Autor: Elmar Bones

  • Certidão do Tribunal de Contas inviabiliza acordo com União, diz Ruas

    A certidão emitida pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE/RS), na quinta-feira, 15, inviabiliza a assinatura do acordo que o governador Ivo Sartori vem negociando com o governo federal, para suspender por três anos o pagamento da dívida do Estado com a União.

    É o que diz em nota distribuída no mesmo dia o deputado Pedro Ruas, líder do PSOL na Assembléia Estadual.

    A certidão informa que o gasto com a folha de pessoal atingiu, em 2017, o percentual de 54,9% da Receita Corrente Líquida. Foram pouco mais de R$ 35 bilhões, menos da metade para pagar os funcionários do Executivo.

    Ruas lembra que uma das exigências para que o Estado possa aderir ao Regime de Recuperação Fiscal é que o gasto com pessoal chegue a 70% da Receita Corrente Líquida.

    “Já em novembro do ano passado a Secretaria do Tesouro Nacional (STM) deixou claro que as despesas com pessoal, declaradas pelo Estado, não atingiam os 70% exigidos para a assinatura de um pré-acordo de regime de recuperação”, lembrou..

    “Reafirmamos, e agora com mais convicção, que chegou o momento do governo refletir, buscar outros caminhos que não venham prejudicar ainda mais o estado”.

    O governo do Estado não se manifestou sobre a certidão, mas o governador Ivo Sartori falando num evento da Rede Pampa na sexta-feira fez questão de dizer que está “otimista quanto à adesão ao Regime de Recuperação Fiscal”.
    “Isso não resolve todos os nossos problemas, mas é um grande passo. Será um fôlego financeiro de R$ 11,3 bilhões até 2020”, afirmou.
     
    GASTOS COM PESSOAL                               % RCL
    2016
    Executivo                    15.281.205.661,08       44,10
    Assembléia                    353.911.782,81           1,02
    Tribunal de Contas      303.120.512,57             0,87
    Tribunal de Justiça    1.529.897.019,62            4,41
    Trib. Just. Militar            19.457.960,28             0,06
    Min. Público                        517.001.635,14     1,49
    TOTAL                        34 .654.897.410,30       51,95
    2017:
    Executivo                 16.311.019.742,00    46,54
    Assembleia                   349.991.491,44      1,00
    Tribunal de Contas      305.581.826,62       0,87
    Tribunal de Justiça    1.721.605.539,08      4,91
    Trib. Just. Militar            18.636.508,74       0,05
    Ministério Público       550.368.905,77       1,57
    TOTAL                       35.045.932.696,94     54,94
    Fonte: TCE
     

  • Temer candidato

    ELMAR BONES
    Quem acha que o mais baixo índice de aprovação da história do presidencialismo brasileiro é impeditivo para uma candidatura de Michel Temer nas eleições deste ano, pode começar a rever sua opinião.
    Os últimos movimento do presidente são indicativo mais do que claro de que ele trabalha com afinco para viabilizar-se, deslocando o ministro Henrique Meirellles, que seria o nome do continuísmo apoiado pelos  bancos e parte do empresariado.
    Há muito que “assessores palacianos” confidenciam aos repórteres a intenção do presidente impopular, citando as “conquistas” de seu governo:  a queda da inflação, queda dos juros, melhoras na economia, embora mais aparentes do que reais.
    Essa espetaculosa intervenção no Rio de Janeiro, anunciada nesta sexta-feira, e o novo Ministério da Segurança que vem sendo trabalhado nas últimas semanas, são sinais evidentes dos ardis presidenciais.
    A questão da Segurança Pública é o tema mais sensível no país hoje. E a situação do Rio de Janeiro, beirando o caos, é emblemática.
    Além do mais, com este lance surpreendente, Temer tira o foco da reforma da Previdência, cuja aprovação é improvável a esta altura.
    Segurança é a área onde o governo federal mais tem investido e da qual estão reféns os governadores de todos os Estados, muitos deles já comprometidos com programas de ajuste fiscal, que dependem basicamente da boa vontade do Planalto.
    Há 16 ou 18 governadores buscando assinar os termos de adesão ao programa federal, que implica em suspensão temporária dos pagamentos da dívida com a União, entre outros benefícios.
    Quando, ao assinar o tempo de posse em substituição a Dilma Rousseff, Temer ergueu a caneta à altura dos olhos, posando para os fotógrafos, e não foi um gesto casual. Ele tem a caneta e sabe o que fazer com ela quando se trata de cuidar dos seus próprios interesses.
    Além do mais, ele não tem nada a perder. Tem o maior partido do país em estrutura (o PMDB) e a banda podre de outros partidos toda em suas mãos. Mesmo que não chegue lá, terá votos suficientes (e tempo de televisão) para se cacifar e, no segundo turno, ser decisivo na disputa final.
    Não se pode esquecer que as forças patrocinadoras do golpe de 2016, que tirou Dilma de cena, tem uma dívida, que não é pequena, com ele.
     

  • Sessão na Câmara marca 160 anos da Associação Comercial

    O presidente da Associação Comercial Paulo Afonso Pereira lembrou momentos marcantes dos 160 ano da Associação Comercial de Porto Alegre, durante a homenagem prestada na sessão Ordinária na Câmara de Vereadores, nesta quinta-feira, 15.

    A proposta do vereador Adeli Sell (PT) teve como objetivo dar reconhecimento e valorização aos trabalhos prestados à cidade por esta entidade ao longo de sua história e contou com manifestações de apoio de todos os parlamentares presentes em plenário.

    A Associação Comercial de Porto Alegre fundada em 14 de fevereiro de 1858 é a mais antiga entidade empresarial da Capital gaúcha e a quinta entidade associativa civil de comércio a ser criada no Brasil.

    Em 2016, com a posse de Paulo Afonso Pereira, foi retomada sua importância histórica e a dimensão institucional, quando a entidade passou novamente a contar com um presidente exclusivo.

    O último dirigente que exerceu com exclusividade a presidência foi Alberto Bins, entre 1924 e 1928, antes de se tornar prefeito de Porto Alegre.

    Em seu pronunciamento no plenário Otávio Rocha da Câmara de Vereadores, Pereira, disse que a entidade retoma o fio de sua rica história, mas com um olhar contemporâneo. “Por isso, estamos criando projetos, promovendo ações, que atendam aos novos interesses dos nossos associados, principalmente os médios e pequenos.”

    Ele ressaltou a atuação da entidade em toda sua existência para o desenvolvimento econômica da Capital gaúcha. “Durante décadas, a Associação Comercial travou guerra contra o contrabando, originário principalmente do porto de Montevidéu. Reivindicou uma tarifa especial de importação para o Rio Grande do Sul, que foi obtida após longas tratativas.”

    Outra frente de atuação foi em favor das condições dos transportes – dragagem e sinalização da Laguna dos Patos e do Guaíba, melhoramento e abertura da barra de Rio Grande e ferrovias, conforme Pereira.  “A Associação Comercial apoiou e estimulou o nascimento da indústria gaúcha. Sediou a primeira mostra industrial de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul, em 1861 e a decisão de criar a Viação Aérea Rio-Grandense, a nossa Varig, em 1927, nasce dentro da entidade.”

    Em sua fala, o vereador Adeli Sell salientou o engajamento da Associação para a renovação e para o desenvolvimento da cidade, destacando-se casos como o de enchentes, incêndios, sinalização do Guaíba, incentivo às ferrovias, combate ao contrabando e à leniência de governos. “Não é uma mera entidade associativa”, destacou o vereador.

    Segundo ele, lembrar da Associação Comercial era uma obrigação primordial, pois foi essencial para o progresso municipal. “Sempre foi uma instituição atuante”, afirmou.

  • Pinturas, desenhos e esculturas de Alejandro Arnutti em exposição no MARGS

    “Pampa Além Fronteiras” é o título e o tema da primeira exposição do artista plástico uruguaio Alejandro Arnutti em Porto Alegre.

    Sob a curadoria do cantor e compositor gaúcho Sérgio Rojas, a mostra acontece no primeiro andar do Memorial do Rio Grande do Sul, na Praça da Alfândega, de quarta-feira (7) a 11 de março.

    A abertura está programada para terça-feira (6), às 19h, e conta com apresentação musical de Sérgio Rojas e Daniel Torres. A entrada é franca.

    A mostra traz 30 quadros com técnicas diversificadas, como óleo sobre acrílico e sobre tela, carvão sobre cartão, aquarela sobre papel, além de esculturas de resina de poliéster. As obras exploram o ambiente do campo e a diversidade de usos e costumes entre as três fronteiras: Brasil, Argentina e Uruguai. O artista transpõe na tela detalhes essenciais, como a expressividade e a veracidade na narrativa das tradições, concebidas no estilo gauchesco, vivenciado na sua infância e juventude.

    Sobre Alejandro Arnutti

    Hermes Alejandro Arnutti dela Porta nasceu em Artigas (Uruguai), em 1981. Aos quatro anos, fez os primeiros esboços. Aos oito, frequentou a Oficina de Desenho da Casa de Cultura de sua cidade natal, despertando também para o desenho. A vocação como pintor foi assumida aos 17 anos. Em 1999, cursou o atelier de Elsa Trolio, em Salto (Uruguai), onde assimilou conceitos e práticas da pintura clássica. Aprofundou seu trabalho com releituras de obras de grandes mestres do Renascimento, Barroco, Realismo e Impressionismo. Os estudos nos museus de Montevidéu e Buenos Aires resultaram em avanços no estilo realista neoclássico, definindo sua técnica de pintura, com refinamento de luz e sombra, composição e harmonia das cores.

    Com talento reconhecido em premiações e mostras em diversos países, o artista participa de exposições individuais e coletivas nos Estados Unidos, Itália, Brasil, Uruguai e Argentina. Desde 2012, é professor na Oficina de Desenho e Pintura para jovens e adultos, promovida pela Secretaria de Cultura de Uruguaiana. Entre as premiações, o primeiro lugar no concurso internacional de pintura Encuentros Del Arte Contemporaneo, em Punta del Este (Uruguai), em 2013.

    SERVIÇO

    O quê: Pampa Além Fronteiras, exposição do artista plástico uruguaio Alejandro Arnutti

    Quando: Abertura na terça-feira (6), às 19h, com apresentação de Sérgio Rojas e Daniel Torres; visitação de 7 de fevereiro a 11 de março

    Onde: Memorial do Rio Grande do Sul (Praça da Alfândega, Centro Histórico, Porto Alegre)

    Texto: Mariângela Machado/Ascom Memorial do RS

  • Deputados pedem investigação sobre pressão de empresários pró Sartori

    Deputados de oposição recorreram ao procurador eleitoral do Estado, Luiz Carlos Weber.
    Em documento assinado por parlamentares do PT, PSOL e PDT, eles pedem investigação sobre a “ocorrência de possível conduta irregular ou ilícita eventualmente praticada por pessoas vinculadas a entidades empresariais, com intenção de viciar o pleito eleitoral deste ano”. A base da denúncia é uma nota publicada pela colunista do jornal Zero Hora, Rosane de Oliveira, nas edições dos dias 27 e 28 de janeiro.
    A colunista divulgou que “a aprovação dos projetos que criam condições para o Rio Grande do Sul aderir ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) virou questão de vida ou morte para o governo” e cita um “mutirão pela conquista de votos”, de um movimento que reúne empresários de diferentes setores que estão dispostos a trabalhar para convencer os deputados da necessidade de aprovação do acordo.
    Diz a nota que “embora o financiamento empresarial esteja proibido, os empresários, como pessoas físicas, estão dispostos a fazer doações para candidatos que encampem uma visão moderna de Estado. Isso vale tanto para o Executivo quanto para o Legislativo”.
    Na audiência com o procurador, a líder petista, deputada Stela Farias, a deputada Miriam Marroni e os deputados Jeferson Fernandes e Zé Nunes, todos do PT, reforçaram a necessidade de que o MPE verifique a existência de irregularidades.
    O procurador Luiz Carlos Weber afirmou que recebia a denúncia e iria analisá-la de forma objetiva e com isenção. Lembrou que a doação para campanhas por parte de pessoas jurídicas já está definida na Lei Eleitoral, em que está estabelecido que não pode haver doação efetiva antes do período eleitoral.
    Durante a audiência, a deputada Stela Farias frisou que o pleito dos parlamentares era para que houvesse uma investigação a partir dos indícios apontados pela jornalista e da pressão que passaram a sofrer deputados e deputadas.
    Já Miriam Marroni acentuou que a jornalista fez uma denúncia, comprometendo todos os partidos e parlamentares. “Não partilhamos com essas atitudes (compra de votos) nem aceitamos esse tipo de acusação”, argumentou Miriam, citando que até os/as deputados/as da base foram constrangidos.
    Por sua vez, o deputado Zé Nunes disse que o constrangimento foi geral e atingiu todo o Parlamento. “Essa não é uma situação normal”, afirmou o parlamentar, ao comentar sobre a possibilidade de compra de votos explicitada claramente no jornal. “Queremos que o Ministério Público se aproprie desse caso e nos diga o que mais pode ser feito”, assinalou Zé Nunes.
    Os parlamentares solicitaram, ainda, que o Ministério Público adote medidas preventivas a fim de impedir que o financiamento de campanhas e outras irregularidades eleitorais continuem a ser praticadas como em anos anteriores. O procurador Weber disse que uma campanha na mídia deve ser definida até março, pela Justiça Eleitoral, com objetivo de divulgar quais são os limites previstos na legislação, assim como quais são as medidas para prevenir abusos e o que vale ou não para as próximas eleições.
     

  • Novo presidente da Assembleia quer retomar luta por perdas da Lei Kandir

    Reanimar o movimento pelas indenizações da Lei Kandir é uma das prioridades anunciadas, já no dia da posse, pelo novo presidente da Assembleia do Rio Grande do Sul, Marlon Santos.
    São estimados em mais de R$ 40 bilhões os créditos do Estado junto à União, por perdas com a isenção de impostos em agro-exportações. A União aumentou suas divisas em dólares, os Estados que perderam receita não foram ressarcidos.
    Santos quer retomar a campanha iniciada por seu antecessor, o petista Edegar Pretto,  que embora tenha mobilizado forças de oposição no Estado, não teve apoio da mídia e nem de outros Estados.
    Apenas Minas Gerais, governada por Fernando Pimentel, do PT, aderiu ao movimento. Nos demais Estados que teriam créditos a receber, os governadores preferem negociar programas de recuperação fiscal com o governo Temer, e estão abrindo mão das indenizações.
    No balanço que fez de sua gestão, o deputado Pretto disse que sua maior frustração foi o revés na questão da Lei Kandir.
    “É líquido e certo que nos devem. Não podemos abrir mão do que nos é de direito”, diz Marlon Santos.
    A luta pelas indenizações da Lei Kandir bate de frente com o acordo que o governo Sartori negocia com o governo federal, nos termos do Regime de Recuperação Fiscal.
    Por esses termos, uma das condições para que o Estado possa aderir ao programa é a retirada de qualquer ação judicial contra a União, o que inclui desistir de cobrar a Lei Kandir.
    O novo presidente da Assembleia, no entanto, acha que é possível negociar a retirada dessa e de outras exigências do Regime de Recuperação Fiscal: “Como é que na Assembleia do Rio de Janeiro, sob pressão do povo, melhoraram o texto sem mudar a sua estrutura?”
     

  • O desafio de Marlon Santos na presidência da Assembleia

    O deputado Marlon Santos tem sido apresentado na imprensa com o inevitável realce de sua condição de médium que aos sábados promove sessões espíritas em Cachoeira do Sul, atendendo centenas de pessoas e realizando curas que, segundo vários e abalizados testemunhos, se enquadram na categoria de milagrosas.
    Ele já foi acusado de charlatanismo por essa atividade. Esteve alguns dias preso, foi libertado pela pressão popular e saiu da cadeia consagrado; três mil pessoas estavam em vigília na frente da delegacia.
    Sua popularidade de “bruxo” o levou à politica.  Elegeu-se vereador aos 26 anos, chegou a prefeito de Cachoeira do Sul na eleição seguinte e, há três mandatos, está na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, cuja presidência assumiu na quinta-feira, primeiro de fevereiro, aos 42 anos.
    Chega ao cargo por força de um acordo que estabelece um rodízio entre os quatro maiores partidos – PMDB, PP, PT e PDT – que se revezam na presidência ao longo de cada legislatura. Foi indicado por unanimidade pelos sete deputados da bancada do PDT.
    Marlon Santos faz questão de separar o médium – que aos sábados recebe o espírito de um médico alemão e faz cirurgias com uma faca de cozinha – do deputado que trabalha energicamente de segunda a sexta-feira na Assembleia.
    Mas é inevitável: a fama do guia espiritual, que o compara a Chico Xavier e atrai pessoas até do exterior, projeta uma sombra sobre a carreira do político, sua “personalidade política”, como ele diz. Por isso ela é pouco conhecida e, ainda, um tanto enigmática. Tanto que a manchete do principal jornal da capital no dia de sua posse foi: “Conheça o deputado-médium que assume a presidência da Assembleia”.
    Mas o político vem se impondo. A unanimidade sobre ele, entre aliados e adversários, entre deputados e funcionários, é de que é um conciliador. “Ele produz harmonia”, diz um antigo assessor.
    Assim como o médium que atende 500 pessoas num fim de semana, o deputado é um incansável articulador que conversa com dezenas de pessoas por dia sempre com a mesma atenção, a mesma afabilidade – seja o interlocutor um colega deputado, uma alta autoridade ou um eleitor do interior.
    Mesmo políticos de largo curso como Ibsen Pinheiro reconhecem que se trata de um talento incomum para o jogo parlamentar. A grande habilidade para harmonizar conflitos, ele agrega um preparo intelectual que sobressai na Casa.
    Alfabetizado no Exército, aos 18 anos, se tornou um estudioso compulsivo: vai completar o quarto curso superior.
    Sua atuação na Comissão de Finanças levam um jornalista experiente como Armando Burd a avaliar que ele “é um dos que mais conhecem o orçamento e a situação das finanças estaduais”.
    Na derrota que o Parlamento infligiu ao Executivo na semana passada ele teve influência decisiva nas deliberações do PDT, que selaram a sorte do governo.
    Na entrevista que deu à imprensa depois da posse, bateu forte na proposta do governo para atender as exigências do acordo que suspende o pagamento da dívida com a União por três anos:
    “Como é que nós vamos chegar para o professor ou para o brigadiano e dizer que o salário dele não vai ter reajuste, não vai sequer corrigir a inflação, mas que os juros e a correção monetária das parcelas da dívida continuarão a ser pagos?”.
    “O acordo diz que a suspensão da dívida por três anos pode ser prorrogada por mais três. Mas qual é o critério? Quem vai autorizar a prorrogação?. Não tem critério.”
    Concluiu que o governo foi derrotado mais por seus erros e falta de diálogo do que pelos esforços da oposição. “Quando é que fomos escutados?”, perguntou. Os deputados, segundo ele, são integrantes de uma instituição, não podem ser tratados “como um bando”.
    E repetiu o que dissera no discurso de posse sobre sua disposição para retomar as negociações com o Executivo: “Ninguém está querendo ser irracional… queremos conversa”.
    A necessidade de diálogo foi mencionada várias vezes em suas manifestações no dia da posse. Disse que o descompasso entre a Assembleia e o Executivo, como ocorreu nas sessões extraordinárias, “é um sintoma de problema grave” e se dispôs a ser “mediador disso aí” .
    Na entrevista, defendeu o seu antecessor, deputado Edegar Pretto, do PT, acusado pelo líder do governo de manobras regimentais para evitar a votação dos projetos. “A Assembleia tem um regimento. O deputado Edegar Pretto cumpriu o regimento”, afirmou.
    Nas próximas semanas, o acordo para suspender o pagamento da dívida com a União  volta a acirrar os ânimos na Assembleia gaúcha, que agora terá Marlon Santos na condução dos trabalhos. “Sou uma alma aberta ao diálogo”, ele diz.
     

  • Empresa de energia do Paraná é a mais transparente entre as estatais

    Um estudo inédito realizado pela associação Transparência Internacional (TRAC Brasil) mediu o nível de transparência nas atividades das 100 maiores empresas e dos dez maiores bancos brasileiros, destacando a Copel como a melhor colocada entre as empresas públicas avaliadas.
    O resultado está em um relatório divulgado pela instituição nesta terça-feira (30), em evento promovido na capital paulista.
    No ranking geral, a Companhia Paranaense de Energia aparece em 8º lugar.
    A seleção das empresas participantes foi feita com base em um levantamento do jornal Valor Econômico, e a pesquisa, realizada ao longo do segundo semestre de 2017, teve como objetivo avaliar o modo como estas empresas divulgam informações sobre suas práticas anticorrupção, estrutura organizacional e – no caso das multinacionais – os dados financeiros relativos à atuação em outros países.
    A Copel obteve um índice de 96% na avaliação de divulgação do seu programa anticorrupção, e 75% no quesito transparência organizacional.
    Para o presidente Antonio Sérgio Guetter, o resultado reflete os esforços empreendidos nos últimos anos no sentido de aprimorar ainda mais a transparência da gestão, incluindo a instituição de uma diretoria de Governança, Risco e Compliance no final de 2016.
    “Nos antecipamos ao cumprimento das exigências da Lei Anticorrupção e da nova Lei das Estatais, e o relatório divulgado hoje mostra que estamos no caminho certo”, afirma.
    Além de obter um dos melhores desempenhos individuais do ranking elaborado pela TRAC Brasil, a Copel integra ainda dois grupos que se destacam no documento.
    Entre as dez primeiras colocadas, quatro são oriundas do setor elétrico nacional: Neoenergia, EDP – Energias do Brasil, CPFL Energia e Copel. A pesquisa também aponta uma correlação positiva significativa entre transparência e abertura de capital, ou seja: as companhias com ações negociadas no mercado saem-se em geral melhor que as demais, caso da Copel, cujas ações integram as bolsas de São Paulo, Madri e Nova Iorque.
    Os dados foram comemorados pelo diretor de Governança, Risco e Compliance da empresa, Fabio Malina Losso. “Recebemos com grande alegria a notícia sobre a excelente colocação da Copel na pesquisa, que é resultado da colaboração de todo o time da Copel com nossos projetos. Vamos continuar o trabalho por um ambiente de transparência interna e externa, em conformidade com o que a lei exige e com as melhores práticas de governança corporativa e compliance”, comenta o diretor.
    (Com informações da Assessoria)

  • "No papel de vítima, Lula será imbatível", diz psicanalista

    Prestes a completar 100 anos (neste fevereiro) o psicanalista João Gomes Mariante ainda mantém intensa atividade.
    Autor de dois livros sobre Getúlio Vargas, ele trabalha num livro de memórias (Como cheguei aos 100 anos), edita um jornal sobre medicina e saúde e encontra tempo para remeter inúmeros artigos aos jornais.
    Ele não deu muita atenção ao julgamento de Lula. “A decisão já estava tomada. É uma burrice”, diz.
    Diz que não votaria em Lula, a não ser numa disputa com Bolsonaro.
    Para ele, Lula estaria em decadência se não estivesse sendo atacado, se dizendo perseguido. “No papel de vítima ele será imbatível. Estão criando o herói sacrificial, burrice sem tamanho”, diz.
    Ele diz que o problema mais sério é que o país está dividido e os dois lados estão interessados no conflito.

  • Julgamento é um "primeiro turno" da eleição presidencial

    O julgamento de Lula nesta quarta-feira, 24 de janeiro de 2018, é uma espécie de primeiro turno da eleição geral que se realiza em outubro, quando a Presidência da República e todo o poder político do país nas esferas estaduais e federais estarão em disputa.
    Dos cargos eletivos no país, apenas vereadores e prefeitos não passarão pelo crivo das urnas este ano. Mesmo o terço do Senado, que não precisa de votos desta vez, estará com as barbas de molho nas urnas.
    Neste julgamento, em Porto Alegre, está em jogo a candidatura do líder absoluto em todas as pesquisas de opinião nos últimos dois anos, o ex-presidente Lula.
    Já condenado em primeira instância, Lula poderá ficar inelegível, enquadrado na lei da Ficha Limpa, conforme o voto de três desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4a. Região, que julgam seu recurso nesta histórica sessão em Porto Alegre. Se ele for absolvido…
    Ou seja: por mais “técnica” que seja a decisão dos desembargadores do TRF4, ela será “politica” por seus efeitos.
    Derrubada Dilma Rousseff, empossado Michel Temer, responsabilizado o PT pela crise e pela corrupção, restou Lula com sua popularidade como o principal obstáculo ao grande ideal das forças que tomaram o poder em agosto de 2016: legitimar o golpe parlamentar pelas urnas.
    Este quadro político deu sentido ao discurso do ex-presidente: está sendo perseguido porque pode ganhar as eleições.
    Quando foi condenado em julho pelo Juiz Sérgio Moro, ele ficou quase sem saída: nove anos e maio de cadeia por crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio… o chefe da quadrilha que assaltou a Petrobrás durante os governos petistas.
    As Caravanas do Lula, que ele iniciou em outubro por bases eleitorais no Nordeste, foram sua resposta. Percorreu seis estados e depois ainda fez Minas Gerias, Espirito Santo e Rio de Janeiro.
    Para não fazer campanha de um “franco candidato”, a mídia não deu cobertura às caravanas…O líder das pesquisas eleitorais percorre o interior e em muitos lugares é aclamado, mas isso não é notícia, seria propaganda de um notório candidato fora de hora. As caravanas enfrentaram muitos percalços, mas não houve cobertura.
    O roteiro bem sucedido rendeu a Lula 200 horas de imagens em contato com o povo, falando a multidões, dizendo que nunca roubou uma maçã. Com as caravanas ele levou o seu julgamento para as ruas, o tribunal já não é o único protagonista nesta cena, desde então.