Autor: Elmar Bones

  • Uma bandeira no bairro Bom Jesus

    Nada contra as bandeiras, desde que elas estivessem hasteadas em todo o estado.
    A beleza e a feiúra, a tragédia e a comicidade, a perfeição e o aleijume, o real e o virtual, o olor e o fedor, a corrupção e a honestidade, a justiça e a injustiça, a mentira e a verdade são concepções, entre outras, que nos levam à incerteza que é a exata certeza de todos os tempos: o homem (como gêne-ro) é um animal perfeito por ter todos os instintos dos animais imperfeitos. Há uma certa inconformidade por quem passa por uma vizinha belíssima, inteligente e culta, que ama um pedreiro rude, de mãos calosas e suadas, sem saber que ele concretiza as obras de engenheiros e arquitetos, diplo-mados e de mãos lisas e perfumadas. Todos têm o seu valor, mas a inter-pretação disso sempre será contraditória e nenhuma poderá alcançar o que os pedreiros livres chamam de justo e perfeito. No fundo, bem no fundo, todos desejam que o príncipe seja belo e que case com uma divinal prince-sa. E o que tem isso a ver com a aridez dos temas que desenvolvo aqui, do alto da minha torre? Sigam-me.
    Dúvida
    A Brigada Militar montou uma barraca no bairro Bom Jesus e lá hasteou a gloriosa bandeira do Rio Grande o que, virtualmente, passa a significar a vitória da policia ostensiva contra os traficantes de drogas que ali se estabe-leceram. A Brigada faz o papel de príncipe e a comunidade do bairro Bom Jesus é a princesa. E viverão felizes para todo o sempre? É claro que não, pois a Brigada não poderá sustentar este casamento. No entanto, por algum tempo, haverá, ali, no mínimo, a dúvida sobre a intensidade de poder do olor (da Brigada) e o do fedor (dos traficantes).
    Pulverização
    O projeto do governo (entendo como governo os três poderes e de lambu-ja o Ministério Público) na área de inteligência e operacional da segurança pública deveria dar condições para a SSP-RS (Secretaria da Segurança Pú-blica) de colocar não apenas uma barraca enbandeirada no bairro Bom Je-sus, mas, sim, pulverizar todo estado com um complexo de segurança que fugisse da filosofia do príncipe encantado que estará, sempre, entre o olor e o fedor.
    Fuga
    Três presos fugiram da delegacia de pronto atendimento de Gravataí. A fuga foi constatada na manhã de ontem. O trio havia sido detido em Cacho-eirinha entre a noite de quarta-feira e a madrugada de ontem. Dois foram presos em flagrante por roubo a pedestre e o outro estava foragido. Não pode haver espanto nesta fuga, pois, no RS as delegacias não têm nenhuma estrutura para manter vigilância sobre pessoas detidas.
    Baleado
    Um homem foi encontrado baleado dentro de uma casa de veraneio, na rua Espanha, em Capão da Canoa. Segundo a polícia, Pedro Cristiano Pires, de Almeida, invadiu a casa depois de ter sido ferido na barriga.
    Prisões
    Agentes da Polícia Civil prenderam dois homens acusados de envolvi-mento na tentativa de assalto à agência do Banrisul da rua José do Patrocí-nio, no bairro Cidade Baixa. Noé dos Santos Dias, de 41 anos, foi captura-do ontem e Paulo Dalbosco da Silva, de 20 anos, está preso desde terça fei-ra.
    Detran
    Uma quadrilha pode ter retirado dezenas de veículos dos depósitos do Detran na Região Metropolitana. A suspeita é da Polícia Civil de Eldorado do Sul. Segundo a delegada Tatiana Bastos o grupo utilizava procurações e documentos de automóveis falsos para ter acesso aos carros. Nessa quinta-feira um integrante foi detido quando tentava retirar irregularmente o veí-culo Golf de um depósito no município.
    Tráfico
    Um empresário de 28 anos foi preso, ontem, em sua residência, no bairro Jardim Lindóia, na capital, com 200 micropontos de LSD escondidos na palmilha do tênis. Ele foi detido pela segunda vez por tráfico de entorpecentes. O delegado Daniel Ordai monitorava o traficante a cerca de um mês.
    Reproduzido com autorização do Jornal O Sul*

  • Brigada e Polícia Civil em rota de colisão

    Há uma angustiante indefinição sobre quem manda e quem lidera a segurança pública gaúcha.
    Desde que iniciou o governo de Yeda Crusius estou envolvido, aqui na mi-nha torre, com, pelo menos, duas dúvidas que, com certeza, não estão no rol dos questionamentos da governadora, pois no seu discurso o tema nunca aflora em contradição com o que agita as discussões em todos os segmen-tos da sociedade. Minhas perguntas são simples e, evidentemente, não es-pero por nenhuma resposta, pois, nesse campo, a governo não responde na-da. Quem manda e quem lidera a segurança pública no RS?
    Entendo que quem manda nem sempre é o líder e vice-versa. Por vezes penso que quem manda é o secretário da Segurança, Edson de Oliveira Goularte, mas ele não se apresenta como líder. De outra banda, o coman-dante-geral da Brigada Militar, coronel Paulo Roberto Mendes, desponta como líder, mas não se sabe se ele, realmente, manda. Num plano burocra-ticamente paralelo a Mendes, está o chefe da Polícia Civil, delegado Pedro Rodrigues, que, invisível, não aparece nem como quem manda nem como quem lidera.
    Dentro desta moldura, o que poderia ser rolado até o final do governo para tudo ser recomeçado por Yeda, por falta de liderança plena ou pela indeci-são de quem é indicado e pago pelo erário para decidir, mais do que provo-car uma semi-paralização está fazendo com que Brigada e a Polícia Civil entrem em rota de colisão. Rusgas entre os dois braços mestres da seguran-ça estão se agravando e, amanhã, o coronel Mendes deverá, oficialmente, questionar o delegado Pedro sobre a exposição midiática, através de uma delegada de polícia, de um capitão da Brigada que estaria envolvido com um empresário das máquinas caça-níqueis. Mendes não sairá em defesa do capitão, mas protestará contra o que ele entende como uma gratuita agres-são contra a Brigada Militar a partir de um caso que está em investigação não conclusa. Sigam-me.
    Perplexidade
    Setembro deverá iniciar com um processo de retaliação entre a Brigada Militar e a Polícia Civil sob o pálio de filó do Piratini que, encaminhando-se para o final da primeira metade do governo, ainda não conseguiu definir a sua política de segurança pública. Há uma legião com saudade de Ênio Bacci, primeiro titular da Segurança do governo Yeda, há gente chorando a queda de José Francisco Mallmann, que cheio de fé sucedeu Bacci, e uma sociedade inteira perplexa diante da invisibilidade de Edson de Oliveira Goularte, substituto de Mallmann. Enfim, estamos perto de nos acostumar com o novo jeito de governar.
    Maradona
    Durante uma ação policial, em Pelotas, foi morto, ontem, o jovem Diego Maradona Vasconcelos Rodrigues, 22 anos, que foi baleado por policiais civis num ponto de drogas do bairro Simões Lopes.
    Casais
    Um tema sempre atual e que interessa a um universo imenso de pessoas: “A sucessão dos cônjuges e companheiros. Questões polêmicas.” O tema será aborddo na próxima terça-feira, das 12h às 13h30min por Mônica Guazzelli no Iargs (Instituto dos Advogados do RS). A palestra, com entra-da franca, ocorrerá na sede da entidade, na travessa Acelino de Carvalho, 21, centro da Capital.
    Tristeza
    Hoje, às 9h, será sepultado, no Jardim da Paz, Isaac Varriento, radialista competente, indiático, sorridente, grandalhão e amigo que, durante mais de duas décadas operava na parte técnica de transmissões que consagraram gente que, certamente, estará lhe prestando hoje homenagens que, em vida, ele nunca recebeu. Na sexta-feira, foi sepultado o jornalista Luiz Osório, o Barão, dono e editor do jornal Kronika. Amigo de muitas décadas, marco da história do jornalismo gaúcho.

  • Ação inusitada no Fronteiras do Pensamento Copesul Braskem

    Estúdio Nômade prepara intervenção artística para palestra de Philip Glass
    Na segunda-feira, 1º de setembro, noite em que os alunos do curso de altos estudos Fronteiras do Pensamento Copesul Braskem recebem o músico norte-americano Philip Glass, o Estúdio Nômade apresenta uma ação denominada Mínimas Fronteiras. De acordo com os artistas visuais que participaram da criação – Rômmulo Conceição e Tina Felice e os músicos Gustavo Telles e Diego Silveira –, Mínimas Fronteiras ilustra o encontro com Philip Glass na fusão entre a estética visual e a sonora.
    A função, que será apresentada após a conferência, busca uma ação, um olhar para o minimalismo, um modo de intensificar a compreensão, uma releitura minimalista de um movimento instaurado. Não são respostas, mas sim possibilidade de novas perguntas. Convergindo a música em suporte e a atenção dos espectadores em discussão, ou simplesmente proporcionando um momento artístico integrado, o Estúdio Nômade promete algo inusitado para o décimo encontro do Fronteiras. “O projeto desafiou cada artista, obrigando-os a invadir o espaço do outro, transgredindo as mínimas fronteiras”, diz Rômmulo Conceição.
    Para a concepção das fotografias conceituais do projeto, a mesma linha de criação da obra foi utilizada: a fusão de linguagens artísticas e a intervenção em espaços. Além da performance, o Mínimas Fronteiras entregará um livreto aos participantes e um site entrará no ar a partir do dia 1º de setembro

  • Uma bandeira no bairro Bom Jesus

    Nada contra as bandeiras, desde que elas estivessem hasteadas em todo o estado.
    A beleza e a feiúra, a tragédia e a comicidade, a perfeição e o aleijume, o real e o virtual, o olor e o fedor, a corrupção e a honestidade, a justiça e a injustiça, a mentira e a verdade são concepções, entre outras, que nos levam à incerteza que é a exata certeza de todos os tempos: o homem (como gêne-ro) é um animal perfeito por ter todos os instintos dos animais imperfeitos.
    Há uma certa inconformidade por quem passa por uma vizinha belíssima, inteligente e culta, que ama um pedreiro rude, de mãos calosas e suadas, sem saber que ele concretiza as obras de engenheiros e arquitetos, diplo-mados e de mãos lisas e perfumadas.
    Todos têm o seu valor, mas a inter-pretação disso sempre será contraditória e nenhuma poderá alcançar o que os pedreiros livres chamam de justo e perfeito. No fundo, bem no fundo, todos desejam que o príncipe seja belo e que case com uma divinal prince-sa. E o que tem isso a ver com a aridez dos temas que desenvolvo aqui, do alto da minha torre? Sigam-me.
    Dúvida
    A Brigada Militar montou uma barraca no bairro Bom Jesus e lá hasteou a gloriosa bandeira do Rio Grande o que, virtualmente, passa a significar a vitória da policia ostensiva contra os traficantes de drogas que ali se estabe-leceram. A Brigada faz o papel de príncipe e a comunidade do bairro Bom Jesus é a princesa. E viverão felizes para todo o sempre? É claro que não, pois a Brigada não poderá sustentar este casamento. No entanto, por algum tempo, haverá, ali, no mínimo, a dúvida sobre a intensidade de poder do olor (da Brigada) e o do fedor (dos traficantes).
    Pulverização
    O projeto do governo (entendo como governo os três poderes e de lambu-ja o Ministério Público) na área de inteligência e operacional da segurança pública deveria dar condições para a SSP-RS (Secretaria da Segurança Pú-blica) de colocar não apenas uma barraca enbandeirada no bairro Bom Je-sus, mas, sim, pulverizar todo estado com um complexo de segurança que fugisse da filosofia do príncipe encantado que estará, sempre, entre o olor e o fedor.
    Fuga
    Três presos fugiram da delegacia de pronto atendimento de Gravataí. A fuga foi constatada na manhã de ontem. O trio havia sido detido em Cacho-eirinha entre a noite de quarta-feira e a madrugada de ontem. Dois foram presos em flagrante por roubo a pedestre e o outro estava foragido. Não pode haver espanto nesta fuga, pois, no RS as delegacias não têm nenhuma estrutura para manter vigilância sobre pessoas detidas.
    Baleado
    Um homem foi encontrado baleado dentro de uma casa de veraneio, na rua Espanha, em Capão da Canoa. Segundo a polícia, Pedro Cristiano Pires, de Almeida, invadiu a casa depois de ter sido ferido na barriga.
    Prisões
    Agentes da Polícia Civil prenderam dois homens acusados de envolvi-mento na tentativa de assalto à agência do Banrisul da rua José do Patrocí-nio, no bairro Cidade Baixa. Noé dos Santos Dias, de 41 anos, foi captura-do ontem e Paulo Dalbosco da Silva, de 20 anos, está preso desde terça fei-ra.
    Detran
    Uma quadrilha pode ter retirado dezenas de veículos dos depósitos do Detran na Região Metropolitana. A suspeita é da Polícia Civil de Eldorado do Sul. Segundo a delegada Tatiana Bastos o grupo utilizava procurações e documentos de automóveis falsos para ter acesso aos carros. Nessa quinta-feira um integrante foi detido quando tentava retirar irregularmente o veí-culo Golf de um depósito no município.
    Tráfico
    Um empresário de 28 anos foi preso, ontem, em sua residência, no bairro Jardim Lindóia, na capital, com 200 micropontos de LSD escondidos na palmilha do tênis. Ele foi detido pela segunda vez por tráfico de entorpecentes. O delegado Daniel Ordai monitorava o traficante a cerca de um mês.

  • O equilíbrio está à vista? (2)

    Elmar Bones
    Fico com pé atrás com essa história de zerar de um ano para o outro um déficit crônico de 30 anos por muitas razões. A primeira delas são os antecedentes. Em 1987, fiz uma reportagem sobre a façanha anunciada pelo governo Pedro Simon. Foi matéria de capa da revista IstoÉ. Em um ano e meio de austeridade, Simon havia alcançado o equilíbrio entre despesa e receita. Era um caso exemplar num Brasil em que quase todos os governos estavam endividados e deficitários
    Aquele equilíbrio havia custado um sacrifício enorme à sociedade gaúcha. O estado suportara 93 dias de greve do magistério, o arrocho nas despesas praticamente paralisava os serviços públicos…”Leve o Rio Grande no peito”, conclamava Simon.
    Simon deixou o cargo um ano antes para ser candidato ao Senado, assumiu o vice, Sinval Guazzelli…O fato é que ao final do seu mandato, o rombo não só permanecia, como estava um pouco maior. Não foi a primeira nem a última vez anunciou o fim do déficit.(segue)

  • Três auditores farão inspeção especial nos pedágios

    Três auditores do setor de Obras Públicas do Tribunal de Contas do Estado começam a analisar no início de outubro os contratos com as empresas que operam os pedágios, uma das questões mais polêmicas do Estado, desde que foram implantados há dez anos.
    Por enquanto, os técnicos – dois engenheiros e um economista – estão elaborando um projeto, que deverá ser aprovado pelos conselheiros do Tribunal antes do início da auditoria operacional.
    O coordenador do setor Obras do TCE, Alcimar Andrade Arrais, explica que após a CPI dos Pedágios, os técnicos verificaram que ainda existiam muitas informações desencontradas, que contribuíram para dividir ainda mais a opinião pública. “A análise é técnica, não haverá qualquer influência política”, garante Arrais.
    Por ser um tipo de auditoria mais detalhada, e que exige maior tempo, a intenção é apresentar um relatório ao governo do Estado e à Assembléia Legislativa até o final do ano. “Esse relatório vai analisar os serviços prestados pelas concessionárias, a validade de um aditamento contratual e, se for o caso, fornecer outras alternativas”, ressalta.

  • Justiça Federal vai julgar ação de improbidade no Caso Detran

    A Desembargadora Matilde Chabar Maia, da 3ª Câmara Cível da comarca de Porto Alegre, reconheceu a incompetência da Justiça do Rio Grande do Sul para julgar a ação civil de improbidade administrativa que foi ajuizada pela Procuradoria Geral do Estado, em virtude das fraudes no Departamento Estadual de Trânsito (Detran).
    Com a decisão da Justiça gaúcha, os autos da ação de improbidade foram remetidos à 3ª Vara da Justiça Federal de Santa Maria e deverão ser apensados à ação civil de improbidade administrativa proposta pelo Ministério Público Federal.
    Em maio de 2008, o Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul denunciou criminalmente 44 pessoas à Justiça Federal de Santa Maria por fraudes cometidas no Detran gaúcho através de um convênio irregular assinado com a Universidade Federal de Santa Maria.
    Em junho, o MPF/RS ajuizou ação de improbidade administrativa contra 51 pessoas físicas e jurídicas envolvidas na mesma fraude. Muitas dessas pessoas já eram réus no processo criminal aberto pelo MPF. As fraudes no Detran desviaram recursos da União da ordem de R$ 44 milhões.
    Competência
    A desembargadora citou em seu despacho uma decisão do Superior Tribunal de Justiça que afirma “que compete à Justiça Federal o julgamento de servidor ou agente público estadual acusado da prática do delito de desvio de verbas públicas de origem federal, submetida à fiscalização pelo TCU, pelo interesse da União na aplicação de recursos públicos federais”.
    De acordo com Matilde Maia, “as fundações de apoio às instituições de ensino superior, tais como a agravante, estão sujeitas ao prévio registro e credenciamento no Ministério da Educação, sujeitando-se ao controle da Instituição Federal de Ensino, bem como à fiscalização do Tribunal de Contas da União na execução de convênios, contratos, acordos e ou ajustes que envolvam a aplicação de recursos públicos”.
    Disse ainda que “se a agravante, na execução do contrato com o Detran, em convênio com a UFSM, está sujeita à fiscalização do Tribunal de Contas da União, evidente a competência federal”. A desembargadora também fez lembrar uma decisão do STJ em relação ao chamado “conflito positivo de competência” em ações que tramitem nas justiças federal e estadual, o que ocorre quando duas ações de dois autores diferentes tramitam versando sobre fatos similares com identidade de algumas das partes, assim como causa de pedir e objeto comuns em boa parte de seus fundamentos. Neste caso, vemos na decisão da Magistrada, o “egrégio Superior Tribunal de Justiça, inclusive, já decidiu que nestes casos prepondera a ação civil pública proposta perante à Justiça Federal, gerando atração daquela ajuizada na Justiça Estadual”.
    A ação civil de improbidade administrativa ajuizada pelo MPF/RS após as investigações da Operação Rodin pode ser acompanhada na Justiça Federal através do protocolo 2008.71.02.002546/RS.

  • Reflexão absurda sobre segurança pública

    É preciso crer que daqui a dez anos tudo vai ser muito diferente.
    Na hipótese absurda – e o absurdo também existe – de que os policiais passassem a desenvolver, cada um, o dobro das ações que hoje desenvolvem, com otimismo, no período máximo de 15 dias, a segurança pública nas principais cidades do RS, a partir da Capital e da Região Metropolitana, entraria numa crise extremamente mais grave do que a que existe agora. A estafa atingiria aos efetivos da Brigada Militar e da Polícia Civil, as viatu-ras, já quebradas, ficariam imobilizadas, o sistema de comunicação, hoje sucateado, seria desativado, a ação dos agentes penitenciários nas casas pri-sionais entraria num campo beirando ao pânico, os peritos do IGP sofreri-am um sufoco sem saída.
    A segurança gaúcha está, a cada dia, com mais intensidade, operando por amostragem. E dentro deste equadro de carência de efetivo e de amparo lo-gístico, é notável como o governo tem se mostrado incompetente, inclusive, de descobrir como mobilizar e onde colocar as principais lideranças das corporações, além de conservar uma política protecionista no entorno dos profissionais em desvio de função.
    Não se vê policiamento nas ruas, nem a cavalo, nem com motos, nem com viaturas. Um dia, um major da Brigada, vítima de assalto, mata um bandi-do, outro dia é uma empresária que se encarrega de eliminar um assaltante, a seguir, um assaltante mata um segurança, isso para citar os casos mais marcantes ocorridos num pequeno espaço de tempo somente em Porto Ale-gre. A política da segurança está invisível e chego a crer que continua em vigor o discurso de que daqui a dez anos tudo será diferente.
    Tráfico
    No final da noite de quarta-feira, a Brigada Militar prendeu três homens por tráfico de tráfico de drogas e porte ilegal de arma em Caxias do Sul. O trio estava em uma casa no bairro Vila Ipê. Foram apre-endidas 15 pedras de crack, dois revólveres, munição, R$ 1,6 mil em di-nheiro e um rádio comunicador que estava na freqüência da polícia. Na casa também havia uma câmera de vigilância para monitoramento da área externa. Em Porto Alegre, na Vila Bom Jesus, a Brigada apreendeu 50k de maconha.
    Estudante
    O estudante universitário Everson Reinaldo, 31 anos, foi baleado, na noi-te de quarta-feira, quando saia do campus da Feevale, em Novo Hamburgo. A vítima levou um tiro no pescoço ao reagir contra o ataque de dois bandi-dos que fugiram. Everson estava numa moto, que não foi levada pelos as-saltantes.
    Perito
    Selecionado entre 492 trabalhos inscritos no edital nacional da RPS (Re-de Brasileira de Policiais e Sociedade Civil), o estudo sobre “identificação veicular”, do perito-criminalístico do IGP (Instituto-Geral de Perícias), Cleber Muller, será apresentado no Workshop “Liderança para o Desen-volvimento Institucional Policial: práticas e saberes policiais”. O evento será realizado de 17 a 19 de setembro no Rio de Janeiro. Muller é enge-nheiro químico e coordenador de Informática do DML (Departamento Mé-dico-Legal) órgão do IGP.
    Presídio
    O titular da SSP-RS (Secretaria da Segurança Pública), Edson de Oliveira Goularte, na tarde de ontem, esteve reunido com uma comitiva de São José do Norte, município localizado na região sul do Estado e distante 318 Km de Porto Alegre. Na ocasião, o prefeito José Vicente de Farias Ferrari afir-mou que é favorável à instalação de uma casa prisional naquela cidade. O prefeito Ferrari garantiu que há um cidadão interessado na doação de um terreno para a construção de casa prisional e a Prefeitura será parceira no que for necessário para a obra.
    Agressão
    Quarta-feira última, às 10h50min, um agente da polícia civil dirigindo uma viatura da instituição, com as cores oficiais (preta e branca), de prefixo 1248, subindo a Borges de Medeiros entrou à direita na rua Riachuelo, conversão que é proibida, e, em seguida, estacionou no ponto de parada de lotações. O policial, que estava sozinho, desceu, chaveou a porta da viatura e, tranquilamente, entrou na Galeria São Marcos. Este tipo de comporta-mento é uma agressão à cidadania.

  • Programa de irrigação ainda depende de lei

    Já está pronto para ser encaminhado à Assembléia Legislativa o texto de uma lei que autoriza o governo do Estado a fazer obras de irrigação com recursos públicos em propriedades privadas.
    Em regime de urgência, o projeto pretende destravar o programa de irrigação, uma das prioridades do governo Yeda Crusius, com a implantação de açudes, cisternas e barragens para prevenir as periódicas estiagens que prejudicam a economia do Rio Grande do Sul.
    O secretário extraordinário de Irrigação, Rogério Porto, falou sobre o assunto, nesta quinta-feira, 28, em audiência pública da Comissão de Agricultura.
    Disse o secretário que o governo tem no orçamento R$ 15 milhões para investir em projetos de irrigação, “ mas até agora não conseguiu investir praticamente nada em função de impedimentos legais”.
    O secretário informou que existem 952 pedidos para construção de micro-açudes e cisternas em diversas regiões do Estado. “Hoje, a legislação impede que o governo invista recursos públicos em propriedades privadas. É exatamente este ponto que queremos modificar para possibilitar os investimentos tão necessários na área de irrigação”, acrescentou Porto.
    A proposta, que chegará ao Legislativo ainda esta semana, prevê que a acumulação de água seja considerada como de interesse social, sendo utilizada livremente não somente no abastecimento público, mas também na produção de alimentos.
    O diretor-técnico da Federação das Associações dos Municípios (Famurs), Luiz Carlos Chemale, propôs uma grande mobilização da cadeia produtiva em favor da implantação de projetos de irrigação no Estado. (Da Redação, com a informações da assessoria de imprensa da AL)

  • Nova Aracruz começa a produzir em 2010

    Cerca de 500 convidados participaram do início simbólico da construção da nova fábrica da Aracruz em Guaiba, nesta quarta-feira, 27. Houve lançamento da pedra fundamental pela governadora Yeda Crusius e discurso entusiasmado do presidente da Assembléia Legislativa, deputado Alceu Moreira. Ambos afirmaram que o empreendimento “é um marco histórico” para o Rio Grande do Sul.
    Houve visita ao canteiro de obras, onde 500 operários já trabalham preparando o terreno 300 metros quadrados para a construção, que começará efetivamente nos próximos dias.
    “Aproveito para convidar a todos para a inauguração, em julho ou agosto de 2010”, disse o presidente da Aracruz, Carlos Aguiar. O evento foi encerrado com um almoço, sob tendas no pátio da indústria, ao som de clássicos da bossa nova a cargo do escritor Luiz Fernando Veríssimo e seu conjunto de jazz.
    A nova unidade vai ter capacidade para 1 milhão e 300 mil toneladas de celulose por ano, que se somarão a produção atual, de 450 mil toneladas ano. As duas plantas, operando integradas, formarão uma das maiores fábricas de celulose do mundo, com produção de 1 milhão e 850 mil toneladas por ano, quatro vezes a capacidade atual.
    Orçado em US$ 2,8 bilhões, o empreendimento mobiliza cifras portentosas: US$ 800 milhões anuais em divisas, US$ 400 milhões em compras de fornecedores locais, US$ 300 milhões em impostos, três mil novos empregos. No pico da obra, em meados de 2009, ela absorverá 7 mil trabalhadores.
    Além da fábrica, a empresa vai ampliar a sua base florestal de 160 mil hectares e implantar um sistema de logística para transporte de madeira e celulose que vai reativar a combalida navegação fluvial no Rio Grande do Sul.
    A hidrovia do Jacuí será reativada para o transporte da madeira do interior até a fábrica em Guaíba. A celulose sairá pela Lagoa dos Patos para um terminal portuário de exportação que será construído em São José do Norte. Os mercados asiáticos serão o principal destino da celulose produzida em Guaíba.