Autor: Elmar Bones

  • Manifesto da Mídia Livre

    O setor da comunicação no Brasil não reflete os avanços que ao longo dos últimos trinta anos a sociedade brasileira garantiu em outras áreas. Isso impede que o país cresça democraticamente e se torne socialmente mais justo.
    A democracia brasileira precisa de maior diversidade informativa e de amplo direito à comunicação. Para que isso se torne realidade, é necessário modificar a lógica que impera no setor e que privilegia os interesses dos grandes grupos econômicos.
    Não se pode mais aceitar que os movimentos sociais que conquistaram muitos dos nossos avanços democráticos sejam sistematicamente criminalizados, sem condições de defesa, pela quase totalidade dos grupos midiáticos comerciais. E que não tenham condições de informar suas posições com as mesmas possibilidades e com o mesmo alcance à disposição dos que os condenam.
    Um Estado democrático precisa assegurar que os mais distintos pontos de vista tenham expressão pública. E isso não ocorre no Brasil.
    Também precisa criar um amplo e diversificado sistema público de comunicação, no sentido de produzido pelo público, para o público, com o público. Tal sistema deve oferecer à sociedade notícias e programação cultural para além da lógica do mercado.
    Por fim, um Estado democrático precisa defender a verdadeira liberdade de imprensa e de acesso à informação, em toda sua dimensão política e pública. E ela só se dá quando cidadãos e grupos sociais podem ter condições de expressar idéias e pensamentos de forma livre, e de alcançar de modo equânime toda a variedade de pontos de vista que compõe o universo ideológico de uma sociedade.
    Para que essa luta democrática se fortaleça, os que assinam este manifesto convidam a todos que defendem a liberdade no acesso e na construção da informação a participarem do 1º Fórum da Mídia Livre, que se realizará na Universidade Federal do Rio de Janeiro, nos dias 17 e 18 de maio de 2008.
    Os que assinam esse manifesto apresentam a seguir algumas propostas, preocupações e idéias, que, entre outras, serão debatidas no Fórum de Mídia Livre.
    Nos declaramos a favor de que:
    -O Estado atue no sentido de garantir a mais ampla diversidade de veículos informativos, da total liberdade de acesso à informação e do respeito aos princípios da ética no jornalismo e na mídia em geral;
    – Realize-se com a maior urgência a Conferência Nacional de Comunicação que discutirá, entre outras coisas, um novo marco regulatório para o setor, com o objetivo de limitar a concentração do mercado e a formação de oligopólios;
    – A inclusão digital seja tratada com a prioridade que merece e que o investimento nela possibilite o acesso a canais em banda larga a toda a população, para que isso favoreça redes comunitárias (WiFi) e faixas em espectro livre;
    – As verbas de publicidade e propaganda sejam distribuídas levando em consideração toda a ampla gama de veículos de informação e a diversidade de sua natureza; que os critérios de distribuição sejam mais amplos, públicos e justos, para além da lógica do mercado; e que ao mesmo tempo o poder público garanta espaços para os veículos da mídia livre nas TVs e nas rádios públicas, nas suas sinopses e meios semelhantes;
    – O Estado brasileiro atue no sentido de apoiar as iniciativas das rádios comunitárias e não o contrário, como vem acontecendo nos últimos anos;
    – O Estado brasileiro considere a possibilidade de a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos atue na área de distribuição de periódicos, criando uma nova alternativa nesse setor;
    – O Cade intervenha no atual processo de concentração de distribuição de periódicos impressos, evitando a formação de um oligopólio que possa atingir a liberdade de informação;
    – A Universidade dê sua contribuição para a democracia nas comunicações, em seus cursos de graduação e pós-graduação em Comunicação Social, formando profissionais críticos que possam contribuir para a produção e distribuição de informação cidadã;
    – A revisão do processo de renovação de concessões públicas de rádio e TVs, já que nos moldes atuais ele não passa por nenhum controle democrático, o que possibilita pressões e negociações distantes dos idéias republicanos, levando à formação de verdadeiras capitanias hereditárias na área;
    – A sistematização e divulgação de demonstrativos dos gastos com publicidade realizados pelo Judiciário, pelo Legislativo e pelo Executivo, nas diferentes esferas de governo;
    – A definição de linhas de financiamento para o aporte tecnológico e também para a constituição de empreendimentos da mídia livre e sem fins lucrativos com critérios diferentes do que as concedidas à mídia corporativa e comercial; e que isso seja realizado com ampla transparência do montante de recursos, juros e critérios para a obtenção de recursos;
    – Que há condições para que o movimento social democrático brasileiro e também os veículos da mídia livre mobilizem recursos e esforços para constituir um portal na internet, um portal capaz de abrigar a diversidade das expressões da cidadania e de garantir a máxima visibilidade às iniciativas já existentes no ciberespaço.

  • Movimento Roessler de Novo Hamburgo completa 30 anos

    Carlos Matsubara, especial Ambiente JÁ
    Uma das organizações ambientalistas mais antigas do país completa 30 anos de existência. Criada a partir de uma maré vermelha ocorrida na Praia do Hermenegildo, litoral sul do Rio Grande do Sul, o Movimento Roessler para Defesa Ambiental, segue travando batalhas pela causa ambiental.
    A jornalista e militante da ONG, Catia Cylene, conta que na época do desastre, um grupo de estudantes liderado pelo professor Kurt Schmeling participou da coleta de assinaturas exigindo a solução para a tragédia. “Era o dia 16 de junho de 1978 e assim nascia o Movimento Roessler”, lembra.
    Desde então, um grupo de ativistas e colaboradores passou a se reunir e discutir soluções para os problemas, não somente de Novo Hamburgo, como de outras cidades do Vale dos Sinos, na Região Metropolitana de Porto Alegre, altamente industrializada. “É uma região que sempre sofreu com poluição do setor coureiro-calçadista e de toda cadeia”, ressalta Cátia.
    Hoje a atuação da ONG está pautada por vários temas, entre eles, as queimadas, transgênicos, capina química, monocultura, entre outros. Uma das grandes conquistas da entidade foi a luta desenvolvida juntamente com a comunidade hamburguense para a criação do Parque Municipal Henrique Roessler, em Hamburgo Velho. Uma área de 54 hectares de mata nativa, arroio e animais silvestres. “Uma bela floresta, salva graças a mobilização da entidade”, destaca a ambientalista.
    Mil associados
    O Movimento, como é conhecido, mantém um cadastro de mil associados e realiza reuniões semanais, além de possuir representações políticas em conselhos municipais e estaduais de Meio Ambiente. A ONG ainda integra a Associação Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente (Apedema/RS), sendo presidida pelo doutor em Biologia e Bioquímica Markus Wilimzig.
    Cátia destaca alguns projetos com ênfase na educação ambiental, como o Fim da Picada, existente há dez anos e que visa estimular a boa relação do homem com a natureza. “Através de caminhadas, realizadas sempre no último sábado de cada mês, possibilita-se a descoberta das belezas naturais da região onde se vive e a importância de preservá-las”, explica.
    Outra atividade mantida pelo Movimento é o Jornal do Roessler. Um informativo bimestral que estampa a posição do grupo na capa e divulga ações e aspirações em prol da preservação ambiental e da sustentabilidade planetária. São três décadas de lutas, vitórias e aprendizados com mestres como José Lutzenberger, a quem a ONG homenageia citando uma de suas famosas frases. “Por que eu sempre nado contra a corrente? Porque assim que se chega à nascente”.
    Quem foi Roessler
    Henrique Luís Roessler, nome inspirador da ONG de Novo Hamburgo, nasceu em Porto Alegre em 16 de novembro de 1896, falecendo na mesma cidade em 14 de novembro de 1963. Foi um dos precursores da proteção ambiental no Brasil.
    Roessler era um funcionário público de São Leopoldo. Fiscalizava fontes poluidoras dos curtumes, derrubada de matas nativas, caça clandestina, sempre denunciando na imprensa os danos ao ambiente. Publicou 301 crônicas no Correio do Povo, sempre procurando alertar sobre os impactos ao meio ambiente, numa época em que pouco se comentava sobre o assunto. Criou, em 1955, a União Protetora da Natureza, com sede em sua própria casa. Essa entidade morreu com seu fundador.
    Manifestando energicamente a sua oposição à forma como os recursos ambientais eram geridos, criou uma nova consciência no seu Estado e foi um exemplo para todo o Brasil. Seu pioneirismo serviu de inspiração para várias ONGs e órgãos do poder público, sendo considerado o grande pioneiro do ambientalismo no Rio Grande do Sul.

    Para ler sobre Roessler

    Pioneiros da Ecologia. Breve História do Movimento Ambientalista do Rio Grande do Sul. Elmar Bones e Geraldo Hasse. JÁ Editores, 2000.
    Roessler, O primeiro ecopolítico. Ayrton Centeno. JÁ Editores, 2006.
    Roessler, Henrique Luís. O Rio Grande do Sul e a Ecologia – Crônicas escolhidas de um naturalista contemporâneo. Martins Livreiro, 1986.

  • Suspensa eleição da Associação do Bom Fim

    Helen Lopes
    Prevista para o início do ano, a eleição da nova diretoria da Associação dos Amigos do Bairro Bom Fim não tem data para acontecer. Com o afastamento do presidente Jairo Werba, no final de 2007, o vice Milton Gerson deveria comandar os últimos meses da gestão e chamar novas eleições para a entidade.
    Mas sob o argumento de que a Secretaria Municipal de Indústria e Comércio (Smic) ainda não liberou a sala que era utilizada pela associação no Mercado Bom Fim, nenhuma movimentação foi iniciada. “Não quero ser cobrado por entregar a sede”, explica Gerson, que garante não almejar a presidência.
    Sem perceber a ação pública de seus representantes, moradores do Bom Fim reclamam do abandono. As reuniões mensais do Conselho de Segurança, órgão instituído por iniciativa da entidade comunitária em 2005, transformaram-se em fórum de debates do bairro.
    Se os lojistas da Osvaldo levam seus expositores para a calçada ou há falta de luz em regiões do bairro, é nas reuniões do Conseg que os problemas são expostos.
    Diante das queixas dos presentes na reunião de maio, Milton Gerson lembrou das conquistas da entidade, que obteve verbas para a construção do posto da Brigada Militar na Redenção, ainda nos anos 1980, e depois trabalhou pela sua reforma, no início dos anos 2000. “São 20 anos de conquistas para o bairro. Além do Conselho de Segurança, participamos ativamente da reconstrução do Mercado Bom Fim”, reforça.
    Deu zug na jogada
    Em outubro do ano passado, a Associação dos Amigos do Bom Fim entregou a sala 13 para a Smic, sob a promessa de que a permissão de uso seria renovada e que a entidade passaria a ocupar a loja 11, de frente para a avenida Osvaldo Aranha.
    “Precisavam do espaço para transferir as floristas, que deram lugar aos novos restaurantes”, relata Gerson. Depois da readequação das bancas, a Prefeitura não regularizou a situação e o espaço que seria da entidade comunitária serve de depósito para os artesãos que expõem nos finais de semana.
    O assessor jurídico da Smic, Fabrício Benites, esclarece que a renovação ainda está em análise porque outra entidade solicitou o espaço. Quem disputa a sala é a Associação Cultural e Esportiva Zug (Acezug), formada por enxadristas da região, que pretende instalar ali um espaço público de formação de novos jogadores.
    “Estamos tentando atender as duas organizações através do uso compartilhado. Até porque nos últimos anos a Associação dos Amigos do Bom Fim não utilizou intensamente o local”, observa Benites.
    Milton Gerson admite o enfraquecimento da entidade após a morte do líder Isaac Ainhorn em 2006. Sem o apoio do vereador, minguaram as verbas para manter a sede aberta. Mesmo sem condições de tocar o espaço sozinho, o presidente interino discorda da divisão do espaço. “Acho difícil funcionar na prática”, revela.
    A Smic estipulou um prazo de 60 dias para resolver a situação entre as duas entidades. Ou seja, a solução foi adiada para agosto.
    Essa reportagem é um dos destaques da edição 385 do jornal JÁ Bom Fim/Moinhos. A publicação é quinzenal e circula gratuitamente nos 10 bairros da área central de Porto Alegre.

  • Uma história embaixo da marquise

    Helen Lopes
    O sol nem bem apareceu e Marco, 38 anos, índio e soropositivo, já recolheu a cama, embaixo da marquise na Ipiranga, quase esquina com a rua São Manoel, em frente ao Planetário.
    “Levanto cedo, antes que venham incomodar”, esclarece. Medo da hostilidade de companheiros que, como ele dormem na rua, e, especialmente, da polícia.
    O encontro matinal com os amigos, no bairro Cidade Baixa é sagrado. “Durante a tarde, vou ao grupo de hip-hop ou às reuniões do jornal”, pontua.
    Fazer reportagens para o Boca de Rua ou criar canções com os músicos do Realidade de Rua são tentativas de recuperar a cidadania. Um comportamento comum entre habitantes de marquises e praças da capital.
    Pelo menos é o que aponta a pesquisa Mundo da População de Rua realizada pela UFRGS, sob encomenda da Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc).
    O estudo, divulgado em 29 de maio, identificou 1.203 adultos perambulando pela cidade, número cinco vezes maior do que apontou o último censo, em 1995, quando 222 pessoas foram cadastradas. “É um número elevado, mas está dentro da média nacional”, minimiza a presidente da Fasc, Brizabel Rocha.
    Marco se orgulha de ter sido um dos entrevistados e seu relato é uma ilustração da pesquisa. “Fazemos parte da sociedade, somos cidadãos e não lixo como disse o cara do governo”, rebela-se, fazendo referência às declarações polêmicas do subcomandante da Brigada Militar, coronel Paulo Mendes.

    O perfil do anonimato

    Mais de 80% dos sem-teto de Porto Alegre são homens, sabem ler e escrever e têm entre 25 e 44 anos. Passam grande parte do dia sozinhos e sobrevivem de bicos e de doações. “Corto grama, cuido de carro. Não posso pegar emprego fixo porque estou doente”, lamenta.
    Ele não gosta de falar sobre a família e raramente vai à Lomba do Pinheiro encontrar algum parente. “A maioria diz que está na rua por ruptura familiar: maus tratos, desavenças, abandono, separação ou morte”, observa Brizabel. Falta de dinheiro e drogas também são caminhos para indigência, comprova a pesquisa.
    Como Marco, muitos dos entrevistados estão na rua há pelo menos um ano. “Saí de casa há mais de três”, calcula.
    Durante todo esse tempo, passou uma única noite em um albergue. Foi em fevereiro, traumatizado por um espancamento. “Eram três skatistas e me bateram até eu desmaiar. Fiquei tão mal que tive que ir pro pronto-socorro”, relata.
    O mais comum, no entanto, é ser agredido pela polícia. Quase 70% dos entrevistados sofreram ataques e os principais agentes são os brigadianos. Outra agressão constante é o preconceito. “Olham pra você com desconfiança, com medo”.
    Apesar da violência, 60% dos entrevistados preferem calçadas, praças, pontes e viadutos da cidade aos abrigos do poder público. Entre os motivos da recusa estão as regras, a dificuldade de acesso e a hostilidade interna. “Gosto do povo da rua, dos amigos e da liberdade”, justifica.

    Área central concentra quase 80 % dos sem-teto

    Executada entre novembro do ano passado e janeiro deste ano, a pesquisa mostra que metade dos moradores de rua está concentrada em três bairros: Centro (23%), Floresta (15,9%) e Menino Deus (11,7%). Seguidos por Cidade Baixa, Azenha e Bom Fim/Farroupilha, a área central da cidade reúne quase 80% dessa população.
    “É nesse espaço que se encontram os principais serviços de atendimento, além da grande circulação de pessoas, comércio e serviços”, analisa Gehlen.
    O sociólogo chama a atenção para o crescimento da população no Menino Deus e também na Independência, onde 11 pessoas foram abordadas. No bairro Moinhos de Vento, houve apenas um registro. “Isso não quer dizer que não haja sem-teto na região, a categoria diz respeito ao local onde eles foram entrevistados”, esclarece.
    Diminui número de crianças nas ruas
    Além dos adultos, a pesquisa da Fasc vai identificar crianças sem-teto e a população indígena, afrodescendente e quilombola que vive nas ruas. Até o final de junho, a Prefeitura deve divulgar a segunda parte do trabalho, que indica redução do número de menores nas ruas.
    O coordenador adianta que o percentual deve ser 20% menor – em 2004, eram 600 crianças. “Essa diminuição é reflexo dos programas sociais, como o Bolsa Família, e também da melhoria de vida nas cidades da região metropolitana”, avalia Gehlen.

  • Comerciantes reagem a obras do conduto na Cristóvão


    Adesivos nas vitrines mostram a preocupação dos lojistas (Fotos: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas
    Desde que os moradores da rua Marquês do Pombal conseguiram alterar a rota do Conduto Àlvaro Chaves-Goethe para salvar as árvores que formam o “túnel verde”, os comerciantes da avenida Cristóvão Colombo, entre Dr. Timóteo e Félix da Cunha, começam a se organizar com o mesmo objetivo.
    Os lojistas temem que o bloqueio da pista e as escavações na rua afastem a clientela. “Se a minha calçada ficar esburacada durante o segundo semestre vou ter que fechar” avisa o proprietário da loja Raízes Livraria e Diskeria, Edison Freitas. Ele é um dos organizadores do movimento composto por cerca de 20 pessoas empresários da regiãio.
    O grupo está se reunindo uma vez semana para planejar ações, já iniciou um abaixo assinado, e expôs faixas e adesivos nas vitrines e nas fachadas, com os dizeres: “Sim ao comércio da Cristóvão. Não ao conduto”. A idéia´é entregar o manifesto ao prefeito nos próximos dias.

    Apesar do protesto, Freitas diz que é a favor do projeto. “Sou porto-alegrense, sei que vai ser bom para a cidade, que vai diminuir os alagamentos. Mas temos que pensar primeiro nas pessoas, nos seus empregos. Se o movimento despencar, as demissões serão inevitáveis”. A solução proposta pelo movimento é que a Prefeitura espere até janeiro para começar a obra. “No verão, nosso movimento cai 50%”.

    Apesar da pressão, o Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) divulgou nota oficial informando que não existe a possibilidade de alterar novamente o trajeto ou atrasar o cronograma da empreitada. No projeto original, esse trecho da Cristóvão Colombo, entre Dr. Timóteo e Félix da Cunha, já estava na lista das vias que sofreriam a intervenção.


    Freitas mostra o abaixo-assinado que será entregue ao prefeito

    A única diferença causada pelo desvio da Marquês do Pombal é a maior profundidade dos buracos. “O tempo do trabalho será o mesmo, o encanamento segue com 1,20 metro de diâmetro. A novidade é construção de galerias pluviais”, explica o diretor-geral do DEP, Ernesto Teixeira. A previsão é o trabalho demore 60 a 70 dias. Nesse período, uma pista da avenida será bloqueada.
    O DEP enfatiza que é essencial a passagem do conduto pela Cristóvão Colombo, o que permite que a água seja levada ao Lago Guaíba por pressão. Para esclarecer o caso para os moradores, empresários e trabalhadores da região, uma reunião está marcada para a quarta-feira 21 de junho, às 19h30, na Associação Cristóvão Colombo (Rua Câncio Gomes, 786).
    O conduto é a maior obra de drenagem urbana dos últimos 30 anos em Porto Alegre. Teve início em 2 de maio de 2005. O objetivo é controlar os alagamentos em pontos críticos de nove bairros da Capital, como a avenida Goethe. Com investimento de R$ 43,1 milhões, tem financiamento de 66% do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e 34% de contrapartida da Prefeitura. O trabalho deve durar 24 meses para ser concluído.

  • Édipo revisitado

    Naira Hofmeister

    Os primeiros acordes da guitarra de Keith Richards em Time is on my side surpreendem o público no Theatro São Pedro, especialmente levando em conta o cenário montado no palco, com estátuas gregas e elementos que remontam a 2.500 anos atrás.

    A trilha sonora – composta por canções das décadas de 1960 e 70 dos Rolling Stones – é possivelmente a única surpresa da interpretação que o gaúcho Luciano Alabarse faz da tragédia de Édipo, escrita por Sófocles.

    A história não precisa ser detalhada: Édipo é aquele cara que matou o pai e casou com a própria mãe sem saber. Torna-se um rei poderoso, mas sucumbe quando descobre sua verdadeira origem. Como castigo, arranca os próprios olhos e bane a si mesmo do reino de Tebas, que governava.

    A escolha dos ingleses para embalar a tragédia soa um pouco estranha em determinados momentos e não acrescenta significados para o espetáculo. É discutível o mérito de Alabarse em tentar aproximar culturas cuja distância pode ser lida nas siglas a.C/d.C. Ainda assim, para fãs da banda é um convite a mais para assistir ao espetáculo, que chega ao seu último final de semana no Theatro São Pedro.

    Fora o rock n’ roll, está tudo de acordo com a assinatura do diretor, que sempre preza por cenários e figurinos impecáveis e atuações sinceras. No caso, especialmente do protagonista, cujas fases adulta e velha são interpretadas por Marcelo Adams e Carlos Cunha Filho em diferentes momentos.

    A montagem de Luciano Alabarse é recomendável, mas o público tem que estar consciente de alguns detalhes. São duas horas e meia de espetáculo, com texto que apesar de adaptado, segue a estrutura e racionalidade do teatro grego de 400 a.C.

    A pouca semelhança com a novela das oito parece importunar a platéia, que depois de assistir à tragédia propriamente dita – entenda-se como o protagonista castigando a si mesmo – começa a ligar celulares para saber que horas são. E ainda há uns 40 minutos do epílogo.

    O teatro clássico pode não ser tão comovente quanto alguns espetáculos contemporâneos , mas é fundamental que seja encenado.

    Édipo provoca não apenas consternação e pena por seu destino. Permite uma reflexão sobre a trajetória humana, os dramas que nos comovem, os laços que nos unem e que 2500 anos não foram suficientes para desfazer. É tão atual que a psicanálise deu seu nome a um sintoma que só perdeu o posto de mais popular da ciência quando os terapeutas diagnosticaram o transtorno bipolar.

    Édipo

    Texto de Sófocles/Direção de Luciano Alabarse

    Local: Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/nº)

    Datas: 12, 13, 14 e 15 de junho

    Hora: de quinta a sábado às 21h e domingo às 18h (nesse dia, após o espetáculo, haverá debate com Marisa Eizirik, Tânia Fonseca, Ivo Bender e Luciano Alabarse)

    Preços: R$ 30,00 (platéia) R$ 20,00 (camarotes centrais) R$ 15,00 (camarotes laterais) e R$ 10,00  (galerias)

    Descontos: 50% de desconto para titular e acompanhante do Clube do Assinante ZH, 50% de desconto para estudantes, 50% de desconto para acima de 60 anos e 50% de desconto para sócios da AATSP

  • Todo se encontram na "lanchera"

    Helen Lopes

    O ambiente não tem nada de especial: mesas de mármore, cadeiras de madeira e o tradicional balcão de metal com bancos altos, de onde se pode escolher os salgados pelo aspecto. A ausência de janelas, de uns anos para cá, passou a ser menos angustiante graças aos gigantes ventiladores que borrifam gotículas de água no ambiente, tornando-o mais úmido. Cheiro de fritura tem sempre, porque além dos lanches – xis, bauru, pastel, coxinha e torrada – tem um bufê quente mantido durante 12 horas consecutivas.

    Apesar disso, ou talvez justamente por essas razões, é na Lancheria do Parque que há 26 anos os mais variados públicos convivem em harmonia. Aposentados do Bom Fim e estudantes, porteiros e professores universitários, atletas da Redenção e até baladeiros, passam ali. O cara da banda de rock underground pode estar sentado ao lado do ator de novelas da Globo. Entre eles, centenas de anônimos moradores da região.

    A lenda é que houve um tempo em que o bar não fechava nunca. Sobreviveu ao auge da esquina maldita, aos punks, às drogas, às freqüentes brigas e tiroteios. “Por isso tive que reduzir o horário de funcionamento e agora, fechamos às 2h da manhã”, revela o proprietário Ivo Salton.

    Todos os dias, às seis horas da manhã, ele ergue as cortinas de ferro do nº 1086 da Osvaldo Aranha. Chega de camisa e calça social, mas logo retorna com o jaleco branco e o boné: uniforme inconfundível.

    Ao lado da mulher Inês e do sobrinho Neomar, ele administra o negócio, ao qual dedicou quase metade da vida. “O que me deixa contente é o apoio dos clientes. São compreensivos e me ajudam quando preciso. É esse companheirismo que dá ânimo”, entusiasma-se o descendente de italianos de 56 anos.

    Nas primeiras horas da manhã, o balcão é concorrido. São vigias, brigadianos, agentes da EPTC, enfermeiras e médicos do plantão do HPS. A maioria solitária quer apenas tomar um café, ler o jornal e sair rapidamente. “Venho todas as manhãs, peço um pretinho e um pastel para começar o dia”, diz um segurança, que sai ligeiro sem deixar o nome.

    Aos 82 anos, Mota Turkinez e o amigo Abraão estão ali para jogar palitinho. Não marcam horário, mas no meio da manhã, todos os companheiros já apareceram. Entre uma partida e outra, tomam café e suco de laranja, falam de futebol, dos negócios e até de temas “impróprios para uma moça”.

    Foi por causa de aposentados como o seu Mota, que o ator Zé Victor Castiel começou a freqüentar a Lancheria. “Passei aqui na frente um dia, vi eles jogando palitinho e me lembrei do meu pai”, conta.

    Zé Victor morou muito tempo na rua Felipe Camarão, mas só depois de adulto descobriu a “lanchereca”, como ele chama. Gostou tanto que transformou o local em escritório: “Chegava às 13h, sentava numa mesa lá do fundo e dava expediente até às 19h. Fechava negócios, projetos. O Porto Verão Alegre nasceu aqui”.

    O ator tem inúmeras histórias para contar da lanchereca. Conhece todos pelo os garçons pelo nome e esteve na festa de casamento de cinco deles. Numa ocasião, teve seu carro roubado em frente ao bar. Através de uma mobilização dos garçons e “malandros” que ficam na frente da Lancheria, umas semanas depois, ele recebeu um telefonema enquanto tomava um suco. “O carro estava na Francisco Ferrer, sem nada a menos e tinha um bilhete pedindo desculpas”.

    Mesmo depois da fama e morando num bairro distante, ele garante que sempre arruma um tempo para rever os amigos. “É o elo de ligação com a vida comum, simples. Aqui eu sou eu mesmo, me sinto em casa”, revela.

    É também a simplicidade e o ambiente caseiro que atrai até hoje o empresário Federico, de 38 anos. Sócio de um bar na Cidade Baixa, ele janta todos os dias no final da tarde, antes de ir para o trabalho. “Leio o jornal, como e vou embora. Nem paro pra conversar com ninguém”.

    Rotina bem diferente de duas décadas atrás, quando aos 18 anos, passava na “lanchera” antes de ir no Ocidente. “Era o nosso ponto de encontro”, recorda.

    Com o fim da boêmia na Osvaldo Aranha, a Lancheria perdeu parte do seu público noturno. Mas ainda é possível ver o Frank Jorge tomando uma “ceva” na mesa do fundo. E sempre tem alguém montando uma banda ou combinado uma manifestação.

    A proibição do fumo também espantou um pouco os clientes da noite “Era necessário, não tínhamos ventilação adequada”, afirma seu Ivo.Alguns não se importam. Caso do professor universitário Eduardo. “Fumo na rua, antes de entrar ou quando vou embora”. A suspensão do cigarro trouxe um público novo para o horário: as crianças. Passava das 21h, quando o casal Ana e João entrou com a filha de colo Melissa. Enquanto aguardavam um lanche para levar, tomaram uma cerveja e brincaram com a criança. “Namorávamos aqui, hoje continuamos vindo, só que agora com companhia”, brinca a mãe.
    Bufê permanente e suco: instituições da casa
    Em qualquer momento, entre às 10h  e às 24h, é possível comer um prato de comida caseira pelo preço mais acessível da região. O bufê livre custa R$ 5,00 e os alimentos são repostos quase até a hora de fechar o bar. “Enquanto tem gente comendo, mantemos os pratos quentes”, observa seu Salton.

    O suco natural também é outra marca da casa. A medida é o “liquidificador”, que custa entre dois reais e dois e setenta. “É o melhor custo beneficio da cidade”, garante um corredor do Ramiro Souto.

    “Mamãocomlaranjasemgelo!”, grita o garçom do meio do salão. A orientação revela à todos os freqüentadores os pedidos individuais. “É uma maneira de agilizar”, esclarece Valmir Pederiva – o alemão Baldequi.

    Ele é um dos garçons mais antigos da casa, começou um ano depois da inauguração. Assim como muitos colegas, veio da mesma cidade de seu Ivo, Encantado, no interior do Estado. “Nossas famílias eram vizinhas”.

    Economia solidária
    O garçom conhece quase todos os clientes pelo nome. “A conversa começa pela corneta do futebol, mas depois vem a amizade”, conta Baldequi, que hoje é um dos onze sócios de seu Ivo.

    Através de pequenas cotas, o sistema associativo foi a maneira encontrada para fugir dos encargos e dar mais motivação aos funcionários. A opção desenvolve a imaginação dos freqüentadores e os mais assíduos têm teses sobre a lucratividade da Lancheria.

    “São donos de todo esse prédio”, opina um homem sentado ao balcão. “Todos têm casa na praia ou moram em grandes apartamentos”, garante outro. “Pudera! São mais de três mil pães vendidos por dia”,  acredita um terceiro.

    Reservado, seu Ivo não revela muito sobre o negócio. Com muito custo, conta que em média são vendidos mil pães por dia. “Suco não tem como contar”, desvia.

    Essa reportagem é um dos destaques da edição 385 do jornal JÁ Bom Fim/Moinhos. A publicação é quinzenal e circula gratuitamente nos 10 bairros da área central de Porto Alegre.

  • Caminhada pela Mata Bacelar aberta à padestres

    A Associação dos Moradores da Auxiliadora (AMA) realiza a Caminhada Simbólica de Adoção da Área Pública para Passagem de Pedestres com Área de Lazer no dia 14 de junho, às 10h30.

    O encontro será na escadaria da Paróquia Auxiliadora (24 de outubro, 1751), de onde a mobilização sairá a pé pelas ruas Cândido Silveira e Mata Bacelar, até a esquina da Xavier Ferreira, servidão da Coronel Bordini.

    Apesar da reivindicação dos comerciantes, de permitir o trânsito de automóveis no local, a AMA já apresentou projeto de emenda alterando o Plano Diretor, onde o trecho aparece como leito viário.

    “Solicitamos sua transformação em Área de Interesse Cultural”, revela o vice-presidente Fernando Mello, que lembra ainda que o bairro não possui praça pública.

    Para afastar os temores de que se transforme em mais um ponto de mendicância, o projeto admite o cercamento do espaço, “com fechamento e abertura em horário definido pela comunidade”, completa Mello.

    A Associação dos Moradores da Auxiliadora (AMA) realiza a Caminhada Simbólica de Adoção da Área Pública para Passagem de Pedestres com Área de Lazer no dia 14 de junho, às 10h30.

    O encontro será na escadaria da Paróquia Auxiliadora (24 de outubro, 1751), de onde a mobilização sairá a pé pelas ruas Cândido Silveira e Mata Bacelar, até a esquina da Xavier Ferreira, servidão da Coronel Bordini.

    Apesar da reivindicação dos comerciantes, de permitir o trânsito de automóveis no local, a AMA já apresentou projeto de emenda alterando o Plano Diretor, onde o trecho aparece como leito viário.

    “Solicitamos sua transformação em Área de Interesse Cultural”, revela o vice-presidente Fernando Mello, que lembra ainda que o bairro não possui praça pública.

    Para afastar os temores de que se transforme em mais um ponto de mendicância, o projeto admite o cercamento do espaço, “com fechamento e abertura em horário definido pela comunidade”, completa Mello.

  • Onde foi o dinheiro das estradas?

    Elmar Bones
    Estudo revela que foram gastos R$ 16 bilhões em obras rodoviárias
    As declarações do ex-secretário chefe a casa Civil Cezar Busatto sobre o DAER, como uma das fontes de financiamento dos partidos políticos no Estado, encontra sentido num estudo do economista Julio Francisco Brunet.
    Eis o diálogo:
    Busatto (…) todos os governadores só chegaram aí com fonte de financiamento ou de Detran, do DAER.. quantos anos o DAER sustentou…
    Feijó não sei

    BusattoNa época das obras… fortunas, depois foi o Banrisul…

    FeijóNa CEEE

    Busatto Na CEEE, se tu vai ver…

    Feijóé onde rendia… é onde os grandes partidos estão… não quero saber… é onde tem as possibilidades de financiamento, pode ter certeza de que tem interesses bem poderosos aí controlando (ininteligível) …
    Busatto é uma coisa mais profunda que está em jogo… eu não sei se em alguns lugares se superou isso, acho que sim, né?
    O referido estudo de Brunet sobre “As políticas de investimentos no RS analisa as despesas com obras rodoviárias em oito governos que se sucederam de 1971 a 2002. Em todo o período a rubrica “Transportes” foi a que recebeu o maior volume de investimentos, num total que chega a quase R$ 16 bilhões.
    No governo Antonio Britto, por exemplo, às vésperas das concessões rodoviárias, foram investidos R$ 2,43 bilhões, mais do que o dobro do que seria investido pelo governo seguinte, de Olívio Dutra. Apesar disso,o representante do Daer disse na CPI dos Pedágios que no período de 1996/98 não foram realizados serviços de manutenção devido à “profunda escassez de recursos”.  Nesse período, conforme os dados da Secretaria da Fazenda, os recursos destinados ao DAER chegam a quase R$ 1 bilhão.
    Investimentos no setor de Transportes no Rio Grande do Sul
    Período     Investimento     (R$ milhões)  % do total
    Euclides Triches  (1971/74)   1.475,6      26,33%
    Silval Guazzelli(1975/78)       1.916,0      28,33%
    Amaral de Souza(1979/82)    1.851,6      27,18%
    Jair Soares (1983/86)           2.681,7      48,09%
    Pedro Simon   (1987/90)       2.893,9      38.09%
    Alceu Collares(1991/94)        1.572,5      32,40%
    Antonio Britto(1995/98)        2.431,3      33,21%
    OlivioDura(1999/02              1.109,0      30,33%
    TOTAL                                   15.931,6   100,00%
    Verbas empenhadas pelo DAER antes da privatizações (1995-1998) (em R$)
    1995    127,7 milhões
    1996    217,2 milhões
    1997    278,5 milhões
    1998    486,4 milhões
    TOTAL   1.109,8 milhões
    Fonte: Sistema PFO-SEFA

  • A única pizza na panela do mundo

    Alexandre Haubrich
    Uma panela de ferro sem utilidade e um talento culinário capaz de fazer a massa de pizza crescer no fogo direto é a receita que levou com sucesso os 48 anos do Bar Pedrini, sinônimo de boa mesa e idéias renovadoras na Cidade Baixa (av. Venâncio Aires, 204).
    Depois de tanto tempo, a pizza na panela continua sendo exclusividade da casa. “É a única no mundo”, garante Guilherme Pedrini, filho do fundador Osíris e sobrinho da criadora do prato.
    Guilherme assumiu o negócio no começo de 2008, com a aposentadoria do pai. Promoveu uma ampla reforma no ambiente do bar, mas manteve a vocação original da casa: fomentar debates políticos regados pelo chopp cuidadosamente servido pelos garçons.
    Foi nos anos 1970 que o Pedrini adquiriu essa característica, quando começou a ser freqüentado por importantes nomes da esquerda gaúcha, que encontravam ali um refúgio ao endurecimento da ditadura. “Nessa época, a lotação total se sucedia seis vezes em uma única noite. Era um movimento totalmente fora do comum”, relata.
    Depois das dificuldades enfrentadas na década de 1980, o fim do século trouxe nova vida ao Pedrini, com a aposentadoria dos fundadores Osíris e Antônio. As idéias do jovem administrador resgataram os freqüentadores e atualmente a casa está sempre cheia.
    “O Pedrini atende muita gente com mais de quarenta anos, mas uma nova geração começou a freqüentar o bar. A movimentação de políticos e jornalistas também voltou, e as famílias continuam vindo”.
    Primeiro o minimercado
    Guilherme se criou entre as mesas do bar Pedrini. Mas ele não participou da montagem do antigo mini-mercado, primeiro negócio dos irmãos Osíris e Antônio, ainda na década de 1950, instalado na rua Fernandes Vieira, no bairro Bom Fim.
    Começou a trabalhar quando o mercadinho se mudou para a avenida Venâncio Aires. “Trabalhei com meu pai nas mais diversas funções”, observa.
    Foi justamente o espaço maior que possibilitou a ampliação do negócio. “Eles começaram vendendo dois ou três pratos na hora do almoço”, revela. Aos poucos, as prateleiras foram dando lugar a mesas e o local transformou-se definitivamente em um restaurante.
    Comércio da Venâncio se multiplica
    O Pedrini é possivelmente o mais antigo negócio da Venâncio Aires, mas o comércio da rua está em expansão. Apenas no primeiro semestre de 2008, as quadras compreendidas entre a João Pessoa e a José do Patrocínio ganharam, pelo menos, seis novos espaços.
    Concluída em poucos meses, uma obra em frente ao bar Pedrini abriga desde o início do ano, uma agência do banco Bradesco. A concorrência chega em breve, com a inauguração de mais um Banrisul no mesmo prédio. Entre os dois bancos, o antigo estacionamento permaneceu, agora coberto.
    A padaria Pão e Café foi inaugurada em setembro de 2007, quase na esquina da Venâncio com a Lima e Silva. Além dos serviços tradicionais do ramo, a Pão e Café é confeitaria, lancheria e até restaurante, servindo a la minuta na hora do almoço.
    A pretensão do proprietário Jairo Teixeira da Silva, é transformar o amplo espaço em um centro cultural para divulgar a produção de artistas da Cidade Baixa. No momento, quem entra na padaria pode apreciar pinturas da artista plástica Walquíria Cardona dos Santos, inspiradas em poemas de Mário Quintana. Silva já negocia uma série de pequenos shows com um cantor da região.
    O proprietário também está em busca de fotos antigas da casa de número 249, que abriga a padaria. “Foi construída em 1907, por uma família alemã e tem muita história para contar”, acredita.
    Atravessando a Lima e Silva, o Expresso do Café é outro “faz tudo” da região. Aberto para ser uma locadora de DVDs há cerca de dois anos, o estabelecimento passou a café e hoje é um bar. “Mas um bar diferente”, pontua o dono, Cristiano Araújo. “Tem livros para ler aqui ou para comprar”, revela.
    Essa reportagem é um dos destaques da edição 385 do jornal JÁ Bom Fim/Moinhos. A publicação é quinzenal e circula gratuitamente nos 10 bairros da área central de Porto Alegre.