Autor: Elmar Bones

  • VEM pinta a primeira aeronave EMB-190 da mais nova Companhia Aérea Brasileira, a Azul Linhas Aéreas

    A equipe da VEM Manutenção & Engenharia recebeu, em suas instalações de Porto Alegre, a primeira aeronave da mais nova empresa aérea do Brasil, a Azul Linhas Aéreas Brasileiras.
    O avião EMB-190 (PR-AZL) chegou aos hangares da VEM no dia 28/08/08 para realização de pintura da padronagem da recém-criada companhia aérea e, dada a larga experiência da VEM em projetos de pintura de aviões de grande e médio porte, este foi mais um projeto de sucesso, que foi entregue no prazo acordado. A VEM possui uma filosofia de excelência no atendimento às necessidades do cliente, independente do volume de serviços contratados, como declarou o Vice-Presidente de Marketing & Vendas da empresa, Nestor Koch: “temos entre nossas premissas de qualidade, entregar o avião dentro do prazo acordado, pois conhecemos o alto custo de um avião parado em solo. Ainda que a AZUL não esteja voando, isso não seria diferente, pois é filosofia da VEM. Estamos certos que esse relacionamento será produtivo e duradouro”.
    A VEM, que já possui certificações dos principais órgãos aeronáuticos do mundo (ANAC, FAA, EASA), para heavy maintenance e reparo e revisão geral de componentes, para a frota Boeing, para os modelos Airbus A300, A300-600 e A310 e Fokker F-50 e F-100, além dos Embraer EMB-120, ERJ-145 e EMB 190 (pintura geral), vai agora investir na certificação para oferecer overhaul de componentes também para os EMB-190 e EMB-195, que comporão a frota da Azul. Os EMB-190 e EMB-195 são jatos com grande potencial de mercado e a nova certificação visa atender não só a Azul, mas todo o mercado da América do Sul, que poderá passar a voar esse modelo de aeronave.
    “Ver nascer uma empresa aérea com essa ousadia de começar grande, voando com aviões brasileiros, com foco inicial em atender cidades do Brasil, hoje não atendidas e com uma manutenção também Brasileira, assim esperamos, é muito gratificante. Fazer parte dessa história é motivo de muito orgulho para todos os colaboradores da VEM e certamente será para todos os Brasileiros. Estaremos aqui, prontos para atender a Azul, no que ela precisar”, declara Filipe Almeida, CEO da VEM.

  • A consagração de uma estrela da bandidagem

    De pedra em pedra, de pincelada em pincelada, é montado o charme de um criminoso profissional.
    Alguns segmentos da mídia, com um certo apoio de equipes que operam na investigação do tráfico de drogas, estão consagrando a figura de Paulo Ri-cardo dos Santos da Silva, o Paulão, apontado como um dos líderes da ban-didagem em Porto Alegre a partir de um estado maior do crime montado na Vila Maria da Conceição, Zona Leste da capital. As tinturas que definem este homem, tido como senhor do poder de vida e morte em sua área de ação, são uma clara tentativa de fazer dele um Fernandinho Beira Mar tupi-niquim. Paulão manda em clube de futebol, em escola de samba, distribui cestas básicas, manda matar pessoas que gozam de plena saúde e providen-cia no socorro de enfermos. Paulão sabe de tudo sobre todos, mas nem os policiais nem o Ministério Público sabem tudo sobre ele. Uma das últimas novidades sobre Paulão é a de que ele sabia que estava sendo investigado pelo Ministério Público e pela Brigada Militar e, por isso, conseguiu esca-par de uma megaoperação montada pela inteligência dessas instituições. Fico eu, ingênuo, aqui em minha torre, meditando: como um profissional do crime não vai saber que está sendo investigado? E como os investigado-res não sabiam que Paulão sabia que estava sendo investigado? Dentro des-ta moldura, ninguém mais segura o glamour do bandido Paulão.
    Cortina
    Polícia Civil descartou a relação da morte de um jovem em São Leopoldo com a disputa de torcedores da dupla Gre-Nal. Luis Henrique de Sousa Cerpa, 18 anos foi executado terça-feira no bairro Rio dos Sinos, em São Leopoldo. Ocorre que traficantes de drogas ao realizarem execuções estão tentando estabelecer uma cortina de fumaça nas investigações ao tentar transferir a guerra entre quadrilhas para o quadro dos enfrentamentos entre gremistas e colorados, segundo constatação do titular da 3ª DP Regional Metropolitana, delegado João Bancolini, que coordena as investigações so-bre o assassinato do jovem Luís Henrique.
    Enigma
    A Polícia Federal, não sem algum atraso, começa a descobrir e intercep-tar a estratégia dos alimentadores do tráfico de drogas no RS. Trata-se de um passo da maior importância. Como rotina, as organizações policiais a-preendem drogas nos morros, mas sem saber como esses produtos sobem os morros, o que é um enigma que tem permanecido insolúvel há muitas décadas. O mesmo acontece com o tráfico de armas.
    Cadeado
    A Secretaria da Segurança Pública realizou das 8h dessa terça-feira até as 8h de ontem, em 275 municípios gaúchos, a Operação Cadeado. Na ação, foram presas 14 pessoas, mas nenhuma arma foi apreendida. Na operação, foi utilizado um efetivo de 1.630 servidores e o emprego de 445 viaturas.
    Armas
    Operação de combate ao tráfico de drogas foi realizada na manhã de on-tem em Rosário do Sul. A força tarefa reuniu Ministério Público Estadual, PMs e Polícia Rodoviária Federal. Pelo menos oito pessoas foram investi-gadas. Só foram encontradas armas e munição.
    Jogatina
    Policiais militares apreenderam na noite de terça-feira 43 máquinas ca-ça níqueis em casa de jogos do centro de Canoas. No estabelecimento loca-lizado na avenida Vítor Barreto 25 pessoas foram surpreendidas fazendo apostas. O prédio era monitorado por câmeras de vídeo.
    Crescimento
    A Brigada Militar instalou, ontem, mais duas unidades da corporação em Cruzaltense, no Alto Uruguai, e em Nova Boa Vista, na Zona da Produção. Com isso a instituição está presente em todas as 496 cidades gaúchas. Fo-ram designados três policiais para cada município. Eis outro enigma: en-quanto o efetivo da Brigada fica estagnado e até diminui, mais unidades são inauguradas. E estamos em pleno período eleitoral.
    Presidiários
    A Susepe (Superintendência dos Serviços Penitenciários) está realizando no Presídio Estadual de Camaquã o Projeto Liberdade Responsável. A ini-ciativa, acontece no pavilhão de trabalhos da casa prisional e prevê, inici-almente, a participação de 17 apenados, todos do regime fechado. O objeti-vo é a ressocialização dos detentos, com a produção de papéis reciclados e cartões natalinos. O projeto é fruto de parceria da Susepe com a Associa-ção dos Funcionários do Banco do Brasil, hospital local e o Conselho da Comunidade. Segundo o diretor do Presídio Estadual de Camaquã, Ângelo Larger Carneiro, o critério de escolha dos detentos que vão integrar o traba-lho levou em conta o bom comportamento disciplinar e a aptidão de cada um. Os cartões natalinos serão vendidos em livrarias e empresas e, segundo Larger, já há encomendas de fora do Estado. A renda será divida de forma igualitária entre os presos e os funcionários do Hospital de Camaquã, que também estão participando do mesmo trabalho.

  • Reajuste de tarifas de energia será discutido em audiência pública

    A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) promove nesta sexta-feira, 25, uma audiência pública em Porto Alegre (RS) para apresentar a proposta de reajuste para as tarifas da Companhia Estadual de Distribuição de Energia (CEEE-D). A reunião será conduzida pelo diretor da Aneel, Romeu Donizete Rufino.
    A audiência será aberta às 8h no auditório do Hotel Plaza São Rafael, Avenida Alberto Bins, 514, centro. O objetivo é colher contribuições de consumidores e de representantes de instituições públicas e privadas, de órgãos de defesa do consumidor, de associações de moradores e demais segmentos da sociedade civil para o processo de revisão da concessionária.
    A proposta preliminar da Aneel para a CEEE-D prevê aumento médio de 5,44% para as tarifas da concessionária. A distribuidora fornece energia elétrica para cerca de 1,368 milhão de unidades consumidoras em 71 municípios gaúchos.
    Os documentos com a proposta de revisão da concessionária estão disponíveis no link A Aneel/ Audiências/Consultas/Fórum na página eletrônica da Agência (www.aneel.gov.br) desde o último dia 28 de agosto. O índice definitivo de revisão da distribuidora entrará em vigor no dia 25 de outubro deste ano.

  • Gás natural, nova energia chega à "Calçada da Fama"

    A Sulgás reuniu empresários e lideranças comunitárias terça-feira, 23, no Sheraton, para anunciar que em 30 dias começam as obras para implantar a rede de gás natural na rua Padre Chagas.
    Um acordo com proprietários de bares, cafés e restaurantes da chamada “Calçada da Fama” viabilizou o empreendimento naquele trecho, o último que falta para que a rede alcance todo o Moinhos de Vento, que será o primeiro bairro de Porto Alegre a contar com gás natural encanado em todas as ruas.
    Artur Lorentz presidente da Sulgás disse que o Moinhos será uma espécie de plano piloto para a implantação do gás natural canalizado em toda a cidade.
    A Sulgás é uma empresa de economia mista, controlada pelo governo do Rio Grande do Sul (51%) e a Petrobrás (49%). Foi criada  para colocar no mercado gaúcho o gás natural importado da Bolívia pela Petrobras.
    Até agora não teve seu desempenho afetado pelas crises bolivianas. “Estamos aprendendo a conviver com esse fantasma. As crises são cíclicas, mas o gás natural veio para ficar”, garante o engenheiro Luiz Antonio Koller, gerente de distribuição da Sulgás.
    O gás vem por meio de dutos até Canoas, a partir dali é entregue à Sulgás, para distribuição no mercado.  A implantação da rede em Porto Alegre começou em março de 2005, para atender o Hospital Moinhos de Vento e limitava-se a três ruas: Dr. Vale (onde fica o hospital)  Santo Inácio e Marques do Herval, rua do Leopoldina Juvenil.
    Em seguida estendeu-se pelas ruas Dr. Timóteo, Felix da Cunha, Olavo Barreto Viana e Quintino Bocaiuva, para chegar aos maiores consumidores, o Shopping Moinhos e o Grêmio Náutico e à medida que a rede ia avançando ia também sendo oferecido ao consumo residencial e de condomínios.
    Depois dessa primeira etapa, houve uma paralisação, entre outras razões, em função das incertezas da oferta de gás boliviano. A expansao foi retomada em setembro último, quando foram alcançadas as demais ruas do bairro. Hoje o gás natural chega a 950 residências e 26 condomínios e 95 estabelecimentos comerciais.
    Apesar de terem atingido todo o bairro, as obras não chamaram muita atenção.  A utilização de uma máquina especial permite a implantação dos tubos de polietileno sem a ncessidade de abrir buraco ao longo das calçadas. Abrindo apenas num ponto na entrada e outro na saída, ela coloca o tubo na quadra inteira. A Sulgás investiu 13 milhões na implantação da rede no Moinho de Ventos.
    O próximo passo já está definido. Será no bairro Humaitá, onde a Sulgás vai investir R$ 15 milhões para levar o gás natural a cinco mil residências. Nesse caso, será um pouco diferente. Em vez da propria Sulgás se encarregar de todo o processo – venda, projeto, contratos, instalações nos edifícios, etc – vai contratar uma empresa para todo esse trabalho. A licitação já está em andamento.
    Fora isso o gás natural vai avançar pelo bairro Cristo Redentor, para alcançar o Hospital Conceição. A rede troncal já está em construção. Também para  chegar ao Jardim Europa já tem obra. O avanço para a Zona Sul, passando pelo Menino Deus e outros bairros, será puxado pelo Barra Shopping, novo complexo comercial no bairro do Cristal que será inaugurado nos próximos meses, com quem a Sulgás já tem contrato.
    Menos poluente e mais seguro, o gas natural tem pequena vantagem no preço, em relação ao GLP, o gas convencional de cozinha, em botijões. O principal problema são as dúvidas quanto à garantia do fornecimento, em função da instabilidade da política boliviana. “Hoje a situação está normalizada e não há perspectiva de problemas sérios. E daqui a pouco já vamos poder contar também com o gás de propria Petrobras, da bacia de Campos”, diz o engenheiro Koller.

  • FINEP financia pesquisa sobre saúde de adolescentes

    Está aberta até 21 de outubro a seleção de projeto para realizar um inquérito epidemiológico nacional sobre síndrome metabólica. O objetivo é determinar a magnitude da ocorrência de diabetes e outros fatores de risco cardiovasculares individuais e potenciais em adolescentes de 12 a 17 anos nas populações brasileiras de cidades de mais de 100 mil habitantes. O edital da FINEP determina o comprometimento de recursos não-reembolsáveis no valor de até R$ 6,5 milhões, sendo R$ 3 milhões oriundos do Fundo Setorial CT-Saúde e R$ 3,5 milhões do Ministério da Saúde.
    A síndrome metabólica é caracterizada pela associação de fatores de risco para as doenças cardiovasculares (ataques cardíacos e derrames cerebrais), vasculares periféricas e diabetes. Ela é considerada uma doença da civilização moderna, associada à obesidade, como resultado da alimentação inadequada e do sedentarismo. Hoje não há informações quanto à prevalência dessas condições em nível nacional. A pesquisa ajudará a traçar estratégias de prevenção.
    O prazo de execução do projeto deverá ser de até 36 meses. A disponibilização do Formulário para Apresentação de Propostas (FAP) está prevista para 25 de setembro. As instituições acadêmicas que se candidatarem passarão por três etapas de avaliação: Pré-qualificação, Avaliação de Mérito e Análise Técnico-Jurídica. O resultado está previsto para o fim de novembro.

  • Teleconferência explicará bloqueio de benefícios do Bolsa Família

    O que as 622 mil famílias atendidas pelo Bolsa Família que tiveram seus benefícios bloqueados a partir de setembro devem fazer para desbloqueá-los? Para responder essa e outras perguntas dos gestores do Programa em todo o País e reforçar a importância da atualização cadastral, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) realizará uma teleconferência, no próximo dia 30 de setembro (terça-feira). A transmissão acontecerá ao vivo, das 16h às 18h (horário de Brasília), exclusivamente via satélite, com captação por antena parabólica.
    Esses benefícios foram bloqueados depois que o MDS encontrou inconsistências nas informações de renda de famílias beneficiárias do Bolsa Família, identificadas após uma comparação dos dados do Cadastro Único com outras duas fontes de informação do governo federal: a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e a base de registros dos beneficiários do BPC, o Benefício de Prestação Continuada.
    A teleconferência contará com a participação de Lúcia Modesto, diretora do Departamento do Cadastro Único de Programas Sociais da Secretaria Nacional de Renda de Cidadania (SENARC) e de Anderson Brandão, coordenador-geral de Gestão de Benefícios do Bolsa Família. Lúcia Modesto falará também sobre a importância da atualização cadastral e o sistema Indicadores Territoriais da População com Baixo Rendimento por Setores Censitários, material resultante de uma parceria entre o MDS e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
    Durante o programa, os telespectadores poderão enviar perguntas pelo telefone/fax (61)3233-1515 e o e-mail teleconferências@mds.gov.br. Para sintonizar o canal da teleconferência, a antena parabólica deverá ser ajustada com base nos seguintes dados: satélite C 2; posição orbital 70 W; polarização horizontal; frequência 4050 ou 1100 (conforme o receptador que será usado). Essa sintonia corresponde ao canal 31 (Novo Canal) do satélite Brasil Sat.

  • Tensão entre policiais e governo

    O adiamento das negociações indica um confronto inevitável.
    A indefinição do governo em estabelecer um escalonamento que direcione para uma grade de salários dignos para as organizações policiais poderá gerar um confronto nunca antes ocorrido no Estado, nesta área, que poderá levar uma greve real da Polícia Civil e a uma paralisação branca da Brigada Militar. Por lei, os brigadianos não têm direito à greve, mas nada impede que eles adotem a chamada “operação padrão” que corresponde a agir, ri-gorosamente, somente após o fatos consumados.
    Os policiais apresentaram ao governo um projeto salarial tendo como pa-râmetro o Distrito Federal – e não São Paulo, como citei ontem. Isso, no entanto, não se constitui numa posição de intransigência e, sim, numa base para negociação. Se o governo continuar de ouvidos moucos, o leite, inevi-tavelmente, vai derrarmar. E a sociedade, que há decadas é penalizada pe-los equívocos praticados na política da segurança pública, assustada com o avanço da violência e da criminalidade, terá suportar a continuidade das organizações policiais desassistidas em luta contra a bandidagem e enfren-tando a sua própria deterioração.
    Presídio
    O governo do Estado entregou, ontem, a nova penitenciária regional de Caxias do Sul. Orçada em R$ 15 milhões, a obra é uma ação do Programa Estruturante Cidadão Seguro. Situada na localidade de Apanhador-Rincão das Flores, o presídio regional tem capacidade para 432 apenados, em re-gime fechado. O secretário estadual da Segurança, Edson de Oliveira Gou-larte, representou a governadora Yeda Crusius na solenidade. Também es-teve presente, além de autoridades locais, o novo titular da Susepe, Paulo Roberto Zietlow.
    Descuidistas
    A Polícia Civil investiga a ação de ladrões que se valem de uma tática muito antiga, o “descuido”, que está sendo agora aplicada em bares e res-taurantes. Os criminosos agem quando as vítimas saem de suas mesas para irem ao banheiro ou se servirem nos bifês, deixando celulares, carteiras e até as chaves de seus carros imaginando que estão em lugar seguro.
    Jogatina
    No bairro Restinga, Zona Sul da capital, 75 máquinas caça níqueis foram apreendidas em operação realizada pela Polícia Civil sob a coordenação do delegado Eduardo Rargs. Os equipamentos estavam em bares e em outros estabelecimentos comerciais da região.
    Tráfico
    Na manhã de ontem, 28 pessoas foram presas pela Polícia Federal na O-peração Vanguarda, que combate o tráfico de drogas, o contrabando e o descaminho em pelo menos 13 municípios do Estado. Entre as prisões, cinco foram realizadas em Porto Alegre e 23 em Santo Ângelo. Foram a-preendidos carros roubados e clonados, além de cargas de pneus contra-bandeados, moedas estrangeiras, que seriam um indício de lavagem de di-nheiro, notas de real falsas, armas e munição. De acordo com o delegado Santos Juliano Zorzan, a investigação foi iniciada em janeiro deste ano. e mobiliza 184 policiais federais, entre delegados, agentes e escrivães. Eles são apoiados por 45 policiais civis, 60 PMs e 12 servidores da Receita Fe-deral.
    Em Canoas, agentes da 3ª DP seguiram e prenderam uma mulher de 38 anos que distribuia um kit completo de drogas (crack e cocaina) em sistema de telentrega. Ela foi presa quando fazia uma entrega para um cliente, le-vando, para disfarce, seus três filhos menores.
    Agentes do Denarc prenderam um homem de 36 anos de idade por tráfico de drogas e porte ilegal de arma. A prisão ocorreu na Travessa Dílio An-dreoti, bairro Vaqui, em Sapucaia do Sul. Foram apreendidas 64 gramas de haxixe, 78 gramas de cocaína, 6 kg de maconha, 91 gramas de crack, um revólver calibre 38 municiado, duas balanças digitais. Segundo o delegado Daniel Ordahi, vinham ocorrendo há 15 dias.
    Em ação conjunta com a 1ª DP de Santa Rosa, policiais do Serviço de In-formação Policial e Análise Criminal da 13ª DP Regional de Polícia detive-ram em flagrante um adolescente de 17 anos de idade, transportando quase 10 Kg de maconha. O jovem pilotava uma motocicleta e pretendia entregar a droga em Santo Ângelo.
    Barraca
    A Brigada Militar voltou a montar uma barraca na Vila Maria da Concei-ção devido à tensão provocada na área com as prisões ali realizadas no combate ao tráfico de entorpecentes. A barraca funciona como um posto policial. Trata-se de um estratégia nova do comandante-geral da Brigada, coronel Paulo Roberto Mendes, que sempre defendeu patrulhamento móvel e nunca postos fixos.
    Alerta
    Apenas na Grande Porto Alegre, a média é de duas pessoas assassinadas por dia em 2008.

  • Sei por Ouvir Dizer é o grande vencedor do Prêmio Jabuti

    O livro Sei Por Ouvir Dizer, de Bartolomeu Campos de Queirós, conquistou hoje o mais importante reconhecimento da literatura brasileira, o Prêmio Jabuti. Referência nacional em literatura infantil, Bartolomeu Campos de Queirós conduz uma intrigante e surpreendente história que leva adultos e crianças à imaginação.
    Sei por Ouvir Dizer, da Editora Edelbra, também recebeu o título de altamente recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e o autor foi um dos cinco finalistas ao Prêmio Hans Christian Andersen, o prêmio internacional mais importante da literatura infanto-juvenil mundial, conferido pela International Board on Books for Young People – IBBY.
    Quando menino, Bartolomeu foi levado ao universo das letras e da imaginação por seu avô e por uma professora – e não parou mais. Agora, é ele quem estimula crianças de todo Brasil e de outros países a viajarem em seus mais de 40 livros.
    O livro é ilustrado por Suppa, que conquistou o Prêmio Jabuti no ano passado e deu cor e vida à imaginação de Bartolomeu ao mundo visto sob três pares de óculos.
    A Editora Edelbra, de Erechim (RS), valoriza a produção de autores nacionais de livros infanto-juvenis, como Bartolomeu Campos de Queirós e Suppa. A Edelbra acredita que incentivar a leitura e a educação é apostar no futuro. Com essa filosofia, a editora cresceu e evoluiu nas três últimas décadas, produzindo mais de mil títulos e já prepara novas obras infantis para a Feira do Livro de Porto Alegre.
    CBL anuncia vencedores do 50º Prêmio Jabuti
    Livro autobiográfico do catarinense Cristovão Tezza é o melhor romance e 1808, de Laurentino Gomes, é o melhor livro reportagem
    Por Alexandre Malvestio, da agência Brasil Que Lê
    O Filho Eterno, livro autobiográfico do escritor catarinense Cristovão Tezza, ganhou o Prêmio Jabuti de melhor romance do ano. Já 1808, de Laurentino Gomes, faturou o Jabuti de melhor livro-reportagem, enquanto que o ex-presidente da Academia Brasileira de Letra, Ivan Junqueira, autor de O Outro Lado, foi agraciado como o melhor livro de Poesia.
    Mais tradicional prêmio literário do Brasil, o Jabuti teve os ganhadores de sua 50ª edição, que contempla livros publicados em 2007, definidos na tarde desta terça-feira, 23 de setembro, na sede da Câmara Brasileira do Livro (CBL), em São Paulo. Essa foi a segunda sessão pública desta edição do prêmio, onde foram revelados os três vencedores de cada uma das 20 categorias. Os 200 finalistas, sendo 10 de cada categoria, foram definidos na primeira sessão, realizada no dia 28 de agosto, quando foi feita a contagem dos votos dos 60 jurados – três para cada categoria. Na cerimônia de entrega das estatuetas, que acontece no dia 31 de outubro, na Sala São Paulo, em São Paulo, serão conhecidos os melhores livros do ano nas categorias Ficção e Não-Ficção.
    Este ano, a comissão julgadora do Jabuti analisou 2.141 obras. A premiação total será de R$ 120 mil. O primeiro lugar de cada uma das 20 categorias receberá R$ 3 mil e os autores dos melhores livros do ano de Ficção e de Não-Ficção receberão R$ 30 mil cada um.
    Um dos prêmios mais cobiçados pelos profissionais do livro no País, o Jabuti contempla todas as esferas envolvidas na produção de um livro. Além dos melhores por gênero literário, ele também premia em suas categorias as obras por tradução, ilustração, capa e projeto gráfico.
    Autobiográfico
    Em 2008, O Filho Eterno, de Cristovão Tezza, foi o vencedor como melhor livro de romance. Publicada em julho de 2007 pela Record, a obra reconstitui o relacionamento de um escritor com seu filho portador da síndrome de Down. Tezza, de 56 anos, acalentava o projeto de escrever sobre sua experiência como pai de uma criança deficiente desde o nascimento de Felipe, seu filho, hoje com 26 anos. Em dezembro de 2007, o romance recebeu o Prêmio da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) de melhor obra de ficção do ano. Em julho deste ano, foi lançado na Itália e já tem edições contratadas na França, Espanha e Portugal.
    Confira abaixo os três vencedores de cada categoria na 50ª edição do Prêmio Jabuti:
    MELHOR LIVRO DE ROMANCE
    O FILHO ETERNO
    CRISTOVÃO TEZZA
    EDITORA RECORD LTDA
    O SOL SE PÕE EM SÃO PAULO
    BERNARDO TEIXEIRA DE CARVALHO
    COMPANHIA DAS LETRAS
    ANTONIO
    BEATRIZ BRACHER
    EDITORA 34
    MELHOR LIVRO DE POESIA
    O OUTRO LADO
    IVAN JUNQUEIRA
    EDITORA RECORD LTDA
    O XADREZ E AS PALAVRAS
    MARCUS VINICIUS TEIXEIRA QUIROGA PEREIRA
    TARDE
    PAULO FERNANDO HENRIQUES BRITTO
    COMPANHIA DAS LETRAS
    MELHOR LIVRO DE CONTOS E CRÔNICAS
    HISTORIAS DO RIO NEGRO
    VERA DO VAL
    EDITORA WMF MARTINS FONTES LTDA.
    A PRENDA DE SEU DAMASO E OUTROS CONTOS
    JORGE EDUARDO PINTO HAUSEN
    FICHAS DE VITROLA
    JAIME PRADO GOUVÊA
    EDITORA RECORD LTDA
    MELHOR LIVRO DE REPORTAGEM
    1808
    LAURENTINO GOMES
    EDITORA PLANETA DO BRASIL
    O MASSACRE
    ERIC NEPOMUCENO
    EDITORA PLANETA DO BRASIL
    BAR BODEGA: UM CRIME DE IMPRENSA
    CARLOS DORNELES
    EDITORA GLOBO S/A
    MELHOR LIVRO DE BIOGRAFIA
    RUBEM BRAGA: UM CIGANO FAZENDEIRO DO AR
    MARCO ANTONIO DE CARVALHO
    EDITORA GLOBO S/A
    D. PEDRO II
    JOSÉ MURILO DE CARVALHO
    COMPANHIA DAS LETRAS
    O TEXTO OU A VIDA
    MOACYR JAIME SCLIAR
    BERTRAND BRASIL LTDA
    MELHOR LIVRO INFANTIL
    SEI POR OUVIR DIZER
    BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIRÓS
    EDELBRA
    O MENINO QUE VENDIA PALAVRAS
    IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO
    OBJETIVA
    ZUBAIR E OS LABIRINTOS
    JOSE ROGER SOARES DE MELLO
    COMPANHIA DAS LETRAS
    MELHOR LIVRO JUVENIL
    O BARBEIRO E O JUDEU DA PRESTAÇÃO CONTRA O SARGENTO DA MOTOCICLETA
    JOEL RUFINO DOS SANTOS
    EDITORA MODERNA LTDA
    TÃO LONGE…TÃO PERTO
    SILVANA DE MENEZES
    EDITORA LÊ LTDA
    MESTRES DA PAIXÃO – APRENDENDO COM QUEM AMA O QUE FAZ
    DOMINGOS PELLEGRINI
    EDITORA MODERNA LTDA
    MELHOR LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS, TECNOLOGIA E INFORMÁTICA
    INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE PRODUÇÃO
    MARIO OTAVIO BATALHA
    ELSEVIER EDITORA LTDA
    ENCICLOPÉDIA DE AUTOMÁTICA – CONTROLE & AUTOMAÇÃO – VOL. 1
    LUIS ANTONIO AGUIRRE
    EDITORA EDGARD BLÜCHER LTDA.
    INTRODUÇÃO AO TESTE DE SOFTWARE
    MARCIO EDUARDO DELAMARO, JOSE CARLOS MALDONADO, MARIO JINO
    ELSEVIER EDITORA LTDA
    MELHOR LIVRO DE CIÊNCIAS HUMANAS
    MULHERES NEGRAS DO BRASIL
    SCHUMA SCHUMAHER; ÉRICO VITAL BRAZIL
    SENAC RIO
    OS JAPONESES
    CÉLIA SAKURAI
    EDITORA CONTEXTO
    HISTÓRIA DE MINAS GERAIS – AS MINAS SETECENTISTAS – VOL. I E VOL. II
    MARIA EFIGÊNIA LAGE DE RESENDE E LUIZ CARLOS VILLALTA
    AUTÊNTICA EDITORA
    MELHOR LIVRO DE CIÊNCIAS NATURAIS E CIÊNCIAS DA SAÚDE
    ESTOMATOLOGIA-BASES DO DIAGNÓSTICO PARA O CLÍNICO GERAL 1E
    DR. SERGIO KIGNEL
    LIVRARIA SANTOS EDITORA COMÉRCIO E IMPROTAÇÃO LTDA
    DIMENSÕES HUMANAS DA BIOSFERA-ATMOSFERA DA AMAZÔNIA
    WANDERLEY MESSIAS DA COSTA; BERTHA K. BECKER; DIOGENES SALAS ALVES (ORGS.)
    EDITORA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
    POR QUE O BOCEJO É CONTAGIOSO?: E OUTRAS CURIOSIDADES DA NEUROCIÊNCIA NO COTIDIANO
    SUZANA HERCULANO-HOUZEL
    JORGE ZAHAR EDITOR
    MELHOR LIVRO DE DIREITO
    CURSO DE DIREITO TRIBUTÁRIO E FINANÇAS PÚBLICAS – DO FATO À NORMA, DA REALIDADE AO CONCEITO JURÍDICO
    EURICO MARCOS DINIZ DE SANTI
    SARAIVA S/A LIVREIROS EDITORES
    TEORIA GERAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
    DIMITRI DIMOULIS E LEONARDO MARTINS
    EDITORA REVISTA DOS TRIBUNAIS LTDA.
    CURSO DE DIREITO CONSTITUCIONAL
    GILMAR FERREIRA MENDES
    SARAIVA S/A LIVREIROS EDITORES
    MELHOR LIVRO DE ARQUITETURA E URBANISMO, FOTOGRAFIA, COMUNICAÇÃO E ARTES
    NOTICIÁRIO GERAL DA PHOTOGRAPHIA PAULISTANA: 1839-1900
    PAULO CEZAR ALVES GOULART E RICARDO MENDES
    IMPRENSA OFICIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO
    RUA DO LAVRADIO
    ELIANE CANEDO DE FREITAS PINHEIRO
    ANDREA JAKOBSSON ESTÚDIO EDITORIAL LTDA.
    CAIXA TUNGA
    TUNGA
    COSAC NAIFY
    MELHOR LIVRO DIDÁTICO E PARADIDÁTICO DE ENSINO FUNDAMENTAL OU MÉDIO
    O ALIENISTA (GRAPHIC NOVEL)
    FÁBIO MOON E GABRIEL BÁ
    AGIR EDITORA LTDA
    COLEÇÃO HISTÓRIA EM PROJETOS – 4 VOLUMES
    CONCEIÇÃO OLIVEIRA E CARLA MIUCCI
    EDITORA ATICA
    SÉRIE (EN)CANTOS DO BRASIL (CAMINHO DAS PEDRAS; NO CORAÇÃO DA AMAZÔNIA; FACES DO SERTÃO)
    SHIRLEY SOUZA, MANUEL FILHO, LUÍS FERNANDO PEREIRA
    SHIRLEY SOUZA
    MELHOR TRADUÇÃO
    HIPÓLITO E FEDRA – TRÊS TRAGÉDIAS
    JOAQUIM BRASIL FONTES
    EDITORA ILUMINURAS LTDA
    BEOWULF
    ERICK RAMALHO
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    AS MOEDAS CONTAM A HISTÓRIA DO BRASIL
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  • Brasileiro será avaliado por mais de 10 anos

    Foi dada a largada para que os centros de estudos de seis estados brasileiros iniciem as atividades do Estudo Longitudinal da Saúde do Adulto (Elsa), a maior pesquisa financiada pelo Ministério da Saúde e Ciência e Tecnologia para avaliar doenças crônicas. A cerimônia de lançamento dos trabalhos ocorreu, na segunda-feira, dia 22 de setembro, durante o VII Congresso Brasileiro de Epidemiologia, que termina nesta quarta-feira (24 de setembro), em Porto Alegre.
    O valor do investimento foi de R$ 22 milhões distribuídos por meio de um edital de pesquisa. “Hoje não podemos mais dizer que não é possível fazer pesquisa porque não temos recursos. Nosso desafio virou de cabeça pra baixo”, afirmou o secretário de Ciência e Tecnologia, do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães, durante a solenidade que marcou o começo do Elsa. O recurso previsto no edital servirá apenas para o início da pesquisa. Devido a duração do estudo, Guimarães, afirmou que será necessário prever recursos estáveis para os próximos anos. A previsão é que a duração seja de, no mínimo, 10 anos.
    VOLUNTÁRIOS ? A pesquisa que avaliará indivíduos entre 35 e 74 anos já nasceu premiada. O Elsa recebeu o prêmio coletivo de pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública. “Esse é mais um sinal de acerto. Vamos colocar o Brasil no mapa mundial das doenças crônicas”, comemorou a diretora do Centro de Investigação do Rio de Janeiro, Dora Chor. O Rio de Janeiro terá dois mil voluntários avaliados, entre funcionários, docentes da universidade federal e da Fiocruz.
    Também presente na solenidade de abertura, a diretora do Centro de Investigação da Universidade Federal de Minas Gerais, Sandhi Barreto, lembrou que desde o início o Elsa foi um processo de construção. “Estamos enfrentando coisas novas que não tinham sido enfrentadas. Este é um desafio em termos científicos, o Elsa com seu desenho, precisou de ter suas equipes montadas, treinamento e certificação”.
    O único centro do Nordeste a participar da pesquisa será o da Universidade Federal da Bahia, com dois mil funcionários a serem avaliados. “É uma honra integrar esse estudo. Temos uma larga tradição em pesquisa, com ênfase na epidemiologia social”, disse Estela Aquino, representante do centro de investigação baiano.
    Participam também do Elsa a Federal de São Paulo, do Rio Grande do Sul e do Espírito Santo. Ao todo serão avaliados 15 mil funcionários e docentes de universidades.

  • Despejo dos índios guaranis de Eldorado do Sul

    “Minha família está triste, as crianças estão tristes, a gente sente muita dor”
    A movimentação e os murmúrios no auditório da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul cessaram, hoje pela manhã, quando começou a falar o cacique Santiago Franco, um típico mbya-guarani: estatura pequena, aparência frágil, voz indignada.
    “Há muitos anos isso vem acontecendo, não só com a minha família, com outras famílias também”, afirmou Santiago, ao começar seu depoimento, um protesto emocionado, que silenciou totalmente o auditório.
    Ele estava se referindo ao despejo que sofreu do acampamento onde vivia com quatro famílias guaranis, na beira da Estrada do Conde, em Eldorado do Sul, dia primeiro de julho, numa ação da Brigada Militar que cumpria uma ordem judicial de reintegração de posse.
    Santiago acabou preso (foto), enquanto os demais, incluindo mulheres e crianças assustadas, viam seus barracos serem destruídos e eram levados embora.
    Lideranças guaranis, representantes de entidades indigenistas e antropólogos estavam juntos com Santiago na AL para protestar e cobrar providências.
    Principalmente, a demarcação de terras que garanta um lugar para viver a essa comunidade que soma cerca de dois mil índios no Estado – já foram milhares – sem contar os guaranis que vivem nos países vizinhos.
    Despejo gravado
    O despejo das famílias guaranis foi gravado em vídeo pelo Núcleo de Antropologia das Sociedades Indígenas Tradicionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (clique aqui para assistir).
    A repercussão provocou a convocação da audiência pública na Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, presidida pelo deputado Marquinhos Lang (DEM), mas não havia ninguém representando a Brigada Militar.
    Primeiro a falar, Santiago reclamou que os mbya-guaranis- os guaranis do Sul do Brasil – estão sem espaço para viver. Eles pedem a demarcação de terras mas não obtém resposta dos governos e da Funai.
    “Há muitos anos isso vem acontecendo, não só com a minha família, com outras famílias também, só que antes não foi divulgado, pra outras pessoas saberem o que acontece com o povo guarani. Todos que estão aqui, são responsáveis pelo nosso povo, estado, municípios”, disse ele, diante de representantes da Funai, Funasa, Governo do Estado, Ministério Público Federal e Assembléia Legislativa.
    “Perdemos nossa terra, nossa mata, nossos rios onde a gente pescava, nossa vida era uma festa, mas hoje vivemos dentro das cidades, na beira das estradas, esperando uma solução da Funai, um pedacinho de terra, para plantarmos nossas frutas, milho, batata-doce, para termos saúde”, disse Santiago.
    Truculência e preconceito
    Ele reclamou também da truculência da polícia e da discriminação que sofrem da sociedade.
    “Infelizmente a polícia tem chegando na aldeia, estamos passando (sofrendo) preconceito, as pessoas chegam e falam que índio não tem cultura, que lugar de índio é no mato. Minha família está triste, as crianças estão tristes, a gente sente muita dor. Estão destruindo a nossa vida, não temos mais condições de vender nosso artesanato, a gente sente medo”.
    Desde que foram expulsos de Eldorado do Sul, Santiago e sua comunidade foram distribuídos, provisoriamente, em acampamentos de Porto Alegre e redondezas.
    A ação da Brigada Militar decorreu de uma liminar concedida pela juíza de Eldorado do Sul, Luciane Di Domenico, numa ação de reintegração de posse da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro).
    A Fundação alegou que os índios estariam invadindo sua área de pesquisas.
    Beira da estrada
    Na verdade, os índios ocupavam apenas a beira da estrada, sem ultrapassar a cerca da área de pesquisas, garantem indigenistas e antropólogos. Além disso, a ação fazia referência a índios da etnia kaingang, que teriam invadido a área em outra época, e não os guaranis
    Por fim, constitucionalmente as questões indígenas são de jurisdição federal e a Funai deveria ter sido chamada antes de qualquer atitude contra os guaranis, alertou o representante do órgão, João Maurício Farias.
    “Não tinha núcleo da Funai em Porto Alegre ainda (está sendo instalado), se tivesse isso não teria acontecido, aquele ato arbitrário da Brigada Militar e da juíza que não reconheceu que essa é uma questão federal”, criticou Farias.
    “É lamentável, porque a jurisdição é bem clara, a jurisdição (nas questões indígenas) é exclusivamente federal”, completou o representante da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), órgão que presta o atendimento de saúde nas aldeias indígenas.
    O representante do Ministério Público Federal, procurador Rômulo de Oliveira, do Núcleo de Minorias Étnicas, informou que foi aberto inquérito civil público para apurar o caso.
    “Na medida em que os indígenas estavam numa área de domínio público (a estrada), isso nos deixa perplexos”, disse.
    Terras sem mato e sem rio
    Outra liderança guarani, Maurício da Silva Gonçalves, reclamou que as terras destinadas aos índios, quando são demarcadas, não são apropriadas para sua subsistência.
    “Nos dão áreas de campo, onde não existe mato para fazermos artesanato, não existe rio; é terra para criar gado, mas guarani não sabe criar gado, as terras que a gente tem não são adequadas para viver a nossa cultura”.
    João Maurício Farias, da Funai, reconheceu a demora nas demarcações. Mas pediu mais apoio do governo do Estado, que produziu cortes lineares de verbas, atingindo os poucos recursos estaduais para a subsistência indígena.
    Ele pediu também à representante do senador Paulo Paim (PT), Vera Triumpho, presente na audiência, que o parlamentar ajude em Brasília na destinação de mais recursos para o orçamento da Funai.
    Foi informado, ainda, durante a apresentação do vídeo do despejo, que a procuradoria da Funai estuda processar o Estado do Rio Grande do Sul por danos morais aos índios.
    Estudo antropológico
    Luiz Fagundes, do Núcleo de Antropologia das Sociedades Indígenas Tradicionais da Ufrgs citou um estudo do arqueólogo Sérgio Leite, que apontou a existência de um sítio arqueológico indígena na área da Fepagro de onde os índios foram despejados. “Meus antepassados moraram ali”, garantiu Santiago.
    O único momento de descontração da audiência foi quando o deputado Marquinhos Lang, provocado pela intervenção do antropólogo, pediu aos índios que traduzissem os nomes de vários rios das redondezas de Porto Alegre, todos de origem guarani.
    Guaíba – uma fruta vermelha, formato em ponta de flecha.
    Taquari – taquara, água da taquara
    Caí – um macaco
    Jacuí – um pássaro

    O vice-presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi/Brasil), Roberto Liebgott, afirmou que o espaço para viver dos guaranis é cada vez menor.
    “A perda de terras tem sido diária, antes eles podiam se alojar em beira de mato, na beira dos rios, agora só restam as beiras de estradas, vivem de cestas básicas porque não podem plantar nada”, denunciou.
    E completou, sintetizando a indignação geral: “Há recursos para salvar bancos, para a grande produção, para os fazendeiros, mas alguns reais para os indígenas não tem”.
    Por Ulisses Nenê, EcoAgência