Autor: Elmar Bones

  • Saúde busca autonomia

    Cleber Dioni

    O PAC para a Saúde foi lançado em 5 de dezembro para garantir a autonomia do país no setor. O Governo Federal quer reduzir a dependência de tecnologias desenvolvidas no exterior.

    “O PAC da Saúde é um programa único, que integra o econômico, o social e a inovação. Com isso, o Brasil não ficará à mercê de acordos com outros países, muitas vezes difíceis, ou dependendo de sobras de produção em outros mercados, como ocorreu em 2007 na importação de produtos relacionados ao sangue, chamados de hemoderivados”, disse o ministro.

    Através da ampliação de programas como Saúde da Família, Farmácia Popular e Brasil Sorridente, o governo quer ampliar o acesso da população aos programas públicos e aos medicamentos. A idéia é levar o Saúde da Família a 27 milhões de crianças nas escolas, de maneira que cada criança seja examinada duas vezes ao ano.

    O Programa Farmácia Popular do Brasil leva à população os medicamentos considerados essenciais. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), órgão do Ministério da Saúde, coordena o programa. Ela adquire medicamentos de laboratórios farmacêuticos públicos ou privados e os disponibiliza nas farmácias próprias e credenciadas a preço de custo. A economia é de até 85%. Os medicamentos contra doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e problemas gástricos, estão entre os mais fornecidos pelas farmácias.

    A balança comercial da saúde, no entanto, ainda é desfavorável. O balanço do volume de exportações da indústria da saúde e o volume de importações, em 2007, foi negativo em US$ 5 bilhões.

    O mercado de saúde no Brasil representa entre 8% e 10% do Produto Interno Bruto (PIB), incluindo aí laboratórios, medicamentos, princípios ativos, vacinas, reagentes, equipamentos, material médico-hospitalar e hemoderivados, além dos mais de 70 mil estabelecimentos de saúde.

    Emprega nove milhões de pessoas, sendo três milhões diretos e seis milhões indiretos. O mercado farmacêutico movimenta R$ 22 bilhões por ano no país. O mercado de equipamentos registra R$ 8 bilhões e o de hemoderivados, vacinas e reagentes, R$ 2 bilhões. “Se somarmos o que se gasta com serviços, seja em planos de saúde ou no SUS, são mais R$ 120 bilhões”, disse.

    Mais vacina

    Visando a auto-suficiência na produção da vacina tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola), o governo inaugurou em outubro passado o Centro de Produção de Antígenos Virais, a nova fábrica de vacinas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A instituição pretende entregar a partir do ano que vem 66 milhões de doses para o programa nacional de imunizações. A previsão é alcançar 100 milhões de doses em 2010.

    “O total deste investimento é de R$ 55 milhões. Com a produção local, todo o investimento realizado se paga até 2010”, disse Temporão.

    A nova fábrica também representa uma plataforma tecnológica que pode ser usada para desenvolver outras vacinas, contra rotavirus, varicela, hepatite A e até dengue.

  • Prefeitos discutem ações contra estiagem

    Cleber Dioni

    Construir cinco mil microaçudes e liberar licenças ambientais a outros 35 mil foram as primeiras medidas em caráter emergencial incluídas num programa estadual para enfrentar a estiagem que, nessa época, castiga grande parte dos municípios gaúchos, principalmente na Metade Sul do Estado.

    Essa foi uma das ações discutidas ontem na Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), num encontro que reuniu prefeitos representantes das associações de municípios da Zona Sul, da região Sudoeste e da Fronteira Oeste e o secretário estadual de Irrigação e Usos Múltiplos das Águas, Rogério Porto.

    Diante de previsões nada animadoras do Centro Gaúcho de Agroclimatologia que indicam um fevereiro de poucas chuvas, o secretário Porto apresentou um programa preventivo para que as administrações municipais possam auxiliar os produtores a evitar prejuízos com a seca.

    O nome é pomposo: Programa Sobreviver – Armazenagem da água das chuvas para uso doméstico em pequenas propriedades familiares rurais no Rio Grande do Sul. A idéia é realizar uma ação conjunta, de caráter permanente, que envolva municípios, Estado e Governo Federal, com verbas e auxílio técnico de vários órgãos estaduais e federais.

    A FAMURS, juntamente com a Emater, fará o cadastramento dos agricultores interessados nos microaçudes e o Estado fará a apresentação do Programa à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

    “Estamos ante a iminência de uma grande estiagem e a Metade Sul é vítima recorrente, mas não se faz nada para resolver o problema. Depois, tem que cobrir os custos com Cheque-Seca, Pró-Água e acaba se gastando muito mais”, afirmou o secretário, lembrando que, em 2005, o Rio Grande do Sul gastou R$ 1 bilhão para sanar os prejuízos na agricultura.

    O programa prevê a realização de uma campanha junto a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) para que o órgão agilize o licenciamento ambiental dos microaçudes, através de estudos por amostragem. “Vamos propor a Fepam que cobre R$ 100,00 por município para que ela faça o estudo de impacto ambiental, mas tem que ser em mutirão a fim de liberar as licenças”, disse Porto, ressaltando que o programa inclui 35 mil dos 152 mil micro-açudes mapeados no RS.

    Mas, essa frente dos prefeitos contra a seca terá que enfrentar outro problema para a construção dos açudes: convencer o Ibama de que esses instrumentos para retenção de água não agridem o meio ambiente. A questão é que centenas de açudes se localizam em Áreas de Preservação Permanente, as APPs.

    Outra medida incluída no programa é a criação de uma linha de crédito federal, nos moldes do Programa de Financiamento à Agricultura Familiar. “Será indispensável, já que o Governo Federal não permite alocar recursos para obras em local privado, a não ser os que estejam em estado de emergência”, afirmou Rogério Porto.

    Após a reunião, o secretário, acompanhado do coordenador geral da Famurs, Glei Cabrera Menezes, e dos prefeitos apresentaram o programa contra a estiagem a governadora Yeda Crusius.

  • A energia que vem do BNDES

    Cleber Dioni

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) possui hoje 20 projetos de usinas hidrelétricas incluídos no Programa de Aceleração do Crescimento.

    De um total de R$ 20,3 bilhões em investimentos, os recursos do PAC chegam a R$ 13,3 bilhões. As novas usinas irão agregar 7,6 mil megawatts ao sistema.

    Incluindo os setores de infra-estrutura, indústria e construção civil, as perspectivas de investimentos no período 2008/2011 são de R$ 1,2 trilhão.

    Isso representa uma aceleração média de 11,8% ao ano no ritmo de investimentos em relação ao período 2007/2010, quando o total mapeado pelo Banco era de R$ 1,049 bilhão. “É uma taxa de expansão muito expressiva”, enfatizou o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

    A maior alta foi registrada na infra-estrutura com 13,2% ao ano. Segundo Coutinho, os resultados garantem o crescimento do país, até mesmo num cenário de turbulência externa.

    “A Formação Bruta de Capital Fixo vem crescendo há 20 trimestres consecutivos , sendo que em 15 deles a expansão do investimento tem sido maior do que a do Produto Interno Bruto”, destacou o executivo.

    Os levantamentos da instituição mostram que o setor da indústria prevê investimentos de R$ 477 bilhões em 2008/2011, com taxa de expansão de 12,4% ao ano em relação a 2003/2006. Para a infra-estrutura o total de investimentos previstos é de R$ 231,7 bilhões. Já a construção residencial responde por R$ 535 bilhões , com taxa de crescimento de 10,7% ao ano.

    Entre os investimentos identificados no setor industrial, o maior volume de recursos está concentrado no petróleo e gás, com R$ 202,8 bilhões em 2008/2011. No segmento de infra-estrutura, o destaque é energia elétrica, com investimentos previstos de R$ 101 bilhões e taxa de crescimento de 19,8% na comparação com o período 2003/2006.

    Quanto ao setor da construção habitacional, a evolução prevista dos investimentos é estimulada pela melhoria das condições do crédito habitacional, com queda de juros e alongamento de prazos; aumento da renda dos trabalhadores; e flexibilização dos recursos do Fundo de Garantia dos Trabalhadores (FGTS).

    “Esse bloco de investimentos é muito robusto, principalmente porque atende a demandas reprimidas”, disse Coutinho, referindo-se a escassez de investimentos na economia em passado recente, sobretudo no setor de infra-estrutura.

    Posição privilegiada

    De setembro de 2006 a outubro de 2007, o Banco aprovou um total de R$ 8,4 bilhões para energia elétrica, alta de 79% em comparação ao período anterior.

    No período de 2003/2006, o BNDES aprovou 129 projetos de energia elétrica, somando financiamentos R$ 16,5 bilhões, que viabilizaram investimentos de R$ 33,5 bilhões no país. Destes, 84 projetos eram referentes à geração de 11.598 megawatts (MW) de energia e receberam do banco financiamentos de R$ 10 bilhões. Em transmissão e distribuição de energia foram aprovados 45 projetos, com empréstimos de R$ 6,5 bilhões.

    As liberações para o setor de infra-estrutura incluem ainda R$ 16,4 bilhões para transportes (alta de cerca de 450%) e R$ 3,8 bilhões para construção (alta de 89%).

    Esse é o segmento que mais contribuiu para a diferença entre aprovações e liberações do BNDES. Nos 12 meses até outubro de 2007 foram aprovados R$ 37,9 bilhões em projetos de infra-estrutura e desembolsados R$ 25,8 bilhões, o que representa uma expansão de 60% na mesma base de comparação.

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a geração de energia por usinas hidrelétricas ainda é a solução mais barata para o Brasil e destacou a posição privilegiada do Brasil na produção de energia pelo potencial de sua bacia hidrográfica.

    “O Brasil tem hoje aproximadamente 100 mil megawatts de energia funcionado. Se pegarmos todas as bacias hidrográficas brasileiras que compõem essa imensidão de rios, teremos aproximadamente 264 mil megawatts. Até 2010, 62 novas hidrelétricas serão construídas no país”, disse. E ressaltou que é preciso manter a atenção ao meio ambiente e à população desses locais que serão alagados. “Temos que desmontar o labirinto de dificuldades porque precisamos fazer as hidrelétricas”, defendeu.

    O PAC prevê investimentos de R$ 18,7 bilhões em infra-estrutura energética na região Sul. Em todo o país serão aplicados R$ 274,8 bilhões no setor, com metas de geração de 12,3 mil MW de energia elétrica até 2010.

    Mais projetos, menos juros

    Conforme dados do BNDES, houve redução em 60% dos custos cobrados nos financiamentos para projetos do PAC, a fim de estimular os investimentos no setor. O spread básico para os projetos de usinas hidrelétricas e termelétricas caiu de 2,5%, em 2005, para 1% em 2007. Essa redução atingiu também os segmentos de produção e distribuição de gás, ferrovias, portos, aeroportos, rodovias, saneamento e transporte urbanos.

    O Banco aprovou em 2007 financiamento de R$ 1,6 bilhão para a construção da hidrelétrica Foz do Chapecó, no Rio Uruguai, entre os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O projeto, da empresa Foz do Chapecó Energia, tem valor total de R$ 2,2 bilhões e prevê capacidade de gerar 855 megawatts.

    O Banco aprovou também financiamento no valor de R$ 1,034 bilhão para a construção da Usina Hidrelétrica de Simplício, no Rio Paraíba do Sul, na divisa dos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. O empréstimo corresponde a 62% do investimento total, de R$ 1,6 bilhão, e será concedido à estatal Furnas Centrais Elétricas, do grupo Eletrobrás. Quando entrar em operação em 2010, a usina de Simplício elevará em 28% a capacidade de oferta de energia hídrica naquele estado.

    Os outros projetos enquadrados no BNDES são Estreito, São Salvador, Monjolinho, Salto Pilão e Serra do Facão. Segundo o chefe do Departamento de Energia Elétrica do banco, Nelson Siffert, todos os projetos de geração hídrica são de controle privado, cujas obras estão em andamento. “Pelos sinais dados pelos empreendedores, o aumento da oferta de energia deverá ocorrer a partir de 2009.

  • Governo prepara balanço do PAC

    Cleber Dioni

    Às vésperas de completar um ano, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal, se desdobra em centenas de projetos nas áreas de energia, logística e infra-estrutura social. Mas o ritmo é lento e a impressão é de que os governos estaduais ainda não acertaram o passo.

    Na próxima terça-feira, 22, o governo divulga o balanço de um ano do Programa, quando deve ser conhecida a situação das obras em andamento e também apresentadas as que serão executadas este ano. Espera-se ainda a confirmação do presidente Lula de que não haverá cortes no Programa por conta do fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

    Os governadores que tomaram a dianteira e conseguiram incluir no PAC projetos e obras que já estavam em andamento, tiveram mais recursos à disposição. Certamente as capitais terão suas obras de infra-estrutura adiantadas devido à escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014.

    Para a maioria, porém, continua a luta contra a escassez de verbas e de pessoal, o que torna muito demorado acertar a formatação dos projetos. Exemplo é a situação de 12 dos principais portos do país, cujos projetos de dragagem apresentados estavam fora dos padrões exigidos pela Secretaria Especial de Portos para a liberação de dinheiro. A SEP dispõe de R$ 2,7 bilhões para investir até 2010 em projetos de revitalização dos portos, mas até agora não conseguiu empenhar a metade dos recursos porque os planos de dragagem não contemplam licenciamento ambiental e estudo de viabilidade técnica, exigidos por lei.

    O Porto de Rio Grande, o principal do Sul e o segundo mais importante do país, tem reservados R$ 420 milhões do PAC para retomar a ampliação dos molhes da barra e a dragagem do canal de acesso ao porto. São R$ 282,8 milhões para os molhes e R$ 140 milhões para aprofundar o canal para 16 metros (50 pés), numa primeira fase. Mas existem pendências que impedem a liberação: a aprovação, pelo Ibama, da licença ambiental e explicações para o Ministério Público.

    A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, uma das lideranças do PAC, já declarou seu descontentamento com a demora nas liberações do licenciamento ambiental. Órgãos de controle do meio ambiente como a Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler (Fepam) proíbem a colocação do lodo retirado da dragagem dos rios em locais próximos de suas margens, consideradas Áreas de Preservação Permanente (APP). A licença só é liberada se forem definidos locais adequados para o destino do lodo, que é contaminado com metais pesados.

    Projetos em dia

    Obras rodoviárias no Rio Grande do Sul e Santa Catarina estão paradas por falta de licenças ambientais ou por problemas nas desapropriações, como ocorre com terras às margens da BR-101, entre os municípios de Osório e Torres.

    Contratempos à parte, um relatório divulgado em outubro pelo governo federal mostrava que 79,9% das ações do PAC estavam com ritmo dos projetos em dia. O restante, 10,4% dos projetos receberam selo amarelo, exigindo maior atenção, e 9,7%, selo vermelho, sinal de preocupação com o andamento das obras.

    Até outubro, 3.212 ações estão sendo monitoradas, entre estudos, projetos e obras, incluindo áreas como saneamento, habitação, dragagem portuária e aeroportos. Até setembro, o governo havia gasto 9,3% dos R$ 14,7 bilhões dos recursos previstos no orçamento do PAC para este ano.

    O PAC foi lançado pelo governo federal no dia 22 de janeiro de 2007 e desde então tem mobilizado prefeitos e governadores em busca de mais recursos para seus projetos de desenvolvimento. Prevê aplicar em quatro anos um total de R$ 503,9 bilhões em infra-estrutura, sendo R$ 67,8 bilhões do orçamento da União e R$ 436,1 bilhões provenientes das estatais federais e do setor privado. Só na área de logística serão construídos, duplicados e recuperados 42 mil quilômetros de estradas, 2.518 quilômetros de ferrovias, revitalizados 12 portos e 20 aeroportos.

    Os investimentos serão aplicados nas áreas de transporte (rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias); energia (geração e transmissão de energia elétrica, petróleo e gás natural e combustíveis renováveis); e infra-estrutura social e urbana (saneamento, habitação, transporte urbano, Luz para Todos e recursos hídricos).

    O programa prevê ainda a construção de rede de água e esgoto para 22,5 milhões de domicílios. E mais 13.826 km de linhas de transmissão de energia elétrica, a instalação de quatro novas unidades de refino ou petroquímicas, a construção de 4.526 Km de gasodutos e instalação de 46 usinas de biodiesel.

  • Projeto tenta implantar reciclagem na Câmara de Porto Alegre

    Carlos Matsubara, especial para o JÁ

    Um projeto de lei do vereador Adeli Sell (PT) prevê a destinação obrigatória dos resíduos recicláveis da Câmara Municipal de Porto Alegre às 14 Unidades de Triagem de Resíduos Sólidos existentes no município. Conforme o parlamentar, o objetivo é colocar em prática o que já é  previsto pelo decreto federal n° 5.940, de 25 de outubro de 2006, que determina que os órgãos da administração federal direta e indireta, devem implantar separação de resíduos recicláveis e destinação a associações e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis.

    “Se o exemplo não começa com as entidades públicas como podemos conscientizar o cidadão comum”, justifica. O PL foi protocolado na segunda-feira, 14 de janeiro, e será encaminhado às Comissões de Constituição e Justiça, Meio Ambiente, e possivelmente, à Comissão de Economia da Câmara.

    De acordo com o texto, o recolhimento será feito pelo Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) e encaminhado, por sistema de revezamento, às 14 unidades de triagem, sem qualquer custo adicional ao legislativo municipal. O PL prevê ainda, que a mesa diretora, através de suas assessorias, fará uma campanha de educação ambiental, além de oficinas de conscientização e divulgação por meio eletrônico.

    “Tivemos várias tentativas de separar de forma mais ordenada os resíduos recicláveis, mas nunca se conseguiu uma separação total, dentre todos os setores e gabinetes da casa”, explica Adeli Sell.

    Ele argumenta que, também nunca se conseguiu dar um destino social adequado, porque da forma como hoje o lixo é tratado “estamos arrumando mais e mais problemas para as futuras gestões desta Casa”. O vereador, no entanto, não soube informar qual o volume de resíduos recicláveis produzidos na Câmara. “Do jeito que é feito hoje, não há como saber porque nem todos separam e outros quando o fazem, nem sempre é de maneira adequada”, diz. “Hoje, o resíduo reciclável é repassado para um atravessador”, completa.

  • ABIN investiga candidatos do PMDB

    Elmar Bones, de Brasília

    Por determinação expressa de Lula, todos os nomes apresentados pelo PMDB para cargos na área de energia, onde o ministro será o senador Edson Lobão,do Maranhão, passarão pelo crivo da Agencia Brasileira de Informações, a Abin, sucessora do Serviço Nacional de Informações, SNI.

    “Quem não tiver ficha limpa não passa”, teria dito o presidente ao seu negociador político, o ministro José Múcio Monteiro. Segundo uma fonte bem situada no palácio do Planalto, alguns dos nomes apresentados já tiverem suas fichas levantadas e o resultado “está mais para prontuário policial do que para currículo funcional”.

    O PMDB, maior partido da base aliada do presidente, quer o Ministério de Minas e Energia no sistema de “porteira fechada”, ou seja, com todos os cargos de chefia, inclusive das estatais da área, preenchidos por indicações do partido. Mas há resistências no governo, principalmente de parte da ministra Dilma Rousseff que não pretende abrir mão do controle sobre as principais estatais da área.

    O ministério das Minas e Energia controla 17 estatais, cujos investimentos este ano superam os R$ 6 bilhões.

  • Dois ministros são vítimas de assalto em Porto Alegre

    Elmar Bones, de Brasilia

    O Correio Brasiliense deu um furo nesta quinta-feira ao noticiar que dois ministros gaúchos do governo Lula – Tarso Genro e Guilherme Cassel – foram vítimas de assalto em Porto Alegre no final do ano.

    O ministro da Justiça, Tarso Genro, perdeu R$ 5,7 mil para os ladrões que atacaram um funcionário de seu escritório no dia 20 de dezembro, no centro de Porto Alegre.

    O funcionário levava o dinheiro para depositar na conta de Tarso quando o carro em que estava foi bloqueado por uma moto e o caroneiro desceu com uma arma na mão e o rendeu.

    Os R$ 5,7 mil correspondiam a uma das 120 parcelas que os sócios doministro estão pagando a ele por sua parte no escritório de  advocacia, vendida há sete anos.

    Mensalmente, um funcionário do escritório político de Tarso recebe o dinheiro num envelope. Não foi explicado por que o pagamento é feito em dinheiro vivo e não por uma transferência ou cheque nominal.

    O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, teve sua casa em Porto Alegre arrombada quando passava o natal com a familia em Santa Catarina.

    O ladrão levou um aparelho de TV, dois DVDs e vários outros eletrodomésticos. A ocorrência foi registrada por um irmão de Cassel.

    Quando voltou para casa, uma semana depois, o ministro foi conferir o boletim de ocorrência e descobriu que a policia tinha o nome e até o endereço de um suspeito, reconhecido pelos vizinhos, mas ainda não havia tomado nenhuma providência porque estava com a equipe reduzida por conta dos feriados de fim de ano.

    Cassel ainda argumentou que se a policia demorasse muito, o ladrão ia vender os objetos roubados. Não adiantou. Depois de alguns telefonemas, em vão, o ministro desistiu.

    A notícia dos dois casos mereceu meia página no Correio Brasiliense, o mais lido no meio político da capital federal, com direito a foto de Tarso Genro e reprodução do boletim de ocorrência. “Nem ministro escapa de roubo”, foi o título. Foi a única notícia do Rio Grande do Sul na edição.

  • Um festival para aproximar olhares

    Cleber Dioni

    A partir desta terça-feira, 8 de janeiro, Porto Alegre é a atração de fotógrafos profissionais e amadores de várias partes do Brasil e de países latino-americanos e europeus. A idéia é original: um festival de fotografia com projeções digitais, sem a necessidade da presença física das imagens. É o Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre, o FestFotoPoa2008, em sua segunda edição.

    Nos cinco dias do evento, vários espaços culturais estarão realizando debates, oficinas, workshops, projeções e leituras de portfólios. O público terá a oportunidade de conhecer e trocar experiências com renomados fotógrafos do Brasil e exterior, além de pesquisadores, galeristas e colecionadores, que irão tratar de diversos temas envolvendo a arte da fotografia. Como dizem os organizadores: “aproximando olhares… expandindo temporalidades…”.

    Na programação das projeções, além do “Fotograma Livre” e da “Fotografia Brasileira Contemporânea”, haverá duas novidades: os “Convidados de Claudia Andujar”, a homenageada dessa edição, e os “Diálogos Internacionais”, com representantes de dez países. Ente os 32 autores convidados estão Christian Cravo, Juan Esteves, Ding Musa, Hirosuke Kitamura e Marcos Bonisson.

    As projeções acontecem no auditório Barbosa Lessa do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, no Margs, no Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa e no Café Santo de Casa – antigo Café Majestic.

    Na noite de quinta-feira, dia 10, o FestFotoPoA, em parceria com a Fundacine e o projeto RodaCine, promove uma noite de projeção de filmes documentários sobre fotógrafos brasileiros, produzidos para o programa “Foto Em Cena” do Canal Brasil. Será uma projeção ao ar livre na Usina do Gasômetro.

    Outra novidade do FestFotoPoa é o leilão de fotos que acontece no sábado, dia 12, no CCCEV, sob a coordenação do jornalista e colecionador de arte Paulo Gasparotto. O Fórum de Fine-Print vai reunir os autores e suas obras com colecionadores, galeristas e todos os interessados em adquirir uma obra assinada. Os recursos arrecadados no Fórum serão canalizados para eventos de ação educativa do festival. As obras que vão participar do Fórum foram doadas pelos autores, entre eles a belga Martine Franck.

    As palestras, debates e seminários, assim como as projeções têm entrada gratuita, necessitando apenas retirar senha. Já as oficinas, workshops e leituras de portfólio têm inscrição antecipada mediante pagamento de uma taxa. A programação completa do Festival e as inscrições para as atividades estão disponíveis no site www.festfotopoa.com.br.

    A promoção e realização do FestFotoPoA é da Brasil Imagem. O projeto, orçado em R$ 95 mil, foi aprovado na Lei Rouanet, de incentivo à cultura, vinculado ao Ministério da Cultura. Os patrocinadores são a Funarte – Fundação Nacional de Artes, a ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing, a Caixa Econômica Federal, o BRDE – Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo-Sul e da FNAC. E tem o apoio de diversas instituições públicas e empresas privadas.

    Linguagens diversificadas

    O coordenador-geral do evento, Carlos Carvalho, destaca o caráter diversificado do festival para atender a um variado leque de linguagens na expressão fotográfica e revela que grande parte do público no festival não é formada por fotógrafos profissionais. “Há uns 4 anos começamos a investir em eventos. Em 2005 trouxemos a Coleção Pirelli/MASP de Fotografia, uma das mais importantes coleções no país. E notamos que existe uma demanda muito grande em Porto Alegre por essa área do conhecimento. Pessoas que simplesmente se interessam pelo assunto, gostam da fotografia e querem trocar experiências, aprender mais”.

    A primeira edição do FestFotoPoA teve um público de cerca de três mil pessoas, de vários estados, divididos em três espaços culturais da capital gaúcha. “Foi um sucesso para a organização”, diz Carvalho, que já projeta pelo menos o dobro de público este ano, tendo em vista que a programação duplicou – em alguns casos triplicou – em relação ao ano anterior, e a participação dos principais nomes da pesquisa e da organização de festivais.

    “A fotografia brasileira é sucesso no cenário internacional contemporâneo. É o destaque em âmbito latino-americano e revelação no contexto mundial. Temos nomes como Sebastião Salgado, que é muito conhecido no mundo todo, o Miguel Rio Branco, o Cássio Vasconcellos. Temos os gaúchos Luiz Carlos Felizardo, Manoel da Costa, Leopoldo Plentz, que é um dos coordenadores do nosso festival. A fotografia documental, o fotojornalismo sempre foi o forte dos brasileiros, mas hoje também há revelações no campo da arte. Temos a Rosângela Rennó, arquiteta e artista plástica. E existe a nova geração que está vivendo num dos melhores momentos da fotografia brasileira.

    Encontros com autores gaúchos

    Dos doze fotógrafos irão participar dos “Encontros com o autor”, quatro são gaúchos: os fotojornalistas Luiz Abreu e Jacqueline Joner, o publicitário e artista plástico Clovis Dariano e o publicitário Fernando Bueno.

    Fotojornalista desde 1974, Jacqueline Joner colaborou com os principais jornais brasileiros. Trabalha hoje como professora de fotojornalismo e no Atelier de Photographia, que abriu em 1989, estendendo sua atividade na área publicitária e a trabalhos de expressão pessoal.

    Fernando Bueno, fotógrafo desde 1972, tem trabalhos representados pelo The Image Bank (hoje Getty Images) e o Licensee The Image Bank, para os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Acumula importantes prêmios em sua carreira como a Menção Honrosa na Nikon Internacional Contest em 1975 e 1976.

    Para Luiz Abreu, 34 anos de profissão, com várias mostras nacionais e internacionais no portfólio, o FestFotoPoa é fundamental para os gaúchos. Ele trabalhou em diversos jornais da capital gaúcha e em revistas nacionais e diz que o momento não é bom para o fotojornalismo no Sul. “Por isso, esse festival é um dos nossos canais de comunicação com o eixo Rio/São Paulo. E, a oportunidade do público de conhecer o trabalho dos grandes nomes da fotografia”, afirma o co-autor dos dois primeiros foto-livros no Estado: “Ponto de Vista – Um Depoimento Fotográfico” e “Santa Soja”, que também geraram exposições.

    Claudia Andujar é a homenageada

    A fotógrafa suíça-brasileira Claudia Andujar é a primeira a receber homenagens de uma série dedicada a nomes consagrados da fotografia brasileira.

    A cada edição, um autor será convidado a revisitar sua obra e dialogar com o público e com outros autores convidados por ele, sobre os principais momentos do seu trabalho e os caminhos diversos na fotografia mundial.

    Claudia viveu a maior parte de sua carreira no Brasil – chegou ao país em 1955 –, onde construiu uma obra documental de grande força expressiva, político e social.

    Após registrar, entre 1956 e 1958, povos da América do Sul, entre os quais os Karajá da Ilha do Bananal, Claudia abandona a pintura para dedicar-se exclusivamente à fotografia, tornando-se mundialmente conhecida ao ter obras adquiridas pelo curador de fotografia Edward Steichen, do MoMA, e publicadas pelas revistas Life e Look.

    Nos anos 60, tornou-se uma das principais fotógrafas da revista Realidade, onde realizou reportagens históricas, entre elas o dossiê “Amazônia” (1968), com os primeiros registros dos Yanomami de Roraima.

    Programação do FestFotoPoA 2008

    08/01
    Encontros com o autor – Fotografia Gaúcha
    Das 9h30 às 11h – Luiz Abreu
    Mediação: Carlos Carvalho

    Das 11h às 12h30 – Clovis Dariano
    Mediação: Leopoldo Plentz

    Projeções
    Das 14h30 às 15h30 – Fotografia Brasileira Contemporânea Selecionados do Fotograma Livre

    Encontros com o autor – Fotografia Gaúcha
    Das 15h30 às 17h – Fernando Bueno
    Mediação: Leopoldo Plentz

    Das 17h30 às 19h – Jacqueline Joner
    Mediação: Carlos Carvalho

    Solenidade de abertura – 20h
    Palestra com Rubens Fernandes Junior
    “A fotografia expandida” e “Sobras na obra de Geraldo Barros”.
    20h30
    Mediação: Carlos Carvalho

    09/01

    Mesa de Debates: “A fotografia profissional no Brasil – cenário atual e futuro”.
    Primeira mesa: 9h30 às 11h
    Produção fotográfica: “Mercado atual e tendências”
    Participantes: Juan Esteves, Luis Claudio Marigo e Fernando Bueno. Mediação: Carlos Carvalho

    Segunda mesa: 11h às 12h30
    Pós foto – “A foto indexada – otimizar a vocação de uma foto”
    Participantes: Zeca Linhares (a migração digital), Gariba (tratamento e finalização de foto) e Antonio Luis Hamdan.
    Mediação: Carlos Carvalho

    Terceira mesa: das 14h às 15h30
    Direito autoral e direito de imagem – “Limites legais da produção fotográfica”
    Participantes: Zeca Linhares (revisão histórica do direito autoral e do direito de imagem. Case: fotografia francesa e a Agência Magnum), Eliane Abrão (advogada especialista em direito autoral e direito de imagem).
    Mediação: Carlos Carvalho

    Palestra: “Os tempos da Fotografia: O efêmero e o perpétuo”.
    Das 16h às 17h30
    Palestrante : Boris Kossoy com a participação da Historiadora Sandra Pesavento.
    Mediação: Luis Eduardo Achutti

    Projeções
    Das 18h às 19h – Programação: Convidados de Claudia Andujar e Diálogos Internacionai

    Encontros com o autor – Claudia Andujar, homenageada
    Das 20h às 21h30
    Mediação: Carlos Carvalho

    10/01

    Seminário de Coleções Públicas e Particulares
    Das 9h30 às 11h – Coleções Particulares Joaquim Paiva e Rosely Nakagawa
    Mediação: Carlos Carvalho

    Das 11h às 12h30 – Coleções Públicas Museu Hipólito e Centro Municipal de Fotografia de Montevidéu.
    Mediação: Sinara Sandri

    Projeções
    Das 14h30 às 15h30 – Fotografia Brasileira Contemporânea e Selecionados do Fotograma Livre

    Encontros com o autor – Boris Kossoy
    Das 15h30 às 17h
    Mediação: Carlos Carvalho

    Palestra – O Digital na produção fotográfica contemporânea
    Das 17h30 às 19h
    Palestrante : Eduardo Brandão
    Mediação: Carlos Carvalho

    Visita ao Museu C. S. Hipólito José da Costa
    Das 19h30 às 20h30 – Exposição Memória Visual de Porto Alegre Cinema e fotografia

    Das 21h às 22h30 – Projeção de filmes documentários produzidos pela FotoInCena em parceria com o Canal Brasil.
    Filmes selecionados para a mostra: Walter Firmo, Walter Carvalho, Rogerio Reis, Paula Sampaio, Luis Braga, J.R.Ripper, Flavio Damm, Renan Cepeda, Evandro Teixeira, Luiz Carlos Barreto. Local: Usina do Gasômetro

    11/01
    Encontros com o autor
    Das 9h30 às 11h – Joaquim Paiva
    Mediação: Carlos Carvalho

    Das 11h às 12h30 – Luis Cláudio Marigo
    Mediação: Carlos Carvalho

    Palestra – A obra de Eugene Smith
    Das 14h às 15h30
    Palestrante: Pedro Karp Vasquez
    Mediação: Zeca Linhares

    Encontros com o autor
    Das 16h às 17h30
    Cia de Foto
    Mediação: Carlos Carvalho

    Palestras
    Das 18h às 19h30 – Elda Harrignton – Fotografia Argentina Contemporânea
    Mediação: Carlos Carvalho

    Das 20h às 21h30 – Alejandro Castelotte – O livro Mapas Abertos da fotografia Latino Americana. Iatã Cannabrava – Os festivais de fotografia na América Latina.
    Mediação: Carlos Carvalho

    12/01
    Encontros com o autor
    Das 9h30 às 11h – Orlando Azevedo
    Mediação: Carlos Carvalho

    Das 11h às 12h30 – Andre François
    Mediação: Sinara Sandri

    Projeções
    Das 14h às 14h30
    Programação Claudia Andujar e Diálogos Internacionais

    Encontros com o autor
    Das 15h às 16h30 – Alex Majoli – Magnum ( participação de Toni Pires – Editor de fotografia do Jornal Folha de S. Paulo)
    Mediação: Carlos Carvalho

    Das 17h às 18h30 – Otto Stupakoff
    Mediação: Rubens Fernandes Junior

    Das 19h às 20h30 – Pedro Karp Vasquez
    Mediação: Carlos Carvalho

    Leilão de Fotografias do FestFotoPoA 2008
    Das 21h às 23h

    Projeções Fotográficas:
    De 8 a 12 de janeiro
    14h- Banco de Imagens do Museu Hipólito : O Movimento da Legalidade(1961) no Arquivo do Palácio Piratini.

    Projeções
    Das 16h às 18h – Fotografia Brasileira Contemporânea

    Projeção do documentário uruguaio “ Al pie del árbol blanco”
    Sobre o fotógrafo uruguaio Aurelio González que reencontra seu arquivo fotográfico após 30 anos. 64″. Legendas em português.
    De 10 a 12 de janeiro, às 15h.

  • Yeda mantém suspense sobre mudanças no secretariado

    Cleber Dioni

    Nas muitas entrevistas que deu na passagem do ano,  a governadora Yeda Crusius teve um cuidado em especial: não adiantar nada ou quase nada sobre a tão comentada reforma no secretariado que ela está planejando.

    Numa delas, Yeda deu a entender que pode inclusive anunciar a mudança somente depois do carnaval. Ela faz questão de dizer que não tem pressa.

    O resultado é que ontem, primeiro dia de atividades políticas de 2008, tudo o que se colheu foram especulações sobre o assunto, que mobiliza os interesses de todos os partidos que apóiam o governo.

    Na Assembléia, os analistas políticos trabalham com uma perspectiva de mudanças em seis secretarias: Casa Civil, Desenvolvimento, Habitação, Turismo, Obras e Ciência e Tecnologia, além da criação de uma secretaria de governo ou secretaria geral.

    As mudanças teriam o sentido de rearticular a base de sustentação política do governo, que em 2007 não conseguiu dar suficiente respaldo às ações da governadora.

    Houve inclusive desgaste em alguns dos partidos da aliança, como o PP e o PDT, cuja recomposição com o governo ainda não é certa.

    Nesse contexto, o mais certo até o momento é a saída do chefe da Casa Civil, Luiz Fernando Záchia, indicação do PMDB. Desgastado depois da derrota do pacote para aumento de impostos, Záchia tem também razões pessoais para sair. Quer candidatar-se a deputado federal na eleição de 2010 e pretende trabalhar intensamente nas eleições municipais deste ano, fortalecendo suas bases.

    Quanto à sua substituição, há muitos indícios, mas nenhuma informação consistente. Um nome forte é o do ex-deputado Cezar Busatto, do PPS, atual secretário de coordenação política na prefeitura de Porto Alegre.

    Ele poderia ir também para a Secretaria de Desenvolvimento, no lugar de Nelson Proença. Ex-secretário da Fazenda, com grande vivência das questões financeiras, as mais graves do Estado, o economista Busatto, no entanto é considerado uma peça imprescindível na estratégia de reeleger José Fogaça este ano.

    Outro nome já incluído nas colunas políticas é o do deputado federal Mendes Ribeiro Filho, do PMDB. Ele seria uma indicação do senador Pedro Simon, mas esbarra na intenção já manifesta pela governadora de fortalecer o seu partido, PSDB, dentro do governo.

    Nesse sentido, ganha força o deputado Cláudio Diaz, que assumiu na vaga do deputado Júlio Redecker.  Representante da Zona Sul, com base em Rio Grande, Diaz é cotado também para a secretaria geral.

    Para essas funções, que seriam essencialmente de coordenação política, ele tem a desvantagem de ser pouco conhecido no resto do Estado.

  • VCP vai plantar 17 mil ha por ano até 2011

    Elmar Bones

    A Votorantim Celulose e Papel já investiu 250 milhões de dólares em seu projeto no Rio Grande do Sul, incluindo aquisição de terras, contratação de pessoal e maquinário.

    A empresa está implantando uma “base florestal” em 12 municípios na região de Pelotas/Bagé para alimentar uma indústria com capacidade de 1,3 milhão de toneladas de celulose branqueada de eucalipto. Já foram plantados 48,7 mil hectares, sendo 37,7 mil hectares em terras próprias e 11 mil em propriedades de terceiros, na modalidade da “poupança florestal”.

    A empresa pretende plantar 17 mil hectares por ano para chegar a 120 mil hectares com plantios de eucalipto em 2011.

    O investimento total da VCP na metade Sul está estimado em 2 bilhões de dólares (US$ 1,3 bilhão na indústria e US$ 700 milhões na base florestal). Hoje a VCP tem mil pessoas empregadas na região, número que chegará a 2.500 quando começar a operar a fábrica.