Autor: Elmar Bones

  • “Cobras mortas” sonham com o dinheiro dos precatórios

    Eles se reúnem toda terça-feira à tarde numa sala do térreo do prédio do porto na avenida Mauá. Nenhum deles tem menos de 70 anos. Intitulam-se os “cobras-mortas” da navegação gaúcha. A referência jocosa não é fluvial nem lacustre, tampouco hidroviária ou portuária. Quem os vê trocando farpas sobre aptidões, experiências, façanhas e preferências de fundo sexual, logo compreende o título que se dão.
    Todos são portuários aposentados e nos últimas semanas andam animados com as notícias de que o governo do Estado vai começar a quitar a gigantesca dívida dos precatórios que, no total, já chega a R$ 4 bilhões.
    Como “secretário” dos cobras-mortas, Ary Silveira da Rosa, que se aposentou em outubro de 1983, ocupa a única escrivaninha da sala, onde não há telefone, apenas um banco comprido e um cofre sem uso.
    A primeira ação foi aberta em 1978, inspirando 64 processos diferentes, com um total de 1005 beneficiários. “Mais da metade dos titulares dos processos já morreram”, informa Rosa. Também já não vive Ademar Caldas, advogado-cabeça do primeiro processo, que defendia 196 pessoas com diferentes reivindicações trabalhistas.
    Na trilha aberta pelos primeiros reclamantes, centenas de ex-trabalhadores abriram outros processos. A soma dos precatórios devidos pelo governo aos portuários inativos chega a R$ 160 milhões. Tudo devia estar pago porque já transitou em julgado. Poucos reclamantes receberam seus direitos, correspondentes a pequenos valores. O valor da maioria dos processos oscila de R$ 10 mil a R$ 30 mil. Alguns processos chegam a R$ 100 mil.
    “As tricoteiras do Palácio Piratini são nossas parceiras”, diz Rosa, referindo-se às senhoras que ficaram famosas fazendo plantão na frente do prédio do governo gaúcho.
    Como representante da União dos Portuários do Rio Grande do Sul, ele engrossou a comitiva que em janeiro de 2008 foi reclamar providências à governadora Yeda Crusius e, em julho do mesmo ano, sentou na mesa de negociações com a então secretária geral do governo, Mercedes Rodrigues.
    Vem daí a inquestionável autoridade de Rosa na “sala de audiências” do prédio do porto. Aos ex-colegas do DEPRC, ele oferece invariavelmente uma mensagem de esperança e otimismo: “Vamos confiar nas muié, uma hora o negócio sai…”
    Os cobras-mortas parecem não estar prestando atenção, mas recomeçam as brincadeiras ao ouvir a palavra “negócio”. Entre piadas, resmungos e gargalhadas, vai-se mais uma tarde de terça-feira às margens do Guaíba. (Geraldo Hasse)

  • Mendigos na frente das prefeituras municipais

    Homenagem aos invisíveis serviços de inteligência da segurança pública: “Para além da curva da estrada/ Talvez haja um poço, e talvez um castelo,/ E talvez apenas a continuação da estrada./ Não sei nem pergunto./ Enquanto vou na estrada antes da curva/ Só olho para a estrada antes da curva,/ Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.” De Fernando Pessoa em “Poemas inconjuntos” de Alberto Caeiro.

    As lideranças das organizações policiais do RS não escondem as frustrações que se somam a cada encontro mantido no Piratini para a discussão das questões salariais. Este é um lado das rachaduras da estrutura da segurança pública que motivou um casamento inédito e, por isso, histórico, entre a Brigada Militar e a Polícia Civil cujos representantes deixaram de lado as arestas envolvendo rivalidades no campo operacional, para, juntos, lutarem por remuneração digna. No entanto, no âmbito da so-ciedade, que apóia os movimentos pacíficos e reivindicatórios dos policiais, o clamor maior é por uma polícia forte, coesa, atenta nas ruas e nas delegacias nas 24 horas do dia. Essa sociedade, hoje, apóia e, mais do que isso, ampara uma polícia falida e daria uma cobertura maior para uma polícia forte que não mendigasse nas portas das prefeituras. E o que causa espanto, dentro deste quadro, é que os governos, de Brasília aos municípios, estão absolutamente despreparados para a montagem sequer do embrião dessa polícia forte. Os policiais, por sua conta e risco, ainda que de uma forma desatrelada, discutem em suas corporações e entidades de classe essas questões, mas os governantes fogem das raízes do problema e trabalham com remendos sobre remendos. Como mero observador desse campo, por vezes, de forma equivocada, interpretado como especialista, continuarei a cultivá-lo.
    Algemas
    A posição da Polícia Federal gaúcha, que continuará a usar algemas – o que corresponde a uma proteção para os políciais como também para as pessoas eventualmente presas – é em favor da sociedade e contra a hipocrisia de uma elite que compõe uma minoria da magistratura que não ad-mite qualquer mágoa em pulsos que fedem a perfume francês.
    Peritos
    Com o apoio do IGP (Instituto-Geral de Perícias) começará. nesta segunda-feira, o 10º Seminário Nacional de Documentoscopia, o 2º Seminário Nacional de Perícia Contábil e o 5º Congreso De La Sipdo (Sociedad Internacional de Peritos en Documentoscopia), que acontecerão no Hotel Embaixador, em Porto Alegre. Os eventos ocorrem até o próximo dia 14 e são promovidos pela Acrigs (Associação Brasileira de Criminalística), Sociedad Internacional de Peritos em Documentoscopia e Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública).
    Herança
    O Grupo de Estudos de Direito de Família do Iargs (Instituto dos Advogados do RS), coordenado por Helena Raya Ibañez, promoverá nesta terça-feira, dia 11, às 12h, a palestra “Renúncia e Cessão da Herança, que será proferida por Aldo Ayres Torres. O evento, com entrada franca, ocorrerá na sede do Iargs, na travessa Acelino de Carvalho, 21.
    Política
    O delegado Cleiton Freitas, da DP de Cachoeirinha, com quase três mil votos como candidato a vereador pelo PDT, em Porto Alegre, aparece como cotado para assumir uma função na próxima gestão de José Fogaça na prefeitura da Capital.
    Sufoco
    Uma informação que pode conservar acesas as luzes do Piratini além de manter ativa a ubiqüidade do comandante-geral da Brigada Militar, o indormido coronel Paulo Roberto Mendes, além de preocupar o deputado Cássia Carpes (PTB), idealizador legítimo do ainda não realizado projeto do manifestrónomo: as entidades das organizações policiais estão mantendo contatos com o Cepers-Sindicato. O objetivo é de que policiais e professores passem a realizar manifestações conjuntas por salários dignos. Esta união sempre pareceu impossível para professores e professoras que enfrentaram todo o tipo de repressão policial durante seus históricos movimentos classistas por salários e melhores condições de trabalho.
    Azar
    Foi aprovado pela Comissão de Justiça da Câmara Federal o projeto de lei que criminaliza a exploração dos jogos de azar, apresentado pela CPI que investigou de 2004 a 2005 as relações do jogo com o crime organizado (a CPI dos Bingos). Transformado este projeto em lei, a Caixa Federal, mais do que nunca, será a austera incentivadora e mantenedora dos jogos de azar no país, pois seus eventuais concorrentes terão a cadeia como primeiro prêmio.
    Wander.cs@terra.com.br

  • A impossível unificação das polícias

    A falência da segurança pública do país exige a tomada de novos rumos, mas as utopias devem ser evitadas.
    Em todos os congressos, seminários e eventos assemelhados de estudiosos ou profissionais da segurança pública, invariavelmente, figura na pauta de discussões a unificação das organizações policiais – que é impossível – e o ciclo completo do poder de polícia para as policias civis e militares estaduais – ora em pleno processo de maturação e que, em alguns casos, está sendo implantado na marra, especialmente no Rio Grande do Sul. Isso não foi diferente no 2º Congresso Nacional de Oficiais Militares Estaduais, realizado em Brasília, na semana que passou. Sigam-me
    Atraso
    O titular da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), professor Ricardo Brisolla Balestreri, ao descartar de forma absoluta as probabilidades de unificar as organizações policiais, aponta o ciclo completo (da investigação a lavratura de flagrante) para as policias militares e civis como um avanço inevitável. Mais do que defender este processo, Balestreri entende que esta é uma das principais, se não a principal providência para tirar a segurança pública do país do estado de falência em que se encontra. A estereotipada divisão das atribuições das organizações policiais, se não for quebrada agora, ontem, provocará um atraso de, pelo menos, 30 anos na evolução do sistema de segurança do país, segundo o entendimento de Balestreri. A gravidade do tema, fará com que eu volte a ele durante alguns dias.
    Ensaio
    Pareceu-me inédito o ensaio e/ou treinamento realizado pela Brigada Militar, que mobilizou centenas de PMs, no parque Saint-Hilaire, muito utilizado para atividades de escoteiros, precedendo uma mega operação detonada ontem em Porto Alegre. Com certeza, num primeiro plano, a preservação do parque foi garantida.
    Assalto
    Dois caminhões roubados do depósito de uma rede de farmácias de Canoas foram encontrados vazios, na manhã de ontem, em Campo Bom, no Vale dos Sinos. O assalto ocorreu no fim da noite de terça-feira. Um grupo fortemente armado invadiu empresa, no bairro Matias Velho e levou uma carga avaliada em mais de 1 milhão de reais.
    Assassinatos
    Um jovem de 20 anos foi encontrado morto, na madrugada de ontem, no bairro Mathias Velho em Canoas. Ronilson Francisco Paula de Lima, baleado na cabeça, estava caído na rua do Sindicato esquina com a rua Zumbi. Em Novo Hamburgo, na vila Quefas, Paulo Cesar Meri Meneses, de 25 anos, foi morto com dois tiros. Em Bagé, o presidiário João Carlos Faria da Silva, 46 anos, matou a sua companheira, Rosane Godói Costa, de 18 anos, no bairro Floresta. Segundo a Brigada Militar, o apenado cumpria pena no regime semi-aberto. Ele matou a vítima com três tiros nas costas. A mulher estava com o filho de um ano e seis meses no colo. João entregou a criança para a mãe da vítima e fugiu. Em Cruz Alta, a polícia apura o assassinato de mãe e filha, ocorrido na manhã de ontem, no bairro São Francisco. Dalva Martins da Silva, e a filha adolescente, Camila Tomás da Silva, foram mortas a tiros. Celso, também filho de Dalva, sofreu um fe-rimento superficial a bala.
    Moleza
    A Polícia Civil de Esteio liberou um homem que fora preso por PMS ao praticar um assalto contra um posto de combustível. O crime, ocorrido terça-feira, foi registrado pelas câmeras de segurança, mas o delegado Paulo Florentino Machado avaliou que assaltante deveria ser libertado por considerar pequena a quantia de dinheiro roubada, que não passava de R$ 300,00 e providenciou apenas na abertura do inquérito. O ladrão, que saiu caminhando da delegacia de Esteio, segundo os brigadianos, estava em liberdade provisória e possui antecedentes por homicídio.
    Fazedor de leis
    A criação do manifestódomo, proposto pelo comandante-geral da Brigada Militar, o indormido coronel Paulo Roberto Mendes, trouxe à tona mais um dos talentos desse homem que, pela sua ubiqüidade, provoca sonhos e pesadelos na socie-dade gaúcha. Ele se mostra um legislador, ainda que à moda antiga, mas um legislador. É preocupante isso, pois Mendes é o coronel que desponta como principal candidato a cadeira de juiz da Justiça Militar do Estado que se encontra vazia naquela corte. Com a toga, através de jurisprudências, Mendes poderá tentar desenvolver seu talento de fazedor de leis antigas.
    Wander.cs@terra.com.br

  • Delegado denuncia tentativa de intimidação dos policiais em greve

    O labirinto em que se encontra a segurança pública do país tem uma saída que poderá ser bloqueada pelos líderes corporativistas.
    Quando abordei, ontem, a falência do sistema de segurança pública do país, denunciada, na semana que passou, em Brasília, pelo próprio titular da Senasp (Secretaria Nacional da Segurança), órgão do Ministério da Justiça, o professor gaúcho Ricardo Brisolla Balestreri, que há 20 anos trabalha em pesquisas e ações de campo sobre o tema, não esperava qualquer tipo de reação ou tentativa de resposta de nenhuma autoridade de nosso estado sobre tal escândalo. De um lado, não há tempo para esboçar qualquer depoimento quando o RS está enfretando uma paralisação dos agentes da Polícia Civil e do sistema penitenciário por melhores salários, que será encerrada amanhã. De outra banda, este silêncio não significa insensibilidade hanseaniana e, sim, a dolorosa angústia de não ter e de não saber o que dizer. O sistema está falido e deve ser, pelos recursos existentes, remendado. E os lançamentos de remendos, invariavelmente acompanhados de discurseiras palacianas e, mais recentemente, com banda de música, estão levando ao estresse uma sociedade que dorme ao som de balas perdidas. Sigam-me.
    Labirinto
    Terá o professor Balestreri um projeto que possa conter esse flagelo, além de sua consciência do processo decadente da segurança pública do país e dos porosos recursos de sua secretaria para enfrentar os incêndios de primeira grandeza que assustam os nossos principais centros urbanos?
    Balestreri tem um projeto que será inviável se partir da iniciativa de cada estado, ou seja, de baixo para cima. No entanto, poderá ser implantado de cima para baixo – do governo federal para os estados – com inevitáveis enfrentamentos com lideranças de corporativismos arcaicos, mas poderosos. O professor acredita que há apenas uma saída deste labirinto e, se não for encontrada agora, a segurança pública sofrerá um atraso de, pelo menos 30 anos. O tema é vasto e estará nesta coluna durante os próximos dias.
    Força
    O presidente da Asdep (Associação dos Delegados de Polícia do RS), delegado Wilson Müller, em nome de sua categoria, reafirmou para este humilde marquês o apoio à paralisação em desenvolvimento pelos agentes da Polícia Civil e do sistema penitenciário, mas entende que o diálogo com o Piratini nunca deixou de acontecer e que não será interrompido. Dentro desse imbróglio, a indignação de Müller é contra o aquartelamento em Porto Alegre de um enorme contingente de policiais militares do interior numa “indisfarçável e inútil”, sic, tentativa de intimidar a manifestação pacífica da Polícia Civil. O presidente da Asdep também manifestou sua certeza de que a quase totalidade dos PMs, silenciosa e solidariamente, repudia esta forma de demonstração de força.
    Brigadianos
    A Associação dos Cabos e Soldados da Brigada Militar, segundo seu presidente, Leonel Lucas, está apoiando a greve dos servidores da Polícia Civil. Segundo Lucas, “essa é uma atitude que reafirma a união das categorias da segurança pública em busca de salário digno.”
    Vales
    Um homem de 37 anos foi detido, ontem, no aeroporto Salgado Filho com 40 mil vales-transporte falsificados. O criminoso foi capturado durante ação do Deic. Ele viajava em avião da TAM procedente de São Paulo.
    Carro-forte
    Uma quadrilha assaltou um carro-forte da empresa Brinks, ontem, no km 348 da BR-116, em Tapes. Os criminosos utilizaram quatro automóveis e interceptaram o carro-forte com tiros de fuzil e explosivos. Após retirar três funcionários do veiculo, levaram dois malotes de dinheiro que seriam transportados a Camaquã. Ninguém ficou ferido.
    Execução
    Um homem morreu baleado e três ficaram feridos num casebre em Guaíba. Segundo testemunhas, três desconhecidos chegaram atirando e fugiram num carro. O morto foi identificado como Giovani Henrique da Silva Romeira, 37 anos. Os feridos foram levados a um hospital de Guaíba.
    PMs temporários
    A Brigada Militar registra baixa procura pelas vagas de PMs temporários. Apenas 261 candidatos se inscreveram, até o dia de ontem, para as 306 vagas. O prazo de inscrição termina na quinta-feira, mas será prorrogado.
    Wander.cs@terra.com.br

  • A falência da segurança pública do país

    Os órgãos policiais estão cercados pelo clamor da sociedade, pelas suas próprias contradições internas, pela indolência dos governos e pelo poder do banditismo rico e organizado.
    Distante da minha torre, em Brasília, mas nunca longe das questões mais graves vividas e discutidas pela sociedade, ouvi um pronunciamento que poderia ser considerado como repetitivo e atirado no Guaíba como palavras perecíveis e não poluidoras, tivesse ele somente a assinatura deste humilde marquês e não a do titular da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), professor Ricardo Brisolla Balestreri. “O sistema de segurança pública do país está falido”, disse Balestreri no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, quinta-feira última, 30 de outubro, no 2º Coname (Congresso Nacional de Oficiais Militares Estaduais) diante de, pelos menos, 800 oficiais das polícias militares do país, além de personalidades convidadas.
    Não se tratava de uma platéia passiva, pois ali estavam lideranças de entidades que representavam 800 mil policiais militares brasileiros entre ativos e inativos. Um dia antes, no mesmo local, abrindo o evento, esteve o ministro da Justiça, Tarso Genro, cujo discurso não teve o mesmo descortínio, pois a sociedade, em termos de segurança, não aceita mais teses que fujam da realidade crua vivida por todos os cidadãos e que, ao invés disso, escorregam para a retórica puramente oficialista prenhe de roteiros corretos dirigidos a um destino perfeito, porém com estacas postas em areias movediças. Sigam-me.
    Paralelos
    O professor Balestreri não contestou o ministro Tarso, até porque a Senasp é órgão do Ministério da Justiça. No entanto, são discursos paralelos. Tarso fala do Planalto para as massas – no caso específico da segurança – e, nesse plano, traçado de cima para baixo, o contraditório é praticamente inviável. Balestreri fala das massas para o Planalto, aceita debater o contraditório e faz questão de dizer que não tem e nunca teve nenhum compromisso político partidário. Isso vai dar certo?
    Diálogo
    Os agentes Polícia Civil e os agentes penitenciários, a partir de hoje e até quinta-feira entram num processo de paralisação cumprindo apenas o serviços absolutamente essênciais em suas áreas. O movimento tem o apoio dos profissionais do IGP (Instituto-Geral de Perícias) e da Asdep (Associação dos Delegados de Polícia do RS). O delegado Wilson Müller, presidente da Asdep, em contato com o titular da pasta da Segurança, Edson de Oliveira Goularte, não descartou a possibilidade da sua categoria também aderir à paralisação. Segundo as lideranças dos policiais, a impossibilidade de diálogo com o Piratini, repetidas vezes tentado, terminou sendo o estopim para a tomada de medidas extremas.
    Enfrentamento
    A presença em Porto Alegre de mil PMs, convocados de unidades do interior pelo comandante geral da Brigada Militar, coronel Paulo Roberto Mendes, está sendo interpretada pelo presidente da Ugeirm-Sindicato, Isaac Ortiz, e pelo delegado Wilson Müller como uma tentativa de intimidação e, até mesmo, de criar um clima de enfrentamento semelhante ao ocorrido em São Paulo entre policiais militares e civis. Este enfrentamento, no entanto, é considerado fora de cogitação, pois os PMs, segundo Isaac e Müller, estão conscientes de que são iguais as reivindicações de todos os profissionais da segurança.
    Falência
    Quando o próprio secretário nacional da Segurança Pública entende que o “sistema de segurança do país está falido”, o quadro que se estabelece hoje no RS está absolutamente dentro da realidade. Nele nada há de artificial, a partir, inclusive, da falta de visão do governo para buscar o simplismo do caminho das pedras, que é o diálogo. Quem está se apresentando como voluntário para mediar o episódio é o ouvidor-geral da Segurança Pública do RS, Adão Paiani. É certo que o ouvidor ouve. Ouvirá o Piratini?
    Wander.cs@terra.com.br

  • JÁ Editores tem seis lançamentos na Feira do Livro

    Rolo Compressor,
    a máquina de fazer gols

    Repleto de fotografias, Rolo Compressor – Memória de um Time Fabuloso, do cronista esportivo Kenny Braga, será apreciado pelos amantes do futebol de todas as cores, por trazer à luz um pouco do que foi o futebol gaúcho no período em que a profissionalização no esporte, que já se consolidava em São Paulo e no Rio, ainda estava para começar no Rio Grande do Sul.
    Para os colorados, terá o deleite especial de conhecer melhor o mitológico Rolo Compressor, o perfil dos seus principais personagens, dos craques que naquele cenário em que o mundo assistia a Segunda Guerra, começavam a virar ídolos da torcida, e depoimentos de alguns dos poucos que viram o Rolo jogar e estão aqui para contar.
    Lançamento dia 24 de outubro, 6ª-feira, 18hs, no térreo do Mercado Público de Porto Alegre, perto do Gambrinus e da Banca 40. Autógrafos da Feira: 2 de novembro, domingo, 18h30, na praça.
    As estradas de água
    do Rio Grande

    Navegar pelo território gaúcho é possível e necessário. As hidrovias, adormecidas desde que o Brasil optou pelas rodovias como principal meio de transporte interno para cargas e pessoas, na década de 1950, começam a despertar impulsionadas por investimentos públicos e privados.
    Já é possível fazer quase 800 quilômetros por hidrovias, e os planos chegam a prever um caminho de 1.300 quilômetros desde o rio Uruguai até o porto de Rio Grande, em obras para tornar-se o porto mais importante do Cone Sul, maior que os de Buenos Aires e Montevideo. Pelos rios e lagos até Rio Grande, o Mercosul ganha uma nova via para o mundo.
    O livro-reportagem Navegando pelo Rio Grande, do jornalista Geraldo Hasse, conta a história deste Rio Grande aquático, que não habita o imaginário popular. Desde a chegada dos primeiros desbravadores europeus, pela brava barra de Rio Grande; a epopéia que foi a construção dos molhes que domaram a entrada do porto; os rumos da povoação do Estado determinada pelo cursos d’água; e todo o potencial deste meio de transporte – tudo ilustrado com fotos e mapas. Um livro para estudantes de todas as idades.
    Autógrafos na Feira: 3 de novembro, 2ª-feira, 17h30, na praça.
    Um inventário
    do Ferrabraz

    Uma das regiões mais prósperas e urbanizadas Rio Grande do Sul, o Vale do Rio dos Sinos viu desaparecer grande parte de suas florestas. A comunidade da região, liderada pela Organização Não-Governamental Araçá-piranga, iniciou um projeto para definir a criação de uma unidade de conservação com base no núcleo da reserva do Morro do Ferrabraz.
    Para garantir a conservação do ambiente natural, flora e fauna remanescentes, a idéia é criar uma área de preservação envolvendo, inicialmente, os municípios de Araricá, Nova Hartz e Sapiranga. O respaldo do Ministério do Meio Ambiente, desde 2006, viabilizou o estudo para a criação da unidade de conservação, nos vales do Sinos e do Caí. O livro Ferrabraz, Reserva da Biosfera resume o trabalho de caracterização da região, que incluiu a elaboração de mapas e imagens, feito por uma equipe de 14 pesquisadores e apoiadores da ONG. O livro foi organizado pelo biólogo Luís Fernando Stumpf e pelo jornalista Guilherme Kolling.
    Autógrafos na Feira: 4 de novembro, 3ª-feira, 19h30, na praça.
    Chananeco
    além da lenda

    A micro-história é efeita a partir de pesquisas como esta que resultou na biografia Chananeco, da Lenda para a História, de César Pires Machado. O historiador foi além do mito quase folclórico de Vasco Antonio da Fontoura Chananeco, um guerreiro que virou mote de causos sobre façanhas e bravuras mantidas vivas pela tradição oral da Campanha gaúcha.
    Cesar Pires Machado investigou quem foi, além da lenda, este carreteiro e bodegueiro de campanha, que largou a carreta cheia de mercadorias na beira da estrada para acompanhar uma tropa de guerreiros que pasava rumo à Guerra do Paraguai e, de lá, voltou coronel.
    Autógrafos na Feira: 12 de novembro, 4ª-feira, 18h30, na praça.
    Como chegamos
    à petroquímica

    A petroquímica brasileira tem meio século. A Petroquímica Faz História, dos jornalistas Elmar Bones e Sérgio Lagranha, narra os fatores econômicos e políticos que influíram na petroquímica brasileira, especialmente no Rio Grande do Sul.
    Na primeira parte, Bones conta como foi o movimento que mobilizou o Estado para que o 3º pólo petroquímico brasileiro fosse construído em Triunfo, três décadas atrás. Na segunda parte, Lagranha descreve inovações tecnológicas e as demandas dos mercados, que hoje desenham um quadro completamente diferente do que era nas primeiras fases desta indústria que hoje está presente no cotidiano de todos.
    Antonio Olinto,
    atual há meio século

    Leitura obrigatória para quem escreve e satisfação para quem gosta de ler, Jornalismo e Literatura, o ensaio que Antonio Olinto escreveu em 1952, volta a ser publicado, com um capítulo final escrito especialmente para esta edição de 2008.
    Até agora, o único exemplar disponível para venda no Brasil, usado, podia ser encontrado na estante de livros raros de um sebo paulista, por R$ 185,60. Este lançamento é, portanto, uma oportunidade imperdível para agregar este clássico a toda e qualquer biblioteca razoável.
    Aos 89 anos, Olinto vive no Rio de Janeiro. Sai cedo de casa, rumo às favelas e subúrbios cariocas, a montar bibliotecas comunitárias. É um projeto ao qual se dedica há anos e se consolidou com a criação do Instituto Antonio Olinto. Sua obra literária estende-se poesia, romance, ensaio, crítica literária e análise política. Montou uma preciosa coleção de arte africana, pela qual se interessou mesmo antes de viver na África, onde foi adido cultura na Nigéria.
    Em 1994, este mineiro de Ubá, nascido em 1919, recebeu pelo conjunto da sua obra o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, a mais alta laúrea literária do Brasil. Em 1997, foi eleito para a Academia na cadeira nº 8, sucedendo o escritor Antonio Callado. Seus romances são traduzidos em vários idiomas.
    O livro Jornalismo e Literatura, editado pelo MEC em 1955, foi adotado e cursos de Jornalismo em todo o Brasil.

  • Navegar é possível

    Embora tenha o próprio nome ligado à abundância de águas que tem, o Rio Grande do Sul invariavelmente evoca uma imagem terrestre, que se confunde com a vida no campo, no manejo do gado, a tropa, a carreta, o Pampa onde nasceu o mito do campeador. É comum ouvir-se, sem ressalvas, dizer que o Rio Grande do Sul foi conquistado “a pata de cavalo”.
    É tão comum que soa estranho dizer que foram as águas que determinaram, desde o início, o rumo e o ritmo da conquista e da ocupação do território.
    Foi a costa inacessível que retardou por dois séculos a ocupação portuguesa. Em 662 quilômetros de costa, só há três “entradas”: o rio Mampituba e o Tramandaí, onde só podem entrar pequenas embarcações, e o sangradouro que liga a Lagoa dos Patos ao Atlântico, no local onde hoje está o porto de Rio Grande. Só quando foi vencida a barra em Rio Grande, a povoação se propagou, seguindo o curso d’água e se fixando junto aos portos naturais. O caminho das águas foi fundamental em todos os ciclos econômicos, desde o início da formação do Estado.
    Nas últimas décadas, as vias navegáveis foram substituídas pelo asfalto. Os caminhões e ônibus passaram a ser preferidos na movimentação de cargas e pessoas. Embarcações como os trens quase sumiram da paisagem. Foi um ciclo.
    No presente, a rede fluvial e lacustre volta a ganhar atenção, por conta de grandes projetos em andamento, envolvendo bilhões de dólares. São milhões de toneladas, desde a matéria-prima para as indústrias até o produto final para exportação, que precisam ser transportadas.
    A decisão do governo federal de apostar no porto de Rio Grande como uma porta para a Ásia completa o quadro. Há portanto um renascer da navegação no Estado. Neste livro queremos demonstrar que isso é tão possível quanto necessário.
    Texto de introdução do livro Navegando Pelo Rio Grande

  • Governo libera hoje o tráfego na Baltazar

    O governo do Estado marcou para sexta-feira(31/10) às 15h, a liberação do tráfego da nova Avenida Baltazar de Oliveira Garcia, próximo a rua Manuel Elias. Serão entregues as pistas de rolamento, a iluminação completa, parte da sinalização vertical e horizontal e as divisórias do corredor de ônibus. Em dezembro serão finalizadas as obras de colocação das nove estações de passageiros, a sinalização semafórica (sinaleiras ou semáforos), a sinalização vertical e horizontal (placas) e os passeios (calçadas).
    O trecho de 5,5 quilômetros na Zona Norte de Porto Alegre faz parte do Programa Linha Rápida. Prevista para ser entregue em outubro, a obra teve que vencer algumas interferências (desapropriações, substituições de galerias do Dmae, reposição de postes de fios da CEEE e de empresas de telecomunicações, retiradas de cabos de fibra ótica e as mudanças climáticas) e a aprovação do projeto de estações de ônibus, que só agora foi obtida.
    “Desde o reinício da obra, em 28 de agosto de 2007, o governo vem cumprindo rigorosamente os compromissos assumidos, com a garantia dos recursos. Entregamos a penúltima etapa e em 30 dias ou 40 dias entregaremos o corredor de ônibus finalizando desta forma a nova Baltazar”, afirma o secretário da Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sehadur), Marco Alba.
    Entretanto, os moradores da região reclamam bastante da demora para a conclusão da obra. “Eu já estou quase me formando e desde quando passei no vestibular enfrento problemas de trânsito para chegar à Universidade”, conta Rodrigo Padilha, estudante da PUCRS e morador do bairro Santa Fé. “Tenho que enfrentar buracos e desvios diferentes semanalmente”.
    Projeto de 1996, orçada em R$ 34 milhões, a obra foi paralisada em setembro de 2006 e retomada em agosto de 2007. Iniciadas em fevereiro de 2006, a reconstrução da via vai desde o Terminal Triângulo da Avenida Assis Brasil à rua Serapião Goulart, em Alvorada. O trecho atinge 400 mil moradores e comerciantes da região. São 230 mil deslocamentos diários por ônibus no corredor.

  • Projeto sobre Pontal deverá ir a votação no dia 12

    A tarde de quarta-feira (29/10) foi movimentada no Plenário da Câmara de Vereadores, que esteve cheio até às 15h, enquanto a votação do projeto que trata da reurbanização do Pontal do Estaleiro esteve em discussão. Em sessão ordinária, a votação foi marcada para o dia 12 de novembro. A decisão foi acordada em reunião realizada pelos vereadores que integram a Mesa Diretora e as lideranças partidárias da Câmara. O projeto de lei que trata do Pontal do Estaleiro é subscrito por 17 vereadores e propõe a revitalização urbana da orla do Guaíba, em trecho localizado na Unidade de Estruturação Urbana (UEU) 4036.
    Conforme o texto, o projeto para o Pontal do Estaleiro – também conhecido como Ponta do Melo – é classificado como empreendimento de impacto de segundo nível por sua proposta de valorização dos visuais urbanos e da atração turística pelas atividades previstas.

  • Três coronéis queimam as mãos da governadora

    A sociedade, atônita, quer apenas segurança em casa, no trabalho e no lazer.
    A dança dos coronéis, na Brigada Militar, não é importante somente para os coronéis envolvidos diretamente, não é importante somente para a instituição, ela é importante, acima de tudo para a sociedade. E quem dá a palavra final sobre essa coreografia é a caneta da governadora Yeda Crusius. E Yeda, forçada pelas circunstâncias de um processo político que ela mesma orientou, está exercendo a condução dos passos dos coronéis com evidente temeridade. A governadora tem três coronéis queimando em suas mãos e todos, a seu tempo, foram por ela ungidos ao comando-geral da corporação e, dois, por ela foram derrubados: Edson Alves e Nilson Nobre Bueno. O terceiro, Paulo Roberto Mendes, é o vencedor da dança. No entanto, Edson e Nilson se recusam a sair do salão. Yeda acomodou Nilson em Santo Ângelo, onde trabalhará perto de sua casinha e de olho na cadeira vazia do Tribunal Militar do Estado. Edson, tem situação indefinida depois de ter sido ejetado tanto do comando geral da Brigada como da Casa Militar do Piratini. Mas trata-se de homem de confiança da governadora e ela precisa dar um jeito nisso. Aparentemente, a situação mais cômoda é a de Mendes e nele se centraliza o que poderá ser a grande saída de Yeda, não obstante o desgaste que disso pode advir. No próximo dia 18 de novembro, deverá ser indicado o novo juiz do Tribunal Militar do Estado e o primeiro nome da lista é o de Mendes. Feita esta escolha estará desencadeado o efeito dominó. O coronéis preteridos irão para casa e o Pi-ratini dormirá em paz. A Brigada terá o quarto comandante da era Yeda sob o olhar atônito de uma sociedade que deseja apenas mais segurança em casa, no trabalho e no lazer.
    Ausência
    Informo aos meus leitores e leitoras, entre os quais estão os membros encapuzados do conselho desta coluna, que, a partir de amanhã, estarei ausente. Retornarei na próxima terça-feira, 4 de novembro, sempre sentido com saudade o gostinho agridoce dos que me gostam e guardando um poção secreta para os que espionam a minha torre.
    Paralisação
    A Asdep (Associação dos Delegados de Polícia do RS), segundo seu presiente, Wilson Müller, estará dando apoio a paralisação coordenada pela Adepol (Associação dos Delegados de Polícia do Brasil) que acontecerá, hoje, entre as 14 e 16 horas. Dois pontos principais do movimento: salários e condições de trabalho.
    Taxistas
    Agentes da DP de Gramado prenderam um jovem de 25 anos de idade, no bairro Dutra. Segundo o delegado Gustavo Celiberto Barcellos, o moço é acusado de quatro assaltos a taxistas na última semana e foi reconhecido por todas as vítimas.
    Jogos
    Cerca de 60 máquinas caça-níqueis foram a-preendidas, ontem, em uma operação da Polícia Civil no litoral norte do Rio Grande do Sul. Quatro dos 12 mandados de busca e apreensão expedidos foram cumpridos em casas de policiais civis. Eles são suspeitos de proteger os responsáveis pela exploração de jogos. Essas pessoas não conseguem compreender que só quem pode explorar jogos de azar no país, proibidos pela Constituição Federal, é o governo através da Caixa Econômica Federal.
    Traficantes
    A DP do município de Sarandi prendeu, em locais diferentes, duas pessoas envolvidas em tráfico de entorpecentes. A ação teve apoio da Brigada Militar daquele município e da Polícia Rodoviária Federal. De acordo com o delegado Edson Cezimbra, foi presa uma mulher, de 27 anos e um homem de 33 anos. Foram apreendidas pouco mais de 80 pedras de crack.
    Salva-vidas
    A Brigada Militar receberá até o próximo dia 16 de novembro as inscrições para o processo seletivo de contratação de salva-vidas Civis. As informações estão no site da Brigada: www.brigadamilitar.rs.gov.br.
    Baleados
    Um homem foi ferido com um tiro na cabeça, na madrugada de eontem, no parque Chico Mendes na Zona Norte da capital. A vítima não foi identificada, foi encaminhada ao hospital Cristo redentor. Segundo a polícia ela chegou ao parque com mais três pessoas. Em Esteio outro homem não identificado foi baleado com quatro tiros na vila Neuza Brizola esta internado no hospital São Camilo.
    Cobertor curto
    Os 101 homicídios registrados este ano em Canoas, faltando ainda dois meses para terminar 2008, é um índice preocupante, pois em todo o ano de 2007 foram 100 os assassinatos ocorridos no município. O comandante da Brigada Militar daquela área, o coronel Rodolfo Pacheco, entende que só com o recebimento de mais efetivo será possível coibir a violência. Ocorre que, para reforçar o policiamento de Canoas, outros municípios perderão efetivo.