Wanderley Soares*
A crise do sistema penitenciário gaúcho é uma fatia de toda a problemática que envolve a violência e a criminalidade diante de um poder público que, há décadas, finge ter desencadeado procedimentos cirúrgicos-sociais capazes de extirpar o tumor que, a cada minuto, expele humores que assustam a cada cidadão, que assombram toda a sociedade.
Nas primeiras horas da greve dos servidores da Susepe, um apenado foi morto e a governadora Yeda Crusius não escondeu a sua preocupação. Mais do que isso, Yeda apressou a posse do novo titular da Segurança Pública, Edson de Oliveira Goularte.
Num outro plano, na sexta-feira, em São Leopoldo, crivado de balas por um assaltante, morreu o PM Márcio Leandro Murussi Prestes, 29 anos. A vítima do bandido poderia ser uma dona de casa, um operário, um empresário, uma criança, mas foi um PM que, embora seja apenas mais uma vítima do momento de insegurança que vivemos, por ter sido abatido usando a farda que simboliza a segurança, se tornou centro de um fato considerado insólito.
Nesse momento, analisando fatos que vão do presidiário ao PM eliminados a tiros, passando pelas crianças mortas por balas perdidas em enfrentamento de quadrilheiros, o governo deveria revisar tudo o que ele entende como prioridade na segurança pública.
É preciso acabar com remendos, com improvisações, com arreglos por cargos e promoções e arriscar tudo em favor da vida. Isso não exige coragem, mas a simples decisão dos poderes em cumprir a missão para a qual são pagos e muito bem pagos.
*Publicado originalmente no jornal O Sul, reproduzido com autorização
Autor: Elmar Bones
Os presídios e a crise da segurança
Veículo a hidrogênio vai circular em São Paulo
Luiza Oliveira Barbosa / Ambiente JÁ
A partir de novembro, ônibus movidos a hidrogênio, começarão a circular em São Paulo. A cidade mais poluída do Brasil e a quarta no ranking mundial busca alternativas para diminuir os efeitos das emissões de gases estufa. O projeto “Estratégia Energético Ambiental: Ônibus com Célula a Combustível a Hidrogênio”, que está em fase de testes na Marcopolo, foi desenvolvido por uma empresa de chassis de Caxias do Sul, a Tutto Trasporti. O veiculo será entregue para a EMTU/SP (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos).
O ônibus está na Marcopolo para os testes finais e, a partir de novembro, será testado em São Paulo. A próxima etapa é a construção de três desses veículos no próximo ano, já melhorados em relação à primeira edição, para em seguida começarem a circular.
O presidente da EMTU/SP, José Ignácio Sequeira de Almeida, diz que o Brasil foi escolhido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) por possuir cidades muito poluídas e com grandes frotas de ônibus.
Além dos ônibus, o projeto abrange ainda o abastecimento, cujos postos incluem um projeto futuro. Por enquanto, o projeto é para os ônibus circularem o dia inteiro, cerca de 300 km, e abastecerem à noite”. Segundo o presidente da EMTU, há expectativa de que haja uma queda no custo do veículos. “Por enquanto, em fase de testes, só protótipo custa três milhões e meio de dólares. A expectativa no futuro é que o custo fique entre os valores do ônibus elétrico e do movido a diesel, com muita viabilidade”.
Agenor Boff, diretor da Tutto Trasporti, explica que em 1996, a empresa desenvolveu um veiculo híbrido, que utiliza combustíveis alternativos. “Encontramos a possibilidade de utilizar álcool, gás e componentes de fabricação do biodiesel, que é soja, girassol, dendem, mamona, milho”, diz. Depois disto, “empresas interligadas ao hidrogênio nos procuraram e demonstraram interesse em que a Tutto fabricasse e gerenciasse todo o projeto da América Latina de utilização de hidrogênio”. Segundo o empresário, a idéia era desmistificar e, principalmente, reduzir o custo de fabricação de veículos que utilizam o hidrogênio, pois um dos grandes problemas sempre foi o custo referente à montagem e a condições técnicas necessárias que, até então, estavam somente em países da Europa e nos Estados Unidos.
“Agora temos a possibilidade da utilização do hidrogênio, que é encontrado em toda a natureza, água, gás natural, aterro sanitário, esgoto, biomassa, que é uma fonte inesgotável de energia e com poluição zero. Não há emissão de fumaça e sim vapor d’água”, diz Boff, ressaltando que os veículos estão se tornando fontes ambulantes de água potável.
A energia do mundo
“A tecnologia está dominada, não tem segredo. Não foram utilizadas grandes instalações, todo mundo pode montar. O mundo pode utilizar essa energia maravilhosa, que com certeza será a energia do mundo”, diz o diretor da empresa.
O técnico em eletrônica da Tutto Trasporti, Emílio Vaccari Batista, um dos participantes do desenvolvimento da tecnologia, explica como funciona o hidrogênio como combustível. “Ele é obtido através de um eletrolisador. O resíduo gerado é oxigênio e a célula é água. Essa é uma tecnologia 100% limpa, pega uma energia elétrica produzida em hidrelétrica e ela ‘alimenta’ o eletrolisador, que não libera nada além de oxigênio e não tem impacto ambiental”.
A célula a combustível é uma tecnologia que utiliza a combinação química entre os gases oxigênio (O2) e hidrogênio (H2) para gerar energia elétrica, energia térmica (calor) e água. “O hidrogênio é um mero meio de transferência de energia. Resumidamente, de um lado da célula entra o hidrogênio e do outro entra o oxigênio. No meio, entre os eletrodos, existem o eletrólito e o catalisador, que são a lógica de todo o funcionamento da célula a combustível”.
Marçal Pires, professor de química da PUCRS, especialista em Química Analítica Ambiental, afirma que a vantagem desta tecnologia é que a emissão de poluentes é praticamente nula. “O que temos que ver é o ciclo de vida completo, pois a célula contém platina atualmente. Precisamos saber qual será o destino ao final do ciclo de vida desta célula”. Porém, o professor ressalta que há algumas desvantagens em relação a esta tecnologia: “O hidrogênio é um gás explosivo. É preciso tomar muito cuidado em relação ao armazenamento e à utilização. Além disto, até onde verificamos é uma tecnologia que ainda apresenta muitos custos. Mas, como qualquer nova tecnologia, em uma escala de produção maior é provável que o custo caia”, ensina Pires.
Luiz Carlos Martinelli Junior, doutor em energia mecânica, professor da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí), diz que existem várias formas de se produzir o hidrogênio. Os processos iniciais de produção de hidrogênio utilizavam o carvão como primeira matéria-prima. Após esta fase, a eletrólise da água foi utilizada, sendo suplementada por processos que consomem gás natural e derivados de petróleo. “Na última década os processos e tecnologias para a manufatura do hidrogênio têm obtido muitos avanços”, diz.
Ele diz que a eletrólise é, ainda, o processo mais comum, mas classifica como muito “oneroso”, sendo possível apenas quando se tem energia elétrica abundante. “Quanto aos produtos do hidrogênio, tem-se somente vapor de água”.
Um combustível leve
A técnica existe há mais de 150 anos. A primeira célula a combustível foi desenvolvida em 1839 por um físico inglês chamado William Grove. Ele sabia que passando eletricidade através da água podiam-se obter os gases hidrogênio e oxigênio, constituintes da água.
Ele tentou fazer o processo reverso, combinando hidrogênio e oxigênio para produzir eletricidade e água. Mas a sua invenção, chamada por ele de “bateria a gás”, não tinha muita aplicação prática naquela época. Anos depois, em 1889, o nome “célula a combustível” foi criado por dois cientistas, Ludwig Mond e Charles Langer. Eles queriam tornar a célula a combustível uma invenção prática, mas não tiveram muito êxito.
A célula a combustível só começou a ganhar vida no final dos anos 30, quando o inglês Francis Thomas Bacon desenvolveu células a combustível de eletrólito alcalino. Em 1959, ele demonstrou um sistema de célula a combustível de 5kW para fazer funcionar uma máquina de solda. No entanto, somente com a Agência Espacial dos EUA, a NASA, a célula a combustível começou a decolar. Tudo que a NASA precisava era de um equipamento que gerasse energia com eficiência, e que utilizasse um combustível leve e com grande densidade de energia – o hidrogênio.CPI das Prisões já foi esquecida
“NEM O CAPETA FICA LÁ”
Elmar Bones
A CPI do sistema carcerário visitou 102 presídios, onde a imprensa só entra com autorização judicial. Mesmo assim ou talvez por isso, a imprensa pouco se interessou pelo assunto. Atenção foi desviada pelo factóide do indiciamento de 30 pessoas ( que seriam responsabilizáveis pelo caos) e o descrédito, que atinge as CPIs de modo geral, fez o resto. Um mês depois, é assunto esquecido.
Surpreendentemente, o jornal de circulação nacional que deu maior destaque foi a Folha Universal, órgão oficial da Igreja Universal do Reino de Deus, de distribuição gratuita. Na edição de 6 de julho a FU publicou quatro páginas, com os números gerais extraídos do relatório e depoimentos do relator, presidente da CPI e do fotógrafo que acompanhou os trabalhos.
440.000 presos
220.000 vagas
1.000 mortes por ano
30 mil fugas por ano
15 a 20% trabalham
5 a 7% são mulheres
“Ninguém faz idéia do caos que é o sistema penitenciário brasileiro.Nem o Hitler tratou tão mal os judeus”, disse o relator da CPI da Câmara dos Deputados que investigou as condições das prisões no pais, Domingos Dutra (PT-MA)
“Hoje a maior parte do crime é comandada da cadeia”, disse Neucimar Fraga (PRE-ES), que presidiu a Comissão. “Vimos homens dormindo com porcos, penitenciárias com lixo e esgoto, gente com doença de todo o tipo, pessoas dormindo dentro de banheiro…”
Além do relatório com denúncias detalhadas de violências, a CPI produziu um documentário de 40 minutos e fotos.
“Cada cadeia tem uma característica . Se eu for lhe contar qual a pior eu não consigo. Cada uma tem peculiaridades de mau-trato e um papel na agressão do ser humano”.
”Acho que só não vi o capeta porque é tão ruim que nem ele mora lá”, relata o fotógrafo Luiz Alves, da Câmara dos Deputados, que acompanhou a comissão nas vistorias. Lembra: cadeia de valparaiso (SP) com 40 pessoas numa cela onde não caberiam nem 12. Dos presos vivendo sobre poças dágua em Formosa (GO), das mulheres atulhadas em contêineres de navios no calor de Belém (PA).
“A gente via pessoas que estavam presas por pensão alimentícia, por furtos simples, junto com traficantes e assassinos. Você pega o ser humano e coloca em uma máquina de moer carne”..
CENTRAL DE PORTO ALEGRE, O PIOR DO BRASIL
O presídio Central de Porto Alegre ficou em primeiro lugar no ranking dos dez piores presídios do país, segundo o relatório da CPI. Ali estão empilhados 4.400 presos, num espaço que só caberiam 1.600.
Após a divulgação da lista, a governadora Yeda Crusius anunciou que o sinistro prédio seria desativado aos poucos e demolido. Antes que se conhecesse detalhes da decisão, o assunto saiu de pauta.
OS DEZ PIORES
Os piores dez presídios elencados pela CPI revelam que a mazela das prisões é nacional, com o destaque previsível do Rio de Janeiro, onde estão três entre os dez piores.
1- Presídio Central de Porto Alegre (RS)
2- Colônia Penal Agrícola do Mato Grosso do Sul
3- Empatados: Distrito de Contagem (MG)
Delegacia de Valparaíso (GO), 52ª.Delegacia de Polícia em Nova Iguaçu (RJ) e 53ª. DP DP de Duque de Caxias (RJ).
4- Empatados: Presídio Lemos de Britto, em Salvador (BA), presídio Vicente Piragibe (RJ), presídio Aníbal Bruno, de Recife (PE), Penitenciária Masculina Dr. José Mário Alves da Silva, o Urso Branco (RO), e Complexo Policial de Barreirinhas (BA)
5- Centro de Detenção de Pinheiros, em São Paulo
6- Instituto Masculino Sarasate, em Fortaliza (CE)
7- Penitenciária Feminina Bom Pastor, em Recife (PE)
8- Penitenciária Feminina de Santa Catarina
9- Casa de Custondia Masculina do Piauí
10- Casa de Detenção Masculina da Sejuc (MA).BR 116: governo retoma projetos nove anos depois
Nove anos depois, recomeçam os projetos da BR 116
Cleber Dioni
Foi um grande evento, que lotou a Assembléia Legislativa e rendeu manchetes nos jornais. “A Metade Sul tem razões para festejar o compromisso assumido e honrado pelo presidente da República ao atender uma antiga reivindicação da região”, disse o então ministro dos Transportes, Eliseu Padilha ao anunciar o lançamento do edital para o início da obra, orçada em R$ 220 milhões. Era o ano de 1999, o presidente era Fernando Henrique Cardoso.
No ano seguinte, foi feita a concorrência para execução da obra, dividida em quatro lotes e o projeto foi contratado. Mas, no início de 2001, faltou dinheiro e os projetos dos quatro trechos da BR 116 a serem duplicados ficaram pela metade, apesar do reconhecimento das autoridades de que “é uma das obras rodoviárias mais importantes a serem executadas no Rio Grande do Sul”. No seu trecho Sul, a BR 116 é o principal acesso ao porto de Rio Grande, além de ser crucial para todo o tráfego na região metropolitana de Porto Alegre.
Agora, na última semana de julho o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT/RS) anunciou a retomada dos projetos para a duplicação de 210 quilômetros da rodovia, desde o acesso a Guaíba até a Ponte do Retiro, em Pelotas. Foram liberados R$ 2 milhões para a conclusão dos projetos parados há sete anos e o superintendente do Dnit, Marcos Ledermann, garante que estarão concluídos em dezembro de 2008. Mas ainda falta dinheiro, pois o que foi liberado agora se soma a R$ 4,8 milhões já gastos, enquanto o custo total dos projetos está orçado em R$ 10 milhões.
Mesmo assim, o deputado Mendes Ribeiro Filho, presidente da Comissão Mista de Orçamento na câmara federal, considera a retomada dos projetos “uma vitória da bancada gaúcha” e promete empenho para garantir o dinheiro que falta, pouco mais de R$ 3 milhões. “Continuamos trabalhando para que os gargalos do Rio Grande sejam vencidos”, disse Mendes, que nos próximos dias, deve se reunir novamente com o diretor do Dnit para analisar a liberação de mais recursos.
Se tudo der certo, em 2009 começa a outra parte da novela: os licenciamentos ambientais. Os estudos de impacto ambiental já foram iniciados pela STE, empresa que ganhou a licitação em janeiro do ano passado. O custo é de R$ 2,8 milhões. Segundo o engenheiro Fábio Nodari, da consultoria, desde maio a empresa está realizando os levantamentos para produzir um diagnóstico ambiental. O EIA-Rima deve ser apresentado em fevereiro ou março do próximo ano ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
De Porto Alegre à Pelotas existem quatro pedágios. O trecho até Camaquã está concessionado pelo Estado à Metrovias e os outros três trechos são concessões federais à Ecosul. Mas os contratos de concessão não prevêem duplicação da estrada pelas concessionárias, de modo que toda a obra será feita pelo governo federal.
O DNIT licitou quatro trechos
A licitação para a duplicação da BR 116, no seu trecho Sul, foi feita no ano 2000, com a obra dividida em quatro lotes:
1)Km 291, a partir do entroncamento da BR-290, (Empresa Magna Engenharia);
2)Km 350,40 ( Empresa Ecoplan Engenharia),
3)Km 397,80 (Empresa STE Serviços Técnicos de Engenharia)
4)Km 448,50, até a ponte do Retiro, (Empresa Enecom S.A. Engenharia e Economistas Consultores).
Benefícios à Metade Sul
A BR-116 não é apenas a mais importante do sistema rodoviário federal no Rio Grande do Sul, mas a principal rodovia brasileira. Inicia na cidade de Fortaleza (CE) e termina em Jaguarão, no Rio Grande do Sul, na fronteira com a cidade uruguaia de Rio Branco. Sua extensão total é de cerca de 4,3 mil quilômetros, passando por dez estados, ligando cidades importantes como Pelotas, Porto Alegre, Caxias do Sul, Curitiba/São Paulo (Rodovia Régis Bittencourt), São José dos Campos, São Paulo/Rio de Janeiro (Presidente Dutra), Rio de Janeiro/Fortaleza (Santos Dumont) e Governador Valadares (MG).
Na malha rodoviária no Rio Grande do Sul, a rodovia inicia na divisa SC/RS (na ponte sobre o rio Pelotas, Passo do Socorro, entre Lajes e Vacaria), indo até Jaguarão, com a extensão total de 653,8 km. Conforme o engenheiro João Manuel Silveira, do Dnit/RS, o seu volume de tráfego atinge 130.000 veículos por dia na região metropolitana de Porto Alegre.
Cruza municípios que contemplam quase todos os segmentos da economia gaúcha. A estrada é responsável pelo escoamento da produção até o porto do Rio Grande. O trecho Porto Alegre – Pelotas tem uma importância muito especial porque é um dos trechos do Corredor do Mercosul e atravessa grandes propriedades rurais, com expressiva produção de arroz, soja, milho e sorgo.
PAC não é para todos
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) reservou R$ 8 bilhões para o Dnit investir no modal rodoviário federal até 2010. As ações incluem a duplicação de 3.214 quilômetros, a construção de 6.876 quilômetros e a recuperação de 32 mil quilômetros de rodovias federais, além da instalação de dispositivos de segurança e de postos de pesagem.
Mais da metade do trecho gaúcho da BR-116 está incluído no PAC, mas não a rota Sul pelo fato de ser tarifada, ou seja, possui trechos administrados por empresas particulares que cobram pedágio para mantê-los em boas condições.
Já no sentido Norte da rodovia, o trecho entre Porto Alegre e Nova Petrópolis, a futura Via Expressa, que cruza o maior pólo econômico do Estado e possui um dos três maiores volumes de tráfego rodoviário do Brasil, está entre as 17 obras na área de logística para a região Sul incluídas no PAC. Prevê recursos na ordem de R$ 570 milhões, incluindo a construção da BR-448, a Rodovia do Parque.Empréstimo reduzirá o peso da dívida do Estado
Era mais uma formalidade porque o empréstimo já estava aprovado. Mas, à míngua de boas noticias, a governadora reuniu ontem parte do secretariado no Palácio Piratini para acompanhar por vídeo-conferência a reunião do Banco Mundial em Washington. Por unanimidade o conselho do banco que bateu o martelo na liberação de US$ 1,1 bilhão que o governo estadual pleiteia desde maio do ano passado. O dinheiro não entra no caixa do Estado, vai para pagar dívidas. O ganho é nos juros. Segundo estimativas da Fazenda a economia será de R$ 150 milhões por ano, segundo outras fontes não será mais do que R$ 30 milhões por ano.
No início da tarde, o diretor do Banco Mundial, John Briscoe confirmou a transação à governadora, por telefone. Ao final da reunião do board em Washington uma vídeo conferência foi organizada para que a governadora pudesse falar com os diretores em Washington.
Segundo o governo do estado a operação é “inédita no mundo”, ou seja nunca antes um ente subnacional (um Estado, no caso) havia obtido empréstimo nesse volume.
A operação de US$ 1,1 bilhão ao Rio Grande do Sul é para abater parte da dívida extralimite do Estado com a União. Inédita no mundo, permitirá uma economia de R$ 150 milhões anuais aos cofres públicos, o equivalente à construção de cinco rodovias como a Rota do Sol. O financiamento do Bird representa um importante apoio da instituição ao Programa de Ajuste Fiscal que o governo estadual está promovendo, para zerar o déficit público.
A governadora destacou a importância deste processo, que coloca o Estado como o primeiro no país com maior crescimento de ICMS. “Estamos inovando através da substituição tributária. Dissemos que era possível cumprir a Lei da Responsabilidade Fiscal e cumprimos a meta. Estamos ajustados na dívida. Temos hoje um novo começo de trabalho, e demos um passo definitivo para os próximos governos, graças à parceria do Bird”.
Em 2007, com o Programa de Ajuste Fiscal, o déficit de R$ 2,4 bilhões foi reduzido para R$ 1,2 bilhão, como resultado de cortes de despesas, eliminação de desperdícios e maior eficiência dos órgãos arrecadadores. Em 2008, o déficit cairá para menos de R$ 300 milhões.
De acordo com o secretário da Fazenda, Aod Cunha, a liberação do Bird não se trata de recursos que entram diretamente no caixa do Estado, mas de recursos para quitar antecipadamente dívidas do Estado. “Esta transação faz com que o Estado pague menos juros. A sensação que temos é de dever cumprido, pois o empréstimo é um dos vários itens do imenso esforço que o governo está fazendo para o ajuste fiscal. E a reestruturação da dívida é uma delas”, finalizou.
Em Washington, estiveram reunidos os diretores do Bird que representam 184 países. Deliberações pelo board do Banco Mundial sobre operações de crédito são realizadas quando os valores são superiores a US$ 500 milhões. O financiamento ao Rio Grande do Sul é o maior empréstimo já concedido pelo Banco Mundial a um estado subnacional.
Negociações
As negociações com o Bird iniciaram-se em maio de 2007, quando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sinalizou positivamente com a possibilidade de o Rio Grande do Sul propor uma operação de empréstimo junto ao Banco Mundial. Desde então, 12 missões técnicas do Banco visitaram o Rio Grande do Sul para a elaboração do documento, juntamente com técnicos do Governo do Estado.
O empréstimo de US$ 1,1 bilhão do Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (Bird) ao Estado do Rio Grande do Sul em apoio a Políticas de Desenvolvimento tem juros fixos, é dividido em duas parcelas, é garantido pela República Federativa do Brasil e tem um prazo total de 30 anos. De acordo com Marcelo Giugale, foi “graças à transparência e à clareza nos trabalhos que se pôde chegar a um resultado positivo, abrindo portas para outros países emergentes”.
Acompanharam também a videoconferência o chefe da Casa Civil, José Alberto Wenzel, os secretários estaduais da Saúde, Osmar Terra, da Habitação, Saneamento e Desenvolvimento Urbano, Marco Alba, da Administração e dos Recursos Humanos, Maria Leonor Carpes, de Ciência e Tecnologia, Paulo Maciel, da Cultura, Mônica Leal, da Educação, Mariza Abreu, a secretária em exercício de Planejamento e Gestão, Ana Severo, o chefe da Casa Militar, tenente-coronel Joel Prates Pedroso, o presidente do Banrisul, Fernando Lemos, e o senador Sérgio Zambiasi.Justine: Só mais uma chance!
Talvez porque Biba Meira esteja de aniversário, talvez porque Simone Carvalho voltou do Rio pra buscar as porcelanas chinesas que o Scott esqueceu em Porto Alegre, talvez porque o Regis Sam tenha dito “ok, mas sem ensaio…”, talvez porque o Jimi Joe tenha tido um súbito acesso de bom humor, talvez porque o 4nazzo esteja sempre a fim de tocar mesmo… Por tudo isso e sabe-se lá por mais quantas outras insuspeitas e/ou inenarráveis motivações, Justine resolveu, como naquele refrão de uma velha canção dos Replicantes, dar mais uma chance aos seus renitentes admiradores. Por isso, nesse sábado, dia 2 de agosto, corra até a Muffuletta (Rua da República, 657, Cidade Baixa, Porto Alegre) para degustar as guloseimas musicais que a banda sabe preparar e entregar como poucos. No repertório, além das já conhecidas composições de Jimi e Murilo Biff, clássicos de todos os tempos – de Beatles a Portishead – revistos pelos olhos e ouvidos de uma banda antenada no presente e com um pezinho no futuro. Justine começa a tocar, pontualmente, às 22h30. Reservas de mesas pelo telefone 3224-1524.
Brigada Militar propõe conselho comum para sete bairros
Helen Lopes
O comandante da 3ª Companhia da Brigada Militar, major Aroldo Medina, terá pouco mais de um mês para convocar os moradores dos sete bairros sob sua responsabilidade para um encontro sobre segurança. O comandante pretende mobilizar a população do Bom Fim, Farroupilha, Moinhos de Vento, Independência, Santana, Santa Cecília e Rio Branco para a criação de um único conselho pró-segurança pública, o Consepro.
A idéia surgiu durante uma audiência com moradores da Cidade Baixa, preocupados com o aumento da violência, e visa à arrecadação de recursos financeiros para o reaparelhamento da Companhia. Mesmo sob responsabilidade do 2ª Companhia, a bairro deve ser incorporado. “Nada impede que a Cidade Baixa também faça parte, pois está na área de policiamento do 9° Batalhão”, explica.
O major espera conseguir dinheiro entre os vizinhos e comerciantes para adquirir viaturas, motocicleta e uma rede de rádios.
Medina conta hoje com 60 homens, duas motos e um carro para vigiar toda a região. “Em 22 anos como policial, nunca vi tanto descaso. Não esperem nada do governo”, lamenta.
Com uma infra-estrutura precária, o oficial não consegue atender às comunidades que pedem mais policiamento. Ele desistiu também da ajuda das grandes empresas. “Procuramos os bancos da região para contribuir na compra de viaturas com uma cota mensal de R$ 2,5 mil, menos do que eles gastam com cada vigia, mas até agora nada”, registra.
A criação do Consepro resolveria uma das principais preocupações dos líderes comunitários dos bairros mais organizados. Eles temem que os equipamentos adquiridos pelos moradores sejam utilizados em outras zonas – à exemplo do que aconteceu no verão, quando o carro restaurado pela Federação Israelita foi parar na Operação Golfinho e voltou inutilizável.
“Uma doação à Brigada Militar não pode ser de uso exclusivo naquele bairro ou de quem doou. Assim estaríamos privatizando a segurança pública, dando acesso apenas àqueles que podem pagar”, esclarece Medina.
Porém, o major explica que a formação do Consepro, que posteriormente será registrado como uma entidade, permitiria que se estabelecesse uma relação de cooperação entre as partes. “Será como um empréstimo ao destacamento para utilizar nessa região”, completa.
Assim como os conselhos de segurança do Bom Fim e do Rio Branco, que retomaram as atividades no ano passado, o Consepro seria ainda um fórum de troca de informações, agilizando a ação da polícia.
Bairros convocados
Bom Fim
Moinhos de Vento
Independência
Rio Branco
Farroupilha
Santa Cecília
Santana
Violência na Cidade Baixa
O avanço da criminalidade na Cidade Baixa levou o Sindicato dos Professores do Ensino Privado (Sinpro/RS), com sede na João Pessoa, a montar um grupo para tratar do assunto. Em sua quarta reunião, o Comitê Vizinhança Solidária busca alternativas para diminuir o número de casos de violência. “Estamos vivendo um clima de insegurança na região”, preocupa-se o presidente do sindicato, Sani Cardon. Ele conta que a sede da Fundação Ecarta, mantida pelo Sinpro, na esquina da João Pessoa com a Lopo Gonçalves, é alvo constante de vândalos e assaltantes, que tentam arrombar o local.
“Além disso, nossos colegas estão sendo abordados quando chegam à casa do professor, aqui ao lado. Temos que fazer alguma coisa”, conclama. As reclamações repetem-se em outras ruas. “Nos últimos meses sofri três arrombamentos e um assalto à mão armada”, recorda João Hudson.
Coronel do Exército aposentado, ele e a esposa mantêm uma cafeteria no bairro e estão impressionados com os ataques. Hudson acredita na atuação de um conselho dos bairros, mas lembra que a população contribui para a segurança pública. “Já pagamos vários impostos e ainda teremos que ratear despesas diretamente?”. Ele entende que primeiro é preciso conscientizar os moradores da importância da participação. “Se está ocorrendo esse descaso temos que pressionar as autoridades”, propõe.
Presidente do Conselho de segurança é vítima de furto
O presidente do Conselho de Segurança do Bairro Bom Fim (Conseg), Alexandre Schüller Alves, 45 anos, foi vítima de furto em sua banca, instalada na rua Ramiro Barcelos, em frente ao número 1891, no final de junho. O chaveiro comprou um poste de luz para ter energia elétrica em seu estande de chaves.
Depois de instalar o equipamento em uma sexta-feira, ele aguardou que técnicos da CEEE fizessem a ligação na rede, na segunda-feira seguinte. Mas Alves não pôde usufruir de seu investimento nem um único dia.
Na madrugada de sábado para domingo, dois ladrões levaram 28 metros de fio de cobre – um prejuízo de R$ 300,00. “Eles subiram na árvore ao lado da banca e puxaram por cima. Só não levaram tudo porque eu fiz uma base de concreto no chão”, informa o chaveiro. O crime foi visto por um vizinho que mora no prédio em frente.
Ele relatou o caso para Fábio Augusto, responsável pelos serviços gerais do condomínio do prédio 1891 da Ramiro. “Pena que ele não chamou a Brigada Militar. As pessoas querem segurança, mas precisam se ajudar”, observa Alexandre Alves. O presidente do Conseg lembra que a reunião de julho tratou do tema, ao salientar a importância da participação de moradores e comerciantes no problema, prevenindo casos através da troca de informações.
Os casos de furto e roubos no Bom Fim diminuíram, de acordo com Alves. Ele próprio já tinha sido vitima de três arrombamentos, desde que se instalou no ponto da Ramiro Barcelos, em 1999. “Mas a situação poderia estar melhor se houvesse maior envolvimento”, aponta. Apenas cinco pessoas participaram do encontro do Conselho de Segurança em julho, que contou com representantes da Brigada Militar.
A reunião acontece sempre na segunda terça-feira do mês. A próxima será no dia 5 de agosto, às 20h, na Hebraica (rua João Telles, 508).
Essa reportagem é um dos destaques da edição 388 do jornal JÁ Bom Fim/Moinhos. A publicação é quinzenal e circula gratuitamente nos 10 bairros da área central de Porto Alegre.O general segura o "tijolo quente"?
O desafio do general Goularte
Elmar Bones
Edson de Oliveira Goularte nasceu em Bagé, em 1942. Era um desconhecido no meio político até se tornar secretário de segurança pública do Rio Grande do Sul, depois que o delegado Francisco Mallmann pediu demissão, domingo passado.
O general é descrito como um homem gentil, de fala mansa, estatura pequena, em nada lembrando o estereótipo do general imponente, mandão. Quem convive com ele diz que é um estudioso das questões de segurança pública, atento ao que ocorre em todo o mundo, dá aulas sobre o assunto nos cursos da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, em Porto Alegre.
Seu currículo divulgado no site do governo sim é imponente. Tem mestrado em Aplicações Militares, doutorado em Aplicações, Planejamento e Estudos Militares pela Escola de Comando do Estão Maior do Exército, pós doutorado em planejamento e aplicações militares pela escola de guerra do Exército.
Como coronel comandou do Batalhão da Guarda Presidencial, o corpo de cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras e sub-chefe de gabinete do Ministro do Exército. Como oficial general comandou a 14ª.Brigada de Infantaria Motorizada e foi diretor de Inativos e Pensionistas do Exército. Formado em matemática, com pós graduação em Matemática Superior e Ciência Política e tem extensão universitária em estudos de política e estratégia governamental.
O que o general vai enfrentar agora é diferente do mundo da caserna em que viveu até se reformar. Ele declarou ao ser nomeado que “precisava dessa missão”. Há informações de que pleiteava o cargo, com o respaldo da secretária de Cultura, Mônica Leal, ligada ao meio militar, que o teria indicado à governadora.
São detalhes. O que importa é que ele terá uma função eminentemente política, num ambiente conflagrado, onde convivem duas corporações que não se integram e até se hostilizam, ambas com efetivos reduzidos, precárias condições de trabalho e uma pressão cada vez maior da sociedade, apavorada com a criminalidade.
A tese de que Yeda deveria extinguir o cargo de secretário e despachar as questões de segurança diretamente com o comandante da Brigada e o chefe de Polícia ganhou força durante a agonia do secretário Mallmann. Arrefeceu, mas continua viva na cúpula das duas corporações.
A Adesg é uma ong apoiada por empresas como GBOEX, Ipiranga, Copesul, Gerdau, que promove cursos de planejamento estratégico semelhantes aos da Escola Superior de Guerra, no Rio. É formada, em maioria, por militares reformados.


