Autor: Elmar Bones

  • Adiada votação do Pontal do Estaleiro

    Por decisão da mesa da Câmara Municipal de Porto Alegre foi adiada a votação do projeto que altera lei que regula construções na Orla do Guaiba foi adiada. A votação seria realizada nesta quarta-feira(15), entretanto, foi transferida para depois das eleições, cujo segundo turno ocorre no dia 26. A mudança tem por objetivo viabilizar o Pontal do Estaleiro, projeto polêmico de urbanização da área do extinto Estaleiro Só.
    Na última semana representantes das entidades e associações contrárias a alterações na lei que proíbe construções de espigões na orla do Guaíba, abordaram pessoalmente cada um dos vereadores, apresentando os erros do processo e as ilegalidades que contém.

  • 25 camelôs podem ser substituídos caso não apresentem seus contratos

    Gabriel Sobé
    Entrando em sua reta final de obras, o Camelódromo começa a estipular prazos para os comerciantes inquilinos, para que acertem seus contratos com a construtora e concessionária do local, a empresa Verdicon. Segundo o assessor de imprensa da Smic, Ocimar Pereira, restam ainda 25 camelôs regularizarem suas situações.
    No final da semana passada, havia sido estipulado o prazo até o dia 13 de outubro para que todos apresentassem seus contratos regularizados, entretanto esta data foi altaerada. O assessor afirma que, estes 25 comerciantes ainda podem se apresentar com contrato em mãos, mas qualquer momento “vamos bater o martelo”, afirmou. O secretário municipal da Produção, Indústria e Comércio, Léo Antônio Bulling, observa que se não acontecer a regularização, os suplentes serão chamados.
    Últimos ajustes
    Duas escadas rolantes e dois elevadores já estão em testes no prédio do camelódromo. A obra está na fase final de acabamentos e de licenciamentos legais da Smov e dos futuros comerciantes populares junto ao setor de alvarás da Smic. As 800 bancas metálicas estão montadas no segundo piso do CPC. Todas terão portas independentes com chaves.
    A smic espera entregar o Camelódromo a população na primeira quinzena de novembro. Esta data já foi prorrogada três vezes – duas em setembro, e uma em outubro.

  • A missão mágica dos órgãos policiais

    As questões da violência e da criminalidade são tratadas em compartimentos estanques.
    Um assassinato, a cada duas horas, foi registrado, durante o último fim de semana no Estado. Cada homicídio consumado é um caso de polícia, seja com autor conhecido ou não. Antes disso, a polícia ostensiva rarefeita e uma policia judiciária impossibilitada de acelerar processos que possam, pelo menos, assustar os autores de delitos, notadamente os profissionais do crime, têm parte mínima nesse flagelo social. De um lado, os órgãos da se-gurança pública não possuem efetivo nem instrumentos que possibilitem um enfrentamento ininterrupto, 24 horas por dia contra as estruturas do crime organizado e as ações contra essas fortalezas são, obrigatoriamente, eventuais. De outra banda, o governo mascara sua fragilidade para traba-lhar na área da violência ao transferir para uma polícia mal paga e despo-voada a missão mágica de controlar o comportamento não só dos chefões do crime como o das populações famintas, sem escola, sem moradia, sem saneamento, sem emprego e que estão cercadas pelas propostas, de vida ou morte, de traficantes de drogas, de armas, de criaturas humanas. O governo trata – quando trata – destas questões em compartimentos estanques, o que leva a um resultado, mais do que zero, atrapalhado.
    Restinga
    A Polícia Civil prendeu cinco pessoas, na manhã de ontem, no bairro Restinga Velha, zona Sul da capital. Foram apreendidas armas e munição. A maior parte do material estava com Clairon Rodrigues, de 45 anos que foi autuado em flagrante. Ele fornecia armas para quadrilha de traficantes. Segundo o delegado Bolívar Dantada o grupo teria envolvimento em quatro assassinatos neste ano.
    Encomenda
    A chacina, ocorrida na tarde de domingo, no bairro São Pedro, em Alvo-rada, quando jovens que tinham entre 14 e 20 anos de idade foram executa-dos a tiros, está, praticamente esclarecida. Segundo o delegado Odeval Soa-res os apelidos dos suspeitos já foram apurados e, inclusive, os locais em que eles costumam circular. A morte dos rapazes teria sido por encomenda.
    Carbonizados
    Um morador do balneário, em Torres localizou, na manhã de ontem, um corpo carbonizado junto às dunas da região Segundo a Brigada Militar pos-sível apurar nem mesmo os sexo da vitima. No fim de semana outro corpo carbonizado fora localizado em São Leopoldo.
    Família
    Quadrilheiros invadiram uma residência no bairro Estância Velha em Ca-noas, na madrugada de ontem. Uma família foi feita refém. Os bandidos fugiram levando dinheiro e uma caminhonete. Pela manhã, a quadrilha u-sou o carro para assaltar um posto de combustível em Cachoeirinha. Os criminosos fugiram após trocarem tiros com PMs.
    Droga
    Agentes da DP de Farroupilha, coordenados pelo delegado Valdernei To-nete, prenderam dois homens, de 23 e 24 anos, na rua José Cesar Montova-ni, no bairro São José. Foram apreendidas 777 petecas de cocaína e crack, um tijolo de cocaína pesando 265 gramas, e uma pedra de crack, pesando 170 gramas.
    Blindagem
    Encerra-se, hoje, o prazo para que os bancos bliden as fachadas externas no nível térreo das agências e postos e nas divisórias internas no mesmo piso, em Porto Alegre. O prazo de 180 dias começou a ser contado no dia 14 de abril, quando foi publicada no Diário Oficial do Município a lei, de autoria da vereadora Maria Luiza (PTB), aprovada pela Câmara Municipal em dezembro do ano passado e sancionada pelo prefeito José Fogaça em 2 de abril.
    Iguais
    Um azulzinho fugiu da Polícia Rodoviária Federal na freeway, foi autua-do nove vezes em 10 minutos, atingiu a velocidade de 150km/h, colocou em e risco a vida de outros motoristas por ele ultrapassados e a das suas próprias filhas, uma de 13 e outra de 14 anos, que estavam em seu belo Honda Civic. Diante disso, pela EPTC, o diretor de Trânsito e Circulação, Sérgio Marinho, alegou que o seu subordinado, André Rolim Félix, não estava em serviço e, por isso, nada tinha a comentar. Na cabeça e nas mãos dessas pessoas está o nosso trânsito e, até mesmo, as nossas vidas. Marinho e Felix são iguais.

  • As fronteiras ardentes: conflitos na Bolívia, Colômbia e Venezuela

    Painel de debates vai abordar a disputa política sobre os territórios latinos, incluindo o recente episódio separatista na Bolívia.
    Dois professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e um jornalista serão os painelistas do evento “As fronteiras ardentes: conflitos na Bolívia, Colômbia e Venezuela”, que busca debater causas e conseqüências das recentes disputas políticas nos territórios latinos.
    O jornalista Leonardo Wexxel Severo abre o seminário abordando o recente episódio separatista na Bolívia, quando governadores de alguns dos estados com maior arrecadação tarifária – e que fazem oposição ao governo Evo Morales – incitaram uma guerra civil a favor de sua independência.
    Na ocasião, o jornalista também lança o livro-reportagem “Bolívia: nas ruas e urnas contra o imperialismo”, uma coletânea de matérias escritas para os sites Mundo do Trabalho, Vermelho e para o jornal Hora do Povo.
    A discussão segue com duas outras intervenções. O professor da veterinária, colombiano de nascimento e coordenador do Comitê de Solidariedade ao povo do país vizinho, Felix González fala sobre “Colômbia: na fronteira entre o fascismo e a democracia”.
    E para finalizar, Fanny Longa, do Programa de Pós-graduação em Antropologia da Ufrgs expõe suas idéias sobre “Fronteira colombo-venezuelana: o conflito armado na Colombia, deslocamento forçado e refugiados externos”.
    O painel “As fronteiras ardentes: conflitos na Bolívia, Colômbia e Venezuela” é organizado pelo Comitê de Solidariedade ao Povo Colombiano e conta com o apoio da Associação de Docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Adufrgs).
    SERVIÇO
    Quando: sexta-feira, 17 de outubro, às 14hs
    Onde: Auditório da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs (Rua Sarmento Leite, 320 – Campus Central)
    Quanto: Entrada franca

  • Bancos devem blindar seus vidros até dia 14 de outubro

    Os bancos têm prazo até esta terça-feira, dia 14 de outubro, para blindar as fachadas externas no nível térreo das agências e postos e nas divisórias internas no mesmo piso, em Porto Alegre. O prazo de 180 dias começou a ser contado no dia 14 de abril, quando foi publicada no Diário Oficial do Município a lei, de autoria da vereadora Maria Luiza (PTB), aprovada pela Câmara Municipal em dezembro do ano passado e sancionada pelo prefeito José Fogaça em 2 de abril.
    A legislação é fundamental para reduzir os índices de violência. Até agosto deste ano, foram registrados 100 ataques a banco em todo o Estado. Estatísticas apontam que cerca de 30% dos assaltos são feitos com o uso de marretas ou outros artefatos que permitam o ingresso dos bandidos.
    A legislação é inovadora, melhorando a estrutura de segurança nas unidades e protegendo a vida de bancários, vigilantes e clientes contra ataques de quadrilhas.
    O Sindicato dos Bancários de Porto Alegre também cobra dos bancos, além da blindagem, que destinem parte dos lucros (mais de R$ 16 bilhões apenas no primeiro semestre deste ano) para a colocação de câmaras de vídeo para monitoramento, porta giratória antes do auto-atendimento e contratação de mais vigilantes.

  • Música americana de bombacha e gaita ponto

    Depois de ter sido cancelada por falta de apoio em 2005, o mês outubro vai marcar a primeira edição do Festival Jazz às Pampas, produto da dedicação apaixonada do pesquisador e jornalista Guinter
    Kleemann. “Jazz é um vício do qual a gente nunca se livra”, brinca.
    Apesar do conhecimento de Guinter – que possui uma das mais importantes discografias do gênero, com mais de 1000 discos de jazz – conseguir apoio financeiro para o projeto não foi fácil.
    Tanto que o cachê camarada dos músicos será pago pela única empresa que se interessou pelo Festival. “Aconteceu mais de uma vez de o encarregado do marketing achar que jazz era uma dança”, revela a produtora Ivana Dalle Molle.
    Mesmo com um caráter independente, o festival nasce importante. Vai acontecer no Theatro
    São Pedro (nos dias 21, 22 e 23 de outubro) e reunirá mais de 70 músicos locais, cujas influências
    conferem uma sonoridade própria ao estilo.
    Bairrista assumido – “moro na República do Piratini” – o curador do festival observa que a música regional e platina influencia muito os compositores gaúchos, abrindo espaço para os “derivados do jazz”. “Quem for ao teatro esperando um cover dos americanos, vai se decepcionar”, alerta Guinter.
    Ele também lembra o parentesco entre o estilo de Nova Orleans e a bossa-nova. “O mestre Tom Jobim
    é o melhor exemplo de jazz latino”, elogia Guinter.
    Mas não deixa de citar que as influências tupiniquins também chegaram ao hemisfério de cima. “John Coltrane gravou Bahia”, complementa. O principal objetivo do Jazz às Pampas é resgatar o circuito local
    do gênero, que hoje está restrito ao Bar Odeon, na Andrade Neves, e – mais recentemente – à Casa dos Bancários, na Ladeira. “É tanta gente boa aqui que tem bandas sobrando na programação”, comemora Guinter.
    Saudosista, o curador lembra que “houve um tempo em que existiam muitas casas de jazz em Porto Alegre”. Ele credita a decadência do gênero na capital à chegada das canções modernas, nas quais a
    letra é mais importante que a harmonia. “O jazz é muito mais instrumental, ainda que existam alguns cantores”.
    Outro fator determinante foi a eletrificação da música, característica que o festival também
    vai enfatizar nos shows, que serão acústicos. “A amplificação deixa o som chapado”, critica Guinter.
    A primeira edição vai homenagear a legendária Ivone Pacheco, considerada “a dama do jazz na Capital”.
    Há 26 anos, ela criou um clube secreto que reúne músicos no porão da sua casa: o Take Five. É
    Ivone quem abre a primeira noite de espetáculos, com Ricardo Arenhaldt e Luciano Kersting.

    Serviço:
    O quê: Festival Jazz às Pampas.
    Quando:
    Noite de Abertura: Terça 21/10:
    * Ivone Pacheco, Luciano e Ramiro Kersting
    * Caixa Preta com participação especial de Andréa Cavalheiro (Hard Working Band)
    * Camerata Brasileira – participação especial Plauto Cruz
    *Dionara Schneider Plauto Cruz e convidados
    * Adão Pinheiro e quarteto
    Segunda Noite: Quarta 22/10:
    * Barlavento Quarteto de Saxofones e convidados
    * Sexteto Blazz com participação especial de Solon Fishbone,
    * Trezegraus – Cordas + Percussão- James Liberato, Tiago Colombo, Ana Paula Freire, Luis Jakka
    * Tonda Y Su Combo – participação especial de Jorginho do Trumpete, Rochinha e Cláudio Sander
    Terceira Noite:Quinta 23/10
    * Trio de Janeiro – lançamento do 3º CD Scenário Urbano,
    * Quartchêto – participação especial Arthur de Faria,
    * Geraldo Flach , Marcelo Corsetti – Xquinas,
    * Porto Alegre Orquestra de Espetáculos – (Big Band Maestro Garoto)
    Onde: Theatro São Pedro.
    Horário: 20 horas.
    Quanto: Os ingressos variam
    entre R$25,00 (platéia) e R$10,00
    (galerias). Com desconto de 50%
    para o Clube do Assinante ZH.
    Circuito jazzista está restrito

    O saxofonista gaúcho Claudio Sander é uma atração do festival bairrista que acontece em outubro
    Música americana de bombacha e gaita ponto

  • Capital poderá ter fundo para retirar carroceiros das ruas

    Por Carlos Matsubara, Ambiente JÁ
    Porto Alegre é uma cidade com boa fama, pode-se dizer assim. Possui atrativos dignos de serem conhecidos como museus, teatros, parques, além da costumeira hospitalidade dos pampas. Alguns são bem manjados como o pôr do sol do Guaíba. Mas também é conhecida pelos inúmeros carroceiros que perambulam pelas ruas atrás das sobras dos outros como forma de sobrevivência.
    Ainda que prestem um serviço informal de coleta de lixo, causam polêmica, principalmente com os protetores dos animais que se incomodam com os maus-tratos impostos aos cavalos. Estimativas dão conta de que esses catadores informais recolham cerca de 500 toneladas por dia de lixo das ruas da cidade.
    Em junho deste ano a Câmara de Vereadores aprovou um Projeto de Lei, de autoria de Sebastião Melo (PMDB), que prevê o fim da circulação de veículos de tração animal em oito anos.
    O que causou preocupação foi uma emenda de última hora do vereador Beto Moesch (PP) que incluiu na lei a eliminação dos veículos de tração humana com objetivo de incluir também os chamados carrinheiros. Conforme Alex Cardoso, integrante do Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável (MNCT), a medida com a emenda pode afetar mais de 80 mil catadores, com e sem cavalo.
    Aprovada um pouco antes das eleições municipais a lei tem todo jeito de quem jogou pra torcida, já que no papel garante renda e ocupação a essa mão-de-obra toda que ficará sem função. Cardoso lembra o óbvio de que nem tudo o que está previsto em lei é cumprido e que, por isso, a nova legislação não é garantia do sustento dos catadores e de suas famílias.
    O catador ainda levanta uma questão. Se os catadores informais vão sair das ruas, quem irá fazer este serviço? Segundo ele, ao retirar esse pessoal, uma empresa privada irá ocupar a vaga. Hoje a prefeitura gasta em torno de R$ 250 por tonelada.
    Construção Civil pode ser destino de catadores
    Nesta semana um outro Projeto de Lei foi protocolado nessa direção. O autor Adeli Sell (PT) diz que seu projeto prevê a criação de um Fundo que garantirá recursos para cursos de capacitação e reciclagem de mão-de-obra para inserção dos catadores no mercado de trabalho em outros setores como o da construção civil e segurança. Conforme o político são dois setores que reclamam reiteradamente da falta de pessoal qualificado. “Não adianta criar leis que exijam a retirada deles sem oferecer uma alternativa real”, diz.
    Os recursos poderiam vir do orçamento da prefeitura. Mas para isto ocorrer, é necessário que seja votado até o fim do ano. Algo que o próprio autor admite ser uma tarefa complicada. Caso não seja possível, a prefeitura ainda poderia estabelecer parcerias com a iniciativa privada e organizações não-governamentais para buscar a qualificação e recolocação dessas pessoas no mercado de trabalho.
    Adeli lembra que o Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon) sinalizou diversas vezes que seria parceiro nessa empreitada. Outra entidade que apóia a idéia é o Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação, que também necessita de pessoal capacitado para ocupar vagas em aberto.
    Prefeito deve sancionar lei
    O prefeito-candidato José Fogaça já admitiu publicamente que irá sancionar a lei. Ele gosta de comparar a situação dos carroceiros com a dos camelôs do centro da cidade. Para os ambulantes a solução foi a construção do camelódromo, cuja inauguração está prevista para o fim de outubro.
    Conforme a prefeitura, a lei possibilitará a inclusão destas pessoas para outras atividades como a hortifruticultura nas ilhas do Guaíba ou sua continuidade no mercado da reciclagem por meio de cooperativas.
    Para o presidente da Associação dos Carroceiros de Porto Alegre (Ascapoa), Teófilo Rodrigues Motta Júnior, a lei não deve ser sancionada. Ele promete continuar nas ruas. “Vamos nos organizar ainda mais agora e continuar trabalhando”, afirma.
    Projetos esquecidos
    Alardeados como soluções para o problema do lixo em Porto Alegre, três projetos foram completamente abandonados. Conforme o site Máfia do Lixo são eles: “Projeto da Incineração de Lixo”, o “Projeto da Unidade de Triagem, Central de Comercialização e Usina de Beneficiamento de Plástico” e a “Central de Tratamento de Resíduos de Saúde”.
    O primeiro nunca teve os equipamentos instalados desde que foi projetado em 1991 pelo Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) para ser instalado na zona sul da cidade. Embora polêmica, a queima do lixo poderia servir para gerar energia.
    O “Projeto da Unidade de Triagem, Central de Comercialização e Usina de Beneficiamento de Plástico” seria construído no Distrito Industrial da Restinga e teve parte das máquinas e equipamentos roubados. Neste, o DMLU chegou a receber o “Prêmio Top de Ecologia”.
    Já o terceiro projeto, a “Central de Tratamento de Resíduos de Saúde” teve uma parceria da Prefeitura de Porto Alegre com a empresa Cavo Serviços e Meio Ambiente S/A. O município cedeu o terreno também na Restinga e a Cavo construiu um pavilhão, que logo foi abandonado com a empresa encerrando suas atividades.

  • Os policiais e os grupos vulneráveis

    No Dia da Criança, permito-me contornar a aridez da marginalizada política da segu-rança pública.
    A resposta adequada da polícia a ocorrências que envolvam mulheres, cri-anças, idosos, moradores de rua, pessoas com deficiência e homossexuais será o tema do curso de Atendimento a Grupos Vulneráveis, a partir desta segunda-feira, em Belo Horizonte. A iniciativa da Senasp (Secretaria Na-cional de Segurança Pública), capacitará 60 policiais civis e militares dos estados do Sul e Sudeste (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Espí-rito Santo, São Paulo e Minas Gerais). Como hoje é o Dia da Criança – e não há grupo mais vulnerável do que o das crianças, independente de qual-quer condição social, pois é o período em que há a nascente de todo o com portamento humano – dou, como um humilde marquês, destaque para essa iniciativa da Senasp. Por ora, partindo do governo federal, é muito pouco, é quase nada, mas, pelo menos, é o início da capina para abrir a picada.
    Rodovias
    O CRBM (Comando Rodoviário da Brigada Militar) receberá, amanhã, dez motocicletas Harley-Davidson e quatro viaturas discretas modelo Ford/Focus. O evento acontece às 10h30min, na sede daquela unidade, na avenida Aparício Borges, 2263, bairro Partenon. As motocicletas foram adquiridas através de convênio entre o Comando Rodoviário e o Daer. Os veículo, segundo o comandante do CRBM, tenente-coronel Silanus Sereni-to de Mello, os veículos integrarão o pelotão de motos para a fiscalização e patrulhamento das rodovias estaduais.
    Traficante
    Um homem de 34 anos de idade foi preso por tráfico de drogas, sexta-feira na zona sul de Porto Alegre, por agentes do Denarc. Sob o comando do delegado Marcio de Jesus Zachello, os policiais estavam investigando o tráfico de drogas nos bairros Camaquã e Cavalhada. Junto com o preso, foram apreendidas sete pedras de crack e uma peteca de maconha.
    Esforço
    Na última sexta-feira, das 12h às 18h, a Brigada Militar realizou mais uma edição da Operação Esforço Concentrado em 466 municípios gaúchos com a mobilização de 1.580 servidores em 619 viaturas. Foram presas 20 pessoas, entre elas, dois foragidos da Justiça e apreendidas duas armas.
    Família
    “A tributação no Direito de Família” será o tema da palestra a ser desen-volvida pelo advogado André Pereira Ibañez, na próxima terça-feira, dia 14, no Iargs (Instituto dos Advogados do RS), na travessa Acelino de Car-valho, 21, das 12h às 13h30min. O evento, coordenado pela vice-presidente da entidade, Helena Ibañez, tem entrada gratuita.
    Jovens
    No bairro Bom Fim, um Corsa e um Celta, ambos de cor preta, ocupados por jovens consumidores de crack, circulam em toda a área para furtar a-cessórios de veículos estacionados. Os quadrilheiros também praticam as-saltos, principalmente contra mulheres.
    Justiça
    O presidente do Conselho de Relações Institucionais e Comunicação So-cial do Tribunal de Justiça do Rio Grande o Sul, desembargador Voltaire Lima de Moraes, dia 4 deste mês, sábado, no uso democrático do direito de resposta, nesta coluna, solicitou que eu declinasse nomes de pessoas que se enquadrassem em casos de nepotismo naquela corte. Atendo, hoje, a solici-tação que, como não poderia deixar de ser, me foi encaminhada com má-xima polidez.
    Na 19ª Câmara Cível, no gabinete do desembargador Guinter Sphode, trabalha, em cargo de confiança, Natasha Kerber Britto, filha do Procurador de Justiça Sérgio Guimarães Britto. Por ora, a pedido do desembargador Voltaire, é a colaboração que posso dar ao egrégio Tribunal de Justiça gaú-cho. Como tema recorrente, leio que mais da metade de senadores ainda não informaram a demissão de parentes.
    Desarmamento
    Sabiamente, os assessores de segurança da governadora Yeda Crusius estão providenciando na instalação de detector de metais no Piratini. No entanto, por ora, não há como desarmar os espíritos que por lá baixam.

  • A estratégia do Piratini em meio ao tiroteio

    O sistema penitenciário é apenas um dos segmentos da segurança pública.
    O estado calamitoso do sistema penitenciário gaúcho é uma realidade anti-ga e, por isso, o decreto do governo que o colocou em situação de emer-gência é, simplesmente, pífio. A simples aceleração da construção de casas prisionais – que é pouco viável – exige o recrutamento de um conjunto de profissionais que um simples decreto está longe dimensionar. E este mesmo sistema está na órbita da política da segurança pública que compreende segmentos de igual importância: Brigada Militar, Polícia Civil e IGP (Insti-tuto-Geral de Perícias. Todo esse complexo não deve e não pode ser tratado com remendos, improvisações e arroubos provocados por desabafos de a-prendizes de feiticeiro. O governo, possivelmente por não ter montado um assessoramento sólido, tanto político como técnico, na área da segurança, está evitando, perigosamente, uma discussão direta do problema na qual possa colocar, abertamente, suas carências e, com isso, buscar o máximo de forças para encontrar uma saída em favor da sociedade. Em meio ao tiro-teio, a procrastinação tem sido a técnica do Piratini. Sigam-me.
    Tsunami
    As entidades classistas das organizações as segurança pública do RS não planejam nenhum movimento até a finalização das eleições municipais. A estratégia é a de evitar qualquer confusão entre as reivindicações dos profissionais da área com a política partidária. Passadas as eleições, o governo deverá enfrentar a formação gradativa de um tsunami que não poderá ser contido com decretos emergenciais.
    Mama
    Um homem armado com faca assaltou o Instituto da Mama, localizado na rua Ramiro Barcelos, em Porto Alegre. Ele rendeu oito funcionários que foram presos em uma peça. Depois, trocou de roupa e fugiu com pertences das pessoas.
    Ressocialização
    A Susepe lançou, ontem, em Santa Maria, o projeto “Arte Livre: Marcan-do o Futuro”. O evento aconteceu no Presídio Regional. Após quatro meses de treinamento, 60 apenados do regime fechado daquela casa prisional estarão habilitados a realizar trabalhos de marcenaria, como a construção de móveis. A cada três dias trabalhados, o detento poderá abater um da pena.
    Os participantes foram selecionados com a condição de que não tivessem cometido falta grave. O grupo que participa do projeto de ressocialização foi treinado pelo Senai. Cerca de 30% do valor obtido com as vendas dos trabalhos será dividido entre os participantes do projeto. O restante do di-nheiro arrecadado será investido na compra de material e manutenção das máquinas. O projeto foi viabilizado pelo Depen (Departamento Penitenciá-rio Nacional) ao custo de R$ 80 mil, incluídos nesse a compra de maquiná-rio.
    Assassinatos
    Duas pessoas foram assassinadas, desde a noite de quinta-feira, em Porto Alegre. Na Lomba do Pinheiro, Ademir Couto, 44 anos, foi executado com 7 tiros no Beco da Taquara. Dois homens foram vistos fugindo do local, no bairro Coronel Aparício Borges. Uma jovem de 18 anos, Caroline Viana, foi encontrada morta dentro de casa, na rua Santa Clara. Caroline, segundo os primeiros levantamentos, foi vítima de estrangulamento e o crime teria origem passional.
    Armas
    Doze integrantes de uma quadrilha de contrabandistas que opera no tráfico internacional e armas e munições foram presos em operação da Polícia Federal de Jaguarão. A ação se realizou além de Jaguarão, em Arroio Grande, Pelotas e Porto Alegre. O grupo, segundo os federais, movimenta-va cerca de 300 mil reais por mês em mercadorias contrabandeadas do U-ruguai.
    Tráfico
    Um casal traficante de drogas foi preso, quinta-feira, por agentes do Denarc. A dupla abastecia consumidores do bairro Ponta Grossa, naz zona sul da Capital. Foram apreendidos 15g de crack e 15g de cocaína. Segundo o delegado Cleomar Marangoni, o homem, com 20 anos de idade, tinha pas-sagem pela polícia e a mulher se encontrava foragida do sistema prisional.
    Cultura
    O TCE (Tribunal de Contas do Estado) inicia na segunda-feira inspeção especial no Conselho Estadual de Cultura para analisar o tramite dos projetos no órgão. Como membro – licenciado – deste conselho, este hu-milde marquês estará incentivando, atentamente, esta inspeção, bem como não esquece que o TCE tem alguns problemas internos, incluindo tramas relativas ao nepotismo, carro com placas frias e coisas outras ainda não esclarecidas em sua plenitude.

  • Debate sobre Pontal chega à Universidade

    Maioria de estudantes e professores do curso de Geografia da UFRGS é contrária ao projeto
    Três horas de conversa no prédio da Geografia da UFRGS não foram suficientes para sanar todas as dúvidas que estudantes e professores tinham sobre a construção do Pontal do Estaleiro. Apesar de o tema não ter sido debatido à exaustão, a maioria dos presentes se posicionou contra o projeto.
    O encontro aconteceu na tarde da quinta-feira (9 de outubro) e integra uma série de ações previstas pelo Fórum Municipal de Entidades na tentativa de incentivar o posicionamento da sociedade diante do projeto, que será votado na Câmara Municipal na próxima quarta-feira, 15 de outubro.
    “Essa proposta já começa mal por não apresentar um estudo de diagnóstico, de planejamento e de previsão de impacto no futuro”, levantou o geógrafo e professor da UFRGS, Nelson Gruber, o primeiro palestrante da tarde.
    Ele ressalta que a construção de prédios de 14 andares deve prejudicar a passagem dos ventos, o que pode resultar em ilhas de calor. O especialista citou cidades brasileiras, como no Espírito Santo, que chegaram a registrar um aumento de 3 graus na temperatura de algumas áreas em função do bloqueio dos ventos pelos prédios.
    Do ponto de vista do Plano Diretor, o Pontal do Estaleiro é considerado um “projeto especial”, o que lhe garante independência do regime urbanístico estabelecido para a Orla do Guaíba, considerada uma Área de Interesse Cultural. Conforme a Lei Complementar 470, está vedado o uso residencial e industrial do terreno e é permitida a construção de apenas quatro andares. “Construtora e a Prefeitura querem privatizar uma área pública sem planejamento integrado com a sociedade. E estão passando por cima do Plano Diretor, graças a uma brecha da lei”, denunciou o conselheiro do Plano Diretor, Felipe de Oliveira, que também foi um dos palestrantes.
    O secretário do Fórum de Entidades, Paulo Guarnieri, critica a falta de diálogo entre o poder público e a sociedade civil. “O correto seria articular essas mudanças democraticamente, não entre quatro paredes como foi feito”, reclama.
    O vício de origem do projeto é outro argumento que os oposicionistas utilizam. Acontece que o projeto foi apresentado pela construtora para análise na Câmara de Vereadores, já que o Executivo abriu mão da decisão polêmica. “Isso é um absurdo! Um projeto urbanístico de uso do espaço público deve ser enviado pelo poder executivo, mas neste caso é uma empresa de arquitetura quem toma a iniciativa”, acusa Felipe de Oliveira.
    Além de protestar contra o projeto da BM PAR, o Fórum de Entidades quer destinar a área para uso público. “Não somos contra o Pontal. Temos inclusive uma proposta alternativa como o Parque Ecológico”, esclarece Guarnieri.
    A intenção é fazer com que a área contemple atividades de lazer e de recreação, especialmente para o público infantil e juvenil em situação de risco social. O Fórum de Entidades e alguns integrantes do Conselho do Plano Diretor sugerem a implantação de áreas de educação ambiental ativa, com o cultivo de viveiros, repovoamento da área com algumas espécies de animais, iniciação esportiva e educação artística. Os recursos viriam por meio de patrocínios de estatais e entidades nacionais e internacionais.
    Com reportagem de Priscila Pasko