Autor: Elmar Bones

  • Projeto Reviver das Águas ensina a conservar arroios de Porto Alegre

    Trilha
    Por Luiza Oliveira Barbosa

    Porto Alegre registra números alarmantes da poluição que atinge os seus 27 arroios. Em 19 meses, o Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) retirou mais de 100 milhões de quilos de entulhos, numa média de 5 milhões por mês.
    Convencido de que o ato de jogar lixo nos arroios é reflexo da falta de conscientização, o órgão municipal tenta reverter esse quadro realizando um trabalho de educação ambiental nas escolas, através do projeto Reviver das Águas.
    O projeto consiste em promover cursos e palestras de conscientização, onde é destacada a importância e o papel dos arroios nas cidades, principalmente em grandes metrópoles como a capital gaúcha onde são produzidos grandes volumes de resíduos. São trabalhadas as causas e conseqüências, como o alagamento das ruas pelo entupimento das redes pluviais, a destinação correta do esgoto cloacal (doméstico) para estações de tratamento de esgoto, os aterros sanitários, e a importância de separar, reduzir e reutilizar o lixo.
    O engenheiro Francisco Pinto, diretor da divisão de conservação do DEP, informa que, de 2005 a 2007, a Educação Ambiental do departamento já atendeu mais de 42 mil pessoas entre alunos e comunidade participante das atividades. “É um trabalho de base, de longo prazo, para que as crianças cresçam conscientes”, explica.
    A Escola Evaristo Flores da Cunha, na zona Sul, participa desse trabalho. A diretora Rosane Moraes ressalta que, por estar localizada dentro de uma praça, com o Guaiba nos fundos, a escola mantém um trabalho permanente com diversas formas de conscientização ambiental, não só com o DEP. “Sempre trabalhamos essa questão, para que as pessoas valorizem essa riqueza natural”, afirma.
    Segundo a diretora, os alunos também participam de iniciativas do DMAE e de mutirões de limpeza da orla do Guaiba, para em seguida realizar um trabalho interdisciplinar sobre o lixo recolhido. “Eles gostam muito dos trabalhos, sabem que estão cuidando do ambiente onde moram, aprendem a valorizar a natureza e pensarem no que querem para o futuro”, diz Rosane.
    Limpando os arroios
    Os arroios da Capital necessitam de dragagem pelo menos a cada dois anos. De 2005 a 2007, o DEP realizou a dragagem e limpeza de arroios, valas e canais em 218.140 metros de extensão.
    Na primeira fase da dragagem do Arroio Manecão, no Lami, concluída no mês de junho, foram retirados 3,9 milhões de quilos de materiais, sendo 3 milhões de quilos da foz, junto ao Lago Guaíba, e mais 900 mil quilos em 150 metros de extensão do leito. Foi a primeira vez que o Arroio Manecão recebeu dragagem. Na forte chuva do início de maio, o Arroio Manecão transbordou e alagou casas do Jardim Floresta, na Estrada do Lami.
    O DEP draga o Arroio Sarandi desde o final de abril. Até o momento foram retirados 9,5 milhões de quilos de material do leito do Sarandi. Do Arroio Dilúvio, desde outubro de 2006, foram retirados 76,5 milhões de quilos de entulhos. Foram retirados 18 milhões de quilos do Canal da Vila Dique e 1,5 milhões de quilos do Canal da Ceasa, que tiveram suas dragagens concluídas.
    Segundo o engenheiro Pinto, os resíduos são depositados no lixão do DMLU, ou é feito um dique natural, aproveitado para fazer reacervos”.
    Como participar
    O Projeto Reviver das Águas realiza palestras gratuitas nas escolas, com duração média de uma hora. As inscrições podem ser feitas pelos telefones (51) 3289-2215, 3289-2216 ou e-mail ambiental@dep.prefpoa.com.br.

  • Auditor sugere CPI para investigar Tribunal de Contas do Estado

    O mais antigo integrante do TCE afirmou que o tribunal está impregnado de irregularidades. Amorim enumerou três práticas de nepotismo utilizadas, citou elevado reembolso de diárias por parte de alguns conselheiros e a existência de exagerado número de cargos de confiança (CCs) por parte dos conselheiros, a grande maioria (seis em cada 10), segundo ele, parentes dos próprios integrantes.
    O auditor ressaltou que as irregularidades denunciadas em estatais e departamentos como o Detran, Daer e Banrisul “são resultado da omissão do TCE” e que possivelmente elas não ocorreriam “se o órgão entregasse menos troféus e mimos e cuidasse mais do erário público”.
    O sumiço, por nove meses, da representação do Ministério Público de Contas sobre irregularidades no Detran, de agosto de 2007, também foi relatado pelo depoente. Segundo Amorim, o processo desapareceu no dia em que seria levado ao pleno do tribunal. A representação foi mencionada em ligação telefônica feita pelo auditor do TCE Cézar Santolin ao então presidente do Detran Flávio Vaz Netto. No telefonema, interceptado pela Polícia Federal e tornado público pela CPI do Detran, o funcionário alertava o dirigente da autarquia sobre a existência da representação, que seria aprovada pelo pleno.
    Ele destacou o Poder Legislativo como o órgão fiscalizador nato e criticou a existência de 10 CCs por conselheiro no Tribunal de Contas do Estado – “alguns inclusive instruindo processos, o que é de uma gravidade brutal”.
    Disse que o Parlamento “muitas vezes distrai-se na escolha dos seus para comporem os Tribunais de Contas” e que a idéia de criação de um Conselho de Tribunais de Contas – iniciativa do conselheiro Victor Faccioni, que tramita no Congresso Nacional com grandes possibilidades de aprovação, segundo ele – “é um atentado à razão, é terrível, de brutal inconstitucionalidade”. A iniciativa, em sua opinião, visa, apenas, criar mais cargos, mais diárias e viagens.
    O auditor-substituto disse que vive uma luta desigual no órgão, que está sozinho enfrentando desmentidos freqüentes, que é chamado de mentiroso na imprensa, que tem sido acossado e que só se manifestará publicamente após seu depoimento na Assembléia, “em respeito a esta Casa”.
    Nepotismo e diárias
    Amorim criticou o conselheiro Porfírio Peixoto que, segundo ele, tem afirmado que realizou auditoria interna a partir de suas denúncias, “mas a auditoria apontou que não há irregularidades; ele abafou tudo e não fala a verdade publicamente, sustenta-se em cima de vários cargos em comissão, inclusive no controle da imprensa do órgão”.
    Ele acusou Peixoto e os conselheiros Helio Mileski e Victor Faccioni de embolsarem mais de R$ 761 mil em diárias, entre os anos de 2000 e 2005, com viagens a “países inesperados”. “Há explicações, mas não justificativas para isto”, acusou. E citou três tipos de nepotismo existentes no órgão: direto, cruzado e em rodízio. Disse que parentes são empregados em triângulo, em vários órgãos da Justiça e nos outros poderes, mas admitiu que é difícil decifrar o que classificou de verdadeiro labirinto.
    “O Porfírio Peixoto, por exemplo, tem um primo, uma prima, um concunhado, um sobrinho e uma sobrinha dele e da senhora dele empregados lá. O Mileski tem dois filhos em cargos trocados com dois procuradores de Justiça e em seu gabinete estão dois filhos de desembargadores”. Amorim só salvou da prática o Ministério Público de Contas.
    O auditor disse estranhar o fato de que, a cada três pedidos de revisão de processos, dois são julgados procedentes e elencou escritórios de advocacia que freqüentemente obtêm “grande sucesso em processos de revisão”. Finalmente, confirmou a suspeita dos parlamentares que integraram a CPI do Detran sobre o desaparecimento da representação do MP de Contas contra o Detran um dia antes de pedido ingressar no Pleno do TCE, conforme denunciado pela CPI a partir de conversas telefônicas captadas pela Polícia Federal entre um conselheiro e o ex-diretor do órgão, Flávio Vaz Neto.
    Ineficiência no controle
    O presidente da comissão, deputado Nelson Marchezan Jr. (PSDB), citou as dificuldades enfrentadas pelo Legislativo em conseguir informações junto ao TCE e adiantou que a comissão irá tratar do assunto após o recesso, devendo ouvir o presidente do órgão, entre outros, “em virtude da gravidade das afirmações aqui colocadas”.
    Marchezan manifestou dúvidas sobre um recente relatório que encaminhou ao TCE pedindo a apuração de denúncias sobre a instalação de pardais no Estado, pelo qual foi pago R$ 8 milhões a mais do que o preço de mercado. E disse que recebeu como resposta do Tribunal que não havia nada de novo para ser apurado, quando os indícios apontam claramente que há fraude na licitação.
    O parlamentar solicitou a transcrição na íntegra do depoimento, em Ata, e afirmou que irá discutir com os deputados a possibilidade de criação de uma CPI para investigar as denúncias apresentadas. “O fato é que há total ineficiência no controle dos gastos públicos por parte do órgão que deveria fiscalizá-los”.
    Indicação de conselheiros
    Em função da Ação Direta de Inconstitucionalidade que derrubou o artigo 74 da Constituição Estadual, hoje não há definição sobre a forma de nomeação dos conselheiros do TCE. Para preencher a lacuna constitucional, o deputado Raul Pont (PT), líder da bancada do PT e autor do convite ao auditor para que apresentasse na comissão as denúncias que fez no Pleno do TCE, informou que apresentou ao Colégio de Líderes da Assembléia Legislativa minuta de uma proposta de Emenda Constitucional, estabelecendo que duas das quatro vagas indicadas pelo Legislativo sejam privativas de funcionários de carreiras – uma de auditores públicos externos do TCE e outra de agentes fiscais da CAGE (controle interno do Estado).
    Quanto às indicações políticas, a proposta estabelece obediência à pluralidade e à proporcionalidade entre as maiores bancadas. “Temos que construir uma proposta de consenso das bancadas. As denúncias colocam o tema na ordem do dia e exigem uma resposta do Legislativo, Poder ao qual o TCE está ligado”, justificou Pont.

  • Plano Diretor – Reunião definirá futuro da revisão na Câmara

    Helen Lopes
    A terça-feira 15 de julho será decisiva para a revisão do Plano Diretor na Câmara Municipal. Em meio ao recesso parlamentar, que começou no dia 4, a mesa diretora da Casa e os líderes das bancadas irão se reunir para definir os próximos passos da comissão especial que analisa o tema. Os vereadores vão avaliar se há necessidade de convocação extraordinária e se existe consenso em algum ponto para dar início à votação.
    “Precisamos dar uma satisfação à sociedade. Com a campanha nas ruas, sabemos que em agosto será muito difícil enfrentar esse assunto”, reconhece o presidente da comissão especial que analisa o tema, vereador Nereu D’Ávila (PDT).
    Nereu sugere que alguns artigos, como o das áreas de interesse cultural e o da adequação ao Estatuto da Cidade, sejam levados a plenário ainda em julho. No entanto, o restante do projeto ficaria sem prazo para votação. “Não prorrogaríamos por tempo indeterminado. Logo após a eleição ou no início do ano que vem, voltaríamos com todo o vigor para completar”, sustenta.
    A idéia avança entre os vereadores, que já admitem não existir mais tempo hábil para concluir a revisão. Mas desperta desconfiança entre os representantes do movimento comunitário.
    Para o arquiteto Nestor Nadruz, coordenador do movimento Porto Alegre Vive, o projeto de revisão do Plano Diretor é complexo demais para ser repartido e votado às pressas. “Um artigo tem repercussão no outro, ele deve ser discutido globalmente”, entende.
    O presidente da comissão especial prefere não entrar nesse debate, mas garante que há como votar questões isoladas. “Não tenho como avaliar tecnicamente essa situação, sou advogado e não urbanista”, desvia Nereu.
    Um dos coordenadores do Fórum de Entidades, formado por 77 associações de moradores, ONGs e entidades de classe, Nadruz defende que a votação ocorra depois das eleições. “Vamos fazer um esforço concentrado para salvar o segundo semestre. Os vereadores têm que ter consciência das suas responsabilidades. Nós vamos ficar em cima”, promete o coordenador do Porto Alegre Vive.

    Substitutivo é apresentado

    Contendo nove páginas, o parecer final da comissão especial que analisa a revisão do Plano Diretor diz que o projeto do Executivo é inovador e busca preservar as áreas verdes da cidade. Mesmo assim, o relator propõe um texto alternativo de 82 laudas. “Condensamos as emendas viáveis e todos os pontos positivos do projeto da prefeitura”, explica Braz.
    No substitutivo, Braz aceitou apenas 61 das 216 emendas inscritas. No total, são 151 modificações em artigos e parágrafos. Entre as principais mudanças está a exclusão da tabela que permitia o aumento da construção através da aquisição de índice construtivo. No entanto, Braz amplia a possibilidade de compra de Solo Criado de 100 m² para 300 m², outro mecanismo de aumentar o tamanho das edificações.
    O vereador manteve a proposta da Prefeitura de reduzir altura dos prédios na Macrozona 1, que concentra os bairros mais densos da cidade. Ele não acolheu a emenda do vereador Dr. Goulart (PTB) que reduz os contortos de 37 das 134 áreas de interesse cultural. Ele manteve o texto do Executivo, mas vinculou a aprovação à formação de um grupo de trabalho que irá reavaliar as áreas.
    Representantes do Fórum de Entidades ficaram insatisfeitos porque o relator acatou apenas 15 das suas 86 emendas. “A maioria de nossas propostas não foi acolhida. E ainda não recebemos uma justificativa plausível”, reclama o advogado Christiano Ribeiro, representante do Conselho Municipal do Meio Ambiente. O Fórum de Entidades, se reúne na quarta-feira, 9 de julho, para tirar um aposição oficial.
    As principais sugestões do grupo, que durante seis meses analisou a proposta de revisão, dizem respeito à redução das alturas dos prédios em zonas saturadas, preservação de um terço do topo dos morros da cidade e ampliação das áreas de interesse cultural (AICs). Além disso, a proposta comunitária prevê Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) em todos os projetos especiais de impacto urbano na cidade e em qualquer empreendimento situado nas áreas de interesse cultural, de proteção ao ambiente natural e de ambiência cultural.
    “Não conseguimos analisar o substitutivo em profundidade, mas uma coisa é certa, não houve muitos avanços, o relator manteve, por exemplo, a redação dos projetos especiais, que pode gerar grandes distorções nas AICs”, avalia o arquiteto Nestor Nadruz.
    O supervisor de operações da Secretaria do Planejamento Urbano (SPM), Newton Baggio, também pretende estudar o texto de Braz com cuidado, mas ele adianta que não há alterações substancias em comparação à proposta do Executivo. “Nós acompanhamos o trabalho dos vereadores através de encontros permanentes”, conta.
    Essa reportagem é um dos destaques da edição 385 do jornal JÁ Bom Fim/Moinhos. A publicação é quinzenal e circula gratuitamente nos 10 bairros da área central de Porto Alegre.

  • Raízes da crise no Estado presentes na eleição

    As eleições municipais acontecem em meio a uma grave crise política no governo de Yeda Crusius, mas com conseqüências para todos os partidos.
    As siglas foram duramente atingidas na sua credibilidade e a classe política como um todo está abalada.
    Parece que ninguém aprendeu a lição.
    As candidaturas concorrentes ao Paço Municipal repetem a fórmula das alianças pragmáticas, que, via de regra, resultam no loteamento de cargos após o pleito, como foi escancarado pelo ex-chefe da Casa Civil Cézar Busatto no governo do Estado.
    Para ganhar mais tempo na propaganda eleitoral gratuita, Onyx Lorenzoni (DEM) entregou a vice-candidatura de sua chapa a Mano Changes (PP) e prometeu pagar as despesas de rádio de tevê dos candidatos progressistas na proporcional.
    Manuela D’Ávila busca convencer o eleitor de que a união entre PPS e PCdoB é coerente e demonstra a vontade de superar antigas divergências entre os partidos. Corre o risco de ser ver a história do Piratini se repetir na esfera municipal, com outros personagens.
    Disfarçando a candidatura de Marchezan Jr. de independência política, o PSDB não precisou entrar no jogo antes do segundo turno e poderá escolher com tranqüilidade quem apoiar quando o momento oportuno chegar.
    Como seus tradicionais apoiadores optaram por candidaturas próprias em busca de um projeto de poder, a Frente Popular do Partido dos Trabalhadores foi formada com uma sigla de empresários, o PRB, que abriga o vice de Lula, José Alencar.
    No meio de tudo isso, o eleitor não pode contar nem com os jornais, que desde os tempos da ditadura, desaprenderam a ter um discurso próprio, repetindo apenas o que as assessorias de imprensa escrevem nos press-releases.

  • Ônibus circulares do centro têm 220 lugares a menos

    Reportagem de Cristina Rodrigues
    Passageiros ganham televisão, mas perdem espaço nas linhas C1, C2 e C3
    Desde o dia 4 de junho, as três linhas circulares da Companhia Carris Porto-alegrense que percorrem o centro da cidade e bairros próximos, transitam com carros dois metros menores do que o padrão. Rosana Gazzola demorou para reconhecer o ônibus que tinha que pegar para ir ao dentista. “Achei que era uma lotação”.
    A redução facilita manobras nas ruas estreitas que caracterizam a região. “Já tive que esperar carro mal estacionado sair da vaga para poder seguir pela Demétrio Ribeiro”, exemplifica um motorista do C3.
    A mudança integra o projeto Viva o Centro e, cujo objetivo, segundo o diretor técnico da Carris, Hélio Mendes, é melhorar a qualidade de vida. “Os carros são mais leves, consomem menos combustível, poluem menos”, propagandeia.
    Mas com dois metros a menos, a oferta de bancos diminuiu de 517 para 297. A linha C2, por exemplo, circulava com três carros de 47 lugares. Agora são quatro, mas cada um possui apenas 27 assentos: são 33 a menos. “Estão mais cheios”, admite o motorista Agilberto Quiroz, no C2 há 22 anos.
    Quem utiliza diariamente sente grande diferença. “Antes era difícil ver gente em pé. Agora tem sempre”, critica o estudante Caio Turbiani, que pega o C2 e o C3 diariamente. Caio estava no C3 que trafegava pela avenida Venâncio Aires por volta das 17h de uma sexta-feira: 35 pessoas não tinham onde sentar.
    A falta de lugar é tanta que poucos podem desfrutar da novidade mais anunciada pela Prefeitura: as televisões das linhas circulares. A maioria de usuários dos horários de pico tem que se esticar para desviar o olhar sobre as cabeças e enxergar a tela. Outras melhorias são o telefone e o câmbio automático.
    População quer mais carros

    Das três linhas circulares, o C2 foi a única que ganhou um novo veículo, pois atende a maior demanda: 3 mil passageiros ao mês. Com lotação média mensal de 2.600 passageiros, o C3 perdeu um carro, enquanto o C1 segue com seus mesmos quatro ônibus para transportar 1.500 usuários.
    Para compensar, a população exige aumento na freqüência dos ônibus. “Fiquei 20 minutos esperando hoje”, reclama uma passageira. Mendes garante que se houver demanda, irá aumentar o número de ônibus.
    Auxílio para idosos
    Para atender os quase 50% de passageiros maiores de 60 anos, os ônibus têm as portas de entrada e saída rebaixadas. Ainda assim, dois degraus na porta central são o suficiente para os idosos se acidentarem “Já vi muita gente caindo”, afirma uma passageira do C3.
    O técnico da Prefeitura se desculpa, mas admite que o problema não tem solução. “Os carros vão continuar com degraus”. Os ônibus foram comprados por R$ 333 mil cada. Os antigos tinham dez anos de uso e estavam no limite da sua capacidade. Eles foram vendidos por R$ 50 mil para prefeituras do interior do Estado.

  • Firmado ajustamento com Aracruz

    Documento foi assinado ontem na Promotoria de Justiça de Rio Pardo
    Cleber Dioni
    Visando recuperar áreas de preservação permanente situadas na Fazenda Tarumã, localizada no município de Pantano Grande, um compromisso de ajustamento de conduta foi celebrado entre Aracruz Celulose S/A e Ministério Público.
    Além de apresentar e executar um projeto de recuperação das áreas afetadas indevidamente pelo plantio de eucaliptos, que corresponde a menos de 1% do total das áreas de preservação permanente da propriedade, a empresa assumiu o compromisso de efetuar o plantio de 5.000 mudas de espécies de árvores nativas.
    A região escolhida será um antigo lixão de responsabilidade do município de Rio Pardo, situado na Vila Asseio, a título de compensação ambiental.
    O compromisso foi firmado na manhã desta segunda-feira, através das promotoras de Justiça de Rio Pardo, Christine Mendes Ribeiro Grehs, e de Porto Alegre, Ana Maria Moreira Marchesan.

  • Entrevista – Plásticos oxibiodegradáveis não são solução para o desastre anunciado dos aterros

    Por Cláudia Viegas

    Pesquisador da Universidade do Estado da Califórnia, o Dr. Joseph Greene esteve semana passada falando a empresários e acadêmicos gaúchos sobre as confusões existentes em torno da degradabilidade de plásticos. A palestra, ocorrida na Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (na Fiergs), foi um convite da ONG Plastivida e da Braskem/Copesul. Como especialista na questão dos resíduos plásticos, Greene deixou claro que se opõe à idéia dos oxidegradáveis, materiais plásticos que facilmente se dispersam em aterros, dando a falsa impressão de solucionar o problema dos resíduos sólidos. Greene mostrou que estes materiais, na realidade, deixam passivos ambientais mais graves, representados por substâncias tóxicas que escapam para o solo a partir da decomposição da matéria plástica que os abriga. Greene testou diversos materiais plásticos em diferentes tipos de aterros e concluiu que, por outro lado, a opção por não-biodegradáveis pode ser o anúncio de um desastre nos próximos anos. Confira a entrevista exclusiva ao AmbienteJÁ.
    AmbienteJÁ – O Sr. pode falar sobre este projeto de acompanhamento da degradação de diferentes tipos de plásticos em diferentes ambientes que o Sr. desenvolveu na Universidade do Estado da Califórnia?
    Joseph GreeneSou professor do curso de Engenharia Mecânica na Califórnia State University, Chico. Por meio de uma demanda do Estado da Califórnia, na pesquisa, buscamos formas de novas maneiras de degradação de plásticos, como elas poderiam afetar a sociedade. E o melhor meio é conseguir a remoção do composto. Assim, isto minimiza o efeito no solo, no ar e na água.
    AmbienteJÁ – O que o Sr. concluiu ao analisar diferentes tipos de plásticos?
    Greene Perguntamos e buscamos saber o que significa ser degradável para diferentes tipos de plásticos. Quais as opções que o Estado da Califórnia tem, o que eles deveriam projetar e o que não deveriam projetar. O que deveria ser feito com o plástico após o uso pelos consumidores, para onde deveria ir este material? Este é o fato: verificar se ele polui, que problemas custa para agricultores, para o solo, ou para as cidades e suas águas. Existem toxinas nesses plásticos? O que acontece se reciclarmos este material? Melhoraríamos esses plásticos se reciclássemos os de polietileno com o desenvolvimento de técnicas? Causaria problema se o plástico reciclado assim com essas técnicas fosse utilizado por alguém, acidentalmente? Foi isto que eu busquei esclarecer.
    AmbienteJÁ – Qual a posição da Califórnia sobre os plásticos oxibiodegradáveis?
    GreeneA Califórnia quer que se ajude a entender o que significa ser biodegradável, quais materiais são e quais não são biodegradáveis. E os que podem causar mais problemas ambientais são os oxidegradáveis e que se fragmentam mas não se biodegradam. Eles se fragmentam em pequenos pedaços, causando muito mais problemas para a disposição e a coleta.
    AmbienteJÁ – Há empresas vendendo a idéia de que o oxidegradável é melhor que o plástico comum?
    GreeneSim, existem. É exatamente pior do que o polietileno regular. Porque o polietileno não se quebra/rompe em aterros. Nada se desfragmenta em aterros: cenouras, jornais, tomates, alface, cachorro-quente. Tudo isso fica lacrado, selado.
    AmbienteJÁ – E que solução existe para isto?

    GreeneBoa pergunta. Para ter um plástico verdadeiramente degradável, que chamamos compostável, o que realmente significa ser realmente biodegradável? Há um estado de alerta em todo o mundo, e isto significa que temos que ter uma solução em termos de gerenciamento de resíduos… temos que ter um plano para conseguir isto. Para plásticos renováveis, sim. Para plásticos compostos, o plano é direcionar os compostos, não enviá-los para aterros. Os plásticos compostos vão embora em seis meses, vão-se completamente. O problema é o oxidegradável. Oxifragmentos não foram planejados para disposição. Você não pode enviá-los para composto, nem pode enviá-los para aterro.
    AmbienteJÁ – Porque eles não podem ser recuperados…
    Greene Eles não podem desaparecer. Talvez plásticos regulares levem mil anos, talvez dez mil anos para desaparecer… o polietileno. Os oxidegradáveis ficam em pequenos pedaços, e o público pensa em dez anos, mas eles ainda serão polietileno e persistirão por mais mil anos. Eles são apenas pequenos pedaços de polietileno que, infelizmente, persistem.
    AmbienteJÁ – Estes plásticos oxidegradáveis contêm metais pesados?
    Greene – Metais pesados estão presentes estão em pinturas e tintas, principalmente. Metais pesados não estão nos polietilenos.
    AmbienteJÁ – Mas qual elemento ou substância leva à degradação desses plásticos chamados oxidegradáveis?

    Greene Eles têm cobalto também. Eles possuem um tipo de composto de cobalto, e este é um problema.
    AmbienteJÁ – Como se gerencia a remoção deste cobalto?

    Greene É muito caro para fazer esta recuperação. Mas é possível remover o cobalto do solo.
    AmbienteJÁ – Isto é geralmente feito?
    Grene Não. O que eles fazem com o polietileno é aumentar a oxigenação e cortar o material em pequenos pedaços. Assim, eles pensam que desaparece, você pode ver e pensar que é ambientalmente melhor, mas isto não é verdade porque é um pequeno problema agora. São pequenos pedaços que se vão com o vento. Você não vê, pois esses pedaços se espalham…
    AmbienteJÁ – Então esta pretensa solução é muito pior…

    Greene – Exato. É muito pior porque ingressa na cadeia alimentar. Porque, em pequenas porções, os animais podem ingerir esses plásticos. Peixes … e nós comemos o peixe que ingeriu esses plásticos. Assim, pequenos organismos podem morrer disto, ou em pequenas cadeias alimentares, ou na cadeia alimentar mais ampla, o que é muito pior.
    AmbienteJÁ – Que planos tem o governo da Califórnia para lidar com o problema dos plásticos degradáveis, oxi e biodegradáveis?

    Greene É bastante confuso porque todos esses materiais são ofertados, mas eles deveriam ser dispostos em locais corretos, como em San Francisco. Eles incentivam os supermercados a banirem sacolas plásticas.
    AmbienteJÁ – É um ordenamento legal?

    Greene Sim, em San Fancisco é. Os supermercados não podem dar pequenas sacolas para o consumidor.
    AmbienteJÁ – E sobre problema dos plásticos oxidegradáveis, que planos tem o governo?

    Greene Este tipo de material, no Estado da Califórnia, não é permitido em prédios públicos, escritórios, universidades, escolas. Não podemos mais comprar mais estes materiais.
    AmbienteJÁ – Quanto percentualmente representam estes plásticos em relação ao total utilizado?

    Greene É um pequeno percentual, muito pequeno. Você pode ver este tipo de plástico em sacolas. Mas em San Francisco você pode trazer sua sacola reutilizável. Você pode armazenar, levar para casa…se você reutiliza a sacola, tudo bem.
    AmbienteJÁ – Como as pessoas costumam se comportar com relação ao uso da sacola reciclável? Elas realmente dão atenção a isto?

    GreeneA maioria das pessoas quer fazer a coisa certa. Elas querem ajudar, especialmente na Califórnia. Elas querem ajudar o meio ambiente. Mas elas são confusas.
    AmbienteJÁ – Quanto tempo leva para as pessoas mudarem sua mentalidade quanto ao uso de materiais mais adequados ambientalmente?

    Greene Eu ouvi dizer, mas não sei exatamente sobre este tipo de estudo. Mas em San Francisco, é muito bem sucedido, as pessoas estão usando sacolas de materiais compostos por sua conta, elas recolhem, coletam… porque San Francisco gera 70% dos resíduos que costuma ir para aterros. Setenta por cento, agora, são recicláveis ou enviados para compostagem. Desta forma, os consumidores estão indo muito bem em San Francisco. Está na lei: na Califórnia, todas as agências governamentais, incluindo escolas, têm que ter no mínimo 50 por cento [de reciclagem].
    AmbienteJÁ – Existem penalidades para pessoas que não obedecem a esses parâmetros?

    Greene Não, para pessoas não existem, mas para instituições. Agências governamentais e escolas e algumas companhias podem ser multadas se elas não apresentarem 50 por cento ou uma taxa maior de reciclagem ou compostagem de resíduos.
    AmbienteJÁ – O Sr. acha que as companhias e instituições mudaram seu comportamento por causa das multas, apenas, ou este é um comportamento natural delas, que mudou ao longo do tempo?

    GreeneElas mudaram, sim. Porque há muitas pessoas tentando fazer o melhor pelo meio ambiente nos Estados Unidos. Elas querem ser mais verdes. Elas estão tentando comover outros. E na Califórnia, é muito acentuada a consciência ambiental.
    AmbienteJÁ – Na sua pesquisa, o Sr. mostrou que é muito difícil gerenciar até mesmo plástico reciclável, porque este tipo de material permanece enterrado e não se degrada, sem oxigênio, em ambiente anaeróbico. Como resolver isto?

    Greene No aterro, nada se degrada. A solução é ter menos aterros.
    AmbienteJÁ – A redução dos aterros está acontecendo?

    Greene – Já demos início às reduções.
    AmbienteJÁ – Se compararmos o volume que ia para aterro na Califórnia, há dez anos e hoje. Qual a percentagem de redução?

    Greene É uma boa questão, eu não sei. É um bom ponto… a redução dos aterros. Mas posso dizer que houve uma boa redução porque temos muitas comunidades praticando esta redução. Mas não tenho dados sobre isto.
    AmbienteJÁ – E se compararmos a Califórnia com outros estados norte-americanos. Como está a situação?

    Greene – Há estados indo muito bem, como Califórnia, Nova Jersey. Mas há outros indo muito mal. Eles têm muito espaço para fazer aterros, é mais barato. Eles jogam os resíduos, passam com um caminhão por cima, após pagarem uma taxa, que na Califórnia é muito elevada. Mas não é tão elevada em outros Estados, como, por exemplo, Kentucky, ou Utah. Em grandes estados, com poucas pessoas, podem jogar os resíduos em qualquer parte, pois ninguém vive ali, de qualquer forma… gastam, talvez, apenas trinta dólares por tonelada de aterro.
    AmbienteJÁ – E qual o papel da indústria do plástico na Califórnia? Como ela age?

    Greene De fato, a Califórnia tem muitas fábricas de sacolas plásticas. Mas não fabrica muita resina de plásticos. Porém, na Califórnia, fazemos as sacolas, podemos comprá-las em shoppings. Eles estão de fato trabalhando com organizações da área de sacolas plásticas em Califórnia para ter produtos mais ambientalmente amigáveis. Existem planos para a certificação. Os fabricantes de plásticos estão sendo incentivados a ser mais recicladores, prover materiais mais recicláveis, a usar materiais que sejam, por exemplo, 50% de polietileno e 50% de madeira. Eles juntam esses materiais. Eles também não usam qualquer tipo de metais nas tintas.
    AmbienteJÁ – Os plásticos não têm nenhum timbre?

    Greene Nenhum. Mas há uma certificação que funciona para nós mesmos, Environmentally Preferred Rating (EPR), que assegura que se está usando material reciclável, que não está se usando metais…a EPR não é uma agência governamental, é uma agência comercial, é uma empresa do setor plástico. Em vez de o governo nos dizer o que fazer, nós nos organizamos e nos autopoliciamos.
    AmbienteJÁ – E funciona bem?

    Greene – Sim, também ajuda as companhias quanto aos seus parâmetros em relação à qualidade do ar, qualidade da água, à verificação de que as pessoas estão descartando bem os produtos… que os seus resíduos vão para a reciclagem…
    AmbienteJÁ – A sua pesquisa inclui técnicas de incineração de plásticos?

    Greene Não, isto eu apenas leio em artigos.
    AmbienteJÁ – O Sr.. acredita que se possa adotar o aproveitamento energético do plástico no Brasil?

    Greene Acho que faz sentido, para o polietileno, é muito bom. É de bom senso se você tem um clima adequado para isto, se se faz uma boa análise de qualidade para o polietileno, ao final de seu uso, então você o recicla ou o dispõe. Faz sentido queimá-lo em um incinerador tecnologicamente adequado, de baixas emissões. Mas plásticos degradáveis não deveriam ser reciclados, não deveriam ser queimados, deveriam ser colocados em compostos, para a melhoria dos solos.

  • Mesmo com investimentos no abastecimento público, moradores de Porto Alegre preferem água mineral

    O Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) executou, no dia 19 de junho, a penúltima etapa da substituição das tubulações de recalque na Elevatória da Estação de Tratamento de Água Menino Deus. A última etapa está prevista para julho. A obra, que iniciou em fevereiro, consiste na troca do barrilete de recalque (adutora que conduz a água da Estação até o reservatório elevado). Faz parte do programa de modernização das instalações de tratamento e distribuição de água do Dmae. Segundo a coordenadora da comunicação do Dmae, Angélica Ritter, a obra “tem como objetivo garantir o abastecimento contínuo e de melhor qualidade para os moradores das zonas Centro, Sul e Leste da cidade”. O investimento é de R$ 540 mil.
    Estas obras vêm sendo feitas em algumas estações de tratamento para, de acordo com o Departamento, melhorar a qualidade e a distribuição da água para os porto-alegrenses. “São inúmeras obras que por vezes necessitam de interrupções no abastecimento de água, o que o Dmae chama de ‘Paradas Operacionais Programadas’, esforço recompensado com a melhoria nas instalações e conseqüentemente na distribuição da água para os porto-alegrenses”, informa Angélica.
    A água de Porto Alegre é captada, tratada, distribuída e controlada pelo Dmae, sem passar por controle de qualidade em outros locais. São 172,47 milhões metros cúbicos de água por ano, passando por sete Estações de Tratamento de Água (ETAs), que tratam cerca de 5,4 mil litros de água por segundo. “Diariamente, o Dmae faz cerca de 4 mil análises a partir de 500 amostras de água coletadas desde a captação até as ligações domiciliares, com o objetivo de garantir a qualidade da água distribuída em Porto Alegre, dentro do padrão de potabilidade estabelecido pela Portaria 518/04 do Ministério da Saúde”, explica Angélica Ritter.
    Mas apesar de todo esse trabalho, a percepção que a população tem do serviço é outra. O resultado é que poucos moradores da cidade se arriscam a tomar água diretamente da torneira. Daiana Klanovicz de Araújo, moradora do bairro Bom Fim, diz que é impossível tomar água da torneira. “Principalmente no verão não tem como não tomar água comprada porque é muito ruim a água de Porto Alegre, tem gosto de algas. Na minha casa, só compramos água mineral”.
    A reportagem conversou com oito moradores de Porto Alegre. Quatro disseram não consumir água da torneira por não confiar na qualidade. O argumento mais usado foi de que o gosto da água é ruim, e é de aspecto amarelado. Os outros quatro disseram que “tomam às vezes”, mas há épocas em que o gosto da água fica pior. A maioria reclamou principalmente do verão, em que é época de algas.
    Para o Dmae o fato é questão de hábito. Angélica Ritter explica que é costume da população tomar água mineral. “As pessoas ainda não mudaram de hábito. A água é potável, está dentro dos padrões de saúde e não tem gosto ruim, mas agora gostam da água mineral por hábito”, afirma a assessora.
    A Portaria
    A portaria 518/04 do Ministério da Saúde estabelece os padrões de potabilidade que devem ser atendidos pelas Companhias de Saneamento em todo o País. Tania Mara Pizzolato, Chefe do Laboratório de Química da UFRGS, explica que a portaria 518 do Ministério da Saúde “estabelece os procedimentos e responsabilidades relativos ao controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade”. A portaria diz que “toda a água destinada ao consumo humano deve obedecer ao padrão de potabilidade e está sujeita à vigilância da qualidade da água”. Leia a portaria 518/04 na íntegra. Tânia Mara Pizzolato diz que não faz pesquisas sobre a água de Porto Alegre, mas que a maioria das pessoas que ela conhece não confia na água da torneira.
    Monitoramento da água
    No Dmae, o monitoramento da qualidade da água distribuída é responsabilidade da Divisão de Tratamento. Angélica Ritter diz que no site do Dmae é possível acompanhar mensalmente os padrões de potabilidade analisados pelo Departamento. “Além disto, o Dmae encaminha anualmente para a casa dos usuários o Relatório Anual da Qualidade da Água, onde estes parâmetros também podem ser conhecidos”.
    Distribuição
    O Dmae fornece água para Porto Alegre por meio dos seus oito sistemas de abastecimento, compostos por Estações de Tratamento de Água (ETAs), Estações de Bombeamento de Água Tratada (EBATs), reservatórios e uma rede de água de aproximadamente 3,5 mil quilômetros. “Atualmente, 99,5% dos porto-alegrenses são abastecidos com água tratada”, diz a coordenadora da comunicação do Dmae. ‘A população residente em loteamentos irregulares, áreas de risco ou zonas de preservação ambiental é atendida pelo serviço gratuito de carros-pipas”, completa.
    Depois de tratada, a água é armazenada nos tanques de reservação das ETAs e, na seqüência, nos reservatórios distribuídos em bairros da Capital. Dos reservatórios, a água segue para as tubulações. A distribuição da água tratada é feita por gravidade ou pelos sistemas de bombeamento das EBATs, que podem ser operadas manualmente, de forma automática ou por telemetria.

  • Rio Grande entra na briga pela planta de gás GNL da Petrobras

    Cleber Dioni
    A Comissão de Representação Externa aprovada pela Assembléia Legislativa para acompanhar os estudos da Petrobras de implantação de uma planta de regaseificação de Gás Natural Liquefeito (GNL) na Região Sul vai apresentar à governadora Yeda Crusius o projeto da Sulgás e da Petrobras de Rio Grande e, em seguida, terá audiência com a ministra Dilma Rousseff, e com o presidente da Petrobras.
    Os cinco deputados que integrarão a representação querem mostrar que o Rio Grande do Sul apresenta condições mais favoráveis do que Santa Catarina, que também disputa o empreendimento. Outros dois projetos estão sendo analisados no Rio de Janeiro e Ceará.
    Para o deputado Sandro Boka (PMDB), que vai coordenar a Comissão, o Porto do Rio Grande seria um local estratégico do ponto de vista econômico porque possibilitaria abastecer toda a Região Sul do Estado, incluindo a termelétrica de Uruguaiana.
    “O gás, no Distrito Industrial do Rio Grande, viabilizaria a vinda de diversos empreendimentos não só a essa cidade, mas também a Pelotas e a toda a região sul do Estado. Na Vila da Quinta, próxima a Pelotas e Rio Grande, poderíamos construir – e já existe até liberação – uma termelétrica, que abasteceria a Argentina de energia elétrica”, afirmou o parlamentar, ressaltando que o Brasil não ficaria à mercê da Venezuela e da Bolívia, “países infelizmente muito instáveis”.
    Outro ponto que pesa a favor do Estado, segundo o parlamentar, é que a planta facilitaria à Petrobras instalar uma planta de regaseificação também no Uruguai, um compromisso da empresa.
    Todos sabemos que o porto do Uruguai não possui um calado suficiente para receber grandes navios. Com a planta em Rio Grande, o navio poderia vir carregado, deixar uma parte da carga no nosso porto, que terá 60 pés de calado, e depois, com meia carga, adentrar o porto do Uruguai, onde também será viabilizada a instalação de uma planta de regaseificação. Assim, estará reabastecendo também aquele país, que, como a Argentina, passa por uma séria crise de energia

  • Relatório aponta articulações entre governos para matar Jango

    Uma das conclusões do relatório final da Subcomissão da Assembléia Legislativa que investigou as circunstâncias da morte do o ex-presidente João Goulart, é que houve articulação entre as Forças Armadas e os serviços de inteligência dos governos brasileiro, uruguaio e argentino, mesmo antes da Operação Condor, para matar Jango.
    “Apesar de não ser possível provar o assassinato, fortes indícios apontam para um crime premeditado”, aponta o documento, assinado pelo deputado Adroaldo Loureiro (PDT), que presidiu a comissão. O material foi entregue ontem na Comissão de Cidadania e Direitos Humanos e deve ser votado na próxima semana.
    No relatório, Loureiro apresenta uma série de encaminhamentos para auxiliar a investigação do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. Entre os pedidos está o fim do sigilo de todos os documentos relativos ao ex-presidente, até 1977, especialmente as comunicações com as embaixadas brasileiras de Montevidéu, Buenos Aires, Washington, Paris e Londres. Também pede às autoridades norte-americanas que tomem o depoimento do ex-agente da CIA, Frederick Latrash, para esclarecer sua participação no monitoramento de Jango.
    Outro pedido de informações é sobre o papel do então integrante do DOPS, Romeu Tuma, hoje senador, na investigação dos passos de Jango na França.
    Desde a morte de Jango em 1976, na Argentina, pairam muitas dúvidas sobre o fato. Recentemente essa questão voltou às manchetes da imprensa com as declarações do ex-agente do Serviço Secreto do Uruguai, Mario Neira Barreiro. Barreiro garante ter participado das ações para eliminar João Goulart.
    Preso na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) por envolvimento em tráfico de armas e assaltos à carro forte, Barreiro diz ter participado da operação para matar Jango. O método utilizado, segundo depoimento do ex-agente à Polícia Federal, foi trocar os medicamentos que João Goulart tomava por conta de problemas no coração.
    A ordem teria partido do serviço de repressão do governo militar do Brasil. A cópia do depoimento já está em posse da subcomissão e é um importante instrumento para esclarecer os fatos. Barreiro deve ser ouvido pela subcomissão ao longo dos trabalhos, possivelmente no final de abril.