    Cresce o grupo de candidatos à chefia de Polícia. Agora, o destaque é para Cleber Ferreira, atual titular do DPM (Departamento de Polícia Metropolitana) que, inclusive, é líder de uma clã de policiais que há algum tempo ocupa espaços importantes na Polícia Civil. Com igualcotação, aparecem os delegados Walter Wagner e Paulo Roberto da Rosa. A caneta da gover-nadora Yeda Crusius centraliza, naturalmente, as atenções, com o detalhe de que ela não costuma aceitar, na área da segurança, pratos prontos.

  • Polêmica do Pontal do Estaleiro ignora o peso da indústria naval na economia gaúcha

    Geraldo Hasse
    A controvérsia sobre a construção de prédios no pontal do Mello ignora sistematicamente o que o Estaleiro Só e outros estabelecimentos similares representam para a história da indústria no Rio Grande do Sul – não apenas a indústria naval, mas a metalúrgica.
    Seja qual for o aproveitamento da área do extinto estaleiro, a memória histórica de Porto Alegre daria um salto se um dos mais antigos estabelecimentos fabris da capital reservasse uma parte de sua área para abrigar um museu de indústria naval gaúcha.
    O Estaleiro Só foi fundado em 1850, época em que Porto Alegre era pouco mais do que uma aldeia, como escreveu o jornalista Manoelito de Ornellas num folheto publicitário sobre o centenário dessa indústria.
    Seus fundadores foram Antonio Henriques da Fonseca, João Ribeiro Henriques e José Manuel da Silva Só. Tratava-se da primeira ferraria e fundição de que se tem notícia na capital, estabelecida no coração de Porto Alegre — esquina da rua Uruguai com a Praça Montevideo, mais conhecida então como a Praça dos Ferreiros.
    O centro da cidade era voltado para o Lago Guaíba. Em cada boca de rua transversal havia um trapiche. Era por água que a cidade recebia tudo que precisava para viver.
    O catálogo de produtos da oficina era imenso. Ela produzia canos, pregos, lamparinas, bacias, lampeões para faróis de navegação, bandejas, ferros de passar roupa, bombas para poços, sinos para igrejas e tachos de cobre.
    Durante a Guerra do Paraguai (1865-1870), forneceu bocais, estribos e cornetas para o Exército Brasileiro. Foi nesse período que a empresa descobriu uma nova vocação após fazer reparos em navios da Marinha do Brasil.
    Também fez reparos em barcos particulares. Henriques era sócio da Companhia de Navegação do Jacuhy, dona dos vapores Riopardense, Correio, Viamão, 7 de Setembro, Guarani, Irapuá e Tupi. Pela reforma do vapor Tupi, em dezembro de 1865, o estaleiro recebeu 215 780 réis.
    Em 1870, Henriques saiu da firma, que ficou sob controle de José Manuel da Silva Só, deputado provincial pelo Partido Liberal. Em 1900, depois de várias alterações societárias, passou a se chamar Só e Filhos e, posteriormente, Só e Cia., mudando, também, diversas vezes de endereço. Em 1901, na exposição estadual, apresentou o primeiro motor a querosene fabricado no Brasil. Foi premiado com medalha de ouro.
    Nas últimas décadas de sua existência, estabeleceu-se finalmente como sociedade anônima, adotando o nome de Estaleiro Só S.A. Depois de já constituído como um estaleiro, produziu mais de 170 embarcações, cerca de 30 modelos de navios, entre eles ferry boats, navios-tanque, baleeiras, rebocadores, iates e pesqueiros.
    Seu apogeu ocorreu durante a década de 1970. Nessa época, que coincide com a maior atividade da indústria naval brasileira – concentrada então em Niterói e no Rio de Janeiro –, o Só chegou a ter cerca de 3 mil funcionários.
    Nos anos 80, o setor naval no Brasil sofreu um forte declínio, principalmente devido à falta de financiamentos para a construção de navios. O Estaleiro Só iniciou, então, um processo de diversificação de suas atividades, abrindo uma divisão de metal-mecânica, destinada à fabricação e pré-montagem de caldeiraria pesada, semi-pesada e leve. Essa iniciativa, que chegou a dar uma sobrevida à empresa, não foi suficiente para impedir sua extinção.
    Além do Só, houve outros fabricantes de barcos em Porto Alegre. Os mais conhecidos e duradouros foram os estaleiros Alcaraz, João Becker, Mabilde e Marteletti. Como o Só, mas sem alcançar o porte do pioneiro, eles viviam da prestação de serviços para navegadores avulsos, do atendimento de encomendas de empresas de navegação e principalmente de contratos com o governo estadual, sobretudo antes que as rodovias começassem a tomar conta do transporte de cargas.
    Sempre houve licitações de barcos novos e de reformas em embarcações de serviço, como as dragas usadas na manutenção de canais, lagoas e rios. Em 1940, o mercado de serviços para os estaleiros gaúchos era constituído por cerca de 3 mil embarcações – dragas, vapores, gasolinas, veleiros, lanchas, botes e escunas – catalogadas pela Secretaria de Viação e Obras Públicas.
    As relações entre os estaleiros e o governo estadual nem sempre foram serenas. Em 1927, o presidente do estado Getúlio Vargas criou estaleiros públicos em Porto Alegre , Pelotas e Rio Grande. Esses estabelecimentos não deram conta dos serviços, tanto que os estaleiros particulares continuaram em atividade, atendendo demandas privadas e encomendas públicas. Às vésperas da revolução de 1930, o Estaleiro Mabilde fabricou dois tanques de guerra em suas oficinas na Ilha da Pintada. Esses veículos foram usados para intimidar os adversários na Revolução de Outubro.
    Fundado no início do século XX pelo belga Pierre François Alfonse Mabilde (1856-1918), o Estaleiro Mabilde também começou com uma oficina próxima de um trapiche no centro de Porto Alegre. Assim que sentiu a firmeza do mercado, instalou-se na Ilha da Pintada onde prosperou até ser arrasado pela enchente de 1941.
    A luta pela recuperação foi infrutífera: em 1943, o Mabilde foi comprado pelo Consórcio Administrativo de Empresas de Mineração (Cadem), que precisava cuidar da sua frota de transporte de carvão das minas da região de São Gerônimo para grandes consumidores de Porto Alegre, inclusive navios.
    Em 1947, quando possuía 467 funcionários, o estaleiro da Ilha Pintada foi encampado pelo governo do Estado, que reduziu o pessoal para 10% do encontrado. Suas instalações foram alugadas para estaleiros particulares. O locatário mais duradouro foi o Estaleiro Só, que por mais de 20 anos fez da Ilha Pintada a sua base de reparos navais.
    Da década de 90 até o início do século XXI, o Estaleiro Sorenave operou na Pintada até se transferir para Triunfo. A partir de 2004, a antiga área do Mabilde foi arrendada pelo Estaleiro Ecnavi, pertencente à Navegação Amandio Rocha, que opera uma frota de 15 rebocadores no Lago Guaíba e arredores. O Ecnavi dá prioridade à manutenção dos barcos do grupo, mas faz reparos em embarcações de terceiros e pode fabricar veículos novos.
    Um ano antes da criação do Departamento Estadual de Portos, Rios e Canais (DEPRC), em 1951, o governo gaúcho comprou o terreno onde instalaria um estaleiro de reparos em Triunfo. Nos seus melhores momentos, essa oficina junto ao rio Jacuí teve mais de uma centena de operários aptos a fazer reformas navais e fabricar toda espécie de bóias e sinais náuticos.
    Crescentemente desfalcado, seu pessoal reduziu-se ao mínimo necessário para fazer reparos leves nas embarcações de serviço da Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH), sucessora do DEPRC. Por isso, o estaleiro oficial de Triunfo é considerado hoje um bom retrato da situação da navegação no Rio Grande do Sul.
    (O texto acima faz parte do livro Navegando pelo Rio Grande, que conta a história das hidrovias gaúchas. Para adquiri-lo, ligue para Já Editores no 51 3330.7272).

  • Chefia de polícia está balançando

    Depois da definição na cúpula da Brigada Militar, a situação na Polícia Civil permanece com muitas arestas.

    Num governo que já teve três titulares na pasta da Segurança e quatro co-ronéis no comando-geral da Brigada Militar, o chefe da Polícia Civil, dele-gado Pedro Rodrigues, era quem vinha se mantendo no posto com silencio-sa solidez. No entanto, esta solidez sofreu uma rachadura a partir do mo-mento em que Pedro evidenciou fidelidade a sua antiga amizade com o de-legado Luiz Fernando Tubino, ex-chefe de Polícia. Irriquieto, polêmico e intimorato, Tubino assumiu, publicamente, posições que municiaram o ar-senal dos opositores da governadora Yeda Crusius ao prestar depoimento na CPI do Detran. Sempre discreto e silencioso, Pedro colocou seu amigo como diretor de um departamento administrativo da Polícia Civil, fazendo a governadora engolir em seco a medida. Simultaneamente, enquanto Pedro homenageava uma unha encravada de Yeda (Tubino), o coronel Paulo Ro-berto Mendes afirmava e reafirmava fidelidade a sua comandante-em-chefe e foi tornado juiz do Tribunal Militar do Estado. Passo a limpo este enredo que venho abordando há três meses, aproximadamente. Mas a história não pára e Pedro, no epílogo, não parece estar entre o coroados nestes tempos de reis Magos, como o foi o coronel Mendes. Sigam-me.

    Cardeais
    Embora todos os delegados de 4ª classe (os chamados cardeais) sejam candidatos em potencial à chefia de polícia, com direito, inclusive, de conspirar para chegar lá, no máximo três estão com chances reais de ocupar a cadeira que, hoje, é de Pedro. Nas últimas horas, a cotação maior tem si-do a do delegado Álvaro Steigleder que surge como que apresenta menor índice de rejeição.

    Ar da praia
    Da minha torre, observo que o ar que se respira na chefia de polícia é de tranqüilidade. Tanto é assim que o chefe de comunicação, comissário Nil-son Ramos, como acontece todos os anos, esta trabalhando a partir da praia (Capão da Canoa), com programação para lá ficar até o final do veraneio, isso na hipótese de seu chefe não cair.

    Brigada
    A solenidade de transferência de comando da Brigada Militar ocorrerá na próxima sexta-feira, às 17h30min, na Academia de Polícia Militar. O coro-nel João Carlos Trindade sucede no posto ao coronel Paulo Roberto Men-des na condição de 4° comandante-geral da corporação no governo Yeda Crusius.

    Latrocínio
    O proprietário de uma fábrica de rodas agrícolas, Renato Selma, 50 anos, foi morto com um tiro, ontem, na sede da empresa, em Glorinha. O crime ocorreu na véspera do empresário pagar o 13º salário de seus empregados. O corpo de Renato foi encontrado por operários da indústria em sua sala de trabalho. A polícia ainda não tem pistas sobre a autoria do crime.

    Mortes
    Cerca de 34 pessoas morreram em acidentes de transito ou em assassina-tos durante o fim de semana no estado. Somente no trânsito, 18 pessoas foram vítimas de acidentes fatais.

    Assalto (1)
    Uma quadrilha fortemente armada assaltou, na madrugada de ontem, a empresa de transporte coletivo Transcal, na rua Manoel Nunes, em Cacho-eirinha. Dois criminosos entraram em um ônibus na zona norte de Porto Alegre e obrigaram o motorista seguir até a garagem onde os vigilantes também foram rendidos. Cerca de dez homens invadiram a empresa. Eles arremessaram um ônibus contra a parede do escritório onde o dinheiro era guardado. Na fuga, obedecendo um planejamento perto da perfeição, espa-lharam 3kg de miguelitos nas ruas, o que retardou a tentativa de persegui-ção.

    Assalto (2)
    O diretor da 1ª DP Regional Metropolitana notificará Secretaria de Segu-rança sobre atitudes da Brigada Militar que ele considera prejudiciais a in-vestigação de crimes em Cachoeirinha. Segundo o delegado Edival Soares, o assalto a empresa Transcal foi o terceiro caso de atuação de quadrilha na cidade em que PMs registraram a ocorrência e nada comunicaram à Polícia Civil. O delegado lamentou que não houve isolamento da área e a perícia foi acionada horas após o fato.

    Revisão
    Pelos menos dois comerciantes me falaram sobre a ação de trombadinhas no Barra Shopping. Pelo sim ou pelo não, o sistema de segurança do novo complexo comercial da Capital merece uma revisão.

    Informações
    O assassinato do médico Marco Antonio Becker, ocorrido dia 4 último na capital, continua sem linha de investigação sólida. No entanto, estou im-pressionado com o número de entrevistas coletivas e avulsas que estão sen-do concedidas pela polícia que servem, inclusive, para quem estiver envol-vido no crime e que, naturalmente, se mantém informados.

  • Universidade Estadual oferece 640 vagas em cursos gratuitos

    Interessados em concorrer no vestibular de verão da Uergs podem se inscrever até o dia 19 de janeiro.
    A Universidade oferece 640 vagas para 9 cursos em 14 pólos. O ensino é gratuito e 50% das vagas são reservadas para candidatos hipossuficientes (economicamente carentes) e 10% para candidatos portadores de deficiência.
    A inscrição, que tem o valor de R$ 55, deve ser feita somente pela internet, nos sites da Uergs – www.uergs.edu.br – ou da Fundatec – www.fundatec.com.br. Outras informações podem ser obtidas através dos telefones: (51) 3288.9030 ou (51) 3320.1000.
    Cursos oferecidos:
    ADMINISTRAÇÃO: SISTEMAS E SERVIÇOS DE SAÚDE
    Porto Alegre – 40 vagas
    TECNOLOGIA EM AGROPECUÁRIA: AGROINDÚSTRIA
    Cachoeira do Sul – 40 vagas
    Cruz Alta – 40 vagas
    Encantado – 40 vagas
    Sananduva – 40 vagas
    Santana do Livramento – 40 vagas
    São Luiz Gonzaga – 40 vagas
    TECNOLOGIA EM AGROPECUÁRIA: FRUTICULTURA
    Vacaria – 40 vagas
    TECNOLOGIA EM AGROPECUÁRIA: HORTICULTURA
    Santa Cruz do Sul – 40 vagas
    ENGENHARIA DE BIOPROCESSOS E BIOTECNOLOGIA
    Bento Gonçalves – 40 vagas
    Novo Hamburgo – 40 vagas
    ENGENHARIA EM ENERGIA
    Novo Hamburgo – 40 vagas
    TECNOLOGIA EM AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL
    Novo Hamburgo – 40 vagas
    PEDAGOGIA: LICENCIATURA
    Bagé – 40 vagas
    TECNOLOGIA EM GESTÃO AMBIENTAL
    Erechim – 40 vagas
    Tapes – 40 vagas
    Uergs – Universidade Estadual do Rio Grande do Sul
    Diretoria de Comunicação Social
    (51) 3288.9016 – 3288.9017 – 3288.9018

  • Copesul sente a crise e reduz produção em 45%

    Elmar Bones
    A Braskem anunciou uma redução de 45% na produção de eteno, a matéria prima de toda a cadeia petroquímica. O corte atinge as duas centrais de insumos básicos da empresa, em Camaçari, na Bahia, e Triunfo, no Rio Grande do Sul.
    A  capacidade de produção das duas centrais é de 2,5 milhões de toneladas/ano.
    Desde que começou a operar, há 25 anos, só nos primeiros anos de funcionamento, quando o pólo tinha apenas quatro unidades de segunda geração, a central de Triunfo operou a níveis tão baixos.
    Na nota que emitiu para a imprensa às 19 horas desta quarta-feira, a empresa diz que a paralisação é temporária e que implica na desativação de uma das duas plantas de produção de eteno, tanto no pólo da Bahia quanto no Rio Grande do Sul.
    A redução, segundo a nota, “visa normalizar os níveis de estoques elevados em razão da diminuição pontual da demanda internacional e do movimento de desestocagem da cadeia produtiva petroquímica e dos plásticos no país.
    Braço petroquímico do grupo Odebrecht, a Braskem assumiu o controle da Copesul e de quase todas as plantas de segunda geração em Triunfo em março de 2007, quando formou um consórcio com a Petrobras e o grupo Ultra, para comprar o grupo Ipiranga, num negócio de 4 bilhões de dólares.
    Num primeiro momento assumiu todas as unidades de Ipiranga Petroquímica e depois, numa “troca de ativos”, absorveu as participações da Petrobras.
    Íntegra da nota:
    Braskem reduz taxas de utilização de capacidade
    A Braskem comunica que as taxas de utilização de capacidade das suas plantas da Unidade de Petroquímicos Básicos foram temporariamente reduzidas, visando normalizar níveis de estoques mais elevados em razão da diminuição pontual da demanda internacional e do movimento de desestocagem da cadeia produtiva da petroquímica e dos plásticos no país. Com essa decisão, a Braskem confirma o compromisso com sua disciplina financeira e com a competitividade do setor.
    Desde o início desta semana, apenas uma das duas linhas de produção de Camaçari – BA e uma das duas linhas de produção Triunfo – RS encontram-se em atividade. Dessa forma, a produção de eteno, matéria-prima de produtos como polietileno e PVC, foi reduzida para 55% da capacidade – que é de 2,5 milhões de toneladas/ano.
    O ajuste deve perdurar até o final de dezembro, quando a situação da demanda e dos estoques será reavaliada. A redução de atividade na Unidade de Petroquímicos Básicos impacta na mesma proporção a utilização de capacidades na Unidade de Poliolefinas, responsável pelos negócios de polietileno e polipropileno. Na Unidade de Vinílicos, a produção de PVC se mantém em ritmo normal.
    A Braskem acredita que essa situação é transitória e espera poder retomar o mais breve possível o patamar usual de operação de suas unidades produtivas, sempre alinhada ao compromisso de servir seus Clientes.

  • A certeza de não ser interceptado

    Numa cidade despoliciada, a sensação de segurança está do lado da bandidagem.
    Controlar o índice de homicídios, considerando que 70% dos casos envolvem a guerra entre traficantes de drogas, é uma meta que está longe do alcance da polícia, a menos que fosse possível localizar e prender todos os principais líderes da bandidagem. Ocorre que, embora a apreensão de drogas venha num crescendo em todo o estado, os traficantes presos, em sua maioria, são os de menor hierarquia no crime organizado. Com isso, as execuções não param e, muito menos, o tráfico. De outra banda, o homicídio clássico, aquele que envolve pessoas com antigas desavenças ou como resultado de rixas eventuais são de impossível prevenção policial.
    Examinado este quadro, a sociedade não pode eximir de total responsabilidade os dispositivos de segurança no entorno de casos como o do assassinato do médico Marco Antonio Becker, 60 anos, crime ocorrido na noite de quinta-feira, às 22h30min, na rua Ramiro Barcelos, não muito distante doperímetro central de Porto Alegre. O assassinato não aconteceu em local deserto. Pelo contrário, é área de movimento intenso nas 24 horas do dia. Ainda assim, os bandidos, numa moto e sem capacete, dispararam cinco tiros contra Becker, que recém entrara em seu carro após sair do restaurante Alfredo, um das casas mais tradicionais da capital. Mais do que isso, os bandidos, cientes de estarem numa cidade despoliciada, tinham tal certeza de que não seriam interceptados que chegaram a falar e ameaçar um homem que terminou por testemunhar a execução.
    Numa cidade patrulhada pode ocorrer um crime nas mesmas circunstâncias do caso de Marco Antonio Becker. É evidente que pode. No entanto, o que assusta é que crimes como esse estão ocorrendo numa Porto Alegre despoliciada onde os bandidos se sentem seguros, principalmente à noite, seja no bairro Floresta, na Restinga, no Centro, na Cidade Baixa. Sigam-me.

    O mapa
    Esta na mesa do titular da pasta da Segurança, Edson Goularte, um projeto visando a criar um sistema de patrulhamento, 24 horas por dia, na Capital. O mapeamento está pronto e o número de policiais a serem mobilizados definido. Tudo perfeito, não fosse o detalhe da inexistência de efetivo para a execução do que está no mapa. Enquanto isso, cabe investigar o assassinato Marco Antonio Becker e tantos quantos possam vir a acontecer.
    Justiça
    Segunda-feira, dia 8, é o Dia da Justiça. O Judiciário está, pois, em pleno feriadão que terá uma comemoração diferenciada. Nesta mesma segunda-feira, no auditório do Foro Central de Porto Alegre, será lançado o site www.magrs.net destinado à comunidade jurídica e a seus colaboradores. O evento, aberto para o público, no auditório, se iniciará às 17h, ocasião em que o professor e jurista Dalmo de Abreu Dallari, proferirá palestra sobre o tema “Independência Judicial”.
    Locações
    Agora a SSP publicou pregão para locar 55 veiculos leves, 41 utilitários e 45 motocicletas. Haverá também locação de luminosos de emergência e até rádios. Segundo conselheiros da coluna, a operação logística até poderia parecer adequada a não ser pelo custo/benefício, haja vista que o valor despendido previsto é a metade dos valores dons bens que, se efetivamente adquiridos, poderiam atender outras comunidades e futuros verões. Dos aproximados 150 veículos que serão locados poderiam ser comprados uns 70. Como um veículo nas mãos dos policiais duram dois anos sem apresentarem grandes problemas, obviamente que com um esforço, talvez do Pronasci, poderiam ser comprados 150 veículos que teriam uma vida de mais 21 meses e não somente os três da Operação Golfinho.
    Casa vazia
    Agentes do Denarc cumpriram, na tarde dessa quinta-feira, mandados de busca e apreensão em duas residências no bairro Mathias Velho, em Canoas. De acordo com o delegado Fernando Oliveira, foram apreendidos cerca de 2 quilos de crack, um revolver Taurus calibre 38, munição e uma balança de precisão. Ninguém estava em casa, logo, não houve prisões.
    A torre
    Fecharei minha torre por alguns dias, a partir de amanhã. Presenteio-me com uma folga digna de uma pessoa normal. Estarei de volta no próximo dia 16, uma terça-feira.